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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sugeriu assassinar o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Após a declaração, surgiram informações de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria vetado essa possibilidade. O correspondente internacional Luca Bassani traz detalhes do assunto. A bancada do Linha de Frente, coordenada por Fernando Capez, com comentários de Priscila Silveira, Guilherme Mendes, Manuel Furriela e Henrique Krigner, debate o caso.
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NotíciasTranscrição
00:00Bassani traz informações agora atualizadas para o Linha de Frente.
00:04O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sugeriu assassinar o líder supremo do Irã, o Ayatollah Ali Khamenei.
00:14Luca, a morte do líder iraniano pode ajudar a acabar com o conflito?
00:18E é verdade que Donald Trump vetou o assassinato do Ayatollah Ali Khamenei?
00:26Qual a sua visão com relação a isso? Será que o nosso querido Bibi Netanyahu está vendo muito filme do James Bond e está pedindo licença para matar?
00:36Como é que tu fala essa questão?
00:38Pois é, Capês, durante os últimos dias a imprensa americana disse que inicialmente o presidente Donald Trump vetou um plano israelense de assassinar o líder supremo do Irã, o Ayatollah Ali Khamenei.
00:49Da mesma maneira, agora há pouco, o premier Benjamin Netanyahu, falando com a imprensa americana também, disse que não descarta esta ideia, já que ele disse que os israelenses precisam fazer aquilo que tem que fazer.
01:01E que, ao contrário do que muitos pensam, que essa atitude escalaria ainda mais a guerra, na visão dele isso acabaria completamente com a guerra,
01:09porque é exatamente a figura do líder supremo que impulsiona todo este ódio contra o Estado de Israel e também financiou por muitas décadas as suas próxias pelo Oriente Médio.
01:22Vale dizer que Ali Khamenei é o segundo Ayatollah do Irã, o líder supremo do Irã, depois do Ayatollah Khomeini, e ele ocupa esse cargo desde 1989.
01:31Portanto, foi aquele que, de forma mais prática, com as suas políticas de Estado, fez com que o Irã se posicionasse cada vez mais contra o Estado de Israel e cada vez mais contra os norte-americanos.
01:44Como o professor Furiela bem explicou no começo, o Irã tem um presidente, tem um parlamento, mas no fundo quem decide todas as questões, principalmente militares e de política externa, é o líder supremo.
01:54Por isso, muitos acreditam que a eliminação da sua figura significaria paz para o Oriente Médio.
02:00A gente só não pode esquecer que ele também é um líder religioso e o processo de sucessão já está previsto, dada a sua idade avançada.
02:08Então, caso ele seja eliminado por Israel, isso não significaria muita diferença na política externa iraniana, já que já está encaminhado à sua sucessão,
02:17provavelmente pelo seu filho, Moitaba Khamenei, também, que manteria exatamente tudo aquilo que temos atualmente.
02:25Portanto, talvez não fosse a escolha mais eficaz na visão de muitos analistas que dizem que Israel quer uma mudança de regime em Terã,
02:32mas talvez simplesmente matar Ali Khamenei por matar não traria esta mudança efetivamente.
02:37Isso aí está parecendo mais um espetáculo pirotécnico do Bibi Netanyahu para angariar mais popularidade.
02:46Eu não sei nem, eu quero ouvir aqui o professor Manuel Furriella, mas você vai matar um líder religioso,
02:52que é um símbolo maior do regime teocrático iraniano, que é baseado no fanatismo ou na fé religiosa,
03:01e acha que isso vai ajudar? Professor Manuel Furriella, isso ajuda no processo de paz ou ajuda só a manter a guerra como quer o Bibi Netanyahu?
03:11Não, não ajuda. Bom, primeiramente que a gente nunca pode dizer que ajuda,
03:15identificando aí que tem que assassinar, matar qualquer pessoa, mesmo que sejam líderes.
03:20Mas vamos fazer uma análise em relação a essa lógica de desestruturação.
03:25Então, Israel tomou decisão de eliminação, para a gente não falar de assassinato, de matar, ou seja lá qual outra expressão,
03:32vários líderes militares, líderes políticos, não só do Hezbollah, do Hamas, como também do Ira,
03:41até mesmo as principais lideranças militares. Aconteceu isso já na semana passada.
03:46Então, você tem um simbolismo ali de desconstrução,
03:49você tem um simbolismo de criar disputas a partir do momento que você elimina as lideranças,
03:57você tem um objetivo de mostrar fragilidade, de poder.
04:00Então, vários desses funcionam para qualquer uma dessas lideranças,
04:04mas não sobre o Ayatollah, na minha análise. Por que não?
04:08Na minha e de outros também, foi mencionado agora aqui.
04:11Porque como ele também é um líder religioso,
04:13e não só no Irã, mas para toda a região,
04:18isso pode alimentar uma percepção de que a gente tem um conflito religioso aqui.
04:24Isso pode causar um desconforto,
04:28isso pode causar também um arregimentamento da população
04:32a se envolver a favor do governo iraniano,
04:37representado por essa liderança religiosa.
04:40Então, eu não vejo nenhuma utilidade fazendo aqui uma análise fria
04:45do por que serviria esse tipo de ação.
04:49Isso serviria somente para alimentar mais ainda o conflito,
04:53um conflito que poderia virar religioso
04:55e que não teria outra utilidade de desestruturação.
04:58E também, como foi mencionado aqui,
05:00não tenho nenhuma dúvida que haveria rapidamente
05:03uma reposição dessa liderança.
05:06Então, o que eu acredito, se o objetivo,
05:08e me parece que é pelo que disse Benjamin Netanyahu,
05:11também é, derrubar o regime que está no país,
05:16não é matando essa liderança que vai se fazer isso.
05:19Então, desestabilizar o regime, fazer uma mudança,
05:23envolve também a própria população iraniana
05:26ter a crença de que seus interesses devem ser governados de outra forma.
05:31Matar essa liderança que também é religiosa,
05:33acho que não serve para isso.
05:34Meu querido Guilherme Mendes,
05:37o que você acha dessa frase?
05:39Quer dizer, eliminar o Ali Khamenei,
05:41que é o líder supremo do regime iraniano,
05:45acaba com o problema?
05:47Ou no lugar dele vai ter um sucessor ainda mais radical
05:50e vai incitar ainda mais o ódio contra Israel?
05:54Bibi Netanyahu quer mesmo o fim da guerra?
05:57É, cada vez fica mais patente o Capês,
06:00que ele não quer o fim da guerra,
06:01e isso seria um absurdo, não é?
06:04Na medida em que você, como Estado Nacional,
06:07não tem legitimidade nem moral,
06:10e muito menos dentro do direito internacional,
06:12de intervir de uma forma tão enfática
06:15na administração de um outro Estado e de um outro povo, não é?
06:18Com o agravante, como a gente vem aqui colocando,
06:22que aí você romperia uma barreira não só política ou geopolítica,
06:27você romperia uma barreira religiosa.
06:29Então, aventar essa possibilidade,
06:32além de trazer pouca eficácia,
06:34como o professor Furrela colocou aqui,
06:37entraria para um outro campo,
06:39que é um campo muito mais complexo,
06:41que é o campo da religiosidade,
06:43atentando diretamente à questão da própria existência
06:49e da visão de mundo
06:50de muitos daqueles que vivem no Oriente Médio.
06:54Então, assim, é também importante colocar,
06:56o Kriegner aqui fez algumas colocações
06:57a respeito da ineficácia do Conselho de Segurança
07:01e também das Nações Unidas de uma forma geral,
07:04mas o caminho que se coloca aqui
07:06é o caminho entre a civilização e a barbárie.
07:09Na barbárie, no mundo todo, o que vale?
07:11Vale a lei do mais forte,
07:12vale a lei do jovem sobre o velho,
07:15vale a lei da força física masculina
07:17contra a força física feminina.
07:20Mas esse é o mundo que nós queremos?
07:22E parece que não.
07:23De fato, a gente não pode ser governado pelo mais forte.
07:26Se assim não fosse,
07:28os novos comandariam os mais velhos,
07:31os homens comandariam as mulheres,
07:33e aí nós estamos falando aqui de força física,
07:35de força bruta.
07:36A força bruta não governou o mundo
07:38e o mundo não caminhou bem
07:39em nenhum momento da humanidade,
07:41embora, ao fim e ao cabo,
07:43a gente saiba que ela é a última raça.
07:46Esgotadas as possibilidades de racionalização
07:48e de debate,
07:49o que vai sobrar é a força bruta.
07:51Mas é isso que realmente nós queremos para o mundo?
07:54É importante destacar que o Irã
07:56assinou um tratado
07:58e permitiu a visita
08:00da agência de energia nuclear da ONU
08:05e também da representação americana
08:07nas suas plantas
08:08de enriquecimento de urânio.
08:11Depois é bem verdade também
08:13que eles se afastaram do acordo,
08:15como bem pontuou o presidente Donald Trump.
08:18Mas fugir da mesa de negociação,
08:21desligetimar e descredibilizar a ONU,
08:24de verdade,
08:25essa não é a solução
08:27para nenhum tipo de conflito.
08:28Muito menos
08:29o conflito,
08:31um conflito envolvido
08:32o armamento nuclear, não é?
08:33Guilherme,
08:34você não podia ter feito isso, Guilherme.
08:37Você chamou o Krigner para a briga.
08:38Não, não quero.
08:39Eu estou tentando manter aqui
08:40um clima de entendimento.
08:42Você vai e provoca o Krigner
08:44como se ele fosse favorável ao assassinato.
08:47Pode ser que ele seja,
08:48mas você não pode tomar a iniciativa
08:50de cutucá-lo assim.
08:51Agora, Priscila, um momento.
08:52Krigner, você tem seu direito de resposta.
08:55É que o Guilherme trouxe aqui
08:57a questão de que há uma diferença
08:58entre voltar o caminho da barbárie
09:00ou o caminho da civilização.
09:02E não é bem assim.
09:03Porque quando a gente fala
09:05sobre essas organizações internacionais,
09:07a gente precisa lembrar,
09:08o mundo tentou.
09:09Tentou colocar todo mundo na mesa
09:12com o mesmo peso de opinião e de voto.
09:15Isso é a Assembleia Geral da ONU.
09:16Todo mundo ali tem o mesmo voto.
09:18O Conselho de Segurança, claro,
09:19ali são alguns poucos exclusivos,
09:22aqueles que detêm armamento nuclear,
09:24que detinham na época.
09:25Hoje você tem outros países ali que não.
09:26Diga que esses não têm só votos,
09:28tem veto.
09:28Tem veto também, exato.
09:30Na Assembleia Geral,
09:30todos ali têm a mesma voz,
09:32o mesmo tempo de fala,
09:33o mesmo posicionamento.
09:35E tentou, e não dá certo.
09:37Não dá certo por uma série de razões
09:38para uma série de propósitos.
09:41É importante que todos tenham
09:42esse lugar na mesa ali,
09:45lugar de fala, vamos dizer assim,
09:47e possam se posicionar.
09:48Claro que é.
09:49Mas quando a gente está falando,
09:50por exemplo, de questões como essas,
09:52tem certas coisas,
09:54como trouxe o Marcos aqui,
09:55que a gente não consegue ter
09:56esse mesmo peso de diálogo.
09:58Nós temos nações,
09:59e aí isso é inédito
10:01e ali exclusivo
10:02à questão contra Israel,
10:05que dizem que o principal objetivo
10:07da sua política externa
10:08é a eliminação de um outro Estado.
10:10Nós não estamos falando
10:11de uma disputa territorial,
10:13nós não estamos falando
10:13de uma guerra comercial,
10:14nós estamos falando
10:15de erradicação de pessoas
10:17que, isso sim,
10:18isso sim,
10:19aqui no Brasil
10:19a gente precisa definir isso
10:20muito claro,
10:21nós estamos falando de genocídio.
10:22Aí, esse é o caso,
10:23a aplicação dessa palavra,
10:24de pessoas e lideranças
10:26e oficiais e presidentes,
10:28como é o caso do Irã.
10:29Nisso, como é que a gente amplia
10:31o debate
10:31para a comunidade internacional
10:32como um todo?
10:34A gente vai dizer
10:35que uma nação
10:36não tem direito
10:37de se defender
10:38disso, contra isso?
10:40Quando essa nação
10:41que declara que o objetivo
10:42é a eliminação
10:43de um Estado inteiro
10:44e da sua população
10:45começa a pegar
10:46em armas nucleares,
10:47a gente não vai fazer nada
10:48porque o debate amplo
10:50não conseguiu fazer nada.
10:51Então, não é tanto assim
10:52voltar a barbárie
10:54e que o mais forte
10:55ele ganha,
10:55mas é uma questão
10:56de meio termo ali.
10:57Bom, o Guilherme
10:58quer polemizar
10:59porque ele está falando
11:00do assassinato
11:01do Ali Khamenei.
11:02Guilherme,
11:03você tem a palavra aqui,
11:05eu quero,
11:05se precisar,
11:06divide a tela
11:06e vamos poupar os dois.
11:07Não, e a questão toda
11:09não é separar
11:10o discurso
11:10e da prática, não é?
11:11Embora o Kriken
11:12esteja fazendo a menção
11:13que na Constituição Iraniana
11:15haja a menção
11:17à extinção,
11:18eu não sei exatamente
11:19qual é o termo,
11:20mas enfim,
11:20o fim do Estado de Israel,
11:22se a gente for analisar
11:23a diferença entre discurso
11:25e prática,
11:26quem vem atentando agora,
11:27inclusive com a sugestão
11:28da morte do líder supremo,
11:30não só político
11:31como religioso,
11:32de um Estado,
11:33não é bem o Estado iraniano.
11:35Então,
11:35vamos deixar bem claro,
11:37quais foram
11:37os ataques diretos
11:40do Estado iraniano
11:41contra o Estado de Israel?
11:43Nenhum.
11:43Precisa ser direto,
11:45Guilherme?
11:45Se a gente está vendo
11:46eles financiarem
11:47grupos terroristas,
11:49eu acho que isso
11:49é suficiente.
11:50Se nós estamos falando...
11:51Outubro de 23,
11:52é mais do que comprovado
11:54que o Irã
11:54estava ali financiando
11:55o ataque do Hamas.
11:56Mas você está colocando
11:57no mesmo pé de igualdade
11:58um Estado nacional
11:59e um grupo terrorista?
12:00Veja,
12:01nós estamos falando aqui...
12:02A morte de outro Estado.
12:03Não,
12:04mas existem pessoas
12:05que querem a morte de um Estado.
12:06Existem Estados versus Estados.
12:09Existem criminosos versus Estados.
12:11Um grupo terrorista
12:12não pode ter representatividade
12:14e fala nem no Conselho de Segurança,
12:16nem na Assembleia Geral da ONU
12:17e muito menos
12:18a atenção de um Estado nacional
12:19estabelecido
12:20que é regido
12:21pelas normas
12:22de direito internacional.
12:23É muito claro
12:24deixar isso.
12:25Um grupo terrorista
12:25também tem direito à mesa?
12:27Ele permanece
12:28nesse mesmo lugar?
12:29Mas é claro que permanece
12:30porque não...
12:31Mesmo que ele usa
12:31de mercenários terroristas.
12:32um povo
12:33não se resume
12:35no seu governo.
12:36Um Estado
12:37é muito mais
12:38do que um governo.
12:39Então nós não podemos
12:40confundir o Estado iraniano
12:42com o governo iraniano.
12:43Esse é o grande problema
12:44porque como foi colocado
12:46aqui na mesa
12:47enquanto nós vínhamos
12:48ali a fala do Luca,
12:50antes de 79
12:51não havia problema nenhum
12:52entre o Estado iraniano
12:54e o Estado de Israel.
12:56Veja lá.
12:57Então nós não podemos
12:58confundir um governo
12:59que é o que nós estamos
13:00justamente colocando aqui
13:01e o que o doutor Marcos
13:02bem colocou.
13:03Um governo que momentaneamente
13:05está ali no comando
13:07de um Estado
13:08com o Estado
13:09de uma maneira geral.
13:10E a Assembleia Geral
13:11da ONU
13:12é um lugar de representação
13:13de Estados
13:14e não de governos.
13:15Agora,
13:16um governo que
13:17momentaneamente
13:18está governando
13:19o Estado de Israel
13:20se acha legitimado
13:22a atentar contra a soberania
13:23e mais do que isso
13:24a tentar contra a fé religiosa
13:27de um povo.
13:28no caso do Irã.
13:29Então nós não podemos
13:30nos afastar disso
13:31porque nos afastarmos disso
13:33é defender a solução
13:35pela Força Bruta.
13:36E na Força Bruta
13:37o Estado de Israel
13:38sem dúvida
13:39vai fazer valer
13:41os seus interesses.
13:41Quando a gente está falando
13:42de Irã,
13:43nós estamos falando
13:44de um animal
13:44de uma outra espécie aqui.
13:46Nós estamos falando
13:46de um regime teocrático
13:48autoritário.
13:50Não o único no mundo.
13:51Não, mas o regime teocrático
13:53do regime iraniano
13:54ele é bastante singular.
13:56Ele é um regime
13:57que alia religião
13:58com o Estado
14:00e o Estado iraniano
14:02você não permite
14:02eleições do diferente.
14:04Você não permite
14:05nenhum tipo de manifestação.
14:06Então o governo
14:07e o Estado iraniano
14:08nesse momento
14:09eles são sim
14:10uma coisa só.
14:11Porque não existe
14:12a permissão
14:13por parte desse regime
14:14de outro tipo
14:16de expressão
14:17por parte da população iraniana.
14:19Ou seja,
14:19qualquer posicionamento
14:21a mesma mão
14:22que paga
14:23o terrorista do Hamas
14:24para matar
14:24a cidadão israelense
14:26em outubro de 2023
14:27é a mão que cumprimenta
14:28os chefes de Estado
14:29nas Nações Unidas.
14:30É a mesma mão.
14:31É a mesma lógica.
14:33É a mesma estrutura
14:35e eles não têm vergonha
14:36de dizer isso.
14:37É nesse cenário
14:38que não dá
14:38para a gente abrir
14:39para o debate
14:40para todas as nações.
14:40Por isso que há alternância
14:42nos presidentes iranianos.
14:43O que não se afeta.
14:45Indicados pelo mesmo Ayatollah.
14:46Exato.
14:47Indicados pelo mesmo Ayatollah.
14:49Calma a ambos.
14:50Calma a ambos.
14:51Segundo o Guilherme Mendes,
14:53o Irã,
14:54como um Estado soberano,
14:55não pode ter
14:56o seu líder supremo,
14:58seja ele um presidente,
14:59um primeiro-ministro,
15:00um rei,
15:01eliminado
15:02desta maneira.
15:03Porque ele estaria
15:04tentando contra a soberania
15:05de todo o povo.
15:06Segundo o nosso
15:07Henrique Kriegner,
15:08o Irã
15:09é um Estado
15:09que apoia
15:10o terrorismo.
15:11Apoiando o terrorismo
15:12passa a ser
15:13um Estado terrorista.
15:14E sendo assim,
15:15há legitimidade
15:17pela eliminação
15:17do seu chefe.
15:18São duas posições
15:19que são claros
15:21nos entendimentos.
15:22Vamos ouvir a opinião
15:23do Luca e depois
15:24da Priscila Silveira,
15:25que o Luca está conosco.
15:27Luca,
15:28você acompanhou
15:29este acirrado debate,
15:31tive que intervir,
15:31que eles estavam já quase
15:32ameaçando ir para vias
15:33de fato.
15:34Qual a sua avaliação
15:36sobre
15:37essa fala
15:38do presidente Netanyahu?
15:40Por um lado,
15:41você tem
15:41o Ali Khamenei,
15:43que preside
15:44um Estado
15:44que suporta
15:46ações do Hamas
15:47e do Hezbollah,
15:49que levaram
15:50ao que aconteceu
15:50em 7 de outubro de 2013
15:52e muitas outras coisas
15:53que vem acontecendo
15:54ao longo dos anos.
15:55Por outro lado,
15:56é um Estado soberano,
15:57que tem seu líder.
15:58Então,
15:59a eliminação
16:00de um líder soberano
16:01de um Estado
16:02não é como
16:03a eliminação
16:04de um líder
16:04de um grupo
16:05de resistência
16:06ou terrorista.
16:07São duas visões.
16:08como você classifica
16:10essa colocação
16:11do Benjamin Netanyahu?
16:12É para o mercado interno
16:14ou realmente
16:15ele está pensando
16:16em explodir o bunker
16:17em que está
16:18Ali Khamenei
16:20e sua família?
16:23Pois é, Capês.
16:23Eu acredito
16:24que seja
16:25uma solução
16:26que é inviável
16:27do ponto de vista
16:28de troca do regime.
16:29Se o objetivo de Israel
16:30é mudar o regime,
16:31acabar com a República
16:32Islâmica do Irã,
16:33matar Ali Khamenei
16:34não vai resolver
16:35essa questão
16:36porque ele já tem
16:36o seu sucessor
16:37praticamente escolhido
16:38que será
16:38o seu filho.
16:39Mas eu acho
16:40que por mais
16:40que Ali Khamenei
16:41seja visto
16:42como uma figura
16:42tirânica
16:43por grande parte
16:44da população iraniana
16:45e por grande parte
16:46do mundo,
16:47alguém que de fato
16:47financia o terrorismo,
16:49a gente não pode esquecer
16:50da posição dele
16:51enquanto pessoa religiosa.
16:54O termo Ayatollah
16:55que vem do árabe
16:55significa sinal de Deus,
16:57ou seja,
16:58é um título dado
16:59a estudiosos
17:00do islamismo xiita
17:01que são formados
17:02em jurisprudência,
17:04teologia,
17:04filosofia,
17:05ou seja,
17:05alguém respeitado
17:06dentro da sociedade
17:07e no caso
17:08de Ali Khamenei
17:09ele também é um saído,
17:11ou seja,
17:11ele é considerado
17:12um dos descendentes
17:13diretos de Maomé.
17:15Por mais que as pessoas
17:15não nutram
17:16o sentimento bom
17:17pelas suas políticas,
17:19a sua figura
17:19enquanto descendente
17:21do profeta máximo
17:22para o islã
17:22poderia fazer
17:23com que o seu assassinato
17:25significasse
17:26também a população
17:27se colocando
17:29ao lado do governo
17:30contra Israel
17:31ou essa mudança
17:32de governo
17:32de fato
17:33não acontecesse.
17:34Por isso mesmo
17:34que eu acho
17:35que essa é uma figura
17:36muito tirânica,
17:38uma figura
17:38que é vista
17:39como alguém
17:41muito, muito complicado,
17:43mas a sua eliminação
17:44não vai solucionar
17:46o problema
17:46do povo iraniano.
17:48Muito obrigado,
17:49Luca Bassani.
17:49Fica aí com a gente, tá?
17:50Eu quero ver agora
17:51o professor Manuel Fugueli.
17:52Ele se acompanhou,
17:53professor,
17:54esse debate.
17:55Tanto o Guilherme Mendes
17:56quanto o Henrique Krieger,
17:57eles estão muito preparados.
17:59Os dois sabem
17:59aquilo que falam
18:00e têm posições
18:01e fundamentos
18:02para embasar
18:03suas colocações.
18:04É uma questão
18:05de ponto de vista.
18:06Cada um tem o seu.
18:07Por isso chama linha de frente.
18:09Aqui é para debater,
18:09não é para concordar.
18:11Então ninguém tem
18:11obrigação de concordar
18:12com ninguém aqui.
18:13Eu quero ouvir
18:14a sua posição.
18:16Bom, primeiro,
18:17aqui é total ausência
18:18de você ter
18:19uma organização
18:20multilateral
18:21botando ordem,
18:23organizando a situação.
18:24Quando você deixa
18:25a critério
18:26das partes envolvidas,
18:28quem tem mais poder
18:29acaba impondo
18:31a sua vontade
18:32e a gente fica
18:32com essa disputa regional
18:34que nós temos
18:34entre Israel
18:35e o Irã.
18:36Se você tivesse
18:37a ONU
18:38dirimindo,
18:39determinando,
18:40tomando providências
18:41contra esse programa
18:42nuclear
18:43desenvolvido
18:44pelo Irã,
18:45a gente teria
18:46outro cenário.
18:46E aqui eu queria
18:47dar um alerta
18:47ainda maior
18:48sobre esse programa
18:49nuclear.
18:50Então você tem
18:51a iminência
18:53ou cada vez
18:54fica-se mais próximo
18:55da produção
18:56de uma bomba nuclear
18:57que nós temos
18:57de dois tipos.
18:58uma é convencional,
19:00muito mais potente
19:01do que aquela
19:02que vocês viram
19:02sendo lançada
19:03em Urshima e Nagasaki,
19:0540 vezes mais potente
19:07no mínimo.
19:08Só para vocês
19:09entenderem
19:09do que a gente
19:10está falando aqui
19:10e do risco
19:12não só para Israel,
19:13quanto um risco
19:14total aqui
19:15para o mundo todo.
19:17Além disso,
19:18você tem a tática
19:19que é uma tecnologia
19:20muito refinada,
19:21como tem a Rússia
19:22e os Estados Unidos,
19:24que é uma bomba
19:24nuclear mais controlada.
19:26Mas você tem
19:26uma outra modalidade
19:27que surgiu
19:28a partir do momento
19:29que começou
19:30o contrabando,
19:31não tem outra expressão
19:31para utilizar,
19:32de tecnologia nuclear
19:34que levou a tecnologia
19:35para a Coreia do Norte,
19:37levou para o Paquistão,
19:38que hoje são países
19:39que têm esse armamento.
19:41Quando você não chega
19:42num nível tão alto,
19:43mas você já enriquece
19:44o urânio
19:45no nível que o Irã
19:47já estava enriquecendo,
19:48você tem um armamento
19:49que chama bomba suja.
19:51A partir do momento
19:52que um Estado
19:52tenha domínio
19:53sobre a tecnologia
19:54de mísseis e o Irã tem,
19:56mísseis balísticos,
19:58ele pode desenvolver
20:00uma tecnologia
20:01que não é tão sofisticada
20:02para colocar rejeitos nucleares,
20:05olhem só,
20:06dentro de um míssel
20:07e lançar contra o Israel,
20:09por exemplo.
20:10Então, nós temos sim
20:11um risco muito elevado.
20:13Bom, aí você tem
20:13dois pontos de vista.
20:16Israel, ao invadir o Irã,
20:19tomou decisão
20:19por conta própria,
20:20não levou para a ONU,
20:22isso não trairia legitimidade
20:24e não traria respaldo
20:25pelo direito internacional,
20:27porque seria a decisão
20:28de um Estado
20:28e não uma decisão
20:30colegiada internacional
20:32pelo órgão próprio,
20:33Conselho de Segurança.
20:35Agora, também já se sabe
20:36que lá do Conselho de Segurança
20:37não vem essa decisão.
20:39ONU enfraquecida
20:40e Conselho de Segurança
20:42com dois,
20:43com assento permanente,
20:44como o caso da China
20:45e da Rússia,
20:46que não iam votar
20:47por nenhum tipo
20:48de intervenção sobre o Irã.
20:49Então, você tem
20:50duas questões.
20:51Mas eu não queria
20:52que ninguém esquecesse
20:54do risco internacional
20:56e até mesmo para Israel
20:58dessa tecnologia nuclear,
21:00mesmo que rudimentar.
21:02Então, eu acho
21:03que Israel,
21:04apesar de tudo,
21:05justificativa tem.
21:07Não consegue respaldo
21:08no Conselho de Segurança,
21:09mas fica com risco
21:10de tomar, no mínimo,
21:12uma bomba nuclear suja.
21:14Então, não sou a favor
21:15do que está acontecendo,
21:17mas eu acho
21:17que faltou alguém mediar.
21:19Se não a ONU,
21:20os Estados Unidos.
21:21Excelente colocação
21:22do professor
21:23e me dá o gancho
21:23para perguntar
21:24aqui a Priscila Silveira.
21:26Priscila Silveira,
21:27nós tivemos
21:27um presidente iraniano
21:29chamado Mahmoud
21:30Arminijad.
21:32Ele teve um mandato
21:33que foi de 2005
21:34a 2013.
21:36Oito anos de mandato.
21:38E ele pregava ali
21:39a destruição de Israel,
21:41negava o holocausto,
21:43enfim,
21:44e dizia que
21:45ele chegou a dar
21:46armas e treinamento
21:47para o Hezbollah
21:48e para o Hamas.
21:48Por outro lado,
21:50apareceu agora há pouco
21:51o parlamentar
21:54Itamar Bengvir,
21:56que prega também
21:57a aniquilação
21:59do povo palestino,
22:00a ocupação total
22:01de Gaza
22:02e da Cisjordânia,
22:03o deslocamento
22:06residencial
22:06de todas as pessoas
22:08que moram ali em Gaza,
22:09se tem envolvimento
22:10com o terrorismo
22:11ou não.
22:11E agora,
22:12culminando com
22:13o primeiro-ministro
22:14Benjamin Netero,
22:15falando abertamente
22:17qual é a maior normalidade
22:18em assassinar
22:19o líder
22:20de um país.
22:21Eu pergunto a você,
22:23Priscila Silveira,
22:25cadê a ONU,
22:26pelo amor de Deus,
22:27cadê a ONU,
22:28Priscila?
22:29Vamos falar aí
22:30sobre a ONU,
22:30sim, Capês,
22:31mas aqui dentro
22:32do que a gente escuta
22:33nos debates
22:33dos colegas,
22:35é bom a gente lembrar
22:35Fernando Pessoa.
22:37Fernando Pessoa,
22:38ele disse a seguinte,
22:39andando pelo...
22:40Dois amigos meus brigaram.
22:42Andando pelo caminho,
22:43encontrei um deles
22:44que me disse a sua verdade
22:45e eu acreditei.
22:47Mais à frente,
22:48encontrei o meu outro amigo
22:49que também me disse
22:50a sua verdade.
22:51Qual delas acreditarei?
22:52É mais ou menos
22:53o cenário
22:53que a gente observa
22:55dessa guerra.
22:55Guerra nunca,
22:57obviamente,
22:57vai ser boa.
22:58A gente tem desgraça,
23:00a gente tem...
23:00Como está acontecendo?
23:02Colapso hospitalar,
23:03falta de alimentos,
23:04questões humanitárias,
23:05e aí a gente entra
23:06para falar,
23:07evidentemente,
23:07da ONU,
23:08a gente tem pessoas civis
23:10sendo atacadas
23:11de ambos os lados,
23:11então 80% dessas pessoas
23:13que morreram
23:14são civis
23:15e a gente observa aí
23:16violações,
23:17a própria guerra
23:18desse contra-ataque,
23:19mas quando a gente fala
23:20da ONU,
23:21Capês,
23:22é bom a gente lembrar
23:23que a ONU,
23:23ela fez aí um pedido
23:25de cessar fogo,
23:26mas infelizmente
23:28ela não tem ali
23:29dentro do seu poderio
23:30um efeito vinculante,
23:32então o pedido dela,
23:33muito embora exista
23:34e a gente observa
23:35que foi feito,
23:36enfim,
23:36o secretário Antônio Guterres
23:37faz esse pedido
23:38para cessar fogo,
23:39a gente observa
23:40que esse pedido
23:41que seria feito
23:42ou na verdade
23:43existente de forma
23:44imediata
23:44não tem efeito vinculante,
23:46o que isso quer dizer,
23:47Capês,
23:47Israel de um lado
23:48traz como forma
23:50de fundamentar
23:51os seus ataques,
23:52resposta à ameaça
23:53representando ali
23:54o pelo programa
23:55nuclear iraniano,
23:56o professor Manuel
23:57pode até depois
23:58falar um pouco mais
23:59sobre isso,
23:59defesa nacional
24:01da sua prevenção
24:01e de outro lado
24:02o Irã,
24:03dizendo que não,
24:03que é uma agressão
24:05de Israel
24:06de forma ali
24:06injustificada,
24:08porque viola
24:09direitos internacionais,
24:10ataca instalações nucleares
24:12e segundo o Irã
24:14ele teria ali
24:15ações legítimas
24:16contra ataques externos
24:17e Israel queria
24:19manter de alguma forma
24:20ou mantém,
24:21segundo o Irã,
24:22a sua hegemonia
24:23naquele lugar.
24:24Agora,
24:25matar um líder religioso
24:27eu penso que
24:28só vai pulverizar
24:29ainda mais
24:29esse ódio
24:30porque a gente observa
24:31que ali
24:31não é só um ódio
24:33religioso,
24:34é territorial,
24:34é bélico,
24:35então,
24:36lógico que
24:37longe de trazer,
24:38eu perguntei há pouco
24:39para o nosso entrevistado
24:40Marcos,
24:40o que ele achava
24:41que pudesse ser feito
24:42ele disse,
24:43olha,
24:44se não entregarem
24:45os reféns
24:46nós não temos
24:48nem o que dialogar
24:49porque segundo ele
24:49seria ali
24:50um diálogo
24:51com pessoas
24:52que são terroristas
24:54mas se não tiver
24:55um ponto
24:55onde haja
24:57de alguma forma
24:58a possibilidade de cessar
24:59o que eu observo
25:00que isso só vai
25:00se estender
25:01e a gente está
25:02adiante aí
25:03claro que
25:04antes disso
25:04a gente tem que observar
25:05que eu não sei
25:05se ali mesmo
25:06a gente tem a intenção
25:07de ambos os lados
25:08de avançar
25:10com essa guerra
25:10um porque não tem
25:11material bélico
25:12outro porque
25:13por questão
25:13territorial
25:14então enquanto isso
25:15pessoas civis
25:17morrem
25:17e a gente
25:18continua seguindo
25:19desde 2023
25:20desde 79
25:21depois de 2023
25:23e até agora
25:24com essa extensão
25:26dessa guerra
25:27que prejudica
25:28sim não só
25:28aquele território
25:30mas acaba reverberando
25:31em todo o mundo
25:33de alguma maneira
25:34porque não são só
25:35pessoas que morrem
25:36atacam a economia
25:38e essa tensão
25:39de possivelmente
25:40surgir aí
25:41uma outra guerra mundial
25:42Capês
25:43você me deu um gancho
25:44aqui para eu
25:44fazer uma pergunta
25:45para o Luca
25:45com o comentário
25:46do professor Furriella
25:47sobre o programa
25:49nuclear do Irã
25:50o quanto ele
25:51foi afetado
25:52mas antes eu queria dizer
25:53que você me emocionou
25:54porque você
25:56me fez agora
25:57lembrar
25:58que o meu saudoso
25:59sogro
25:59Humberto Palermo
26:00se inspirou
26:01sem que eu soubesse
26:02em Fernando Pessoa
26:03certa feita
26:05a minha sogra
26:06chegou para ele
26:07e disse
26:07Humberto
26:08o Fernando
26:10está me dando
26:10algumas respostas
26:11atravessadas
26:12eu acho isso errado
26:14você pode falar
26:14com ele
26:15ele disse
26:16isso é inadmissível
26:17eu vou falar com ele
26:18quando ele veio
26:19falar comigo
26:20eu disse
26:20que a sua esposa
26:22está se tornando
26:23cada vez mais
26:23inconveniente
26:24o senhor pode
26:25falar com ela
26:26ele disse
26:27ela tem razão
26:28mas sabe que você
26:29tem razão
26:30minha esposa
26:32chegou e disse
26:32pai eu não entendi
26:33minha mãe reclama
26:34do Fernando
26:35o senhor diz
26:35que ele tem razão
26:36o Fernando reclama
26:37da minha mãe
26:38e o senhor diz
26:38que ele tem razão
26:39não estou entendendo
26:39todo mundo tem razão
26:40e ele disse
26:41sabe que você
26:42também tem razão
26:43Luca Bassani
26:45está aí conosco
26:46e sempre tem razão
26:48eu quero fazer
26:49uma pergunta
26:50a você
26:51meu querido
26:51Luca Bassani
26:52Luca
26:54que sempre tem razão
26:56me diga uma coisa
26:58o quão afetado
27:01está o programa
27:03nuclear do Irã
27:05que é disso que se trata
27:06toda essa confusão
27:08nós sabemos
27:09que ele está
27:10a dezenas e dezenas
27:12de metros
27:13subterrâneo
27:14com várias camadas
27:15de proteção
27:17e não sabemos
27:18se foi atingido
27:19ou não
27:19os Estados Unidos
27:20tem uma bomba
27:21que ele forneceu
27:22ao Israel
27:23capaz de penetrar
27:24no subsolo
27:26iraniano
27:27na sua avaliação
27:29o quão comprometido
27:31está o programa
27:32nuclear
27:33iraniano
27:34e se
27:36até o final
27:36dessa operação
27:37ele estará
27:38definitivamente
27:39comprometido
27:40é difícil saber
27:41mas você é um homem
27:42informado
27:42qual a sua avaliação
27:44qual a observação
27:44do professor
27:45especialista em relações
27:46internacionais
27:47Manoel Furriella
27:48Luca Bassani
27:48olha Capes
27:50uma questão muito boa
27:51ao invés de dar
27:53só a minha avaliação
27:54eu vou dar
27:54alguns relatórios
27:56trazidos pela própria
27:57agência internacional
27:58de energia atômica
27:59através do diretor-geral
28:00o argentino
28:01Rafael Grossi
28:02que diz que
28:02a instalação
28:03de Natanz
28:04que faz
28:05enriquecimento
28:05de urânio
28:06aquela que está
28:06na superfície
28:07foi altamente
28:09danificada
28:09mas a principal
28:10delas
28:10que tem as principais
28:11centrífugas nucleares
28:13capazes de enriquecer
28:14urânio
28:14acima de 60%
28:16estão subterrâneas
28:17elas foram pouco
28:18atingidas
28:19mas o seu suprimento
28:20de energia
28:21foi sim
28:22afetado
28:22o que afeta
28:24todo o processo
28:25de centrifugação
28:26de enriquecimento
28:26de urânio
28:27portanto
28:27pode sim ter havido
28:28um comprometimento
28:30grande
28:30nesta questão
28:31mas nada muito
28:32profundo
28:32na região de Fordos
28:34onde há uma usina
28:35nuclear
28:36dentro da montanha
28:37aí a destruição
28:39foi quase nula
28:39porque é uma localidade
28:41muito bem escondida
28:42pelos iranianos
28:43e os israelenses
28:44sabem onde isso
28:45fica geograficamente
28:46mas não tem
28:47poder de fogo
28:48para penetrar
28:49essas instalações
28:50como você bem disse
28:51a bomba
28:52chamada de
28:52bunker buster
28:53aquela que destrói
28:54bunkers
28:55e conseguiria
28:56destruir
28:56essas instalações
28:57subterrâneas
28:58ou muito
28:58dentro de montanhas
29:00elas não foram
29:00concedidas
29:01em grande quantidade
29:02pelos norte-americanos
29:04portanto o Israel
29:04sabe que não tem
29:06a capacidade
29:06de destruir
29:07tudo aquilo
29:08que o Irã
29:08construiu
29:09durante os últimos anos
29:10mas os próprios
29:11israelenses
29:12dizem que
29:13a destruição
29:14causada até agora
29:16já é o suficiente
29:16para fazer com que
29:17o programa nuclear
29:18iraniano
29:19retroceda
29:20alguns anos
29:21do tempo
29:21ou seja
29:22para quem estava
29:22na iminência
29:23de conquistar
29:24o poder atômico
29:25enriquecer o urânio
29:26acima de 90%
29:27eles agora
29:28pelas perdas
29:30teriam voltado
29:31talvez uma década
29:32falam alguns
29:33militares israelenses
29:3415 anos
29:35ou seja
29:35isso atrasa
29:36o programa
29:37nuclear dos iranianos
29:38e faz com que
29:39talvez uma resposta
29:40diplomática
29:41uma saída diplomática
29:42possa ser pensado
29:43neste meio termo
29:45de qualquer maneira
29:45acabando com o programa
29:47nuclear ou não
29:48os danos são grandes
29:49o Irã terá muita
29:50dificuldade
29:51tanto econômica
29:52quanto cronológica
29:54para recuperar
29:54o patamar que estava
29:55antes dos ataques
29:56de quinta-feira
29:57o que faz com que
29:58todos os países
29:59naquela região
29:59e não só Israel
30:00também respirem
30:01aliviados
30:02porque a gente
30:02não pode esquecer
30:03que todos os países
30:04sunitas ao seu entorno
30:05incluindo o Paquistão
30:06que não é árabe
30:07mas também tem arma nuclear
30:08Arábia Saudita
30:09a Síria agora
30:10sobre um novo regime
30:11Jordânia
30:12Emirados Árabes
30:13até mesmo Egito
30:14não tem simpatias
30:15com o regime iraniano
30:16e não querem que se torne
30:18um estado nuclear
30:19exatamente
30:19por esse antagonismo
30:21que representa
30:21não só politicamente
30:22mas também
30:23religiosamente
30:24com o chiísmo
30:25que defende
30:26agora
30:27professor Furriella
30:28depois de um ataque
30:29no mínimo humilhante
30:31como esse
30:32que sofreu o Irã
30:33com a destruição total
30:34de suas defesas aéreas
30:36como é que agora
30:37ele vai dizer
30:38que vai manter
30:39o programa nuclear
30:40apenas para fins pacíficos
30:42me parece que
30:43o caminho
30:44que vinha sendo adotado
30:45até então
30:45era o caminho
30:46da fiscalização
30:47das agências
30:48da organização
30:49de controle atômico
30:51de energia nuclear
30:51da ONU
30:52o quanto isso compromete
30:54tem o receio seguinte
30:55agora retrocedeu
30:57atrasou o programa nuclear
30:58mas as raízes
31:00de ódio e ressentimento
31:01vão perdurar
31:02por décadas
31:03sem dúvida
31:04o Irã
31:05ele tem duas estratégias
31:07em relação a armamentos
31:08que ele desenvolve
31:10em larga escala
31:11primeiro os mísseis
31:12a gente falou aqui
31:13no programa
31:13bastante sobre isso
31:15é uma tecnologia
31:16muito desenvolvida
31:17muito sofisticada
31:19principalmente
31:20ali para a região
31:21e a outra
31:21é a agenda
31:23de desenvolvimento
31:24de um armamento
31:25de uma bomba nuclear
31:26não assumido
31:27mas obviamente
31:28que é essa agenda
31:30por que que é essa agenda?
31:31o armamento nuclear
31:32é o mais poderoso
31:33que nós temos
31:34e serve
31:35a dois propósitos
31:37um
31:37como dissuasão
31:39é o caso
31:39da Coreia do Norte
31:40ela sempre avisa
31:41que ninguém mexa com ela
31:42tente derrubar
31:43o seu governo
31:44porque ela tem
31:45uma arma nuclear
31:46isso é uma
31:46uma das utilidades
31:48de uma arma nuclear
31:48a outra
31:49propriamente
31:50para ameaçar
31:50vizinhos
31:51Israel
31:51é o principal alvo
31:53então você tem
31:53duas estratégias
31:55agora falando um pouco
31:56do
31:56do
31:56de Israel
31:57em relação
31:58a região
31:59e armamentos nucleares
32:00não é a primeira vez
32:01que Israel
32:02toma atitudes
32:03em relação
32:04a armamentos nucleares
32:05tomou na Síria
32:07num programa
32:08também nuclear
32:09que estava sendo desenvolvido
32:10para destruir na Síria
32:11e também
32:12em relação ao Iraque
32:13e outra informação
32:15importante
32:15por que que é difícil
32:17você destruir
32:18essas instalações?
32:20porque nelas
32:20estão contidos
32:21está contido urânio
32:23já em vários casos
32:25aí já um urânio
32:25desenvolvido
32:26e esse urânio
32:27enriquecido
32:28ele pode
32:29através de um ataque
32:30vazar
32:31causando um enorme
32:33vazamento
32:34e causando problemas
32:35como a gente já visualizou
32:36por exemplo
32:37em Chernobyl
32:37quando a usina
32:39nuclear de Chernobyl
32:40explodiu
32:40em Fukushima
32:41no Japão
32:42e ali
32:43com um ataque
32:45com utilização
32:46de armamentos
32:47teria um vazamento
32:48de enormes proporções
32:49então é muito difícil
32:50você fazer um ataque
32:52militar
32:53ou bombardear
32:54e causar
32:55danos significativos
32:56para destruir
32:57propriamente
32:58o desenvolvimento
32:59no nível
33:00que já está
33:01no Irã
33:03então grandes estragos
33:04sim
33:05eles acabaram
33:06acontecendo
33:07e o Irã
33:08partiu do desenvolvimento
33:09das armas nucleares
33:11com duas estratégias
33:12que foram muito comuns
33:14em outros países
33:15inclusive no Brasil
33:16chegou a ter
33:17esse plano aqui
33:18quando a gente comprou
33:19as usinas alemãs
33:20com transferência
33:21de tecnologia
33:22as que a gente tem
33:23em Angra dos Reis
33:25uma é americana
33:26as outras vieram
33:27com transferência
33:27de tecnologia
33:28você começa
33:29com a usina
33:30e você começa
33:31a enriquecer mais
33:33até chegar ao ponto
33:34de ter o armamento
33:35nuclear
33:35o Brasil não
33:36acessou esse programa
33:38mas lá eles tentaram
33:39desenvolver dessa forma
33:40e com outra também
33:42outro requisito
33:43que é essencial
33:44ter os cientistas
33:45Israel matou
33:47alguns dos principais
33:48esse conhecimento
33:50científico
33:51sim
33:51é muito relevante
33:53foi o que fez
33:54os Estados Unidos
33:55terem quando desenvolveram
33:56o projeto Manhattan
33:57da bomba nuclear
33:58e o outro
33:59é via
33:59enriquecimento
34:01para fins pacíficos
34:02dizendo que é
34:02para produção de energia
34:04então
34:04sim
34:05houve um dano
34:07muito severo
34:08esse processo
34:09no mínimo
34:10houve
34:11um estancamento
34:12do desenvolvimento
34:13fica agora
34:14muito difícil
34:15uma retomada
34:16nesse desenvolvimento
34:18mas
34:19destruir por completo
34:20é praticamente
34:21impossível
34:22pela via de bombardeio
34:23por conta
34:24dos vazamentos
34:24que a gente
34:26não
34:26que a gente
34:28não
34:29que a gente
34:30que a gente
34:31a gente
34:32se vê
34:33isso
34:34e
34:35tem
34:36que a gente
34:37isso
34:38vai
34:38é
34:39e
34:39que
34:41a gente
34:43que
34:43que
34:43a gente
34:44que
34:44que
34:46vamos
34:46a
34:46a
34:46que
34:48que
34:48a
34:48a
34:48a
34:49a
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