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A política tarifária de Donald Trump impacta o setor de alimentos e pode favorecer o avanço do agro brasileiro no cenário global. Em entrevista ao Agora, Alê Delara, diretor da Pine Agronegócios, analisou os efeitos para a produção mundial.

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Transcrição
00:00E um dos setores impactados pela política tarifária de Trump é o de alimentos.
00:05Programas agropecuários colocados em prática nos Estados Unidos
00:08podem afetar a produção mundial e abrir espaço para o avanço do agro brasileiro
00:13no mercado internacional.
00:15A gente vai analisar esse panorama e também as possibilidades
00:18com o Alê Delara, diretor da Pine Agronegócios.
00:24Oi Alê, bom dia para você.
00:25Muito obrigada pela sua participação ao vivo com a gente aqui no Agora.
00:30Bom, para a gente começar essa conversa, vamos contextualizar
00:33por que esse novo governo, esse segundo mandato de Trump,
00:37está remodelando o sistema alimentar como um todo
00:40e aí a gente entra falando das oportunidades para o Brasil.
00:45Bom dia, primeiro obrigado pelo convite novamente.
00:50Realmente o Trump veio para a briga agora internacional,
00:54ele está redefinindo, vamos dizer assim, a geopolítica do agro de produção de alimentos.
01:01Ele tem algumas intenções que, no meu entender, estão um pouquinho mais ocultas
01:07e as tarifas que ele está implementando contra vários países
01:10e principalmente tendo como alvo a China, é para tentar recuperar a força dos Estados Unidos.
01:16Isso me faz crer, me faz crer esse tipo de política,
01:20porque ele está tentando recuperar, de certa forma, o poder marítimo dos Estados Unidos,
01:25ele está tentando reindustrializar os Estados Unidos
01:28e as tarifas são apenas um dos pontos, uma das ferramentas que ele está usando
01:34para tentar implementar esse plano.
01:36Além disso, ele também quer reduzir o endividamento norte-americano,
01:39que é absurdamente alto.
01:41Dois terços dessa dívida vencem agora durante o mandato dele
01:46e a rolagem dessa dívida está muito cara.
01:49Então, foram emitidas dívidas com juros de 0,5%,
01:52uma rolagem agora com juros acima de 4%.
01:55Então, são uma conjunção de fatores que o Trump tem que resolver
01:59durante esses primeiros dois anos de mandato.
02:02Infelizmente, para o produtor norte-americano,
02:05produtor agrícola norte-americano e para a produção de alimentos,
02:08vai ter que entrar no jogo ali, vai ter que pagar essa conta nesse início de mandato.
02:13Agora, dentro da narrativa do Donald Trump,
02:18a parte de alimentos tem menos centralidade.
02:20Quer dizer, a gente está o tempo inteiro aqui tentando construir essa narrativa,
02:24você também fez um esforço de entender o que ele quer,
02:28mas para os alimentos em particular é um espaço que fica um pouco mais em dúvida.
02:32Mas os alimentos estão, de qualquer maneira, ainda que não explicitamente
02:35tenham sido tão falados, estão aí sujeitos ao tarifácio,
02:39em alguns casos sendo algumas questões até um pouco contraditórias
02:42para a própria economia dos Estados Unidos, como foi o caso do café,
02:45que tem a tarifa e, no fim das contas, eles não produzem.
02:49Então, não tem propriamente, produzem muito pouco,
02:51não tem uma recuperação da produção nacional.
02:53Como que você vê os principais focos aí, no caso da indústria de alimentos,
02:58que podem ser afetados e como fica essa consequência aí a partir do tarifácio?
03:05É sim, essa é uma boa observação, porque café os Estados Unidos não produzem,
03:08o açúcar é muito baixo, o suco de laranja aqui,
03:12os Estados Unidos já foi uma potência no passado,
03:14perdeu quase toda a sua produção ali no estado da Flórida,
03:17o cacau os Estados Unidos também não produzem,
03:19todos têm tarifas agora.
03:22Mas como essas são soft commodities, ou seja,
03:24eles estão ligados a um poder aquisitivo um pouquinho maior,
03:27talvez a esperança de Trump é que o mercado não sinta tanto
03:30uma elevação de custos agora de maneira imediata,
03:34até porque ele está reduzindo o preço do...
03:37está retirando alguns impostos no mercado doméstico
03:40para tentar fomentar o consumo, pelo menos manter o poder de compra.
03:44O que mais me preocupa é aquelas commodities agrícolas
03:47de grande escala, como o milho, como a soja, como o algodão,
03:51como o trigo, cevada, esses produtos que estão sendo plantados agora,
03:56ou o trigo que vai começar a ser colhido agora.
04:00Nesse momento de plantio, por exemplo, de milho,
04:02que os Estados Unidos é o maior produtor global,
04:05certamente há uma incerteza pelo produtor se ele avança
04:08com toda a área que ele planejou no ano passado,
04:12no momento que ele fez a aquisição dos insumos,
04:14porque ele não sabe se haverá um mercado para ele
04:18quando ele for colher esse produto.
04:20A soja, que é um dos principais produtos que os Estados Unidos exportam
04:23e tem a China como principal comprador,
04:25qual será a redução na demanda internacional pela soja norte-americana?
04:32A China, esse ano, mesmo com todas as tarifas,
04:34com a expectativa de um acirramento da guerra comercial
04:37que começou no fim do ano passado,
04:40comprou mais de 20 milhões de toneladas,
04:42mas foi uma queda de quase 13 milhões
04:45em comparação com o ano anterior.
04:47Esse ano, esse número de 22 milhões,
04:50ele irá se manter ou será reduzido para 18, 17,
04:5416 milhões de toneladas?
04:55Tudo isso impacta na rentabilidade do produtor norte-americano.
04:59O sorgo é outro produto que os Estados Unidos
05:01vendem bastante para a China.
05:03Se nesse momento o Trump der algum benefício,
05:08der alguma ajuda, algum subsídio para o produtor norte-americano,
05:12ele resolve um problema pontual, imediato,
05:15para essa temporada.
05:17Mas como que fica essa relação
05:19quando os Estados Unidos for começar o plantio do trigo de inverno,
05:23por exemplo, que começa agora no mês de setembro,
05:26mês de outubro?
05:27Toda essa incerteza, ela traz uma insegurança
05:30para que o produtor norte-americano possa investir
05:33em áreas de plantio, investir em tecnologia.
05:37Um outro exemplo agora, para encerrar essa parte da fala,
05:41é o Trump anunciou essa semana um corte de recursos para a EPA,
05:45que é a Environment Protection Agency,
05:46a agência ambiental dos Estados Unidos,
05:48que é quem regulamenta o mercado de biocombustíveis.
05:51Se houver esse corte efetivamente,
05:54haverá uma mudança no uso de biocombustíveis?
05:56Se sim, afeta o mercado de óleo de soja e mercado de milho.
06:01É mais uma incerteza para o produtor norte-americano
06:03se haverá clientes.
06:05E agora a gente já sai da esfera internacional
06:07e ele olha para a esfera doméstica.
06:09Eu já estou perdendo o meu cliente internacional.
06:12Eu também tenho risco de perder a minha demanda doméstica?
06:16É um cenário complicado.
06:18Ale, você também comentou agora aí
06:20sobre as questões de consequências para os produtores norte-americanos,
06:23mas voltando para o Brasil, a gente sabe que esse cenário todo
06:27pode sim abrir frentes para o avanço do agro-brasileiro.
06:32Queria que você comentasse um pouquinho também,
06:34além da soja, quais outros produtos do agro
06:37a gente pode colocar o Brasil aí na centralidade desse cenário
06:41e que pode se beneficiar então?
06:43Pode sim, o Brasil pode ser um dos países mais beneficiados
06:47desta guerra comercial, mas nós não podemos ser passivos.
06:51Agora está na hora de pensar no agronegócio
06:54não como um produtor de commodities agrícolas,
06:57mas como um setor estratégico para a economia brasileira.
07:00Então, o agro tem que entrar na geopolítica,
07:03tem que entrar com uma diplomacia agora
07:05para que nós possamos garantir esse mercado
07:08que está pronto para nos receber.
07:11Então, precisamos fechar novos contratos,
07:13abrir novos mercados,
07:15novos protocolos fitossanitários
07:17para exportarmos os nossos alimentos.
07:19Os setores que mais podem se beneficiar aqui no Brasil
07:22é um setor recente, recém-aberto pela China,
07:25que é o sorgo, que é o gergelim também.
07:28O setor de algodão pode ser muito beneficiado
07:31e o setor de milho.
07:33A soja é o principal produto hoje da pauta de exportação nossa,
07:37mas nós já estamos no nosso limite da capacidade de exportação.
07:41Hoje a China, por exemplo, tem comprado muita soja no Brasil,
07:44tem uma participação ali por volta de 75%, 76% nessa temporada.
07:50Não há como expandir esse percentual,
07:53essa participação da China nas compras de soja aqui no Brasil.
07:56Nós temos uma limitação muito grande,
07:59tanto na produção nesse momento,
08:01e ontem nós tivemos um dado curioso publicado pelo IMEA,
08:04que nós teremos uma ampliação diária de plantio de soja
08:07para o próximo ciclo,
08:08mas uma redução da produtividade devido às margens apertadas,
08:13a juros muito altos,
08:15há pouco, o menor investimento em tecnologia.
08:19Então, na soja nós já estamos basicamente no limite.
08:21Agora, algodão, sorgo, gergelim, carnes bovinas,
08:25esse pode ser um mercado muito bom para o Brasil para os próximos anos.
08:30Mas, repetindo, o Brasil depende agora
08:31de uma participação mais ativa na diplomacia e na geopolítica global.
08:36Ficar esperando o comprador vir aqui comprar esses produtos
08:40pode não ser uma estratégia muito inteligente.
08:43Agora, a gente estava falando das possibilidades,
08:46dos potenciais e os riscos.
08:48Quer dizer, principalmente pensando em alguns alimentos
08:50que chegam também aqui, que são importantes para o brasileiro
08:53e que aí não é a indústria brasileira necessariamente
08:55que dá conta disso sozinha,
08:57também não necessariamente os Estados Unidos,
08:58mas como é que fica o cenário, por exemplo, do trigo, do arroz?
09:02Como que você vê a possibilidade de riscos mesmo
09:04em termos de custo e oferta de produtos
09:07que a gente também tem uma interação com o mercado internacional
09:09em termos de importação?
09:12Isso pode trazer uma mudança no fluxo global das commodities,
09:16nas cadeias produtivas, principalmente no que tange ao transporte internacional.
09:21Então, trigo, por exemplo, nós não somos autossuficientes,
09:24nós importamos basicamente entre 40% e 45% da nossa necessidade,
09:29mas o trigo vem aqui do lado, vem da Argentina, vem do Paraguai.
09:32Em último caso, ele pode vir até mesmo dos Estados Unidos.
09:36Agora, outros produtos que nós trazemos da Europa,
09:40trazemos da África, nós poderemos ter uma elevação dos custos de logística
09:44se realmente os donos de navios armadores
09:47fizerem uma readequação das suas cadeias de suplementos,
09:51podendo dificultar.
09:53E um dos pontos que acaba me preocupando bastante,
09:56que nós temos que olhar com um pouco de atenção,
09:58é sobre a intenção da China de dominar as cadeias de logísticas globais,
10:03e isso deixará o Brasil ainda mais refém.
10:05Esse, para mim, é um risco muito elevado.
10:08Hoje o Brasil tem cinco grandes projetos de integração regional,
10:11quatro deles passam por escoamento via o Oceano Pacífico.
10:15Se esses projetos saírem do papel e o Brasil começar a utilizar
10:19por uma pressão chinesa, por exemplo,
10:22nós basicamente estaríamos transferindo a nossa soberania logística
10:27para os chineses.
10:28E aí quem comanda a logística, basicamente comandam as margens.
10:32Então, esse é o risco que eu vejo agora mais eminente.
10:36Nós aumentarmos ainda mais a dependência da China
10:40e num futuro próximo, num futuro distante,
10:43a China rever algumas políticas,
10:46deixando o Brasil como um refém sem ter saída.
10:49Então, são riscos elevados.
10:51Nós podemos aproveitar as oportunidades.
10:54É uma oportunidade que tem prazo de validade,
10:56porque eu acredito que em algum momento
10:58novos acordos globais, eles deverão sair.
11:00Então, continuo insistindo que o Brasil deve avançar na diplomacia,
11:03na geopolítica para o agronegócio nesse momento,
11:06mas tomando esse cuidado para não entregarmos tudo,
11:09olhando simplesmente um ganho de market share.
11:12Temos que ter a soberania nossa logística
11:15para não pagarmos um preço alto demais um pouquinho mais à frente.
11:18Sempre muito bom falar com você e te ouvir, viu?
11:22A Lede Lara, diretor da Paine Agronegócios,
11:25muito obrigada mais uma vez e uma boa semana para você.
11:28Eu que agradeço o convite. Obrigado. Bom dia.
11:30Bom dia.
11:31Bom dia.
11:32Bom dia.
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