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A dois dias da tarifa de 50% entrar em vigor, o diretor executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, alertou para perdas de até R$ 4,3 bilhões no setor de suco de laranja. Em entrevista a Natália Ariede e Felipe Machado, ele detalhou os impactos e defendeu medidas emergenciais do governo.

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00:00Voltamos ao vivo com o Money Times e podemos dizer que estamos às vésperas da tarifa de 50% de Donald Trump entrar em vigor.
00:08E o setor de suco de laranja continua preocupado com a situação, claro.
00:12De acordo com a Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Suco Cítricos, que usou como base dados da Secretaria de Comércio Exterior,
00:19o prejuízo para o setor pode chegar a 4,3 bilhões de reais só com aumento de tributos.
00:26E a gente vai conversar sobre isso com o Ibiapaba Neto, diretor executivo da Associação Nacional das Indústrias Exportadoras de Sucos Cítricos.
00:36Boa tarde, tudo bem? Bem-vindo ao Money Times.
00:39Boa tarde, é um prazer estar com vocês.
00:42Prazer o nosso. E o Felipe Machado, nosso analista, vai participar da conversa também.
00:46É bem impactante esses dados, né? E a gente está falando só de um custo extra.
00:52Sem colocar nessa conta, empregos que podem ser afetados, outros impactos que a gente pode sofrer, é isso mesmo?
01:00Exatamente, Natália.
01:02Quando a gente faz essa conta do incremental de 4,3 bilhões de reais que serão cobrados do suco de laranja brasileiro
01:11para acessar o mercado americano, nessa conta não estão ainda possíveis problemas com impactos com emprego,
01:20impactos na renda do produtor, dos trabalhadores e tudo mais.
01:25Então, esse é um efeito dominó.
01:27É um efeito dominó que começa no mercado de destino, no caso é o americano,
01:32e aí as pecinhas vão sendo derrubadas para trás aqui até, enfim, chegar na ponta da cadeia.
01:38Então, realmente, é um dado muito preocupante para o setor.
01:42Tudo bem?
01:43Bia Pava, boa tarde para você.
01:45Bia Pava, a gente acabou de dar uma notícia aqui, né?
01:48Que o ministro Alexandre de Moraes foi sancionado, né?
01:50Foi com a lei Magnitsky, que é uma lei super dura, que pune indivíduos por terrorismo e tudo mais,
01:56e acabou, o governo americano puniu agora o Alexandre de Moraes.
02:00Isso daí acende um alerta ainda maior para vocês?
02:04Quer dizer, por enquanto a discussão estava mais na área econômica,
02:07embora tivesse aquela menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro,
02:10mas agora é um ataque direto à justiça brasileira.
02:13Isso afeta as negociações ou isso é uma questão separada,
02:16a política de um lado e o comércio de outro?
02:19Eu acho que quem pode responder por isso, Felipe, é o governo brasileiro, né?
02:23O que a gente espera aqui como setor privado é que a racionalidade se mantenha.
02:27A gente sabe que existem questões sensíveis,
02:31mas a gente não pode sacrificar uma série de setores por política.
02:35Esse é um ponto que é importante.
02:37Então, claro, o governo brasileiro, ele, enfim, tem o mandato, inclusive,
02:41para se posicionar em relação a isso.
02:43Agora, como setor privado, o que a gente quer é resolver um problema.
02:47Um problema que não foi causado pelo setor privado,
02:51não foi causado pelo setor de suco de laranja,
02:54e é quem está pagando a conta.
02:56No final das contas, são os setores afetados que pagam a conta.
02:59E isso tem que ficar muito claro,
03:01porque os prejuízos não são para as empresas A, B, C ou qualquer produtor,
03:07é para o Brasil.
03:08São empregos que são gerados, que vão deixar de ser gerados,
03:12prejuízo na arrecadação, enfim, então todo mundo perde.
03:15Então, nessa hora, é importante que os nossos mandatários,
03:19eles tenham ali sangue frio e consigam responder de uma maneira adequada,
03:25mas sem agravar ainda mais uma situação que realmente não é boa.
03:29E falando especificamente de laranja e biapaba,
03:32você vê espaço para uma possível negociação específica para esse produto?
03:38Porque ontem a gente viu, né, Howard Lutnik falando que pode ser
03:42que haja alguma condição especial, alguma isenção de tarifa
03:45ou redução de tarifa para alguns produtos.
03:48Citou café, quer mais, Felipe? Cortiça?
03:51Cacau, citou manga, abacaxi, enfim, citou produtos que os Estados Unidos não produzem lá.
03:56Como é que fica a laranja nessa história?
03:59Olha, Natália, a gente, enfim, acompanha todas as declarações do secretário Howard.
04:05Ele não citou o nosso setor, mas na entrevista,
04:10aparentemente, ele falou de uma maneira um pouco aleatória, né?
04:13Assim, não foi uma coisa que foi uma lista que ele publicou.
04:16Parece que foram nomes que vieram ali na cabeça dele, enfim,
04:18porque ele pensou aquilo na hora,
04:21ou porque, enfim, de repente pode fazer parte de alguma parte, né,
04:27do plano do governo, a gente não sabe.
04:30O que a gente tem que fazer? A gente tem que esperar.
04:31Obviamente, a gente tem esperança que nosso setor, ele possa ser contemplado,
04:37porque 56% do consumo de suco de laranja americano é de suco brasileiro.
04:4570% das importações americanas é de suco de laranja brasileiro.
04:49Então, no final das contas, faria sentido uma exceção para o nosso produto,
04:56assim como outros que ele citou.
04:58Mas aí a gente já está mais no campo da esperança e não da expectativa.
05:04Exatamente.
05:05Exatamente.
05:05E, Bia Pava, em relação a...
05:08Bom, estamos com essa data, esse prazo, né, chegando aí praticamente já...
05:12Depois de amanhã.
05:13Em cima, né?
05:14Como é que fica, assim, do ponto de vista prático?
05:16A partir do sábado, por exemplo,
05:18temos carregamento de laranja saindo para os Estados Unidos?
05:22Bem, na prática, a partir de 1º de agosto,
05:25começaremos a falar de efeitos colaterais, né?
05:28Até agora a gente tem visto o governo brasileiro falando que, enfim,
05:32estava avançando com as negociações.
05:34O ministro Haddad disse, inclusive hoje, em entrevistas aí na mídia,
05:39de que estava avançando em conversas com o secretário americano.
05:43E aí a gente tem dois caminhos.
05:46A negociação e o socorro.
05:48A medida que o governo não for capaz de estabelecer algum tipo de negociação,
05:56eu não estou falando que seja culpa especificamente do governo não fazê-lo,
06:00mas, enfim, na impossibilidade de um acordo,
06:03a gente vai ter que começar a pensar como é que a gente consegue mitigar os efeitos aqui.
06:07São os dois caminhos que a gente tem e eu não conheço um terceiro por enquanto.
06:11E outra coisa que a gente fica pensando é sobre mudar o rumo dessa exportação.
06:18A gente sabe que não é um movimento simples esse de abrir novos mercados.
06:22Há mercados potenciais para isso?
06:24Quanto tempo levaria, Biapaba?
06:27Olha, Natália, isso no nosso setor é uma utopia.
06:31Não existe essa possibilidade, infelizmente.
06:34A gente gostaria muito, mas a gente não tem esses mercados disponíveis no mundo.
06:38Vamos explicar por quê.
06:39Suco de laranja é um produto que está concentrado em 40 países,
06:43que tem uma renda média acima de 20 mil dólares per capita anual.
06:49Então, significa que são países que têm ali um poder aquisitivo alto.
06:52E suco de laranja é um produto que entra na cesta de consumo
06:56depois de um certo tempo,
06:59depois que aquela população atinge uma determinada renda.
07:04Fora isso, a gente ainda tem outras questões,
07:06como, por exemplo, estrutura de recebimento do produto.
07:09É um volume muito grande que a gente manda para os Estados Unidos.
07:11É 42% da nossa produção.
07:15É o nosso segundo maior mercado depois da Europa.
07:17E ainda existem outros pontos, como, por exemplo,
07:20linhas de distribuição, linhas de envase que você precisa ter.
07:23Você precisa ter marcas, você precisa ter contrato com o varejo.
07:26Então, essa é uma indústria que se constrói ao longo de anos.
07:29E, além de tudo, a gente precisa combinar com o consumidor
07:32que precisa ter o hábito de consumo do suco de laranja.
07:37Então, no final das contas, é isso.
07:39A gente está casado com o mercado americano,
07:41o mercado americano está casado com a gente.
07:43E o que a gente não gostaria é de ter alguém
07:45se intrometendo nesse casamento que foi tão bem sucedido até agora.
07:50Olha só que complexo, né?
07:51Então, não é só abrir mercado,
07:52é criar um hábito de consumo mesmo, né?
07:54Inclusive em países que não têm esse hábito ainda,
07:56não é complexo mesmo.
07:58Bia Pava, mais uma para você.
07:59Você falou de plano, né?
08:01Você falou de negociação de um lado
08:02e o plano para mitigar os efeitos aqui nos produtores no outro.
08:06Como é que seria um plano?
08:07Como é que você imagina, assim?
08:08Seria uma questão, bônus, subsídios?
08:12Como é que seria um plano ideal que alcançaria,
08:16que seria mais possível dos produtores continuarem trabalhando
08:23durante mais um tempo?
08:24Como é que você imagina um plano que o governo poderia,
08:26e dá uma espécie de perspectiva, de cenário para a gente?
08:30Olha, Felipe, existem algumas ferramentas
08:32que já são bem conhecidas aí do mercado,
08:35acho que nenhuma novidade.
08:38Pensando no produtor rural,
08:40caso aconteça o pior
08:42e a gente sobe com um excesso de produção aqui no Brasil,
08:47porque é o que está em risco hoje, né?
08:49Hoje a gente tem, a gente está falando de 85 milhões de caixas de laranja
08:52que seriam destinadas para o mercado americano
08:55e que ficariam, vamos dizer assim, sem destino certo.
08:59Então, precisa dar um destino para isso.
09:02No caso, existe o PEPRO, que é uma linha do governo,
09:08na qual é um complemento ao preço pago pela indústria,
09:12quando o mercado tem um choque,
09:13no caso, um choque de oferta, um choque de demanda,
09:16alguma coisa assim,
09:17é um instrumento que é operado pelo Ministério da Agricultura
09:20já há muitos anos,
09:20tem uma série de produtos que fazem parte
09:22desse programa de pagamento de preço mínimo, que chama.
09:26Isso seria uma opção.
09:28Outra questão,
09:29trazendo aqui para a esfera paulista,
09:31onde estão as nossas indústrias,
09:33a questão de restituição de créditos de CMS acumulado,
09:36o setor tem ali um volume gigantesco
09:41de créditos acumulados de CMS no governo paulista
09:44e também de PIS e COFINS no governo federal.
09:47Isso seria uma medida imediata
09:50que traz fluxo de caixa para as empresas
09:52e alivia numa hora dessa que você perde o mercado.
09:55Outra questão,
09:56aumento do conteúdo de suco, por exemplo,
09:59em bebidas como refrescos e refrigerantes
10:03que foram caindo ao longo do ano,
10:06dos anos e hoje é praticamente nada que existe,
10:09então isso traria também um volume adicional.
10:12Então, é uma série de medidas aqui
10:13que todas já foram devidamente encaminhadas,
10:16no nosso caso, para o Ministério da Agricultura,
10:18que é quem faz a interlocução,
10:20já são de conhecimento do ministro Carlos Fávaro.
10:23Eu devo me encontrar com ele na próxima semana
10:25para discutir como que a gente leva isso
10:27para o resto do governo,
10:28caso o pior aí se concretize.
10:31Tá certo, então, Ibiapaba Neto,
10:33diretor executivo da Citrus BR.
10:34Muito obrigada pela entrevista
10:36e tendo qualquer novidade, avanço,
10:39informação interessante para compartilhar
10:41com a nossa audiência,
10:42por favor, volte com a gente aqui no Money Times,
10:44tá bom?
10:45Obrigada.
10:45Não tenha dúvida, é um prazer, obrigado.
10:47Boa tarde.
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