Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Vídeos virais no TikTok mostram itens de luxo com preços baixos demais para serem verdadeiros. Renan Souza e Felipe Machado analisaram o impacto dessa trend no comércio internacional e nas marcas envolvidas, como Lululemon e Louis Vuitton.

🚨Inscreva-se no canal e ative o sininho para receber todo o nosso conteúdo!

Siga o Times Brasil nas redes sociais: @otimesbrasil

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:

🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: https://timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, TCL Channels, Pluto TV, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

#CNBCNoBrasil
#JornalismoDeNegócios
#TimesBrasil

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Uma trend está tomando conta das redes sociais, principalmente do TikTok.
00:04São vídeos de pessoas dizendo estar em fábricas chinesas,
00:08oferecendo produtos de luxo por preços extremamente baixos.
00:13Você deve ter sido impactado por um vídeo desses nos últimos dias, aposto.
00:17Seria uma forma de entregar o mesmo produto com a mesma qualidade dos vendidos pelas lojas,
00:22só que burlando as novas tarifas de Donald Trump.
00:25Mas uma matéria da NBC News trouxe esclarecimento de que essa conversa não é assim tão simples, não.
00:32E a gente vai conferir juntos agora.
00:34Esses vídeos estão viralizando no TikTok e estão sendo vistos por milhares de americanos.
00:40Não sejam poesados e despedidos por que o mercado não pode pagar mais tempo.
00:45Mas parecem bons demais para ser verdade.
00:47Usuários na rede social que afirmam trabalhar em fábricas chinesas que fabricam produtos de marcas de luxo,
00:55de alta qualidade, oferecem esses produtos diretamente aos americanos, por um preço muito, muito mais barato.
01:04Os produtos variam de Birkenstock, pares de tênis da Nike, até roupas de ginástica da Lululemon.
01:11Um vídeo que teve mais de 11 milhões de visualizações.
01:22Mas a Lululemon diz que as alegações feitas nos vídeos não são verdadeiras.
01:27Embora a empresa diga que fabrica cerca de 3% dos seus produtos na China,
01:32um porta-voz disse à NBC News que a Lululemon não trabalha com os fabricantes identificados nos vídeos.
01:38A empresa também pede aos consumidores que fiquem atentos a produtos potencialmente falsificados e à desinformação.
01:46Os produtos autênticos da Lululemon só estão disponíveis para compra em nossas lojas da Lululemon,
01:52em nosso e-commerce e em algumas lojas autorizadas e especializadas.
01:56A Louis Vuitton tem muitas suprimentos, mas eles só falam em um minuto.
02:00E se você ficou tentado por aquela bolsa da Louis Vuitton super barata,
02:05saiba que a empresa há muito tempo afirma que os produtos são fabricados somente na Europa e nos Estados Unidos,
02:12como consta no site.
02:13O professor Xin Liu, cuja pesquisa se concentra no setor de vestuário global,
02:24incluindo a política de comércio internacional,
02:27diz que mesmo que a fábrica tenha produzido a bolsa que você deseja,
02:31ela provavelmente não teria licença para vendê-la fora do contrato com a marca que você conhece.
02:36O professor incentiva os compradores a estarem cientes do contexto em que essas ofertas enganosas surgiram
02:51das mídias sociais, enquanto a guerra tarifária acontece entre Estados Unidos e China.
02:59Essa conversa é palpitante, eu vou incluí-la, então vou puxar para essa nossa conversa o Renan de Souza e o Felipe Machado,
03:06porque é no mínimo inusitada, intrigante essa situação toda, né?
03:10Eu sei que o Felipe tem um testemunho aqui para dar para a gente, tem uma história aí para contar,
03:15e vou começar puxando o Renan para esse papo.
03:18E aí, Renan, como é que você está vendo esses vídeos virais repercutindo muito,
03:23trazendo verdades, estou colocando entre aspas aqui?
03:28Nath, essa é a verdade, uma guerra de informação, né?
03:32A gente tem a guerra tarifária, e essa é uma guerra de informação, obviamente,
03:36esses influências chineses estão trabalhando ali com medo dos norte-americanos,
03:42que amam os produtos especialmente de luxo, a Lululemon, que é uma loja extremamente famosa
03:48nos Estados Unidos, então eles estão trabalhando com esse medo das tarifas,
03:53e um segundo medo, que o presidente Donald Trump, ele vai acabar de vez com aquela lei, né?
03:59Que permitia que produtos chineses comprados pela Temo, Shen, entrassem nos Estados Unidos
04:05sem pagar impostos, se eles estivessem ali abaixo de 800 dólares.
04:11Então, obviamente, essa tentativa, né?
04:13De movimentar o consumidor americano numa rede que é extremamente popular,
04:19que é o TikTok, e que está funcionando nos Estados Unidos pelo menos até o dia 15 de junho, né?
04:24Porque talvez o TikTok também tem que ser vendido.
04:27Então, obviamente, é uma guerra de informações que a gente acompanha,
04:31porque numa checagem muito simples que a gente consegue fazer,
04:35a Lululemon, por exemplo, tem uma lista de fornecedores globais,
04:39e essas empresas que aparecem no TikTok, nos vídeos da Trend,
04:44elas não estão na lista oficial de fornecedores da Lululemon, por exemplo.
04:48Então, obviamente, mesmo que tivessem, é altamente improvável que esses produtos não são verdadeiros,
04:55são como a gente conhece os chamados piratas, né?
04:59Isso porque uma empresa, para produzir algo em nome de uma marca,
05:03ela assina um contrato justamente de sigilo, né?
05:06Então, ela não pode revelar detalhes da linha de produção e tudo mais.
05:10A gente pode até no futuro pensar numa pauta com a Dani Hudes aqui,
05:14para falar sobre a questão do mercado de luxo, como é feito,
05:17mas, via de regra, o mercado de luxo, às vezes, até tem produção na China,
05:22mas é aquela pré-montagem, né?
05:24E o final, a finalização do produto, geralmente acontece ou na França,
05:28ou na Itália, ou na Suíça.
05:30Então, obviamente, esses vídeos, eles não são verdades, né?
05:34Esses produtos não são verdadeiros, Nath.
05:37É, a Dani até trouxe, passou levemente por isso,
05:40não especificamente sobre bolsas, mas trouxe uma pauta aqui sobre white label, Renan.
05:45Não faz muito tempo, a gente estava falando de porcelanas,
05:48aquela polêmica das xícaras de Tânia Bulhões, né?
05:52E aí, ela contou muito para a gente sobre isso como uma prática,
05:56mesmo comum no mercado, de white label.
05:58Mas aqui, a gente está falando de uma coisa diferente.
06:00E, de fato, quando eu comecei a ver os vídeos,
06:02já logo fiquei pensando, mas...
06:04Até pode ser que tenha essas produções,
06:07mas, certamente, com contratos que envolvem muita confidencialidade, né, Felipe?
06:11Exatamente.
06:12Agora, eu só queria contar um caso pessoal,
06:14quando eu estive na China.
06:16É o seguinte, na China é uma coisa muito curiosa.
06:19Você vai, por exemplo, no mercado da seda, em Pequim,
06:22que é um lugar gigantesco, onde todo mundo fica ali negociando,
06:25aquela gritaria e tal.
06:26Mas é uma coisa muito curiosa.
06:28Os chineses, eles contam o seguinte.
06:29Existem três tipos de produtos falsificados,
06:32mais ou menos falsificados.
06:34Vou explicar melhor.
06:35Então, assim, as empresas, grandes empresas de luxo
06:38ou outras marcas, marcas de tênis, enfim,
06:42elas produzem na China.
06:44E esses contratos sigilosos impedem, justamente,
06:46essas empresas de contarem isso.
06:48Mas o que acontece?
06:48Então, você vai no mercado da seda,
06:50você tem três classes de produtos que você pode comprar.
06:53Então, vamos supor que você quer uma bolsa da Gucci, Natália.
06:56Uma bolsa da Gucci.
06:57Então, você tem...
06:59Como ela...
06:59Vamos supor, né?
07:01A matéria, a gente não está dizendo nada aqui oficialmente,
07:04mas estou dizendo...
07:05Teoricamente, a bolsa é feita na China.
07:07Então, por exemplo...
07:08Então, você pega uma bolsa da Gucci.
07:10Daí, você tem aquela bolsa que tem defeitos de fabricação.
07:14Então, ela tem um preço.
07:15Ela é um preço mais baixo, porque ela tem um defeitinho.
07:17Ela sai da linha de montagem com defeito.
07:20Então, você tem um lugar ali no mercado da seda
07:22onde são vendidos esses produtos com defeito.
07:25Eles têm um preço bem baixo.
07:26Teoricamente, originais ou réplicas.
07:28É, enfim.
07:30Sei lá.
07:30Mas eles chegam lá, então...
07:31Chame como quiser.
07:31Então, ela tem um defeito.
07:33Então, ela tem um preço mais baixo.
07:34Depois, você tem uma outra parte do mercado da seda,
07:37onde você tem os produtos que foram feitos na linha de montagem,
07:40que estão perfeitos,
07:42mas que foram feitos além da quantidade prevista no contrato com a empresa
07:47e são contrabandeados pelos locais chineses.
07:51Então, vamos supor, a linha de montagem...
07:53Usando o exemplo de uma bolsa.
07:55Então, ela tem uma linha de montagem de 10 mil.
07:57Eles fazem mil a mais ou 500 a mais.
08:00E daí, esses mil a mais perfeitos, em vez de ser cumprido o contrato e ir para a empresa,
08:06ela vai para outra área do mercado da seda,
08:08onde ela é vendida por um preço superior àquela com defeito,
08:12mas não o preço cheio.
08:13E depois, você tem as bolsas que são feitas justamente com tudo perfeito e tal.
08:19E daí, você tem essas bolsas que são para uma outra área,
08:23onde elas são perfeitas e tudo mais.
08:25E daí, elas têm um preço ainda maior.
08:26Então, você tem três classes de produtos.
08:28Uma classe que tem defeitos,
08:30uma outra classe que é meio que feita assim,
08:32meio que retirada ali, meio pelos locais,
08:36feita um pouco a mais.
08:37E tem uma outra classe que é justamente feita pelas empresas para vender ali.
08:40Então, você tem três classes de produtos,
08:42de empresas feitas na China,
08:44dentro desse mundo da pirataria,
08:46que a gente sabe que existe no mundo inteiro
08:48e na China também, com certeza.
08:49É, mas que pode ser todo um storytelling
08:52para envolver a gente também
08:53e parecer ali que você está levando uma grande vantagem,
08:57comprando um negócio que é o mesmo produto da loja lá de luxo.
09:02Não, com certeza, com certeza.
09:03É, difícil, né?
09:05Não, é muito difícil, claro,
09:06porque isso é uma questão que envolve as marcas,
09:07por isso que a gente não pode também falar nada que seja também,
09:12enfim, colocar em dúvida, nada disso.
09:14Mas a gente sabe que muitas dessas companhias têxteis,
09:17têxteis, principalmente, fazem também produtos ali no Sudeste Asiático,
09:22no Vietnã, no Camboja e também na China.
09:25Então, um pouco dessa produção,
09:27eu imagino que deve ser feita na China, sim.
09:29E deve ser, como o próprio Renan falou,
09:31finalizada nesses países para dar aquele toque,
09:34para dar aquela finalização assim,
09:38da maneira mais artesanal.
09:40Mas esses produtos, muitos deles,
09:42são feitos de maneira industrializada, com certeza.
09:44O Renan, você que viaja muito, está sempre por aí,
09:47queria te ouvir ainda sobre isso.
09:49Eu fiquei aqui lembrando, né?
09:51Sempre que eu viajo para a Europa,
09:52me chama a atenção a movimentação
09:54e a frequência de consumidores chineses
09:56nessas lojas de altíssimo luxo,
09:59fazendo compras, né?
10:00E você vê as mulheres chinesas ali com muitas sacolas e etc.
10:04E aí, faria sentido ir até a Europa
10:06para comprar um negócio que está sendo feito lá na China mesmo?
10:09Como é que você vê isso?
10:10Não faz, Nath.
10:14A semana retrasada, inclusive,
10:16eu estava voltando da Suíça para cá, para os Emirados.
10:19Tinha uns chineses, justamente,
10:21com muitas sacolas de lojas de luxo,
10:23voltando da Suíça, parando aqui em Abu Dhabi.
10:26O que não faria sentido, né?
10:27Eles terem saído da China para ir para lá para comprar.
10:31Então, quando eu morava em Londres também,
10:33era muito comum você ver chineses fazendo fila
10:37nas lojas de luxo ali para entrar,
10:40marcando horário justamente para comprar.
10:42Então, obviamente, não faria sentido.
10:44Só queria acrescentar um ponto muito interessante nessa história,
10:48que virou uma guerra de narrativas na internet e tudo mais.
10:52Inclusive, a gente tem visto cada vez mais vídeos gerados por inteligência artificial,
10:58que mostram, às vezes, o presidente Donald Trump,
11:01Elon Musk, numa linha de produção,
11:03fazendo algum produto, como se fosse uma fábrica da China,
11:08ou mostrando como seria ali a classe média norte-americana
11:11numa linha de produção.
11:13E ontem, na Casa Branca,
11:15a secretária de imprensa foi perguntada
11:17se a Casa Branca chegou a ver esses vídeos.
11:20E ela disse que sim,
11:21a Casa Branca viu, recebeu esses vídeos,
11:23não sabe quem fez,
11:24mas injustamente criticou,
11:26dizendo que a China,
11:28que tem produzido esses vídeos de inteligência artificial,
11:30está subestimando a capacidade dos americanos
11:34de irem para uma linha de produção.
11:36Porque essa é a questão toda, né?
11:38Se as fábricas forem para os Estados Unidos,
11:40quem vai produzir?
11:41E aí é muito comum, só a título de curiosidade,
11:44o perfil no ex do Ministério das Relações Exteriores da China
11:49ou da Embaixada dos Estados Unidos em Washington,
11:52sempre postam charges,
11:54postam vídeos de inteligência artificial,
11:57criticando ou mesmo ridicularizando ali os Estados Unidos.
12:00Inclusive, tem um que ficou famoso esses dias,
12:03da Embaixada Chinesa na Indonésia,
12:06postando à secretária de imprensa dos Estados Unidos,
12:08a Caroline Lievato,
12:10o vestido que ela estava usando,
12:12e dizendo que esse vestido foi feito na China
12:14e mostrando ali o print do site,
12:16onde está o mesmo vestido,
12:18onde qualquer pessoa pode comprar.
12:20Querendo dizer que é uma hipocrisia ela falar da China
12:22e utilizar um vestido feito na China.
12:25Então, a gente vê essa guerra de informação
12:27muito forte também nas redes sociais.
12:30É só entrar em qualquer rede social
12:32que você vai ver claramente memes,
12:34vídeos gerados por inteligência artificial também.
12:38Vai começar a ver para ser bombardeado,
12:40só por esse tipo de conteúdo.
12:41É, mas só o curioso,
12:43só para cutucar um pouquinho,
12:45mas não é a liberdade de expressão
12:46que o Elon Musk tanto defende, né?
12:47Eu acho interessante quando é contra eles,
12:50eles são um pouco contra, né?
12:51A liberdade de expressão só vale
12:52para quando eles estão sendo livres para se expressar.
12:55Então, é uma questão curiosa.
12:57Agora, outra coisa que é curiosa é o seguinte,
12:58o TikTok.
12:59A gente volta a falar de TikTok.
13:01O TikTok não tinha que ser vendido?
13:03O Congresso americano não aprovou uma lei
13:05para ser vendido no dia 19 de janeiro,
13:08ou então teria que ser fechado?
13:09A gente está em abril e não aconteceu nada, né?
13:11Uma questão estranha.
13:12Não era tão urgente assim, né?
13:13Exatamente.
13:14Então, agora, mais uma outra questão, né, Renan?
13:16O TikTok virando aí essa plataforma de desinformação,
13:20muitas vezes, em algum sentido,
13:22mas também uma plataforma que continua a ser usada
13:24nos Estados Unidos e continua a ter os seus usuários americanos
13:28sem nenhuma regulamentação.
Comentários

Recomendado