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  • há 1 hora
A produção ornamental das cuias paraenses reúne conhecimentos técnicos, sensibilidades estéticas e significados sociais. Documentos históricos mostram que a história das cuias amazônicas sempre foi perpassada pelo encontro entre arte e utilidade, de acordo com o historiador e pedagogo Arenildo dos Santos Silva, mestre em Antropologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Segundo ele, a dimensão artística integra os conhecimentos e as práticas de produção dos objetos, que são feitos a partir dos frutos secos da cuieira.

Reportagem: Ayla Ferreira
Imagens: arquivo pessoal

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Transcrição
00:00Você sabia que uma cuia produzida pelas mulheres indígenas de Monte Alegre lá no século XVIII
00:06chegava a custar uma oitava de ouro?
00:09Hoje seria em torno de 3,5 gramas.
00:13E que alguma dessas cuias atravessaram o Atlântico e hoje fazem parte de coleções de museus da Europa?
00:19Olá, eu sou o Aurelho do Silva, sou professor da rede pública de Monte Alegre,
00:25sou autor desse livro Monte Alegre e Cidade Pinta Cuia,
00:28sou doutorando em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará
00:33e realizo pesquisas sobre narrativas de viajantes no século XVIII, século XIX
00:39sobre as populações, saberes, culturas amazônicas.
00:44Quando falamos das cuias amazônicas, é necessário compreender que a arte e a utilidade, elas estavam entrelaçadas.
00:52Essas cuias eram utilizadas para beber água, consumir alimento e realizar atividades cotidianas.
00:59Mas também nelas se expressava conhecimento, sensibilidade artística e relações sociais.
01:07No século XVIII, o naturalista luso-brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira,
01:12ele fez um registro da extraordinária habilidade das mulheres indígenas de Monte Alegre e Sandarém
01:17na produção dessas cuias.
01:19Ele nos conta que algumas dessas cuias, elas eram tão ornamentadas e belas,
01:25que era de uso exclusivo de lideranças indígenas, os principais.
01:30E era sinal de prestígio se fosse ofertado algum alimento para você numa dessas cuias.
01:38E se você recusasse, seria uma grande desfeita.
01:42Alexandre Rodrigues Ferreira mesmo tentou comprar uma dessas cuias, o que foi negado a ele,
01:47demonstrando que essas cuias, elas tinham um valor para além do financeiro.
01:52No século seguinte, 1848, o naturalista inglês Alfred Russo Wallace também se impressionou
02:00com as cuias de Monte Alegre.
02:01Ele destacou a beleza das cores e os desenhos dos animais.

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