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Ismaelino Pinto entrevista o historiador, Aldrin Figueiredo.
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NotíciasTranscrição
00:04Olá, está no ar o Manguerosamente. O sírio já passou, o recírio também já passou,
00:11quando a gente for ao ar, porém continuamos falando da maior festa religiosa dos paraenses
00:18e a maior procissão religiosa do mundo. É isso, Aldri? A gente conversa com... Ele sempre está
00:24aqui, ele é nosso convidado constante, talvez seja o nosso convidado que mais veio aqui,
00:29mas sempre tem história, sempre tem papo, que eu chamo do nosso historiador mais pop,
00:35Aldri Figueiredo. Tudo bem, Aldri? Tudo ótimo. Alegria em estar aqui contigo
00:39para falar de Sírio de Nazaré. Para falar de Sírio de Nazaré. E a gente conversava aqui antes,
00:43eu estive em Nazaré, em Portugal, justamente em setembro, dia 8 de setembro, que é quando
00:49tem a comemoração da festa de Nazaré. Ele trouxe várias e várias informações. Primeiro,
00:57como nós somos agraciados dessa coisa, desses dois núcleos de fé, Portugal, Belém. E aí,
01:04a gente conversando ainda agora, você falou que a origem, na verdade, dessa devoção, ela tem três
01:09caminhos. Conta para a gente exatamente como começou a origem dessa devoção de Nazaré.
01:15Exato. A festa de Nazaré, a gente tem que falar da festa de Nossa Senhora da Nazaré,
01:20porque a gente fala aqui Nossa Senhora de Nazaré. Em Portugal, eles chamam Nossa Senhora da Nazaré.
01:26Por conta da cidade que chama Nazaré. Por conta da cidade de Nazaré, exatamente.
01:29Que é conhecidíssima pela cidade das ondas gigantes.
01:31Exatamente, daquela praia linda, do surf.
01:35Essa área de Nossa Senhora da Nazaré, onde está lá a pedra, aquele posto, a queda, o barranco,
01:45onde foi o milagre já no século XII. Então, a gente vai contar primeiro a chegada a isso.
01:51Isso tem a ver com o início do cristianismo, a expansão da fé católica pela Europa.
01:56Então, eles acreditam, os portugueses acreditam, que no século IV, essa imagem foi trazida da Galiléia.
02:05Então, ela teria sido esculpida pelo próprio São José.
02:09Então, ela é uma virgem do leite. Por isso, Nossa Senhora de Nazaré...
02:12É daí essa coisa do símbolo, né?
02:14Exatamente.
02:14Primeiro começa com aquela representação de Nazaré amamentando.
02:19Amamentando, exatamente.
02:19Que é muito comum na Itália.
02:22Em Florença, você vai encontrar essas várias virgens do leite.
02:25Nós temos uma virgem do leite aqui, que está lá no...
02:29Arte Sacra.
02:30Arte Sacra, que pertencia ao Convento do Carmo.
02:32Então, é uma tradição muito forte.
02:34Aliás, foi roubada, passou um tempo longe, nunca descobriram.
02:39A Interpol achou e voltou com o Museu de Arte Sacra.
02:42Exatamente.
02:44Então, era um tipo de, digamos assim, representação mariana muito forte na Idade Média.
02:51Então, essa virgem do leite.
02:53Com a Reforma Católica, a Reforma Protestante, aí no século XVII, essa representação foi um pouco apanada.
03:00A questão da sexualidade, o seio de fora.
03:03Então, a Nossa Senhora de Nazaré já não é sentada amamentando.
03:08Já é uma imagem...
03:09Ela carrega o menino no colo, mas vestida, uma imagem vestida.
03:13Então, se a gente for lá, voltando a esse início, essa imagem foi trazida para essa região de Portugal.
03:21Primeiro, ela ficou na Espanha, no convento...
03:24Essa imagem que está hoje na cidade de Nazaré.
03:26Na cidade de Nazaré.
03:27E depois foi trazida para Portugal.
03:29Isso é um processo mesmo de expansão do cristianismo na Península Ibérica.
03:33Que também tem uma história dos 400 anos de que ela manteve isso escondida.
03:37Escondida, exatamente.
03:39Em vários momentos.
03:40Então, essa é a primeira história, século IV.
03:43Depois, no século VIII, que é a expansão com a invasão dos mouros.
03:48Ela é associada ao processo de tomada daquela região dos mouros.
03:53Sabe que os árabes ocuparam Portugal e a Espanha.
03:56Então, tem um outro momento que ela está associada.
03:59E o terceiro momento, que está mais associado a nós, é o famoso milagre Adonfoas Roupinho.
04:05Já no século XII.
04:07Portugal, o início, digamos assim, monárquico do Império Português.
04:13Então, aquele milagre Adonfoas Roupinho, que é uma figura importante da monarquia portuguesa,
04:19que é ali naquele penhasco.
04:20Isso é bem mais conhecido dos paraenses, porque todo ano sai o carro de Adonfoas Roupinho no milagre.
04:26Que é justamente aquele cavaleiro que tem o precipício.
04:29Ali tem uma representação, uma figura que seria uma representação do mal.
04:34É, ele está, na verdade, é um veado que está...
04:42Ele está a cavalo e o veado vai perseguir esse cavalo.
04:46Esse cavalo vai perseguir o veado e vai até o penhasco.
04:50Então, quando ele vê que ele vai cair daquele precipício, ele pede à Nossa Senhora de Nazaré.
04:55Nossa Senhora da Nazaré.
04:57E ali ocorre esse milagre.
04:59Nossa Senhora da Nazaré.
05:01Exatamente.
05:01Aí constrói-se aquele lugar lá, que é a ermida da memória.
05:06E depois, séculos depois, vão se construindo o santuário que nós temos aqui hoje.
05:10Então, a gente está em Portugal, já chega em Belém, não é?
05:13Não.
05:14Isso a gente está falando de século XII.
05:16Depois, essa festa, essa procissão, essa devoção, ela está totalmente ligada à monarquia portuguesa.
05:23Então, já no século XV, o que acontece?
05:26Portugal se expande pelo mar.
05:27É o país que vai dominar as navegações.
05:31Então, a carreira da Índia.
05:33Então, tem toda uma relação com o povo do mar, com os navegadores em Portugal.
05:39Por isso, ali é aquele porto.
05:40Então, Vasco da Gama era um devoto de Nossa Senhora de Nazaré.
05:43Então, você vai ter...
05:44E era grande festa, era grande devoção, era Nazaré e Portugal.
05:49Antes de Fátima, era a maior devoção portuguesa ao lado de Santo Antônio.
05:54Só que Santo Antônio é um santo doméstico, está muito ligado à Lisboa.
05:57Nossa Senhora de Nazaré reunia tudo isso.
06:00Toda aquela região de Portugal era o grande santuário.
06:04Agora está sendo retomado.
06:06E aqui no Pará, vamos dizer assim, continuando, nesse processo de expansão portuguesa, os jesuítas,
06:13uma ordem religiosa fortíssima em Portugal, ligada à nobeza portuguesa, traz essa devoção para cá no século XVII.
06:20Já com essa imagem que nós temos, que é uma imagem vestida com manto.
06:25Exatamente.
06:26É uma imagem, digamos, do século XVII, na verdade.
06:30Eles trazem essa devoção para cá.
06:33E aí nós temos a famosa história do achado, do caboclo plácido,
06:37mas que está associada à entrada...
06:41Enfim, a devoção que está ocorrendo muito aqui nessa região próxima a Belém.
06:45Belém e Vigia, que é uma grande questão.
06:49A devoção muito provavelmente começou em Vigia.
06:51O caboclo plácido nasceu em Vigia.
06:54Então, ele depois vem para Belém.
06:56Às vezes eu fico pensando em uma questão geográfica,
06:58porque eles fizeram um caçador, acharam essas para cá,
07:01mas ele era de lá, vinha caçar de lá para cá.
07:04Como é que era isso?
07:05Na verdade, o caboclo plácido não é esse caboclo que a gente está falando.
07:09Ele era uma figura da aristocracia paraense.
07:13Não era um pobre, não era um sujeito pobre.
07:18Caçador.
07:19Caçador.
07:20Até caçava, porque muitas pessoas da elite também caçavam.
07:24Então, ele era quando diziam que era um sitiante.
07:26Não, era dono de fazenda, ele tinha o seu sítio.
07:29Ele é ligado à família dos Aires de Souza,
07:32que eram capitães maiores aqui no Pará.
07:35Ele é filho, ele está ligado à nubesa portuguesa,
07:38que está no Pará.
07:39Então, ele tinha terras nessa região onde é a Basílica de Nazaré.
07:47E essa coisa de vigia entra onde?
07:49A devoção, essa é uma questão polêmica hoje,
07:54porque eu acredito que o primeiro sírio ocorreu em Belém.
07:58Então, tem toda uma gente que diz que o sírio mais antigo ocorreu em vigia.
08:03Na verdade, a devoção começa em vigia.
08:06Ou seja, existiam romarias em vigia.
08:08Mas o que sai no sírio de vigia não é a imagem da senhora de Nazaré.
08:13É mais parecida com a Nazaré portuguesa.
08:15É Nossa Senhora das Neves.
08:17É, mas é mais parecida com a Nossa Senhora sentada,
08:21uma antiga tradição portuguesa.
08:23Então, essa é bem diferente.
08:27Então, se chama hoje o sírio de vigia,
08:30e é um sírio muito importante a festa de vigia,
08:33mas não tem a ver com o sírio de Belém,
08:35da mesma forma que o sírio de Belém.
08:37O sírio de Belém é um sírio único.
08:39E em vigia não existia só um sírio, existiam vários sírios.
08:44Todas as processões, no caso, chamavam sírios.
08:47Sírios, que eram processões noturnas com uso de vela.
08:51Muita gente ia de Belém para vigia.
08:54Antes do nosso sírio, as pessoas daqui iam de Belém,
08:57isso é documentado, iam para as romarias de vigia.
09:01Hoje, muita gente, usando esse termo, lendo dessa forma,
09:06diz, não, olha, o sírio de vigia é mais antigo.
09:08Então, eu acredito que a devoção começa em vigia,
09:12mas sírio, como o de Belém, começa aqui.
09:14Ele tem data, estrutura, modelo único.
09:17Não tem comparação.
09:18Agora, uma coisa incrível que eu vi em Nazaré, de Portugal,
09:22é como é muito parecido com Belém,
09:26com a festa de Nazaré, que a gente chama de festa de Nazaré,
09:31em Belém, o arraial, a igreja,
09:34até as cores, as luzes, o clima da coisa.
09:37Aquilo me pareceu, eu digo assim,
09:39era o arraial antigo.
09:40Voltei ao arraial antigo.
09:42Exatamente.
09:43Total.
09:43Que eles chamam de sítio, na verdade.
09:46De sítio.
09:46Nós chamamos de arraial.
09:47À noite, a barraca da Santa, as festas, as danças típicas,
09:53vinham os camponeses, as pessoas venderem produtos locais.
09:58Era assim.
09:58Só que o sírio de Belém foi se sofisticando,
10:01ele foi se tornando, no século XIX,
10:03então, o cinema, as lanternas mágicas,
10:07o movimento cultural.
10:07Tudo, tudo que as tecnologias que saíam,
10:10as lanternas mágicas.
10:11Viravam a atração.
10:12A atração.
10:13Daí teve o teatro nazareno, tudo isso,
10:15porque era um lugar de grande festividade,
10:18como é hoje.
10:20Então, o turismo, tudo isso está associado
10:21a esse avanço que o sírio vai tendo ao longo do tempo.
10:24E as próprias festas, o sírio ganhou.
10:27Quantas procissões ali internas?
10:31Quantos elementos novos o sírio que não tem em Portugal?
10:35Tem um que eu não tinha ouvido falar,
10:37mas eu ouvi falar esse ano,
10:38lendo de atividades do sírio,
10:40que é um de corredores.
10:41Sim.
10:42Tem o sírio dos corredores.
10:44Como tem já a moto-romaria,
10:46a bicicleta.
10:48A bicicleta das crianças.
10:49A das crianças.
10:50Exatamente.
10:50A bicicleta das crianças desse ano
10:51foi uma coisa incrível.
10:53Fantástico.
10:53Teu quase 400 mil pessoas,
10:55ou seja,
10:56era o que era antigamente a trasladação,
11:00que era a produção rotunda,
11:01que era bem calma, bem tranquila.
11:04Vamos dizer que tenha 50 anos, 40 anos,
11:07essa mudança no sírio.
11:08O sírio fluvial.
11:10Eu acho que é 39 anos.
11:12Ano que vem vai ser o quadragênico.
11:15Mas estamos falando dessa devoção nazarena.
11:17Então, Portugal.
11:18E aí também você falou que tem também na África.
11:23Quais são os lugares onde a devoção a Nazaré é mais forte?
11:28Então, no universo português,
11:30tudo está muito associado à festa,
11:33vamos dizer, ao universo português.
11:35Por onde os portugueses andaram,
11:37tem devoção à Nossa Senhora de Nazaré.
11:39Então, você vai encontrar pequenas devoções na Índia.
11:42Então, na verdade, Nazaré seria o que a gente pode chamar
11:45a padureira, ou a santa oficial dos colonizadores.
11:50Totalmente.
11:50É totalmente ligada ao processo de colonização
11:55e expansão marítima de Portugal.
11:58Então, o que leva esse universo da expansão marítima portuguesa.
12:02E as ordens religiosas em Portugal,
12:05os jesuítas, franciscanos,
12:07eles foram as ordens que levaram o catolicismo
12:09para esses lugares distantes do mundo.
12:11Então, para a África.
12:13E, junto com eles, a própria nobreza,
12:16quer dizer, os próprios homens do Estado português.
12:19Daí nós temos um caso,
12:21esse livro que tu me trouxeste,
12:22O Culto de Nossa Senhora de Nazaré,
12:24há um estudo feito pela professora Maria Adelina Morim,
12:28que vem de vez em quando aqui ao Pará,
12:29nossa amiga querida,
12:32e ela mostra como foi o culto em Angola.
12:35E uma questão que o trabalho dela levanta
12:39é a presença de um dos governadores aqui,
12:44Capitãs Mores,
12:46que é o Vidal de Negreiros,
12:48André Vidal de Negreiros,
12:49que era pernambucano,
12:51ele foi um dos que lutou
12:54naquela expulsão dos holandeses em Pernambuco,
12:57onde isso ocorre.
12:58A expulsão, a reconquista de Pernambuco
13:01ocorre lá em 1640,
13:03e ele vem para cá, para o Pará.
13:06Então, nesse período aí,
13:08do século XVII,
13:12da década de 1630, 1640,
13:16que esses governadores estão aqui,
13:18depois ele vai para a África,
13:20e ele cria o santuário,
13:24a Igreja de Nazaré em Portugal.
13:26Uma questão que é levantada é,
13:27ele leva essa devoção daqui,
13:30ele, claro, conhecia a Nazaré de Portugal,
13:32mas teve a experiência da devoção aqui no Pará.
13:35Então, uma das questões que é levantada
13:37nesse texto, nesse trabalho,
13:40é a expansão levada do próprio Pará.
13:44Então, isso circula.
13:45E você me falou de símbolos,
13:47porque, por exemplo, a questão da corda.
13:49A questão da corda.
13:53Obviamente, vários símbolos são muito importantes.
13:56Então, a berlinda, por exemplo.
13:58A nossa berlinda é um caso bem interessante,
14:02porque ela tem tudo a ver com a própria nobreza também portuguesa.
14:05Berlinda vem de Berlim, né?
14:08Berlinda.
14:09Então, por isso que nós tínhamos o carro Berlina, né?
14:11O carro Berlina também, Volkswagen,
14:14em homenagem...
14:15Sim, da Berlina, da Volkswagen.
14:16Da Volkswagen, exatamente.
14:17Da Alemanha.
14:20E Berlinda foi um carro utilizado para transporte
14:24feito para o Duque da Prússia,
14:26que hoje é a capital Berlim.
14:29Esse carro, que elevava não só pessoas como santos...
14:34Então, existem berlindas processionais,
14:37para processões, como é a Berlinda de Nazaré,
14:39e Berlinda, que é a rainha.
14:41Dona Maria I, de Portugal, ela adorava uma berlinda.
14:44Andava na berlinda.
14:45Na berlinda dela.
14:46E o filho dela, Dom José, também andava...
14:49A berlinda dele está no Rio de Janeiro,
14:52no Museu Histórico Nacional.
14:54E, em Portugal, tem várias berlindas,
14:57inclusive da filha do Pedro I,
15:00Dona Maria da Glória.
15:02Da Maria da Glória.
15:02Ela tinha a berlinda dela.
15:04E está lá no Museu dos Coxes, em Lisboa.
15:07Só que isso ganhou um gosto paraense.
15:09Nós tínhamos muitas berlindas no século XIX aqui.
15:13A berlinda que levava o Senhor dos Passos,
15:15a berlinda não sei o quê...
15:17Até ladrão, assim, fugia às vezes numa berlinda.
15:21Tem, encontra no jornal, notícias disso,
15:23se escondiam nas berlindas.
15:25Então, começa...
15:26Nós já tínhamos esse gosto pela berlinda.
15:28Os primeiros sírios já foram em berlindas?
15:30Não, os primeiros ele leva na mão.
15:32O governador, o capelão do palácio,
15:35leva a imagem na mão.
15:35O trajeto era o mesmo.
15:37É, sai da capela...
15:38Não, não era o mesmo.
15:39Sai da capela do palácio.
15:40Não tem aquela capelinha.
15:42Sim, que é onde hoje em dia é o Museu do Estado.
15:44Do Estado Pará.
15:45O antigo Palácio dos Governadores,
15:47depois o Palácio Lauro Sobré,
15:48saía daquela...
15:49Vem da antiga ermida de Nazaré,
15:54ainda não era o gentil Bittencourt,
15:56vinha para o palácio,
15:57e do palácio voltava para a Igreja de Nazaré,
16:01para a antiga Igreja de Nazaré,
16:02no domingo.
16:04Em setembro, o primeiro sírio foi muito...
16:07A questão da data também, não.
16:08Era o sírio...
16:09Porque em Portugal é setembro,
16:11oito de setembro.
16:12E foi dia oito que o primeiro sírio aqui.
16:14Uma das coisas mais interessantes também
16:16que eu achei lá em Portugal,
16:17que é muito particular aquela festa,
16:19é muito...
16:20Fiquei muito emocionado.
16:22Sim.
16:23Como é...
16:24Tem os fogos lá também.
16:26O encerramento dos fogos.
16:27Os fogos.
16:28Isso nós temos muito, né?
16:30As girândulas de fogo.
16:31Sim.
16:31Isso é uma coisa...
16:32As ruas decoradas, como antigamente.
16:35Aqui até tem a decoração.
16:36Tem as cascatas de fogos.
16:39Sim.
16:39A gente não perdeu.
16:40Atrações circense no Arraial.
16:42Isso, sim.
16:43As águas dançantes.
16:44Exatamente.
16:44Foi tudo muito interessante.
16:46É uma volta, né?
16:47É uma volta ao nosso.
16:48Eles, na verdade, a gente esteve lá com o presidente da Câmara,
16:52que significa que é o prefeito, né?
16:54Eles estão querendo, na verdade,
16:56trazer toda essa força que tinha o culto a Nazaré.
17:01Porque, como tu falaste,
17:02a partir do momento, Portugal passou a ser Portugal de Fátima, né?
17:06De Fátima.
17:07A devoção.
17:07Inclusive, chama a atenção uma coisa, né?
17:09Que os paraenses, principalmente,
17:12vamos chamar a atenção dos paraenses,
17:13dos brasileiros,
17:14que aí a gente já vai expandir o nosso território.
17:16Mas os paraenses vão a Fátima e não vão a Nazaré.
17:22Exato.
17:23Por quê?
17:24Isso é uma coisa que eu achei incrível.
17:26É do lado, né?
17:27É muito...
17:28Exatamente, é.
17:29É porque faz...
17:30Isso é uma coisa que é notável.
17:32Me dizem assim,
17:32pô, mas o pessoal vem aqui e faz turismo.
17:34Ah, fui a Fátima, eu fui a Fátima,
17:36mas não foi ao lado que é Nazaré, pô.
17:37Tem uma questão do catolicismo oficial.
17:39A igreja incentivou mais o culto a Fátima do que o culto a Nazaré,
17:44porque era muito importante.
17:45No salazarismo, o Salazar utilizou muito a Festa de Fátima,
17:50contos comunistas.
17:51Quando nasce a Festa de Fátima?
17:53No contexto da Revolução Russa.
17:55Então, tem toda essa...
17:57Tem todo esse contexto político também ali, né?
17:59Político de Fátima.
18:00A igreja se apropriou disso como um grande atributo político.
18:04E, durante toda a ditadura portuguesa,
18:07Fátima foi a grande devoção incentivada pelo Estado
18:11e colocou na penumbra a Festa de Nazaré.
18:15Então, na redemocratização portuguesa,
18:18eles começaram a tentar retomar essa devoção antiga,
18:21que é tão importante e tão relacionada com o Pará.
18:23Não que Fátima não seja muito importante,
18:26é importantíssima.
18:27Importantíssima, claro.
18:28Historicamente, inclusive, é forte.
18:31E com a colônia portuguesa.
18:32Nós temos aqui o Santuário de Fátima,
18:34que foi introduzido pela colônia portuguesa.
18:36Eu até comentei isso.
18:37Eu disse, olha, nós já temos uma procissão de Fátima,
18:39uma procissão luminosa, né?
18:41Que cada ano é gigantesca.
18:43É gigantesca.
18:44Então, você vê, assim, duas devoções marianas
18:48extremamente conectadas com a cultura portuguesa.
18:50E, para nós, aqui, a todas as duas,
18:52ligada a uma história forte, né?
18:54Porque essa história também da devoção de Fátima,
18:56nacional de pastorino,
18:57da história dela de Nazaré com o Plácido, né?
19:01É, e tem a história da irmã,
19:04das crianças, que duas morreram,
19:06e a irmã que ficou no convento,
19:09o segredo de Fátima.
19:10Então, toda essa história é muito conectada.
19:13E isso também a gente pode pensar em relação...
19:16E a gente falou da corda, né?
19:17É.
19:17A corda surgiu...
19:19É, a corda, nossa corda aqui, por exemplo,
19:21durante muito tempo falava que o Dom Macedo Costa
19:24tinha introduzido a corda em 1882.
19:26Não, antes você já vê a corda e a própria...
19:30Mas corda como um símbolo?
19:32Não, apenas um elemento de proteção.
19:35Toda corda nunca foi,
19:37nenhuma procissão colocada como um símbolo.
19:40Então, você vai ver, por exemplo, na Espanha,
19:43não tem aqueles andores gigantes,
19:45aquelas festas famosas da Sicília,
19:47e eles são puxados com cordas.
19:50Então, as cordas, elas são comuns nas festas marianas.
19:55Tem a famosa corda utilizada também nas Filipinas,
20:00na festa do Jesus Nazareno, aquele Jesus negro,
20:03que é gigantesca, uma procissão muito parecida até com o símbolo de Nazaré,
20:08com outra dimensão,
20:10mas é usado também cordas para puxar o andor.
20:13Tudo isso é para facilitar a movimentação.
20:16Tem um sentido ali meio técnico.
20:18Porém, ao longo do tempo, elas vão virando um símbolo de promessa.
20:24As pessoas vão se utilizando, vão pagando promessa.
20:27Nenhuma se compara ao sírio.
20:29Claro, obviamente, no sírio, ganha uma dimensão maior.
20:35Tanto é...
20:35Também porque é o mais forte símbolo de promessa, não?
20:38De promessa.
20:39E, muitas vezes, se tentou retirar a corda do sírio.
20:43O Dom Macedo Costa tentou, inúmeras vezes, retirar a corda do sírio.
20:46Se diz que ele colocou, mas, na verdade,
20:49ele foi um sujeito que questionou...
20:51Primeiro, o sírio.
20:52Ele quis suspender o sírio, a festa do sírio de Nazaré,
20:56porque era considerada uma festa pagã.
20:59Ele comparava com as festas da Índia, as festas de Brama.
21:02Uma outra coisa também que eu senti nessa minha comparação com Portugal
21:06é como elas são parecidas na alegria.
21:10Na alegria.
21:11Como elas são parecidas no...
21:12No profano.
21:13Exatamente, nessa elevação da fé através da alegria.
21:17Da bebida, da comida, da alegria.
21:19Então, isso para a igreja, principalmente aquela igreja do século XIX,
21:23que queria ser um catolicismo mais parecido com Roma,
21:27chamava catolicismo...
21:28Mais austero.
21:28Austero, romanizado, estudado.
21:31Então, os padres iam se formar.
21:33Talvez Fátima seja mais assim, né?
21:35Total.
21:36Você vê, inclusive, que é um catolicismo mais contido.
21:40Isso.
21:40Mais regrado.
21:42Mais regrado.
21:43Então, isso é o controle muito forte da igreja.
21:46E aqui nunca deu certo.
21:47Mas a corda queriam tirar, então?
21:49Queriam tirar.
21:49Houve dois sírios civis, né?
21:51Que o povo invadiu a igreja em 1873, 1874.
21:57Fizeram sírios civis sem a presença do bispo.
22:00Isso a gente estuda até, que é chamada a questão nazarena.
22:03O Dom Macedo Costa foi preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro.
22:07Por quê?
22:08Porque tinha o papel da maçonaria.
22:11Hoje a gente podia falar da diretoria da festa.
22:14E isso tudo é leigo dentro da igreja, né?
22:17Então, hoje a gente não fala assim, tem o comércio.
22:21Tudo está muito relacionado com a igreja.
22:24E tirou um pouco do poder do clero nesse controle.
22:29Hoje está tudo muito mais esclarecido.
22:31Mas no século XIX foi muito tempo.
22:32Agora, você, claro, você é um historiador, né?
22:36Você sabe todo esse processo todo.
22:39O que é a corda hoje em dia?
22:40Hoje a corda, para mim, é um cordão umbilical.
22:44Para mim é um cordão.
22:45Sabe assim, o cordão da mulher, da mãe, que junta o útero com o filho?
22:50É esse elemento uterino.
22:52Então, para mim, quando...
22:54Porque eu, claro, acompanhando o sírio desde criança,
22:58e eu sou de sírio, nasci no sírio,
23:00e acompanhei o sírio a minha vida inteira segurado pela mão da minha mãe.
23:04Eu lembro da corda, que era o grande símbolo de promessa,
23:08o mais forte, ou aquele que merecia a maior atenção.
23:12Era uma corda mesmo.
23:13Era uma corda mesmo.
23:14Um lado homem.
23:15Lado mulher.
23:16Lado mulher.
23:16E era uma grande corda.
23:19E aquilo ia andando, não sei de que maneira.
23:22Lembro que tinha uma figura de uma pessoa que ia na frente,
23:25dando um apito.
23:26Sim.
23:27Sempre assim.
23:28Como no passado.
23:29Aí depois virou essas chamadas...
23:33Estações.
23:33Estações.
23:34Estações.
23:34Que são atreladas.
23:36Atreladas, exatamente.
23:37Isso é o que funciona, na verdade.
23:39Pois é.
23:39Isso é meio confuso também na minha cabeça.
23:41Não, veja só.
23:42Olha, o termo atrelado.
23:45Então, isso explica muito.
23:48É atrelar a berlinda.
23:51Então, tem aquele momento que atrela a corda.
23:54Sim, sim, sim.
23:54Então, o que é isso?
23:55É atrelar aquele fio que o promesseiro faz,
23:59a imagem ao pé da santa.
24:01Sim.
24:01Então, você...
24:02Sabe, as fitas...
24:03Mas ela...
24:03Esse atrelamento quer dizer que, a partir dali,
24:07há uma ligação com todas as estações.
24:11Com todas as estações.
24:12As estações são atreladas.
24:14São atreladas.
24:15São atreladas.
24:15Uma outra e a berlinda.
24:17E a berlinda.
24:18Mas isso, na verdade, pelo jeito, não acontece, né?
24:20Porque parece que o sírio andou,
24:22cinco minutos e o negócio já está cortado, já arrebentou.
24:26O que é?
24:26Corta ou arrebenta?
24:27Como se corta o cordão umbilical.
24:30Todo mundo quer um pedaço da corda.
24:32A corda é uma relíquia super sagrada.
24:35Todo mundo quer levar um pedaço daquela corda para casa
24:38e agora vendem pedaço, levam para não sei o quê, põem no seu...
24:42Quer dizer que, então, na verdade, a corda é cortada antes, né?
24:46É cortada no sírio.
24:49Ela é cortada em algum momento do sírio.
24:50No passado, era lá pelo meio, já quase no final, né?
24:54Você via pela televisão.
24:56Ah, cortaram a corda e tinha um discurso.
24:57Eu disse, gente, não tem controle.
24:59Porque as pessoas vão para ali para pagar a devoção,
25:02elas querem pegar na corda,
25:04mas elas querem levar um pedaço dessa corda para casa.
25:07Mas aí, voltando também...
25:08Isso é uma relíquia que está no início do cristianismo.
25:10Voltando ali também à minha memória,
25:12à minha memória de acompanhar sírio.
25:14Eu lembro que eu vi a corda chegar,
25:18chegava por ali,
25:20Nazaré com o Generalíssimo.
25:21A gente via a corda no chão e não tinha esse corta-corta.
25:25Quer dizer, não era ainda esse símbolo
25:28que as pessoas têm que cortar e levar para cá.
25:30Talvez até tivesse.
25:31Tivesse.
25:31Mas não hoje, porque hoje também...
25:34A coisa, às vezes, passa a ser violento, né?
25:37É.
25:37A dimensão do sírio é muito maior, né?
25:40Hoje, o sírio, às vezes, escapa desse controle.
25:46E isso tem a ver, eu acho, com essa...
25:48Um controle, aliás, que não existe.
25:50Incrivelmente, é um controle que dá certo.
25:53É um controle que dá certo.
25:53Um descontrole que dá certo.
25:55Um descontrole que dá certo.
25:56No passado, por isso estou insistindo nessa questão da relíquia,
26:01era assim que invadiram as catacumbas dos primeiros cristãos
26:04para tirar um pedaço de osso e levar para casa.
26:07Então, por quê?
26:09Porque aquela corda tem esse mesmo significado de relíquia.
26:13Então, cada ano é uma produção de relíquia.
26:15Eu vejo que as pessoas ficam falando...
26:16Ah, mas não...
26:17Volta, tem que ser assim.
26:18Não tem isso, nunca.
26:19Não tem como.
26:19Eu acho que, a partir do momento que transformaram essa coisa
26:22da corda atrelada às estações, que são 5C, não...
26:26Exato, sim.
26:27Eu nem sei quantas são agora.
26:28Exatamente.
26:29Então, a partir daí, a gente perdeu aquele sentido daquela corda que...
26:33Eu lembro que tinha uma coisa também que tinha...
26:35ir dentro da corda ou acompanhar fora da corda.
26:39Exatamente.
26:39Dentro da corda era mais tranquilo, porque era só convidados.
26:42Lembro também de uma época que tinha crachá até.
26:45Era uma coisa assim que...
26:46Era uma prensa, ia lá dentro...
26:48Porque a gente poderia chamar, tinha uma área viva ali.
26:50É viva, exatamente.
26:50Era uma área viva, exatamente.
26:52É isso aí.
26:52Mas isso é super medieval, Ismailino.
26:55Se tu pensares que o Sírio é uma produção medieval,
26:59que vão ali as escolas, aquelas bandeiras, as autoridades...
27:04As bandas.
27:04As bandas, com toda...
27:06E hierarquia.
27:07E muitas vezes vai o governador, vai os...
27:09Quando o presidente vinha, ano passado, autoridades civis, militares...
27:16Tem fotos disso, inclusive.
27:18Então, isso...
27:19Dessa divisão ali, os eclesiásticos, a turma lá do...
27:24Civil...
27:24Sim, sim, sim.
27:25Autoridades, autoridades.
27:26Nem um sírio tem esse aspecto militar que o Sírio de Nazaré tem.
27:31Militar.
27:32Uma presença...
27:33Outro dia eu ouvia um discurso da guarda, que é muito interessante no Sírio.
27:40Da guarda de Nazaré.
27:41De Nazaré.
27:41Então, a guarda de Nazaré tem um discurso.
27:43Ah, mas era muito aí os militares e a gente nasceu para tornar uma coisa mais...
27:49Não é verdade.
27:50Porque existiam as duas coisas.
27:52Hoje existe a guarda de Nazaré, que tem um papel importantíssimo no Sírio,
27:55muito lindo, tem uma história...
27:57De organização ali.
27:58Organização, de...
28:00Mas, ao mesmo tempo...
28:01E não é só no Sírio, eles têm um trabalho de anos.
28:04Mas, ao mesmo tempo, tem uma presença militar incrível,
28:08que eu fui saber mais recentemente que vários, todos os anos,
28:13vários militares do Brasil se inscrevem para participar do Sírio,
28:17da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia.
28:21Então, todo aquele batalhão, e isso era o Sírio no século XIX,
28:26era o batalhão da Infantaria Militar do Pará, que guardava a Berlinda,
28:30que tinha toda...
28:31Era organizada militarmente.
28:32Quer dizer, o que a gente vê, que a corda foi desatrelada,
28:35ou a corda arrebentou, a corda foi cortada.
28:37Quer dizer, desatrelou.
28:39Não é mais essa corda que não está ligada à Berlinda.
28:44Não.
28:44Mas eu vejo assim, as estações continuam andando.
28:49Sim.
28:49Porque elas vão andando de forma independente.
28:52E já aprenderam.
28:54O Sírio já sabe como funciona.
28:56A corda, ela hoje, é um elemento de devoção e decorativo.
29:01Quer dizer, decorativo entre aspas.
29:03Ela é um elemento devocional.
29:04Não é mais para puxar a Berlinda,
29:06como foi no século XIX, que havia tomeiro...
29:09Mas lembro também, claro, memória infantil,
29:12que tinha os carros puxados por boi.
29:15Sim.
29:16Sim.
29:17Não tinha isso?
29:18Não tinha.
29:19No passado, muito passado.
29:20Eu não peguei, digamos assim, essa fase.
29:23Eu conheço o Sírio da década de 80,
29:25quando eu cheguei aqui.
29:26Mas eu não sei nos períodos passados...
29:28Eu lembro criança, eu lembro disso,
29:29porque a gente meio que ficar ali desviando,
29:31do que o boi ficava fazendo pelo meio do caminho.
29:34Pois é.
29:35Eu não sei até quando...
29:36Mas era tudo muito tranquilo.
29:38Até quando isso funcionou?
29:40Mas...
29:41Tinha um certo medo também.
29:42Tipo assim, olha, lá vem a corda.
29:44Lá vem a corda, quer dizer,
29:45você sai de perto,
29:47o negócio vem para cima
29:48e aí você pode ser levado por aquele turbilhão.
29:52Mas isso que você está falando dos animais,
29:54no século XIX, sim.
29:55Existiam os sedes, os cavalos.
29:58Existiam muitas charretes no Sírio.
30:01Era uma grande procissão, cavaleiro.
30:05E o que você acha, assim, nesse todo,
30:07nesse teu trabalho,
30:08nessas pesquisas,
30:09nesse teu contexto histórico, assim, né?
30:11Porque eu vejo o Sírio...
30:12Primeiro, eu vejo o Sírio vivo.
30:15Sim, total.
30:15É incrível, né?
30:16A cada ano a gente participa de muita coisa,
30:20vai aqui, vai ali,
30:21tudo até se cansa, né?
30:22Quando chega do sábado,
30:23sim, agora não tem de baixinho.
30:24Eu estou cansado de Sírio.
30:26Mas é incrível isso, né?
30:28Que é uma festa viva, né?
30:29Ela vai incorporando elementos, elementos, elementos.
30:32É, é uma festa continuamente do presente.
30:35Ela é uma festa continuamente do hoje.
30:38Só que ela tem um passado histórico fantástico
30:41e ele foi mudando ao longo do tempo.
30:43Uma coisa que eu notei também
30:44é as pessoas de branco.
30:46Esse ano eu vi muita gente de branco.
30:48As pessoas parecem que estão vestindo branco
30:50para ir para a procissão.
30:52Sim.
30:53O Sírio tem uma cor, né?
30:55O Sírio tem branco e amarelo,
30:56são cores do Sírio, né?
30:58E as gradações marianas,
31:00um pouco azul, às vezes,
31:02um pouco amarelo, um pouco rosa,
31:03são cores do Sírio.
31:05Então, porque não tem esse repertório,
31:07essa paleta mariana,
31:09essa paleta cromática mariana,
31:10que a gente vê muito no manto, né?
31:14O manto do Sírio,
31:15ele é repetitivamente,
31:17ele viaja nessas cores.
31:20Então, tem alguns mantos que distoam, às vezes.
31:22De vez em quando tem um manto, né?
31:24A gente teve um ano,
31:24foi um polêmico, né?
31:27Verde-rosa, mangueira, né?
31:28Exatamente.
31:29Então, um manto mais carnavalesco,
31:31às vezes um manto mais denso,
31:33como foi o do ano passado,
31:34com uma explicação teológica mais complexa, né?
31:38Sim, sim, sim.
31:38Toda uma leitura ali, né?
31:39Toda uma leitura ali,
31:40inclusive com elementos do preto,
31:43que quase não se usa, por exemplo,
31:44o preto no manto, né?
31:46Os detalhes assim, preto.
31:47Então, isso tudo...
31:49Mas eu gosto desses mantos.
31:50Eu gosto desses mantos que marcam essas viradas,
31:54o manto mais...
31:55Porque eles chamam a atenção para você ler.
31:57Agora, tu falaste do preto, né?
31:58Hoje mesmo, eu estava fazendo uma pesquisa
32:00de imagens de sírios antigos.
32:03E aí, eu vi lá o sírio dos pretos.
32:06O que era isso?
32:07Pois é.
32:10Durante a abolição da escravidão,
32:12nesse contexto,
32:13muitas crianças pretas
32:15foram levadas nos barcos de milagres,
32:18principalmente depois da Lei do Ventre Livre.
32:20Então, a maçonaria levava crianças
32:23e colocava ali para falar disso,
32:25da abolição da escravidão.
32:27Sim, sim.
32:27Então, a Lei do Ventre Livre.
32:29Então, tem uma célebre imagem
32:31feita por um artista francês.
32:35Em 1883, chama Barca dos Milagres,
32:38que mostra essas crianças.
32:39A gente está falando aí do contexto
32:41da abolição da escravidão,
32:42em 1883, né?
32:44Em 1871.
32:45Então, você tem aí...
32:46Esse universo é presente.
32:48Há uma outra tese,
32:49que é um sírio feito por pretos.
32:52Eu tenho uma ideia diferente.
32:54Eu acho assim,
32:55a população preta sempre esteve no sírio.
32:58Sempre esteve no sírio.
32:59As imagens dizem isso.
33:01Dizem isso.
33:01Pelo menos o que eu consegui ver...
33:03Claro, exato.
33:04Mas, como tem muito indígena,
33:06como teve muito branco,
33:08o sírio sempre foi muito misturado
33:10e liderado por uma população branca.
33:13Por exemplo,
33:13os pretos nunca dominaram o sírio,
33:15a organização do sírio.
33:17Nunca estiveram na diretoria da festa.
33:19Nunca tiveram.
33:19Se tu pega do século XIX,
33:21é o barão do Guajará,
33:23é a baronesa,
33:24as famílias ricas do Pará
33:26é que eram o que coordenavam a festa de Nazaré
33:29desde o princípio,
33:31se a gente for falar,
33:31inclusive, do Caboclo Plácido.
33:33Então, os jesuítos,
33:36os pretos dominavam as suas irmandades pretas.
33:40A Irmandade de São Benedito,
33:41Rosário da Campina,
33:43que tinha uma festa importantíssima no passado,
33:46Santa Efigênia,
33:47Santo Lisbão,
33:48os santos pretos no Pará
33:49foram fortíssimos.
33:51Então, eles, inclusive,
33:54disputavam com o sírio
33:55as festas importantes.
33:57Mas os pretos estavam lá presentes.
33:59Então, está correto isso.
34:00Então, essa tese de que os pretos
34:02foram expulsos do sírio de Nazaré,
34:04para mim, não funciona.
34:06Ela é uma leitura particular
34:10feita a partir de hoje,
34:11a partir de uma leitura dessas imagens.
34:13Mas os pretos estavam sempre presentes como hoje.
34:16Assim como o pessoal de Umbanda,
34:18o pessoal das religiões afrodescendentes.
34:21Você vê ali o tambor de mina do Pará.
34:24Se você for estudar os aspectos litúrgicos
34:27dos tambores de mina no Pará,
34:29os voduns adoram Nossa Senhora de Nazaré.
34:32Para ter uma ideia
34:33de que é uma coisa bem complexa,
34:36há uma entidade no tambor de mina,
34:38Sinhabe,
34:39que adora Nossa Senhora de Nazaré.
34:41O tambor é feito na época do sírio.
34:43Uma festa religiosa conectadíssima
34:45com esse universo africatório.
34:47Pois é.
34:47Mas essa coisa da diversidade,
34:49essa multiculturalidade...
34:53Multiculturalidade,
34:53que foi chamada de sincretismo.
34:55Exatamente, a multiculturalidade.
34:56Gosto mais desse sincretismo,
34:58acho que às vezes é meio estranho.
35:00Exato.
35:01Mas é presente isso no sírio até hoje?
35:03E isso é difícil mudar isso, na verdade.
35:05Nunca vai mudar.
35:05Porque você vê absolutamente tudo.
35:07Você vê até pelas manifestações externas ao sírio.
35:10Exato.
35:10Você percebe que o sírio é isso.
35:11O sírio é multicultural, não é?
35:13É, os islâmicos olham o sírio com muito interesse,
35:19porque Nossa Senhora,
35:21quer dizer, a figura de Maria,
35:22ela é recitadíssima no Corão.
35:24Os judeus, de outro modo,
35:27vão olhar com a imagem da mãe também muito presente.
35:33Não adianta.
35:34Essa é uma devoção, uma festa,
35:38uma, digamos, um universo cultural
35:39que se espraia por todas essas religiões.
35:43Cada um vai ler de uma maneira,
35:45vai ver o sírio, vai participar de uma maneira.
35:47Mas é realmente uma festa cultural.
35:49Tem uma frase que ouvi muito esse ano,
35:51prestei também muita atenção,
35:53porque é de uma música, não é?
35:54Acho que a música do padre Fábio Fábio Fábio,
35:56é a explicação que não se explica,
35:58mais ou menos uma coisa parecida a isso.
35:59Exato.
36:00E é verdade, não é?
36:01Porque a gente fica procurando assim,
36:02como você explica o sírio, não é?
36:04O que é explicar para alguém?
36:05É, e nesse caso tem a ver com o aspecto sensorial.
36:08Você tem que sentir o sírio, não é?
36:11Então, acho que todo mundo...
36:12Eu falo para todo mundo que vem aqui,
36:14você tem que participar, olhar, ver o sírio ali presente,
36:18porque tem uma coisa...
36:19Porque dizer só que é uma procissão religiosa
36:22que toma conta da cidade, não é só isso.
36:24Não funciona, nada disso.
36:24É muito mais do que isso.
36:26É muito mais do que isso.
36:26Tem uma coisa de energia, tem uma coisa incrível.
36:29A cidade...
36:30Total.
36:31A cidade vem junto, não é?
36:32Mexe com qualquer ateu.
36:34Isso é muito forte.
36:35E onde é que entrou essa coisa do almoço do sírio?
36:37Tem algum registro histórico?
36:39Tem, vários, no século XIX.
36:41Inclusive diferenciado, porque usa a nossa comida típica, não é?
36:44Já no século XIX, o arraial era muito mais forte que hoje.
36:49Então, hoje a gente tem um arraial que é bonito e tal.
36:52Mas, no século XIX, as pretas escravizadas vendiam doces.
36:56Existiam os doces chamados doces do espírito.
36:59A gente conhece alguns hoje.
37:00Por exemplo, que são doces que têm a ver com os sentidos, os sentimentos, tipo sonho,
37:09tipo paciência, tipo suspiro.
37:12Olha o nome, né?
37:13É brevidade.
37:15Esses são doces vendidos em tabuleiro.
37:17Esses tinham alegria, tristeza, raiva.
37:19Não é em Portugal ainda...
37:20E lembra do sírio, do próprio arraial ali com as parracas de comida?
37:24Eram comidas típicas para a gente ir lá para comer, maniçoba, pato do tucupi.
37:29E doces, tudo isso, pipoca, tudo isso você comprava no século XIX.
37:34Daí, eles tinham uma festa chamada o paticídio.
37:38O paticídio é parecido com...
37:41Sabe uma brincadeira que a gente conhece fora do Pará e conhece como cabra cega?
37:46Que no Pará a gente chama pata cega.
37:48Pata cega.
37:49Só aqui que se chama pata cega, não nos outros lugares.
37:51Você tinha um curral no sírio que você era vendado para pegar o pato.
37:57Daí, fazia o pato e se matava o pato no sírio.
38:00Então, vendia pato e depois botava no tucupi o pato vindo do Maranhão.
38:05Essa tradição se manteve até mais recente de trazer pato do Maranhão na época do sírio.
38:11E foi construído, historicamente, o pato do tucupi como uma família...
38:16Você está sempre ali pelo sírio, deve ser que você vai para todos os lugares.
38:18Passou a volta do sírio, você vai para as varandas.
38:21Aliás, varanda também é uma coisa que se expandiu.
38:24Hoje em dia tem várias.
38:26Começou ali com a varanda de Nazaré.
38:28Hoje em dia tem varanda, tem laje.
38:30Tem a laje.
38:31Tem janelas.
38:32Tem tudo.
38:33Incrível isso.
38:34Como se expande uma ideia, um conceito.
38:37Isso, na verdade, às vezes já está incorporada dentro da procedição.
38:41Vai crescendo.
38:42O sírio vai incorporando.
38:43E o almoço, a comida, as pessoas chamam para visitar a sua casa, se preparam para isso.
38:51O sírio tem um apogeu do calendário paraense.
38:55É um momento de clímax muito importante.
38:58Então, você vai encontrar tudo isso aqui no sírio.
39:00Agora, uma outra coisa também.
39:03Estávamos falando ainda agora do Arraial.
39:06Mudou, claro, hoje em dia.
39:08É uma coisa diferente.
39:09Mais ou menos é de um parque de diversão.
39:11Acabou aquela coisa da comida, de ir para a barraca da Santa e tudo mais.
39:14Mas, enfim, esse é o sírio.
39:16Mas, também, tem uma coisa que me chama muito a atenção e também vi isso lá em Nazaré,
39:21que são os arcos.
39:24Antigamente, os arcos eram no iluminado.
39:25Não tinha essa coisa do LED e tudo mais, esses materiais mais modernos,
39:30mas eram lâmpadas mesmo, os grandes arcos do sírio,
39:33que ficavam pelas ruas no lugar que dava acesso ao Arraial.
39:37Hoje em dia não tem mais.
39:38O que a gente tem ainda são aqueles dois arcos fixos,
39:42um na Generalíssimo e um na 14 de março.
39:45E, conversando aqui também agora com você,
39:48a ideia de que aquilo, eu acho, ser um símbolo tão forte,
39:51porque já que ele muda de sírio a sírio,
39:53ou às vezes nem muda, ele fica há muito tempo lá,
39:56de que aquilo pudesse ser feito por um artista, na verdade.
40:00Abrir um concurso, que você me disse que existia isso.
40:04O arco, na minha opinião, foi um erro,
40:08quer dizer, colocou um arco permanente.
40:10Então, o ideal era fazer essa arquitetura efêmera,
40:14chamava isso arquitetura efêmera,
40:16uma arquitetura que é feita só para aquele evento.
40:20É porque só aparecia no sírio.
40:22Claro, em Portugal, na Europa, se faziam uns grandes arcos do triunfo.
40:26O Lande, aqui no Pará, fez muitos arcos, arcos na sua época.
40:31Não sei se para o sírio de Nazaré,
40:33mas provavelmente porque ele é anterior.
40:34No sírio de Nazaré, o Lande ainda não existia.
40:37Mas para festas cívicas, o Lande fez arcos,
40:41desenhou arcos para a Itália,
40:43isso não encontra na obra dele.
40:45Que é essa arquitetura efêmera.
40:46Ele tinha esse nome.
40:47Ele tinha arquitetura efêmera.
40:49Aqui no Pará, Pietro Campofiorito,
40:52que foi o pai do Quirino Campofiorito,
40:54um grande pintor, artista.
40:55Ele veio da Itália, trabalhou na época do Lemos.
40:57Ele fez arcos para o sírio de Nazaré.
41:00Tem um quadro que é muito lindo
41:01chamado A Entrada do Sírio no Arraial de Nazaré.
41:04Faz parte da coleção do museu,
41:06do Museu de Arte de Belém, do MAB.
41:08E você vê o arco feito,
41:10as bandeiras portuguesas,
41:12a bandeira do Brasil, a bandeira do Pará.
41:14Você encontra...
41:15Então era muito interessante.
41:18Os artistas importantes que estavam em Belém
41:21eram convidados a fazer um arco.
41:24Então era uma espécie de...
41:26É porque eu digo assim,
41:26assim como faz todo ano,
41:28não tem o lançamento do cartaz, do sérgio.
41:30Do cartaz, do manto.
41:32Exatamente, do manto e tudo mais,
41:33que são símbolos fortíssimos.
41:35No caso, todo ano se convida um artista.
41:38Eu não sei como é o processo
41:39para você ser o fotógrafo do cartaz.
41:41Tem isso, não é?
41:42Quem é que vai dar a assinatura do cartaz?
41:45Faz um concurso para fazer...
41:47Vamos lançar essa proposição?
41:48Seria muito interessante.
41:49Inclusive, tem os outros espaços,
41:52porque havia ali onde é o Largo de Nazaré,
41:54onde é aquele Largo do Redondo,
41:56ali era o Largo da Memória,
41:58ali existia o arco também.
42:00Então não eram só os dois arcos,
42:02só ali da entrada.
42:03Então houve outros arcos no Sírio de Nazaré.
42:06Pois é, seria mais um símbolo
42:08e também trazer a arte.
42:10Claro, a arte era o momento.
42:11Sempre é muito presente.
42:13A arte, os artistas, as temáticas,
42:16criar temáticas para o Sírio.
42:18É uma excelente ideia.
42:20É uma excelente ideia
42:21e uma excelente ideia com,
42:24digamos assim,
42:25uma base histórica, inclusive.
42:28Tem esse passado histórico dos arcos.
42:30Você esteve no Sírio esse ano?
42:31Muito pouco.
42:32Tivem problemas de saúde em casa,
42:34só fui mesmo na processão fluvial.
42:37Eu fui júri da processão fluvial.
42:39Hoje, inclusive...
42:39Ah, hoje...
42:40Essa eu não sabia.
42:41Pois é.
42:43desde o primeiro Sírio,
42:45da primeira posição fluvial,
42:47ela completou a trigésima nona esse ano.
42:51A antiga Paratur e hoje a Setur
42:54faz um concurso.
42:56Sim, tá.
42:57Lembrei, lá no início,
42:59mas não ouvi falar ainda.
43:01Existe o concurso.
43:02Que é o barco mais...
43:03O barco mais enfeitado que segue.
43:06Eles se inscrevem na Capitania dos Portos
43:09e daí um júri é constituído...
43:12Como é que é esse júri?
43:13Você fica onde?
43:14Fica num daqueles barcos da Marinha,
43:16porque vai umas corvetas ali,
43:18uns barcos assim.
43:19Eu não sei como é o nome do barco,
43:20eu estou dizendo corveta,
43:21mas, enfim,
43:22eram barcos que vão ladeando
43:26aquela maior...
43:27Saem de lá da Lida de Valdecãs,
43:30três horas da manhã foram me buscar em casa
43:33para ter uma ideia.
43:34Para cinco horas...
43:34Quantas pessoas faziam?
43:36Não sabia disso, olha.
43:37Eram umas cinco pessoas,
43:38cinco, seis pessoas no...
43:41E tem como...
43:41Naquela hora...
43:42Porque eu vejo também que tem isso,
43:43a produção civilial está enorme,
43:45e ela é de barcos grandes.
43:47A gente não vê mais o barquinho ali
43:49que ele não consegue segurar
43:50aquela quantidade de barco,
43:51de lancha, de onda e de motor.
43:53A gente vai,
43:55ganha um binóculo na hora
43:57e tem uma tabela para a gente...
43:59Todos os critérios,
44:00tem uma reunião anterior
44:02e hoje eu podia ter trazido,
44:04porque hoje a gente recebeu também
44:05uma homenagem,
44:08uma comenda,
44:09um prêmio, um troféu,
44:11que chama Troféu Carlos Roque,
44:13que foi o...
44:13Carlos Roque foi o cara que...
44:15Que criou e tal,
44:16então chama esse prêmio.
44:17E hoje foi muito bacana
44:19aqui na Setú,
44:21aqui nessa governador Protássio,
44:23que é onde funciona a administração do Estado,
44:26teve a premiação.
44:28Foi o pessoal da Marinha,
44:29foi o pessoal da Secretaria,
44:30e os donos dos barcos
44:33e os decoradores foram lá receber.
44:36Então, é decorador de cada barco.
44:38Então, foi fantástico.
44:39E a gente não conhecia ninguém,
44:41porque a gente estava lá,
44:42dizendo,
44:42esse é mais bonito,
44:43segue aqui as regras.
44:45Daí a dona Madalena Lobato,
44:47a senhora,
44:48estou dando aqui o nome,
44:49ela é dona de uma balsa.
44:51Ela, com 83, 84 anos,
44:54foi lá toda bonita a receber...
44:57É a melhor decoração.
44:59Melhor decoração.
45:00Daí o barco, sei lá, Ana...
45:02Não sei se é porque também
45:02já passa aquele turbilhão de cílios,
45:04a gente não ouve falar,
45:04mas eu não vi nada ainda dessa premiação.
45:07E eles são...
45:08E eles se preparam para isso.
45:10Claro.
45:10Tem barco,
45:11barco Borari, por exemplo,
45:12que tem, sei lá,
45:13o segundo lugar,
45:14o terceiro lugar,
45:14não me lembro.
45:16Mas ele já foi premiado outras vezes.
45:18Então, já são conhecidos,
45:22competidores e...
45:23Que interessante.
45:23Sim, jovens...
45:24É mais uma ação do cílio.
45:26Incrível.
45:27E estava lá o senhor,
45:29que era da direção da festa,
45:30da diretoria da festa.
45:31Eles estão em tudo, não é?
45:33Assim, é uma coisa incrível.
45:34Eu também lembro dessa memória
45:36passado infantil.
45:37Eram duas processões,
45:39a tradação, o cílio e o recílio.
45:42É, exato.
45:43Só cílio e recílio, exatamente.
45:45E aí agora não, não é?
45:46Tem tudo, não é?
45:48Até os carros.
45:51Aquela...
45:51Levar os carros já virou uma coisa.
45:52Exatamente, o transporte dos carros.
45:55O traslado dos carros.
45:56Exatamente, é o traslado.
45:58Exatamente.
45:58E é incrível isso, não é?
46:00Até a própria inauguração,
46:02a inauguração da iluminação
46:03daquela imagem da Doca,
46:06aquilo virou um acontecimento.
46:07Um grande acontecimento.
46:08Porque vai se criando aqui
46:10símbolos associados ao cílio,
46:12símbolos devocionais,
46:14e as pessoas vão...
46:15E esses símbolos festivos também.
46:17O círio tem essa realmente dimensão.
46:20e coisas que estão acontecendo
46:22ao mesmo tempo.
46:23Por exemplo,
46:24você não consegue ver
46:25a descida do Glória
46:26e participar da chegada.
46:28O momento em que está chegando
46:29a imagem da procissão fluvial,
46:32está vendo a descida do Glória.
46:33Essa descida do Glória também,
46:35que eu nunca consegui ver,
46:37é uma coisa também
46:38que antigamente era...
46:39Ela sempre existiu.
46:41Hoje em dia sempre existiu,
46:42mas agora virou um...
46:44Um grande evento.
46:45Um grande evento.
46:45Para você ter acesso, não é?
46:46Porque desce duas vezes ao ano.
46:48E as pessoas acham o momento
46:52muito importante,
46:52porque tem essa questão das imagens,
46:55da imagem verdadeira,
46:57da imagem peregrina,
46:59a história das imagens
47:00que circulam no sírio.
47:01Mas essa ideia de fazer,
47:05transformar essas duas devoções,
47:07essas duas festividades,
47:10tanto em Portugal como em Belém,
47:12eu acho que isso é uma coisa fantástica,
47:13incrível esse trabalho.
47:14Essa ligação muito forte entre as duas,
47:19é um patrimônio realmente luso-brasileiro,
47:22luso-paraense.
47:23Bom, o Fafá foi convidado
47:26para ser a embaixadora lá de Portugal,
47:29lá na cidade de Nazaré,
47:30foi convidado pela Câmara
47:31para ser a embaixadora desse processo
47:34de transformar essas duas festas
47:36em festas com irmãs.
47:38Já são, não é?
47:38Com irmãs, são.
47:39Historicamente, já estão próximas.
47:41Exatamente.
47:41Mas como a gente quer reativar
47:43essa devoção lá,
47:45reativar da maior visibilidade,
47:48eles querem juntar com essa coisa de Belém.
47:51Alguns portugueses já estiveram aqui
47:52e saíram.
47:53Não, eu imagino que...
47:54Porque para eles vai ser uma redescoberta,
47:57quer dizer, como Portugal
47:59foi para outros continentes,
48:01essa história é muito...
48:03E conectar com...
48:04Hoje a festa de Nazaré é patrimônio
48:06da humanidade, patrimônio...
48:07Eu não sei se patrimônio da humanidade,
48:08mas patrimônio aqui brasileiro, sim.
48:11Então, essa devoção do sírio
48:17diz muito sobre a nossa relação com Portugal.
48:20E outra coisa,
48:21a gente já percebe que já tem sírio
48:22no estado o ano todo, não é?
48:25No Brasil inteiro.
48:26No Brasil também, não é?
48:27No Brasil inteiro.
48:28Você vai encontrar no Rio de Janeiro,
48:29em São Paulo.
48:30Belo Horizonte.
48:31E é muito interessante...
48:32Miami.
48:33Exatamente.
48:34Porque onde tem famílias de paraenses,
48:39devotos do Pará,
48:40acaba aquela comunidade
48:42constituindo o sírio.
48:43E isso é muito antigo também.
48:46Então, muitas igrejas pequenas
48:49que tinham outra devoção,
48:51Nazaré chegou,
48:52e vai logo também ocupando aquele espaço.
48:55É bom, se a gente falar,
48:56essa coisa da devoção nazarena,
48:58que era a devoção principal ali,
49:01do Império Português.
49:03Total.
49:04Foi muito importante
49:06para a monarquia portuguesa.
49:08Eu já dei, inclusive, uma ideia.
49:10Falei com os portugueses que estavam aqui,
49:12de lá, o pessoal de Nazaré,
49:14trazer a imagem,
49:17uma peregrina.
49:18Exato.
49:19Fazer uma imagem peregrina,
49:20porque eles não têm uma imagem peregrina.
49:22Eles não têm uma imagem peregrina.
49:23E ela é muito, muito...
49:24É uma imagem muito interessante.
49:26E a gente já acha muito interessante
49:27aquela imagem que tem
49:29Nossa Senhora do Leite lá no Arte Sacra.
49:32Quando a gente vê de Nazaré,
49:33eu fiquei maravilhado.
49:34Exatamente.
49:35Primeiro que ela é madeira
49:37e a gente percebe que ela é esculpida mesmo,
49:39é uma coisa artesanal.
49:41Eu não sei se você já viste.
49:42Já fazem os artesãos aqui,
49:44gente que trabalha com imagem,
49:46já fazem uma imagem
49:47de Nossa Senhora de Nazaré
49:48com um manto parecido a do Pará
49:50sentada amamentando.
49:51Existe essa imagem.
49:53Eu tenho uma em casa.
49:54Vou te mandar depois uma fotografia.
49:56Manda uma foto que a gente pode colocar
49:57e mostrar aqui para as pessoas.
49:58Porque os artistas paraenses
50:01já fazem uma imagem de Nazaré amamentando.
50:04Quer dizer,
50:05é uma tradição perfeitamente fácil
50:10de construir.
50:11Porque, na verdade,
50:12o que está acontecendo?
50:13Nós estamos nos descobrindo.
50:16Como você fosse em Portugal,
50:17você fosse descobrir as raízes,
50:19as suas raízes.
50:20E eles estão vindo aqui
50:22descobrindo os desdobramentos
50:24da festa deles.
50:25Porque a grande questão...
50:26Meu Deus, como a gente...
50:27Como isso ganhou
50:29essa dimensão no Pará?
50:32que nunca vai acontecer.
50:33E a gente pode dizer
50:34que somos a maior posição,
50:39manifestação mariana do Brasil?
50:40Do mundo.
50:41Do mundo.
50:41Nós não temos.
50:42Tu achas do mundo?
50:42É, claro.
50:43A gente consegue.
50:44Porque tem uma amiga minha
50:44que diz assim,
50:45ah, paraense,
50:46o Pará sempre diz que lá é maior,
50:48lá é o melhor, não sei o quê,
50:49melhor, não sei o quê.
50:50Não, por exemplo,
50:51é uma devoção,
50:52por exemplo,
50:52ver a parecida,
50:53é uma devoção,
50:54mas reúne lá na festa,
50:57não reúne 500 mil pessoas.
50:59Não, e não é.
50:59E aquilo ali, na verdade,
51:01são dias que acontecem.
51:02Exatamente.
51:02Aqui a gente tem um grande dia,
51:04não é?
51:04Exatamente.
51:05Esse grande dia
51:06não ocorre em lugar nenhum do mundo.
51:09Nem Lourdes, nem Fátima,
51:11nem em lugar nenhum,
51:12que são as grandes devoções católicas.
51:14São grandes centros de peregrinações,
51:16anuais, etc., etc.,
51:17como o Nazaré também é.
51:19E ele pode ser,
51:20ao longo do tempo,
51:21reunir mais gente.
51:22Mas uma profissão...
51:23Uma das coisas que eu acho
51:23mais interessante,
51:24que eu sei disso,
51:25porque eu tenho amigos meus
51:26que não são católicos,
51:29mas que já vieram ao sírio
51:31ou veem ao sírio
51:32e participam de tudo.
51:34Eu tenho uma amiga minha judia
51:35que chama assim,
51:36diz assim,
51:37olha, se tivesse santa
51:39no Sidaímo,
51:41seria uma santa.
51:42Porque ela vai para o sírio,
51:43gosta do sírio,
51:44celebra o sírio
51:45e tudo mais.
51:47Mas é incrível também
51:48como as pessoas têm...
51:50Elas acham uma conexão.
51:52Não é essa conexão
51:53da religião,
51:54dos propósitos
51:56que a gente tem como católico.
51:57É incrível isso.
51:59Eu tenho amigos evangélicos,
52:03principalmente as mulheres.
52:05As mulheres,
52:06elas veem o sírio...
52:08Vem a mãe.
52:09A mãe ali
52:11é uma questão central.
52:13Uma coisa que eu achei fantástica,
52:14uma vez eu estava recebendo
52:15uma amiga minha
52:16que ela é Hare Krishna,
52:17até hoje ainda.
52:19E ela...
52:20Levei ela no sírio,
52:22a gente foi ver a saída
52:23lá do Colégio Gentil,
52:24no sábado à tarde,
52:25a saída para a traladação.
52:27Ela disse,
52:27não, eu tenho que pegar.
52:29Ainda tinha a corda mesmo,
52:31aquela corda formal
52:32que tinha antigamente.
52:33Não, eu tenho que segurar.
52:35Eu vou ficar segurando aqui,
52:37eu vou andar um pedaço assim.
52:38Está vendo aí?
52:39Isso é o sírio.
52:40Isso é o sírio,
52:41essa coisa que abraça
52:43todo mundo.
52:44É, total.
52:45E ali tem uma questão.
52:46Isso que eu acho
52:47que também me pega.
52:48Você vai lembrar
52:49da sua mãe,
52:50você vai lembrar
52:51uma pessoa da sua família,
52:52da sua história,
52:53como você lembra
52:53todo o tempo,
52:54o sírio da sua infância.
52:55Então, ele conta
52:57muitas coisas
52:57sobre a tua vida,
52:59sobre a tua relação
52:59com a tua mãe,
53:00com o teu pai.
53:01Para mim, é muito isso.
53:02O sírio é muito isso.
53:04Uma coisa,
53:04quando eu te trouxe
53:05esses livros aqui
53:06que eu achei bem interessante,
53:07na Noli,
53:08mas assim,
53:08existe alguma publicação
53:10que as pessoas possam ler
53:11contando toda essa história
53:12do sírio?
53:13Eu não me lembro.
53:13Existem.
53:14Eu lembro de audiovisual.
53:15Não.
53:16Tem alguns filmes,
53:17alguns documentários.
53:17Conta aquela coisa
53:18do achado da imagem
53:20e do sírio.
53:21O sírio tem uma imensa
53:23bibliografia do sírio.
53:25Por exemplo,
53:26tem um livro maravilhoso
53:27do Isidoro Alves
53:28chamado Carnaval Devote.
53:29Carnaval Devote.
53:30Que é maravilhoso.
53:31Uma memória feita
53:33pela Mizar Bona,
53:34que foi pesquisadora,
53:36uma pessoa do sírio,
53:37que tem, inclusive,
53:38uma das revelações,
53:40uma das histórias
53:40que foi o rosto dela
53:42que foi utilizado
53:43para fazer a imagem peregrina
53:45na década de 60,
53:47que ela guardou essa imagem.
53:48Então, é uma história
53:49que ela conta.
53:50O sírio vai criando memórias,
53:52vai criando lendas.
53:53Mas existe isso.
53:54As pessoas podem procurar.
53:55Podem procurar.
53:57Eu soube também
53:58que esse ano
53:58o Museu do Sírio também,
53:59que é uma coisa
54:00que quase a gente
54:01nunca pensa nele,
54:02que fica ali no comércio,
54:03ali na parte de Champagnat.
54:05Sim.
54:05Ele também reativou.
54:08O meu colega,
54:09que já está aposentado,
54:11que foi professor,
54:11o professor Geraldo Coelho,
54:13escreveu sobre as origens
54:15do sírio,
54:15essas origens portuguesas,
54:17que é principalmente
54:19a história do sírio
54:20em Portugal.
54:21O Carlos Roque
54:22tem um livro
54:23sobre o sírio
54:23que foi reeditado
54:25esse ano,
54:26não sei se esse ano,
54:26mas recentemente
54:27pela CETUR.
54:28Então,
54:28tu encontra uma bibliografia
54:30do sírio.
54:31Fora filme.
54:32Esse ano,
54:33Ismaelino,
54:33eu não sei quantas entrevistas
54:35eu dei sobre o sírio
54:37para...
54:37Estão fazendo,
54:38vão começar a fazer
54:39um longa-metragem
54:41sobre o sírio.
54:42tem vários documentários,
54:45eu falei para muitos documentários,
54:46aquela série
54:48Mãos de Outubro,
54:50sobre cada elemento do sírio.
54:55Eu falei muito sobre o manto,
54:59várias vezes sobre o manto,
55:01que é uma coisa que me chama...
55:02Todos os mantos,
55:03todos os mantos,
55:03eles estão em algum lugar?
55:05Estão guardados?
55:06Estão em vários lugares.
55:07no Museu do Sírio,
55:08tem alguns,
55:09e no museu...
55:11Na...
55:14Na própria Basílica.
55:15Essa parte nova agora
55:16que foi criada na Basílica.
55:18A maior parte está ali,
55:20que eu chamo
55:20guarda-roupa do sírio,
55:22guarda-roupa da santa.
55:24Eu conversei...
55:24Um dos...
55:25Pois é,
55:25porque a gente nunca sabe
55:26o que fazem com o manto depois.
55:28Um dos santos,
55:29eles vão para o museu.
55:31Porque, por exemplo,
55:32aquele daquela imagem
55:33que fica lá na Basílica,
55:36ele é...
55:36Não,
55:36aquele é sempre.
55:37É o mesmo.
55:38É o mesmo.
55:38Porque aquele é um manto de seda,
55:41uma seda pura,
55:42mas tem uma armação de ouro
55:44que é colocada,
55:45uma estrutura.
55:45Sim, sim, sim.
55:46E esse não,
55:47isso não muda.
55:48Porque o manto era diferente no passado.
55:50O manto era um manto azul.
55:52Nossa Senhora de Nazaré
55:52tinha um manto azul de...
55:54Não sei se você vê
55:55uma imagem
55:57nas estampas antigas
55:59que tem Nossa Senhora de Nazaré
56:00com manto azul de estrelinha.
56:02Era esse manto que era o manto...
56:04Já vi isso.
56:04Achei que era uma coisa moderna
56:06que eles tinham
56:06algum artista plástico.
56:08Não,
56:08era esse manto.
56:09O Henry Walter Bates,
56:10aquele naturalista
56:12no Rio Amazonas,
56:13que foi um viajante
56:14que teve com o Alice
56:15aqui na Amazônia,
56:17ele fala desse manto.
56:18Ele viu a imagem
56:20de Nossa Senhora de Nazaré
56:21e ele diz
56:21que ela veste um manto azul
56:24recamado de estrelas,
56:25bordadas a ouro e tal.
56:28Esse manto existiu todo o século XIX.
56:30Ele vai mudar mesmo
56:32com a irmã Alexandra,
56:35lá do Gentil Bittencourt.
56:38É o mesmo tempo
56:40que a Berlinda está sendo refeita.
56:43Tem um processo de modernização do sírio.
56:46O Dom Irineu Joffle
56:47pede para ela
56:48fazer o manto,
56:50na verdade,
56:51a irmã Alessandra Montanion,
56:53que todo mundo chamava
56:54a irmã Alexandra,
56:56das filhas de Santana,
56:59na Itália,
57:01professora de bordados,
57:02e ela vai pesquisar,
57:03então,
57:04os mantos portugueses antigos.
57:05É muito interessante
57:06que se pede um manto moderno,
57:07ela vai pesquisar os antigos.
57:09E o manto era mais mole,
57:11era um manto solto,
57:12então tem umas imagens que aparecem.
57:14Depois, o manto hoje
57:15é um manto estruturado.
57:16Um manto estruturado, exatamente.
57:17Que tem toda,
57:18cheio de miçangas e canutilhos,
57:22um manto rico.
57:22Esse ano,
57:23o manto leva uma esmeralda,
57:26um rubi,
57:28quartzo,
57:29todo aquele trabalho
57:30de diversaria,
57:30tudo aquilo é prata de lei
57:32banhada a ouro.
57:34Então, o manto
57:34é um objeto de arte caríssimo.
57:37Eu acho que poderia
57:37já se criar o Museu dos Mantos,
57:39mais uma ideia dos seres.
57:41Exatamente.
57:41Uma parte,
57:42cada vez os mantos
57:44são mais ricos.
57:44E as pessoas também
57:46vão encomendando
57:47para as pessoas
57:48que fizeram mantos.
57:50O Antônio,
57:51que foi um dos,
57:52que se é o sobrenome dele,
57:54ele participou
57:55da feitura
57:57de 15 mantos do Sírio.
57:58Ele é um dos...
58:00Tem o ateliê dele,
58:01ele faz mantos
58:02para o manto de...
58:03Ele me disse assim,
58:04ah, eu fiz esse ano
58:05manto de Orem,
58:06eu fiz de tal,
58:07de Marabade.
58:08Então, ele vai fazendo.
58:10Pessoas que trabalham,
58:13são estilistas de mantos,
58:14especialmente.
58:16É uma coisa
58:17absolutamente incrível.
58:19Mas é isso.
58:20Bacana conversar contigo,
58:22sabendo mais de Sírio.
58:23Já lançamos a ideia
58:24dos arcos,
58:25para que os arcos
58:26sejam abertos
58:27para os artistas,
58:29para o design,
58:30para quem se inscrever
58:32e trabalhar aquilo
58:33como mais um símbolo forte
58:35na nossa memória,
58:36dentro do Sírio.
58:37Eu acho fantástico
58:38a história dos arcos
58:41e também do tema do Sírio.
58:43Por exemplo,
58:43os nossos museus,
58:45tem o Museu de Arte Belém,
58:46o Museu do Estado.
58:47Por exemplo,
58:47fazer um edital
58:48para que os artistas,
58:49tanto fotógrafos
58:50quanto pintores,
58:51pintassem o Sírio,
58:53como no passado
58:54também existiu.
58:55Nós temos,
58:55acho que uma tela
58:56só no Mab,
58:57que é a entrada do Sírio
58:58no Arraial de Nazaré,
58:59de 1903.
59:02Era um tema
59:03das exposições.
59:04E nós sabemos
59:05que os artistas,
59:06principalmente os fotógrafos,
59:08fotografaram muito o Sírio.
59:09Muito o Sírio.
59:09Muito o Sírio.
59:10Agora,
59:11cadê os pintores?
59:12Cadê as pinturas?
59:14Então,
59:14fazer isso
59:15é muito importante,
59:16como ver o peso.
59:17O Mab tem uma coleção
59:18de ver o peso.
59:19Então,
59:20continuar fazendo editais.
59:22Essa ideia
59:23é uma ideia
59:24que tem
59:25muitas frentes boas.
59:27Está certo, querido.
59:28Muito obrigado.
59:29É por isso que acho você
59:30o nosso historiador
59:31mais pop
59:32e mais querido
59:33e volta sempre
59:34aqui no programa.
59:35Mais uma vez,
59:35muito obrigado.
59:36Eu que agradeço.
59:37Obrigado,
59:37está certo.
59:38Um abraço.
59:39Um abraço.
59:40Este é o Manguerosamente
59:41que você vê
59:42no Nibplay,
59:43dentro do
59:44liberal.com
59:45e no YouTube.
59:45O Bip.