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Aos 30 anos, Bruna Cristina Ferreira Costa carrega as marcas de uma história de violência física e psicológica vivida durante o relacionamento com o pai da filha, de 3 anos. Por meses, enfrentou agressões, ameaças e situações que abalaram sua autoestima e sua saúde emocional. Com apoio da rede de proteção, conseguiu romper o ciclo de violência e iniciar uma nova fase. Hoje, trabalha, cuida da família, retomou os estudos no SESI Ananindeua e sonha em cursar Direito para, no futuro, ajudar outras mulheres a encontrarem caminhos para sair de relacionamentos abusivos.
Reportagem: Ana Laura Carvalho
Imagens: Carmem Helena
Reportagem: Ana Laura Carvalho
Imagens: Carmem Helena
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NotíciasTranscrição
00:00Resumindo, mas sendo exata, na época que eu fiquei grávida, eu tinha um relacionamento normal com o pai, com a
00:10minha filha, o vitor.
00:12Até então era tudo tranquilo, fiquei menos de um ano, só que aí veio a gravidez, ninguém estava esperando, eu
00:19estava tendo meus cuidados,
00:21porém veio, num momento que ninguém esperava, só que aí ele mudou da água para o vinho.
00:28Foi comigo, me acompanhou no hospital, fiz o teste, foi lá no Abelardo, deu positivo, só que dois dias depois
00:37ele falou que não dava mais relacionamento.
00:39Eu, tá, perguntei porque, ele só falou que não estava bem emocionalmente para lidar com isso.
00:46Eu, tá bom, só que fiquei, deu aquela tristeza, fora do normal, era uma coisa boa e uma coisa ruim
00:55ao mesmo tempo,
00:56aí cheguei, entrei em contato com a mãe dele, eu morava debaixo do mesmo teto, eram oito pessoas debaixo do
01:02mesmo teto,
01:03e nessa época eu estava até trabalhando no Guajaraão, numa fruteira, era o dia todo aí, ajudava na casa, tudo.
01:12Só que o impacto foi muito grande, a mãe dele ficou ciente, ela foi a primeira pessoa, literalmente, a contar,
01:20só que ela não aceitou, logo de início, porque ele é muito novo, e do jeito que estava, ela estava
01:25desempregada,
01:26ela estava grávida, tudo, e não dava, coincidir, coincidir a tudo.
01:32Aí, foi que eu pedi para ir embora, né, falou, então vai, só que não deu certo.
01:40Aí, ficou sabendo que ele não tinha aceitado, e ele ficou saindo de casa.
01:44Aí, por pena que eu tive dele, pedi para ele morar junto comigo no kitnet,
01:50para ver se pelo menos a gente conseguiria.
01:52Mesmo não estando junto, ele me deu uma filha, que era um sonho meu,
01:56já que eu tive já oito abortos no passado, tanto de tentativa, só que eu não sabia que eu,
02:04na maioria das vezes eu não sabia nem que eu estava grávida, só, simplesmente, só a viável, infelizmente.
02:10E, dos outros momentos, foi, infelizmente, situação de estúdio que eu tive,
02:15na época que eu estava com o meu primeiro companheiro, antes dele, do genitor da minha filha.
02:21Aí, com isso, a gente começou a conviver ele embaixo do mesmo teto,
02:25só que ele começou a não ir para um caminho muito legal.
02:29Começou a beber muito, começou a usar drogas, vícios, e foi piorando, piorando, piorando.
02:35Aí, eu comecei a combater, logo no início, eu aceitava, tipo, fica aí,
02:40eu vou, faço minhas coisas, tudinho, mas fica em casa.
02:43Vai, trabalha, estuda, tudo, mas fica aqui.
02:46Ele não aceitava.
02:48Aí, começou a ficar agressiva.
02:50Aí, foi só piorando.
02:52Cada vez que eu confrontava ele, piorava.
02:55Aí, até uma vez, envolveu meus vizinhos, ele agrediu a minha vizinha, empurrou contra ela.
02:59Ela bateu na quina.
03:01Cheguei a chamar a polícia, na época eu não fiz ocorrência nessa época.
03:05Fava muita balada emocionalmente.
03:07Aí, foi a situação da violência, que deu um soco na minha barriga,
03:10tive os comandantes placentas, 50%.
03:13E foram outras histórias.
03:17Botavam a gente dentro de casa, sem permissão.
03:19Ela foi muito complicada.
03:20Muito complicada mesmo.
03:21Por quanto tempo você viveu, assim, essa...
03:23Nove meses.
03:24Essa questão da violência.
03:25Nove meses.
03:26E se em si anos?
03:27Todinha.
03:28A minha filha tem três anos agora.
03:31Então, foi em dois mil e...
03:33Dois mil e seis...
03:35Dois mil e de três.
03:36É.
03:37Dois mil e quatro.
03:37Porém.
03:38Porque, assim, na casa dos meus pais, como eu estava morando no kitnet,
03:43eu contei para a minha mãe, ela não sabia do que estava se passando.
03:47Minha mãe já tem uma certa idade.
03:49É a questão.
03:50Saio de casa, meus problemas, não vou confundir as coisas.
03:53Ela não sabia.
03:54Aí, todo dia, eu vou sair na casa da minha mãe.
03:57Aí, eu passei fome, realmente, eu tive de nutrição, né, porque eu estava grávida.
04:01Pesava quarenta e seis quilos.
04:03Com oito meses de barriga.
04:07E, tipo...
04:10Foi...
04:11Realmente...
04:12Ah, tem um fato que aconteceu.
04:13Só que isso, poucas pessoas sabem.
04:15A delegada lá da casa mulher sabe, tudinho.
04:17E ele também, ele sabe.
04:19Se perguntar para ele, ele confessa.
04:20Que aí, ele chegou, tentou me jogar da concha.
04:23Daqui do Gojará.
04:24Quando eu estava grávida, oito meses.
04:27Ele pediu perdão, tudinho da situação.
04:30Mas, ele tentou me jogar.
04:31Ele estava drogado.
04:33Nesse dia que fui buscar ele.
04:34É sempre esse tipo de vida.
04:36E eu tinha chegado em um acordo com ele, tipo,
04:38Olha, tu tem nove meses para te...
04:40Se tu quiser te arrepender, beleza.
04:42A gente cria a criança junto e leva na vida.
04:44Agora, se não, minha mãe estava fazendo uma obra.
04:47Em casa.
04:48No meu contigo quarto.
04:49Para receber eu e a criança.
04:52Ela realmente me acolheu.
04:54Em tudo que aconteceu.
04:56Ela disse, minha filha, não sei o que aconteceu.
04:58Mas, eu vou te aceitar.
04:59Tu e a tua bebê.
05:00Ela não vai passar necessidade nenhuma.
05:02Ah, tá bom.
05:04Criança, eu não vou querer que minha filha passe.
05:06Sim.
05:07Então, eu aceitei e voltei.
05:09E ele tinha esse nove meses.
05:10Só que foi nove meses por inferno.
05:12Me arrependo.
05:13Me arrependo por um lado, porque minha filha acabou sendo afetada.
05:16E o meu psicológico, extremamente abalado.
05:19Não é sério.
05:20Porque eu...
05:20Aquele negócio...
05:21Tu perdoa todo mundo, mas...
05:24Em um momento, eu me perdoe.
05:25Pelo que eu fiz com ele mesmo.
05:27Para aceitar uma situação dessa.
05:30Então, não mudou.
05:32Fiz de tudo.
05:33Não deu certo.
05:34Não quis.
05:34Mas, consegui emprego.
05:36Forçava para ele estudar.
05:38Para ele conseguir uma vida.
05:40Mas, não deu certo.
05:42Aí, ficou comigo no dia do parto.
05:45Até foi parto seco.
05:47Foi alto risco.
05:49Levou de entrada no hospital.
05:51Era meio dia.
05:52Só fui ter a criança às onze e vinte e uma da noite.
05:56Já agonizando.
05:56Deu ter ido.
06:01Então, não é pena nesse caso.
06:03Porque a criança está aí hoje em dia.
06:04Não é a minha maior bênção psicológica.
06:07A questão que eu não ia ter uma vida normal.
06:10Que eu sempre ia ficar presa com ele.
06:12O resto da vida.
06:14Que ele ia ser meu único marido.
06:16Entre aspas.
06:17Ou companheiro.
06:18Seja o que for.
06:19E que eu sempre...
06:20Essa é a necessidade de discurso, né?
06:21De tentar diminuir a mulher.
06:23Porque, no caso, como eu falei.
06:24Eu sou mais velha.
06:25Realmente, muito mais nova.
06:27Só que era...
06:29Isso me ia afetar muito grande.
06:31Eu estava com a autoestima lá embaixo.
06:33Mas, mesmo assim, eu me esforçava para dar o melhor.
06:37E dar uma chance.
06:40É sempre aquela ilusão, né?
06:42Dar uma chance vai melhorar.
06:43Eu acredito sempre nisso, né?
06:45Da mesma maneira que me deram chance na vida.
06:47Porque eu não posso dar uma chance a uma pessoa que...
06:50Vamos dizer, me deu um filho.
06:51Então, eu fiz a minha parte.
06:53Mas, aí, para o restante, nada justifica.
06:55A violência e todas as demais situações.
06:59O meu atual marido.
07:01Porque o meu atual marido, ele...
07:03Era o meu amigo de infância.
07:06Então, eu sempre conversava com ele.
07:08Ele não tinha nada com ele na época que eu estava com ele.
07:11Tanto é que ele queria me assumir na época.
07:13Quando eu já estava grávida.
07:15Porém, eu falei, não.
07:16Eu moro debaixo da pessoa.
07:18Deixa eu resolver.
07:18O meu problema.
07:20Então, a partir do momento que eu resolver.
07:21Se eu quiser iniciar, eu inicio.
07:23Se eu estiver bem.
07:25Então, financeiro, psicologicamente, que estava horrível.
07:27Aí, a gente vê.
07:28Aí, eu bloqueei ele.
07:30Sumiu para um lado, eu sumi para o outro.
07:31Aí, foi que eu passei nove meses tentando me organizar.
07:36Em todos os sentidos.
07:38Quando a criança fez um mês, eu retornei.
07:42Me encontrei com ele no trabalho.
07:44Que era um antigo local onde eu trabalhava.
07:47Ele foi trabalhar no mesmo local onde um dia eu trabalhei.
07:50De conflitar.
07:51Foi que a gente se encontrou.
07:53Aí, daí, daí.
07:53Sempre foi de conversar comigo.
07:55Sempre foi falar.
07:55Pô, eu não aceito esse tipo de coisa.
07:57Que merece coisa melhor.
07:59Sempre colocamos aquilo que a gente já sabia.
08:04Mas, falava, tipo.
08:05Pô, isso não é para mim.
08:06Isso nunca vai dar certo.
08:07Eu nunca vou ser feliz.
08:09Aí, sempre aquela situação.
08:11Aquela negatividade que fica.
08:13Embora eu tinha depressão, eu não sabia.
08:15Minha rotina é extremamente agitada.
08:18Porque, como eu uso.
08:19Eu tenho ansiedade.
08:21Então, eu uso um problema para ser uma solução na minha vida.
08:25Para ser o gatilho para eu poder fazer as coisas.
08:28Já que eu tenho ansiedade, então, eu vou me ocupar.
08:31Vou trabalhar.
08:32Vou fazer as coisas.
08:33Arrumo.
08:34Levo para passear.
08:35Faço tudo.
08:36Tudo que tu possa imaginar, eu faço com as crianças.
08:38Claro, não deixando faltar ou ficar puxado para elas.
08:42Boto uma rotina.
08:44Porém, nada impediu de eu fazer.
08:47Então, é agitado.
08:49Mas elas têm as rotinas delas.
08:51Tipo, partiu agora de tardinha.
08:53Tem hora de ficar na porta.
08:55Desenvolvimento com as outras crianças.
08:57Só não coloquei ela pequena na escola, porque por aqui não tem ainda para a idade dela.
09:01E se estiver muito longe, já vai ficar puxado para ela e para mim.
09:06E já tem essa pequenina.
09:08Aí trabalho, às vezes faz um bigo de garçonete, faço um bigo na segurança.
09:13Tudo que estiver aparecendo, faço.
09:14Cabelo, às vezes eu entro em questão de um concurso, alguma coisa, questão de modelo.
09:22Faz tudo o que tu possa imaginar, eu estou ali para ver se eu consigo alguma coisa.
09:28Entendeu?
09:28Agora que eu me formei lá pela casa brasileira, eu só precisava de um certificado.
09:35Eu realmente, através de lá, eu consegui.
09:38Eu terminei a minha própria equipe.
09:39Caso apareça algum, alguém quiser contratar uma equipe formada.
09:43Exatamente, das pessoas que foram deixadas de lado, tipo, porque estão...
09:48Ah, eu sou muito gordo, ou tenho pinço, ou tenho cabelo colorido.
09:53No meu caso, no meu grupo que eu fiz, é exatamente oportunidade para aquelas pessoas
09:58que não valorizaram por ser certificado, assim, pela sua aparência.
10:03Ou porque tem filhos.
10:04Aí eu tiro como exemplo.
10:06Muita gente não me deixou de contratar porque eu tenho filhos.
10:10Acho que atrapalha, né?
10:12Não atrapalha.
10:13Não dá para aconselhar.
10:15Eu já fui, eu já trabalhei de gastronômica.
10:17E levei elas.
10:18Fica aqui lá, tinha uma sala, coisa, tudo organizadinho.
10:21Fica aqui no celular, qualquer coisa me chama.
10:24Ela me chamava.
10:25Pedia para alguém me chamar, vinha, cuidava, dava do peito, dava para me ligar, pronto.
10:30Não faltando delas, como sempre falo, acho que minhas amigas, todo mundo já está acostumado.
10:33Não faltando delas, tá ótimo.
10:35O resto depois eu me resolvo.
10:36Eu conheci lá através do...
10:39Questão para denunciar, que eu tive assédio.
10:43Do...
10:43Do genitor.
10:45Sim.
10:45Eu estava lá sendo do Santa Casa, fazendo uma consulta.
10:49Aí foi que eu estava tentando entrar em um acordo com ele.
10:53Porque tipo assim, já que a gente é adulto e tem uma criança, ele no final de outubro do ano
10:57passado,
10:58E de repente, através da mãe dele, começou a querer pagar 400 reais.
11:02Aquela velha história.
11:03Ele sumiu e de repente apareceu.
11:07Aí eu cheguei a perguntar, tudinho.
11:08Cheguei a ter um confronto com a mãe dele.
11:11E ela falou que ele é o pai, que ele merece ver a filha.
11:14Eu falei, eu nunca impedi.
11:15Ele que sumiu.
11:16Quando ele frequentava na casa dos meus pais, quando eu estava lá na época morando,
11:21Ele ia lá, tipo...
11:24Sabe aquela pessoa que não dá atenção para a criança?
11:27Ele só ia mais para encher.
11:28No caso, ele ia para encher.
11:29Ele literalmente morava dentro daquele banheiro.
11:32Ou ia para me assediar.
11:34Aí que aconteciam as brigas perto dela.
11:36Só que, como eu tinha falado para ele, nada me impede de eu ir para cima de ti.
11:39Porque eu não estou mais com o barril.
11:41E eu não vou mais admitir uma situação dessa.
11:43Entendeu?
11:44Ainda mais com a criança ali.
11:45Ou vem, seja pai, me esquece.
11:48Aí eu já tinha assumido a relação.
11:50Já estava com o meu marido.
11:52E ele começou sempre a ficar com aquela chantagem assim.
11:56Não, não vai ficar contigo.
11:58Eu vou fazer do ouvido inferno.
12:00Eu vou te perseguir.
12:02E sempre ficava falando isso.
12:04Aí eu comecei a ficar, tipo...
12:05Pô, o que eu faço?
12:07Aí foi, foi, foi.
12:08Falei para ele.
12:09Quer ser pai, se assuma.
12:11A gente convive tranquilo.
12:12Mas não vou ter mais contato contigo.
12:14Tu vem aqui, minha mãe fica contigo e tudo mais.
12:17Eu vou para o outro cômodo.
12:18Mas não dá.
12:19Ele não tão deixa.
12:22Sumiu.
12:22Deixou um pacote de fralda e uma lata de leite e sumiu.
12:26Tive mais contato.
12:27Quando ele voltou, foi depois de dois anos e meio.
12:30Foi que voltou no final do ano passado, através da mãe.
12:32Pagar 400 reais de pensão.
12:35Tá.
12:36Mas a partir do momento que uma pessoa dá dinheiro, uma hora ela vai exigir alguma coisa.
12:40E eu sei como é que ele é.
12:41Ele não deixou de usar drogas.
12:43Não deixou de fazer as coisas.
12:45Porque ele tinha um maus hábitos ruim.
12:48Não é exemplo.
12:49Para mim, não é exemplo.
12:52Aí entrei em contato.
12:53Falei, não, me dá o número dele que eu vou conversar com ele.
12:55Meu pai.
12:56Então, bora lá.
12:58Entre em contato.
12:59Cheguei no acordo.
13:00Quer ter contato?
13:02Quer tudo ir pela criança?
13:03Então tá.
13:04A gente sempre conversa.
13:05Nós três.
13:06Porque enquanto você não estava aqui, quem estava era o meu marido.
13:11Ele que ficou no teu lugar em tudo que é sentido.
13:15Em afeto, financeiro.
13:17Tudo que ela precisou, ele deu.
13:20Então não é justo.
13:21Então bora sentar nós três.
13:23Ah, porque não sei o quê.
13:24Porque ele não é pai.
13:26Falei.
13:27É assim.
13:27O pai tem que ir.
13:29Então não justifica.
13:30Bora sentar e conversar.
13:31A gente divide a quantidade de dinheiro para a gente dar o melhor para ela.
13:35O foco é ela.
13:36Então bora se organizar.
13:38Marcava.
13:38Meu marido chegou a falar com ele.
13:41Combinado de vir no final de semana para a gente conversar.
13:44Não aconteceu.
13:45E ele sabe do endereço.
13:46A mãe dele já veio aqui fazer meu cabelo.
13:48Eu fiz o cabelo no meu marido.
13:50O irmão dele já veio aqui.
13:51Mas nada.
13:53Aí sempre até a questão familiar.
13:55Hoje em dia eu acho que eu vou ter problema com a família dele.
13:57Que antigamente não tinha.
13:58Que ela era a minha melhor amiga.
13:59A mãe dele.
14:01Questão de alienação parental.
14:03Começaram a ficar do lado dele.
14:05Acharam que eu estou inventando as coisas.
14:08Mas não.
14:09Quem viveu o inferno fui eu.
14:11Eu sou muito bem quem viveu.
14:12E eu não quero isso para ninguém.
14:13Nem para o meu pior inimigo.
14:15Um negócio desse.
14:16Porque eu quero uma coisa realmente.
14:17Nunca não é.
14:18Pela primeira vez de engravidar.
14:21Vingar.
14:22Mas tu ter abalos emocionais.
14:24Desse de na gestação.
14:26Tu nunca mais esquece.
14:28E fica realmente ferido na alma.
14:31Na alma do além do normal.
14:32Aquele grito silencioso.
14:34Que a mulher dá.
14:36E é realmente horrível.
14:40Você estava falando.
14:42A questão de que agora você vive assim.
14:44Até sem a medida protetiva.
14:47Não.
14:47Eu pedi para o advogado.
14:48Tirar.
14:48Para tirar.
14:49Para entrar logo no acordo.
14:51Porque a desculpa dele.
14:53É que ele não pode chegar perto.
14:54Nem da criança.
14:56E nem de me empurrar.
14:57Da medida protetiva.
14:59Essa é a desculpa.
15:00Aí eu falei.
15:01Que o advogado.
15:01Então tira.
15:02E não vai fazer nada.
15:04E não é doido.
15:05Que é tipo.
15:06Cara para fazer alguma coisa.
15:07Porque eu estava vulnerável.
15:09Atualmente eu não tenho.
15:10Eu não estou vulnerável.
15:12Eu tenho eu.
15:13Que hoje em dia.
15:13Eu não vou mais admitir.
15:14Uma situação dessa.
15:15Eu vou revidar.
15:16Da mesma maneira.
15:17Que eu também tenho marido.
15:19Não estou só.
15:21Embora minha mãe.
15:22Meus pais.
15:23Não é tudo.
15:23Estão vivos.
15:24Até hoje.
15:24Graças a Deus.
15:25Mas.
15:26Cada um com seus problemas.
15:27Eu não quero preocupar meus pais.
15:28Em relação a uma situação dessa.
15:30E por um filho.
15:31A gente enfrenta qualquer coisa.
15:33Procurar ajuda.
15:35Porque uma coisa que na época.
15:37Eu não tinha instrução.
15:38Hoje em dia tem.
15:39Em tudo que é canto.
15:40Em redes sociais.
15:42Tem tudo.
15:42É realmente procurar ajuda.
15:44Porque a pessoa consegue.
15:45Eu tive.
15:46Aquele processo de.
15:48Dependência emocional.
15:52Questão da dependência emocional.
15:55Então.
15:57É ruim.
15:58É.
15:58É uma coisa que tu fica ali preso.
16:02Já vou pegar.
16:03É aquilo que tu fica realmente preso.
16:06Tu não consegue sair.
16:07Teu mundo fecha.
16:08Tu fica ali.
16:09É como só aquilo fosse a realidade.
16:11Não tivesse mais nada pra ti.
16:13Tem como sair.
16:14Tem.
16:15Eu consegui sair.
16:16Graças a Deus.
16:17Realmente consegui me libertar.
16:18Mas com apoio.
16:19Indo na.
16:20Na negação da mulher.
16:21Começar a fazer os primeiros passos.
16:23Mas óbvio que tem casos.
16:24Que isso fica muito mais grave.
16:25Né.
16:27Mas que realmente forram atrás.
16:29E não tem como.
16:30Tipo.
16:32Ah.
16:33Não vou conseguir.
16:34Consegue.
16:35Tem como.
16:36Não é impossível.
16:37Nada é impossível.
16:39Só não tem como com a morte.
16:40Fora isso.
16:41Tem como.
16:41Desde a primeira vez.
16:43Que eu fui.
16:43Fiz o boletim de ocorrência.
16:45Falei com a delegada.
16:46Falei com a psicóloga.
16:48Assistente social.
16:49Realmente.
16:50É um acolhimento.
16:51Eles te abraçam.
16:52Coisa que.
16:54Só a mulher entende.
16:56Que tu sente.
16:57Que tu precisa daquilo.
16:58E é exatamente aquilo.
16:59Que tu precisa.
17:00Ela te dá.
17:01E eu nunca senti isso na vida.
17:02Por isso que eu fiquei.
17:03Durante muito tempo ali.
17:05Eu não.
17:05De vez em quando.
17:06Quando eu posso.
17:07Eu vou.
17:07Porque.
17:08É uma segunda casa.
17:10Eu não leio.
17:11Eu elogiei.
17:11Na casa da mulher.
17:13Eu cheguei a falar isso.
17:14Com a psicóloga.
17:14Eu tenho a minha casa.
17:15Mas é que.
17:16Como se fosse.
17:17Uma segunda casa.
17:18Que eu gostei da amizade.
17:20Eu gostei de todo mundo ali.
17:21O pessoal te aceita bem.
17:22O pessoal te ouve.
17:24E te entende.
17:25É a melhor coisa.
17:26Não é tipo.
17:26Ah.
17:27É qualquer coisa.
17:27Ah.
17:28É frescura.
17:29Ah.
17:30Não é assim.
17:31Tu fala mesmo.
17:32Tu te abre.
17:33Tu fala que.
17:33Olha.
17:34Existe um problema.
17:35Tipo.
17:35Me fala.
17:36Tipo.
17:36Que eu não sou louca.
17:38Mas existe.
17:39E tu.
17:39O pessoal te escuta.
17:40Não.
17:41É realmente.
17:41Tá errado.
17:42É isso.
17:43É aquilo.
17:45É maravilhoso.
17:47Realmente.
17:47Foi muito bom.
17:48Ter conhecido lá.
17:49E foi.
17:50Através de lá.
17:51Consegui.
17:51A medida protetiva.
17:52E consegui.
17:53Se amparar dele.
17:54Se afastar.
17:56Entendeu.
17:57Porque ele é um ingressor.
17:58Mais leve.
18:00Mas existe.
18:01Caso de pior.
18:01E eles.
18:02Então.
18:02Não amparado.
18:03Tanto é que.
18:03Lá tem alojamento.
18:05Lá tem tudo.
18:05Para poder realmente.
18:07Proteger.
18:08A mulher.
18:09Acho que na época.
18:10Que aconteceu.
18:11Quando aconteceu a situação.
18:12Acho que não tinha.
18:13Não sei.
18:13Se isso aqui.
18:14Realmente.
18:14Eu não tinha conhecimento.
18:15De lá.
18:16Se eu tivesse conhecimento dele.
18:18Do meu primeiro relacionamento.
18:19Antes dele.
18:20Já estaria melhor.
18:21Muito tempo.
18:22Eu chorei.
18:24Porque.
18:25Eu estava passando.
18:26Eu fui.
18:26E eu estava indo na delegacia.
18:28Para saber como é que estava a situação.
18:30Da defensoria.
18:31Como estava o processo.
18:33E para falar com a psicóloga lá.
18:35Aí tá.
18:36Aí eu passei bem na frente do César.
18:38Fiquei.
18:39Pô.
18:39Será que tem alguma coisa aqui?
18:41Aí eu vi.
18:41Eija.
18:42Não custa tentar.
18:44Fui lá.
18:45Deu uma coisa.
18:45Fui lá.
18:46Perguntei.
18:46Se poderia.
18:47Já com a minha idade.
18:49Já com 30 anos.
18:50Com dois filhos.
18:51Ela falou que pode.
18:52Que teria como tirar o ensino médio.
18:55Ela falou.
18:55Tá.
18:56Tem como para o meu marido?
18:57Ela tem.
18:58Tem como ser nós dois?
18:59Tem.
19:00Uma para ajudar o outro.
19:01Caso ele faltasse.
19:02Eu ia para a escola.
19:03Aí a gente.
19:04Se ajudar.
19:06Aí ela ajudou muito.
19:08Ele fez a prova.
19:09Tirou o ensino fundamental.
19:10Só com uma prova.
19:11E está na mesma torna que eu.
19:13Quando ele não vai.
19:14Ou ele vai para as crianças.
19:15Ou vai nós dois.
19:17E com as crianças.
19:19E um ajudando o outro.
19:21É reforço.
19:22É estudo.
19:22É debate.
19:23A gente consegue.
19:24Muito melhor.
19:25Estando acompanhada na mesma linha de raciocínio.
19:28Até a questão dos estudos.
19:29E eles.
19:30Como vocês.
19:30É tranquilo.
19:32A gente vai tudo.
19:33Só que é aquele negócio.
19:35É luta.
19:36É 3 quilômetros e 100 metros.
19:38Que a gente vai.
19:39Na ida e volta.
19:40Todo dia.
19:41Só as quintas-feiras.
19:43No caso.
19:43Aí eu vou começar a fazer o curso técnico.
19:45Que vai ter lá.
19:46Aí vai ser segunda.
19:47Quarta.
19:48Qual é o teu grande sonho.
19:49A partida.
19:50Que é o estudo.
19:51A retomada do estudo.
19:52A retomada.
19:52Abre muitas portas.
19:54Fazer faculdade.
19:55De que?
19:57Promotora.
19:58Direito.
20:00Ah.
20:01Não.
20:02Com certeza.
20:03Para ajudar outras mulheres.
20:04Você tem algo nesse ramo.
20:06Ajudar outras mulheres.
20:08E a questão também.
20:09Fazer realmente.
20:10O que é certo.
20:12Porque.
20:13Tu vê as pessoas trabalhando.
20:15Mas nem todos.
20:16Estão só aquilo.
20:17Só pelo dinheiro.
20:19Não quer realmente.
20:19Pela profissão mesmo.
20:21Ou direito.
20:22Ou promotora de eventos.
20:25Como eu chegar lá.
20:27Alguma coisa vai sair.
20:28Mas vaculdade vai ser.
20:29Tchau.
20:31Tchau.
20:32Tchau.
20:32Tchau.
20:34Tchau.
20:34Tchau.