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SYANNE NENO E RODOLFO SOUZA CONVERSARAM COM Tiane Melo, produtora de conteúdo
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NotíciasTranscrição
00:05Olá pessoal, tudo bom?
00:07Nosso entrevistado da semana não entra em campo, mas traz o futebol no DNA e no coração.
00:15É neta de uma lenda bicolor, simplesmente neta do motorzinho da Curuzu, o atacante Hércio,
00:23que fez um dos três gols da lendária goleada do Paissandu em cima do Penharol, por 3 a 0.
00:30Tudo bom, Rodolfo?
00:31Tudo bom, Ciane, tudo bom, Tiane.
00:33Muito bom que te recebeu.
00:34Então, estamos falando de Tiane Melo, ou melhor, Manga Poética,
00:39uma produtora de conteúdo do Instagram que tem simplesmente 193 mil seguidores no Instagram.
00:47Imagina o sucesso que essa moça faz.
00:50E Cacife ela tem para isso, tem muito conteúdo, pedagoga, de formação historiadora,
00:59entre os assuntos, muito humor, empoderamento feminino, não é isso, Tiane?
01:04Queria que você se apresentasse para o nosso público, que é um público, na sua essência,
01:10formado por torcedores.
01:11Queria que você se apresentasse e falasse também dessa sua paixão pelo Paissandu
01:16e da sua relação com o time bicolor.
01:18Bom, primeiro eu quero muito agradecer a oportunidade de estar aqui com a Ciane e com o Rodolfo
01:23falando um pouco da Tiane torcedora, da Tiane neta do Hércio.
01:29E eu sou Manga Poética desde 2020, produzo conteúdo no Instagram,
01:33então acumulo mais de 190 mil seguidores na rede social, falo sobre cultura paraense,
01:40falo sobre diversos assuntos, sempre trazendo o humor como pano de fundo,
01:45mas também trabalhando textos de criticidade social,
01:50trabalhando o meu lado historiadora, o meu lado professora, porque eu também sou professora.
01:54Então, eu tento construir dentro do Instagram, dessa rede social,
01:59um ambiente pedagógico, educativo,
02:02para que a gente possa trabalhar com diversos assuntos do cotidiano, do dia a dia, de forma leve,
02:07mas que a gente também possa criar dentro do Instagram esse ambiente de aprendizado também.
02:14Então, estou muito feliz de estar aqui com vocês hoje.
02:16Legal, obrigada, Tiane.
02:17E como é que foi crescer sendo neta do Hércio, motorzinho da Curuzu,
02:23autor de um dos três gols do Paissandu em cima do Peniarol?
02:26Como é que foi ter esse avô dentro de casa e a sua relação com o futebol por conta dessa
02:34relação?
02:34Bom, Tiane, o meu avô, eu cresci entendendo quem ele era,
02:40mas talvez após a morte dele em 2021, meu avô morre em 2021,
02:45e eu vou ter esse parâmetro de quem era o meu avô.
02:49Eu nunca vou esquecer que no dia do falecimento dele, no dia do velório,
02:53o Paissandu fez uma postagem sobre a história do meu avô.
02:57As pessoas começaram a me mandar mensagem.
03:01Antes, né, quando o meu avô ainda estava vivo,
03:03colegas quando sabiam, né, ah, tu é Paissandu, eu falava, ah, sou neta do Hércio.
03:07As pessoas me davam camisas para ele autografar, eu levava para o vovô, né.
03:11E sempre tinha uma equipe de reportagem, então eu morei uma época com o meu avô,
03:15ele morava ali em São Brás, no conjunto IAPI,
03:17e sempre tinha alguém ali, entrevistando ele, fazendo foto, ele sempre contava.
03:21E ele era bom de papo, como todo avô.
03:24O meu avô era muito bom de papo, e ele fazia todo o registro da história dele.
03:28Então, hoje está comigo e com o meu pai, né, esse acervo que ele tem de fotos,
03:33de recortes de jornais.
03:35Eu, assim, talvez só fui entender a grandiosidade do meu avô após o falecimento dele, né.
03:41Então, entender de fato quem ele foi dentro do Paissandu, né,
03:46entender que ele é um dos maiores artilheiros da história do clube.
03:49Então, crescer com ele e crescer com essa família, né, que é a minha família inteira,
03:54meu pai, meu tio, meus primos, todo mundo tinha essa admiração por ele,
04:00e por isso esse amor imensurável pelo Paissandu, né.
04:04Então, a gente cresceu nesse lar.
04:06Agora, Tiane, ontem pesquisando, né, sobre a entrevista,
04:10eu descobri, Rodolfo, que o Hércio, ele foi advogado,
04:14ele deixou o futebol e se tornou advogado, estudou para se tornar um advogado.
04:18Isso é muito interessante, né, esse interesse pelos estudos.
04:23Você é uma mestranda, a Tiane é mestranda hoje, pedagoga, historiadora.
04:28Ou seja, o valor que a família de vocês deu para a educação
04:31começa do motorzinho da cruzinha.
04:33Sim, a minha avó, né, enfim, o meu avô, nessa época,
04:37ser um jogador de futebol não era tão prestigiado assim, né.
04:42Então, a minha avó, para encarar esse relacionamento com o meu avô,
04:45enfrentou muitos preconceitos, por ele ser jogador de futebol,
04:48por ele ser um homem negro, né.
04:50Então, são vários atravessamentos.
04:52Então, a minha avó foi uma das maiores incentivadoras
04:55para que ele estudasse, se formasse, né, conseguisse um emprego.
05:00E aí, ele foi ser advogado na Universidade Federal do Pará.
05:03Então, tem todo esse contexto, né.
05:05Tanto que o meu pai é apaixonado por futebol.
05:08Meu pai já tem mais de 60 anos e aí joga futebol toda sexta-feira.
05:13Mas a minha avó nunca deixou que nenhum dos filhos
05:16seguissem a carreira de jogador de futebol
05:17por conta do cenário, né.
05:20Que, enfim, ser um jogador de futebol não é como hoje em dia é, né.
05:24Era bem diferente o cenário na época.
05:26Então, a minha avó foi uma incentivadora dos estudos do meu avô, né.
05:30Então, incentivou ele.
05:32E aí, ele se forma em direito, atua como advogado.
05:36E tem toda essa história e esse contexto, né.
05:39Mas a minha avó, a esposa dele, que é minha avó também falecida, a Maria Luísa,
05:43ela foi uma incentivadora muito forte nesse sentido.
05:45São pais da sua mãe ou do seu pai?
05:47São pais do meu pai.
05:49O S é meu avô paterno.
05:51Maranhense, né.
05:52Isso, maranhense.
05:53Gostava de comer arroz que só.
05:56E, Tiane, quais são, assim, as suas primeiras memórias relacionadas ao futebol?
06:01Olha, eu tava pensando nisso, né.
06:03Em relação, principalmente, ao pais Sandu, eu lembro muito da Copa dos Campeões, né.
06:09Eu lembro bastante de sentir essa integração da minha família com o futebol,
06:14e principalmente com o pais Sandu.
06:16Eu acho que foi ali, o que, em 2002?
06:172001.
06:18Né, eu devia ter os oito, oito, nove anos.
06:21E eu lembro muito disso e lembro da imagem da...
06:25Tinha uma criança que fizeram uma campanha.
06:27A Jéssica.
06:28A Jéssica.
06:28Então, eu lembro muito.
06:30Isso é uma memória muito forte em relação ao pais Sandu, né.
06:32É que você se viu na Jéssica também, né.
06:34É, e aí tinha essa identificação.
06:36Pela idade.
06:37E aí, nessa época, eu lembro das camisas.
06:40O meu avô também sempre teve muitas coisas do pais Sandu, né.
06:44Camisas, coisas que ele ganhava, coisas do clube, que o clube dava, medalhas.
06:47Então, eu lembro que, nessa época, eu fui entender um pouquinho o que era o futebol.
06:51Meu pai é apaixonado por futebol.
06:54Meu pai é alucinado.
06:55E o seu avô, na conquista da Copa dos Campeões, você lembra dele ter vibrado muito?
06:59Lembro, lembro.
06:59Meu avô era, ele era vascaíno e pais Sandu, né.
07:04Mas o pais Sandu era uma coisa diferente.
07:06Meu avô não era do campo.
07:07Ele não curtia muito assistir os jogos no estádio.
07:11Ele morava bem pertinho da Curuzu.
07:13Ali no Conjunto IAPI, bem próximo a Curuzu.
07:15Mas o meu avô não era do estádio.
07:18Ele era de sentar.
07:19Meu avô bebia a cerveja todos os dias, com o tiragosto dele, todos os dias.
07:23Meu avô andava ali do Conjunto IAPI, ali pra Feira da 25, todo dia tomava a cervejinha dele.
07:28Então, ele era de sentar ali, assistir os jogos, saber tudo.
07:33E assistir a todos os programas de esporte.
07:36Então, no quarto dele, né.
07:37Eu morei uma época lá com eles na casa.
07:39Então, tinha a TVzinha dele.
07:40Ele ficava, almoçava, ia pra cama assistir o programa de esporte, né.
07:45Então, meu avô era muito, muito assim, conectado, sabe.
07:48E eu lembro muito dessa conquista da Copa.
07:50E eles deviam me assistir, então.
07:52Com certeza, com certeza.
07:53Eu te conheço há muito tempo, justamente, pelo meu pai, pelo meu tio, né.
07:57Pelo meu avô, terem essa conexão.
07:59Então, sempre, por exemplo, os encontros da família.
08:02Sempre todo mundo vestido de Pai Sandu.
08:04Que barato.
08:04Sempre.
08:05Parece que...
08:06Chá de bebê, todo mundo de Pai Sandu.
08:08Aniversário, todo mundo de Pai Sandu.
08:09Tanto que a missa de sétimo dia do meu avô, todo mundo de Pai Sandu.
08:12Quem não tinha busa do Pai Sandu, compra a busa do Pai Sandu.
08:14E a bandeira, cobriu o caixão?
08:15Cobriu.
08:16Cobriu.
08:16A bandeira do Pai Sandu.
08:18Então, essas memórias são muito fortes.
08:20E o que que, Tiane, você como historiadora pode falar isso com propriedade?
08:25O que que o futebol lhe ensinou sobre pertencimento, família e memória?
08:32Bom, a gente entendendo um pouco a história do futebol, né.
08:37Acho que na faculdade de História, eu tive contato com algumas teses e dissertações
08:40de pessoas que pesquisavam o futebol dentro do programa de História da UFPA, né.
08:44É entender justamente o futebol como esse atravessamento que é alimentado pelas relações sociais, né.
08:52Então, entender que essa formação, a própria rivalidade do Remo e do Pai Sandu, né.
08:59Do Repá, que é uma coisa muito pulsante dentro da nossa cultura, né.
09:03Ela não surgiu assim do nada, né.
09:04Ela foi alimentada por diversos tipos de atravessamentos culturais, sociais, políticos.
09:10Então, entender que o Remo, o Pai Sandu, os times de futebol, esse sentimento da torcida,
09:16ele é um traço cultural muito forte, principalmente da identidade do paraense, né.
09:22A gente passou agora pelo Sírio de Nazaré e aí toda casa tem.
09:26Se tu é Pai Sandu, a tua Nossa Senhora de Nazaré tá com o mantinho do Pai Sandu, né.
09:30Se tu é germista, ela tá coberta com o manto do Clube do Remo.
09:33Então, é entender que o futebol, e por isso que eu trago, eu tenho trazido, né, dentro dos meus conteúdos,
09:40essa leitura do futebol também, pra gente entender o papel, principalmente dos clubes, dos dirigentes, dos torcedores,
09:47de entender essa complexidade do futebol, que não está desatrelado de responsabilidades, né,
09:53de atravessamentos sociais, culturais, como eu já falei.
09:56Então, entender que o futebol, ele é dentro daqui do estado do Pará, mas principalmente do Brasil, né,
10:02que é o país que a gente vive, que é conhecido como o país do futebol,
10:05ele tem esse papel, sabe, de conectar.
10:09Então, esse sentimento, por exemplo, que eu tenho pelo meu avô, não tem como desassociar do Pai Sandu, né.
10:15Então, quando o meu avô morre em 2021, e aí tem um repá, que foi a reinauguração do Mangueirão.
10:23Eu não lembro direito que ano foi, acho que foi 2023.
10:262023.
10:262023, que eu vou pro Mangueirão, até me emociona, vou com uma amiga pro Mangueirão,
10:32e aí eu falo, cara, como eu nunca tinha vindo ao repá, o meu avô faz parte da história desse
10:39clube,
10:39e eu nunca me ligava, isso é uma coisa que eu sempre falo pras pessoas, né,
10:44pras pessoas mais novas, pros meus alunos, que eu me arrependo muito de não conversar antes com meus avós,
10:49com o meu avô, que eu perdi muita coisa, né, de escutar, contando histórias, mais coisas,
10:55porque a gente realmente não se interessa, né, a gente tá numa idade ali,
10:58às vezes a gente é adolescente, os nossos avôs a gente não se interessa muito pelo que eles têm a
11:01contar.
11:02Mas quando eu pisei no repá esse dia, eu falei, Júlia, como eu nunca tinha vindo.
11:08E aí eu perguntava pras outras pessoas sobre o meu avô, e elas sabiam muito mais do meu avô do
11:12que eu,
11:13da história dele, né, do papel dele.
11:15Que legal.
11:16E dessas relações que ele teve dentro do clube, então, eu acho que o futebol, ele tem esse papel, sabe,
11:22de pertencimento, principalmente da identidade, né, então são pontos que eu acho que são muito legais.
11:28E é legal perceber esse seu conteúdo, Tiane, porque você tem um público,
11:34eu imagino que na maioria é formado por mulheres, né,
11:38e que acaba aproximando o futebol de pessoas, de mulheres que não gostam de futebol,
11:45e acabam passando a rir por conta dos teus comentários, né,
11:50essa coisa do, ah, eu tenho tanto problema na vida, ainda arrumei ser paisandu, essas coisas, né.
11:57Você sente que você, esse público feminino costuma conversar com você sobre futebol?
12:03Você sente que você passou a estimular um certo interesse pelo futebol através dos seus conteúdos?
12:11Olha, Tiane, eu não sei estimular, né, mas assim, eu comecei a ter contato e conversar mais com as minhas
12:18seguidoras, né,
12:19e ver seguidoras super engajadas dentro dos esportes, sabe, das torcidas, dos movimentos femininos dentro das torcidas, né,
12:28e aí fui conhecendo, né, porque eu não me mostrava, eu não mostrava muito esse lado,
12:31as pessoas nem sabiam pra quem eu torcia, se eu gostava de futebol ou não, né,
12:35como eu falei, como a gente conversou, né, assim, se for me perguntar coisas assim específicas,
12:40eu realmente não sei, não vou saber, mas o futebol, ele é justamente isso,
12:45ele mobiliza sentimentos, afetos, memórias, pra além disso, é independente, né,
12:50eu sempre vejo aqueles vídeos nas redes sociais e tal, que tipo, é muito mais,
12:55futebol é muito mais do que a gente pode explicar porque ele mobiliza outras coisas, né,
12:59sentimentos inúmeros, e aí esses conteúdos me fizeram olhar pra dentro dos clubes,
13:06conhecer pessoas que estão engajadas dentro principalmente dessa atuação feminina no futebol,
13:12então pude conhecer pessoas torcedoras que têm as bandeiras contra sédio nas arquibancadas,
13:18então assim, várias coisas a gente se aproximou, né, eu não sei se eu estimulei de alguma forma,
13:24mas essa aproximação e esse conhecimento de pautas que já existem,
13:28isso com certeza, o meu conteúdo gerou essa aproximação, sabe, essa identificação,
13:33e aí usando como eu te falo, né, o humor é uma saída e uma estratégia que eu utilizei
13:40pra trazer leveza pros meus conteúdos, pra colocar minha personalidade também dentro desses conteúdos,
13:45porque eu me considero uma pessoa que tenta levar a vida e as coisas de uma forma leve,
13:50engraçada, pra gente também não adoecer e não surtar, né, então nas redes sociais eu gosto de trazer isso,
13:56então quando eu vou ao estádio, isso é uma coisa que eu comecei a, enfim, gostar, né,
14:02depois que eu fui entender a grandiosidade, depois que eu comecei a me aproximar dessas pessoas,
14:07então vamos pro estádio, né, já virou ali uma coisinha entre amigas,
14:11bora lá e tal, e já, ai, lançou camisa nova, bora comprar e tal, coisa que antes eu não tinha,
14:17né,
14:17depois que o meu avô morre e aí o meu pai, a gente tenta...
14:20A sua primeira vez no estádio foi em 2023?
14:22Não, não, não, não foi em 2023, mas foi a primeira vez num repá, né,
14:25eu ia com o meu pai também ao estádio na época que o Paysandu tava na Série A, né,
14:31todos aqueles cartõezinhos, enfim, já tinha mais conscientemente, né,
14:35foi depois do falecimento do meu avô e aí houve essa aproximação.
14:40Você já citou aí esse dia do seu primeiro repá, que foi muito emocionante lembrar do seu pai,
14:47mas eu lhe pergunto, existe alguma outra situação, alguma outra memória envolvendo o seu avô
14:54que lhe deu essa dimensão da grandeza que é o futebol paraense pro paraense, pra quem mora aqui?
15:01Cara, eu tenho uma lembrança engraçada, assim, do meu avô, é...
15:05Eu tava estudando na UFPA, fazendo pedagogia, e aí foi algum dia que estavam comemorando,
15:12eu não sei se era alguma coisa em relação à vitória do Paysandu sobre o Penharol,
15:16e aí eu fui almoçar lá no Verupêzinho, lá do...
15:19Deve ser aniversário, devia ser aniversário de ano.
15:21É, eu não lembro.
15:22E aí eu sento pra almoçar, a gente tá lá, e aí na televisão o meu avô tava dando entrevista,
15:28e aí eu fiquei assim, meu Deus, liguei pro meu pai, e fiquei, gente, como assim?
15:33Nem entendia na época o que era Penharol, o que era...
15:36Aí o meu pai, minha filha, o seu avô, o seu avô fez gol no Penharol,
15:40e aí tava todo mundo lá, e eu falei, aí tinha um colega de turma que era Paysandu e falou,
15:44como assim tu és neta do Hércio Ramos?
15:46E aí ele trouxe, assim, o currículo do meu avô, ele falou, na próxima semana eu vou trazer minhas blusas,
15:51e ele realmente levou.
15:52E todo mundo que me conhecia era assim, sabe?
15:53Uma vez, né, no final de ano, uma galera foi passar a Réveillon,
15:57e a gente sempre ia pra Mosqueiro, pra casa do meu avô, meu avô tinha um sítio em Mosqueiro,
16:00e aí todo mundo levava.
16:01Ai, será que é muito abuso?
16:02Meu avô era maravilhoso, ele não tinha dessa, podia levar quantas camisas for,
16:06ele autografava, ele era muito simpático.
16:08Mas essa sensibilidade...
16:09E adorava contar as histórias dele.
16:11Ele amava contar as histórias.
16:12Ele amava, e sempre as entrevistas, e essa entrevista que ele tava dando,
16:16tava lá na UFPA, tinham levado ele na Curuzu pra refazer o gol.
16:22E aí colocaram lá tudinho, porque eu acho que foi um gol de falta que ele fez, né?
16:26E aí refizeram toda lá a cena do meu avô, e aí aquilo foi impactante pra mim, sabe?
16:32Eu falei, meu Deus, do nada, tô aqui, e meu avô tá ali.
16:35E hoje em dia eu pesquiso muito as coisas sobre o meu avô, sabe?
16:39As imagens, as fotos, né?
16:42Ele tem um acervo, meu avô fazia tudo.
16:44Ele colava, colocava as datas, onde tinha sido o jogo, contra quem tinha sido o jogo.
16:50Cara, é incrível, assim, ver os uniformes, sabe?
16:54A mudança, o meu avô era assim, eu falava, meu Deus, pai, vovô, era uma pessoa assim...
16:58E imagina o orgulho do seu pai também, né?
17:00Não, meu pai sabe tudo.
17:02Meu pai, Pai Sandu, ele te senta aqui, ele conta uma história.
17:05E assim, eu aprendo muito também com o meu pai, sabe?
17:07Ele fala muito, ele gosta muito de conversar.
17:09E como foi pra você virar fluminense?
17:11Meu pai também.
17:12Meu pai é fluminense e sempre influenciou a gente ali a ser fluminense e Pai Sandu.
17:17E meu pai é torcedor.
17:18Você tem muito bom gosto, né?
17:19É, é, de bom gosto.
17:23Alguma pergunta pra Tiane?
17:25Cara, eu queria saber da Tiane, assim, até em prol do futebol feminino,
17:31Tiane, o que é que falta na tua visão como mulher e hoje frequentadora,
17:38telespectadora do futebol, pra gente também ter um trabalho melhor?
17:44A gente vai ter uma Copa do Mundo feminina aqui no Brasil.
17:46Pela primeira vez a Copa do Mundo vai ser disputada na América Latina, na América do Sul,
17:51em território nacional.
17:52O que é que falta pro futebol brasileiro?
17:56Crescer também aqui em Belém.
17:59Porque a gente é uma das principais cidades do Brasil no futebol masculino.
18:04Hoje em dia a gente já tem uma presença,
18:05que teve dois grandes públicos na final do brasileiro feminino,
18:08tanto em Itaquera quanto no Morumbi.
18:11O São Paulo ganhou pela primeira vez.
18:13O que é que na tua visão falta?
18:15O que é que na tua visão tem
18:18pra gente ter uma presença maior do público no futebol feminino aqui em Belém?
18:25Que essa massa consumidora, não somente de homem,
18:29eu falo também de mulheres.
18:30Você me falou aqui que vai você e suas amigas assistirem o jogo do Pai Sandu.
18:36O que é que falta também na visão da Tianhe,
18:38torcedora paraense, belenense, bicolor,
18:41pra que esse grupo também vá ver as meninas do Pai Sandu,
18:45as azulinas, as meninas do Rema,
18:47as cruzmaltinas, as meninas do Atuna.
18:48O que é que na tua visão falta?
18:49Rodolfo, assim, vendo de uma forma macro e também com esse olhar de historiadora,
18:55como eu te falei, essa paixão pelo futebol masculino,
18:59ela é uma cultura que foi construída, não é do nada.
19:02Ela é uma cultura construída ao longo do tempo,
19:05do imaginário, dessa ideia de identidade, de pertencimento.
19:09Então, eu vejo que dentro do futebol feminino,
19:12falta esse estímulo, sabe?
19:14Se a gente for comparar os patrocínios, tudo, é muito diferente.
19:19Tem essa desigualdade muito forte.
19:22Então, incentivar crianças, meninas...
19:26A gente sempre, eu como professora,
19:29iniciei minha carreira dentro da educação infantil.
19:32Desde criança, as meninas sabem que o futebol não é pra elas,
19:35que futebol é coisa de menino.
19:37Crianças de dois, três anos, tá?
19:39Porque eu atuava em creches no município de Ananideua.
19:42E a gente tinha que criar projetos, né?
19:44Eu, enquanto professora, junto com a coordenação da escola,
19:46a gente criava o projeto dos jogos internos.
19:48Pra gente ir desvinculando isso do imaginário e da cultura,
19:53que tá entranhada.
19:54Como é que uma criança de dois anos, de três anos, Rodolfo,
19:57sabe que o futebol não é coisa de menina?
19:58É impressionante.
19:59É impressionante, sabe?
20:01E aí a gente precisa ir desvinculando esse imaginário.
20:04E é um trabalho de formiguinha, um trabalho de longo...
20:07Não vai mudar do dia pra noite, né?
20:09É a longo prazo.
20:10Então, por isso que eu acho que é um trabalho que precisa de vários atores,
20:15de vários setores da sociedade, né?
20:18Na educação, na questão das próprias redes sociais,
20:22desse impacto que a gente tem nos conteúdos,
20:25nos nossos ídolos.
20:26Se tu fores comparar, por exemplo, Marta,
20:28que é, gente, sabe?
20:30Uma coisa, mas que não tem o mesmo impacto que jogadores homens.
20:34Então, essa cultura, ela precisa desse estímulo de vários setores.
20:38Eu acho que falta muito isso.
20:40E essa cultura, a gente vê muito nas redes sociais,
20:43na produção de conteúdos de meninas que falam sobre futebol,
20:47de mulheres que falam sobre futebol.
20:49E quando é um produtor de conteúdo homem,
20:53ele é um entendedor nato, né?
20:56E quando é uma mulher, tem sempre aquela piadinha,
21:00vai lavar uma louça, não tem louça pra lavar em casa.
21:03Principalmente quando o comentário é negativo ao time do qual a pessoa torce.
21:08Eu sinto muita falta.
21:09Enfim, a mulher tem sempre que provar que entende de futebol, né, Tiane?
21:13Eu sinto muita falta das produtoras de conteúdo de Remy Paysandu
21:18no futebol feminino.
21:21Sim.
21:23Elas acompanhando o futebol feminino.
21:26Elas são de fundamental importância.
21:28Sim.
21:28Porque eu acho muito fácil a gente chegar e fazer um jogo lotado masculino
21:38pra movimentar a rede social, eu acho que é fácil.
21:43Mas eu te falo porque eu sou um defensor.
21:47Por exemplo, o nosso videocast vai sair,
21:49amanhã o Paysandu vai jogar contra o Sub-20, contra a América de Natal.
21:53Então eu cheguei aqui com os meninos e falei,
21:55nós vamos fazer o jogo do Sub-20.
21:58Nós já fizemos jogos do campeonato feminino aqui,
22:01que eu chego e falo, nós temos que fazer o jogo.
22:03Sub-20 feminino.
22:04Não, do Sub-20 e amanhã masculino, com o Paysandu e a América.
22:07Vai estar só a gente transmitindo o jogo.
22:09Mas eu faço questão que a gente vá,
22:11porque é o futuro do futebol paraense.
22:12Se fosse o Remo como a gente já fez aqui,
22:14também iria, como nós já fizemos,
22:16jogos do Paysandu no feminino no campeonato brasileiro,
22:19quando ele foi pra conseguir o acesso da terceira pra segunda divisão.
22:22E aí eu não via as produtoras de conteúdo de Remo e Paysandu lá.
22:28Então eu acho que...
22:29É um processo...
22:30Eu vou até usar um termo crítico, eu acho que é pesado,
22:34mas é uma dica, eu acho que precisa também ter esse apoio.
22:41Vamos fazer.
22:42É que é um trabalho de fomequinha, né?
22:43Eu te falei, não vai gerar o mesmo impacto do que tu cobrir
22:46um repá lotado no mangueirão, né?
22:48Mas precisa ser fome.
22:48Mas é isso, né?
22:49E às vezes as redes sociais, eu acho que elas dão essa oportunidade,
22:53sabe?
22:54Pra gente trazer pautas que às vezes seriam muito custosas em outro ambiente,
22:58mas as redes sociais trazem essa facilidade, né?
23:00A gente tem um celular e tu fazer um vídeo,
23:02entrevistando uma jogadora,
23:04trazendo a história dela,
23:05trazendo uma narrativa nova e criando...
23:08Por isso que eu te falo,
23:08isso é um trabalho a longo prazo, né?
23:10E criando essa expectativa.
23:12Tem esse debate agora, né?
23:13De que, por exemplo, na Copa Feminina vão liberar as escolas e tudo,
23:18como é na Copa do Mundo masculina.
23:21Porque a gente tem que gerar essa equidade, né?
23:23Sim.
23:23Porque se a gente não for gerando esses estímulos e essas ações,
23:27as coisas não vão gerar esse impacto,
23:30não vão se igualar em um dado momento, né?
23:33E o público gosta,
23:34porque a final do Brasileiro Feminino de 2016,
23:37na Curuzu Pinheirense,
23:39chegou na decisão,
23:41o estádio estava cheio.
23:43O Pinheirense foi campeão brasileiro da segunda divisão em 2016.
23:46Isso precisa ser estimulado,
23:48precisa ser divulgado, né?
23:49Porque a divulgação não é igual para os jogos.
23:52Enfim, então eu vejo assim que existem várias, várias coisas.
23:56A Globo está fazendo uma campanha maciça, né?
23:58Para divulgar.
24:00E não abre mão, né?
24:01Sim.
24:02De transmitir.
24:03De transmitir.
24:03Então, assim como eu penso aqui.
24:05É sábado à tarde, né?
24:05Que pá, que eles transmitem.
24:07Sim, os Jogos do Brasileiro.
24:09Os Jogos do Brasileiro Feminino.
24:10Então, acho que deve ser...
24:11Eu queria fazer uma outra pergunta para a Tiane, assim,
24:13porque, por exemplo, assim,
24:15hoje em dia eu vejo do outro lado, né?
24:17Eu saí no último sábado
24:19e aí chegou um rapaz comigo quase chorando
24:21e falando,
24:22cara, quero te dar um abraço.
24:23E a minha esposa estava aqui do lado, né?
24:26Aí eu falei, pode me dar um abraço, mano.
24:28Aí ele falou,
24:28pô, eu estava com depressão
24:33e vocês com a lezeira de vocês
24:35aqui na programação,
24:36quer dizer,
24:37que só faz loucura lá, viu?
24:39Como é que é?
24:39Ele tem um time com...
24:42Eu chamo de menudos.
24:44Os menudos da bola.
24:45E aí eu não tenho coisa.
24:46Tipo, eu chego com o Marcelo Rangel
24:47e falo que é o goleiro mais bonito do Brasil.
24:50O Tcham, eu falo,
24:51nossa, que zagueiro forte.
24:54Então, a galera vai na corda.
24:56Só elogio os remistas.
24:57É, porque eles são tão mais bonitos ultimamente, né?
25:00O Marcinho agora está descolorido, né?
25:02O Marcinho está legal com aquele bigode dele.
25:05O que é que tu acha?
25:06Está legal, né?
25:07Olha, por falar em boniteza,
25:09tá bom?
25:10Bad.
25:10Estamos aqui, tá?
25:11Você está aqui representando.
25:12Bad, só cabeça.
25:14Parece que tomou monjaro.
25:14Depois do monjaro.
25:15Tomou monjaro, irmão.
25:17O mano, é nóis, tá, mano?
25:19Aí ele chegou e falou,
25:21por causa dessa brincadeira,
25:22que a gente ajudou ele.
25:23Que ele pensou até em tirar a vida dele.
25:26Não é?
25:27E aí eu falei,
25:28pô, cara...
25:29E não foi o primeiro que falou isso.
25:31Isso em plena noite.
25:32E foi?
25:33Já devia estar...
25:34Foi, ele me abraçou lá.
25:35Não, já devia estar.
25:36Isso é macho, né?
25:36Sou defeito do álcool também.
25:38Aí ele falou,
25:38cara, eu morei quatro anos em Santa Catarina.
25:41E eu já estava com saudade.
25:42Eu estava com um monte de problema financeiro.
25:43Eu via vocês, eu ficava rindo.
25:45Eu queria me matar.
25:46E tinha hora que vocês chegavam.
25:47E eu não queria mais.
25:49E aí,
25:51para as pessoas que...
25:53Eu fico imaginando, tipo,
25:54a Ciane é a mãe.
25:56Mas ela é muito conhecida.
25:58A gente aqui,
25:59por estar do outro lado.
26:01E a gente tem a família.
26:02Tem a minha esposa,
26:03tem a minha mãe,
26:04meu irmão.
26:04E eu sou o Rodolfo.
26:06E as pessoas
26:08olham,
26:09admiram,
26:09param,
26:10tiram foto.
26:11As crianças e tudo mais
26:12que assistem,
26:13os pais.
26:15Mas, para a gente,
26:15foi como tu falou do teu avô.
26:17Para a gente,
26:18a Ciane é a mãe.
26:19Como é o nome do teu filho?
26:20Desculpa.
26:20Gabriel.
26:20A Ciane é a mãe do Gabriel.
26:21Maria Eduardo.
26:22E a Maria Eduardo.
26:23Então, para eles,
26:26a Ciane é a mãe.
26:27A minha mãe é a minha mãe.
26:30Como foi para ti?
26:31Quando foi que caiu a tua ficha
26:33do teu avô?
26:35Porque ele era teu avô.
26:36O S era um grande ídolo.
26:37O S é o oitavo maior artilheiro
26:38da história do país.
26:39Sandu,
26:40com 104 gols.
26:41Jogou em um dos maiores times
26:43da história do futebol do norte
26:44do país.
26:46Mas ele era o teu avô.
26:49Ele era o Voércio.
26:50Não sei se tu chamava ele assim,
26:51ou é sim,
26:52ou voer,
26:52não sei.
26:53Quando foi que caiu a tua ficha?
26:55Que tu falou,
26:55eras?
26:56Caramba,
26:57é meu avô.
26:58É,
26:59o meu avô,
26:59assim,
27:01vou até me emocionar,
27:02né?
27:03Eu era roxinha,
27:04meu avô me chamava de roxinha.
27:05Eu era roxinha do vovô.
27:07Ele tinha...
27:07São quantos netos?
27:09Nossa,
27:09são...
27:09Um monte.
27:10Um monte.
27:10É,
27:11eu, minha irmã,
27:12o Vinícius,
27:13o Jamil e o Calide,
27:14não sei,
27:14são muitos netos.
27:16Mas,
27:18é...
27:18Ele era essa pessoa,
27:20assim,
27:20meu avô era muito...
27:21Como é que eu posso dizer?
27:22Ele tem um jeito do meu pai,
27:23sabe?
27:24São pessoas assim,
27:25que se tu conhecer,
27:26são pessoas ditas como frias,
27:27mas o meu avô era...
27:28Ele era sério,
27:29mas ele era engraçado,
27:30sabe?
27:31Ele tinha, assim,
27:31um jeito.
27:32E ele me chamava de roxinha,
27:33eu era roxinha do vovô.
27:34Então,
27:35ninguém mais podia me chamar de roxinha.
27:37E é como eu falo pra vocês,
27:38né?
27:39Essa ficha,
27:40da importância do meu avô.
27:42Eu lembro que o Pai Sandu
27:43fez um post nas redes sociais
27:44no dia do falecimento do meu avô,
27:46decretando, sei lá,
27:47quatro dias de luto,
27:48três dias de luto.
27:49E eu fui ver os comentários
27:52da postagem
27:52e eu fiquei
27:54incrédula
27:54com os comentários
27:56das pessoas,
27:58sabe?
27:58Falando do meu avô,
28:00da carreira dele.
28:01E eu falei,
28:01meu Deus, cara,
28:02que tipo de neta
28:04eu fui pro meu avô.
28:06Mas aí,
28:06depois que eu começando
28:07com meus filhos,
28:08é isso,
28:08a gente tinha o vovô
28:09como o vovô.
28:10Ele era nosso avô,
28:11tava ali todo dia,
28:12meu avô cuidava dos passarinhos dele,
28:14meu avô todo dia
28:15comprava banana pros netos,
28:16uva,
28:17e tava ali.
28:18A gente tinha esse convívio
28:20com ele muito natural.
28:22Quando
28:22o meu avô,
28:24né,
28:25morre em 2021,
28:27que as pessoas do Pai Sandu
28:28vão pro velório dele,
28:30e todo mundo ali,
28:31sabe,
28:31prestando as condolências
28:32e postagem,
28:33as pessoas comentando,
28:34eu falo,
28:35gente,
28:36meu avô era uma lenda
28:37e eu vou entender,
28:39sabe,
28:39conversar com pessoas.
28:40Tem até um rapaz
28:42que ele faz um conteúdo
28:43pro time do Pai Sandu
28:45que me procurou
28:46querendo acesso
28:47às imagens
28:48pra fazer um programa.
28:49Ele fez um programa
28:50nas redes sociais,
28:51né,
28:52na plataforma digital
28:53sobre o meu avô,
28:54contando a história
28:54do meu avô.
28:55E aí,
28:56isso foi
28:56vindo à tona,
28:58sabe?
28:59E hoje, assim,
29:00eu tenho muito orgulho
29:01da história do meu avô,
29:02não só como jogador
29:03do Pai Sandu,
29:04mas entendendo ele
29:05como esse homem,
29:06sabe,
29:07que veio do Maranhão,
29:08um homem preto,
29:09que casou,
29:10construiu família,
29:11estudou,
29:11se formou,
29:13né?
29:13Então,
29:13a gente tem hoje
29:14esse orgulho muito forte
29:16dentro da nossa família,
29:17né?
29:17A gente entendia muito,
29:19meu pai muito mais,
29:20né?
29:20Meu pai entendia muito mais
29:22já da história do pai dele,
29:23né?
29:23Porque ele tinha o meu avô
29:25como uma inspiração,
29:26né?
29:26O sonho do meu pai
29:27era ser também
29:27jogador de futebol,
29:28mas a minha avó
29:29cortou ali o sonho
29:31do Divo,
29:33mas é muito entender isso,
29:34sabe?
29:35Essa dualidade,
29:36porque quando ele morre,
29:37eu fiquei com aquele sentimento,
29:39sabe,
29:39de frustração,
29:40de, poxa,
29:40poderia ter,
29:42sabe?
29:43Aproveitado mais,
29:43ter escutado mais,
29:44e o meu avô,
29:45ele falece de uma forma,
29:47assim,
29:47muito repentina.
29:48Meu avô não estava,
29:49não era uma pessoa que tinha,
29:50sabe,
29:51não estava doente,
29:51nada disso.
29:52Então,
29:53foi uma coisa muito inesperada,
29:55e eu fiquei,
29:56sabe,
29:56com esse sentimento,
29:57mas depois eu fui entender
29:58justamente isso que tu falaste,
29:59Rodolfo.
30:00Ele era,
30:01era normalizada essa nossa relação
30:03de carinho,
30:03de afeto,
30:04mas como o meu avô é,
30:06o vovô,
30:07eu era a roxinha do vovô,
30:09então a gente tinha essa relação
30:10que depois que ele falece,
30:12eu vou me dedicar a entender isso,
30:16porque a minha família,
30:17meu pai,
30:18meus tios,
30:19meus primos,
30:20enfim,
30:20já estavam ligados nisso
30:22há muito tempo,
30:23mas isso foi um sentimento
30:24que veio depois do falecimento dele,
30:26que eu fico assim,
30:27sabe,
30:28emocionada,
30:28as coisinhas dele ficam lá em casa,
30:30as medalhas,
30:31as fotos,
30:32cara,
30:33é muito lindo,
30:33ele tem umas placas assim,
30:35de homenagem,
30:37sabe,
30:37enfim,
30:38ele também jogou no time de veteranos,
30:40meu avô também jogou na tuna,
30:42enfim,
30:43tem toda essa história
30:43que eu vou entendendo,
30:45e eu e meu pai,
30:45a gente vai conversando também
30:46para entender como foi
30:47essa trajetória dele,
30:48esse relacionamento com a minha avó,
30:50das dificuldades financeiras,
30:52que enfim,
30:53era uma realidade
30:54de um jogador de futebol
30:55naquela época,
30:56então,
30:56também vou entendendo um pouco disso,
30:58me apropriando,
30:59mas que hoje,
31:00enfim,
31:00a nossa família e eu também
31:01respeito muito a memória dele,
31:03sempre que eu posso,
31:04trago para as redes sociais
31:05a história dele,
31:06quem ele era,
31:06de uma forma,
31:08eu sempre tento fazer,
31:09sempre que eu faço conteúdo sobre ele,
31:10muita gente me manda mensagem,
31:12como assim?
31:13Tu é neta do Écio?
31:14E me procura,
31:15me manda mensagem,
31:16quere conversar,
31:17eu até gravei para uma...
31:19E até pessoas jovens,
31:20que é surpreendente,
31:22muito legal.
31:23É muito legal,
31:24eu gravei com uma repórter,
31:26acho que foi do México,
31:27ela foi lá em casa,
31:29gravar comigo e com meu pai,
31:30para a gente falar da história
31:31do meu avô,
31:32eu falei,
31:32cara,
31:32olha que coisa surreal,
31:34enfim,
31:35é um sentimento que hoje
31:37é muito bonito,
31:38eu também tento respeitar
31:39muito a memória dele
31:40e sempre que eu posso,
31:41está sempre trazendo isso
31:42para dentro do meu Instagram
31:44e do meu conteúdo.
31:45Tiane,
31:46muito obrigada
31:47pela sua presença,
31:48vovô Ércio,
31:49onde estiver,
31:50está muito orgulhosa
31:51dessa roxinha dele,
31:53tenho certeza,
31:54e que você continue
31:58transmitindo
31:58esse conteúdo,
32:01essa paixão
32:01pelo seu avô
32:03através
32:07transmitindo
32:08o sentimento
32:09do torcedor paraense,
32:11a cultura do povo paraense
32:12que está ligada
32:14intrinsecamente
32:15ao futebol.
32:16Parabéns pelo seu trabalho,
32:18eu sou uma fã sua,
32:19diria que você
32:20é uma das minhas
32:22influenciadoras favoritas,
32:23com toda certeza,
32:24muito obrigada
32:25pela sua presença aqui.
32:26Obrigada, Sérgio.
32:27Valeu,
32:28valeu manga.
32:30Manguinha.
32:31Roxinha.
32:32Manga roxa.
32:32Manga roxa.
32:34Muito bacana,
32:36é uma satisfação
32:37muito legal
32:37te conhecer,
32:38eu falo isso
32:39que é o grande
32:43bônus
32:44do meu trabalho
32:46é conhecer pessoas
32:47que fazem um trabalho
32:48muito legal
32:50para a cultura
32:51e para a história,
32:53para o desenvolvimento
32:54da nossa história.
32:55E aqui,
32:55esse espaço de salto alto
32:57acaba desproporcionando isso,
32:58o espaço acaba desproporcionando isso,
33:01sair do início de futebol.
33:02É porque eu fico muito voltado,
33:04eu fico na coordenação
33:05de jornalismo e esporte aqui,
33:07mas a gente tem uma vocação
33:10muito do esporte aqui,
33:12desde quando eu venho para cá,
33:14então é muito legal
33:15conhecer pessoas
33:17de outros gêneros
33:20e parabéns
33:20pelo trabalho que você faz,
33:22dê um beijo
33:23em toda
33:25sua família
33:28e agradeço
33:29a seu avô
33:29por tudo que ele fez
33:30para o futebol
33:32paraense,
33:33não somente
33:34para o
33:34País Sandu,
33:35mas também
33:36para o
33:37engrandecimento
33:38da história
33:39do nosso esporte,
33:40do meu esporte
33:41tão amado
33:41que é o futebol.
33:44Obrigada Rodolfo,
33:45vocês aí de casa,
33:46muito obrigada
33:47e até a próxima semana.
33:48E aí
33:50E aí
33:52E aí
33:54E aí