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  • há 7 minutos
Os transtornos alimentares em adolescentes ligam um alerta nos pais. Vamos abordar o tema delicado e preocupante, mas essencial para a saúde de nossas crianças e adolescentes. Conversamos a respeito desse assunto com profissionais especializados no assunto, como a nutricionista Bruna Rezende, a psicóloga Sátina Pimenta e a nutricionista Kamilla Dias.

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Transcrição
00:00Presta atenção, porque é um assunto muito sério.
00:02O padrão de beleza exigido das mulheres mexe com as meninas desde muito cedo.
00:11Um estudo divulgado por um dos principais jornais científicos sobre pediatria,
00:16o chama Pediatrics, trouxe números alarmantes.
00:20Uma em cada dez adolescentes já usaram pílulas dietéticas,
00:25laxantes ou diuréticos para perder peso.
00:28São produtos vendidos livremente nas farmácias,
00:34que não precisam de receita, mas que podem trazer riscos enormes à saúde.
00:40E aí, presta atenção, minha amiga, meu amigo,
00:42nós precisamos ficar atentos aos sinais que nossas filhas,
00:48suas netas, sobrinhas estão precisando de ajuda.
00:53Porque esse estudo também mostrou que 22% das crianças e adolescentes tem transtornos alimentares.
01:02Então, vamos bater um papo sobre esse assunto.
01:04Aqui no nosso estúdio, eu recebo a nutricionista Bruna Rezende.
01:08Muito obrigada, Bruna, pela sua participação.
01:11Satina Pimenta, que é psicóloga, a gente sabe, né?
01:13O que está por trás disso, você vai contar para a gente.
01:16E também a Camila Dias, que o pessoal de casa conhece muito bem como advogada,
01:21mas está aqui hoje dando um relato de mãe.
01:24E que se você voltar um pouco também, alguns anos,
01:27você se identifica com essa pesquisa também, né Camila?
01:30Boa tarde.
01:31Boa tarde.
01:32É um tema muito importante, né Roberta?
01:34Eu tenho uma filha adolescente de 14 anos,
01:38então a gente lida com essa busca que as meninas têm,
01:42essa idade de se igualarem, de seguirem esse padrão.
01:47Então, na minha casa, por exemplo, a minha filha é bem mignon, mignonzinha, né?
01:51E as amiguinhas já têm umas, cada uma tem um corpo diferente.
01:55Mas essa fase de transição da infância para a adolescência,
01:58ela sofria com isso.
02:00Ela via as meninas já ficando, né?
02:02As mocinhas indo formando o corpo,
02:04e o dela ainda muito foi utilizado.
02:06E aí ela se questionava por que que não era.
02:08Olhava para o meu corpo, né?
02:09Como uma referência.
02:11Eu queria ser assim, eu não vou ser assim.
02:13Olhava para o corpo dela, chorava.
02:15Falava, meu Deus, é só uma criança, né?
02:19E aí a gente começou a buscar até ajuda,
02:21porque eu fiquei sem saber o que fazer, né?
02:23Com medo dela replicar distúrbios que eu tive, inclusive.
02:27Então, não é fácil.
02:30Que distúrbios você desenvolveu?
02:33Eu, ao entrar na adolescência, eu também não me via, né?
02:37De forma positiva o meu corpo.
02:39E aí eu achava que eu era gorda o tempo inteiro.
02:43E então eu forçava o vômito, né?
02:47Eu praticava bulimia, né?
02:49E tomava remédios escondidos, sempre escondidos, dos meus pais.
02:53Teve um episódio que eles viajaram, me deixaram com a minha avó.
02:57Eu tomei uma cartela de laxante.
02:59E aí minha avó teve que me levar.
03:02Falou que eu estaria com dor de barriga.
03:04Minha mãe, né?
03:05Sem saber.
03:05E tudo chegou lá para o médico que atendeu, né?
03:08Eu falei que eu tinha tomado, porque eu estava só com prisão de ventre.
03:10Mas era mentira, né?
03:11Eu tinha feito um uso exagerado.
03:15E me rendeu, assim, problemas depois, sabe?
03:18Para poder curar aquilo, né?
03:21Aquela bomba.
03:22E para emagrecer também, porque tinha acesso.
03:25Um colega falava para o outro.
03:26Então foram bons anos até começar psicolasticamente a não me ver do jeito que eu me via.
03:34Porque até hoje a gente precisa de, enquanto ser humano, lutar com algumas questões.
03:39Então foi muito ruim.
03:41Foram muitos anos, assim.
03:42Bruna, olha só que relato interessante, forte, né?
03:48A Camila.
03:49Isso a gente está falando ainda de uma geração que não corresponde ainda a essa pesquisa de agora, né?
03:55Então é importante a gente chamar os nossos filhos para perto da TV para bater um papo sobre esse assunto.
04:01Quais são os riscos desses usos exagerados, de laxantes, diuréticos, né?
04:07Essas pílulas que a gente vê que a gente encontra facilmente nas farmácias, sendo utilizadas por adolescentes.
04:13Primeiramente os riscos de saúde, né?
04:16De perdas aí de minerais.
04:18Quando acontece o uso exagerado de diuréticos, você acaba desidratando muito e aí acaba lhe perdendo potássio, né?
04:28Sódio e a questão do laxante, muitas vezes as adolescentes, né?
04:34Estão achando que estão ajudando, mas na verdade vai estar atrapalhando.
04:38Porque a nossa microbiota intestinal, a gente fala que é o nosso segundo cérebro, né?
04:42Então para o emagrecimento acontecer, ela tem que estar saudável.
04:46Então por isso que gera depois esse transtorno, né?
04:49Porque você acaba ali atrapalhando toda a questão metabólica do seu organismo, atrapalha a absorção de nutrientes ali, por conta
04:58do intestino.
05:00E aí vai gerando esses distúrbios depois, esses transtornos alimentares, porque vira um ciclo, né?
05:08Depois que acaba ali a medicação, volta tudo de novo.
05:11E Satina, adolescente é muito imediatista, né?
05:14Que é tudo para agora.
05:15Agora, diante de um comportamento desse, o que está por trás disso?
05:20Boa tarde para todo mundo.
05:22Então vamos lá, vamos começar um pouquinho sobre esse adolescente.
05:25O adolescente, ele realmente é imediatista, mas ele é imediatista porque ele é cobrado para ser imediatista.
05:31Vamos entender um pouquinho o porquê.
05:33Esse adolescente, ele está o tempo inteiro na rede social, olhando corpos que teoricamente são perfeitos.
05:39Primeiro que eles não existem, mas ok.
05:41Então, quando ele vai para o seu núcleo, ele quer se mostrar como é essa perfeição.
05:48E dentro dessa perfeição, ele vai se propor a fazer qualquer coisa para.
05:53Aí a perfeição que você falou, os corpos que a gente está vendo aí, são famosos, são beldades.
05:58E que vamos lembrar, gente, hoje antigamente era capricho, atrevida, né?
06:01As nossas revistas.
06:03Hoje, redes sociais, você tem um filtro ali, antigamente era o Photoshop.
06:06Hoje você tem um filtro ali e isso não é verdade, né?
06:09Não, não é verdade.
06:10Na verdade, não existe corpo perfeito.
06:13Existe o corpo perfeito, na verdade, é o corpo saudável, né?
06:15Isso aí, é o corpo saudável.
06:16É o corpo saudável.
06:17Isso é o corpo perfeito.
06:19Fora isso, esteticamente, a estética corporal, ela é cultural, ela é social, ela passa com o tempo.
06:25O que era bonito antes não é bonito hoje, entende?
06:28Mas, de qualquer forma, a gente continua sendo, meio que, pressionando a ter esse corpo que está sendo mostrado aqui
06:35agora.
06:37Só que tem gente que nunca vai ter esse corpo.
06:39E aí eu vou fazer o quê?
06:41A estrutura é outra.
06:42Eu vou lutar contra?
06:43Porque meu corpo não tem...
06:45O biotipo é diferente.
06:45Eu vou chegar e vou falar bem assim, eu quero ser essa mulher que está aparecendo aí.
06:48Que é a...
06:49Como é que é o nome dela?
06:50Eu esqueci o nome dela.
06:50Ó, tem a Juliana Paz aí.
06:52Quero ser a Juliana Paz, imagina.
06:54Gente, eu tenho 1,50 de altura, nunca que eu vou ser a Juliana Paz.
06:57Meu corpo, ele não tem essa estrutura.
07:00Ó, Débora Seco aí, ó.
07:01Então eu tenho que entender...
07:02E por sinal, imagina, né?
07:04Sim, eu tenho que entender que o meu corpo, ele precisa ser respeitado e que eu vou ter um corpo
07:11perfeito sendo saudável e eu vou ser maravilhosa se eu me achar maravilhosa.
07:17Aí que vem o problema, porque eu olho o outro e eu acho que o outro é maravilhoso.
07:21Eu não.
07:22E na cabeça do adolescente, ele está longe de ser o maravilhoso dele se amar.
07:27Daqui a pouquinho você vai dar dicas, então, para a gente começar a estimular os nossos filhos a se amarem
07:31de verdade, né?
07:33Vamos conversar também com a Patrícia Silva?
07:35Ela vai participar com a gente aqui também do nosso bate-papo.
07:37Você também se identifica com esse assunto, né, Pathy?
07:40Você e a Bia que está aí contigo, né?
07:43Olá, Roberta.
07:44Boa tarde.
07:45Sim.
07:46É, menina...
07:47A gente está sem o áudio da Patrícia?
07:50Vai, pode continuar.
07:51Vai, Pathy.
07:52Agora está ok.
07:54Eu tomava, né, esse remédio.
07:57Quando eu comia muito, aí eu falava, gente, que eu me sentia muito inchada e tal, eu ia lá e
08:01tomava o remédio.
08:03Só que eu fui e parei, porque eu vi que estava me fazendo mal isso, né?
08:08O que você estava sentindo?
08:10Como que você percebeu que ele não estava te fazendo bem, esses laxantes?
08:15Quando eu não tomava ele, eu não estava... me prendia, né?
08:22Você não ia naturalmente ao banheiro, por exemplo?
08:25Isso aí, isso aí.
08:27Deixa eu aproveitar aqui a presença da Bruna e já volto a falar com você, Patrícia.
08:31Pode acontecer isso?
08:32Nosso organismo vai ficando acostumado com aquele remédio?
08:34Isso aí.
08:34E aí só começa... o intestino só funciona diante de medicação.
08:38E aí você... ele para de trabalhar, então ele para de exercer a função dele ali.
08:43Atrapalha todo o funcionamento da microbiota.
08:46E deixa eu fazer uma pergunta, vamos lá.
08:48Isso por um acaso emagrece?
08:52Você acaba... como você desidrata, você não emagrece.
08:55O que é o emagrecimento?
08:56Perda de gordura.
08:59Você perde ali medidas, vai perder peso na balança, porque você está perdendo líquido.
09:04Aquilo ali que você está perdendo depois vai voltar tudo de novo.
09:07Não é o emagrecimento, de fato.
09:09As pessoas confundem ali o número da balança, né, com o emagrecimento.
09:12Quando você queima gordura, aí sim, você emagrece.
09:16Aí é uma falsa ilusão, né?
09:17Isso aí.
09:18Deixa eu voltar a falar com a Patrícia.
09:20E ela está com a filha ali junto, com a Bia, porque ela já também vem percebendo, né,
09:25Pati?
09:26Que a Bia se queixa um pouquinho.
09:28Ela tem quantos anos?
09:30A Beatriz tem nove anos e, às vezes, quando ela come muito, ela fala assim, nossa, mãe,
09:34hoje eu comi demais.
09:36Estou me sentindo gorda.
09:37Aí eu falo, filha, você não está gorda, não.
09:41E eu passo para ela, né, que não existe isso.
09:43Ela não tem nem idade para estar se achando gorda, nem é gorda, né?
09:47Deixa eu, então, aproveitar esse relato e trazer para a Satina aqui.
09:51Satina, a gente estava vendo ali, né, a Bia, uma criança saudável, que eu já conversei
09:57em outros momentos aqui também com a Patrícia.
09:59Como que a gente lida quando uma criança já começa a ter, né, alguns sinais de que
10:07ela tem uma visão distorcida do próprio corpo?
10:12Beleza.
10:13Talvez ela não tenha uma visão ainda distorcida do seu próprio corpo.
10:17Inclusive, quando a gente tem essa visão distorcida, a gente está falando de um transtorno.
10:21Mas talvez ela esteja se comparando com outras crianças ou até com pessoas mais velhas
10:26que ela dentro dessa lógica aí da estética corporal que é predominante.
10:32E aí ela se coloca nesse posicionamento.
10:34Eu acho que o que a gente tem que entender é que todos nós somos diferentes.
10:38E que é belo ser diferente.
10:40Então, quando eu olho para o meu corpo, eu tenho que olhar para ele pensando que ele
10:46é diferente do corpo dela, do seu, do da Bruna e que ele é belo da mesma maneira.
10:52Quando a gente entende isso, a gente começa a entender que a estética não é importante.
10:57E sim a saúde.
10:58E sim eu estar bem comigo mesma.
11:00Então, quando a gente vai trabalhar com criança e principalmente com adolescente,
11:04a gente tem que trabalhar com diversidade.
11:06Você nunca vai ser igual a Roberta.
11:10Você vai ser a Sátina.
11:11E a Sátina é linda.
11:12A Roberta é linda.
11:14A Bruna é linda.
11:15A Daniela é tudo.
11:16Nós somos lindos.
11:17Então, vamos trabalhar assim?
11:19Porque aí fica todo mundo bem.
11:21Entende?
11:22Mas isso também não quer dizer que a gente pode relaxar na alimentação dos nossos filhos.
11:27Daqui a pouquinho você também vai dar dicas, você junto aqui com a Bruna.
11:30Porque quando a gente percebe que de fato, né?
11:33A gente tem aquele olhar que o nosso filho está ganhando um pouco mais de peso.
11:36Ainda mais agora, pós-férias, né?
11:38Daqui a pouquinho volta às aulas.
11:39Aí vem todo mundo mais rechuchundinho, né?
11:41Mas como que a gente reinsere a criança nesse contexto de voltar àquela rotina alimentar,
11:48se cuidar, sem traumatizar a criança?
11:51Ó, você está ganhando barriguinha, né?
11:53Como que a gente muda essa chavinha nas crianças?
11:56Mas, Camila, o que a Patrícia está passando com a filha que já se queixa do corpo?
12:02É exatamente essa situação que você narrou aqui com a sua filha, né?
12:06Isso.
12:07Começa assim, né?
12:09Tem comentários e tem bate-papos sobre corpo que são saudáveis, né?
12:14Então, a gente também tem que aproveitar enquanto mães, seja de meninos ou meninas,
12:18principalmente as meninas, né?
12:20A conversar sobre isso.
12:21Ah, não estou satisfeita.
12:22Eu estou assim, eu estou assado.
12:24E aí, eu lembro que teve uma situação que eu peguei ela, fui na frente do espelho,
12:28que ela não usava calça jeans.
12:30Ela não foi usar calça jeans tem pouco tempo.
12:32Aí, eu olhei ela na frente do espelho e falei, o que está te incomodando no seu corpo?
12:36O que te faz olhar e você ficar triste?
12:40Aí, ela falou das perninhas dela, que eram fininhas, né?
12:44Uma criança de 11 anos, ainda não tinha entrado na parte forte da puberdade.
12:50E ela olhava para as meninas ou para o meu corpo e falava, mas você não vai ter o meu
12:54corpo nem quando você for adulta,
12:55porque nós somos diferentes.
12:57Meu pai e a minha mãe são uns, seu pai e a sua mãe são outros.
13:00E eu tinha essa conversa para ela ir entendendo, mostrava.
13:03Aí, mostrava uma referência, uma amiga minha que era muito magra e é linda e ela gostava, falava,
13:08olha, tem a tia fulana, que é assim.
13:11Então, mostrava essas para ela poder ir entendendo, porque não era nem uma...
13:15Nessa fase da lista, não era nem uma questão ainda de internet, de tudo.
13:18Era de corpos nossos ainda, reais, sabe?
13:23E aí, depois veio o acesso, que é o que a gente, na nossa geração, era muito menor, né?
13:27Então, aí vinha a preocupação, porque na internet elas abrem e tem o mundo.
13:31E aí, assim, a gente começou a conversar e aí eu percebi, essa anteninha ficou ligada de preocupação, né?
13:38E foi quando ela começou a levar isso à frente, né?
13:42A gente foi procurar um psicólogo para poder auxiliar e hoje melhorou demais.
13:47Deixa eu voltar a falar com a Patrícia para ver como que ela lida, né?
13:50Com a filha Beatriz, quando ela se queixa aí que está ganhando um quilinho,
13:55que está um pouquinho acima do peso.
13:56Quando ela tem isso, como é que você trata esse assunto com sua filha, Patrícia?
14:14Valoriza a beleza da filha, né?
14:15Obrigada, Patrícia, pela sua participação.
14:18Um beijo também para a Bia Lindona, que está aqui com a gente.
14:21Obrigadão, viu?
14:22E olha só o comentário que eu recebi aqui no Facebook da Débora Martins Lírio.
14:27Ela diz, às vezes, tem pais que colocam na cabeça dos adolescentes que é feio ser gorda e põe defeito
14:35em tudo.
14:36É melhor se cuidar, não ter paranoica em tudo.
14:40Está falando da importância de se cuidar.
14:42Quais são os sinais que a gente observa que os nossos filhos precisam dessa atenção, Bruna?
14:48Quando a gente começa a ver que ele está se olhando no espelho, não enxerga o que vê, né?
14:53Porque tem os dois lados, o estar acima do peso, de fato, então a gente tem que cuidar ali da
15:01alimentação dos filhos.
15:02É o que eu sempre falo, quem compra as comidas para casa não são os pais, né?
15:07Não são as crianças, são os pais.
15:09E o outro lado, quando começa a querer usar roupa que vai cobrir ali porque está incomodando, não querer estar
15:18em certos lugares porque está incomodando.
15:20E isso quando a gente vê que não tem o porquê estar incomodando, porque você vê que é uma criança,
15:25um adolescente ali saudável, tudo normal.
15:28Então, esse querer se tampar demais, não tirar foto, não aparecer, opa, peraí, né?
15:34E ficar atento para não estar tomando remédio escondido.
15:37Igual ela falou, eu tomava e minha mãe nem sabia.
15:39Então, tem que ter essa atenção, né?
15:41E Satina, como que a gente conversa com os filhos quando é preciso realmente rever a questão da saúde, do
15:49peso?
15:50É essa parte que a Bruna traz, né?
15:52É o cuidar.
15:53A gente tem que falar é de saúde, não é do corpo.
15:55Na verdade, teve até uma influência nesses dias que colocou na internet que a gente tem que parar de falar
16:02do corpo do outro.
16:03Parar de ser fiscal de corpo alheio.
16:04A gente sempre fala isso aqui também, né?
16:06Parar de ser fiscal de corpo alheio, inclusive dos nossos filhos.
16:09O que a gente tem que perceber é, as taxas estão certinhas?
16:13Então, a saúde está ok?
16:14Está.
16:15Então, beleza.
16:16Está dentro do padrão, está dentro da normalidade?
16:18Está ótimo, maravilha.
16:20Vamos caminhar.
16:21Agora, se houver alguma modificação que precisa de uma intervenção, a gente vai sentar e vai conversar sobre saúde.
16:27Não é sobre o corpo, entende?
16:30É sobre saúde.
16:31Olha, sua saúde está assim, assim, assado.
16:33E por causa disso, você está com um peso maior daquele que pode estar para a sua idade, para o
16:39seu tamanho.
16:40Isso é muito importante porque pode vir causar uma doença, porque pode trazer isso, pode fazer...
16:45Então, a gente não precisa falar de corpo.
16:47É mudar a fala dentro de casa, né?
16:49Porque aí corta pela raiz essa cultura de ficar falando de corpo, de corpo, de corpo.
16:55Na prática, por exemplo, ao invés de falar, olha, está com a barriguinha saliente.
17:00Não.
17:00Vamos ver como é que estão as taxas.
17:02Ih, está com colesterol alto.
17:04Então, vamos falar, no caso aí, mudar o foco para o colesterol.
17:08Isso aí.
17:09Não é para a gente cuidar da saúde agora, para lá na frente não ter que cuidar da doença.
17:14Sabe por quê? Muitas vezes nós, adultos, elas escutam isso da gente.
17:18Nós reclamando, assim, o tempo inteiro do nosso corpo, ou falando,
17:22nossa, fulano está gordo, fulano não sei o quê.
17:24Olha aqui, ai, não estou satisfeita.
17:26Preciso fazer isso, preciso fazer dieta, preciso, preciso...
17:28Então, elas já começam desde cedo também a achar que precisam de algo, né?
17:32Pode ser isso também um fator que...
17:34É uma mastigação cultural, gente.
17:36Tem que começar, inclusive, da gente mesmo.
17:38É certo.
17:39Olha só, tem aqui alguns desabafos.
17:41A Nilma diz, eu estou muito satisfeita com o meu corpo e sempre procuro orientar meus filhos
17:47a amarem os corpos deles, que é perfeito, é importante estarmos saudáveis.
17:52A Denise Felberg, beijo, Denise, lindona, conheço a Denise.
17:57Ela diz, quando eu era criança, minha meta era ser como a Barbie.
18:01Se ganhava um quilinho, já ficava sem comer por semanas.
18:06Até a comida jogava para o cachorro escondido, misericórdia.
18:09Ela diz que hoje ela é hipoglicêmica e o médico disse que foi por ter passado fome no passado.
18:16Em resumo, ter ficado muito tempo sem comer.
18:19E aí, o preço chegou.
18:21Então, quer dizer, tem prejuízos a médio prazo e tem também a longo prazo, né, Bruna?
18:27Eu sempre falo isso.
18:28Não é agora que você vê, né, essa questão de saúde, porque os transtornos vêm a curto prazo.
18:35Mas a questão de taxas, né, de doenças cardiovasculares, não é agora que vê.
18:39É lá na frente que vai sofrer, é lá na frente que vai ter que cuidar dessa doença, né?
18:44Tem outro comentário aqui da Natália Souza, que estava até também no nosso script aqui de perguntas, porque não são
18:51só as meninas, não são só as mulheres que sofrem com isso.
18:54E ela traz esse relato.
18:55Ela diz que tem meninos que passam por isso também.
18:57Ela tem um filho que se incomodava muito com o tamanho dele.
19:01Eu até explicava que ele não seria alto, porque a mãe é baixa, mas que eu ia procurar ajuda.
19:08Levou no endócrino e ela fez exames, explicou que ele ainda não havia chegado na fase de crescer.
19:14Agora ele está crescendo e está super feliz, né?
19:17Então, pelo que eu estou entendendo aqui, ele estava reclamando que eu acho que ele queria crescer.
19:21Essa era a vontade dele, né?
19:22Não tinha chegado no momento dele, aí, do hormonal ou do corpo próprio.
19:26Mas são as cobranças mesmo.
19:28O meu menino teve, gente, meu menino, ele vai fazer 12 anos, Beto.
19:33Esses dias ele olhou para mim e falou assim, meu filho, você está com fome?
19:36Não, mãe, eu tenho que comer menos, porque, olha, estou muito grande, estou muito gordinha, que não sei o que,
19:41não sei o que.
19:42Eu olhei e falei, tem nada de errado com você, não, está tudo bem.
19:46Ele, não, mãe, não, não dá para ficar desse jeito, não.
19:50Vai fazer 12 anos, é uma criança.
19:53E aí, você como psicóloga e como mãe, falou o quê?
19:55Psicóloga em casa não tem, não, gente.
19:58Não, não tem respeito de pau.
20:00Não, mas a gente conversa, fala, não, tem coisa realmente que tem que fazer mudança na alimentação.
20:05Talvez você esteja se sentindo assim porque você não está comendo bem, ou isso, ou aquilo, ou aquilo outro.
20:10Mas vamos ver isso direitinho, porque pode ser a forma que você está se enxergando, e não é real.
20:15E, Camila, hoje, com a maturidade que você tem, o que você diria para a Camila de antes?
20:22Eu me emociono, porque a gente passa por um período tão difícil até vencer, né?
20:27E aí, um pouco mais velho, eu fui entender o porquê que isso desencadeou, né?
20:33E eu falaria para ela que não precisa se importar, para procurar pela saúde, né?
20:38Porque isso vieram as cobranças do corpo depois de anos.
20:42Praticar esporte, que foi um meio muito eficiente.
20:47E saber que ela é linda do jeito que ela é, né?
20:50E que sempre ela vai estar de olho no corpo.
20:53Porque também não é porque a gente não deva valorizar, né?
20:58Supervalorizar corpos que não são nossos, que a gente também tem que se acomodar com o que a gente tem.
21:04Então, assim, está sempre buscando o melhor dentro da nossa realidade.
21:09A Camila tocou no ponto muito importante, praticar esportes.
21:12Eu queria que vocês duas falassem sobre isso, até porque é nessa fase, né?
21:18Da infância e da adolescência que a gente precisa também estimular isso.
21:21E faz bem para a saúde, né?
21:23Faz, faz sim.
21:24Para nós adultos, né?
21:26A gente já faz muito, mas para as crianças, então, porque ali vai estar tendo todo um gasto energético.
21:31Gastar também a energia, de fato, que as crianças têm demais, né?
21:36Então, ela já cresce com o hábito de estar praticando atividade física.
21:40E as chances também aí de doenças, de prevenir obesidade, né?
21:45Melhora.
21:45Tá certo, gente.
21:46Obrigada pela participação de vocês.
21:49Beijo, Bruna.
21:50Beijo, Sátima.
21:50Beijo, Camila.
21:51Dá um beijo na sua filha, tá bom?
21:53E obrigada também, Patrícia e Beatriz, que participaram com a gente.

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