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O Documento JP investiga a busca incessante pelo corpo perfeito e a pressão estética impulsionada pelas redes sociais. Com o depoimento forte da influenciadora Dora Figueiredo, que detalha sua luta contra os transtornos alimentares, a reportagem expõe os gatilhos dessa obsessão. Psiquiatras e especialistas analisam como a busca por um padrão inatingível pode levar a doenças graves como anorexia e bulimia.

Assista à íntegra em:
https://youtu.be/3lHX2GtCdOE

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Transcrição
00:0055% dos adolescentes sentem infatiscação com seus corpos, segundo aponta a pesquisa da Escola de Ciências da Saúde Pública da Universidade de Waterloo.
00:10E assim foi para Dora Figueiredo.
00:12Acho que foi com uns 14 anos de idade que eu comecei a sentir os primeiros sintomas.
00:17Eu queria ficar cada vez menor, cada vez mais magra e eu sentia que nada que eu fizesse era o suficiente.
00:25Então tudo que eu via eram mulheres cada vez mais magras na TV, nas revistas, em todos os lugares.
00:32Não tinha rede social, né, porque eu nasci em 94, mas mesmo assim era uma bombardeação de corpos extremamente magros
00:43e isso fazia com que eu me sentisse menos bonita.
00:48E olha que eu era super magra.
00:49Com 21 anos de idade eu realmente comecei a entender que aquilo era um problema.
00:58Até então era só moda, era só eu tentando ser mais saudável, eu tentando ter um corpo melhor, cada vez mais bonito
01:08e entrar nessa onda da magreza extrema.
01:12Se antes era preciso buscar pelos conteúdos, hoje está tudo na palma da mão.
01:20Entretanto, seus efeitos já são sentidos, como revelou um estudo do Peer Research Center.
01:2648% dos adolescentes entrevistados dizem que as redes sociais afetam negativamente a saúde mental.
01:33A psiquiatra Ana Clara Floresi, do Programa de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas, explica os impactos.
01:40Os transtornos alimentares são quadros psiquiátricos complexos e diversos que têm origem multifatorial.
01:50Então é uma combinação de fatores genéticos, psicológicos e tem os aspectos culturais que participam da origem e da manutenção desses quadros.
02:02Quando a gente fala de cultura, nos dias de hoje, a gente passa pela situação das redes sociais.
02:09A gente, hoje em dia, vive muito mais digitalmente, infelizmente, do que vendo TV, vendo revistas como era no passado.
02:17E quando uma pessoa está fragilizada com outras, e também tem todo um background que favoreça o adoecimento,
02:31se expõe a uma informação torta sobre dieta, sobre alimentação, ou mesmo aquela questão de ver uma pessoa ali,
02:42uma blogueira, comunicando uma vida perfeita, isso pode, de fato, contribuir como um gatilho de adoecimento,
02:51tanto no sentido de transtornos alimentares, quanto em relação a quase depressivos, baixa autoestima.
02:57A gente entende que, falta ainda mais estudos relacionados, mas o que a gente já tem já traz à tona esse gatilho,
03:08esse fator cultural novo para o adoecimento psíquico de uma maneira geral.
03:17No Brasil, 15 milhões de pessoas são acometidas por pelo menos um distúrbio alimentar,
03:23segundo a Organização Mundial de Transtornos Alimentares.
03:27Mirelle Almeida, psiquiatra, detalha as características de cada doença.
03:32Os principais são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar.
03:38A característica principal da anorexia nervosa é a restrição.
03:42Então, são pacientes que se impõem um longo período de jejum.
03:46Então, elas começam normalmente diminuindo a quantidade de alimentos
03:50até chegarem a ficar longos períodos sem se alimentar.
03:53Isso vai provocando, então, uma perda de peso intensa.
03:57Até que elas alcançam uma desnutrição e essa desnutrição vai, então, trazendo,
04:01então, como eu falei, repercussões clínicas.
04:07No caso da bulimia nervosa, são pacientes que elas oscilam.
04:11Então, elas normalmente tentam fazer uma restrição,
04:15mas elas não conseguem.
04:16Aí, elas têm um episódio de compulsão,
04:18que é um comer ali descontrolado.
04:21Elas comem grandes quantidades de comida
04:23e têm essa sensação de perda de controle.
04:26Como elas se sentem culpadas por quanto elas comeram,
04:29elas tentam, de uma certa forma, se livrar desse excesso de comida.
04:33E aí, muitas vezes, elas adotam mecanismos compensatórios,
04:37que pode ser provocar vômito,
04:39usar remédios para se livrar, então, do excesso de peso,
04:42ou do excesso de comida.
04:47No caso do transtorno de compulsão alimentar,
04:50os pacientes, eles basicamente têm esse episódio de compulsão alimentar.
04:54Eles não têm esse mecanismo compensatório.
04:58O corpo se torna uma fonte de constante pressão.
05:02Os comportamentos que eu tinha,
05:07que eram, para mim, completamente normais,
05:10na verdade, eram transtornos alimentares.
05:13Por exemplo, ficar dias sem comer,
05:16só tomando suco.
05:18Ter pensamentos, assim, extremamente autocríticos
05:22sobre o meu corpo 24 horas por dia,
05:25o que fazia eu pensar 24 horas por dia em caloria.
05:29Então, eu contava todas as calorias,
05:31eu queria pesar a minha comida,
05:32eu não tinha balança,
05:34e eu não queria parecer que eu tinha um transtorno alimentar
05:36para a família, para as pessoas de casa.
05:41Então, eu sempre jogava acima, muito acima.
05:44Então, ai, uma fatia de bolo é tantas calorias.
05:47Então, se eu for comer uma fatia de bolo,
05:50eu vou colocar que são duas fatias de bolo.
05:53Porque, assim, não tem nenhum risco
05:55de eu estar contando caloria a menos.
06:00E também tinha aquele aspecto da bulimia,
06:04de comer muito, ter uma compulsão alimentar,
06:07porque eu estava em muito tempo de restrição.
06:10E aí, quando acontecia isso,
06:11eu ficava vários dias sem comer,
06:14e tinha um escape que eu tinha muito,
06:16que era ir para a academia
06:17e ficar quatro, cinco horas na academia.
06:22Não é que eu ia, fazia ali meu exercício e ia embora.
06:25Eu ia, aí eu fazia uma aula de spinning,
06:28aí depois eu fazia uma aula de jumping,
06:30aí depois eu corria uma hora,
06:32e depois eu fazia musculação.
06:34Tudo isso de barriga vazia.
06:36Porque eu achava que, assim,
06:38eu iria compensar o fato
06:40de eu ter comido uma fatia de bolo.
06:42Nos primórdios da humanidade,
06:47comer era uma questão de sobrevivência.
06:49Já na Antiguidade e na Idade Média,
06:51os banquetes representavam
06:53poder, status e festividade,
06:56como argumenta Renato Rios,
06:58historiador e professor
06:59da Universidade Federal do Ceará.
07:01Os corpos vão ter menor acesso à alimentação,
07:05por conta da seleção natural,
07:06vão ter a possibilidade de,
07:08vão sobreviver àqueles indivíduos
07:11que têm melhor retenção de gordura,
07:12por exemplo.
07:13Já que ela vai ser uma fonte de energia também,
07:15é um modo que a gente utiliza
07:17para acumular energia.
07:20Então, vários desses aspectos
07:22vão moldar as relações sociais.
07:28Apesar das mudanças,
07:29a alimentação ainda pode ser entendida
07:31como um fator de bem-estar social,
07:34como analisa a nutricionista especialista
07:36em comportamento, Júlia Beu.
07:37A comida tem o seu papel nutricional,
07:41mas ela também tem um papel afetivo,
07:43cultural, até mesmo emocional.
07:46E aí, o que acontece?
07:47Ela é um recurso, muitas vezes,
07:50para lidar com algumas situações da vida.
07:52Então, o que caracteriza
07:54uma alimentação normal?
07:56É quando a gente olha para a comida
07:58no momento de fazer a refeição,
08:00consegue selecionar,
08:02mas também consegue comer
08:03eventuais comidas diferentes,
08:06que não fazem parte da rotina,
08:08sem toda aquela culpa e aquela angústia.
08:13Modo de vida.
08:15Este é o significado da palavra
08:16dieta em sua origem.
08:18O conjunto de alimentos e bebidas
08:20que fazem parte do dia a dia
08:22de uma pessoa,
08:23hoje, representam uma amarra social.
08:25E aí, oi.
08:27E aí, oi.
08:28E aí, oi.
08:28E aí, oi.
08:29Oi.
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