O Documento JP investiga a busca obsessiva pelo corpo perfeito, uma obsessão que leva a uma estatística alarmante: uma morte a cada 62 minutos no mundo, segundo estimativa da Academy for Eating Disorders. Com o relato de quem viveu o problema, como a influenciadora Dora Figueiredo, a reportagem mostra como a romantização da magreza extrema nas redes sociais adoece milhões.
Assista à íntegra em: https://youtu.be/3lHX2GtCdOE
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00:00O desejo por se enquadrar em um determinado padrão de beleza, muitas vezes faz com que situações cotidianas sejam anuladas.
00:08A comida deixa de ter o seu papel cultural e passa a ser encarada como um obstáculo.
00:14Por exemplo, é comum esses pacientes não comerem o próprio bolo de aniversário.
00:19E para nós, seres humanos, o bolo de aniversário tem um significado muito grande.
00:23É o momento da comemoração, você imagina você fazer um bolo de aniversário, comprar para comemorar o seu aniversário, mas você não se sentir seguro para comer.
00:36Essa é a grande palavra, não ter segurança para comer.
00:40Então a gente passa a trabalhar com esses pacientes, o que o bolo significa?
00:46Qual é o medo que está envolvido no bolo?
00:49Como é que seria se ele experimentasse um pedaço pequeno?
00:55A gente ensina os pacientes a diferenciarem pensamentos que estão dentro do transtorno alimentar.
01:04A gente costuma dizer assim, a gente chama de voz do TA.
01:08O que é a voz do TA e o que é a sua voz?
01:11Será que quando você tem esse pensamento, se eu comer o meu bolo, eu vou perder tudo e eu vou engordar muito?
01:19Será que esse pensamento está ligado com o transtorno alimentar ou ele é um pensamento que tem a base na realidade?
01:27Você conhece alguém que já comeu um bolo de aniversário e automaticamente engordou?
01:32Então a gente costuma trabalhar com esses pensamentos e ajudando o paciente.
01:37Eu acho que quando eu decido que eu não vou mais comer nada hoje, quando eu comi um bolo,
01:43será que isso é a voz saudável?
01:48Ou é a voz do TA?
01:51Então a gente vai ensinando os pacientes a entenderem esse mecanismo.
01:56Dani Rossolém também encontrou na escrita uma maneira de despejar tudo o que enfrentou com os distúrbios alimentares,
02:03por meio de Incabível, seu livro de poemas.
02:05Eu acho que também nesse processo de escrita do livro, foi um processo, entre aspas, curativo.
02:11Um processo terapêutico para mim, porque foi uma catarse.
02:17Quando eu escrevi, eu comecei escrevendo quatro poemas para compor um livro artesanal,
02:21que eu estava fazendo num curso de livro artesanal.
02:23E depois aquilo desenvolveu em mais de cem poemas.
02:27Eu acho que o livro tem cem poemas, se eu não me engano.
02:29Em que eu ia revivendo aquilo, e ao mesmo tempo que era sofrido demais se lembrar e pensar,
02:35nossa, eu passei por isso, era ao mesmo tempo uma coisa que me trazia um alívio do tipo,
02:40nossa, eu estou bem aqui agora, eu posso contar um pouquinho sobre isso para tentar ajudar e alertar outras pessoas.
02:45E sempre que eu pensava, vou lançar esse livro, eu pensava, tomara que eu chegue nos familiares, nos amigos das pessoas que estão doentes,
02:54porque eu acho que a pessoa que está doente vai refutar um pouco a leitura por não aceitar que está doente.
02:59Mas os familiares delas e os amigos vão poder entender um pouco do que se passa na cabeça delas para acolhê-las melhor.
03:05Então esse foi o meu objetivo, mas quando chega uma pessoa que já teve ou tem e conta que leu,
03:11eu fico muito emocionada mesmo também de poder tentar chegar nessas pessoas e, querendo ou não, ajudando um pouquinho.
03:17Eu sempre fico com medo do livro trazer gatilhos também, eu falo isso muito claramente,
03:20que talvez uma pessoa que esteja no auge não queira ler e sinta gatilhos,
03:24mas eu também fico feliz de saber que quem está lendo está meio que refletindo e falando,
03:29eu preciso sair disso, sabe?
03:30E o livro termina de uma forma muito positiva porque mostra num período estabilizado e bem, né?
03:37Que é o que eu estou hoje também, mas assim, na época que eu escrevi já era, né? 2019.
03:42Então eu penso assim, para as pessoas entenderem, eu posso sair dessa,
03:45há uma luz no fim do túnel, há uma vida possível com uma alimentação normal,
03:49em que comer não seja o único assunto da sua vida ou não comer, né?
03:53Em que você possa socializar, porque comer é muito mais do que comer e se alimentar,
03:56é socializar, é se nutrir de afetos e das pessoas ao redor.
04:00Quando eu tenho um fator estressor muito grande, ansiedade, depressão,
04:07não necessariamente diagnóstico de transtorno alimentar ou transtorno mental,
04:11mas eu estou passando por esse momento mais estressor.
04:15É como se eu desligasse esse corte e ativasse mais o impulso, mais emocional.
04:24E lá atrás, em algum momento da nossa vida, eu comi um chocolatinho e aquilo me acalmou.
04:31Eu vou buscar esse recurso de novo, né?
04:34Então o fator escolhas alimentares tem uma relação escolha de vida, né?
04:41O se alimentar é selecionar, é escolher também.
04:45E aí para eu automatizar um novo bom hábito, eu preciso ir reforçando aquilo.
04:49Um estudo do Nation Institutes of Health foi capaz de comprovar que na era das redes sociais,
04:56a internalização dos ideais corporais cria uma preocupação com a aparência física,
05:02por se tratar de um elemento visto como alvo de observação e julgamento.
05:06Por essa comparação e porque a gente sabe que o ideal exposto nas redes sociais, na internet,
05:14ele muitas vezes nem é verdadeiro.
05:16Então aquela coisa de que a gente sempre posta só o lado bom das coisas, né?
05:22Quando a gente está fazendo o que a gente está entendendo como mais correto, vai ter mais curtidas.
05:28Então da mesma maneira que a gente escolhe o que a gente vai postar,
05:32a gente recebe sem saber ou, né, sem necessariamente estar tão consciente para a gente
05:37de que aquilo é uma parte da vida das outras pessoas.
05:41Mas a gente acaba comparando a nossa vida inteira àquele fragmento.
05:45Então não tem como se manter muito satisfeito quando a gente olha para o nosso todo
05:50comparado a uma fração, né, perfeita da vida de outra pessoa.
05:54Se antes era possível ter um distanciamento da TV e das revistas,
06:00com os smartphones isso se torna impossível.
06:03Afinal, você tem em qualquer lugar um álbum de fotos e vídeos em formato digital,
06:08com momentos escolhidos a dedo, para impressionar quem acompanha do outro lado.
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