00:00E eu recebo aqui no estúdio a Juliana Fernandes, ginecologista, e a Rose de Oliveira, que precisou passar por uma
00:10cirurgia e só assim conseguiu amenizar as dores.
00:14Muito boa tarde pra vocês. Rose, quais foram os primeiros sinais de que você tem endometriose?
00:21Boa tarde a todos. Então, eu falo que a minha situação foi uma via sacra de médico, entre ginecologista e
00:31endócrino, porque eu não tinha noção do que era.
00:35Então, eu ia no endócrino, ele me pedia vários tipos de exames, eu fazia, retornava, ginecologista, a mesma situação.
00:44E eu tinha uma cunhada que ela fez uma cirurgia, ela teve endometriose, ela sempre falava, Rose, pode ser.
00:52Aí eu cheguei a ficar internada, tem nove anos que eu sentia muita dor, e eu fiquei internada, fiz alguns
00:58exames, mas a endometriose não é qualquer exame que a gente faz e descobre, consegue ter o diagnóstico.
01:05E o ano passado eu comecei, as crises começaram a aumentar muito, eu comecei a ter crises fortes mesmo, começaram
01:13a me prejudicar no trabalho, meu emocional, né?
01:17Hoje eu tô conseguindo falar sobre, porque eu fiz a cirurgia e tá assim, 70% melhor.
01:25Mas antes eu não conseguia falar mais sobre o assunto sem me emocionar, sem chorar, porque era muita dor.
01:33Agora, Rose, explica para os homens que estão assistindo o Fala Expulsando, para mim também, é como se fosse uma
01:40cólica, é uma dor aqui na barriga, que sensação que é?
01:45É dor na relação sexual, é dor na barriga, é inchaço o tempo todo, no meu caso eu tinha muita
01:54dor lombar, que ainda eu estou em processo de cicatrização ou de recuperação mesmo, eu ainda sinto.
02:04É dor e não é uma dor que a gente toma analgésico, como a dor de cabeça que a gente
02:09toma analgésico e passa.
02:11A gente toma remédio, toma medicamento forte e não passa dor.
02:15É pronto-socorro mesmo e por fim eu tava tomando mofina.
02:20Então, como você falou dos homens, a necessidade dos maridos de ter essa compreensão é muito importante.
02:28Porque se o marido não tiver essa compreensão com a mulher, vai ser muito mais difícil a vida dela.
02:34E é em todos os sentidos, é no trabalho, é em casa, a gente precisa de ajuda.
02:40Tem uma frase muito interessante que fala o seguinte, se a dor não é com você, então não diga que
02:47é drama, né?
02:48Exatamente.
02:49Você não sabe o que a pessoa tá passando.
02:50Exatamente.
02:50E eu ouvi não drama, mas eu ouvi psicológico.
02:54Será que não é ser emocional?
02:57É mais triste ainda se ouvir, sabendo que você tá morrendo de dor e as pessoas julgando a sua dor,
03:04menosprezando, no caso diminuindo, né?
03:06Imagino.
03:06Doutora Juliana, quais são os sinais, os tipos de dores associados à endometriose?
03:12Boa tarde.
03:13Boa tarde, Lucas.
03:14Boa tarde a todos.
03:16Então, é como a Rose já nos externalizou aqui.
03:18A endometriose é uma doença crônica que ela começa com uma dor menstrual que ela não é uma dor que
03:25passa logo nos primeiros remédios que você toma.
03:27E ela é progressiva.
03:29Com o passar dos meses, com o passar dos anos, ela vai piorando.
03:33Essa dor vai se tornando cada vez mais intensa, a ponto de começar a incapacitar essa mulher.
03:39Tanto no dia a dia, quanto produtivamente, ela não consegue trabalhar todos os dias daquele mês, porque ela falta o
03:46trabalho, porque ela não consegue sair de casa, porque a dor incapacita.
03:49Começa a atrapalhar as relações dela, como ela acabou de falar também, porque nem todo parceiro entende que aquela mulher
03:55não consegue, porque a dor na relação sexual começa a se tornar muito intensa também.
03:59E o parceiro tem que entender que não é porque a mulher não deseja, porque a mulher não quer, é
04:04porque ela não consegue, porque a dor é extremamente intensa.
04:07E, então, é uma doença que ela vai, aos poucos, se agravando.
04:12Ela começa com uma dor pequena, mas uma dor que vai piorando com o tempo, se torna incapacitante.
04:17Nem sempre essa mulher consegue elucidar logo de cara, como a Rose também já falou.
04:22O paciente fica escolada na doença, né?
04:24Porque demora muito tempo para fazer o diagnóstico e, muitas das vezes, as pessoas não entendem o que ela está
04:30dizendo.
04:31Ela começa a se questionar se ela está sentindo aquilo mesmo, porque não acha um diagnóstico, porque o diagnóstico nem
04:36sempre é fácil.
04:38Então, é isso. É uma dor que vai se tornando incapacitante na vida dessa mulher.
04:42Já temos participações aqui nas redes sociais.
04:45Olha só, a Cris Martins disse que precisou fazer a retirada do útero e das trompas por conta da endometriose.
04:56Ela conta que já fez vários tratamentos paliativos, mas não resolveu.
05:00Pode chegar a esse ponto, doutora?
05:03Até pode, mas normalmente a gente não tem necessidade de retirar o útero, não.
05:08As trompas, quando a doença está muito grave, ela pode acometer muito as trompas a ponto de atrapalhar essa mulher
05:15e engravidar, por exemplo.
05:16E quando a trompa está em um estado muito ruim, assim, está muito deformada pela doença, às vezes precisa retirar.
05:23O útero nem sempre, mas sempre a gente tira as lesões causadas pela doença que estão espalhadas pela pelve.
05:29Perfeito.
05:29Então, a Bianca Batista disse o seguinte, eu tenho endometriose, sinto muita dor.
05:36Eu não poderia ter filhos, mas por milagre tenho três e hoje estou fazendo tratamento.
05:42A endometriose pode impactar na gravidez?
05:48Muito.
05:49Essa é uma das causas que muitas mulheres acabam descobrindo a endometriose.
05:53Muitas delas vêm por um caminho de pesquisa de doença e não acham nada.
05:57Quando vão tentar engravidar, não conseguem.
05:59E aí, nessa pesquisa da infertilidade, acabam descobrindo a endometriose, porque ela impacta muito a vida reprodutiva da mulher.
06:08Justamente porque causa essas alterações arquiteturais nos órgãos da pelve, tanto nas trompas, quanto um processo inflamatório crônico,
06:15que atrapalha mesmo essa mulher a engravidar.
06:16Então, reduz a fertilidade.
06:18Bozzi, você demorou muito para ir ao médico?
06:21Não.
06:22Bom, eu acredito que hoje, acho que a gente até tem que agradecer as artistas, né?
06:28Porque quando começou a se falar mais, os próprios médicos, eles começaram a ter mais consciência em relação a isso.
06:36Porque ela, no caso, a senhora é especializada na endometriose.
06:41Nem todos os ginecologistas são.
06:43Então, eu fui.
06:44Tem nove anos, assim, que eu ficava entre um e outro.
06:47Mas eu não conseguia um médico que me pedisse um exame específico para eu descobrir.
06:52E também, vou ressaltar uma coisa aqui, Lucas, os exames, eles não são oferecidos pelo SUS.
07:00A gente não consegue, nem mesmo pelo plano, são exames caros de se fazer.
07:07Então, assim, a dificuldade também das mulheres em conseguir também o tratamento por não ter essa disponibilidade no SUS.
07:16E nem todo mundo eu consegui fazer, tudo foi pago porque eu não conseguia mesmo de outra forma.
07:22E no meu caso, eu tive que tirar o útero também, porque eu tive a adenomiose junto com a endometriose.
07:29Mas não foi por falta de ir ao médico, não.
07:33É mesmo pela dificuldade que a doença tem do diagnóstico.
07:37Doutora, algumas mulheres comentam que tem endometriose, tem filho e depois que dá à luz, o problema não existe mais.
07:47A endometriose some.
07:49Isso é mito ou é verdade?
07:50É um pouco de verdade, sim.
07:52Porque quando a gente engravida, a gente bloqueia o ciclo dos ovarianos.
07:58A endometriose é uma doença hormônio-dependente.
08:00Na gravidez, no período da amamentação, né?
08:03Essa mulher fica bloqueada, ela não está menstruando, ela não está sangrando.
08:06Então, quando ela tem uma doença de leve, a moderada, pode ser que esse período em amenorréia,
08:11que a gente chama na ausência da menstruação, diminui os focos e eles até podem ficar bem menores em relação
08:18a antes.
08:19Isso dá um alívio sintomático nessa mulher.
08:21Então, a gravidez e a amamentação são protetores para a doença.
08:25Sim.
08:25A Alessandra Salvador pergunta, idosa, pode ter endometriose?
08:31Então, é aquele mesmo, é o mesmo raciocínio.
08:35A mulher na pós-menopausa, os ovários param a produção de hormônio, do estrogênio, propriamente dito.
08:41Então, isso faz com que as lesões regridam também.
08:44Então, na pós-menopausa, a endometriose tende a regredir.
08:47Perfeito.
08:48Bem, a Rose precisou fazer cirurgia.
08:51Agora, todos os casos demandam esse procedimento ou em alguns, apenas o tratamento medicamentoso, por exemplo, resolve?
08:59A gente tem uma abordagem multidisciplinar, né?
09:03E um tratamento também que tem que ser multifatorial.
09:07É uma mudança de estilo de vida, porque por ser uma doença crônica,
09:10que a gente pode até ir lá operar e retirar todas as lesões.
09:13Mas isso não quer dizer que daqui a um, dois anos, ela pode retornar com as lesões novamente, por ser
09:18uma doença crônica.
09:19Então, ela requer uma mudança de estilo de vida, ela requer um bloqueio hormonal, muitas das vezes.
09:24E, em alguns casos, a gente indica cirurgia.
09:27Principalmente nas pacientes que têm infertilidade associada à endometriose,
09:31naquelas que têm uma dor muito intensa, incapacitante, tanto dor clínica abdominal quanto a dor na relação,
09:38e naquelas que têm um comprometimento de órgãos adjacentes muito importante.
09:43Aí eu estou falando de bexiga, intestino, que a endometriose também pode comprometer.
09:46Por ser uma doença crônica, então, tem que ficar atenta o resto da vida.
09:49É, pelo menos durante o período reprodutivo.
09:52Até após menopausa, né?
09:53É.
09:54Perfeito.
09:54Olha, Rose, muito obrigado pela sua participação conosco, viu?
09:58Que bom que hoje você consegue falar sobre esse assunto,
10:01e com certeza outras mulheres que passam por essa situação,
10:04e às vezes nem procuraram um médico, através do seu relato,
10:08criam coragem e vão buscar ajuda, viu?
10:10É muito importante.
10:11Muito obrigado também à doutora Juliana Fernandes, ginecologista,
10:14por tirar as dúvidas sobre a endometriose.
10:17Obrigado, gente.
10:18Obrigado.
10:18Obrigado.
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