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  • há 2 semanas
Você conhece como funciona a barriga solidária, ou como ser cedente temporária do útero? Acompanhe tudo sobre o tema, com a ginecologista Dra Layza Borges e a psicóloga Arielle Nascimento, no programa de hoje.

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Transcrição
00:07Estamos aqui com duas grandes especialistas,
00:11Arielle Nascimento, nossa psicóloga, seja bem-vinda.
00:15Obrigada, obrigada pelo convite.
00:17E doutora Laysa Merizio Borges, nossa ginecologista,
00:21que está com a gente também lá no Folha Vitória,
00:24no Check-Up Saúde, no Vida Saudável, seja bem-vinda, doutora.
00:27Obrigada, é um prazer estar aqui com vocês.
00:30Então, vamos falar sobre este tema, né?
00:33Eu sou da época em que tinha novela já na década de 80, 90,
00:38falando sobre o tema barriga de aluguel.
00:40Então, o tema não é novo, mas as dúvidas continuam
00:44e eu acho que o tema vai mudando, né?
00:47Hoje nós temos famílias homoafetivas,
00:49nós temos outras demandas para gerar uma barriga de aluguel,
00:53mas começa a explicar para a gente, doutora,
00:56o que é a barriga de aluguel?
00:58Então, acho que a primeira coisa é a gente deixar muito claro, né?
01:02Que esse termo é muito inadequado,
01:04porque quando a gente fala barriga de aluguel,
01:07a gente está dando uma conotação financeira, né?
01:10E aqui no Brasil é expressamente proibido pela resolução
01:15que a gestação de substituição seja remunerada.
01:20Então, a...
01:22O certo é falar gestação de substituição.
01:25Exatamente.
01:25Porque não gera um aluguel, não gera uma monetização no Brasil,
01:30a senhora falou.
01:31Sim.
01:31Mas em outros países, a gente pode pagar pessoas para gestarem?
01:35Sim.
01:36Tem alguns países que é permitido.
01:38Aqui no Brasil é só voluntariamente.
01:41Aqui no Brasil é só voluntariamente.
01:42Então, a gestação de substituição é a modalidade de tratamento da reprodução assistida
01:51em que uma mulher que tenha uma contraindicação
01:55ou uma impossibilidade de gestar o seu próprio filho
02:01venha a ter uma outra pessoa para gestar esse filho para ela.
02:06Então, a sedente temporária do útero vai gerar o filho para a mãe, né?
02:13Para uma outra mulher que seja impossibilitada de gerar.
02:17E, como você falou, a resolução também amplia essa modalidade de tratamento
02:24para casais homoafetivos masculinos e para pessoas solteiras, né?
02:30Que queiram ter um filho, mas que não...
02:33Produção independente.
02:34Produção independente, né?
02:35Que não possam gerar.
02:36E aí também é permitido nesses casos.
02:39Mas a sedente temporária do útero, ela vai gestar por livre e espontânea vontade
02:46sem receber nenhum pagamento por isso.
02:50E aí quais são os casos que levam?
02:53Porque eu acho que você em casa está pensando assim.
02:55Vou ainda engravidar ou já engravidei?
02:58Esse não é um tema para mim?
02:59Só vou assistir aqui de curiosidade porque não vou precisar jamais de uma barriga solidária.
03:06Explica para a gente quais são os casos que levam alguém a precisar, então, da barriga solidária.
03:11A maioria dos casos é quando a paciente precisou retirar o seu útero.
03:17Então, ela teve alguma doença uterina ou até mesmo num parto anterior que teve um sangramento incontrolável
03:24e ela precisou retirar o útero e aí nesses casos é indiscutível, né?
03:28Ela não tem útero, ela não pode gestar.
03:30Mas existem também má-formações, né?
03:33A mulher que nasce com uma má-formação uterina em que não é possível corrigir cirurgicamente,
03:39ela não pode gestar.
03:41Existem doenças sistêmicas que podem ser agravadas pela gestação
03:48ou que a gestação pode implicar um risco de morte nessa mulher
03:52e que aí então também ela é impossibilitada de gestar o próprio filho.
03:57Mas essa mulher tendo óvulos viáveis, ela pode preservar a herança biológica dela.
04:05E a sedente do útero vai apenas gestar o bebê, mas biologicamente o filho é dela, é dessa mãe.
04:13Mas vamos entender aqui na prática como é que funciona.
04:16Então eu não consigo, por algum motivo, gestar o meu próprio filho, mas tenho óvulos viáveis, né?
04:23Então este óvulo é removido, o espermatozoide do meu parceiro é implantado neste óvulo
04:29e daí pra frente o que acontece?
04:32Então, é o tratamento de fertilização in vitro com útero de substituição.
04:37É o bebê de proveta?
04:39É, esse termo também a gente não usa mais.
04:41Eu tô entregando minha idade aqui, gente, falando termos da década de 80 e 90, mas é assim, a gente
04:48vai aprendendo.
04:49Mas é bem isso.
04:51Então, é isso que você falou, a gente vai coletar, vai estimular os óvulos com hormônio, né?
04:56Os óvulos, os folículos vão crescer, a gente vai coletar esses óvulos.
05:00O parceiro vai coletar o sêmen, a gente vai fazer a fertilização in vitro no laboratório.
05:05E aí esse embrião que se forma, ao invés de ser implantado, transferido pro útero, da mulher, né?
05:13Que é a mãe, né?
05:14Que tem a origem ali dos óvulos, vai ser colocado no útero da sedente temporária do útero, que é a
05:22barriga solidária, né?
05:24E aí esse bebê, se implantar, vai se desenvolver no útero dessa outra mulher.
05:30É, desde que, lógico, é um processo delicado, né?
05:34E a gente vai falar um pouco disso.
05:36A gente considere que todas essas pessoas estão compreendendo muito bem seus papéis e suas funções nesse processo.
05:45É, Ariely, aí entra a sua seara, porque eu fico aqui pensando.
05:50Ela antes não tinha filho, resolveu lá ceder a sua barriga pra implantar um filho de outro.
05:58Aquele bebê vai crescendo, a gente sente mexer.
06:01Quem já gestou uma criança sabe a relação que a gente tem, como muda a nossa cabeça, como muda o
06:08nosso corpo.
06:09As próprias mulheres, às vezes, lá atrás falavam, não, eu não quero ser mãe.
06:12De repente, vira uma chave.
06:14Isso acontece?
06:16E se acontecer?
06:17É, hoje, na resolução de hoje, atualmente, não é mais permitido a sedente de útero não ter filhos, né?
06:25Não que ela vai sair ilesa, né?
06:28De dispor o seu corpo pra que um filho de outra pessoa cresça dentro dela.
06:33Filho anterior, ela já tem que ter sido mãe.
06:36É, porque hoje, na resolução atual, é uma condição que a sedente de útero já tenha filho.
06:41Achei muito inteligente, porque aí a pessoa já sabe o que que passou.
06:46Não romantiza tanto a gestação, os riscos psicológicos certamente são menores.
06:51É, acho que a gente consegue, talvez, ter um pouco mais de condição de suporte nesse momento, né?
06:58Pra trabalhar todos esses envolvidos.
07:00Mas, por outro lado, assim, né, acho que é importante afirmar essa complexidade que você trouxe na pergunta.
07:10Não é qualquer coisa, mesmo que ela já tenha tido, né, uma gravidez associada à maternidade, que é a gravidez
07:17dela.
07:19Quando ela se dispõe, né, abrir seu corpo pra que outro, né, de outra pessoa, um filho de outra pessoa
07:25cresça dentro de si,
07:27isso tem implicações, isso tem efeitos em todas as áreas, biológicas, fisiológicas e também emocionais.
07:33Então, uma das coisas que a gente vai trabalhar com essa sedente de útero é justamente como que ela vai
07:41poder significar agora
07:43uma gestação que não é associada à maternidade. Como que ela vai poder separar isso?
07:49E acho que quando a gente oferece um espaço, que é, né, a nossa forma de trabalhar pra que essa
07:55sedente de útero reflita sobre esse passo,
07:57já é uma possibilidade dela elaborar essa experiência, ela dar um lugar, né, construir, talvez, qual vai ser o lugar
08:06dela nessa dinâmica familiar,
08:07que embora não é o de mãe absolutamente, mas também não é qualquer lugar, porque de todo modo, ela que
08:13vai estar ali, né, com o seu corpo,
08:16é, permitindo que um outro ser cresça, se desenvolva, né, então tem algo dela, certamente, que vai precisar estar presente
08:24e não é algo só fisiológico e biológico, tem que ter, né, uma aposta emocional.
08:29Agora, essa aposta emocional, ela precisa ser claramente separada da maternidade.
08:34Então, tem um trabalho aí a ser feito e essa é a nossa aposta.
08:38É, eu fiquei pensando no momento da separação. Pela lei, quando que ele acontece, doutora?
08:42A separação já é na hora do parto?
08:45Então, esse tratamento, desde o momento em que a gente atende o casal e a gente identifica que vai ser
08:52necessário
08:53uma sedente temporária do útero, a gente tem várias etapas, até que a gente, de fato, comece o tratamento.
08:59Então, a primeira etapa, a gente vai conversar com o casal, né, a gente oferece.
09:04Nem sempre é fácil, né, para a paciente receber essa notícia de que ela vai precisar gerar, de alguém para
09:13gerar o filho para ela.
09:15Então, né, daí já, às vezes, é necessário, né, uma elaboração.
09:19Isso é importante, né, o que ela está trazendo. De modo geral, claro que a gente estava falando que hoje
09:24a reprodução assistida,
09:26ela permite não só questões de limites de saúde, porque tem outras configurações familiares fazendo uso da reprodução assistida,
09:37como vocês estavam citando anteriormente. Mas, de forma geral, a maioria dos casos são de casais que enfrentaram limites
09:44em uma gestação natural, né, e é muito importante que essa, que esse casal, que essa mulher, ela tenha um
09:51espaço
09:52para elaborar um pouco justamente essa dificuldade, esse limite de não conseguir gerar o próprio filho no seu corpo.
10:01Então, por mais que isso já tenha, essa notícia já tenha acontecido em outro momento da vida dela,
10:07ela já não tem útero, né, neste momento de início do tratamento, que ela está às beiras ali de iniciar,
10:13isso se potencializa. Esses sentimentos, assim, que trazem um certo sofrimento de incapacidade, de frustração,
10:19mas ela construir a maternidade possível dela.
10:22E aí, esse acompanhamento psicológico. Primeiro, a gente falou de quem está gestando ali, né, da barriga solidária.
10:30E o acompanhamento dos pais também. Ele é obrigatório por lei? Ele acontece durante todo o tratamento?
10:37Ele é uma opção? Como isso se dá?
10:39O Conselho Federal de Medicina, na última resolução, ele indica claramente a importância de você ter um suporte multidisciplinar,
10:48para que, né, esses envolvidos, eles tenham uma adequação, que eles chamam, né, lá na resolução,
10:56social, médica, mas também psicológica.
10:59Nós temos, né, um protocolo de cuidado que a gente tem no nosso serviço.
11:04Isso, ele não é padronizado, até porque eu acho que isso é difícil, né,
11:08cada clínica que vai construir junto com a sua equipe, como que ela vai oferecer esse cuidado.
11:13Mas nós entendemos que quando chega um casal que tem essa indicação,
11:18o suporte, ele tem que ser antes, durante e depois do tratamento.
11:22Parto e tudo isso, tudo a gente deixa muito claro.
11:25Porque não só a sedente de útero, não só a mãe, mas também o pai.
11:31Não é fácil, diferente, às vezes, dos outros tratamentos que a gente lida na reprodução assistida,
11:36que, às vezes, o pai, ele fica no lugar assim, ah, deixa que ela decide.
11:39O que ela decidir, como a mulher, a esposa se sentir mais confortável?
11:43No caso de gestação de substituição, o marido precisa, muitas vezes, de um tempo.
11:47Pra ele se dar conta de que o filho dele vai ser gerado no corpo de uma outra mulher.
11:53De que ele não vai ter aquela proximidade que ele idealizou em algum momento, né,
11:57quando ele construiu, na imaginação, a paternidade dele.
12:01Que ele não vai estar ali dormindo, né, falando, abraçando, da mesma forma.
12:06Mas que, por outro lado, ele vai ter que acompanhar esse pré-natal com uma outra, né,
12:10com um terceiro ali, ele, a esposa e uma terceira.
12:13Eles vão? Todo mundo participa das consultas?
12:16Na medida do possível, a gente indica que essa presença...
12:19Eles têm uma convivência.
12:21Então, porque a sedente de útero, de acordo com o CFM, tem que ser uma pessoa com grau de parentesco
12:28de até quarto grau.
12:30Ah, não posso pegar alguém aleatório.
12:33Não pode.
12:33Tem que ser um familiar.
12:35A prerrogativa é essa, né, é claro que se esse casal não tiver uma pessoa que esteja disposta a gerar
12:44e que seja parente, que tem esse grau de parentesco de até quarto grau,
12:48e tenha uma outra pessoa, esse caso pode ser submetido à avaliação do Conselho Regional de Medicina.
12:56Mas a prerrogativa é que seja uma parente de até quarto grau desse casal, de um dos dois.
13:03E aí até por conta dessa proximidade, né?
13:06Aí a gente vai fazer as consultas em conjunto, o bebê nasceu, está lá na maternidade,
13:11a gente sabe da importância do aleitamento materno.
13:14Qual que é o momento da separação?
13:16Então, você perguntou e eu não terminei de responder.
13:19Mas é justamente isso, o processo, ele já é construído nesse sentido, né?
13:26Na verdade, não tem muita separação porque não teve uma fusão.
13:31As pessoas já precisam entender que desde o início ela está desempenhando um papel de gerar
13:36e que quando o bebê nascer ela vai entregar.
13:38E ela, inclusive, não só entende, tem que entender como ela assina um termo de comprometimento, né?
13:48De consentimento, em que ela atesta ali que ela entendeu que ela vai gerar um filho que não é dela
13:54e que quando esse filho nascer ela vai entregar para os pais.
13:59E que ela, né, inclusive assina, se ela for casada, o marido dela também assina.
14:05Então, esse documento é levado em cartório para que essa paciente, que é a mãe,
14:10que não está gerando, mas ao longo da gestação, ela já possa providenciar o registro do bebê no nome deles.
14:18Então, tem todo um processo que vai se organizando desde o início e ao longo da gravidez
14:24para que quando ocorra o nascimento isso já esteja muito determinado, né?
14:30Para que não seja mesmo uma surpresa, nada disso, já está tudo muito alinhado.
14:34E em relação à amamentação, nós sabemos que existem medicamentos tanto para bloquear um aleitamento, né?
14:43E que o principal é não colocar o neném para sugar, assim como existe medicamento para estimular a produção
14:48e a própria sucção do bebê.
14:51Então, a gente pode fazer um trabalho nesse sentido ao longo do pré-natal.
14:54Para a mãe doadora, portadora do óvulo, que vai ser então a mãe real da criança,
15:01possa, mesmo não tendo gerado, gestado o filho dentro da sua barriga, ela consegue amamentar?
15:07É uma tentativa.
15:08A gente consegue dar uma medicação para que aumente a prolactina, né?
15:13Que é o hormônio que gera o aleitamento e a sucção do bebê pode fazer com que ela tenha uma
15:19produção cada vez maior.
15:21E tem muitas experiências nesse sentido, né?
15:23Que tamanho o envolvimento da mãe, que é a única mãe na história, o quanto que isso é possível, né?
15:30E acontece porque, como a doutora Lays estava falando, essa separação, primeiro, precisa ser subjetiva,
15:38clara para todos os envolvidos, de qual é o lugar de cada um e a responsabilidade que é dar um
15:43passo em direção ao tratamento como esse.
15:45Então, a complexidade envolvida faz também que a equipe assuma a complexidade com muito rigor e com muito cuidado.
15:52Então, a gente entende que é um tratamento possível sim, né?
15:57Seguro para quem precisa dele, desde que todos os envolvidos tenham o devido suporte, o devido amparo pela equipe,
16:06com esse rigor, sabe?
16:07Com esse cuidado de que todos os envolvidos tenham um espaço de escuta, de reflexão.
16:13Penso que a sedente de útero, né?
16:16Ali precisa de ter essa, subjetivamente, essa separação desde o início, do que está em jogo.
16:22O casal parental também, né?
16:25Acho que precisa estar muito confiante no passo que estão dando.
16:29Então, quando eles podem falar disso, refletir sobre isso, é uma forma deles construírem para eles mesmos
16:35quais as motivações estão fazendo eles toparem essa forma de tratamento
16:40que tem implicações presentes e futuras, pessoais e sociais, né?
16:45Porque o filho deles vai estar sendo gerado em outra mulher.
16:50Laborais, porque essa sedente de útero tem um trabalho, mas ela vai precisar ser ausentada.
16:54Eu imagino, passa a gestação inteira contando histórias, explicando, dando explicação para a sociedade.
16:59E ao mesmo tempo elaborando, né?
17:00Como nós, fica muito curioso sobre o tema.
17:03E você que está aí em casa, que tem alguma dúvida, quer sugerir algum tema,
17:08pode me procurar nas redes sociais, arroba doutoralicesarcineli.
17:11Vamos para a dúvida de um dos nossos participantes.
17:17Oi, meu nome é Tuzalem, sou homossexual e tenho muita vontade de ter filhos.
17:21Eu gostaria de saber, doutora, como que eu faria para poder registrar um bebê de barriga solidária?
17:25Obrigada.
17:27E aí, doutora?
17:29Então, o registro, ele perguntou sobre o registro, né?
17:33É feito...
17:34Como que ele pode também ter, né?
17:36Um homossexual no Brasil, a senhora estava falando que é possível ele conseguir também gestar um bebê aí por uma
17:45barriga solidária e depois registrar?
17:48Sim.
17:48Então, nos casais homoafetivos masculinos, nós precisamos de uma doadora de óvulo, que pode ser anônima ou que pode também
17:58ser uma parente desse casal, de até quarto grau.
18:03E a gente precisa de... da sedente temporária de útero, que não pode ser a mesma doadora do óvulo, mas
18:10que também precisa ser uma parente de até quarto grau.
18:13Então, a primeira coisa é a gente organizar, né? Quem vai doar, porque aí tem as características.
18:19Quem vai doar tem que ser jovem, tem que ser... as duas, né? Precisam ser avaliadas do ponto de vista
18:24físico, orgânico, psicológico e depois...
18:27Ele vai conhecer quem doa?
18:30Hoje é permitido também conhecer. É possível que a doação seja entre parentes, de até quarto grau.
18:36Ou pode ser anônima.
18:38Aí vai depender se ele tem ou não a pessoa, né? E até das características, particularidades de cada tipo de
18:45tratamento.
18:46Porque quando é uma doadora conhecida, a gente precisa fazer um trabalho diferenciado do que quando é anônima, né?
18:53E aí ele, no caso, vai usar o sêmen dele.
18:57Às vezes eles querem usar o sêmen dos dois.
19:00E é possível também, desde que a gente saiba, seja possível fazer a rastreabilidade do material.
19:08Ou seja, eu usei o material dele, eu vou transferir agora o dele.
19:12Depois eu transfiro o do outro. Eu não posso colocar junto mais.
19:15E aí, o embriãozinho vai ser colocado no útero da sedente temporária, que tem que ser essa parente de até
19:22quarto grau.
19:22Mesma coisa, né? Que a gente falou, todo o trabalho tem que ser feito.
19:26Quando o bebê nascer, a gente tem esses termos de consentimento.
19:30E com esse termo e a declaração de nascido vivo, ele vai no cartório e faz o registro do bebê
19:35no nome deles.
19:37Arielle, explica pra gente.
19:38A gente já falou da saúde mental do manejo.
19:42De quem tá portando o bebê, né?
19:44De quem tá ali carregando aquele óvulo, aquele espermatozoide.
19:48A gente já falou sobre a saúde mental dos pais, né?
19:52Que vão receber essa criança e que vão criá-lo.
19:56E a cabeça da criança, como é que fica?
19:58A gente pode contar, a gente não deve contar.
20:01Essa criança tem que passar por um acompanhamento psicológico.
20:04Com que idade que a gente conta?
20:06Conta um pouquinho da sua experiência acompanhando as crianças da barriga solidária.
20:11É, claro que cada caso é sempre singular mesmo.
20:15Como cada um vai viver a experiência, cada família.
20:18Mas de todo modo, quando a gente oferece esse suporte para os envolvidos, né?
20:22Para os responsáveis, para o casal parental e para a sedente temporária de útero e os seus familiares.
20:28É porque a gente também tá entendendo que essa é a única possibilidade da gente, de fato,
20:34preparar um ambiente suficientemente bom para receber um novo membro nessa família.
20:39E quando a gente tem um ambiente satisfatório, né?
20:43Um ambiente saudável, um ambiente seguro, essa criança que vai chegar, ela já vai estar bem servida.
20:49Então, a versão que esses pais vão ter desse tratamento, se eles estão confiantes com isso,
20:55em paz com isso, é a versão que ela vai ter da própria história.
20:58Então, nesse tipo de tratamento, não tem outra condição, a não ser que essa história, ela seja fluida, contada de
21:06uma forma leve,
21:08porque essa é a história dessa criança, não é outra.
21:11E é uma história que ela já socialmente é sabida.
21:15Essa mulher sedente de útero, ela circula, né?
21:18Grávida.
21:19A mãe, o pai, eles têm toda uma vivência.
21:23E o quanto, como eles vivem essa experiência vai ser a forma como eles vão conseguir passar.
21:30Então, por isso que a gente fala, é possível esse tratamento, ele é seguro?
21:34É possível uma família se construir, se constituir a partir desse tratamento?
21:38É possível.
21:39Especialmente se a gente consegue cuidar desse ambiente que vai receber essa criança,
21:43essa criança vai ter um bom início.
21:46Os bons inícios, eles fundamentam aí todo o resto da nossa vida.
21:50É, e aí justifica mais uma vez a necessidade, não a obrigatoriedade,
21:55mas a importância dos pais realmente estarem processando isso durante todo o período gestacional
22:02e logo depois do nascimento, para eles realmente significarem essa história de uma maneira positiva.
22:08É uma responsabilidade do casal parental diante da sedente de útero e diante de todo o processo.
22:13Dar esse suporte médico e psicológico ao longo de todo o processo.
22:18Doutor, e quem está pensando aí em se candidatar como parente a ser uma barriga e solidária
22:24para alguém da sua família, até que idade, quais são os pré-requisitos
22:28para a mulher realmente poder fazer esta doação, né?
22:32O Conselho Federal de Medicina recomenda que seja até os 50 anos.
22:40Podendo ser acima dessa idade, desde que a mulher tenha uma saúde que possibilite a gestação.
22:51Então, a gente vai fazer a avaliação cardiológica, endocrinológica, e se ela estiver apta, né?
22:57Mesmo tendo mais de 50 anos, ela pode ser também acidente temporária do útero.
23:03Isso é muito comum porque muitas vezes é a mãe que quer, né?
23:07Fazer isso pela filha, né?
23:10Então, mas geralmente ela tem uma idade mais avançada.
23:14Então, a gente precisa também, lógico, preservar a vida da mãe
23:19para que ela também não corra um risco que não seja mensurado, né?
23:25Enfim, a gente tem que ter muito bom senso, né?
23:28E é, assim, uma atitude muito de amor mesmo, né?
23:33Esse ato de gerar...
23:34De entrega.
23:35De entrega, né?
23:36Geralmente, os casos que a gente já teve são de muita proximidade, de um convívio, né?
23:42Mesmo muito próximo, que a pessoa quer ajudar mesmo na realização desse sonho.
23:49Perfeito, gente!
23:51É a ciência a favor das famílias.
23:54Quero agradecer muito a vocês.
23:55Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
23:58Espero vocês na próxima edição.
24:06Tchau, tchau!

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