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  • há 2 dias
Por que os adolescentes e jovens estão tão violentos?

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Transcrição
00:00E aí a gente para pra pensar, o ano mal começou, tem o que? Uma semana, duas semanas que as
00:05crianças voltaram às aulas
00:06e a gente ia ver casos de violência se acontecendo nas escolas, nos arredores das instituições de ensino.
00:12Gente, isso é muito preocupante.
00:16Pai, mãe, vovó, você é importante no processo da educação dos nossos adolescentes.
00:22Então a gente vai bater um papo sobre esse assunto aqui no nosso estúdio.
00:26Participa com a gente porque eu recebo o capitão da polícia militar, Eliandro, é ele que faz a patrulha, gente,
00:32escolar.
00:33Também recebo o Alexandre Brito, que é psicólogo, e a Uelina Alves de Freitas.
00:38A Uelina, gente, ela é mãe de uma criança, um adolescente de 11 anos e no ano passado ele foi
00:46vítima de agressão dentro da escola.
00:49Você, como mãe, Uelina, você fica assustada quando você vê casos e mais casos de violência e detalhe, de forma,
00:58que não é a violência que a gente está falando, que antigamente acontecia, não, as coisas estão cada vez mais
01:03graves.
01:04Isso te assusta como mãe, Uelina? Boa tarde.
01:06Boa tarde.
01:07Boa tarde, me assusta muito, né? Eu fiquei muito nervosa quando eu vi a pontagem e quando vocês me contaram
01:13também.
01:15Porque eu tento ensinar para ele, né, certo. Eu não ensino ele a agredir as crianças na escola, portanto, quando
01:22ele foi agredido, ele não teve reação nenhuma.
01:24Ele não sabia nem o que fazer, porque ele ficou parado ali sentado no lugar sem saber o que fazer,
01:29né, as pessoas que ajudaram ele.
01:32Aí eu fiquei muito nervosa também quando eu soube dessa mãe.
01:35Como é que foi que aconteceu o caso do seu filho em setembro do ano passado?
01:40Bom, eles falaram que foi uma brincadeira, né, porque eu não achei isso uma brincadeira.
01:44Para mim isso é bullying, né, agressão, né.
01:48Eles, ai, ele falou assim que chegou em casa, né, apavorado, me contando que jogaram as cartinhas, né, na hora
01:57do recreio, no pátio,
01:58e quem quisesse poderia pegar.
02:00Aí ele se abaixou, pegou, aí quando ele pegou, veio vários garotos murrando, né, dizer que deu até um chute
02:07nas costelas.
02:09E ele ficou desnorteado, né, apavorado ali e não sabia nem o que fazer.
02:13Foi um coleguinha que ajudou, né.
02:16Como é que você soube desse caso?
02:18Naquele dia meu telefone tinha dado problema.
02:21Aí eu falei com ele, foi até bom ter dado problema, porque eu não sei nem o que eu ia
02:25fazer lá na escola, naquele dia.
02:28Aí, quando ele chegou chorando, o que me contou, né, o que aconteceu?
02:31Fiquei muito nervosa, não sabia nem para onde ir.
02:34Aí no outro dia eu fui na escola, né, tirar satisfações, né, para saber o que aconteceu, né.
02:39E ele ficou com hematomas, ficou marcado?
02:42Ficou, ficou com alguns roxos, né, e a costela assim ficou bem vermelha.
02:47Aí no outro dia a gente foi, né, na delegacia fazer o BO, né.
02:51Pois é, a gente não vê brincadeira nisso, né, a gente vê maldade.
02:56Isso não é brincadeira.
02:57A partir do momento que o outro sofre, isso é maldade.
02:59Independentemente, às vezes é assim que começa a crescer uma certa desavença que pode se arrastar.
03:04E infelizmente a gente noticia casos cada vez mais perigosos.
03:10Alexandre, o que explica esse aumento?
03:12Praticamente, uma vez por mês a gente está aqui falando desse assunto.
03:17Boa tarde.
03:18Boa tarde, Roberto.
03:18É muito triste, né, a gente vê a propagação de situações de violência.
03:24E violências, pessoal, não há brincadeira quando você fala em violência como você trouxe, né.
03:31Brincadeira sem graça não é brincadeira.
03:34Então a gente tem visto que essa violência está cada vez maior.
03:38O discurso extremista está cada vez maior.
03:42Os discursos de ódio estão cada vez maiores.
03:45A intolerância em relação ao outro está cada vez maior.
03:49E algo que tem acontecido que também é inversamente proporcional.
03:53Os diálogos estão menores.
03:55A educação e direitos humanos estão menores.
03:58A aproximação, muitas vezes, em pessoas que moram dentro da mesma casa estão menores.
04:04Então, tudo isso, de alguma forma, vai criando condições, situações, que nem uma receita de bolo,
04:12para que a violência de algum momento aconteça.
04:15Ela não acontece de uma hora para outra, da noite para o dia, do nada.
04:19Ela precisa de certas condições que vão, de alguma forma, propiciar para que ela apareça.
04:25Então, se houve uma violência, a gente pode tentar entender quais foram os elementos, os ingredientes para ela surgir.
04:34Então, tudo isso, essa falta de atenção a essas situações e que o filho ou o aluno demonstra,
04:41ou um isolamento, isso é muito comum esse comportamento,
04:44porque do isolamento pode vir, pode vir uma violência também.
04:48falar dos sentimentos.
04:51A escola, ela não pode ser tratada, Roberta, como algo fechado.
04:55Ela tem que entender que ela é incompleta, que ela tem limites.
04:58E aí, ela vai acionar outros parceiros, como a própria Polícia Militar,
05:03com várias ações preventivas de discursos e palestras,
05:08ou algumas palestras também, ou ações entre alunos.
05:12Promover que os próprios alunos, às vezes, façam grupos de apoio entre eles,
05:18que possam ter uma espécie de centro acadêmico feito pelos próprios alunos
05:22para debater algum assunto em relação com a coordenação, com a diretoria.
05:27Tudo isso ajuda.
05:28E ter a comunicação não violenta.
05:31Ela trouxe uma coisa muito importante que eu prestei atenção,
05:34que foi o seguinte, ela disse assim,
05:36meu filho não sabia nem o que fazer.
05:38Tem outros pais que dizem, se bater, você devolve,
05:42e se não, apanha de novo em casa.
05:44Isso, pessoal, por mais que pareça inocente,
05:48isso propaga a agressão, a violência.
05:51E, às vezes, a criança ou o adolescente, ele nem sabe,
05:55não tem interesse na violência, mas ele acaba tentando
05:58se enveredar pela violência, porque em casa disseram isso para ele.
06:02Então, a casa, a escola, a sociedade e as outras instituições,
06:07eu vejo que isso é uma responsabilidade de todos nós.
06:11Tanto o acesso da informação que os jovens têm hoje,
06:14quanto ao acesso a coisas também que podem promover uma violência como uma arma.
06:20Tudo isso é perigoso.
06:21Inclusive, Alexandre, eu quero que daqui a pouquinho você explique para a gente
06:24como que nós devemos agir com os nossos filhos nessas horas,
06:28porque, ao mesmo tempo que a gente precisa, sim,
06:32encorajá-los para lidar com a realidade, se isso acontecer,
06:35mas como que a gente também não estimula a violência,
06:38como que eles saem pela tangente nessas horas
06:40e como que a gente ensina isso para eles, o que não é fácil.
06:43Mas, antes, Capitão Eliado, obrigada pela sua participação.
06:46A gente agradece muito, até porque a Polícia Militar tem um papel muito importante.
06:51Existe a patrulha escolar e vocês atuam especificamente nesses casos.
06:56Explica para a gente qual é o papel da patrulha
06:58e como que isso chega até vocês.
07:00Boa tarde a todos.
07:02A Patrulha Escolar tem uma atuação desde 2010
07:08e foi uma atuação, ela foi sendo desenvolvida ao longo desses anos,
07:14traduzindo isso num formato específico de atendimento às escolas.
07:19Foram experiências compartilhadas entre policiais militares, professores, diretores,
07:24que nos moldou a atender a escola e a enxergar a escola como palco de transformação,
07:30principalmente na questão da segurança e da violência.
07:33Então, o nosso trabalho, nós focamos essencialmente na prevenção.
07:38Estamos diariamente nas escolas públicas, estaduais,
07:42através das visitas tranquilizadoras,
07:44que a nossa maior atenção é a presença...
07:47Então, é um trabalho de prevenção.
07:48Prevenção.
07:49Palestras de diversos temas, reuniões de conciliação.
07:55Sempre quando acontece um problema envolvendo um aluno, um ato infracional,
08:00nós somos acionados pela escola para participarmos juntos com os envolvidos,
08:04com os responsáveis, com a escola.
08:06Primeiro para refletir no que aconteceu e para buscar mecanismos
08:09que impeçam que aquilo volte a repetir.
08:12Nesse caso de hoje, como evitar que esses casos, como esse de Aracruz, aconteçam, capitão?
08:20Então, os ingredientes já foram trazidos aqui com a sua abertura,
08:24chamando a atenção dos pais, dos responsáveis.
08:26O nosso colega aqui já trouxe também, que é a questão do envolvimento,
08:31não só da escola, dos alunos especificamente, também da família.
08:35O diálogo, ele é fundamental.
08:37A Constituição Federal nos diz que a segurança é obrigação, é dever do Estado,
08:44é obrigação do Estado, mas é um direito e dever de todos.
08:48E não é à toa isso.
08:49Nós só vamos conseguir vencer a questão da violência se todos estiverem participando,
08:56se todos estiverem envolvidos.
08:57Só o poder público não consegue, apenas o poder público.
09:02Precisa da participação da família.
09:03Então, os ingredientes já foram trazidos, a família estar atento,
09:07tanto para quem está sofrendo a violência, quanto para quem está praticando.
09:11Porque quem pratica também pode sofrer a violência no futuro.
09:15Então, o essencial aqui que nós enxergamos, a escola está bem preparada,
09:19os profissionais da escola.
09:21A questão de segurança, e aí eu não digo nem trazer a segurança com a luz
09:28sobre a insegurança ou violência, mas com foco na proteção.
09:31Então, isso precisa ser mais discutido nas escolas.
09:35A proteção, como é que eu vou proteger o meu espaço escolar?
09:39E aí é preciso que os profissionais da escola sejam capacitados para isso,
09:44para entender o contexto que acontece a violência,
09:47para aí sim divulgar ou conversar com os alunos medidas de proteção.
09:53Você trouxe um ponto importante, né?
09:55Que é preciso que os profissionais da escola sejam também capacitados para isso.
09:59Olha só, não é sozinho, né? Não é um fato isolado.
10:03A gente está falando aqui da família, a gente está falando aqui dos profissionais da escola,
10:07a gente está falando aqui da atuação da polícia.
10:10Então, são vários agentes.
10:12E aí eu te pergunto, mãe, você, quando a escola te chamou,
10:17quando você teve esse contato com a escola,
10:19você sentiu que eles estavam preparados para tanto trabalhar isso no pós com os alunos envolvidos,
10:27quanto para ter o acolhimento, principalmente a vítima?
10:32Eu senti sim, porque ela me acolheu bem, né?
10:36Cuidou dele.
10:37Eles tentaram me ligar, só que como meu telefone tinha dado problema, não conseguiram.
10:42Aí na hora que ele chegou da escola, que eu fui saber, né?
10:44Mas eles deveriam ter mandado ele vir embora, mas deixaram ele lá até o final da aula.
10:49E isso que eu achei errado.
10:51E você tem notícias de como isso refletiu depois na escola?
10:56Como que esses alunos agressores foram trabalhados?
11:00Te deram alguma satisfação a respeito desse assunto?
11:03Não.
11:04Não me falaram nada.
11:05Se fizeram alguma coisa...
11:06Mas assim, enquanto a ele, né?
11:09Eu falei com ela, se caso acontecesse alguma coisa, né?
11:12Para eles me informarem, né?
11:15Mas com ele ficou tranquilo, não incomodaram ele mais, né?
11:19Aí ficou até o resto do ano, né?
11:21É esse ano que eu quis mudar ele de horário, né?
11:24Por conta desse fato?
11:25Isso.
11:26Porque durante a tarde estuda muito menino grande.
11:29Aí de manhã estuda menores, né?
11:32Aí eu achei melhor.
11:32Quer dizer, precisou retirar o seu filho daquele ambiente escolar que ele já estava adaptado
11:39com os alunos ao longo do ano, com os professores, né?
11:42Que ele já está acostumado.
11:44Opa, além do trauma que ele viveu, precisou ser retirado desse ambiente.
11:49Olha só as consequências.
11:50Fora que isso ainda pode traumatizá-lo futuramente.
11:53Você percebe algum resquício nele de traumas depois desse evento?
11:59Até graças a Deus, porque eu converso muito com ele, né?
12:02Sobre isso, para me contar tudo.
12:03Desde quando entrou no pré.
12:05Eu já ia ensinando tudo que acontecesse para me contar.
12:08Se caso acontecesse alguma coisa lá dentro da escola, eu preciso avisar o coordenador,
12:12o professor, né?
12:13Para eles tomarem a providência.
12:14Se eles não resolvessem, para chegar em mim, né?
12:17E falar.
12:18Aí sempre foi assim.
12:19Aí por isso que quando ele chegou, me contou tudinho.
12:21Mas ele chegou chorando muito, muito nervoso.
12:24Imagina, certamente é algo que ele vai carregar, uma memória, pelo menos uma memória que
12:29ele vai carregar para o resto da vida.
12:31E Alexandre, não é apenas o filho dela.
12:34A gente tem vários outros casos.
12:36Se eu pegar aqui para ler no Facebook, se você já sofreu alguma agressão na escola,
12:40o seu filho conta para a gente quais são os traumas que a pessoa pode carregar para a vida
12:44e que tipo de acolhimento que ela precisa.
12:46Quando uma criança ou um jovem passa por isso, ela não consegue lidar da mesma forma
12:53que um adulto.
12:54O adulto já tem dificuldade para lidar em situações de violência, como por exemplo
12:57o assalto, uma agressão, etc.
12:59Imagina uma criança que não tem todo aquele suporte ainda para elaborar de alguma forma
13:04isso que ela passou.
13:06Então, o que pode ficar, pessoal, é sempre o que a gente chama de pós-traumático.
13:10E o pós-traumático não é necessariamente no dia ou no dia seguinte ou na mesma semana.
13:16pode ir se desenvolvendo com o tempo.
13:19Pode, inclusive, dar sinais depois de um mês, dois meses, três meses, com sinais de
13:25medo, insônia, isolamento, não querer mais ter relação social, querer evitar aquele ambiente
13:31que foi traumático.
13:33Tudo isso pode aparecer na criança.
13:36Ela pode também ter sinais corporais, tremores, começar a ter uma dor de barriga, uma dor de
13:41cabeça, uma prisão de ventre, etc.
13:44Ou manchas na pele, inclusive.
13:47Então, ele pode mostrar esses sinais, mas o acolhimento dos pais, da família, da escola,
13:53das instituições pode fazer com que ela tenha saídas melhores, que não adoeça, que
14:00não paralise a vida.
14:02Então, é muito importante falar sobre o assunto.
14:04A palavra tem um poder que a gente, às vezes, subestima, mas fala inesgotavelmente sobre
14:10o tema, sobre o que aconteceu, para que não tenha esse fantasma de que pode acontecer de
14:16novo.
14:17Isso pode até mesmo se arrastar até a vida profissional dele?
14:20Pode se arrastar para a vida profissional e relacionamentos amorosos.
14:24Pode se arrastar para amizades, porque ele pode começar a repetir situações em que
14:33ele viveu.
14:35Então, isso acontece.
14:36Isso não é senso comum, mas, às vezes, acontece o quê?
14:39De eu ter vivido uma experiência traumática e, às vezes, isso se torna um looping.
14:44Começa a se repetir na minha vida essa situação, inclusive, seja em sonho ou seja em comportamento.
14:50Então, é muito importante que trate isso.
14:53Se for necessário também, não hesite em pedir ajuda profissional, procurar um profissional
14:59da psicologia para tratar esse assunto, para que ele não se arraste como você trouxe.
15:06Olha só, Gilberto Marcelino participa com a gente.
15:08Inclusive, o Gilberto já esteve aqui no programa.
15:10Ele foi professor durante muitos anos.
15:12Um beijo, Gilberto.
15:13Obrigada pela sua participação.
15:15Ele diz aqui, ó, aconteceu comigo em sala de aula.
15:17Um aluno quebrou uma cadeira nas costas de uma menina.
15:21Fiquei horrorizado.
15:23Capitão Leandro, nesses casos, né, depois que aconteceu uma situação como essa de hoje
15:30também, a gente vê que um desses adolescentes, o pai, assinou um termo circunstanciado.
15:37O que isso significa?
15:39E a gente se pergunta, né, e se tiver uma reincidência?
15:44Porque se a pessoa tem esse perfil, será que ela pode fazer isso de novo, né?
15:47Como que essa criança, esse adolescente, como que ele é monitorado?
15:51Existe algo nesse sentido?
15:53A questão do termo circunstanciado, os encaminhamentos que foram dados para os dois adolescentes envolvidos
15:59é uma questão legal, né?
16:02É o que está previsto no Código de Processo Penal.
16:04E o que o delegado fez foi simplesmente seguir o que ali prevê.
16:10A questão do que é feito pós, é um acompanhamento, realmente, por exemplo, esses alunos, de acordo
16:19com o regimento escolar das escolas públicas estaduais, como ele praticou um ato infracional,
16:24ele vai ser submetido ao conselho de escola para receber ali o que é previsto enquanto sanção
16:30no regimento, que é a transferência compulsória e cinco dias de suspensão, né?
16:37Vai depender do parecer do conselho.
16:40Se assim for, ele vai ser transferido daquela escola para uma outra escola e aí nós precisamos
16:46acompanhar.
16:47Nós estamos lá na Patrulha Escolar, nós estamos criando um sistema que nós monitoramos esses
16:53casos mais graves para acompanhar o dia a dia dos alunos e tentar levar uma certa tranquilidade
16:59para aquelas escolas.
17:01Vamos ampliar o atendimento na escola que foi alvo dessa situação, vamos entrar ali com
17:07medidas preventivas através de palestras sobre violência, sobre regimento e tentar conduzir
17:14dessa forma, na maneira mais preventiva possível.
17:16A Maricida Bosch também participa com a gente, ela conta que já aconteceu também com a filha
17:22dela, ela já foi vítima de uma agressão no ambiente escolar, mas graças a Deus não
17:27teve trauma, o Tony Santos participa com a gente, ele diz boa tarde, boa tarde Tony, ele
17:33conta que já trabalhou como vigilante na rede estadual de ensino, às vezes, olha só
17:38esse relato, hein?
17:39Pai e mãe, presta atenção, ele diz que às vezes os pais vão à escola brigar com o
17:46professor por corrigir o comportamento do aluno.
17:50Tudo começa em casa, em casa se educa, a escola só transfere conhecimento.
17:55É claro que tudo tem limite, né?
17:57O que o professor fez com o seu filho, claro que tudo tem limite, mas a gente sabe também
18:03que acontecem sim casos dos pais não quererem enxergar, Alexandre, o filho que estão criando
18:11em casa.
18:12É muito comum isso?
18:14Ah, super!
18:14É a coisa mais comum que tem.
18:17É você ter uma versão, às vezes, ideal do seu filho e não a versão real.
18:21É muito comum também você não querer, às vezes, educá-lo por meio da frustração,
18:27mas a frustração é inevitável.
18:28Seu filho vai ter com ou sem você, que seja contigo, que aí você também educa para
18:33ele saber se comportar diante dela.
18:36Muitas vezes, alguns pais chegam na escola e perguntam para o professor, como que eu posso
18:40te ajudar na educação do meu filho?
18:42Só que é o contrário.
18:44É o professor que tem que perguntar para os pais como eu posso ajudar de alguma
18:47forma nessa educação.
18:49E alguns pais também não suportam outras pessoas que venham a colocar alguns limites
18:54nos filhos.
18:55E ao invés de ouvir o professor como uma autoridade em sala de aula, que não é necessariamente
19:02autoritário, mas autoridade, aquela pessoa e figura de respeito que a gente se espelha
19:07e todo mundo tem aquele professor que nunca mais esquece.
19:10Então, muitas vezes, o pai, ao invés de escutar esse professor, escuta o filho e não escuta
19:15duas versões e acaba ali criando uma situação ruim, que não é de diálogo.
19:21Quando você não faz o diálogo com alguém envolvendo o seu filho, você está ensinando
19:26para o seu filho a não dialogar.
19:28Então, já é uma lição que você dá para o seu filho com os seus gestos.
19:32Então, é muito importante que possa, às vezes, dar esse passo atrás, não agir na impulsividade
19:38e demonstrar que, realmente, o diálogo, a prevenção ou, se já aconteceu algo de ruim,
19:45a mediação de conflito, que ela seja feita também.
19:49Então, é muito importante que os pais se atentem nessa forma de lidar.
19:54Porque não existe manual para ser pai e mãe.
19:56A gente vai se construindo como pai e mãe.
19:59Mas que isso seja feito da forma mais democrática, dialogada possível.
20:04Que você seja autoritário.
20:05Não.
20:06Autoridade.
20:07Então, isso é importante para que você possa lidar com as relações que o seu filho estabelece.
20:13A Marina participa com a gente.
20:15Ela diz, infelizmente, Roberto, eu vejo muito isso nas escolas, nas creches.
20:20Também tem aqui o comentário da Conceição de Cássia Paterline falando,
20:24patrulha escolar, orgulho da PM.
20:27Daqui a pouco a gente tem a Cássia participando aqui com a gente.
20:30A Marina Penincha conta também que aconteceu com o filho dela na escola.
20:35Ele sofreu ameaça com a mãe de uma das alunas dentro da escola.
20:42Porém, uma pessoa que trabalhava lá dentro viu tudo o que aconteceu.
20:46Ela foi até a delegacia, deu parte da mãe pela ameaça, né?
20:51E infelizmente, diz ela aqui, que ficou por isso mesmo.
20:55Qual a importância da gente levar esses casos adiante?
20:58Como saber?
20:59Como que a gente consegue cobrar até mais das nossas autoridades?
21:02Se aquilo está tendo um andamento?
21:04Porque a outra pessoa, ela precisa entender que aquilo que ela fez é um crime.
21:12Então, é importante levar as autoridades.
21:16Não pode deixar de levar esse conhecimento.
21:19As escolas públicas estaduais, via de regra, acionam a patrulha escolar.
21:24Nós vamos até o local e damos o encaminhamento.
21:26E a escola precisa, aquelas que possuem o regimento escolar, precisam aplicar.
21:34A transferência, alguns, há algum tempo atrás, enxergavam como algo de transferência de problema.
21:41Mas nós achamos, nós entendemos que é uma ferramenta muito eficaz.
21:46Porque você tira o aluno que está totalmente ambientado naquele cenário onde ele tem público,
21:51e quando ele tem plateia para as suas ações, para os seus atos infracionais,
21:56tira ele daquele ambiente e coloque em um ambiente totalmente novo, onde ele não domina.
22:00E ali ele vai ter que começar a se enquadrar dentro das normas da escola.
22:05Então, uma das ferramentas importantes que nós entendemos é essa questão.
22:11Levou até o conhecimento da autoridade, a escola precisa aplicar a regra que ela tem.
22:16E dentre elas é a transferência.
22:18Não como punição apenas, mas como uma tentativa de dar uma nova oportunidade.
22:23Para quem cometeu o ato infracional, ou a violência, ou o ato indisciplinar grave.
22:29E também para quem, para a escola como um todo, para trazer a tranquilidade.
22:33E aí, deixa eu agora ver aqui com a mãe, com a Helena, né?
22:37Se depois de todo esse processo, como que você trata esse assunto hoje com o seu filho,
22:44caso ele venha a ser uma nova vítima?
22:47Você há algum preparo com ele?
22:51É o que eu sempre converso com ele, né?
22:53Tudo que acontece na escola, me conte.
22:56Se aconteceu alguma coisa.
22:58Até encontro os professores mesmo, né?
23:01Se o professor falou alguma coisa que não foi certa, você chega em mim e fala.
23:04Se os alunos fizeram alguma coisa que a escola não resolveu, você chega em mim e fala.
23:08Primeiro você tenta resolver na escola.
23:10Com o coordenador, com a professora.
23:12Se eles não resolveram, você vem e me conta.
23:15Aí eu vou lá e converso com eles, né?
23:17Para ver o que fazer, né?
23:18É sempre essa orientação que eu tenho.
23:19Mas nunca mandei ele bater em ninguém.
23:22Porque eu falei com ele que não é para bater, né?
23:24Porque não é certo.
23:25E aí, Alexandre?
23:26Como, aquela pergunta que tinha ficado no ar, né?
23:28Como que ao mesmo tempo que a gente pode contribuir para a formação dos nossos filhos, a lidar
23:36com os problemas, com os conflitos, mas como que a gente também fala assim, opa, por aí
23:40não é o caminho certo também.
23:43É importante que, principalmente na educação de meninos, eles entendam que ser homem não
23:49é ser machão, não é ser violento, não é levar desaforo para casa, não é você
23:56reagir na mesma moeda.
23:58Essa educação para o masculino também é muito agressiva, muito tóxica, né?
24:03Ela é muito complicada.
24:05Isso, às vezes, faz com que os meninos, eles se enfrentem como se isso fosse uma necessidade
24:11de mostrar sua masculinidade ou coisa assim.
24:15Então, muitas vezes, o que os pais podem orientar para que isso não aconteça também,
24:20é que entender que, às vezes, fugir de uma situação não significa covardia, não
24:25significa que você está sendo menos homem, enfim, se tiver uma situação que você oriente
24:32para que ele entre em contato com os adultos responsáveis imediatamente, para que ele não
24:37necessariamente reaja na mesma moeda, que se precisar fugir, sair da cena, desse ambiente,
24:44que ele saia, inclusive não tenha vergonha de sair, como se fosse ali um fracasso, um
24:49perdedor, ou menos homem por isso, e que ele também tenha a possibilidade de ter diálogo
24:56em casa.
24:57Os pais não podem pedir que os filhos contem tudo e, assim que eles contem, contam, você
25:03briga com ele.
25:04Não faz sentido.
25:05Então, você tem que acolher para que ele continue tendo você como aquele confidente, uma certa
25:10relação até de amizade, de intimidade.
25:14Os pais têm que saber lidar com as piores atitudes dos filhos.
25:19Inclusive, aquilo que você reprovaria nele, você tem que saber como lidar, porque se você
25:25reprova de imediato, se você já põe um castigo, se você já não aceita o que ele
25:29fala, ele vai parar de falar.
25:32Então, é importante que os pais saibam lidar com o que tem de melhor e o que tem de pior
25:40nos filhos, porque, às vezes, esse filho não é só vítima, ele pode ser um futuro
25:43agressor também.
25:44Então, você precisa ter esse contato com ele.
25:48A gente tem visto tanto esses perfis de quem agride, tem um isolamento, não consegue
25:53falar sobre as intimidades, emoções, sexualidade, falar sobre o que está passando, dificuldades
25:59escolares na relação com o outro, etc, etc.
26:01Então, essas dicas de que necessariamente fugir não te faz ser covarde, pedir ajuda a um
26:09adulto também não faz com que você seja fraco ou fraca e poder ter essa intimidade
26:14de conversar com os pais em casa sem que a hostilidade seja reproduzida em ambiente familiar.
26:21Capitão Leandro, além desse caso de hoje de Aracruz que a gente já noticiou, infelizmente
26:27não é a única notícia do dia que nos assusta.
26:30Um estudante, também adolescente, agora na serra, encontraram com ele, gente, um simulacro
26:37de arma de fogo.
26:39Ok, ali era um simulacro, né?
26:41E aí a gente pensa, o que esses meninos estão levando para a escola?
26:46Antigamente a gente levava brinquedo escondido na mochila.
26:51Hoje, essas crianças estão levando o que é o que para elas?
26:56Como que elas encaram isso?
26:58Como um brinquedo?
27:00Ou elas encaram isso, ele sendo maioral?
27:03E a gente se pergunta, como que essas armas chegam até essas crianças e adolescentes?
27:09Você que lida com esses casos, o que você pode trazer de informação para a gente?
27:13Então, a questão de andar com simulacro é muito pertinente ao que o doutor aqui acabou
27:20de falar, em relação à representatividade de masculinidade, de imponência, de domínio
27:27do ambiente.
27:29Então, uma criança, um adolescente, um jovem que quer levar um simulacro é para dizer
27:35que ele ali tem uma certa autoridade para praticar até ameaça.
27:39Então, isso é muito grave, é tão grave quanto uma arma de fogo, porque, querendo
27:44ou não, é uma forma de violência.
27:46O acesso às armas hoje é complicado, porque nós temos aqui um mercado negro que funciona,
27:53infelizmente.
27:55Nós temos diversas apreensões, a polícia militar faz diariamente diversas apreensões
28:01de armas de fogo, e há algo que parece que não acaba.
28:07Então, nós temos nosso sistema, a nossa agência de inteligência da polícia militar
28:11funcionando a todo tempo, integração com a polícia civil, investigações sendo realizadas,
28:16grandes apreensões, às vezes milhares de armas de fogo.
28:20Um detalhe, eles sabem usar, né?
28:22Sabem usar.
28:22Mas aí que está a grande questão da segurança pública, nós precisamos começar a olhar
28:29com uma ótica um pouco invertida sobre o que hoje tem uma atuação muito intensa, não
28:37só por parte de todo o aparato de segurança pública, mas até pelas cobranças que hoje
28:43existem da sociedade, enfim.
28:45Então, nós temos uma visão, uma ótica muito grande da questão da repressão.
28:49Ou seja, aquilo já aconteceu, está acontecendo, a gente precisa dar uma resposta.
28:54Temos que começar a olhar o antes.
28:57Como evitar que uma criança tenha acesso à arma, não por encontrar uma arma de fogo
29:04disponível, mas por fortalecê-la a ponto de, se alguém ofereceu, se estiver ali, ela
29:09não usar.
29:10É a questão da prevenção, essencialmente.
29:13Porque, a partir do momento que eu educo, eu ensino, em todas as camadas da sociedade,
29:18da família, na escola, eu tenho referência, eu ensino para aquela criança o que é certo
29:23e o que é errado, eu consigo trazer ela para o nosso lado, o lado do bem, não importa
29:28se alguém vai oferecer ou se está ali disponível.
29:30Ela não vai aceitar aquela arma de fogo.
29:33Então, nós temos que começar...
29:35Entender que aquilo não pertence a ela.
29:37Exatamente.
29:37Então, nós...
29:38Eu cresci com medo de arma de fogo, né?
29:40A gente cresce porque não, distância disso.
29:43E é esse o entendimento.
29:44É esse o entendimento, inclusive, da patrulha escolar.
29:46Nós estamos a todo tempo dentro da escola, com o nosso formato de atendimento, trazendo
29:52ou tentando trazer o tempo todo as adolescentes para o nosso lado.
29:55Para que ele entenda que a polícia militar está ali para ajudar e para evitar que ele sucumba
30:02à questão da criminalidade, do incorreto e passe a ter o correto como o guia, como o norte dele.
30:08Tá certo, gente.
30:09Obrigada pela participação de vocês.
30:11E nos resta, enquanto pai, mãe, é o quê?
30:16É muita oração pelos nossos filhos, né?
30:18Não é assim que você dorme e acorda, Wesley?
30:20É desse jeito.
30:21É desse jeito, né?
30:22Eu, inclusive, ao sair de casa, ao chegar em casa, a gente pede para Deus o tempo inteiro
30:26proteção para os nossos filhos, porque até mesmo os nossos telespectadores falaram
30:30aqui, antigamente, a escola era o lugar mais seguro do mundo.
30:34E, infelizmente, não é isso que a gente vê hoje.
30:38Obrigada pela participação de vocês, tá?

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