- há 3 semanas
Uma aluna foi espancada por vários estudantes dentro da escola.
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NotíciasTranscrição
00:00Vamos falar o seguinte, presta atenção, a violência nas escolas, a agressividade entre os estudantes,
00:06os pais não estão sabendo lidar com esses problemas.
00:12Muitas vezes, nem a escola sabe como lidar com isso, não é verdade?
00:18Principalmente, como já se disse, aí pós-pandemia, tudo é muito novo,
00:22então as crianças estão indo para a escola com um temperamento ainda mais exaustivo.
00:27Vamos bater um papo sobre esse assunto? Vem cá, senta aí na sua casa, eu vou sentar aqui no nosso
00:31estúdio,
00:32porque eu recebo o psicólogo Alexandre Brito. Obrigada mais uma vez pela sua presença, Alexandre.
00:37Obrigado, Roberto.
00:38Alexandre, o que explica, né, pós-pandemia principalmente, o GSE acabou de falar de mais um caso que ele atendeu
00:45hoje de manhã,
00:46esse outro que a gente mostrou, daqui a pouco a gente vai lembrar de outros também,
00:50o que está explicando essa violência gritante, frequente entre os estudantes?
00:55Pois bem, de fato, ele fez uma ótima observação quando ele fez essa alegação da pandemia,
01:01que teve o distanciamento escolar, o distanciamento social, uma dificuldade em algumas relações sociais,
01:08e também dessa cultura escolar, presencial, etc.
01:12E tem havido essa retomada das escolas, retomada da convivência,
01:17retomada de assuntos que muitas vezes não eram tão urgentes enquanto estavam ali,
01:22talvez no isolamento social, com a suspensão de escola, ou com atividades online, etc.
01:27Então, a gente vai percebendo que essa retomada pode agravar, não causar, mas agravar,
01:33justamente essa situação de violência e dificuldade na convivência.
01:37Então, tudo isso acaba sendo um problema que traz a responsabilidade da família,
01:43da escola, da comunidade, das políticas públicas, enfim, de uma gestão maior disso também,
01:49para que possa haver uma atenção justamente a essa nova vida escolar, vamos dizer assim.
01:56Não é um retorno às aulas como era antes.
01:59A gente sabe que não, porque tivemos muitas consequências, né, Roberta?
02:03Muitos sintomas que foram aparecendo, como ansiedade, fobia social, dificuldade de aprendizado,
02:08que foram se desenvolvendo ao longo dessa pandemia, assim que ela teve o seu ápice com quarentena e isolamento social.
02:17Então, tudo isso é preciso retomar essa atenção, a gente perceber a necessidade de uma arte da convivência,
02:24conviver de um outro modo, não naturalizar a violência, não banalizar o bullying, enfim.
02:32Tudo isso são temas que a gente vai ter que trabalhar para que a gente possa, assim, fazer uma retomada
02:38a esses estudos e convivência entre os jovens.
02:40Olha só, tem alguns pais e mães aqui até questionando, falando da pandemia,
02:45falando, não, gente, isso é falta de atitude de muitos pais que não educam seus filhos.
02:49É até o comentário da Lili Flores, né?
02:51Também tem o comentário da Fabiola, ela diz que vê filhos mandando nos pais e que os pais não estão
02:58nem aí, né?
02:59E depois vem todas essas consequências.
03:01Tudo bem, somado à pandemia, porque a gente sabe o quanto isso gerou uma ansiedade,
03:07realmente não só nas crianças, mas em nós adultos também, somado a isso.
03:11Mas existe também esse fator da responsabilidade dos pais em educar os filhos,
03:17porque aquilo que a gente vive e vê dentro de casa, a gente acaba também replicando no ambiente escolar?
03:23Pois bem, por isso que eu usei até a expressão agravou e não causou,
03:27porque, de fato, não é uma ausência de violência antes da pandemia, né?
03:33Então, é justamente a possibilidade de ter agravado esse quadro,
03:38porque tem uma importância da participação familiar muito grande nesse campo da educação.
03:44Afinal, quem educa é a família, é a comunidade.
03:47A escola escolariza.
03:49Então, é importante até a gente fazer essa distinção,
03:51apesar de ter atividades no ambiente escolar que contribuem para a educação também.
03:57Então, essa presença da família gerando o quê?
04:00Uma comunicação entre os filhos, uma comunicação não violenta,
04:03conhecer os filhos, conhecer os ambientes que eles estão frequentando,
04:08os colegas que eles estão ali convivendo,
04:10saber as dificuldades que eles estão também passando,
04:14de acordo com a idade também.
04:15Se for um jovem, um adolescente, tem muitas coisas acontecendo, né?
04:20Começando a conhecer mundos novos, começando a criar grupos.
04:24E você vê que o adolescente trabalha e vive muito em grupos e é altamente influenciável.
04:30Então, tudo isso, de fato, é muito importante.
04:32Uma família que seja uma autoridade, mas não autoritária.
04:37E isso que é fundamental.
04:38Agora, olha só esse caso, gente.
04:41Não, para.
04:42Um jovem confessou ter matado uma professora por vingança.
04:47Olha isso.
04:48A gente não está falando só de uma briga.
04:50Olha que ponto isso chegou.
04:52Isso aconteceu em Goiás.
04:53Ele disse que guardava rancor do tempo em que estudava
04:56e aí a professora reclamava do comportamento dele,
05:00incluindo o uso de drogas.
05:03Imagens do circuito de segurança mostram um assassino de bicicleta
05:07fugindo pelas ruas da cidade durante a madrugada.
05:10Henrique Marcos de Oliveira, de 24 anos,
05:13foi preso ainda com a arma do crime
05:15e confessou para a polícia que matou a professora.
05:19Por causa de intriga, de motivação de intriga mesmo,
05:23de escola, essas coisas.
05:24Cleide Aparecida dos Santos tinha 60 anos.
05:27Era diretora dessa escola em Inhumas, a 50 quilômetros de Goiânia.
05:33Henrique de Oliveira é ex-aluno da escola.
05:35Ao ser preso, contou aos policiais que na época de estudante
05:39queria usar drogas dentro do colégio,
05:42mas era proibido pela professora.
05:44Esse seria o motivo de ter invadido a casa da vítima
05:47durante a madrugada.
05:49Ele usou uma faca e feriu a professora e o filho dela,
05:52de 20 anos.
05:54Ano passado, ela era professora dele.
05:56E segundo ele, chamava muita atenção dele.
05:59Ele confessou que vendia drogas ali,
06:02por conta disso também sofria essa reprimenda.
06:05Ele nos relatou que guardava uma raiva,
06:08um rancor muito grande.
06:09Cleide foi socorrida ainda com vida,
06:12mas morreu no hospital.
06:13O filho está fora de perigo.
06:15Danilva era colega de trabalho da professora Cleide
06:18há quase três décadas.
06:20E também perdeu as contas de quantas vezes já foi ameaçada.
06:25Inclusive, pelo mesmo ex-aluno.
06:27Ele estava com uma arma mostrando para o outro aluno.
06:32Eu virei para trás, ele virou para mim e falou assim,
06:34você viu alguma coisa, professora?
06:36Eu falei assim, não, não vi nada não.
06:39Mas só que nessa hora eu já fiquei desconcertada.
06:44O que eu me pergunto quando eu vejo um caso assim, Alexandre?
06:48Onde que nós pais, aonde que a gente está errando,
06:51que a gente vê que as crianças de hoje não sabem lidar com frustrações,
06:55não sabem lidar com o não,
06:58não aceitam ser chamada atenção.
07:00Onde que a gente está errando?
07:01Tem muita dificuldade na educação,
07:04porque parece que o acesso às coisas aumentou,
07:07a velocidade para você ter as coisas também aumentou.
07:10Então, acaba que isso faz com que diminua algumas responsabilidades.
07:15Infelizmente, a gente vai vendo que,
07:17em alguns casos, a maturidade vai se estendendo.
07:20Então, você vê 18 anos como se tivesse comportamentos
07:24mais novos, de 14, 13, 12 anos.
07:27E a gente vai vendo que não necessariamente é uma falha familiar,
07:32apesar dos pais sempre puxarem essa responsabilidade.
07:35Isso é bom, mas nem sempre é apenas uma culpa,
07:38vamos dizer assim, da família,
07:40porque isso é um trabalho como um todo.
07:42Família, escola, comunidade, Estado.
07:44Tanto que, quando a gente vai vendo esses casos,
07:46Roberta, para além, se for pensar para além da família,
07:49a gente tem que pensar o seguinte,
07:51se a escola tem também papel protetivo,
07:54e a gente vê nos dados que tem, por exemplo,
07:57casos de evasão escolar, quem não está estudando,
07:59em geral, acaba se envolvendo com mais facilidade,
08:02com mais facilidade no sentido de estar exposto
08:05à vulnerabilidade de uma violência, do tráfego, etc.
08:10Então, se a escola tem um papel de proteção protetiva,
08:13quem protege a própria escola?
08:14Ela também precisa, ali, nós percebemos,
08:18de medidas para a segurança da escola.
08:21E segurança não necessariamente alguém armado, etc.
08:24Mas a segurança diz respeito ao quê?
08:26Para que a coisa aconteça da forma saudável.
08:28Então, você quer atravessar uma ponte,
08:30você quer se atravessar seguro, de um modo saudável.
08:32Você quer um relacionamento seguro?
08:33Também não é um relacionamento armado,
08:35é um relacionamento em que ele possibilite a sua saúde.
08:39E a saúde da escola também.
08:40É fundamental que tenha também medidas nesse sentido,
08:44que haja, portanto, um cuidado da escola com a família,
08:47e da família com a escola,
08:48e também das legislações, das políticas públicas,
08:52para que seja implementado mais segurança nas escolas.
08:55E medidas para ontem,
08:56porque nem os próprios professores estão sabendo lidar com esses casos.
09:01Olha só, gente, o que aconteceu no dia 8 de abril.
09:03Nós mostramos aqui uma outra briga envolvendo estudantes.
09:07A confusão foi entre alunos de duas escolas estaduais
09:10e foi filmada por várias pessoas.
09:12Em um primeiro momento,
09:14isso aconteceu ali no bairro República, aqui em Vitória, né?
09:16Aí os estudantes aparecem batendo boca.
09:19Isso no primeiro momento.
09:20Logo depois, a confusão começa,
09:22e um adolescente com o uniforme da escola é agarrado,
09:25e recebe socos e pontapés,
09:27e ele apanha muito, viu, gente?
09:28Os alunos contaram que o confronto foi marcado pelas redes sociais.
09:33Mas ninguém quis revelar o motivo da briga.
09:36De acordo com a polícia militar,
09:38pelo menos 150 estudantes estavam envolvidos na confusão.
09:44Vão parar para pensar, de repente, você pai, você mãe, você está em casa,
09:48e chega uma história aí no seu ouvido
09:50de que seu filho estava envolvido numa briga,
09:53numa pancadaria envolvendo 150 estudantes.
09:56A gente não sabe nem como que conversa isso com os nossos filhos.
10:00E aí, você assiste, e aí, você se mete nessa briga
10:04para defender o seu amigo, e aí, você vai embora,
10:06o que você faz?
10:08A gente não sabe nem o que orientar os nossos filhos nessas horas, Alexandre.
10:12É, de fato, porque parece haver, assim, muitas vezes, né, Roberto,
10:16uma banalização da violência mesmo.
10:18Então, assim, eu vejo o outro sofrendo,
10:20aquilo ali vira motivo de quê?
10:22Vira motivo de transmissão ao vivo,
10:24vira motivo de vídeo, vira motivo de chacota.
10:27Então, essa comunicação violenta,
10:29essa relação de ou eu ou você,
10:31essa situação de rivalidade,
10:33essa competitividade que existe também entre jovens,
10:36e jovens, tudo isso é algo que precisamos desnaturalizar,
10:41ou seja, fazer com que seja cada vez mais comum
10:44conversar sobre a não violência, sobre a prevenção.
10:47A prevenção, né?
10:48Sobre, é, porque quando acontece o caso,
10:50aí aciona o Conselho de Tutelar, a CREAS,
10:53e as medidas necessárias,
10:54muitas vezes vai ter uma questão judicial,
10:57mas para tentar com que isso seja diminuído,
11:00amortizado, no sentido de você tentar
11:03reduzir, amortecer essas situações de violência,
11:06é preciso atividades preventivas,
11:09escolares ou não, como palestras,
11:11como grupos, encontros,
11:13falar semanas, às vezes, dedicado ao bullying,
11:15a comunicação não violenta.
11:17Então, tudo isso é parte,
11:19e também incentivar a comunicação entre pais e filhos,
11:22entre professores e alunos,
11:24tudo isso é fundamental.
11:26A comunicação e a empatia.
11:28A empatia é quando eu me coloco num lugar do outro,
11:30e assim eu consigo saber o que o outro pode estar sentindo
11:33naquele momento, passando naquele momento,
11:35porque eles dão sinais, Roberta,
11:37pode ter mudança de comportamento,
11:39tem diminuição na questão escolar,
11:42no rendimento escolar,
11:43pode ter alterações do sono,
11:45pode começar a fazer uso de substâncias,
11:47como drogas, outras substâncias psicoativas.
11:50Então, esses sinais aparecem,
11:52é preciso você colocar num lugar do outro
11:54e ter, Roberta, disposição para ouvir o que não quer escutar,
11:57para ir ali, você conseguir intervir e participar
12:01da vida dos filhos e poder fazer a diferença.
12:03Olha só o comentário do Gilberto Marcelino,
12:05ele fala para a gente o seguinte,
12:07ele dava aula em um colégio do Estado
12:08e o professor teve que sair urgente
12:11para não morrer.
12:12A ODI de Rodrigues fala,
12:14está difícil trabalhar dentro de escola.
12:16Pela internet, eu vou conversar agora com a Daiane, gente.
12:20Em maio desse ano, olha, de doer o coração,
12:23o filho dela foi agredido por um colega de classe,
12:26e aí os traumas ficaram, imagina só.
12:29Vou deixar que ela relembre para a gente esse caso.
12:32Boa tarde, obrigada pela sua participação, viu, Daiane?
12:35Vamos relembrar o caso do seu filho?
12:38Sim, vamos sim, vamos sim, Roberta.
12:41Então, Roberta, meu filho, todo mundo sabe, né?
12:44Passou com agressão violenta na escola
12:46por um aluno de 16 anos.
12:49Essa violência que ocorreu,
12:51ele sofreu uma fratura muito forte no rosto,
12:54na qual até hoje ele não pode participar de educação física,
12:58ele não pode brincar no recreio,
13:00porque ele não pode levar nenhuma queda, né?
13:04Nenhum tapa, nada,
13:05na região onde foi fraturado.
13:08E devido a essa fratura, devido a essa agressão forte,
13:11ele está, hoje, meu filho se encontra tomando medicação antidepressiva,
13:17porque ele passou a ter muita dor de cabeça,
13:20estonturas,
13:20e o médico, segundo o médico, me relatou,
13:23que provavelmente é uma depressão que ele começou a ter, né?
13:28Depois desse trauma que ele teve,
13:30porque ele tem muito medo de estar na escola,
13:33ele tem medo, ele fala que ele tem medo,
13:34de repente, ele está lá e esse mesmo aluno agredi-lo de novo,
13:38ele sente muito medo.
13:40Então, por ele ter que estudar na mesma escola,
13:42que aqui a gente não tem outra escola para estar colocando ele,
13:45ele está passando por esse motivo agora.
13:47E assim, ele não gosta de falar mais sobre o assunto,
13:50todas as vezes que a gente toca no assunto a respeito da agressão,
13:54para perguntar como é que ele está,
13:55ele sempre fala que ele não quer mais falar,
13:57porque dói muito.
13:59Então, assim, para mim que sou mãe, né, Roberta?
14:01Não, se dói na gente de ouvir o relato,
14:04e tem um detalhe, gente, o seu filho ainda é autista.
14:07Olha só, uma pessoa que precisa ainda mais de atenção,
14:10uma pessoa que precisa ainda mais do zelo dos colegas,
14:15da paciência, do carinho dos colegas.
14:17E aí eu te pergunto,
14:18isso também afetou até mesmo o rendimento escolar dele?
14:23Então, Roberta, afetou sim.
14:26Hoje, assim, de um lado, afetou porque ele passou muitos dias fora da escola,
14:33porque ele não pôde participar das aulas, né,
14:35se pode até saber por muito tempo.
14:37Hoje, graças a Deus, eles colocaram um cuidador para ele,
14:40que até então, eles falavam que ele e meu filho não tinham direito ao cuidador,
14:44e agora ele está com o cuidador.
14:45E essa cuidadora está ajudando, né, a estar fazendo a inclusão deles,
14:50porque até então, meu filho não podia nem participar dos grupos de estudo,
14:55porque ele falava que as crianças não aceitavam ele.
14:57Sempre quando tinha um grupo de estudo que eles precisavam participar,
15:00as crianças envolvidas no grupo falavam, assim,
15:03que era para ele ficar de lado,
15:05porque eles não queriam que ele participasse.
15:06Então, eu acho, assim, que afetou,
15:09afetou além da conta em todos os aspectos, meu filho.
15:14Olha só, enquanto você foi falando,
15:15a gente está aqui no estúdio com o psicólogo Alexandre Brito,
15:18e ele foi fazendo um comentário interessante.
15:20Continua com a gente, daqui a pouco eu volto com você, Daiane.
15:22Sim, sim.
15:23A vítima, ela se sente culpada nessas horas, Alexandre?
15:27Pode se sentir culpada, ela pode sentir que ela devia ter feito alguma coisa,
15:31ela pode se sentir fraca,
15:32ela pode sentir que a existência dela ali mais atrapalha do que tudo.
15:36Então, tudo isso pode fazer com que você se volte, inclusive, contra você mesma.
15:41É claro, é uma inversão completa das questões,
15:43uma inversão completa dos valores.
15:45É como se fosse um sinal de fraqueza,
15:48é como se fosse mesmo assim,
15:49por eu ser quem eu sou,
15:51talvez eu até mereça receber essa violência.
15:54É claro que isso não é uma regra geral,
15:56isso não acontece sempre,
15:57mas pode acontecer em vários casos de violência, de abuso,
16:01da pessoa que sofre essa violência ter medo de falar,
16:04porque ela, às vezes, não sabe como o outro vai receber,
16:06se o outro também vai acabar violentando ela,
16:09ou se o outro vai cobrar ela de ter feito alguma coisa.
16:12Então, é preciso muita atenção e cuidado.
16:16A palavra de ordem, Roberta, é acolhimento,
16:19é acolher, é escutar,
16:21e dar vida àquela existência que sofreu um constrangimento.
16:25Porque a gente vai vendo nesses casos, Roberta,
16:27que tem uma diminuição muito grande da tolerância, né?
16:30Então, não tem tolerância,
16:32não tem tolerância com a professora,
16:33não tem...
16:34Não tem empatia dos próprios colegas também.
16:36Nem tolerância é frustração, né?
16:38Não tem empatia dos próprios colegas,
16:40que muitas vezes acabam se envolvendo com aquela violência ali,
16:43até incentivando, né?
16:44Então, tudo isso ali pode agravar.
16:46Então, é muito importante que seja acolhida.
16:49A gente vai ver agora o depoimento de uma mãe,
16:52a Juliane.
16:53Olha só!
16:54Vou fazer o seguinte.
16:55O filho dela, gente, passou por uma fase,
16:58é um outro perfil,
16:59passou por uma fase bem agressiva na escola,
17:02e é muito bacana essa mãe vir aqui falar sobre isso,
17:08abrir um pouquinho da vida dela pra gente.
17:10Acompanhe.
17:12O meu filho era muito agressivo, né?
17:14Ele era bem...
17:14Muito impulsivo, né?
17:16Ele ainda é impulsivo,
17:17mas hoje ele consegue lidar bem com isso, né?
17:19A gente consegue controlar.
17:20Hoje ele vai fazer 18 anos,
17:21mas quando ele começou com 8 anos,
17:23começou os problemas na escola,
17:259 a 12 anos,
17:26no início da adolescência,
17:27também deu bastante trabalho.
17:28E logo com 8 anos,
17:30quando ele começou a ter aquelas mudanças de comportamento,
17:33aquelas coisas que a gente não estava sabendo lidar,
17:36a gente procurou ajuda e foi diagnosticado com TDAH.
17:39E foi quando a gente foi buscando atentar a gente de forma melhor.
17:43Não é fácil, é muito difícil,
17:45mas a gente precisa estar muito em parceria com a escola
17:50pra poder conseguir contornar isso.
17:52Mas é muito difícil.
17:54Quando a criança é assim,
17:55eu era muito chamada na escola,
17:56e a gente tem que estar com muito amor
17:59pra situação,
18:00pra conseguir lidar com tudo isso.
18:03Juliane, a gente agradece imensamente
18:05o seu depoimento aqui no Fala Espírito Santo.
18:08Isso traz uma pergunta, Alexandre.
18:11Às vezes a gente se preocupa muito com o nosso filho
18:14em relação a ele ser a vítima.
18:16E aí, e se o nosso filho é o agressor?
18:20Se ele tem esse temperamento mais explosivo?
18:23Porque muitas das vezes a criança ou o adolescente se comporta de um jeito
18:27na nossa frente, e lá na escola é da pá virada.
18:32Pode ser, sim.
18:33E pode ser que não.
18:34Pode ser que ele realmente dê sinais em casa da agressividade,
18:37falta de respeito de alguns limites,
18:40que ele não consegue ele mesmo respeitar.
18:42Às vezes até pequenos furtos em casa começam a fazer.
18:44Então, são vários sinais, né?
18:46Como que a gente observa que o nosso filho pode ser o agressor?
18:49Ele vai ter também esses sinais que eu falei,
18:52inclusive diminuição do rendimento escolar,
18:55dependendo dos envolvimentos que ele vai fazendo na comunidade.
18:57Pode ser envolvimentos ruins,
19:00ele pode ter ali dificuldades com a frustração.
19:04Às vezes você diz um não pro seu filho,
19:06ele não aceita um não, ele tem essa dificuldade.
19:09E não tem essa presença, né?
19:12Presença dos pais ali.
19:13E muitas vezes os pais não podem incentivar a agressão também.
19:18O que às vezes acontece, né?
19:20Ah, ó, levou a pancada lá, se envolveu em briga na escola,
19:24resolve lá, não traz briga pra casa não.
19:27Eu já escutei muito isso, assim, do círculo de amizades, né?
19:31Muitas vezes ainda disse, se trazer apanha duas vezes, né?
19:34Então, assim, isso é algo que você acaba incentivando,
19:39direto ou indiretamente, você pode até pensar assim,
19:41olha, eu aprendi assim e vou ensinar dessa forma.
19:44Na verdade, você sobreviveu a esse aprendizado
19:48e você não precisa reproduzi-lo dessa forma,
19:50girando essa violência.
19:52Então, muitas vezes, a orientação tem que ser outra.
19:56Olha, procura ajuda, procura...
19:59Não deixa de falar sobre isso, enfim, às vezes,
20:03fugir não é covardia.
20:04Então, essas questões nós precisamos trabalhar,
20:08reformular, refazer, desfazer alguns estigmas e preconceitos
20:12e jamais incentivar qualquer espécie de violência.
20:15É claro que não estou falando assim numa medida de sobrevivência extrema
20:18em que você ali tem que reagir e que você precisa usar o corpo para tal.
20:22Mas, nesse sentido de que, se você apanha,
20:27você apanha em casa também, você...
20:28Então, a gente vai vendo que essas coisas vão aumentando
20:32a agressividade e a frustração,
20:34porque, às vezes, você não consegue reagir e aí você vai ter não só danos físicos,
20:38como os danos na alma.
20:40E esses, Roberta, podem durar por muito tempo.
20:44Agora, como que a gente trabalha, incentiva até mesmo a prevenção,
20:48a cultura da paz com os nossos filhos,
20:50mas, ao mesmo tempo, a gente também ensine eles
20:53a resolver os próprios conflitos?
20:56Dá um exemplo para a gente na prática disso, Alexandre.
20:59Você pode usar o próprio exemplo dentro de casa de algo que acontece
21:03e você não reage violentamente com o seu filho.
21:05A coisa mais simples que tem é você ensinar por meio do exemplo.
21:09Então, muitas vezes, você vai ter uma situação em que você vai ficar com raiva
21:13e, às vezes, você vai ter que falar para o seu filho que aquilo te deixou com raiva.
21:16E ele vai ter que, junto com você, entender essa raiva
21:19e, talvez, ter uma atitude, uma decisão, uma saída,
21:23falando sobre os sentimentos.
21:25Muitas vezes, na educação de meninos, por exemplo,
21:27é difícil falar sobre os sentimentos,
21:29manda engolir o choro, o homem não chora.
21:31Então, também estimula indiretamente
21:35ou faz com que se expresse de modo violento,
21:38porque acaba acumulando por muito tempo experiências
21:40que ele não conseguiu falar.
21:42É como se ele não pudesse perder,
21:44não pudesse ter dificuldades em algumas questões,
21:47porque ele é homem, então ele tem que ter o tempo todo
21:49mostrar ali uma virilidade.
21:51Então, isso também são problemas.
21:52Então, a melhor forma, Roberta, acredito que é, de fato, mesmo,
21:55levando o diálogo para dentro de casa.
21:57Então, teve uma situação de dificuldade, frustração com o colega,
22:01alguma coisa assim,
22:02ou o próprio pai contar à mãe experiências próprias.
22:05Olha, no meu trabalho agora, eu tive uma situação
22:06que eu fiquei com muita raiva do meu colega
22:08e olha como nós resolvemos.
22:10Então, demonstrar o diálogo
22:12e, quando o filho o faz, também dialogar,
22:15porque o exemplo ainda é a melhor maneira de educar.
22:19Deixa eu voltar a falar com a Daiane.
22:21Daiane, já apresentei ela aqui para vocês,
22:23em maio desse ano, o filho dela foi agredido,
22:25isso aconteceu em Venda Nova do Imigrante.
22:27Ela continuou com a gente, Daiane?
22:29Sim, continuo, sim.
22:30Depois de tudo isso que aconteceu,
22:32de que forma que a própria família tem ajudado,
22:35até mesmo para que seu filho se sinta seguro
22:37nesse ambiente escolar?
22:40Roberta, a família é a nossa ou a família do agressor?
22:44Não, a de vocês, de como você está encorajado, conversado.
22:48Então, a gente...
22:49Então, o Roberta, a gente aqui em casa sempre foi muito de conversar.
22:53Eu, além dele, eu tenho mais três, né?
22:55E, assim, graças a Deus.
22:56Olha, eles estão todos quietinhos, ó, tranquilão.
22:58Mas a gente é muito de conversar.
23:00Eu acho, Roberta, que na vida,
23:03independentemente se ele é autista ou não,
23:04o meu filho é autista, o meu filho tem TDAH,
23:07o meu filho tem mentalidade infantil.
23:09Então, assim, ele tem vários CIDs.
23:11Eu acho que é muito importante os pais estarem atentos,
23:14estarem presentes na vida dos seus filhos.
23:16A gente, com crianças deficientes, né?
23:19Que a gente tem crianças especiais,
23:21a gente tem que ficar atento a tudo.
23:23Mas os pais, em geral, Roberta,
23:25eu acho que os pais, em geral,
23:26têm que conversar muito com os filhos em casa,
23:28têm que estar cientes de tudo o que está acontecendo com os seus filhos.
23:30Porque, às vezes, acontece coisas lá fora
23:33que os pais não estão sabendo.
23:34Então, assim, Roberta, eu peço muito.
23:37É muito importante.
23:38Eu acredito que os pais, muito importante,
23:40que os pais sejam atentos,
23:41que conversem sobre tudo,
23:42que ensinem o filho a ter respeito com o amiguinho,
23:46a ter empatia por ele.
23:48Porque, apesar do meu ser autista,
23:50eu tento ensinar o máximo que eu posso dentro de casa,
23:53graças a Deus.
23:54Então, assim, é bom os pais.
23:55Obrigada pela sua participação aqui com a gente.
23:57Infelizmente, o nosso tempo acabou.
23:59Mas, ó, recebam o nosso abraço aí,
24:02em venda nova do imigrante,
24:03um abraço para o seu filho.
24:04E a gente continua na torcida pela recuperação dele, viu?
24:08Obrigada.
24:09Aqui, eu queria falar com você sobre uma escola,
24:11aqui em Venda Nova.
24:13O meu filho estudou,
24:14o meu filho estudou numa escola,
24:16do segundo ano ao quinto ano,
24:17a Escola Liberal Zandonaide.
24:19E lá nessa escola tinha uma diretora,
24:23Solimar o nome dela.
24:24E era uma diretora, assim,
24:26que ela era muito companheira,
24:28era muito amigável,
24:29abraçava os pais com todos os problemas que tivessem.
24:32E, através dessa diretora,
24:35está tão presente na vida da gente lá,
24:37que ela nem trabalha mais lá,
24:38já faz algum tempo,
24:39o meu filho aprendeu a comer seijão,
24:42macarrão,
24:43coisas que ele não comia devido ao autismo dele.
24:45Então, assim, Roberto,
24:46eu acho importante as escolas terem profissionais
24:51capacitados para poder atender nossos filhos,
24:53para a gente, mães, né,
24:54de crianças especiais,
24:56poder ficar em paz, em casa,
24:58em tranquilo, né,
24:59sabendo que nossos filhos estão seguros
25:00na mão de profissionais nas escolas.
25:02Exatamente.
25:03Obrigada.
25:04Um beijo para você, viu?
25:05Obrigada.
25:06Igualmente.
25:07Alexandre, muito obrigada também
25:08pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
25:10Volte sempre, tá?