- há 2 dias
Flagrantes de brigas em escolas e nas proximidades fazem questionar o motivo de tanta agressividade.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente já começa o programa de hoje com essas imagens, olha aí.
00:05São cenas absurdas de mais uma briga envolvendo estudantes, gente.
00:10Dessa vez aconteceu em Cariacica.
00:12Duas meninas se agridem com sucos, chutes, puxões de cabelo.
00:16E olha só, repara aí a quantidade de adolescentes em volta, rindo,
00:20e incentivando como se fosse ali uma plateia, né?
00:23Uma luta de UFC.
00:25A briga aconteceu a 200 metros dessa escola de ensino médio
00:29no bairro Porto de Santana.
00:31As alunas que estavam envolvidas na briga são da sétima série, tá?
00:36Tem entre 13 e 14 anos.
00:38E aí, uma pessoa que presenciou a briga disse que esse tipo de confusão
00:43na porta dessa escola está sendo comum, está sendo normal.
00:47Olha aí.
00:49Quase que todos os dias acontece uma, que não seja dentro da escola, fora da escola.
00:55E aí, a última que a gente ficou bem assustada foi que a polícia teve que vir,
00:59o Samuel teve que vir atender, porque um amiguinho cortou o braço da amiga com gilete,
01:05os pais tiveram que vir, muita confusão.
01:08E a população termina aqui em volta ficando muito assustada com esses casos que acontecem.
01:11Se eles não brigam dentro da escola, eles brigam na porta da casa da gente,
01:15perto do supermercado, como aconteceu ontem.
01:19Não é a primeira vez que a gente mostra casos como esse e essa violência, gente,
01:23na porta das escolas, ou até mesmo ali aos redores, nas redondezas.
01:28Isso precisa parar.
01:29Não dá mais para a gente ver cenas como essas.
01:31E aí, a gente acaba de mostrar o problema, né?
01:33A gente acha que, ah, esse problema é só da mãe, é só do pai, né?
01:38Esses adolescentes que aparecem se agredindo.
01:40Não.
01:41A escola é lugar de aprendizado, de acolhimento.
01:45E a gente vai debater esse assunto.
01:47Aqui no nosso estúdio, eu recebo a psicóloga Satina Pimenta.
01:50Obrigada pela sua participação, Satina.
01:52Seja bem-vinda, né?
01:53Boa tarde, Roberta.
01:53Obrigada.
01:54Agora, vamos lá.
01:55Quando a gente vê esses casos de violências, tem um detalhe que tem chamado a atenção,
02:00já que a gente está sempre mostrando, né?
02:03Não é de hoje.
02:04A gente vê muitas meninas envolvidas, Satina.
02:08E a gente pensa assim, ah, será que o homem, será que o menino tem mais esse instinto de violência?
02:13Mas, não, a gente está mostrando que as mulheres, as meninas estão também muito agressivas.
02:17O que explica isso?
02:19Boa tarde para todo mundo.
02:21Então, vamos conversar um pouquinho sobre essa questão das mulheres, né?
02:26Nós, mulheres, nós somos ensinadas a competir umas com as outras desde sempre.
02:32Só que antes a gente competia de uma maneira diferente.
02:35Então, a gente competia pelo namorado, a gente competia pelo marido, a gente competia dentro da lógica social.
02:42Depois a gente começou a competir pelos espaços de trabalho, certo?
02:47E hoje o que a gente vê?
02:50A gente vê a continuidade dessa competição entre as mulheres, só que hoje a agressividade como algo muito comum.
02:57Então, ao invés de eu fazer uma fofoca de você, eu vou lá e te dou um tapa.
03:04Não sei se você se recorda, mas a maioria dos picos de audiências de telenovelas eram quando duas mulheres se
03:10pegavam, se batiam.
03:12Verdade.
03:14Como se aquilo dali fosse, nossa, enfim, ela bateu nela, você viu, acabou com ela.
03:21E aí você vê uma colocação da própria mídia, uma colocação da própria sociedade, que nós mulheres precisamos competir,
03:30que nós mulheres precisamos nos agredir e que nós mulheres temos que ser estas inimigas entre nós.
03:39É por causa disso que a gente tem meninas novas reproduzindo comportamento.
03:44E como a agressividade se torna banalizada no momento de hoje, ao invés da gente discutir batendo boca como se
03:51fazia antes, agora a gente agrede.
03:54E a gente vê adolescentes que não têm nem maturidade para lidar com isso, né?
03:59E o que mais chama atenção é que, diante desse comportamento dos adolescentes em geral,
04:06essa pessoa que tem essa característica mais violenta, que parte para cima, ela acaba se tornando maioral da turma.
04:12No outro dia, ela é o comentário.
04:15E a galera gosta disso, né?
04:17A turma ali gosta.
04:18Como que a gente pode desconstruir?
04:20Bom, o bullying, ele vem sendo discutido, tem cerca de mais ou menos uns 15, 20 anos, de forma técnica
04:30mesmo.
04:31Porque antes a gente falava, ah, é assim mesmo a escola.
04:34Tem um implico, outro implica, eu chamo disso, eu chamo daquilo, o ambiente escolar é desse jeito.
04:40Só que a gente começou a perceber que esses movimentos de agressão, tanto verbais quanto físicas,
04:47que aconteciam nas escolas, não eram só isso.
04:50E aquilo levava para a vida, né?
04:53As pessoas.
04:55Dentro do estudo sobre o bullying, a gente tem três tipos de sujeitos.
05:00A gente tem aquele que sofre o bullying, aquele que realiza o bullying e os espectadores que você mostrou.
05:06Certo?
05:07Quem é que realiza o bullying?
05:09É aquele que acha ou tem certeza que possui mais poder do que aquele que ele vai agredir.
05:17Entendeu?
05:18E por que que fica a rodinha e ninguém faz nada?
05:22Porque eles podem ser os próximos a agredir ou serem agredidos.
05:27Então, é o nome mesmo.
05:28E são os espectadores.
05:30Olha só, a gente estava aqui batendo papo nos bastidores antes mesmo de começar o programa,
05:34e aí eu conversei com o chefe que daqui a pouquinho vai ensinar uma receita deliciosa para a gente.
05:39Seja bem-vindo ao Fala Espírito Santo, Rodolfo.
05:41Obrigada pela sua participação.
05:43E ele relatou, gente, que como aluno, né, Rodolfo, você já passou muito por isso quando era criança.
05:51É.
05:52Quando eu tinha sete anos, até os doze anos, eu sofri muito com essa situação.
05:56Por quê?
05:58Como o ambiente de escola era uma coisa muito de hierarquia, por exemplo, a sétima série meio que oprimia a
06:05sexta série.
06:06Eu sempre fui o menor da turma.
06:08Por ser negro, o menor da turma, eu sempre fui o alvo mais acessível da galera que queria se promover
06:14para os demais.
06:16Então, eu fui sofrendo com isso ao longo dos anos e aprendi o seguinte,
06:20que eu não precisava daquele grupo para ser feliz.
06:23Eu comecei a me retirar do grupo e procurar outros ciclos de amizade.
06:29Foi aí que eu comecei a sair desse ciclo vicioso de agressão verbal, até mesmo física.
06:34Agora, quem que te incentivou, quem foi importante nesse processo para você ter essa...
06:40Porque com seis, sete anos, né, doze anos, também você relatou que passava, sofria isso.
06:46A gente ainda não tem maturidade para fazer, para conseguir sair disso sozinho e ter esse pensamento positivo que você
06:51teve.
06:51Quem foi importante para você nesse processo?
06:54Eu sempre falo que a base familiar, ela é fundamental nesse processo.
06:59Por quê?
07:00Apesar dos meus pais não terem tanto estudo, mas só que eles tinham um princípio muito forte familiar.
07:05E minha mãe ensinou o seguinte, eu não preciso ser de um grupo para encontrar minha felicidade.
07:11Já que se ele não está sendo aceito nesse grupo, procure outro.
07:16Acesse outras pessoas.
07:17Eu tive uma pessoa muito importante também, que eu tratava como irmão, ele era bem maior do que eu.
07:22E, de certa forma, as pessoas olhavam para ele e eu me sentia protegido e as pessoas não me agrediam
07:29verbalmente.
07:30Porque na nossa época, na minha época, era mais ou menos assim, era bonito um rapaz ganhar uma briga.
07:38Por exemplo, eu te pego lá fora e se ele fosse o predominante daquela briga, ele era o famosinho da
07:47escola.
07:48Então, tipo assim, era cultural mesmo e isso foi aumentando a proporção da agressão hoje.
07:53Hoje em dia, antigamente, a gente brigava na mão e passava dois meses e era amigo.
07:59Hoje em dia acontece a mesma situação e pode acontecer do menino voltar a pegar uma arma e acontecer o
08:03pior.
08:04Exatamente.
08:05Esse que é o medo, gente.
08:06É aí que está o perigo.
08:07Rodolfo, obrigada pela sua participação.
08:08Obrigado a você.
08:09Daqui a pouquinho estou aí.
08:10Viu no nosso espaço, o mesmo espera.
08:12Mas é esse que é o perigo, gente.
08:14Inclusive, nessa escola aí, recentemente, teve uma briga que o morador ali da região relatou para a Marla Bermudes,
08:22que fez a reportagem, que já teve um caso, uma briga recente, de um coleguinha levar a gilete e cortar
08:29o outro.
08:29E aí precisou até mesmo ser acionado o SAMU.
08:32Olha a que ponto as coisas chegaram, Sashina.
08:35Isso não é uma coisa aceitável.
08:38Isso não é comum.
08:38A gente não pode achar isso normal.
08:40Não, não podemos.
08:41Mas aquela pessoa que faz isso, aquela pessoa, ela está sofrendo violência há muito tempo.
08:48E, normalmente, nada está sendo feito para proteger essa pessoa.
08:53Entende?
08:54Então, o que ela vai fazer?
08:55Ela vai buscar formas de se defender.
08:58E, se ela não tiver a estrutura familiar que ele traz, se ela não tiver uma escola que produza políticas
09:05públicas dentro da própria escola,
09:07conforme lei que determina, está aberta, para combater o bullying, ela vai encontrar estratégias para poder agredir o agressor.
09:16Para aquela dor parar.
09:18Entende?
09:19Só que aí a gente tem um realengo da vida.
09:22A gente tem um Columbine da vida.
09:24A gente vai ter situações de chacinas em escolas justamente por causa do revidar desse bullying, que não é cuidado.
09:34Olha só o comentário da Marilsa Alves Barbosa, que manda para a gente aqui, através do Facebook.
09:39Ela diz, Roberto, os espectadores são tão ruins como os agressores.
09:42A família precisa estar presente na vida e não apoiar.
09:46A gente precisa mostrar o erro.
09:48E aí fica uma pergunta para você, pai, mãe.
09:51Nessa cena que a gente viu aí, quem seria o seu filho?
09:55Seu filho seria o agressor?
09:57Seu filho seria o espectador?
09:59Seu filho seria a vítima?
10:01Mas ao mesmo tempo, Sátia, a gente também precisa preparar os nossos filhos para os embates da vida.
10:06Como que a gente ensina a lidar com isso?
10:10Eu vou falar um pouquinho da minha história.
10:12Gente, eu tenho 1,50m de altura e eu era chamada de tartaruga na escola.
10:18Tartaruga.
10:19Só que meu pai tem 1,60m, minha mãe também tem 1,50m, e quando eu chegava em casa chorando,
10:25desesperada,
10:26porque me chamavam de toquinho de amarrajegue, mergulhador de aquário e tudo mais,
10:31ele olhava para mim e falava bem assim, você não vai mudar.
10:34A sua estrutura não vai mudar.
10:36Ou você aprende a lidar com esta dor e vai viver, ou não vai dar certo.
10:42Você vai sofrer.
10:44Só que aí, quem tem estrutura familiar tem esse apoio.
10:48Quem tem uma escola bacana que trabalha o bullying, tem esse apoio.
10:52O problema é quando a gente não tem.
10:54A gente vê muitos pais até mesmo incentivando esse conflito, né?
10:58Sim.
10:58Volta lá e bate.
11:00Se você apanhar, você apanha de novo em casa.
11:03Quantas vezes?
11:04Qual é o erro desse pensamento, Sátia?
11:06Então, não é um erro de pensamento, é um erro cultural.
11:10Porque aquele pai foi aquela pessoa que passou por isso, ou foi aquele que realizou agressão.
11:16E ele acha normal.
11:19Acha que é assim que as resoluções vão acontecer.
11:22E não são.
11:23Hoje, a gente precisa entender que as nossas crianças,
11:28tanto as crianças quanto os adolescentes de hoje,
11:31eles são rodeados de possibilidades de agressão.
11:35A gente está falando de um bullying na escola,
11:37mas para e pensa na internet.
11:39No cyberbullying, por exemplo.
11:41Tem crianças que se matam por causa do cyberbullying.
11:45O filho daquela cantora, esqueci o nome dela agora.
11:49A gente mostrou esse caso no ano passado.
11:52Isso, vocês fizeram realmente a reportagem.
11:53Se eu não me engano, João.
11:55Era um adolescente de 16 anos.
11:57Ele foi fazer uma brincadeira, de dar um beijo.
12:00Lembro.
12:00E aí, ele pegou...
12:02E pelo bullying causado na internet,
12:05pelas agressões discriminadas, de qualquer jeito,
12:08ele foi lá e tirou a sua vida.
12:11Então, o erro está sendo a gente não observar
12:14o que está acontecendo com as nossas crianças.
12:17Estar do lado delas, ofertar apoio a elas.
12:21Para poder, a partir daí, elas terem maturidade,
12:26quer dizer, possibilidade de desenvolvimento
12:29para uma maturidade, para poder enfrentar aquilo.
12:32Porque o bullying, gente, não é só na escola.
12:34No seu trabalho também tem, não tem?
12:36Certamente.
12:37E olha, esse caso que a gente mostrou foi tão triste
12:39que quando eu fui estudar um pouco mais sobre a história,
12:43a menina, a que foi agredida,
12:46ela foi para a escola com roupa normal,
12:48não foi de uniforme.
12:50E aí, foram perguntar para ela,
12:51por que você não foi de uniforme hoje?
12:54Por que você está vindo sem uniforme?
12:55Ela falou, porque está sem água na minha casa.
12:58Minha mãe não está conseguindo lavar o meu uniforme.
13:00Ok.
13:01Ah, então quer dizer, não tem água?
13:03Ah, não está tomando banho, cascão.
13:05Aí, foi através desse bullying que ganhou toda essa proporção
13:08e virou uma pancadaria, gente.
13:11Olha o motivo.
13:13Olha aí o motivo.
13:14Vê se a gente vê alguma maturidade desses adolescentes
13:18em lidar com esses assuntos.
13:19E olha só, como eu já bem disse, né?
13:24Praticamente toda semana, todo mês, a gente mostra aqui um caso.
13:27Teve um recente que aconteceu em agosto.
13:30Uma estudante foi agredida em Cachoeiro de Itapimirim
13:32porque se negou a passar cola para as outras alunas.
13:37A vida da família dela, a gente virou de cabeça para baixo, tá?
13:40Depois disso.
13:41Presta atenção.
13:42Eles tiveram que mudar de cidade.
13:44Isso mesmo.
13:45Pelo telefone, eu converso agora com a mãe dessa adolescente
13:48que por questões de segurança, ela não quer se identificar
13:51e a gente respeita.
13:52É claro, foi tudo muito recente.
13:53Mas a gente quer saber, primeiramente,
13:55obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo,
13:58como é que está, né?
13:59O emocional da sua filha, quais foram as consequências disso na vida dela?
14:06Oi, boa tarde.
14:07Boa tarde.
14:10Ela está traumatizada, com medo de tudo, está assustada.
14:18Você, como eu já adiantei, você mudou de cidade?
14:22Sim.
14:23Como é que foi para você, como mãe, ver essas cenas
14:28que inclusive a gente está mostrando agora para os nossos telespectadores?
14:31Qual foi o seu sentimento como mãe?
14:34Foi muito difícil para mim.
14:36Uma sensação de...
14:40Uma sensação horrível, uma sensação de impunidade, né?
14:45Depois disso, a escola te procurou?
14:49Você recebeu algum amparo da instituição?
14:53A escola não procurou, não.
14:56Não procurou?
14:57Não.
14:58Eu procurei a escola para pedir a transferência.
15:04Aí você mudou de cidade, como eu já adiantei.
15:07Como é que ficou a rotina da família?
15:09Porque mudar de cidade não é uma coisa tão simples.
15:10Você tem que correr atrás de um outro imóvel,
15:12seja para comprar ou para alugar,
15:14seja para morar na casa de algum parente.
15:16Como é que ficou o trabalho seu, do seu marido, da sua família?
15:20Não é tão simples assim.
15:22A gente está falando de um caso que aconteceu há menos de um mês.
15:34Ela está traumatizada?
15:48Agora é revoltante, né?
15:49A gente ensina os filhos, nossos filhos, a andarem no caminho certo.
15:53Ela não quis passar cola porque ela acredita que isso é errado.
15:58Certamente é algo que você, como mãe, deve ter ensinado para ela.
16:02Ela deve ser uma menina estudiosa, a gente imagina,
16:05porque quem estuda, quem chega em casa depois da aula, abre os cadernos para estudar,
16:09não quer mesmo passar cola.
16:11É mérito daquela pessoa.
16:13E aí você ensina o correto para ela.
16:15Ela apanha porque os colegas julgam isso como errado.
16:22Não é isso?
16:23Sim.
16:27Olha, é revoltante, né, Sátia?
16:30Daqui a pouquinho eu volto a falar com essa mãe.
16:32É revoltante a gente parar para pensar na banalidade,
16:37que tudo está sendo resolvido dessa forma, né?
16:41Com agressividade.
16:42E a gente vê esses adolescentes replicando isso daí.
16:47A agressão, tanto a física quanto a psicológica,
16:52ela ocupa instituições, sempre ocupou, na verdade.
16:57Hoje, de acordo com lei mesmo,
17:00a gente tem uma lei que fala sobre o programa do bullying
17:03e responsabiliza as escolas a produzirem atividades
17:07para minimizar as ações relacionadas ao bullying.
17:10Porque relações de poder vão existir.
17:13Sempre vai existir aquele que sabe mais, aquele que sabe menos,
17:16aquele que tem mais força física, aquele que não tem.
17:19Então, aquele que anda em uma galerinha maior do que aquele que não anda.
17:23Então, isso sempre vai existir.
17:24A ideia é que a gente quebre isso e traga o sentimento de empatia.
17:28Porque se a menina, que chamou a outra de cascão,
17:31parasse e falasse, poxa, tadinho.
17:35Pô, na minha casa tem água.
17:37Foi esse o sentimento que eu tive.
17:38Eu lavei o meu cabelo hoje e vim cheirosa para a escola.
17:42Imagina o que ela deve estar sentindo.
17:43Olha a empatia aqui.
17:45Se ela tivesse esse movimento de sentimento de empatia,
17:48ela nunca chamaria o outro de cascão.
17:51Mas, se ela também não tivesse a consciência de impunidade,
17:55ela também não chamaria o outro de cascão.
17:58Gente, estou recebendo aqui no nosso Facebook cada relato.
18:02Olha só o que disse a Lilian Souza.
18:04Teve uma vez que minha filha me ligou dizendo que tinha uma menina querendo bater nela.
18:08E aí eu fui buscar na escola, né?
18:10Eu perguntei por que ela queria bater na minha filha e ela disse que tinha inveja.
18:15Essa outra menina sumiu.
18:17Agora há pouco também, durante a nossa produção do programa,
18:19eu liguei para uma mãe que disse que a menina queria bater na outra por conta de ciúmes.
18:24A gente também vê muito esse motivo de ciúmes, de inveja.
18:28Olha só esse outro caso que a Irene conta.
18:31Moro duas ruas da escola, busco e levo meu filho todos os dias.
18:36Faço questão.
18:37Quando os pais são presentes, evitam essas graves consequências.
18:41E aí a escola chama o Conselho Tutelar, se faltar uma aula,
18:44mas a escola não se importa quando isso acontece.
18:47E aí os pais devem fazer parte de tudo.
18:49Mas só que, infelizmente, a gente não consegue dar conta de trabalho.
18:54Vamos pensar na vida real?
18:56Os pais trabalham, o pai trabalha, a mãe trabalha.
18:58E aí chega um momento da vida que o filho começa a caminhar mesmo com as próprias pernas.
19:03Infelizmente, a gente não consegue estar presente 100% nessa arte da vida dos nossos filhos.
19:10Também tem um comentário aqui que dá vontade de cair para trás.
19:14Parte o coração, lê isso aqui, viu, Silva?
19:16Silva Mery da Silva.
19:17Roberta, boa tarde.
19:19Meu filho, fizeram ele comer capim, amarrado num ferro daqueles do trilho da linha de trem.
19:25Eu fui ouvida nas partes cabíveis porque a escola chamou o meu filho.
19:30Hoje faz 20 anos, mas ele não quis estudar mais, nem óculos quis usar porque xingavam ele.
19:38Satina, como que a gente pode trabalhar esses filhos que ficam traumatizados?
19:43No caso aí, essa outra adolescente precisou mudar de cidade para poder voltar a frequentar a aula.
19:49Sim.
19:50Primeiro que a gente tem que explicar para as nossas crianças e nossos adolescentes que é parte de uma fase
19:55da vida.
19:56E vai passar.
19:58Então, vai chegar...
19:59Não tem aqueles filmes americanos?
20:01Eu gosto muito de explicar isso quando eu estou atendendo adolescente.
20:03Não tem o filme americano que tem o nerd que vira o bambambam das empresas, o ricão e tudo mais?
20:10Vai passar.
20:11Aquilo dali não vai ser para sempre.
20:12O que a gente precisa compreender é que, neste processo, eu devo me fortalecer.
20:20E quando eu me fortaleço, eu consigo entender o movimento do outro como um problema do outro.
20:28Então, quando a menina chegar para mim e me chamar de tartaruga, eu vou olhar para a cara dela e
20:32vou falar bem assim,
20:33Tadinho.
20:35Não tem nada para fazer, está desocupado, por causa disso que veio aqui me encher o saco.
20:39O problema está nela.
20:41Não está em mim.
20:41É uma fala muito interessante para a gente trabalhar com os nossos filhos, né?
20:45Meu filho, o problema não está em você.
20:48O problema está nele.
20:49O problema está nela.
20:51Sim, exatamente.
20:52É uma forma que a gente começa a desconstruir esse trauma.
20:55Porque quando vem a violência psicológica, a violência psicológica vem menosprezando quem a gente é.
21:01É por causa disso que dói.
21:02É por causa disso que violenta.
21:04Entende?
21:05Então, quando a gente tem esse fortalecimento, aí eu vou olhar para aquela pessoa e vou falar,
21:09gente, ela produz esse pensamento por algum motivo que é referente a ela, não é referente a mim.
21:15Igual a questão do racismo.
21:16O racismo é referente ao outro, não é referente à minha cor.
21:21Entende?
21:21É como ele enxerga o mundo, não como eu sou.
21:26Então, vou ter pena?
21:27Lógico que não, não é para ter pena, não é para passar a mão na cabeça de ninguém,
21:30não é para deixar o menino ficar xingando seu filho na escola.
21:34Mas o nosso filho tem que entender que quem está doente, quem precisa de ajuda, não é ele.
21:41Ele é lindo, ele é maravilhoso.
21:43Quem precisa de ajuda é o coleguinha, que não está sabendo externar as suas frustrações,
21:48que não está sabendo lidar com as suas emoções e que precisa de um outro para poder fazer isso.
21:53E a gente vê casos de crianças que depois chegam até a desenvolver a síndrome do pânico.
21:58Chegam sim.
22:00Hoje, o que a gente está tendo muito em relação à exclusão social e bullying na escola
22:06é a consequência da mutilação.
22:11Principalmente os adolescentes.
22:12A gente está com um índice de automutilação muito grande de adolescentes que sofrem o bullying,
22:18não conseguem se manifestar nem para a instituição e nem para os pais,
22:21e aí eles colocam no corpo, eles jogam no corpo a dor.
22:26Entende?
22:27E a gente precisa...
22:29E é pesado.
22:29É pesado, porque essa é uma realidade que a gente não viveu isso, né?
22:34Na nossa geração não tinha isso e a gente sabe que a gente precisa sim discutir esse assunto, tá, gente?
22:40Então, esteja perto, próximo dos seus filhos, ajude-os a enfrentar essa fase, né?
22:46Que como a Sarsina Bendice isso vai passar e que a gente precisa fortalecer eles, né?
22:51Principalmente.
22:51Obrigada pela sua participação aqui no programa, tá?
22:54Obrigada.
22:54Obrigada.
22:54Obrigada.