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Por que jovens se envolvem em grupos que planejam atos violentos?
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00:00A gente já começa o programa falando do seguinte, o Ministério Público concluiu o inquérito sobre o ataque frustrado a
00:06uma escola de Jardim da Penha aqui em Vitória.
00:09Isso aconteceu no mês de agosto, lembra?
00:11Então, gente, segundo o Ministério Público, Henrique Lira Trad, de 18 anos, que invadiu a escola, agiu de forma livre
00:20e consciente.
00:21Ele entrou na escola com várias armas e tentou matar pelo menos cinco pessoas.
00:27Ele só não conseguiu concluir o plano porque o arco e flecha falhou e foi impedido por funcionários.
00:34Ainda de acordo com a denúncia, Henrique participava de grupos na internet com foco na discussão de atentados às escolas
00:44e queria repetir, gente, o massacre de Suzano, que terminou com 10 mortos e 11 feridos em março de 2019.
00:53Henrique, segundo as investigações, é ex-aluno da escola e supostamente teria sido vítima de bullying.
01:01Desde então, ele planejava se vingar atacando o colégio.
01:05A denúncia do Ministério Público levanta várias questões que são importantes.
01:10Qual a importância disso, principalmente, para a gente levar para dentro dos lares?
01:15É que os pais possam identificar se os filhos estão envolvidos com esses grupos, se esses filhos precisam de ajuda,
01:25o que a gente faz nessas horas.
01:26A importância dos pais também aceitarem isso.
01:30Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:32Eu recebo aqui no nosso estúdio a advogada Camila Dias e também a psicóloga Elza Leite.
01:38Obrigada pela participação de vocês.
01:41Elza, eu queria que você começasse explicando para a gente, movidos por quais sentimentos que uma pessoa tem coragem, tem
01:51a ousadia, a audácia de se infiltrar nesses grupos que a gente acabou de falar,
01:57participar de grupos na internet e planejar, arquitetar, detalhe por detalhe, um plano contra pessoas que, teoricamente, não têm nada
02:06a ver com isso.
02:07Ah, teve bullying lá no passado e aí pessoas que têm ali, pessoas inocentes, movidos por qual sentimento?
02:13Nesse caso específico, o maior sentimento foi a vingança, né?
02:16Então, eu preciso fazer com que o outro sinta algum tipo de dor na mesma proporção ou ainda pior como
02:25eu senti.
02:26Então, essa coisa do planejamento, ele vai arquitetar cada detalhe e ele vai mirar o alvo, né?
02:34Qual é a sensibilidade de uma escola?
02:36Ah, são alunos, tem uma fragilidade infantil, os professores estão ocupados, os guardas são mais vulneráveis.
02:43Ele vai fazer uma análise.
02:45Então, ele é frio e calculista.
02:47A gente, às vezes, tem uma ideia assim, ah, fez num impulso.
02:51Pode acontecer de fazer num impulso, mas uma coisa nessa proporção aí, você vê que o plano é prejudicar o
02:58outro,
02:58é trazer algum nível de dor, consequência, punição para o outro mesmo, fazer o outro sofrer.
03:02E você vê que são pessoas que agem com frieza.
03:06Essa frieza sempre fez parte da vida dessa pessoa?
03:10Não necessariamente.
03:12Às vezes, ele cansa também de ser bom, né?
03:14E aí, vive em dois polos, né?
03:16Eu sou muito bom e eu sou muito má.
03:18Eu sou muito ruim.
03:19Então, a gente teria que estudar cada caso.
03:22Mas a gente vê que é um comportamento com um traço bem psicótico, né?
03:26Psicótico não, desculpa.
03:27Psicopático, porque ele é frio, ele é calculista, ele não tem medo, ele mede a consequência do dano no outro
03:37e o dano dele mesmo, né?
03:39Às vezes, o fim dessas tentativas resultam também em suicídio, né?
03:45Na tentativa de se prejudicar também depois para não ser punido, né?
03:48Com prisão, porque ele não quer sofrer de alguma forma.
03:51Então, assim, você vê que tem uma característica de um transtorno aí.
03:55Um transtorno de comportamento, um transtorno de conduta, né?
03:59Que é a psicopatia que a gente chama.
04:00E a pessoa nasce assim ou desenvolve esse transtorno?
04:03Roberta, ela pode nascer assim, ela pode trazer uma carga genética,
04:07ela pode nascer com algum problema neurológico e, né, faltando algum componente cerebral e desenvolver esse comportamento.
04:15Ou a questão social também pode implicar nesse comportamento.
04:18Por exemplo, esse rapaz afirma que sofreu bullying.
04:21Então, ele vai se nutrindo de muita revolta, sabe, dentro dele.
04:24E ele transforma essa revolta em algo prejudicial.
04:29Porque, às vezes, a gente é ofendido e a gente consegue mudar, né?
04:35Reverter o quadro, ó, eu fui ofendido, mas eu não vou me tornar um ofensor.
04:39Não, aí eu fui ofendido, eu sou ofensor e, além de ofensor, eu vou me vingar tirando a vida do
04:44outro,
04:45prejudicando o outro em todos os níveis que eu puder.
04:48Daqui a pouquinho eu quero que você conte pra gente se nós pais, né, avós que também estão agora assistindo
04:54o programa,
04:54se a gente consegue identificar, desde a primeira infância, alguns sinais que possam abrir o alerta.
05:02E o que a gente pode fazer como responsáveis pelos filhos, pelos netos, sobrinhos,
05:07aquelas pessoas que estão, né, sob a nossa responsabilidade,
05:10se a gente consegue intervir nesse tipo de comportamento.
05:13Daqui a pouquinho você conta pra gente.
05:14Antes eu quero também dar boa tarde pra Camila Dias.
05:17Obrigada mais uma vez pela sua participação.
05:19Conta pra gente como que é, como que funciona a investigação do Ministério Público em casos como esse, Camila.
05:26Boa tarde, Roberta.
05:27Então, agora, a partir da denúncia, vai ser feito todo o procedimento processual, de fato, né?
05:34O Henrique, ele precisa de alguém pra defendê-lo, então o Ministério Público agora vai estar preparando o processo em
05:42si, né?
05:42Ele vai começar a correr a partir de agora.
05:45Então, muito em breve, né, vai ser agendado um júri, uma audiência, um júri, tudo vai acontecer de agora em
05:54diante.
05:55Porque, até então, ele estava preso, né, provisoriamente, tudo, e as provas já estão sendo todas anexadas.
06:03A gente não tem acesso, mas, assim, tem toda uma demanda por trás disso.
06:07Como a doutora aqui também disse, a gente não sabe as questões psicológicas que estão envolvidas,
06:12se vai ter algum tipo de atenuante, se ele vai ser caracterizado como inimputável,
06:17porque, né, se ele tiver uma doença, a gente precisa, né, quem está envolvido, né, juridicamente falando, vai ser avaliado.
06:25Então, o processo começa agora com acusação, com defesa, tudo isso do denunciado,
06:32porque, por enquanto, ele ainda é um denunciado, né, ainda não tem uma sentença condenatória pra ele.
06:38E, de fato, agora é que as coisas vão andar, né?
06:42Acredito que pra sociedade vai ser posto poucas informações, como agora, né, eles soltaram isso,
06:47daqui a um tempo mais alguma notícia, mas não parou.
06:51Desde que ele já foi preso, né, ali no flagrante, ele já está tudo acontecendo por trás, né, ele não
06:58está...
06:58Esses dias alguém me perguntou, eu falo, ah, nada aconteceu, não.
07:01A gente não fica sabendo porque não é necessário, né?
07:04É, e muita gente se pergunta, inclusive eu quando estou andando na rua, quando eu estou nos locais,
07:08as pessoas falam assim, ah, e aquele rapaz, o que aconteceu?
07:11No dia, inclusive, ele foi conduzido pra um hospital psiquiátrico, e aí depois ele foi encaminhado ao presídio, né,
07:18a prisão dele, que era em flagrante, foi convertida pra preventiva, não é isso, doutora?
07:23Isso, isso é uma provisória, né, porque era perigoso ele estar na rua, né, inclusive.
07:30Então, apesar de não ter consumado o homicídio, ele foi intencionado pra isso.
07:35Isso não aconteceu de uma hora pra outra, né, foi todo um planejamento, então ele iria cometer esse crime.
07:40E graças a Deus, gente, eu estava lendo hoje, assim, é tenebroso.
07:44Por uma falha mesmo que...
07:46Foi, graças assim, foi um milagre, vamos falar isso, quem acredita em Deus, acredita em milagre,
07:51foi um milagre que esse rapaz não conseguiu concluir tudo aquilo que ele havia arquitetado.
07:58Tinha um anjo da guarda pra cada aluno e pra cada professor ali naquele dia, naquela escola.
08:03E aí você bem trouxe a informação, né, que ele poderia até mesmo estar sendo...
08:07Oferecer um risco pra sociedade.
08:09Elza, a gente se pergunta, pessoas que planejaram isso uma vez, tem chance também dessa mesma pessoa,
08:17ainda mais que teve uma tentativa frustrada, né, planejar outros ataques?
08:22Sim, porque isso pode se tornar uma obsessão, né?
08:25Isso, inclusive, pode ser a minha grande motivação de viver.
08:29Eu vivo em função de destruir o outro.
08:33Então, pode sim.
08:34Existe o risco.
08:36Por isso que as pessoas ficam reclusas, né?
08:38E por isso também, gente, a importância de manter a prisão dele em preventiva.
08:45Isso, porque suponhamos que ele, ah, não, entre aspas, não chegou a consumar.
08:50Então, tá todo mundo vivo, vamos deixar ele, né, fazer um tratamento, alguma coisa que quer que seja, não há
08:57garantia.
08:57Porque no estado em que ele já chegou, né, que já é alto, assim, o descontrole,
09:03ele levanta, de repente, pode acometer, né, como já aconteceu com outros casos.
09:10Que tipo de ajuda uma pessoa como essa, ela também precisa para que a gente consiga tentar controlar?
09:17É, deixa eu só responder a primeira pergunta.
09:20Olha só, quando a gente fala de um transtorno, nesse caso, a pessoa tem baixa tolerância à frustração.
09:26Então, primeiro, ele não vai aceitar que o plano dele se frustre.
09:29Ele vai persistir no plano.
09:31Ele é extremamente estrategista.
09:33Ele calcula minuciosamente cada passo que ele vai dar.
09:39Outra coisa, ele não tem empatia.
09:42Então, ele não se importa se o outro vai sofrer, desde que ele consiga o que ele quer.
09:48Depois, ele não tem nenhum sentimento de arrependimento.
09:52Então, eu posso ser preso.
09:54Se eu tiver uma oportunidade de sair, eu não me arrependo pelo que eu fiz.
09:58Por que eu não vou fazer de novo?
10:00Então, não há nenhum nível de constrangimento nessas pessoas.
10:04Tem hora que a gente vai fazer entrevista com um psicopata, ele não demonstra nenhuma mudança.
10:13Ele não chora, ele não boceja, ele não tem sentimento.
10:18Ele é desprovido de empatia, de sentimento, sabe?
10:21Então, são pessoas que nos colocam em risco, porque tanto faz.
10:25Não vai doer nele.
10:26Vai doer em quem ficar perto.
10:28Pode até mesmo dar prazer nele, Elisa.
10:30Muito prazer, muito prazer.
10:33Muito.
10:35Quanto mais eu percebo que o outro está sendo vitimado pelo meu plano maquiavélico,
10:43mais prazer e satisfação eu tenho.
10:46E como a gente disse...
10:48É bem doentio.
10:48É doentio.
10:50E olha só, essas pessoas, elas mantêm uma conexão.
10:55Pessoas aqui, pessoas de outro estado, pessoas de outro país.
10:58E aí, gente, na segunda-feira, um aluno de 14 anos invadiu uma escola em Barreiras,
11:04na Bahia, e matou uma estudante de 20 anos.
11:08Durante as investigações da polícia, foram encontradas várias mensagens trocadas
11:13entre o estudante que fez o ataque na Bahia, com o Capixaba, com o Henrique Lira Trad.
11:19Os dois, segundo a polícia, compartilhavam dos mesmos pensamentos, tá?
11:25E aí, isso traz pra gente também uma reflexão da importância da gente tentar monitorar os
11:33nossos filhos.
11:33O que eles fazem na internet?
11:35Com quem que os nossos filhos estão se relacionando?
11:38Mas até certa idade a gente consegue.
11:40Numa idade, por exemplo, do Henrique, 18 anos.
11:43Como é que você vai controlar o que o seu filho está fazendo, seu filho de 18 anos
11:46na internet?
11:48Queria que você tentasse, de alguma forma, Elza, dizer, dar uma luz, um caminho pra nós,
11:53pais, até que ponto que a gente consegue influenciar positivamente os nossos filhos?
11:59Ó, essas pessoas, geralmente, elas têm uma tendência a isolamento social.
12:04São pessoas bem isoladas.
12:06Quando elas se relacionam, o relacionamento acontece por algum nível de interesse pessoal, não
12:13é interesse em comum.
12:14Então, assim, é uma relação meio que oportunista.
12:18Se você tiver alguma coisa que me interessa, eu me relaciono com você, mas não necessariamente
12:22eu tenho algum sentimento por você, carinho, afeto, amor, não existe isso.
12:27Então, a gente precisa começar a observar, assim, desde criança já começam, às vezes,
12:32aparecer alguns sinais.
12:33A criança que maltrata o bicho, maltrata o amiguinho, você chama a atenção dele,
12:38ele não sente nada, ele é desafiador.
12:41A criança que não é empática, ela vê o amiguinho chorar, ela ri.
12:46A criança que é muito isolada, muito pensativa, fala pouco, sabe?
12:52A criança muito mentirosa, aquela criança que mente, que dissimula.
12:57Você pergunta pra ele se ele fez alguma coisa errada, ele te olha nos olhos e confirma que
13:01ele não fez, ele simula, ele não tem medo.
13:04Porque, geralmente, quando a gente pega o menino fazendo coisa errada, ele se assusta,
13:07ele chora, ele pede perdão, ele tenta fugir da punição.
13:12Agora, essas pessoas não.
13:14Sabe?
13:15Ele não tem constrangimento com aquilo.
13:17Então, é importante começar a ficar atento aos sinais.
13:20E mais do que descobrir se o filho tem algum problema, o que eu vou fazer após eu descobrir?
13:27Porque não adianta a gente saber que o nosso ente querido precisa de ajuda.
13:32A gente tem que ir buscar ajuda.
13:33Pois é, e essa aceitação dos pais, isso é um outro processo que também não deve ser nada fácil.
13:40A gente sonha, muitas de nós sonhamos com a maternidade, com aquele filho que a gente quer
13:47passar por todas as etapas da educação, da construção, da personalidade, do exemplo positivo.
13:52E aí, a gente, às vezes, se depara com uma situação como essa.
13:56Não deve ser fácil essa aceitação.
13:58Existe uma diferença muito grande, Roberta, entre o filho que eu idealizei e o filho que
14:02eu realmente tenho nos meus braços.
14:04Todo mundo quer um filho perfeito, um bebê Johnson, né?
14:07Ninguém quer filho doente, com transtorno, enfim.
14:10Então, quando chega essa realidade, a gente desenvolve um mecanismo de defesa chamado negação.
14:15Eu sei que aquilo está ali, mas eu não quero lidar com aquilo, então não vou enfrentar.
14:20O filho tem um diagnóstico de alguma síndrome, de algum transtorno, mas eu vou deixando para lá.
14:25Até que a coisa se agrava e chegue em um grau terrível, que afeta, às vezes, até a sociedade.
14:33Então, a gente precisa começar a aceitar.
14:36Porque só depois que a gente aceita que a gente precisa se ajudar e ajudar o nosso filho,
14:41é que a gente vai buscar ajuda especializada.
14:44Enquanto não houver aceitação, você mesmo se priva de fazer a diferença.
14:51E, Camila, o Ministério Público concluiu que o crime foi praticado por motivo torpe.
14:55Explica para a gente o que é esse conceito de motivo torpe.
14:59Ele é bem abrangente, mas no caso, que a gente pode citar, ele não tinha motivos,
15:05como se alguém tivesse que ter, né?
15:06Mas suponhamos que nós já tivéssemos uma briga, se ele tivesse ali com algum colega, né?
15:13Um histórico de rixa e de alguém já ter feito algo contra ele, contra a família.
15:19Então, ele teria, entre aspas, algo que o motivasse, de fato, a cometer um crime contra alguém.
15:25Ali, não.
15:26As pessoas não tinham nenhuma conexão com isso.
15:28Tanto que com o bullying que é citado, é um bullying antigo, anterior àquela turma, enfim.
15:35Ele não tinha nada, teoricamente, contra ninguém e simplesmente queria matar por matar.
15:42Então, essa falta de motivos, isso gera essa característica torpe.
15:50E o Ministério Público pede, inclusive, que ele vá a júri popular.
15:53É essa a expectativa mesmo?
15:55É essa a expectativa.
15:56Os jurados, eles são escolhidos, né, numa lista da sociedade, pessoas comuns, de qualquer classe social, qualquer profissão, né?
16:06Justamente para ver como é um crime contra a vida a essa expectativa.
16:12Que quem decida, né, pela acusação ou absorção dele, seja o júri.
16:18E o fato de ter crianças, qual é o peso disso também, Camila?
16:22As crianças, elas não têm nem como se defender, né?
16:24Essas crianças ficaram frente a frente.
16:27Eu li casos...
16:28E os traumas, né, que isso gera em todos ali.
16:30Eu li casos de crianças, assim, que ficaram na frente mesmo e que falhou.
16:34O arco e flecha falhou.
16:36Você imagina voltar a estudar, voltar a rotina, né?
16:40E que nem vocês citaram.
16:42O medo que a gente tem de estar nas escolas dos nossos filhos e entrar, porque eles são uma comunidade,
16:47né?
16:47Um lá no outro estado, mundialmente, esses atentados ocorrem, né?
16:53Então, a gente não precisa estar num lugar perigoso para que isso aconteça, dentro de um local onde a proteção,
16:58né,
16:59deveria ser prioritária pela vida de menores.
17:03Então, realmente, o que isso pode ter gerado em todas essas pessoas envolvidas é incalculável.
17:09Só lembrando, gente, que nós tentamos contato, viu, com o advogado de defesa do Henrique.
17:14Nós não conseguimos.
17:15O telefone a todo instante estava desligado e o espaço está aqui aberto, viu?
17:18Elisa, eu estou vendo o que você quer falar, o que você quer se manifestar.
17:21Você contribui demais com a gente.
17:22Como você fala que o crime tem relação com outro crime que aconteceu na Bahia,
17:27a gente precisa observar o seguinte, eram dois jovens que ficavam muito enfurnados no quarto jogando, né?
17:34Então, tem um grande perigo desses vícios em jogos. Por quê?
17:38Porque eles estimulam você a desenvolver desafios que são sem limites, sabe?
17:43Cada vez mais extremos e perigosos.
17:46Então, como o Ministério Público identificou que a ideação do crime era torpe,
17:52eu acredito que tenha muito mais a envolver, envolvimento com a questão do desafio dos jogos
17:57do que propriamente a vingança pelo bullying, entendeu?
18:01Então, agora as coisas vão se encaixando.
18:04Inclusive, o Ministério Público concluiu também que momentos antes dele fazer esse ataque,
18:10acho que é um dia antes, ele estava jogando um jogo, ele estava num jogo virtual
18:15em que simulava um ataque também a uma escola, né?
18:20Então, quer dizer, já fazia parte já.
18:21Ele precisa colocar em ação o desafio que foi estimulado lá.
18:24E é um mundo paralelo, né?
18:25Totalmente, totalmente.
18:26Esses jogos de realidade, de RPGs e tudo com desafios mórbidos.
18:32Eu acho que uma observação que a gente precisa ter é que, às vezes, a gente tem a fantasia
18:36de que o psicopata, ele é psicótico, que ele é louco, né?
18:40Que ele está num mundo paralelo e fora da realidade, na fantasia.
18:44Não, ele não é louco.
18:46Louco, ele faz sem medir consequência.
18:47O psicopata, ele mede a consequência.
18:50Ele calcula os riscos minuciosamente, tá?
18:55Então, o jogo, ele estimula a estratégia de ataque e de defesa.
19:01Então, a gente pensa assim, ah, ele é doido.
19:03Ele não é doido.
19:05Ele é calculista.
19:07Doido é outra coisa.
19:08O doido, ele não tem juízo de valor nenhum.
19:11Ele faz porque realmente ele é louco.
19:13O psicopata não é louco.
19:16Então, outra coisa que a gente pensa assim, todo psicopata é agressivo, é violento.
19:20Não é.
19:22Às vezes, ele é alguém acima de qualquer suspeita.
19:24Ele fala manso, ele é manipulador, ele é sedutor, ele te seduz.
19:28Ele convenceu o porteiro a entrar na escola, gente.
19:31Como é que ele faz isso?
19:33Manipulando.
19:34Ele é manipulador.
19:35Então, a gente vai fazer isso.
19:36Ah, ele é agressivo, ele é psicopata.
19:40Psicopata, às vezes, ele é o cara acima de qualquer suspeita.
19:43É o mais bonzinho de todos, né?
19:46Quando a gente pega aí os casos de...
19:47Muito bem colocado, Elza.
19:48Obrigada pela...
19:49Outra coisa que a gente precisa prestar atenção.
19:52Ele não tem medo da consequência, tá?
19:56Tá certo.
19:56Obrigada pela participação de vocês e pela disponibilidade aqui no Vale do Espírito Santo.