- há 2 dias
Pessoas que passam por assaltos ou outros atos de violência podem ficar com traumas.
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00:00A gente já começa o programa de hoje com um assunto que eu tenho certeza que você ou então conhece,
00:05alguém que já passou por isso, uma jovem, gente, de 21 anos, ela foi assaltada em Cariacica.
00:11Isso aconteceu ontem à noite. A vítima tinha acabado de estacionar o veículo quando foi rendida pelos criminosos.
00:18Assustada, o que ela fez? Ela jogou o celular pela janela do carro.
00:21Só que nesse momento, gente, um dos bandidos ficou bastante irritado com a atitude dela.
00:26Então, o que ele fez? Ele jogou a jovem no chão, bateu na cabeça dela várias vezes com um revólver
00:31falso.
00:32Só que ela não sabia, né, que era um revólver falso.
00:34Depois disso, eles fugiram, mas foram encontrados pela polícia horas depois.
00:40Eram três adolescentes. Olha a ousadia deles.
00:44E aí, com eles, foram encontrados a arma falsa e a chave do carro da vítima.
00:49Imagina só o susto, a tensão que essa jovem passou.
00:53Por telefone, eu converso agora com a mãe dela.
00:56Só que escuta só esse detalhe.
00:58A mãe dela, a mãe dessa vítima, também já passou por uma outra violência.
01:03Ela também já passou por um assalto.
01:06Ela está, assim, abismada com essa violência toda que a gente está vivendo.
01:10Boa tarde. Obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
01:13Você me ouve bem?
01:15Ouço, sim. Boa tarde.
01:17Boa tarde.
01:18Obrigada. A gente agradece sua confiança aqui no nosso programa, no nosso jornalismo.
01:23Primeiro, a gente quer saber como é que está a sua filha, né, depois dessa noite traumatizante.
01:29Ela está se recuperando.
01:32Na verdade, agora, nesse momento, eu deixei ela no hospital para fazer raio-x e outros exames, né,
01:37por conta da violência, por conta do que aconteceu com ela, né.
01:42Eles bateram nela, né, infelizmente.
01:45É porque ela levou coronhadas na cabeça, né, então, assim...
01:48Sim, na cabeça, foi jogada no chão, chutaram ela.
01:53E a gente sabe o quanto a cabeça, né, precisa de uma atenção especial por conta de pancadas.
01:59Aí tem as lesões físicas e a gente também sabe que tem um lado emocional.
02:04E emocionalmente, como ela está?
02:06Muito abalada, com muito medo.
02:09Assim, ela está muito assustada.
02:13Andou comigo hoje, olhando para os lábios o tempo todo, querendo se abaixar.
02:18Então, assim, é indescritível o que está passando, né, o que ela está passando.
02:24Porque como eu já passei, eu sei o que ela está passando hoje, né.
02:28Isso que eu ia te perguntar, como é que é reviver essas cenas de violência?
02:32Você, que também já foi assaltada há pouco tempo, como é que é reviver?
02:36Só que dessa vez, o nosso bem maior, que são os nossos filhos.
02:40Como é que é essa sensação para você como mãe?
02:44É de impotência mesmo, né.
02:46A gente vê que as autoridades não fazem nada.
02:48E a gente fica assim muito, é como se fosse em mim.
02:52Porque bater nela, né, ela não reagiu, ela só jogou o celular.
02:56Então, eles poderiam ter levado o carro, né.
02:58E apenas, simplesmente, eles começaram a bater nela.
03:03E é triste para uma mãe saber que um filho está passando por uma situação dessa.
03:08Ela me ligou assustadérrima.
03:11Mães, me socorrem porque me bateram.
03:14E, assim, super...
03:16Ela está super abalada.
03:18Eu também, né, a gente está passando por uma situação bem difícil.
03:21Você comentou aí do sentimento de impotência, né.
03:24E vamos parar para pensar.
03:25Tem muito.
03:26Três adolescentes, mãe.
03:28Olha isso.
03:30A gente está, assim, à mercê da criminalidade.
03:33É esse o seu sentimento?
03:35Sim, de impotência mesmo.
03:37O que eu posso fazer?
03:39O que tem que fazer são as autoridades.
03:42Aqui em Campo Grande está tendo muito assalto.
03:44Não é pouco, não.
03:45É muito.
03:46É todo dia.
03:47Então, as autoridades precisam fazer alguma coisa.
03:51Porque nós, enquanto cidadãos, que pagam os impostos em dias, fazem tudo certinho,
03:56a gente está vivendo isso.
03:57O tempo todo na nossa frente.
03:59E aí, onde a gente vai parar?
04:02Exatamente.
04:02Você passou por isso.
04:04Agora, sua filha de apenas 21 anos.
04:08Chega a passar na cabeça da família, assim, vocês mudarem algum hábito, alguma rotina por conta disso?
04:16Sim, na verdade, eu até estou muito preocupada com essa região aqui, né?
04:22Não só a rotina, mas toda com essa região aqui de Campo Grande.
04:28Então, assim, a gente tem muita preocupação.
04:30Ou seja, mais fácil é a gente se adaptar, dar um jeito da gente tentar minimizar os impactos dessa violência
04:38no nosso dia a dia.
04:39Ou seja, a gente está se adaptando.
04:41É isso aí, é tentar mudar o horário, porque eles já sabem o momento certo de agir.
04:47É a gente que precisa se adaptar.
04:50Isso é o que é o mais revoltante, né?
04:55Com certeza.
04:57Mãe, obrigada pela sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
05:01A gente deseja que a sua filha tenha uma boa recuperação,
05:05que a família consiga dar todo o acolhimento que ela precisa nesse momento, né?
05:09Que não é fácil lidar com isso.
05:11Obrigada, viu, pela sua confiança mais uma vez aqui no nosso jornalismo, tá?
05:15Obrigada.
05:15Um abraço.
05:16Um abraço.
05:17E como a gente já adiantou, né?
05:19A gente sente uma tensão só de falar sobre isso.
05:22É muito difícil, gente, lidar com os traumas que ficam depois de uma violência como essa.
05:26E aí, a gente sabe, é preciso de uma ajuda da profissional,
05:29de um profissional especialista, da família também.
05:32Vamos bater um papo sobre isso?
05:34Aqui no nosso estúdio, eu recebo a Anne D'Altro, ela é psicóloga.
05:37Obrigada mais uma vez, Anne, pela sua participação.
05:40E também recebo a Rebeca.
05:42A Rebeca, escuta só a história dela.
05:44Ela foi assaltada quando estava grávida.
05:48E aí, essa violência teve um reflexo na vida dela, também na vida do neném.
05:51E ela vai contar pra gente o que foi que aconteceu.
05:53Rebeca, obrigada.
05:54Boa tarde.
05:55Obrigada a você, Roberta.
05:57Aconteceu que quando eu estava grávida, com quase nove meses, no finalzinho da gestação,
06:01já estava no último trimestre, eu estava voltando pra casa do trabalho,
06:05que eu trabalhava na época bem próximo de casa, então eu vinha fazer todo o caminho a pé.
06:09E aí, quando eu estava próxima, um rapaz passou de bicicleta, simulou estar armado,
06:13e num dia ele pediu o celular.
06:15Aí, aquele trauma, aquele desespero que você fica na hora com medo,
06:19que você não sabe o que ele vai fazer, o que pode fazer,
06:22entreguei o celular, no dia seguinte, naquele nervosismo,
06:25e fui pra casa, terminei o caminho travada.
06:29Quando eu cheguei em casa, eu disse,
06:30aberto a chorar, chorei, chorei, chorei, aquele medo,
06:33e aquela mistura de medo, impotência e desespero.
06:36Você já estava de barrigão, né?
06:38Você falou que estava no último trimestre.
06:39Nem assim, nem a Rebeca grávida, prestes a dar a luz, nem assim,
06:44desculpa a expressão, filha da mãe, não teve respeito.
06:48Eu acredito que eles já observam pra ver qual é o alvo mais fácil, né?
06:52Então, você está grávida, você não vai ter como reagir ao assalto,
06:55você não vai correr.
06:56Então, eles acreditam que seja mais fácil pra eles agirem, né?
07:00Anne, quais são os impactos de toda essa violência que a gente está vivendo?
07:04A mãe que passou, a filha agora que passa, a Rebeca,
07:07e eu tenho certeza, se eu pegar aqui o meu celular,
07:09diversos telespectadores vão estar relatando também
07:12as mesmas sensações de medo.
07:15Qual é o impacto disso?
07:16Boa tarde.
07:17Boa tarde.
07:18A gente fala bastante sobre a ansiedade recentemente, né?
07:21Não é à toa que o Brasil, a gente está no ranking de terceiro país
07:25com o maior número de pessoas ansiosas.
07:28E a violência tem muito a ver com isso.
07:30Porque em qualquer lugar que você vai,
07:32você está com medo de sofrer um assalto,
07:34de sofrer algum tipo de violência, né?
07:36Você acaba estando vulnerável a esse tipo de situação.
07:39Então, não é à toa que a gente tem esses dados aí tão alarmantes
07:43e que a gente se vê muito mais.
07:45A gente tem falado, né?
07:46Que é uma geração muito ansiosa.
07:48E não é à toa.
07:49Tudo isso pode impactar e trazer pra gente sintomas ansiosos no nosso dia a dia.
07:54No caso dessa mãe que a gente acabou de entrevistar aqui no programa, né?
07:57A filha dela de 21 anos levou coronhadas na cabeça durante um assalto.
08:02O que que o pai, o que que a mãe dessa jovem podem fazer por ela
08:07agora nesse momento de acolhimento?
08:10A gente precisa respeitar esse momento principalmente
08:12porque é comum depois de um evento traumático como esse, né?
08:16É o que a gente chama de estresse pós-traumático.
08:19Então, é comum que isso aconteça em que a gente fique com essa ansiedade exacerbada.
08:24Então, a gente fica com medo de lugares e de situações que possam nos colocar
08:29novamente nessa situação que a gente viveu.
08:31A gente fica também com alguns flashbacks aí que a gente chama, né?
08:35Então, às vezes a gente sonha com isso durante alguns dias.
08:38A gente fica com a sensação de que isso vai acontecer a qualquer momento.
08:41Então, esses são sintomas desse estresse pós-traumático.
08:43E isso é comum.
08:45É óbvio que a gente precisa ficar atento pra saber quanto tempo isso vai durar.
08:48Se isso permanecer por muito tempo, é necessário que a família fique atenta
08:52pra procurar um profissional de psicologia, né?
08:55Qual é o limite desse tempo, Anny?
08:57A gente não tem especificamente, assim, né?
08:59É importante que se isso durar meses, né?
09:02Cerca de seis meses, na verdade, que a gente fala.
09:05Isso permanecendo por mais de seis meses, a gente precisa ficar atento pra procurar um profissional.
09:09Mas fora isso, é importante que a família ofereça um espaço seguro, respeite o tempo também.
09:15Tudo bem, a gente não vai ficar forçando toda hora essa pessoa a sair de casa, a estar em contato
09:20com o que a gente chama desses gatilhos, né?
09:22É preciso respeitar e acolher esse momento.
09:25Estar mais próxima também, por exemplo, se a filha tá indo pro trabalho, acompanhá-la, ajudar na ida, na volta
09:32do trabalho.
09:33Estar mais próximo ajuda.
09:33Com certeza, exatamente por essa pessoa estar vivendo um momento de muita ansiedade pelo que ela acabou de viver,
09:40pra ela estar tendo esse momento de estresse pós-traumático, é necessário que, sim, essa pessoa se sinta segura, né?
09:47Que essa pessoa tenha alguém pra acompanhá-la e que ela não esteja sozinha.
09:50Porque, principalmente nesse caso em que ela viveu essa situação, foi assaltada sozinha,
09:56isso com certeza piorou o fato, provavelmente, essa mãe pode falar aí que provavelmente ela não tá querendo ficar sozinha.
10:02Então, é importante acolher, ficar com ela, ajudar, acompanhar, sim, se for preciso, na faculdade, no trabalho, né?
10:09Ir e voltar com ela, até que esse sentimento vá passando naturalmente.
10:14Rebeca, à medida que a Anny foi comentando desses sentimentos, eu vi que você foi concordando.
10:20Você também passou por isso?
10:21Sim, realmente. Pós o assalto, você fica com pavor de passar no mesmo lugar, você vai dormir, você fecha o
10:27olho,
10:27você lembra daquela situação, vem a cena de novo e você fica o tempo inteiro com aquela sensação de medo.
10:34Até a gente comentou antes, né, que a sensação de medo é pra sempre.
10:39Você fica o tempo todo, se tá vindo alguém atrás de você, você já sai correndo, você apressa o passo,
10:43com aquele desespero, com aquele medo de acontecer novamente a mesma situação.
10:47Agora, olha só, eu comentei que a Rebeca estava grávida e, infelizmente, esse trauma que ela viveu,
10:55isso também passou pro filho dela, gente, um bebezinho, que hoje tá com 4 anos.
11:00Conta pra gente, conta pro pessoal o que aconteceu com ele, por conta desse assalto.
11:05Na medida do desenvolvimento dele, ele teve um atraso na fala.
11:09E aí eu procurei a pediatra, a pediatra me orientou a levar a fono, fazer o tratamento.
11:15Aí eu perguntei a ela, doutora, será que esse atraso na fala é porque ele tem algum problema neurológico?
11:20Ela falou assim, ele não tem indícios de nenhum problema.
11:23O que pode ter acontecido alguma coisa durante a sua gestação que hoje provocou isso.
11:28Aí eu lembrei que foi o momento do assalto.
11:31Aí contei pra ela, falou, possivelmente o atraso da fala tá associado a isso.
11:35E quando eu fui na consulta na fono, a primeira consulta é com a mãe, a gente relata toda a
11:40vida da criança.
11:41E aí ela me perguntou, falou, aconteceu alguma coisa durante a gravidez?
11:44Foi a primeira pergunta que ela fez.
11:46Aí eu fui relata, ele falou, não, foi assaltada, aconteceu isso e isso?
11:49Ela falou assim, então, pode ter uma ligação hoje nesse atraso dele por conta do que aconteceu durante a sua
11:56gestação.
11:57Pode mesmo, Anny? Você como psicóloga também assina embaixo dessa possibilidade?
12:02Com certeza, pode. E é por isso que a gravidez é um momento que a gente precisa ficar muito atento,
12:07né?
12:07O pai e a mãe precisam ficar atentos ao cuidado, o máximo de cuidado possível dessa mãe, porque pode sim
12:14trazer esses efeitos.
12:16Pode trazer uma criança de temperamento um pouco mais triste, né?
12:21Uma criança que chora muito, uma criança mais estressada.
12:24Pode aparecer esse atraso na fala, né?
12:27Pode aparecer um atraso em socialização.
12:30Então, a gente tem diversas consequências que pode trazer para essa criança, além da consequência na própria mãe, né?
12:36Que traz essa ansiedade, esse estresse, esse medo constante.
12:41E olha só, nessa semana, gente, o humorista Carlinhos Maia, que teve o apartamento invadido meses atrás,
12:47lembra desse caso? Ele revelou que está com síndrome do pânico.
12:50Ele anunciou até o afastamento da internet por um tempo. Acompanhe.
12:55O humorista e influenciador Carlinhos Maia falou sobre o afastamento temporário das redes sociais em um vídeo.
13:01Eu vou tirar um tempo para mim, porque eu não estou 100%.
13:06A decisão está relacionada à saúde dele.
13:09Reflexos do polêmico assalto que o artista sofreu no apartamento em maio desse ano.
13:14Eu tenho síndrome de pânico há muitos anos já. Não fico falando toda hora para vocês isso.
13:20E desde o negócio lá do assalto, isso agravou, isso aumentou.
13:32Para algumas pessoas, o susto passa.
13:34O prejuízo financeiro é recompensado ou não, mas o assalto vira só uma lembrança ruim.
13:40Para outras vítimas, o impacto vai muito além do bolso.
13:44Ficam sequelas.
13:45O roubo vira um problema de saúde mental.
13:49Nem durmo.
13:51Eu fico rolando na cama.
13:54Por que que nessa hora não teve um policiamento, entendeu?
13:59Não teve alguém que poderia me ajudar.
14:02Eu trabalho à noite e até o momento antes do assalto eu andava tranquilamente.
14:07Depois disso eu fiquei com trauma total de andar na noite.
14:11O meu primeiro assalto faz acho que uns 12 anos.
14:16Até hoje eu lembro direitinho.
14:19Principalmente quando eu paro no farol que ele pôs a faca no meu pescoço.
14:23Aquele frio na espinha.
14:25A neuropsicanalista explica que o evento traumático pode provocar alterações no funcionamento do cérebro.
14:31E o desequilíbrio leva a diferentes quadros de problemas psicológicos.
14:36E esse trauma pode bloquear neurotransmissores de serem produzidos.
14:41Isso gera um transtorno que é chamado transtorno do pânico.
14:44Muitas vezes para alguns não gera esse bloqueio e para outros gera.
14:50Pode gerar uma depressão, pode gerar algum transtorno como um transtorno de comportamento.
14:59Rendido, roubado, ameaçado e humilhado.
15:02Este homem que prefere não mostrar o rosto teve a loja de materiais de construção invadida no interior de São
15:08Paulo.
15:09Funcionários e clientes também foram rendidos pelo bando.
15:12E esse cara fica com a gente aqui das quatro até as dez para as seis.
15:17Torturando, batendo.
15:18Não podia olhar no rosto que os caras dava coronhar na cabeça.
15:23O prejuízo de cerca de 25 mil reais não tem sido o maior problema do comerciante.
15:28Não consigo dormir direito, porque toda hora você está lembrando a fisiologia das pessoas, da forma que o cara tratava
15:36a gente, sabe?
15:37Hoje mesmo eu acordei duas horas da manhã, sentindo a mesma sensação de estar sendo roubado de novo.
15:42Se não só eu lumei, várias vezes eu fico tendo pesadelo, sabe?
15:45A lembrança desconfortável é comum a todas as vítimas de violência.
15:49Mas ela é diferente do trauma que precisa de tratamento.
15:53Se passou de um mês, a pessoa ainda está com preocupações, se sente ansiosa, evita situações, evita sair de casa.
16:00E começa a ter vários impedimentos.
16:02Então a gente orienta a buscar alguém de saúde mental, ou um psiquiatra, ou um psicólogo, para fazer uma avaliação.
16:09E em cima disso, se for necessário, uma terapia, uma medicação, para que o paciente se estabilize e volte a
16:14ter uma vida de qualidade.
16:19Olha só o comentário que eu acabei de receber aqui nas nossas redes sociais, o comentário da Raquel Soares.
16:24Ela diz que é muito difícil falar sobre esse assunto, já foi assaltada dentro de casa, tá, gente?
16:30Isso aconteceu há anos, mas só que até hoje, ela e a filha, né, que também teve uma arma apontada
16:37na cabeça, misericórdia,
16:38não conseguem dormir direito.
16:41Anne, passado todos esses anos aqui, conforme a Raquel relatou para a gente,
16:47de acordo com o nível de tensão que a pessoa acaba vivendo, ela pode vir a ter um quadro de
16:53depressão?
16:54Pode sim, pode acontecer.
16:55Exatamente porque a gente entende que esse evento tão traumático, ele pode acabar trazendo diversos sintomas, né,
17:02como a gente falou aí, por exemplo, evitar sair de casa, essa pessoa pode parar de socializar com outras pessoas,
17:08pela desconfiança, né, exacerbada, uma ansiedade, um estresse, além do que a gente costuma ter.
17:15Tudo isso pode acabar, sim, trazendo um transtorno depressivo.
17:20E você, o que mudou na sua rotina, Rebeca, depois que você viveu também esse evento traumático?
17:26Hoje eu ando muito mais atenta a tudo. Qualquer pessoa que eu acho estranho, eu já tento,
17:32se eu tiver como entrar num comércio, alguma coisa, eu entro para com medo da pessoa de acontecer novamente.
17:39E detalhe, né, pelo que você me contou, você trabalhava próximo à sua casa,
17:44então era um trajeto que fazia parte da sua rotina, né, até então você não via perigo ali, né?
17:50Sim.
17:51E agora a gente sabe que o perigo está onde a gente menos imagina.
17:54Pois é.
17:54E aí você hoje, né, já falou para a gente que você tenta ficar muito mais atenta.
18:01Mas o quê? Por exemplo, você evita atender celular na rua?
18:04Não uso celular jamais na rua.
18:06Não usa?
18:06Não uso.
18:07É outra mudança de comportamento.
18:09Ele fica no silencioso o tempo inteiro.
18:12Anja, é isso que eu estou falando, que a gente acaba se adaptando à violência,
18:18porque a violência só vai crescendo, você não percebe que a violência vai diminuindo.
18:22Alguém percebe que a violência vai diminuindo?
18:24Se alguém perceber, por favor, participa aqui com a gente, porque a gente está o tempo
18:29todo se adaptando, ou mudando de endereço, ou mudando o caminho, ou não atendendo mais
18:34celular na rua, daqui a pouco a gente não pode nem sair de casa.
18:37Só que se também se criar dentro de uma redoma é tão ruim quanto, né?
18:41Exatamente.
18:42Eu acho que você falou uma coisa muito importante, que é, isso pode acontecer em qualquer lugar
18:47que você esteja.
18:48Às vezes na sua própria casa isso pode acontecer.
18:51Então é por isso que é importante a gente não levar isso assim, ah, e esse lugar especificamente
18:56que eu vou ter que tomar todos os cuidados, como a gente já sabe, como evitar mexer no
19:01celular, para alguns lugares até evitar levar o celular, é importante, né?
19:05É óbvio, evitar passar em lugares em que a gente já sabe que acontece um grande número
19:10de assaltos ou de violência.
19:11Mas é isso, a gente também não pode se trancar em casa, porque senão nem na nossa casa
19:16a gente vai ficar, como a gente está falando.
19:18É importante a gente conseguir estabelecer aí, e isso é muito pessoal, mas conseguir estabelecer
19:23aí esse limite entre eu vou respeitar aqui o meu instinto, de certa forma, né?
19:28Minha intuição, de certa forma, mas eu também vou observar o que de fato faz sentido,
19:35faz sentido não passar nesse lugar ou não faz sentido?
19:38É a minha ansiedade, o meu medo que está falando mais alto.
19:41Isso é muito pessoal, claro, mas é muito importante a gente contar com o apoio de amigos,
19:46familiares, para entender esse limite.
19:48E olha só, agora a gente vai ver o depoimento da Patrícia, gente.
19:51Ela foi assaltada para, junto com a família, a filhinha dela de 7 anos, viu tudo.
19:57Olha só como é que foi.
19:59Tem uns 18 dias que eu e minha família, a gente teve um assalto, né?
20:03E o nosso assaltante chegou, levou o nosso carro, colocou a arma no meu esposo.
20:09Juntamente a minha filha de 7 anos estava comigo, com a gente, né?
20:14E hoje em dia ela está com esse trauma, né?
20:17Ficou traumatizada.
20:19Ela tem medo quando a gente chega em casa, que a gente está guardando o carro na garagem.
20:23Ela fica, papai e mamãe, anda logo, vão subir para casa.
20:26Na rua, quando a gente está andando também, ela fica com medo.
20:30É tanto, gente, que ela chegou a fazer um desenho contando como que foi o assalto.
20:38Patrícia, beijo para você.
20:40Obrigada pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
20:43Anne, se tratando de crianças que presenciam essas cenas de violência,
20:48que tipo de atenção que elas precisam?
20:50É muito importante a família ficar atenta a esses sintomas que comentamos há pouco, né?
20:54Como se a criança está dormindo normalmente, se a criança parece mais triste ou agressiva que o normal,
21:00se ela está socializando menos, se ela parece desconfiada, né?
21:04É muito importante o que ela trouxe, que é a criança desenhou.
21:07Isso é importante, porque a criança precisa expressar e, de certa forma, colocar essa sensação, esse medo para fora.
21:13Então, é positivo o desenho que a filha dela fez.
21:16Sim, é importante porque ela está expressando o que ela está sentindo, né?
21:19Uma preocupação maior é quando a criança não expressa.
21:22Então, aí, quando a criança expressa, faz desenho, fala sobre o assunto, pergunta,
21:27a gente consegue observar bem como que a criança está se sentindo.
21:29E aí, se necessário, se esses sintomas permanecerem, como a gente falou, por meses, procure um profissional.
21:36Porque isso pode trazer diversas consequências para a criança que não são benéficas para ela,
21:42para o desenvolvimento dela na escola, na vida pessoal, nos relacionamentos.
21:46Gente, eu estou chocada, chocada com o comentário que eu recebi aqui da Luzimar, para.
21:53Luzimar de Paulo Esquiavo.
21:55Ela disse que próximo de minha casa, os bandidos entraram numa casa, né?
21:59Da vizinha, acredito que foi isso.
22:02Enquanto ela foi jogar o lixo fora.
22:05E aí, eles passaram a tarde dentro da casa da mulher, gente.
22:09Ela teve que servir café, assistiram o jogo e, ao sair, ainda trocaram de roupa.
22:16Trocaram com as roupas da família.
22:18É muita cara de pau.
22:20Você imagina a tensão, parece até cena de filme, né?
22:23Imagina, Rebeca, você está na sua casa e, de repente, um bando de bandido está ali sentado,
22:28interagindo com você.
22:30Você tem que servir café para eles, só faltava essa.
22:33Virou cena de filme.
22:34Mas não é filme, a vida é real, né?
22:36Dá medo só da gente ouvir isso.
22:38Sim, com certeza.
22:39Dá medo, né?
22:41Agora, Anny, tem pessoas que, quando vão relatar, dão até uma amnésia.
22:46Dão um branco na mente, né?
22:48Fala, eu não consigo me recordar direito.
22:51Por quê?
22:51O que explica isso?
22:54Principalmente esses eventos tão traumáticos, em alguns momentos, a gente não consegue processar
23:00isso da melhor forma, né?
23:02Principalmente quando é um evento tão traumático como um assalto, alguma violência, né?
23:06Então, é comum que a gente não se lembre do assunto, exatamente porque significa que
23:11o nosso cérebro ainda não processou essa informação da melhor forma que poderia, né?
23:16Às vezes, até como uma forma de proteção, né?
23:19A gente tem que entender que o nosso cérebro tenta proteger a gente o tempo inteiro, né?
23:23Então, até como uma forma de proteção, porque quando a gente lembra, traz todos esses
23:27sintomas de volta, ansiedade, medo, e aí traz sintomas típicos da ansiedade, como respiração
23:33ofegante, tremores, náuseas, dificuldade de dormir, né?
23:37Então, é até uma tentativa do nosso cérebro de proteger a gente dessa informação, pra
23:41gente não ficar revivendo essa situação muitas vezes.
23:44Agora, Rebeca, quando o assalto foi anunciado, você imaginava ter a reação que você expressou
23:51pro bandido?
23:52Não.
23:53Você nunca imagina qual vai ser a reação no momento.
23:56Eu não esperava, tanto que quando ele falou, eu achei que ele fosse perguntar, pedir alguma
23:59informação, alguma coisa, eu fiquei assim, entrei em estado de choque, eu não consegui
24:05mais esperar, a gente nunca espera que você vai passar por uma situação dessa.
24:09E aí você entregou o celular pra ele?
24:10Sim, entreguei.
24:11No caso da jovem que a gente abriu o programa mostrando, que aconteceu em Campo Grande,
24:15Cariacica, jovem de 21 anos, a primeira reação dela foi jogar o celular pela janela.
24:19Como você bem disse, a gente nunca sabe qual reação a gente vai ter.
24:23Mas uma coisa a gente sempre frisa aqui, quem tá falando isso não é, Roberto, são
24:27os especialistas.
24:28A gente não pode, a gente não deve reagir.
24:32Tem técnicas pra gente trabalhar a nossa mente, Anne?
24:34Pra gente não reagir na hora do assalto?
24:37É, principalmente a gente treinar aí a nossa ansiedade, né?
24:41Porque a nossa resposta no momento do assalto é uma resposta de medo.
24:45Então, a gente precisa principalmente treinar, pensar no que a gente faria, muitas vezes
24:50a gente evita pensar esse tipo de coisa, mas pensar o que a gente faria, manter a calma.
24:55A gente tem falado aqui sempre sobre respirar, dar uma respirada fundo, isso vai te ajudar
25:01a pensar com mais calma.
25:04Tudo isso é importante.
25:05E principalmente ficar atento aí no seu dia a dia, em quais situações você talvez
25:10tá respondendo de uma forma muito imediata, muito impulsiva e você pode se acalmar um
25:16pouco mais.
25:16Então, a gente pode exercitar isso no nosso dia a dia.
25:19Obrigada pela participação de vocês, Anne, com essas dicas que a gente precisa adotar
25:24pra nossa vida.
25:24Infelizmente, né?
25:25Porque os bandidos estão soltos e a gente cobra providências das autoridades.
25:30segurança, a gente precisa muito mais do que sensação.
25:33A gente tem que sentir, de fato, a segurança.
25:36Obrigada, Rebeca.
25:37Tudo de bom pra você e pro seu neném também, tá?
25:39Um beijo.
25:40Obrigada, Rebeca.