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  • há 15 horas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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Transcrição
00:11Flauzilo!
00:13Fala, garoto!
00:15Você tá bem?
00:16Qual é, mano? E essa canequinha aí, hein?
00:19Rapaz, aqui...
00:21Me desculpe, mas essa canequinha é original de Abbey Road,
00:25quando a gente foi gravar lá e eu ganhei essa caneca.
00:28Eu tenho coleção de canequinhas, mano.
00:31Ah, então eu vou providenciar uma pra você, vou te mandar um...
00:34Inclusive ontem, putz, não tá aqui perto,
00:37mas ontem eu fui cantar com o Beto Guedes, velho.
00:42Eu vi, cara, tá doido, você...
00:44E aí eles me deram uma canequinha do lance, da live e tal.
00:49Eu falei, nossa, eu tenho coleção, porra.
00:52Olha, eu tenho que primeiro te pedir desculpa
00:54que eu te enchi o saco pra você tá aqui, bicho.
00:58Vergonhosamente, eu te perturbei muito.
00:59Não, não tem que pedir desculpa de nada, você tá louco, mano.
01:02É um prazer estar aqui com você.
01:03Eu que peço desculpa por eu ter demorado tanto tempo
01:06pra marcar a nossa conversa,
01:08porque eu tenho certeza que será muito boa
01:10e você é um cara muito legal, especial.
01:13Os meninos da banda tudo já tinham vindo
01:15e eu tava faltando eu.
01:16Falei, cadê o Falzinha?
01:17Não foi, não, bicho.
01:18Tá pegando até mal essa porra já.
01:20Não, olha só.
01:22A gente já falou tanto do Jota, a gente sabe...
01:25Todo mundo conhece a história do Jota, né?
01:27Todo mundo que gosta do Jota, conhece, se aprofunda nessa história.
01:31Quem gosta de música tem uma noção.
01:33Sabe das histórias que você fez teste,
01:35que a banda já começou e que a banda já...
01:38Essa história toda estamos carecas de saber.
01:41Mas eu queria era entender a tua essência, cara.
01:45Porque você tem alguns elementos musicais...
01:48Tudo bem, você teve a sorte de se juntar com aqueles mal acabados lá
01:51e montar o Jota Quest.
01:54Tem uma luz aí que Deus ajuda.
01:55Tem uns mal acabados.
01:56Mal acabado.
01:58Mas teve uma luz ali, cara.
02:01Que são elementos...
02:03Cada um é igual uma mão, né?
02:05Os dedos não são iguais, mas sem essa funcionabilidade
02:09não segura nada, né, cara?
02:11É impressionante isso.
02:13Eu acho que aí é exatamente isso que você falou.
02:17As nossas...
02:18A gente começa a tocar todo mundo na mesma época.
02:2285, 86.
02:23Não existe um menino que não tinha um jeitinho pra música,
02:26que não tenha pirado.
02:27Falou, vamos dar uma banda.
02:28E não foi diferente pra mim.
02:30Morava no interior, lá em Alfenas.
02:32Eu tinha 13 anos, né?
02:3413 anos.
02:35Em 95, eu tinha 12 pra 13.
02:39E aí eu me juntei com os amigos de lá.
02:42A mulher cadinha igual...
02:43O meu pai tem uma bateria.
02:45Vamos montar uma banda.
02:46Aí a minha irmã tem uma guitarra.
02:48Aí meu amigo tem um baixo.
02:50E aí a gente montou uma bandinha.
02:52O Sideral ainda não era dessa primeira formação.
02:55Tá daí eu, Davizão, a galerinha toda.
02:57Esse grupo era o Contatos Imediatos?
02:59Já era o Contatos Imediatos?
03:01Exatamente.
03:02Esse é o primeiro grupo, Contatos Imediatos,
03:04que chama Contatos Imediatos por causa do filme, né?
03:06Que eu amo esse filme.
03:09E eu me lembro de estar...
03:12Por que você botou esse nome na banda?
03:13Cara, eu caí da bicicleta na frente do cinema
03:18e olhei assim...
03:19O filme que estava em cartaz era Contatos Imediatos de terceiro lugar.
03:23Esse filme é de 77.
03:25Isso já era mais pra frente.
03:27Mas estava passando de novo.
03:28Tinha essa coisa no cinema naquela época.
03:30O filme voltava, né?
03:31É.
03:32E era um puta filme, né?
03:34É um puta filme, cara.
03:35Eu já vi esse filme milhões de vezes.
03:37Se passar de novo ontem...
03:39Deixa eu te contar um segredinho aqui.
03:42Eu fiz vários programas de rádio na vida.
03:45Vários programas.
03:46Muitos programas.
03:47Você sabe que um dos programas de maior sucesso que eu fiz
03:50foi numa rádio ligada ao sistema globo local aqui.
03:53Que era de 4 às 7.
03:54O nome do programa era Contatos Imediatos.
03:57Então, vou te falar uma coisa.
03:59Eu fiz um programa de rádio dos 16 aos 18 anos de idade,
04:03lá em Alfeiras, que chamava Contato Imediato.
04:05Porque era o único jeito de pôr a minha banda no programa,
04:09de alguma maneira.
04:10Muito bom.
04:11E eu tenho a vontade de fazer...
04:13Vamos dar um pulinho pra trás um pouquinho.
04:16Flávio, Wilson e Rogério.
04:19Vocês foram criados, três irmãos.
04:22Como é que era a música ali na família?
04:25Acho que, se eu não me engano...
04:27Eu conversei com o seu irmão aqui nessa sequência.
04:29Acho que lá o seu avô tinha uma coisa de música, se eu não me engano.
04:33Alguém na família...
04:33Fala pra gente.
04:35É, eu sou o mais velho, né?
04:37Eu vim primeiro depois do Sideral, depois do Landau.
04:40E depois ainda teve minha irmã Letícia, né?
04:42Mas eu, cara...
04:44A nossa família é uma família musical por causa do meu avô.
04:48Dé, Flauzino, que não tá mais pra gente.
04:50Ele morreu quando eu tinha 19 anos.
04:53Mas...
04:53E a minha avó, que cantava com ele.
04:56E todos os meus tios, cara.
04:58Todos eles cantam e tocam.
05:00Então, eu nasci num lugar onde todo final de semana,
05:04a família inteira tava reunida em volta da mesa, da cozinha, com violão.
05:07Todo mundo tocando e abrindo vozes e cantando músicas de todos os tempos.
05:12Pô, que legal.
05:13Meu avô cantava as cereças todas e tal.
05:16Os tios vieram vindo.
05:17Ali se cantava de tudo.
05:19Meus dois tios mais...
05:20O tio Décate já usaram mais jovens.
05:22Aí já era MPB e a música do momento deles.
05:26E aí veio a minha geração.
05:29E meu avô, Dé, apoiou totalmente.
05:33Levava...
05:33Tinha uma caminhonete, porque ele tinha uma loja de imóveis.
05:36Botava os equipamentos, levava, buscava a gente.
05:38Porque meu pai trabalhava...
05:39Minha mãe e meu pai trabalhavam muito.
05:42Não, eu deixo...
05:42Chegava o final de semana, a vida dele ia levar a gente pra lá e pra cá.
05:46Cuidado dos negros.
05:47Meus tios também, todos apoiaram muito.
05:51Então...
05:51Na verdade, a gente carrega aí essa história com o maior prazer, cara.
05:55Porque a gente não estaria aqui...
05:57Imagina, naquela época, né, velho?
06:00Meu avô nasceu na roça.
06:02Eles nasceram na roça.
06:04Falava isso.
06:04Nasceu na roça.
06:06Numa cidade muito pequena, que chama Campo do Meio, né?
06:10Que é uma cidade...
06:11Até hoje, Campo do Meio é uma pequena cidade.
06:14E naquela época, então...
06:15Aí quando os filhos foram...
06:17Tinha que estudar, foram pra Boa Esperança.
06:20Depois, chegou na época da faculdade, foram pra Ufenas.
06:23Aí minha mãe conheceu meu pai.
06:25E aí começou a parada.
06:27Agora, o seu nome é Rogério de Oliveira...
06:30Oliveira de Oliveira.
06:31Você escolhe o nome Flausino em homenagem ao avô.
06:36Exatamente.
06:36E respeito a toda essa influência que ele pregou em você,
06:40num certo momento, assim...
06:41Meu nome artístico não vai ser Rogério de Oliveira...
06:46Oliveira de Oliveira é muito estranho, né?
06:49Oliveira...
06:50Rogério Oliveira...
06:51Eu tenho um grande amigo que chama...
06:53Eu preciso achar alguma coisa aqui pra poder chamar a atenção no meio da multidão.
06:58Tá horrível isso.
06:59Igual o Ilcinho, o Sideral também, que era o Ilcinho Silveira.
07:03Sempre tem essa coisa do Ilcinho...
07:06O Landau era Flavinho, Flavinho, Flavinho.
07:09Aí ele já botou logo o Landau pra fazer a cor toda.
07:13E o Sideral...
07:14Que é um carro, né?
07:15Pensou em várias...
07:16Pensou...
07:16Ele usava o cabelão, quase foi Samambaia.
07:20Mas aí acabou virando Sideral mesmo, e graças a Deus.
07:23Samambaia é assim, engraçado.
07:25Mas aí, cara...
07:26Tem isso, então.
07:27O Vodé...
07:28O Vodé é Flauzinho.
07:28Você pode dizer que você descobriu a sua voz com essa rodada, com essa roda de tios,
07:38com a família, ou você considera isso só um embriãozinho, mas você descobre em certo
07:45outro momento?
07:46Ah, cara.
07:47Eu acho que eu ficava ali, muito ali, na barriga da minha mãe, né?
07:51Nasci em 72, então eu comecei a cantar, mesmo com 12, 13, e eu ouvi muito esses caras
08:00cantando.
08:02Eu ficava ali, eu era meio tímido, não ficava cantando com eles, assim, não.
08:07Eu acho que eu...
08:08Eu precisou chegar o rock, a minha música, né?
08:11A nossa música, o nosso som, pra eu...
08:13Alguma coisa...
08:15Identificação.
08:16E eu tava contando isso pros meninos esses dias, que eu tentei tocar baixo, eu tentei
08:20tocar a bateria, a gente montava bandinha, eu ficava...
08:22Mas ninguém tinha coragem de cantar.
08:24Eu falava assim, não, quem vai cantar?
08:26Não, eu quero tocar.
08:27Não, vai lá, você canta, você canta.
08:29Não, mas, puta, eu queria tocar, né?
08:32Não, não, velho, vai lá, você canta.
08:33E foi nessa de, não, você canta, você canta.
08:35Eu acabei cantando e eu conseguia, porque eu era meio sem vergonha.
08:39Eu tinha muita...
08:41Eu lembro da primeira vez, foi uma loucura, um martírio, cara.
08:44Subi no palco, botei um óculos escuro, fiquei com o olho fechado e cantei.
08:49E aí passou aquela coisa, todo mundo sentia aquela coisa da primeira vida.
08:52Falei, ah, esse negócio é bom.
08:55E aí eu fui indo, fui indo.
08:57Então esse início de Alfenas, cara, ele foi muito importante.
09:02Porque a gente começou criança, aí com 14 eu já tava cantando no bar, aí já era
09:06o Sideral com...
09:07A gente tinha a banda e também tocava nos bares.
09:11Criança, né?
09:12E a gente ia e podia ir, porque o vô levava, ou o tio levava, porque eles frequentavam
09:19esses bares ali, né?
09:20Então, ó, os meninos vão cantar hoje aí e tal.
09:24E ficava ali com a gente.
09:25E era bar, cara, era bar de MPB, bar de rock.
09:28Então era bar de maluco, né?
09:30Rolava de tudo.
09:31E a gente ficava ali, né?
09:35Fingindo que não tava vendo.
09:38Mas uma puta escola, né, cara?
09:40E ao mesmo tempo com a segurança do avô, do tio, um ambiente que, se desse alguma
09:46encrenca, o dono do bar sabia que você era neto do flauzino, sobrinho do fulano, então...
09:52Sim.
09:53Com certeza.
09:54Você tava respaldado.
09:55Foi muito legal.
09:57E aí eu lembro que em 87, né, 87, então a gente começa em 85, dois anos depois, a gente
10:05já tava ali, a gente tocava todo dia, era uma fissura.
10:08E não tenha dúvida, cara, que a música, ao contrário do que se podia imaginar, você
10:13falava, meus pais, vocês são doidos, deixar esses meninos mexer com música, eles vão
10:17ficar tudo drogado, vocês são loucos.
10:20A mão maconhado.
10:22Né?
10:23Tudo maconhado.
10:23Vai ficar tudo maconhado.
10:24É.
10:25Cara, e foi exatamente o contrário.
10:27Aquilo, pelo menos assim, pra mim, depois, quando a gente fica um pouco mais velho,
10:31aí, os caminhos, aí você vai tomando...
10:34Mas naquele momento, a música foi pra nós a salvação, cara, porque a gente tinha
10:39uma coisa pra fazer.
10:41Entendeu?
10:42Eu acordava, o que que é o negócio?
10:43Os meninos iam jogar bola, o outro fez não sei o que, a gente queria ensaiar, ensaiar,
10:47ensaiar, tocar, tocar.
10:48Cumprir os compromissos, a gente se propõe às coisas, a gente ia cumprir aquele compromisso
10:53com seriedade, com responsabilidade e tal.
10:56Então, depois que você fica mais velho, aí você começa a fazer merda.
10:59Mas quando a gente era realmente criança e tal, não tinha, cara.
11:02A gente foi...
11:04Não, e tinha coisa...
11:05A música foi muito importante.
11:06Flauzinho, tinha coisa de pegar o disco, ouvir a música, se dedicar, encontrar o arranjo.
11:13Sabe, as pessoas perdem...
11:14Levar, carregar, montar, botar panfleto, encostar o cartaz.
11:20Isso tudo faz...
11:21Eu era um cara de pau, que eu ia, eu era criança, velho, eu ia no...
11:24Porque todo mundo do interior, todo mundo conhece, né?
11:27Então, no meu colégio, era óbvio que eu ia chegar lá e pregar cartaz e fazia o caceto
11:32porque eu tava na minha escola.
11:33Eu ia nas outras escolas, chegava lá, chegava lá no outro horário mesmo, se eu estudasse
11:39de manhã, eu ia de tarde, chegava lá na secretaria de um outro colégio, fazia
11:43tudo bom, dona fulana?
11:45Não, eu queria pedir autorização, porque eu queria pregar um cartaz aí na sala aí,
11:52do que não, vai ter um showzinho da minha banda.
11:54Aí ela falou assim, não, mas você não é o filho da Dasha?
11:58Sou, mas você é cara de pau, hein, menino?
12:00Você até na colégio dos outros, você veio fazer...
12:02E depois que eu peguei o jeito, eu falei assim, cara, sei lá, no meu colégio tem neguinho
12:07que ia dar recado, sala em sala, né?
12:10O cara chegava, olha, pessoal, hoje vai tendo isso aqui.
12:12Eu falei, pô, eu vou de sala em sala, por que eu vou só?
12:13Por que eu já tô aqui dentro mesmo?
12:15Eu bati na porta da sala.
12:18Sem autorização, assim...
12:19Bom, eu queria dar um recado aí pro pessoal, colar um cartaz na sala de aula do outra escola,
12:25velho.
12:26Era muita cara de pau, né?
12:28Não, mas era vontade de fazer bem feito, cara.
12:31Bobeou, eu tô entrando aí, galera, ó, não sei o quê.
12:35A Fenas é uma cidade universitária.
12:38Sim, sim.
12:39E aí, por ser uma...
12:40Tem duas universidades.
12:42Por terem duas universidades na mesma cidade, o fluxo é muito grande, deve ser muito movimentada,
12:51né?
12:52Então, nessa, você troca figurinha, você aprende.
12:55Não, eu acho que deve ser...
12:57A Fenas, a Federal, né?
13:02Que hoje, cara, são no mínimo 80 anos.
13:06Agora, eu posso estar falando bobagem.
13:07Minha cabeça tá meio assim.
13:10Desde que eu me entendo por gente, a Fenas é cidade de estudantes.
13:13A Fenas é cidade de estudantes, lotada de estudantes.
13:15E depois veio a Unifenas, que agora já tem 45, quase 50 anos.
13:21Então, a Fenas é conhecida por cidade de estudantes.
13:25Então, assim, é a coisa mais importante da cidade e a cidade gira em torno disso.
13:30Meus pais eram professores, meus tios professores, todos ali, dentistas, farmacêuticos e professores
13:36e a galera.
13:37Então, cara, a gente tava de alguma forma protegido e tinha música ali.
13:41Então, foi maravilhoso, porque eu fiz faculdade também lá, né?
13:47Na hora de fazer o vestibulário, eu falei, não, eu não quero sair daqui, eu quero ficar aqui.
13:50Aí, fiz informática e aí, pude viver mesmo a universidade de dentro, porque eu conhecia
13:55todo mundo de fora.
13:57Aí, eu falei, agora eu vou passar 3, 4 anos aqui dentro e viver.
14:01Respirei, adorei ter feito...
14:03Aí, você se formou e trabalhou como analista de sistemas?
14:07É, eu me formei analista de sistema.
14:09E aí, nesse ano, eu falei, bom, agora eu vou ter que sair daqui, porque, pô, já não
14:15tem mais como eu ficar aqui, eu preciso ir aí.
14:18Mas aí, eu já tinha descoberto Belo Horizonte, assim.
14:22Na última formação do Contato Imediato, teve um baixista, que é o Boi, o Boi Mourão.
14:29O Boi fez parte da banda que antecedeu o Skank.
14:33Antes do Skank chamar Skank, chamava Pouso Alto.
14:35Eram dois irmãos, o Boi e o Dinho, e o Samuel e o Henrique.
14:40E o Boi, a banda Pouso Alto, ela acabou porque os meninos foram fazer faculdade.
14:45E o Boi mudou pra lá e foi tocar com a gente.
14:47E contava as histórias dessa banda dele.
14:50E aí, falou, bicho, tem um amigo meu aí, aquele amigo que tocava comigo na banda,
14:54ele montou uma banda nova.
14:56Aí, arranjou pra gente fazer um show em BH.
14:59E aí, a gente veio pra cá, num final de semana, tocar.
15:01E eu, o Sideral, o Boi, o Flavão, galera.
15:06Quando eu cheguei aqui, cara, eu fui numa festa que o amigo dele, que era o Samuel,
15:11tava abrindo show pra um outro amigo, que era o Bauxita.
15:14E eu e o Sideral, eu tinha 15 anos, eu tinha 18.
15:17A gente ali na beira do palco, vendo aqui numa festa pra umas, sei lá, 10 mil pessoas.
15:21E aqueles caras tocando pra caralho.
15:23Eu falei, bicho, blues, rock, reggae.
15:26Eles eram mais velhos um pouco que a gente, né?
15:29Eu falei, se deram, a gente tem que vir pra cá, cara.
15:31A gente tem que vir pra cá.
15:32Voltei desesperado, assim, falei, a gente tem que ir.
15:34Só que eu ainda tinha 18.
15:37Aí, eu acabei a faculdade e falei, agora a gente vai.
15:40Arranjei um estágio com a minha prima, que trabalhava numa agência de publicidade aqui.
15:44Cheguei aqui em 93.
15:46E aí, eu me lembro, os primeiros 15 dias que eu tava aqui,
15:49eu abri o jornal Estado de Minas, assim, e lá na agência.
15:52Tava lá, Scank Assina, com multinacional, Sony Music, não sei o que.
15:56E falei, puta merda, aquela banda daquele...
15:58Tostou no lugar certo, velho.
16:00Vai dar certo essa porra.
16:02E vou colar nesses caras.
16:04E não tinha contato, não tinha...
16:07Não conhecia ninguém.
16:08Eu só conhecia os meninos dessa...
16:10O boi dessa banda de reggae.
16:12O boi.
16:12Que eu colei com ele, fiquei ali.
16:15Anos depois, um ano depois, o Sideral viria a entrar no Homere A.
16:19Então, eu fiquei um ano, chamei o Sideral, ele entrou no Homere A.
16:23E aí, tava os dois irmãos aqui.
16:25Falei, agora vamos lá.
16:26E os meninos, cara, o Jay Quest, eu conheci desse jeito.
16:31Abri o jornal, eu morava na agência, eu ficava na agência, não tinha nada pra fazer.
16:36Ficava na agência até.
16:38E todo dia, quase todo dia, eu procurava um lugar pra ir.
16:42Pra ver música.
16:43Então, eu pegava lá, vinha banda, não sei o que, blues, não sei o que, tal lugar.
16:48Ia a pé, eu ia de ônibus.
16:50Não tinha celular esses negócios, não.
16:52Sim, sim.
16:53Durango, Durango, Durango total.
16:55Eu ia, agora hoje vai ter banda de reggae, não sei aonde, eu ia.
16:59Banda de sei o que, aí um dia tava lá.
17:01Johnny Quest.
17:03Soul, disco, funk.
17:04Funk, disco, soul.
17:07Falei, vou lá ver essa porra, essa banda aí.
17:10O baixo é uma varena.
17:11Lembro direitinho, cheguei lá no lugar, fiquei lá no canto.
17:15Aí pintou os branquelo tocando, sou.
17:17Estava esperando os negão, entrou os branquelo.
17:19Aí os caras tocando, falei, mas até que os caras tocam bem, velho.
17:23E tinha um vocalista muito bom.
17:24O cara cantava bem, em inglês, assim.
17:27E eu nunca mandei muito bem em inglês.
17:29Aí eu fiquei fã dos caras, né?
17:30Fiquei de canto.
17:32Na outra semana, tava os caras, fui lá de novo, aí levei um amigo, alguém da agência,
17:36falou, viu essa banda comigo lá?
17:38Cheguei lá, tô lá de novo, tomando.
17:40Aí quando veio, chegou lá.
17:44O tal do Bauxita, que eu tinha visto aquele show.
17:47Olha o meu brodazo, cabeludão.
17:49Falei, o cara, aquele cara fodão tá aí.
17:52E aí chegou o Samuel também.
17:54Falei, nossa senhora, os caras são amigos dos caras lá, velho.
17:58Eu vou vir aqui toda semana nesse show.
18:02Cara, colei, ficava de ouro nesses caras.
18:04Vou colar nesses caras aí.
18:06E aí eles fizeram mais uma vez nesse bar e anunciaram um show legal no Drosófila, cara.
18:13Drosófila foi um lugar, assim, revolucionário aqui de Belo Horizonte.
18:19Da Lili.
18:20Existe o Drosófila em São Paulo até hoje, que era um galpão alternativo onde rolavam shows.
18:25Muitas coisas legais aconteceram aqui naquela época.
18:29E já é um pouquinho depois do Skank.
18:32O Skank já tava assinado.
18:33O Skank já tinha feito aquele barulho.
18:35E aí já eram as bandas alternativas.
18:37Então tinha o Virna Lise, muitas bandas mais loucas.
18:42O Nação Zumbi assinou o contrato com a Sony lá.
18:46Eles fizeram um show lá, a gravadora tava lá, eles assinaram ali.
18:50Era um galpão alternativo muito legal.
18:53Foi das primeiras vezes que eu ouvi música eletrônica ali.
18:57E tinha uma noite forte de disco ou soul, uma banda de cover que chamava Deep Six.
19:02E eu falei, puta merda, bicho, esse negócio de black, esse nem tá pegando.
19:07E aí passou um pouquinho, a gente tava tocando lá na Drosófila.
19:10Não naquele dia foda, a gente tava tocando na sexta pra meio menos gente.
19:14Foi onde o Fernando do Skank viu a gente tocando um dia.
19:18e falou, vou levar o disco de vocês lá na Sony.
19:22Grava essa música aqui pra mim.
19:25Aí deixou uma fita cassete com uma música.
19:28É de um cara que chama Hildon.
19:30Aquele cara da casinha de sapé.
19:33Aí a gente levou pro ensaio a fita.
19:35Que já esteve aqui conversando com a gente, por sinal, nessa sequência de entrevistas também, o Hildon.
19:39O Hildon?
19:41Ah, porra.
19:42O Hildon é...
19:43É muito bom.
19:45E aí, nós chegamos no ensaio e botamos a tal da música que o Fernando queria.
19:50Porque na época não tinha essa facilidade.
19:51Escuta aí.
19:51Não, velho.
19:52O cara dava uma fita cassete pra você botar, pra você ouvir.
19:55Aí botou...
19:56Que o som já não era bom pra se ouvir depois, né?
19:59Ficava tudo abafado.
20:00Aí colocamos lá no ensaio.
20:03E as dores do mundo eram muito lentes.
20:05Era lenta.
20:06Era muito lenta.
20:07E a gente era uma banda, apesar de ser...
20:09A gente tava querendo animar, né?
20:11E aqui era lento, cara.
20:14O teu olhar tá...
20:17Caiu no meio.
20:20Falei, pô, será que é isso, cara?
20:23Pô, mas é o cara do skunk, né, velho?
20:25O cara tá falando pra gente fazer.
20:27Aí ouvimos, o nego foi pegando os acordes e acabou a música.
20:30A música começou de novo.
20:32Pô, aí, quem voltou a fita?
20:35Se não, cara.
20:36Acho que ele gravou duas vezes.
20:38Aí a música foi rolando, acabou.
20:40Começou de novo.
20:41Falei assim, não, velho.
20:42Não é possível que o cara gravou essa música a fita inteira.
20:44Ele tinha gravado a música a fita inteira dos dois lados.
20:47Eu falei, ele quer muito que a gente grava essa música.
20:51Então vamos fazer essa porra.
20:54Aí fizemos...
20:58Deram uma levadinha nela, deram umas fingadas.
21:01Começamos a tocar nos shows.
21:03É dessa época também encontrar alguém.
21:06Elas não foram as duas primeiras.
21:08Já tinham outras músicas da banda.
21:09Quando eu conheci o J-Quest, eles estavam tocando no bar.
21:12Eles tinham três músicas que eles tocavam ali no bar.
21:14E elas eram ótimas.
21:15E nós gravamos todas elas no nosso disco independente.
21:20E nem todas foram para o disco da peruca.
21:24Esse disco é raríssimo.
21:26Você que gosta de raridade.
21:28Não, agora vem.
21:29Desculpa.
21:29Eu tenho esse disco autografado por vocês.
21:32Vocês vieram fazer um trabalho aqui no Espírito Santo.
21:37Vocês foram lá na TV Gazeta.
21:39Eu tinha um programa lá chamado Jogo Aberto.
21:42E vocês foram lá e eu entrevistei vocês.
21:45Eu tenho esse disco autografado por vocês, rapazes.
21:48Mas você está falando do disco da peruca?
21:51Da peruca?
21:52Da peruca.
21:53Não, eu estou falando de um que tem antes desse.
21:55Ah, não.
21:56Esse eu não sei.
21:57A minha vida começa da peruca.
21:59Da peruca.
22:00Então, o primeiro, J-Quest.
22:02Ele...
22:03Vamos dizer que independente.
22:04Nós calamos pra caramba.
22:06Bancamos toda a gravação.
22:07Gravamos aqui em BH.
22:09Mixamos no Rio de Janeiro.
22:11E esse disco mandamos fazer mil cópias.
22:12Aquelas coisas do Brasil, né?
22:14Não, mil cópias.
22:15Sim, sim.
22:15E o Scanty já fez mil pra vender pros amigos.
22:18Vendia no show, aquela coisa toda.
22:19Era caro na época.
22:20Não era uma coisa assim, barata.
22:24Aí chegaram oitocentos e...
22:26Sei lá.
22:27Oitocentos e vinte e centos.
22:28Eu falo um número.
22:29Oitocentos e vinte e seis disso.
22:30Eles falaram, mas cadê o resto?
22:31Não, porque tem uma perda aí.
22:32Pode olhar aí no contrato aí.
22:34Que tem uma perda.
22:35Pô, mas é perda de...
22:36Mais de cem disso.
22:37Vocês são loucos.
22:38Vinte por cento.
22:39Só existe oitocentos e setenta e três discos desse no mundo.
22:46Porque na hora de fazer mais e tudo mais, a Sony nos contratou e falou, não, bicho.
22:51Vamos gravar de novo tudo.
22:53E foi um sofrimento.
22:54Porque a gente amava aquele disco.
22:55Não, vamos gravar de novo.
22:56Mas vocês...
22:57Espera aí.
22:57O que você só entendeu?
22:58Esse disco independente, oitocentos e poucas cópias, é o que abriu a porta pra vocês
23:03pela Sony.
23:04Bacana.
23:04Aí vocês regravaram o disco integralmente?
23:08Integralmente.
23:09É o mesmíssimo disco?
23:10É a mesma sequência?
23:12Ou tem alguma coisa diferente?
23:14É diferente, é diferente.
23:15Ele tem sete músicas.
23:18Né?
23:18Foram...
23:19Do primeiro disco que tinham doze músicas, a gente regravou sete.
23:23Dores do Mundo.
23:24Encontraram alguém.
23:26Eu não vou lembrar tudo de Corres agora aqui.
23:29Sim, sim.
23:29Acho que ele tá ali.
23:30E aí fizemos mais algumas músicas novas.
23:36O primeiro disco foi gravado pelo Jota Quest aqui.
23:38Norme Ema, ali naquela batalha.
23:41Tem a participação especial do Claudio Zoli.
23:46E é Encontrar Alguém.
23:47A original.
23:48A primeira música do disco começa com o Claudio Zoli.
23:51Vamos ouvir?
23:52Eu tenho que ouvir isso aí.
23:55Tem muita coisa bem legal nesse disco.
23:57Mas a minha voz, cara, era uma voz de...
24:00Parecia uma menina cantando.
24:03Edu, a primeira vez que eu entrei num estúdio, cara, pra cantar num estúdio, botaram o fone
24:09de ouvido, o microfone e falaram assim...
24:11Agora que eu falei...
24:11Ah!
24:13Fiz assim...
24:14Ah!
24:15Aí eu tinha medo de cantar, porque eu não sabia quanto eu podia soltar, quanto eu podia...
24:19Demorei pra aprender qual é a minha voz no microfone do show.
24:24E o Dudu Marotti falava...
24:26Porra, mano!
24:28Porra, mané!
24:28Solta a voz!
24:29Você canta no show, caralho!
24:31Tá com a menina, porra!
24:33Canta direito!
24:35Cadê a sua voz?
24:36Quero ouvir a sua voz!
24:37Dá um grito!
24:38Mas pra quê, velho?
24:39O microfone tá bom pra caralho!
24:42Não precisa!
24:43E foi uma...
24:44Eu demorei um tempão pra achar, cara, sabe?
24:47É complicado, cara.
24:49Eu não sabia.
24:49Nunca tinha gravado.
24:51Quando a gente gravava naquela época, em Alfenas, gravava ao vivo.
24:56Banda 3, 4, 1, todo mundo cantando.
24:58Sim, todo mundo tocando ao mesmo tempo.
25:00Cada um, de repente, numa casinha, mas vambora, a Vera.
25:04Não, em Alfenas não tinha um estúdio, assim.
25:06Tinha estúdio...
25:07A gente ensaiava, onde a gente ensaiava, a gente botava os três microfones e gravava ali.
25:11Então eu cheguei bem cruzão mesmo de estúdio.
25:14Então foi escola total, primeiro disco independente, depois o disco da Sony, o primeiro, das perucas.
25:20É muito aprendizado, muita ralação e muito aprendizado.
25:23Aí você vai pegando jeito, né?
25:25Vai pegando a mão, vai se encontrando...
25:28Eu já tava bem mais.
25:29Macacada, a gente já tinha feito uma turnê inteira nos programas de TV, já tinha dado umas raladas e tal.
25:35Aí já começa a melhorar.
25:39E esse negócio, você não para de evoluir nunca, cara.
25:42Porque eu sinto a gente agora, agora mesmo, assim, nesses últimos...
25:47O acústico foi uma puta escola.
25:50É, eu acho que o acústico é um capítulo que a gente veio conversar.
25:54Porque o acústico é um resumo da experiência, da evolução, da música.
26:01Ao mesmo tempo, muda tudo.
26:03Vocês mudam tudo.
26:04Muda o arranjo.
26:05Aí começam, talvez, a prestar atenção em nós, e nós também.
26:09Começamos a prestar atenção em certas coisas que, na festa, no balançar, no swing da música, no oba-oba, ela
26:16se perde, né?
26:17Todo mundo levanta o braço, todo mundo faz coreografia, todo mundo canta junto.
26:22E, daqui a pouco, não presta atenção na letra.
26:25Quando cai no acústico, tudo ganha uma roupagem nova.
26:29Eu começo a prestar atenção mais nos arranjos.
26:33Começo a prestar atenção no texto.
26:36E eu acho que isso deve ter mexido muito com vocês, vocês redescobrirem a obra de vocês no acústico anos
26:42depois.
26:43Sem dúvida nenhuma, cara.
26:45Sem dúvida nenhuma.
26:46O acústico serviu para isso, para a gente redescobrir as canções.
26:50Mas ele reaproxima o público do Jota Quest inteiro, não só o público do momento, porque uma banda de 25
26:57anos tem um público de 2 em 2 anos, você tem um público do momento, né?
27:00E tem um público, aquele cara que ouve você desde cedo, e que o cara não está na pilha de
27:05sair para uma festa uma hora da manhã e ficar em pé numa grade lá, não.
27:09O cara...
27:09Não, bicho, espera aí.
27:11Aí você faz um show num teatro, num lugar, numa casa, o cara vai sentar, vai ver a vida dele
27:15passando ali.
27:16O cara se emociona a cada música e você vai emocionando junto.
27:19Então, performance, cara, se sentar numa cadeira e falar, vamos lá.
27:24Aí, todo mundo tocando, para a música, tranquilão, sem distorção de guitarra, sem...
27:30O PJ ainda deu trabalho para a gente para caramba, porque...
27:33Ele falou aqui que ele sofreu muito fazer o acústico.
27:38Ele disse assim, eu sofri muito, era muito diferente para mim.
27:42Não, ele sofreu muito e a gente sofreu muito também, por causa dele.
27:47Porque ele foi o único que não entrou na vibe total, saca?
27:50E isso atrapalhou, porque, na verdade, falou, mano, o palco está tremendo por causa de você.
27:56Por causa desse baixo louco, abaixa essa merda.
27:59Tinha um amplificador, o cara de fone, amplificador, duas caixas na frente.
28:03Eu não tinha nada, Marco Tulu não tinha nada, ninguém tinha nada.
28:06Só ele que tinha, falou, velho, você não está vendo que você está errado?
28:09Enfim, mas aprendemos muito, cara.
28:12E performance de palco, a minha performance.
28:14Então, se antes eu tinha duas...
28:19O Rogério Parado e o Rogério Pulando, com o acústico,
28:23apareceram mais uns seis Rogérios.
28:26O Rogério começa sentado, entendeu?
28:29Aí ele levanta, aí ele...
28:31Respira melhor, respira certo.
28:33A galera começou a ouvir uma voz minha, que as pessoas não conheciam,
28:37que é a minha voz que eu canto aqui em casa, quando eu estou com violão.
28:41Eu boto o microfone, consegue cantar ali.
28:45Comecei a fazer, inclusive, uns violãozinhos aqui no celular,
28:48que a galera não tinha visto.
28:50E eu mesmo me surpreendi com a resposta das pessoas.
28:53Mas porque eu conheci, eu sei isso.
28:55Eu faço isso aqui em casa.
28:57Canto ba...
28:58Baixo o tom.
28:59Canto uma oitava abaixo, cara, com grave.
29:02Que no show é tudo...
29:05Então, foi muito bom isso.
29:07Antes disso, nós tínhamos gravado...
29:09Antes do acústico, nós tínhamos gravado dois discos com o Jerry Barnes.
29:13Com o Jerry e o Nairo.
29:15Sim.
29:16Negão, americano, galera que entende do som que a gente sempre quis fazer.
29:21Dois discos inteiros.
29:23Foi uma escola fantástica, cara.
29:26Aprendi muita coisa ali de gravação no estúdio, jeito de arranjo.
29:30Como é que ele faz, como é que ele faz os backings, como é que ele bola.
29:35Ensinou a gente a limpar.
29:37Ensinou a gente a respeitar o mixador.
29:40Preparar a base.
29:41Falou, vamos preparando.
29:42Não adianta você mandar isso aqui pro cara, pro cara resolver, não.
29:45Nós vamos resolver aqui agora.
29:46Isso aqui tá batendo com isso, tá batendo com isso.
29:48Escolhe.
29:49É isso?
29:50Depois está.
29:51Agora podemos mandar.
29:52Vocês vão ver que sonzeira que vai vir.
29:54Aí vem aqui a puta sonzeira.
29:56Falei assim, não falei?
29:57Nós limpamos.
29:58Não adianta você mandar três coisas tocando no mesmo lugar, bicho.
30:00Vai sumir tudo.
30:02Vai embaçar.
30:04Ele falava, as mixagens de vocês são ótimas, as músicas de vocês são boas, vocês são
30:08massa, mas as mixagens de vocês não são legais.
30:12Por causa disso.
30:13Porque vocês ainda não se educaram.
30:16Aí, puta escola.
30:18Aí veio o acústico e já chegamos com essa escola.
30:20E agora, velho, a gente tá fazendo um disco e tal.
30:24Lançamos dois singles aí.
30:26Tô muito satisfeito com eles.
30:30Porque você consegue ver que a gente tá...
30:33A gente aprendeu, saca?
30:35Tô cantando suave.
30:35Tá evoluindo.
30:36Tá ouvindo.
30:38Porque não adianta nada você tá perto de um cara fera que toca contrabaixo, que tem
30:43toda uma negritude, toda uma importância da música pop dançante no mundo.
30:48Respeitadíssimo.
30:49Se ele discurse, você não ouve.
30:52Claro.
30:52Você tem que...
30:53Você tem que...
30:54Pera aí.
30:54Esse cara tá falando o quê?
30:55Deixa eu ver se ele tá certo.
30:57Não, eu vou te falar.
30:58E é doido.
30:59Porque, assim...
31:00Pô, nós trabalhamos com caras incríveis.
31:02E esses caras todos estavam tentando dizer mais ou menos a mesma coisa, só que a gente
31:05não tava preparado pra ouvir.
31:08Pô, você acha que o Liminha não brigou com a gente mil vezes por causa disso?
31:11Brigou.
31:12Né?
31:12Você acha que o Marcelo Susequim de número...
31:14Brigou.
31:15Falou.
31:16Tentou.
31:17Mas a gente era muito moleque, né, velho?
31:20E...
31:21E...
31:21Enfim.
31:22A vida é isso, cara.
31:23É evolução e tal.
31:24E o bacana é se sentir...
31:26Você...
31:27Você vê...
31:27Você se...
31:27Você sentir...
31:29Que você tá evoluindo.
31:31E isso é que é bom, né?
31:32Você fala, cara...
31:33Pô, ficou melhor.
31:34Evoluindo...
31:35Evoluindo musicalmente e como ser humano.
31:38Né?
31:38Acho que são dois pontos que precisam estar sempre juntos.
31:41Não dá pra ser porra louco o resto da vida.
31:43Daquele moleque...
31:44Porra...
31:45Não funciona.
31:46Esse é um ponto interessante pra gente conversar.
31:48Porque muitos amigos nossos falam de um bastidor do Jota, que eles achavam que isso
31:56ia arrebentar o Jota Quest, em termos de família.
31:59Olha só.
32:00Olha que caminho que eu tô indo, hein?
32:01Vocês têm lá um camarim que vocês se juntam, botam música e botam luz e não sei o que,
32:09e faz uma festa no camarim, e o pau quebra no camarim, e as meninas vão, e sei o que,
32:15os amigos
32:16chegam.
32:17Aí os seus amigos...
32:19Eu tô falando...
32:20Você sabe que nossos amigos deduram tudo, né?
32:24Aí...
32:24Olha, Edu, eu vou ser sincero.
32:27Eu pensei assim...
32:28Um deles falou...
32:29Quando eu vi a primeira vez...
32:31Isso vai acabar o casamento dos meninos.
32:37Os meninos...
32:38Não tem casamento que aguenta porra dessa, não.
32:40Tem gente também.
32:41É muita...
32:42Aí...
32:43Os mesmos caras falam assim...
32:45Mas os caras são ajeitados.
32:48São...
32:49São...
32:50Tudo gente do bem.
32:51Tudo bem casado.
32:52Tranquilo.
32:53Gente que sabe o que é.
32:54Gente bacana.
32:55Sabe lidar com fã.
32:57Sabe afastar.
32:58Não tem porra louquice.
33:00E eu acho que é algo pra registrar pra você.
33:03Que é essa...
33:04Primeiro que eu acho que uma banda tem que ter essa relação com fã mesmo.
33:07Tem que ter sim.
33:08Tem que ter essa...
33:09Essa confusão toda.
33:10Quando tu faz uma banda festeira.
33:12Uma banda...
33:12Vocês cantam coisas...
33:14Vocês cantam pra cima.
33:15Vocês cantam coisas positivas.
33:17Vocês são...
33:18As coisas...
33:18As mensagens são pro alto.
33:21Sabe?
33:22É pra...
33:22É pro cara que quando tá puto da vida.
33:24Se bota qualquer disco do Jota.
33:26Ele sai dali.
33:27Três degrauzinhos.
33:29Mas...
33:29Melhor da vida.
33:30Eu tô melhor.
33:31A vida não é tão ruim assim.
33:33Eu acho que...
33:34Eu quero entender essa confusão do camarim.
33:36Explica o que que acontece.
33:39Edu.
33:40As coisas foram acontecendo meio naturalmente.
33:44Imagina.
33:45Quando a banda começou.
33:46Era todo mundo solteiro.
33:49Descobrindo a vida.
33:50Curtindo.
33:50Tinha namoradas.
33:52Talvez o Paulinho já fosse casado.
33:53Mas o Paulinho demorou muito mais pra entrar.
33:56O Paulinho sempre foi mais calmo.
33:58Demorou muito mais tempo pra entrar na...
34:01Na vibe.
34:02Não tinha som no camarim.
34:05Assim.
34:05Não foi a vida inteira com som no camarim e tal.
34:08Em algum momento.
34:09Uma vez.
34:10A gente viu.
34:12Eu tinha que lembrar o ano.
34:14A gente viu isso no camarim do Rapa.
34:17A gente tava num lugar.
34:19Bicho.
34:19De onde tá vindo esse som?
34:21Tá tremendo tudo aqui.
34:22Falei.
34:22Tá lá no camarim do Rapa.
34:24Aí a gente falou.
34:24Vamos lá.
34:25Chegamos lá.
34:26Tinha um sound system.
34:30Falei.
34:31Puta que pariu, mano.
34:34Sensacional.
34:35Semana que vem.
34:36Bota o som na porra do camarim.
34:38Aí, bicho.
34:39Aí foi a resolução da nossa vida.
34:41O que que acontecia?
34:42A gente gosta de festa.
34:43Gosta de festa.
34:45E vem cá, meu.
34:46Você vai trabalhar.
34:47Três, quatro vezes por semana.
34:50Quinta, sexta, sábado, domingo.
34:52Enquanto todo mundo tá curtindo.
34:54Você tá trabalhando.
34:55Na hora que acaba o show.
34:56Você quer fazer alguma coisa.
34:58E nem todo lugar tem alguma coisa pra você fazer.
35:00Lugar pra você ir.
35:01Uma festa.
35:02Tanto de roubada que nós entramos.
35:03Lugar ruim.
35:04Música ruim.
35:05Ruim.
35:06Tudo ruim.
35:06Ruim.
35:07E aí a gente ficava num camarim.
35:09Aí eu lembro.
35:10Uma época começou.
35:10Sabe aqueles rádio gravador?
35:13Ficava aquela musiquinha tocando.
35:15De fundo.
35:15A gente conversando.
35:16Tomando uma.
35:17Vamos sair.
35:18Tá.
35:19Ou vamos.
35:19E aí era roubada.
35:21E aí vamos pra uma boate.
35:22Era ruim.
35:23Aí foi assédio.
35:24Aí nós falamos.
35:25Cara.
35:25Vamos fazer.
35:26No nosso camarim.
35:27O lugar pra gente ficar.
35:28E quem quiser.
35:29Vem pra cá.
35:31E aí começou.
35:32E tal.
35:33Aí pum.
35:34Aí.
35:35Não.
35:36Já faz muito tempo.
35:37Que a gente viu esse negócio.
35:38No camarim do rapa.
35:39Porque.
35:39Sei lá.
35:40Dos 25 anos.
35:41Pelo menos uns 15 anos.
35:42Já tem isso.
35:44E aí.
35:44A gente começou.
35:45Só pra fazer a festa lá.
35:46Bota.
35:46O som.
35:47Cada um pode pôr a música que quiser.
35:49Luz vermelha.
35:51Por que a luz vermelha?
35:52Né?
35:52Pô.
35:53Podia ser de outra cor.
35:54Mas.
35:55O vermelho.
35:55Né?
35:56Cara.
35:56Pô.
35:56Quente.
35:57E tem isso.
35:58A gente brinca que.
36:00Você chega num camarim.
36:01Você viajou o dia inteiro.
36:03Tá todo mundo cansado pra caralho.
36:04Antes do show.
36:05Antes do show.
36:05Não é hora de reclamar.
36:06Um tá reclamando.
36:07Ah.
36:07Não sei o que.
36:08Reclamando do hotel.
36:08Reclamando não sei do que.
36:09Reclamando do camarim.
36:11Aumenta o som o máximo que der.
36:13Que o cara vai falar.
36:14Você não vai nem ouvir o que ele tá falando.
36:15A luz vermelha.
36:16Tampa tudo.
36:17Você não vê se tem defeito.
36:18Se não tem.
36:19Tem o isso.
36:20Tá sujo.
36:21Tem.
36:21Tem.
36:22Tem.
36:22Tem som.
36:23Tem.
36:24Então acabou, mano.
36:25Tem som.
36:26Vambora, velho.
36:26Isso acabou.
36:26Vambora.
36:28E aí é o seguinte.
36:30Essa relação com os fãs.
36:31Ela sempre existiu.
36:32De a gente ser.
36:34Porque tem isso.
36:35A gente ficou com.
36:36Um tempão com um produtor.
36:38Que é o Tenente.
36:38Gente finíssima.
36:39O Tenente já trabalhou.
36:40Com todos os grandes nomes da MPB.
36:43Né?
36:43Dei Mato Grosso.
36:44O Betânia.
36:45O Chico Buarque.
36:46Todo mundo.
36:47E aí.
36:47E trabalhou com algumas bandas também.
36:49Aí ele foi trabalhar com a gente.
36:50Ficou com a gente uns três anos.
36:51Foi ótimo.
36:52E agora ele voltou pro Chico.
36:53O Tenente.
36:54Vem a vir a gente aqui.
36:55Um beijo pra você.
36:56E aí.
36:57Eu.
36:57E a gente tem o nosso esquema.
36:59Então vai ter o show.
37:00Eu recebo todo mundo antes do show.
37:02Imprensa.
37:03Fã.
37:03Galera toda.
37:04Por que que a gente faz isso?
37:06Porque lá atrás.
37:07Quando começou a sua loucura.
37:08Todo o Jota Quest bombou demais.
37:10E a gente foi pra tocar nas festas populares.
37:13E as festas populares tem a tradição.
37:15Do recebimento dos fãs.
37:17Prefeito.
37:19Deputado.
37:19Vereador.
37:21E a gente chegava ali.
37:22Aquele assédio muito grande.
37:24E.
37:25Antes do show.
37:26É mais tranquilo.
37:28Depois do show.
37:29O povo fica tudo louco.
37:30Todo mundo bebe.
37:31Fica todo mundo pirado.
37:33E muitas vezes você não consegue sair do show.
37:34A gente falou.
37:35Galera.
37:35Não tá dando.
37:36Eu tenho que acabar o show.
37:36Entrar na van e ir embora.
37:37Ah.
37:38Mas e o recebimento?
37:39Vamos fazer antes.
37:41Aí eu comecei a fazer antes.
37:42Eu chegava uma hora antes.
37:43Recebia a galera.
37:44Então por quê?
37:45Porque podia acabar o show.
37:46A gente entrava na van e ir embora.
37:48Foi por isso que a gente começou a fazer isso.
37:50Então.
37:51E quando fecha o show.
37:52Já combina.
37:52Eu falo.
37:53Todo recebimento vai ser antes.
37:54A imprensa vai ser tudo.
37:55Quando acaba.
37:56E a gente quer ficar.
37:57A gente fica.
37:58E faz aquela festa.
37:59E o povo fica doido.
38:00Que quer entrar na porra da festa.
38:02E aí vira esse inferno.
38:03Mas a parte oficial do lance.
38:07Recebimento dos fãs.
38:08Falar com todo mundo.
38:09Já foi feito.
38:10E eu me acostumei com isso.
38:12E o tenente fala assim.
38:14Não é possível que você faz isso.
38:16Nenhum artista em sã consciência.
38:19Pode receber tantas pessoas como você recebe.
38:22Falar com tantas pessoas antes.
38:24Você cansa a sua voz, meu filho.
38:26Você não pode fazer isso.
38:27Falei, mano.
38:29É assim que eu aprendi.
38:30É assim que vai ser, cara.
38:31Porque eu não vou mudar isso.
38:33Já acostumei.
38:34Quando não tem.
38:34Me faz até.
38:35Eu fico até meio assim.
38:36Não vai ter nada hoje.
38:39E eu esquento a minha voz.
38:42Fazendo isso, sabe.
38:43E eu.
38:44Muitas vezes você chega, cara.
38:45Sabe.
38:46Lá o dia que você teve.
38:47Até chegar ali.
38:49E você usa esse momento.
38:51Para você ir entrando no ar.
38:52Entrando no espírito da coisa.
38:54Entra um cara e tal.
38:56Entra o outro.
38:56O cara fala um negócio.
38:57Entra o cara da rádio.
38:59Conta uma história.
39:00Evento outro.
39:00Você lembra que você viu.
39:01E o cara vai te dando informação.
39:03Aí você entra no palco.
39:04Já está com tudo na ponta linha.
39:07Rogério.
39:08Vamos falar.
39:09Vamos falar alguma coisa.
39:10Que eu acho que tenha.
39:12Você e seu irmão.
39:15Alguns anos.
39:16Fazem um tributo.
39:18Ou participam.
39:19De um projeto.
39:20Com o Cazuza.
39:23Sim.
39:24Muito bonito.
39:25Muito bonito.
39:26Mas o que eu acho.
39:26Eu acho que por trás disso.
39:28Tem algo que a gente tem que valorizar.
39:29Que é.
39:30Música que vocês.
39:31Que vocês.
39:33Pegaram o texto.
39:34Musicaram.
39:35Os direitos autorais.
39:37Vai para o Viva Cazuza.
39:38Por trás do show.
39:41Tem uma coisa de.
39:44De filantropia também.
39:45Eu acho que isso é legal.
39:47Falar um pouco.
39:48Pô.
39:49Vamos lá.
39:49Edu.
39:51Tudo aconteceu.
39:52De uma maneira muito legal.
39:53Assim.
39:53Porque.
39:54Eu estava com a Lucinha.
39:55Na última vez.
39:56E começamos a falar de Cazuza.
39:57E eu falando que eu era apaixonado.
39:59E tal.
40:00Que pirava nele.
40:01E teve em 2001.
40:03Quando ela lançou.
40:04A antologia do Cazuza.
40:06Tinha.
40:0665 letras inéditas.
40:08E o Fantástico fez uma ação.
40:11Botou três artistas.
40:12Para musicarem uma mesma poesia.
40:14E o Jota Quest foi uma delas.
40:16O amor é brega.
40:17Eu fiz a música.
40:17O Jota fez.
40:18Aí tinha aquela época.
40:19A mais votada tocava inteira.
40:21A gente ganhou.
40:22Eu contei isso para a Lucinha.
40:23Ah.
40:24Pois é.
40:24Foram vocês.
40:25Que legal.
40:26Falei.
40:27Pô Lucinha.
40:27E aquelas outras letras.
40:29O pessoal já musicou.
40:30Não.
40:30Uma ou outra.
40:31Falei.
40:32Lucinha.
40:32Tem letra.
40:33Muita letra legal ali.
40:34Vamos.
40:35E se a gente fizer.
40:37Ah.
40:37Eu já pensei nisso.
40:38Mas vocês.
40:39Músicas são muito loucos.
40:40Não sei o que.
40:41Vocês são muito difíceis.
40:43Tinha que ser alguém para me ajudar nisso.
40:45Aí você não quer me ajudar não.
40:46Aí a Paula Lavine e tal.
40:48Falou assim.
40:48Ele vai te ajudar.
40:49Ele vai te ajudar.
40:49Agora você vai.
40:50Aí eu falei.
40:51Nossa.
40:52Que responsabilidade.
40:53Meu Deus do céu.
40:54Liguei para o Sideral.
40:55No dia seguinte.
40:56Falei.
40:56Véi.
40:56Você não sabe o que aconteceu.
40:57Aconteceu isso.
40:58Isso.
41:00Pega o livro aí.
41:01E começa a fazer música aí mano.
41:03Porque o negócio é sério.
41:04E aí.
41:05Foi assim que começou.
41:06Isso é nas vésperas das comemorações de 25 anos da morte do Cazuza Sociedade.
41:13Iam haver.
41:15Naqueles dias.
41:16Estavam se comentando.
41:16Ah.
41:16Vamos fazer uma exposição de arte.
41:19Vamos tentar fazer esse disco.
41:20Eu falei.
41:20Gente.
41:20Esse disco não é assim.
41:22Porque.
41:22E tal.
41:23Não.
41:23Mas vamos fazer um show.
41:24Uma festa.
41:25Eu sei o que.
41:25Vocês tocam o Cazuza.
41:27Eu falei.
41:27Sideral.
41:28Vai ter um negócio aí cara.
41:30E sai umas músicas aí do Cazuza.
41:32Para a gente ser a banda.
41:33Para você estar lá.
41:35Para acompanhar.
41:35Vai chegar todo mundo e tal.
41:37E aí.
41:37Começou.
41:38Esse lance.
41:39De a gente tocar Cazuza.
41:40Porque lá atrás.
41:42Uma das bandas que a gente tinha.
41:44Além do contato imediato.
41:45Era esse projeto de tocar só Cazuza.
41:46Que era a mesma banda.
41:48Só que tocava só Cazuza.
41:49E botava o lenço.
41:50Quando o Cazuza morreu.
41:51Eu tinha 18 anos.
41:53Quando ele morreu.
41:53E o Sideral tinha 15.
41:55Ele era o nosso herói.
41:56Né velho.
41:57Imagino.
41:58Renato.
41:59Aquelas bandas ali.
42:00E o Cazuza morreu.
42:02Cara.
42:02Daquele jeito.
42:02Assim.
42:03Que ninguém entendeu nada.
42:04A gente era tudo menino.
42:05O que é AIDS?
42:07Como assim cara?
42:09O cara morreu.
42:10Né.
42:11Mas ele estava ali agora.
42:13Cara.
42:14Olha.
42:15O cara morreu.
42:15Então.
42:16Foi um sofrimento.
42:17E aí.
42:17O Cazuza.
42:18Ele.
42:19Virou um herói.
42:20Assim.
42:20Uma coisa muito grande.
42:22E os papos dele.
42:23Eram uns papos muito.
42:25Sério.
42:26Né.
42:27E aquilo.
42:28Marcou demais.
42:28Para a gente.
42:29Então.
42:30Quando aconteceu.
42:31E eu.
42:32Assim.
42:33E o Sideral.
42:34A gente.
42:35Fez tudo junto.
42:36Depois tem o Jota.
42:37E ele é a carreira solo.
42:38E a gente.
42:39Se encontra.
42:39Esporadicamente.
42:40Ou para compor.
42:41Ou ele canta.
42:42Uma música.
42:43No show.
42:44Ou eu canto com ele.
42:45E tal.
42:45Mas nunca tinha tido.
42:46Um lance.
42:46Assim.
42:46De fazer.
42:47E aí.
42:48Eu falei.
42:49Cara.
42:50Minha mãe estava doente.
42:52Minha mãe estava com câncer.
42:53E a mãe morreu até.
42:55Morreu há uns.
42:56Cinco anos.
42:57Falei.
42:58Pô.
42:58A gente podia fazer esse show.
42:59Minha mãe achar legal pra caramba.
43:00Pô.
43:00Vamos tentar que ela assista.
43:02E não deu tempo.
43:03E aí.
43:04A gente fez um aqui.
43:05De brincadeira.
43:06Que era para ela ver.
43:07E ela não deu para ela vir.
43:09Mas a gente já tinha marcado.
43:10E foi aqui em BH.
43:11Num bar norte.
43:12Dos amigos aqui.
43:13E foi uma loucura.
43:14Aliás.
43:14Foi engraçado.
43:15Que foi Jota.
43:16Foi.
43:17Flávio Sideral Cantão Cazuza.
43:19Que esse nome.
43:20Nem tinha.
43:21Na época.
43:21Direito.
43:23E uma banda de Beatles.
43:25Uma ótima banda de Beatles.
43:27Que agora.
43:28Eu estou.
43:29A festa chamava.
43:31All You Need Is Love.
43:32É.
43:33Tem uma banda.
43:34Chamada All You Need Is Love.
43:36Então.
43:37Talvez seja.
43:38É uma banda mineira?
43:39Não.
43:40Uma banda de São Paulo.
43:41Que veio.
43:41All You Need Is Love.
43:42All You Need Is Love.
43:44É.
43:44E aí.
43:45Eles botam.
43:45Eles botam roupa de Beatles.
43:47Peruca.
43:47Não sei o que.
43:48Mas eles são muito bons.
43:50Muito bons.
43:51Muito bons.
43:51Muito bons.
43:52Aí.
43:52Era uma festa.
43:54Assim.
43:54Aí.
43:55Foi um negócio.
43:56Aconteceu um trem ali.
43:58Da gente tocando aquelas músicas do Cazuza.
44:00Aquela emoção.
44:00Aquele negócio.
44:02Isso era um outubro.
44:03Assim.
44:04Aí.
44:05Mamãe morreu.
44:06Aí.
44:06Fiquei aquele trem na cabeça.
44:08Eu falei.
44:09Bicho.
44:10Vamos fazer esse trem direito?
44:12Vamos.
44:13E o processo do tal do disco de inéditas do Cazuza.
44:17Ele.
44:17Ele seguiu.
44:19Ele foi seguindo.
44:20Tem muitas pessoas conectadas.
44:21Já conectadas nisso.
44:23Músicas escolhidas.
44:24E tudo mais.
44:24E a gente esperando um melhor momento.
44:26Pintou um patrocinador.
44:28Um lance que ia rolar.
44:29O negócio não rolou.
44:30Caiu.
44:30E veio outra coisa.
44:31Agora.
44:32Esse ano.
44:33Começou de novo.
44:34O processo está indo bem.
44:35Aí vem esse negócio da pandemia.
44:37Mas a gente ainda está levando fé.
44:39Que isso vai acontecer.
44:41Não é uma coisa assim muito simples de fazer.
44:44E também não pode ser feita a rebelia de...
44:46Tem que ser um negócio muito sério.
44:49Um negócio muito sério.
44:50Você fazia um algo do Cazuza.
44:53Nós estamos falando de Cazuza, né, cara?
44:55Você está falando de Cazuza.
44:56Compositores, né?
44:57Várias pessoas ali.
44:59Tem que ser um negócio energeticamente muito certo.
45:03Muito casado.
45:04Com a anuência da Lucinha.
45:06Sempre participando de tudo.
45:08E aquela coisa ali.
45:11Então, assim...
45:12Nós estamos aí.
45:13Eu, Sideral.
45:14A gente está aí.
45:15Tem mais gente envolvida.
45:16E a gente está indo devagarzinho com isso.
45:18Para quando sair.
45:19Ser um negócio antológico mesmo, né?
45:21E tem que ter um negócio fino.
45:23E eu tenho novas informações.
45:26Mas eu não posso falar ainda.
45:29De uma coisa muito legal que está rolando.
45:31Em cima desse projeto do Disso de Néstor do Cazuza.
45:33Mas em breve eu te conto.
45:36Estou aguardando informações por agora.
45:39Por esses dias.
45:40E aí...
45:41Nessa aí...
45:43O nosso projeto seguiu.
45:44Nós já fizemos aí...
45:46São quase quatro anos.
45:47Quatro anos já.
45:48Já tocamos um monte de lugares.
45:49Tocamos no Rock in Rio.
45:50Fizemos uma festa de aniversário de 60 anos do Cazuza.
45:54No Circo Voador.
45:56Já cantou com a gente um monte de gente, cara.
45:58Até o Caetano já foi lá cantar.
46:00Inacreditável, velho.
46:02As coisas que já aconteceram por causa dessa...
46:05Brincadeira de tocar Cazuza.
46:07Aí a gente foi no Serginho esse final de semana.
46:10Foi bacana.
46:11A distância, né?
46:12Fomos no Serginho à distância.
46:14Sim, sim.
46:16E aí rolou uma coisa maravilhosa, cara.
46:18Que é a minha reaproximação do Sideral no palco, né?
46:23É você poder fazer um show inteiro.
46:26É o ciclo, né, meu irmão?
46:27Lá atrás os dois irmãos tocavam no barzinho com o Avon carregando na caminhonete.
46:33E agora vocês estão um do lado do outro.
46:37Acho que deve pintar até um...
46:39Não, aí é louco porque a gente está fazendo um show inteiro das músicas que a gente ama.
46:45E que tocava lá atrás.
46:47Que tocava lá nos botecos e tal.
46:49E hoje a gente tem mais a manha, né, cara?
46:51Então as bandas de moda, os caras tocando pra caralho.
46:54Estrutura, tudo.
46:55E tocando as mesmas músicas que a gente tocava lá atrás, cara.
46:58E sem ter que tocar nenhuma música.
47:01Minha ou dele.
47:02Ou do Jota.
47:03Ou de sei lá, quem for.
47:04Aí eu sou Cazuza.
47:06Aí você chegou, vamos tocar aquela, vamos tocar aquela.
47:09Vamos tirar aquela, vamos.
47:10Não, a gente só violou a voz mesmo lá no boteco.
47:14Então como é que é mesmo?
47:15Pega na hora.
47:16Muito bom, cara.
47:18Que tem uma relação que eu só tenho com ele, cara.
47:20Não tenho com outras pessoas.
47:22Porque começou junto ali, né?
47:24Até o Landau mesmo, que é irmão também.
47:26Mas o Landau veio pouco depois.
47:28Ele era mais novo.
47:29Então a gente andou junto, mas nem tanto.
47:32Eu sempre fui, né?
47:34A gente foi...
47:35As coisas foram diferentes, assim.
47:38Então não tem...
47:39Dos quatro irmãos, vocês dois eram mais grudados sempre.
47:42Você e Sideral.
47:43Eu fui mais velho, aí o Sideral colou.
47:46Então o Landau foi chegando, ele era criança, né?
47:48A gente já tava tocando.
47:50Aí ele veio, depois tocou com o Sideral um tempo.
47:53E depois o Sideral, aí depois o Landau virou solo.
47:56Também.
47:57Já são 20 anos de Landau, né?
48:00O Landau já tem 20 anos de Landau, já.
48:02Nós estamos na reta final, temos mais oito minutos.
48:05Eu queria falar só dois assuntos com você.
48:07Primeiro, o que aconteceu agora...
48:10Se quiser começar de novo aí, a gente começa.
48:12É, Beto Guedes.
48:13Você e Beto Guedes com o Samuel.
48:16O que eu acho muito interessante de vocês, mineiros...
48:22Primeiro, o respeito que vocês têm pela história da música em Minas Gerais.
48:29Você tem certeza absoluta que o Rock em Rio, os Palalamas do Sucesso, o Barão Vermelho, o Cazuza, te atingiu
48:38muito mais do que o Clube da Esquina.
48:41Muito mais, assim.
48:43O soco no estômago do Rock brasileiro para vocês.
48:47Vocês são a geração imediatamente após o Rock em Rio.
48:51Mas, ao mesmo tempo, vocês têm muito respeito com Torinho Horta, Loborges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Milton Nascimento.
49:01Isso é algo que enriquece a cultura de um Estado.
49:06E que valoriza a história do Brasil, que a gente tem que parar de ficar olhando para trás.
49:11Mas vocês têm isso.
49:12Os mineiros têm isso.
49:13Cara, mas eu vou te falar.
49:15Eu tenho...
49:17Porque lá naquela historinha que eu te falei dos meus tios ali, não sei o quê.
49:21Minha casa era a casa que a boa música estava ali.
49:24O Clube da Esquina, e aquela coisa toda, né, velho?
49:28É muito foda.
49:29Estava ali, estava ali, né?
49:32E foi a sequência da evolução ali.
49:35Então, imagina, eu nasci em 72, no ano do clube.
49:40Talvez você não saiba.
49:43Quando o Milton nascimento...
49:45O Milton é de três pontas, né?
49:47Milton, o clube, aquela molecada.
49:51O Milton muda para Alfenas, né?
49:56Então, ali, é três pontas, Alfenas, Alfenas.
50:01De Alfenas que eles saem e vão para...
50:04Não é isso, Bairro?
50:07É, o meu pai está aqui.
50:09Seu pai está aí?
50:11Três pontas ali, tocando, isso aqui.
50:12Aí eles vão para Alfenas, mais ou menos, por mesmo motivo que o meu avô levou os filhos para Alfenas.
50:18Porque lá tinha faculdade, universidade e tudo mais.
50:21Então, a galera vai para lá.
50:23Então, tem a fase dos W's Boys, que ela é Alfenas, cara.
50:28Então, meus tis estavam ali, não sei o quê.
50:30Então, foi um negócio, uma coisa do Clube da Esquina para o Sul Mineiro.
50:34É muito forte ali.
50:36Imagina, imagina.
50:37É música raiz.
50:38Isso é música raiz.
50:39Então, assim, não tem jeito de você não sentir aquilo.
50:43Eu ouço as músicas do Beto.
50:45Eu ouço as músicas do Milton.
50:46Eu lembro do cheiro da casa da minha avó, cara.
50:49Sabe?
50:49Então, não é um negócio, assim, que a gente teve que correr atrás.
50:52Está dentro da gente.
50:53O clube é muito forte, cara.
50:55O Milton, o Lô, o Beto, essas músicas.
50:57E eu ainda tive uma outra fase, quando, lá em Alfenas e tal,
51:02anos 80, deles irem tocar na casa, onde a gente ensaiava de tarde.
51:09E eu trabalhava, era iluminador lá do Palcos.
51:13Muitos shows aconteceram no Palcos.
51:15Show do Lô, show do Beto, show da galera.
51:17E você iluminado?
51:19E meu tique promovia.
51:21A gente ficava colado nos caras ali.
51:23Então, eu tenho uma relação, assim, realmente de...
51:27Eu gosto disso, conheço.
51:29E ontem eu estava com o Samuel, né?
51:30A gente estava lá.
51:31O Samuel também ama, bicho.
51:33O Samuel sabe tudo.
51:34Sabe as harmonias.
51:35Sabe o solo que o cara fez.
51:38Não, não, não, não.
51:40O Samuel é um pouco mais velho do que eu.
51:42Então, ele ficou mais próximo ainda dos caras, ainda, assim.
51:45O Samuel fez turnê com o Lô e tudo.
51:49Com o Lô, né?
51:50Muito legal.
51:51É.
51:51Agora, essa sequência de momentos do Jota com...
51:56Vocês fizeram algumas lives, muito bem feitas, por sinal.
51:59Muito obrigado.
52:01E agora, qual é a projeção de vocês daqui pra frente?
52:04Porque a gente está doido pra que isso acabe semana que vem.
52:06Mas, até agora, não apresentaram pra gente nenhuma solução imediata.
52:11Como é que vocês estão projetando?
52:13Cara, é isso.
52:14A gente está de live em live, né?
52:17De live.
52:18Acabou.
52:18E aí?
52:18Mudou alguma coisa?
52:19Então, marca mais uma live.
52:21Onde vai ser agora?
52:22Aí começa a bolar como é que vai ser a live, né?
52:24Então, já fizemos três.
52:26A terceira foi muito bacana aqui no CCBB.
52:28Tem um monte de ideia e tal.
52:30Não.
52:30Peraí, desculpa.
52:31Desculpa.
52:31Mentira.
52:32Mentira.
52:33Você está errado.
52:34Você está diminuindo.
52:35Foi espetacular.
52:38Um dos lugares mais bonitos que eu já vi na minha vida.
52:41Extremamente bem iluminado.
52:43Eu acho que até eu te mandei um zap.
52:45Eu mandei pra alguém.
52:46Cara, que lugar espetacular.
52:48Eu de casa, cara.
52:49Que lugar bonito, rapaz.
52:51Parece que você está na Europa, rapaz.
52:54E a gente, na verdade, assim...
52:56Eu fiquei sonhando o tempo inteiro aquilo de dia.
52:59Porque aquilo é bonito demais, cara.
53:01Muito, muito.
53:02Porque de noite muda tudo.
53:04E a gente tinha que iluminar a banda e o lugar.
53:07Porém, o bicho?
53:07O lugar.
53:08A gente tinha que ficar do lugar.
53:09Se iluminar a banda e não tiver lugar, não faz sentido.
53:11Então, o neguinho ralou ali, viu?
53:12E aí você botava a banda, dava sombra num, sombra no outro.
53:16E tal.
53:17E, putz.
53:18A gente está aprendendo a fazer tudo, né?
53:21Aplausos para vocês e para os técnicos, que aquele trabalho é muito bem, cara.
53:27Vai sair um EP com quatro músicas tiradas de lá.
53:33Nós fizemos isso na live anterior.
53:36Só que, das vezes, nós caprichamos mais.
53:37Nós fomos para lá na sexta-feira de tarde e gravamos quatro músicas tocando.
53:42Então, tem duas antigas, que é Luta de Viver, que é uma balada bonitona assim.
53:47Uma mais funkeira.
53:48E as duas músicas que nós acabamos de lançar, que é o Luta de Viver...
53:52Não.
53:53A Voz do Coração e Guerra e Paz.
53:56Versão acústica, né?
53:58Tocada ali.
53:58E aí, com os detalhes do lugar e tal.
54:01Os meninos estão editando.
54:02A gente quer ver se lança até dia...
54:04Áudio e vídeo.
54:05Áudio e vídeo.
54:07Áudio e vídeo.
54:08Que aí marca o momento, marca a época e tal.
54:12E tum.
54:12A gente quer lançar mais uma música inédita do disco em novembro.
54:17Mais tarde.
54:18Comecei ali, percebi.
54:19Mais uma do disco.
54:20O disco era esse ano.
54:21Mas nós jogamos para o ano que vem.
54:24Porque, cara...
54:25A gente não consegue encontrar...
54:27Não está encontrando todo mundo sempre, todo dia.
54:30O produtor é o Paul, cara.
54:32O Paul falou, gente, eu não posso ir.
54:35Está grilado com o negócio.
54:37Tem que ficar grilado mesmo, bicho.
54:38Tem que estar mesmo.
54:39Tem que estar preocupado.
54:40Está verdade.
54:42Acho que é o momento...
54:43O que eu vou botar para fora foi porque a gente estava muito na cara do gol já.
54:47Aí conseguimos mixar a distância e tal.
54:49Essa que vem por aí.
54:52A gente não estava com o disco pronto.
54:53A gente estava a caminho.
54:54Então tem que terminar junto.
54:56Tem que encontrar.
54:57Tem que ficar ali.
54:58Não é um negócio assim também, sabe?
55:01E o ano que vem...
55:02Assim que acabar, turnê de aniversário.
55:04Começa tudo de novo.
55:0525, 26, 27, o ano que for, acabou com essa festa.
55:10Se prepara, porque no ano que vem você vai trabalhar em dobro.
55:14Esse e o ano que vem.
55:16Vai trabalhar valendo por esse ano e valendo pelo ano que vem.
55:19Vai ter que dar duro.
55:21Festa, luz vermelha, som alto pra caralho.
55:26Bicho, obrigado.
55:27Obrigado.
55:28Mais uma vez, desculpa te perturbar tanto para a gente poder conversar um pouquinho.
55:31É um cara muito foda.
55:32Você está fazendo uma entrevista por dia, todo dia?
55:36Sinto isso.
55:37Você, todo dia.
55:40Amanhã, Lillian, da Jovem Guarda.
55:41Depois, o Marcos, do Marcos Bellucci.
55:43Depois, o Robertinho Silva.
55:45Zé Neto.
55:46Eu queria que você assistisse do Zé Neto.
55:48Zé Neto é o guitarrista do Steve Will Woods.
55:5120 anos com o Steve Will Woods.
55:52Um brasileiro que é foda.
55:55Foda.
55:55O cara é um dos maiores guitarristas do mundo.
55:57Você na sexta?
55:59É, é sexta-feira.
56:00Deixa eu ver aqui.
56:01Para fazer é Neto, é sexta-feira.
56:04Assiste essa que vai ser quente.
56:05Aqui, você tem que conversar com o meu outro irmão, então, agora.
56:08Está faltando.
56:09Você já falou com o Sideral, não fez?
56:11Vou marcar com ele.
56:12Você me ajuda?
56:13Faz a ponte.
56:13Está botando o Landau agora.
56:15Faz a ponte com o Landau.
56:16Pode deixar que eu vou fazer.
56:17Vou fazer para vocês falarem.
56:19Você tem que conhecer ele, velho.
56:21Você não vai acreditar, não.
56:23Vou estudar, vou estudar.
56:24Bichão, obrigado.
56:25Um beijo.
56:26Um beijo em casa.
56:27Um beijo na família.
56:27Um beijo no seu pai.
56:29Tudo de bom.
56:30Está aqui, dando tchau para você.
56:31Muita paz.
56:32Muita paz para a família.
56:33Te cuida, te cuida.
56:35Saúde para todos.
56:37Vamos aí, vamos aí.

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