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  • há 4 minutos
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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Transcrição
00:11Hoje mais um dia, mais um momento, mais um instante, todo dia uma live durante a pandemia.
00:19Espero que hoje a gente tenha uma boa conexão, que a gente tenha realmente boa chance de
00:25conversar bem claramente com o PJ Contrabaixo do J-Quest.
00:31Não é para qualquer um não, hoje nós vamos conversar com o PJ do J-Quest, tá certo?
00:37Tá bem, PJ?
00:38Beleza, como é que tá, galera?
00:41Nós estamos muito bem, agradecendo muito a sua participação hoje aqui com a gente, porque...
00:49Você é um cara que a gente tem muito respeito, você...
00:53Conseguiu fazer algo muito difícil para o instrumento Contrabaixo, que é imprimir uma
01:00marca, imprimir uma qualidade no instrumento, a ponto de ser reconhecido no meio de uma
01:05gravação.
01:06Isso é algo, para o instrumento, importantíssimo e muito difícil para o instrumentista e você
01:12sabe claramente do que eu estou falando, né?
01:15Tem baixistas que você ama, que você bota o disco e esse baixo é de fulano.
01:20Que bom, obrigado.
01:22Foi sem querer.
01:25Vamos começar com a sua história de vida, você nasce em Minas, mas vai cedo para Brasília?
01:33Como é que é a saída para Brasília?
01:34Como é que é essa sua chegada em Brasília?
01:36Claro, eu nasci em Minas Gerais, em Corvelo, que é interior de Minas, 120 quilômetros de
01:43Belo Horizonte, né?
01:46E naquela época, daqui a 70, meu pai era dentista e apesar dele ser do interior de Minas Gerais,
01:54ele era da Marinha.
01:56Poucas pessoas, às vezes as pessoas não sabem que Marinha também é de Rio, não é só de mar, né?
02:02Então, meu pai mudou para Brasília, me levou para Brasília daqui a 70.
02:07Quando eu tinha oito anos, minha mãe me colocou na escola de música de Brasília.
02:13Daí começou a minha paixão por música, né?
02:15Comecei tocando Falta Doce, Lenda...
02:18Desculpa, só uma coisa, PJ.
02:20Para sua mãe colocar você na escola aos oito anos, tem um motivo, cara.
02:24Ou você era bagunceiro demais, ela queria que você acalmasse, ou você já demonstrava
02:29uma qualidade em alguma coisa que chamasse a atenção da sua mãe, ou você se apaixonou
02:33por algum som, alguma coisa.
02:36Ninguém vai para uma escola de música aos oito anos se não tiver um estalo.
02:41O que aconteceu ali?
02:42Eu acho que foi feeling da minha mãe, porque você tem toda razão.
02:46Não tem nenhum motivo.
02:48Ainda mais naquela época, na década de 70, 78, 77, eu não tinha...
02:55E teve uma coisa engraçada também, minha mãe, como era naquela época,
02:59naquela época eu acho que todas eram, quase todas as mulheres eram donas de casa, né?
03:03Uma coisa inconcebível hoje, que eu também acho errado.
03:06Ainda bem que mudou isso, né?
03:08Todos têm direitos iguais, todos têm que buscar seus sonhos.
03:12Minha mãe era uma dona de casa típica, então ela ficava por conta da gente.
03:15Teve outro fato engraçado também, cara.
03:18Ela me colocou na aula de tênis, também por essa idade, maior de 10 anos.
03:25E naquela época, né?
03:27Não tinha didática, né?
03:28Os professores não tinham muita didática.
03:30Na terceira aula, o professor falou assim pra ela,
03:33aproveita que ele é novo, tira ele do tênis e pede pra ele fazer outra coisa.
03:38O que que é engraçado dessa história?
03:41Que a raquete de tênis, né?
03:43Que eu comprei e não usei, eu comecei a usar pra fazer air guitar.
03:50Que ótimo!
03:51Eu ficava o dia inteiro ouvindo ali.
03:53Pô, naquela época, cara, começando a ouvir Kiss, né?
03:55Depois Aromade, com Rush, e fazendo uma air guitar lá.
04:01Então, já foi outro feeling dela, né?
04:03Sem querer.
04:05Legal.
04:06Aí, com oito anos, você entra numa escola e, nessa escola,
04:10que lógico que começa uma introdução musical,
04:14uma musicalização, uma coisa bem lúdica,
04:17com um guri de oito anos.
04:19Mas aí você já sentia alguma coisa?
04:24Eu vou te falar que eu fiquei na escola de música há dois anos só.
04:27Até porque não era tão lúdico assim.
04:29Era bem, quase que marcial, assim.
04:33É mesmo?
04:34Naquela época, cara, não tinha essas coisas de hoje.
04:37Era muito raro ter um tipo de educação mais liberal,
04:42ou mais lúdica, assim.
04:44Era muito direto as coisas antigamente, né?
04:46Então, eu fiquei lá uns dois anos e saí.
04:49Mas, cara, me despertou um sentimento.
04:54Eu falei, cara, eu adoro música, porém, eu não quero seguir.
04:59Podia ter seguido, né?
05:00Seria até melhor pra mim se bobeasse.
05:02Mas eu não gostei do método, como era ensinado na época.
05:07Aí eu parei, né?
05:09E depois, minha irmã começou a tocar piano também,
05:11também na escola de música, né?
05:12Minha irmã levou mais a sério.
05:14E eu começava a brincar no piano com ela.
05:16Ela tocava muito bem, ela lia bem.
05:19E com aquele boom das bandas de Brasília, nos anos 80,
05:23cara, eu falei, caramba!
05:25Aí, quando eu tinha 14 anos, eu falei, eu quero um baixo.
05:28Ele já começou a...
05:29Mas por que o baixo?
05:31Por que você fala assim, eu quero um baixo com 14 anos?
05:33Geralmente, eu quero uma guitarra, eu quero balançar o cabelo.
05:36Como é que é?
05:38Apesar, desculpe, desculpe, desculpe.
05:40Você falou que estava em Brasília, anos 80,
05:43e era muito ligado àquele movimento do punk rock brasiliense,
05:47e aí eu começo a entender um pouco baixo
05:51a pulsação do punk rock.
05:54E, cara, teve uma coisa engraçada, né?
05:57Que eu gostava muito do Steve Harris também,
05:59que foi um dos primeiros LPs que eu comprei.
06:03Foi Queen e Iron Maiden.
06:05Foram esses três.
06:06Queen, Iron Maiden e Rush.
06:07Eram duas bandas que eu gostava muito.
06:12E eu lembro que eu gostava de Another Bustle, do Queen,
06:16por causa do baixo.
06:16Baixo puro, baixo puro.
06:18E eu sabia muito pouco que era baixo naquela época,
06:21mas gostava daquele som.
06:22Depois que eu fui saber que era baixo,
06:23porque aquilo era em 1931, 80, né?
06:25O The Game, do Queen.
06:26Depois eu era o Maiden, com o Steve Harris,
06:28eu comecei a ouvir mais o baixo,
06:29porque tinha um amigo meu que tocava.
06:31E depois veio esse movimento, né?
06:34Do punk, do pós-punk.
06:36Comecei a gostar muito do The Cure.
06:37The Cure tinha muito baixo alto, né?
06:40O punk, o pós-punk, tinha muito baixo alto, né?
06:43E eu pedi um baixo.
06:44Um baixo Janine Sonic,
06:46daquele que não tem escala, né?
06:48O braço, a madeira do braço, a madeira da escala.
06:51E comecei a tocar em Brasília.
06:54Naquela época, né?
06:55Hoje eu conheço os caras, meus amigos.
06:57Dado, Bonfá, o Dinho, né?
07:00O pessoal do Capital.
07:01O Felipe Seabra, que era do Aplebi.
07:03Naquela época, eles são uns 4, 5 anos mais velhos.
07:06Ih, você era um menino perto deles.
07:09Eu tinha 14, então não dava pra andar com os caras.
07:14Hoje não, hoje não tem nenhuma diferença.
07:17Então eu ficava ali na...
07:18Não conhecia eles naquela época, né?
07:20Então eu ficava ali na retaguarda, montando minhas bandinhas em Brasília.
07:23Até que eu mudei pra BH em 88, que eu passei em engenharia civil.
07:27Mas não larguei a música.
07:28Mas antes de você ir pra Belo Horizonte, você disse...
07:31Agora, eu toquei em umas bandinhas lá e tal.
07:34Mas tocava o quê?
07:35Nos bares?
07:36Chegou a montar uma banda legal?
07:38Chegou a levar a sério a banda em Brasília antes de voltar pra BH?
07:43Eu sempre levei muito a sério as coisas, né?
07:46Eu sempre...
07:46Tudo que eu fiz assim, eu acho que até que...
07:50Às vezes eu até exagerei, assim.
07:52Porque...
07:53Mas levava a sério.
07:54Pra mim, a faculdade...
07:56Passando o vestibular e tocar, eu tinha o mesmo peso.
08:00Então, tipo assim...
08:01Eu era muito determinado com as coisas, né?
08:04Eu não sei se cabe agora falar uma coisa.
08:07São 25 anos do primeiro disco do Jota Quest.
08:10Durante esses 25 anos,
08:14eu sempre fui perguntado por que o Jota faz sucesso.
08:17Fez sucesso.
08:18Então, cara...
08:20E se manteve, né?
08:21Então, eu falei...
08:22Antigamente eu falava assim, talento.
08:24Mas será que o talento não é muita prepotência?
08:26Você vai falar que é talento?
08:27Sorte.
08:27Eu falei, mas sorte também.
08:29Então, eu fiquei anos tentando responder.
08:31Cara, e esse ano...
08:33Eu acho que esse ano eu cheguei à conclusão.
08:35Cara, eu acho que a gente deu certo
08:36porque a gente se esforçou muito, sabe?
08:38Eu acho que...
08:39Quando você se esforça pra fazer alguma coisa na sua vida,
08:42esforço próprio, físico,
08:43deixa de fazer, de divertir,
08:45deixa de perder noite,
08:47você já automaticamente sai dos 95% dos normais.
08:51E por apenas esforços próprios,
08:53você cai nos 5% dos especiais.
08:56Aí que vai entrar a sorte,
08:57vai entrar quem indica, né?
08:59Porque às vezes você não está preparado,
09:01tem quem indica, não adianta nada.
09:02E até Deus vai entrar só nos 5%,
09:04porque Deus não vai ajudar ninguém que não quer, né?
09:07Então, é por aí.
09:09Pô, ótimo.
09:10Grande, grande leitura.
09:11Gostei muito.
09:12Obrigado.
09:13Eu não iria te perguntar por quê,
09:16mas você já me disse.
09:17Tá ótimo.
09:18Aí você vem pra Belo Horizonte,
09:21sai de Brasília,
09:22vem pra Belo Horizonte
09:22por uma questão de estudo,
09:24passou na faculdade,
09:25tem que estudar,
09:26a família volta.
09:29Mas tem alguma coisa aí que me incomoda,
09:31quero entender.
09:33Lá em Brasília,
09:34a sonoridade,
09:37punk rock.
09:38Punk rock total.
09:40Sou nervoso.
09:41Todo mundo...
09:42Punk rock.
09:43É, cara feia,
09:45cara emburrada,
09:46tocando pesado.
09:48E a sonoridade do Jota
09:52é justamente soul music,
09:54black music,
09:56rich man blues.
09:58Onde é que está a diferença?
09:59O que aconteceu com aquele moleque
10:01que sai de Brasília,
10:03debaixo do guarda-chuva do punk rock
10:05e que começa a fazer sucesso
10:07numa banda funkeada?
10:11É, não foi tão assim, tá?
10:13Não foi assim.
10:15Não mudei de fase de uma hora pra outra.
10:16Não foi assim.
10:17Em Brasília,
10:18comecei a ter aula
10:19com o único professor que eu tive,
10:21que eu considero que foi o meu único professor,
10:22chama Dunga,
10:24que é um dos maiores baixistas hoje
10:26de música pop, né?
10:28Tocou com o Lu Santos,
10:30ele mudou pro Riva.
10:33E praticamente os anos 90,
10:35o Dunga gravou todos os baixos
10:36de música pop do Brasil.
10:38E o Dunga,
10:40uma vez,
10:41nessas aulas que eu tinha com ele,
10:42em Brasília,
10:43no teatro Galpãozinho,
10:44eu ia a pé,
10:45ele me deu uma fita cassete
10:49de uma banda pop,
10:51funk,
10:52que chamava Level 42.
10:55Maravilhosa.
10:56Não é nenhuma banda tão famosa assim,
10:57mas é fenomenal.
11:00E eu comecei a ouvir
11:01um cara tocando baixo,
11:04funkado,
11:04muito com slap.
11:06E que cantava junto com o baixo,
11:08inclusive.
11:08Cantava e tomava.
11:10Aí é que tá.
11:11Eu comecei a ouvir.
11:13E comecei,
11:13cara,
11:13que legal tipo de som.
11:14Comecei a me dedicar.
11:16Só que naquela época,
11:17não tinha nada.
11:18Praticamente nem VHS tinha.
11:19Não tinha internet,
11:20YouTube,
11:21não tinha nada.
11:22Revista era showbiz e acabou.
11:23O som 3 acabou.
11:25Aí,
11:25eu falei,
11:26caramba,
11:28essa banda,
11:28o cara toca baixo pra caramba.
11:30Depois de um ano,
11:31cara,
11:31que passou um clipe do Level 42,
11:33que eu fui ver.
11:34Que o cara tocava baixo,
11:36cantava e era branco.
11:37Que pra mim,
11:38era um cara no baixo
11:39e um negão cantando.
11:42Aí eu falei,
11:42caramba,
11:43que cara mais louco.
11:44Era o Mark King, né?
11:45E esse cara que me despertou
11:46essa vontade de...
11:49Falei,
11:49cara,
11:49não vou ficar tocando de paleta
11:50a vida inteira.
11:51Apesar de eu gostar muito
11:52de tocar de paleta hoje também.
11:54E essa transição
11:56que eu abandonei um pouco
11:57o estilo punk rock
11:59de tocar,
12:00mas mantive aquela essência
12:02do punk rock,
12:02do do yourself,
12:04daquela raiva que tem.
12:05Eu toco com um pouco
12:06de raiva também.
12:07Quem me vê tocando ao vivo
12:09sabe disso.
12:10Com certeza.
12:10Eu não sou um cara
12:11cool tocando,
12:12sabe?
12:13Então,
12:13tipo assim,
12:14eu acho que misturei
12:16os estilos no Jota Quest.
12:17Quando eu vi a...
12:17Não,
12:18a resposta foi dada.
12:20A resposta foi dada.
12:21E aí,
12:21esse som
12:23te leva a uma curiosidade
12:25e que te leva a pesquisar
12:27e que começa um a ouvir o outro,
12:29o outro a ouvir o um
12:29e você amplia o seu leque.
12:32Exatamente.
12:34Perfeito.
12:35Vendo a BH,
12:36entra uma banda
12:36já com o Paulinho,
12:38que eu batero do Jota Quest,
12:39que a gente já morava em BH,
12:40que chamava
12:40Primavera de Praga.
12:42Apesar do nome dos anos 80,
12:43já era uma banda
12:44que tinha um som funkeado pop.
12:46Eu saio dessa banda
12:47com o Paulinho
12:48e a gente monta o Jota Quest.
12:50E o resto aí é aquela história, né?
12:51Dá pra ficar aqui também.
12:52Tá, mas tem uma história
12:53do Jota Quest
12:53que a gente vai falar pouco
12:55do Jota Quest
12:55que eu quero falar mais de você,
12:56mas tem uma história
12:57que eu quero que você limpe
12:58pra mim, se você puder.
13:00Pra você ter uma ideia,
13:00já conversei aqui
13:01com o Marcos Túlio,
13:02tô conversando com você,
13:04conversei com o Paulinho já
13:06e o Márcio tá aí marcado
13:08pra gente...
13:08Eu vou até ver
13:09qual é o dia do Márcio aqui
13:10pra não falar besteira.
13:12O Márcio é...
13:13Deixa eu ver direitinho.
13:14O Márcio é dia 7 de agosto.
13:167 de agosto eu tô com o Márcio.
13:18Eu quero que você me diga
13:19uma coisa.
13:22750 dólares.
13:24O que que significa
13:25isso pra você?
13:27Não.
13:28Foi uma grana...
13:29No contexto,
13:31foi uma grana
13:31que meu pai me deu
13:33pra comprar um baixo importado.
13:36Foi quando ele viu
13:37que eu tava...
13:37Eu já tava em Brasília ainda.
13:39Ele viu que eu tava
13:39me dedicando
13:40pra aquele GnSonic, né?
13:44Não.
13:45Era o GnSonic.
13:47Era o GnSonic.
13:49Ele viu que eu tava
13:49me dedicando
13:50com o GnSonic
13:51e ele me deu essa grana
13:53pra eu comprar um...
13:53Eu comprei um Fender
13:54num interesse famoso
13:55de Brasília.
13:58Putz, cara,
13:58eu tô ficando velho
13:59e tô lembrando
13:59dois nomes mais, cara.
14:00Como é que ele chamava?
14:02E comprei um Fender,
14:04um Fender Jazz.
14:06Foi isso?
14:07É, a resposta é essa.
14:07É isso que você quer...
14:08Mas eu acho que tem
14:09um outro 750 dólares
14:11na sua vida
14:11que foi quando
14:12vocês se reuniram,
14:13que finalmente
14:14vocês encontraram
14:15um vocalista
14:16da banda.
14:17Vocês tinham
14:18uma gravação
14:19semanas seguintes
14:21e precisavam
14:23fazer uma vaquinha
14:24pra bancar
14:26a gravação.
14:27E o cara chegou
14:28cheio de marra,
14:29esse vocalista
14:31chamado Flauzido
14:31chegou cheio de marra,
14:33cheio de...
14:33Olha, você vai...
14:34Tem que desembolsar
14:35de 750 dólares aí
14:37pra poder continuar
14:38o nosso trabalho.
14:39Isso é vero?
14:40É vero.
14:41Esse fato foi engraçado.
14:42Porque a gente tinha
14:43um vocalista
14:43e já no Jota Quest
14:45antes dele, né?
14:46E a gente tinha
14:47marcado uma gravação.
14:50Aí,
14:51o cara saiu,
14:52tipo assim,
14:5315 dias antes
14:53da gravação.
14:54Não sei,
14:55não vou lembrar
14:55quanto tempo foi.
14:56Sei lá,
14:58um mês antes,
14:58sei lá.
14:59E a gente não queria
15:00desmarcar essa gravação,
15:01porque
15:01uma fominha
15:03pra gravar.
15:03E o Rogério
15:04aparece.
15:05e o Rogério
15:08ele não tinha
15:10naquela época
15:12muito do que a gente
15:13queria, né?
15:14Ele era um cara
15:14mais MPB,
15:15mais rock Brasil.
15:17O Jota Quest
15:18era muito radical,
15:19queria muito soul,
15:20né?
15:20Aquela voz...
15:22Mas ele...
15:23Mas tinha uma banda
15:24naquela época
15:24que tava estourada,
15:25que era o Jamiroquai,
15:26e ele tinha um timbre
15:27mais ou menos
15:28igual ao do J.K.,
15:28que é o vocalista
15:29de Jamiroquai.
15:29o Jamiroquai.
15:30Verdade.
15:32E a gente falou assim,
15:32cara,
15:33dá pra ficar,
15:34fica aí, né?
15:35Vamos lá.
15:35Dá pro gasto,
15:36dá pro gasto.
15:37Só que a gente tem
15:38uma gravação.
15:39Semana que vem,
15:40tem que ter uma grana
15:41também.
15:42Aí ele tem...
15:43Não, era 150 dólares.
15:44Eu tenho 150 dólares
15:45e tá dentro.
15:46Ficou.
15:46Beleza, morreu o assunto.
15:51Mas ele tem
15:52um carisma muito grande,
15:53cara.
15:53Ele não...
15:54É um excepcional.
15:57É excepcional o cantor
15:58e eu tava aqui
15:59fazendo o levantamento
16:00hoje de bandas...
16:02Hoje era um desafio, né?
16:03Ele era um desafio.
16:05É.
16:06De bandas que estão juntas
16:08desde o princípio
16:09com a mesma formação.
16:11Queria que você me ajudasse
16:12e o pessoal
16:12que tá nos acompanhando também.
16:13Outro dia eu falei
16:14de duas apenas
16:16e aí eu depois fui lembrando
16:17de outras bandas.
16:19Vocês,
16:21Jota Quest e o Scant,
16:23que apesar de estar
16:25anunciando
16:25que tá no suspiro final
16:28aí partindo
16:29pra um outro caminho,
16:31ainda é uma banda
16:33que se mantém junta
16:34com a mesma formação
16:36desde o princípio.
16:37O Roupa Nova
16:38é outra.
16:39E Paralã,
16:41mas no sucesso,
16:41é outra banda
16:42que tá...
16:44Eu não lembro demais.
16:45Se você lembrar...
16:47Cara,
16:48é difícil, né?
16:49Difícil,
16:50difícil.
16:50Eu parei pra pensar.
16:52Será que tem outra?
16:53Eu acho que não.
16:55Se tiver,
16:56vamos lembrando,
16:57vamos lembrando.
16:58Aí o que acontece...
17:00O que acontece
17:01nesse meio tempo
17:02da nossa história?
17:04Você encontra
17:06uma sonoridade,
17:07você encontra
17:08uma levada,
17:09você encontra
17:10um toque,
17:11você encontra
17:11um groove,
17:12você encontra
17:13uma batida,
17:14uma swingada,
17:14que é muito característico
17:16do Jota.
17:19e a gente sabe
17:20que a cozinha,
17:23a batera
17:23e o contrabaixo,
17:26nesse tipo
17:28de sonorização,
17:29de sonoridade,
17:31é a base
17:32do negócio.
17:33Como é que você
17:34acha esse som?
17:35Como é que você...
17:36Você já parou
17:37pra pensar?
17:38Porra,
17:39ou isso é
17:39tão natural
17:41que você nunca
17:42parou pra pensar
17:43das suas raízes
17:44e aonde que você
17:45pegou essa manha?
17:48Cara,
17:48eu acho difícil
17:49de ter uma explicação.
17:50Eu acho que você
17:53toca Beatles,
17:54você sabe
17:55que o som,
17:59na verdade,
18:00o som vem de dentro.
18:01Às vezes as pessoas
18:02me perguntam
18:03como é que você
18:03fez aquela linha
18:04de baixo?
18:04Eu falo,
18:04cara,
18:05eu cheguei e fiz.
18:06Foram raras
18:06as linhas de baixo
18:07que eu fiquei pensando
18:08como é que eu ia fazer,
18:09que eu levei pra casa,
18:10sabe?
18:11Na moral,
18:12saiu na hora,
18:13que é uma linha marcante.
18:15Encontrar alguém também
18:15saiu na hora,
18:16que é uma linha marcante.
18:16Então, tipo assim,
18:18fácil também,
18:18que é uma balada
18:19que tem uma linha
18:20marcante também.
18:22Eu acho que era
18:22que talvez,
18:24é difícil falar de mim,
18:25mas,
18:25cara,
18:27talvez pelo,
18:29como é que você diz?
18:30Pelo mix
18:30de coisas
18:31que eu ouço,
18:32sabe?
18:32Eu sempre fumo
18:33muito eclético.
18:35e eu,
18:35quando eu ouço
18:36um som,
18:37eu analiso muito bem
18:38o som,
18:39desde criança,
18:39sabe?
18:40Eu fecho o olho,
18:41assim,
18:41eu tento pegar
18:43aquela energia do som,
18:44aquela coisa espiritual
18:45do som,
18:45eu ouço onde é que está
18:46o baixo,
18:47onde é que está a guitarra,
18:48onde é que está o chimbal,
18:50e falo que legal,
18:51cara,
18:53essa música,
18:53o chimbal está
18:54para o lado direito,
18:55sabe?
18:56Nos Beatles,
18:56dá para você fazer
18:57muito bem
18:57esse exercício,
18:59e,
18:59cara,
19:00e ouvindo
19:01muita coisa
19:03e tirando
19:04o que eu gosto.
19:04Eu falo assim,
19:06a música pop,
19:07ela é muito pouco
19:08estudada pelos instrumentistas,
19:10muito pouco,
19:11porque,
19:11geralmente,
19:11o instrumentista,
19:13ele estuda o jazz,
19:15estuda o samba,
19:16estuda o baião,
19:16leva aquilo a fundo,
19:18aí fala assim,
19:19não,
19:19o pop e o rock
19:20não precisam estudar
19:20porque é fácil tocar,
19:22né?
19:23Não,
19:24o braço no rock
19:25é só tônica,
19:26no pop,
19:26cara,
19:27lê do engano.
19:28O baixo no pop,
19:30vamos falar do meu instrumento,
19:31é uma das coisas
19:32mais legais
19:33que existe na música,
19:35principalmente os baixos
19:36dos anos 80,
19:37né?
19:38Tirando os Beatles,
19:39tá?
19:39E os clássicos dos 70,
19:41os baixos dos anos 80
19:42são geniais.
19:43Eu fico aqui dias
19:44enumerando linhas de baixo
19:46magníficas,
19:47muito pouco estudadas,
19:49muito pouco exploradas,
19:50né?
19:51Às vezes,
19:51o cara nem conhece,
19:53né?
19:53Então,
19:54acho que talvez isso
19:55seja uma fonte
19:55que a galera precisa
19:56beber mais,
19:58baixisticamente falando.
19:59Acho que a quarta live
20:00que eu falo,
20:00que eu faço e falo isso,
20:03cara,
20:04estudo,
20:04se o baixista é profissional,
20:05estudo o Jets,
20:07estudo o Baião,
20:07estudo as elevadas
20:08que sou dos anos 70,
20:10mas estudo os baixos
20:11dos anos 80.
20:12ali, cara,
20:13está todo o segredo do pop.
20:15Quando você fala
20:16do baixo dos anos 80,
20:18você lembra o quê?
20:20O Liminha com Fugais?
20:22Estou falando de brasileiro,
20:24tá?
20:25Liminha com Fugais.
20:26Liminha com Fugais,
20:28Negrete com o Dois,
20:31o Legião,
20:33Bibi Ribeiro com o Meu Erro,
20:37Dois Elefantes,
20:38a gente pode falar,
20:40o Bertrand Gessinger
20:41com o Infinita Highway,
20:45putz,
20:45tem tantos baixos legais.
20:46Cara,
20:47o baixista de uma banda
20:47que se chamava Tóquio,
20:48Linda Garota de Berlim,
20:49essa música,
20:50tem uma linha de baixo
20:50sensacional,
20:52virtuosa,
20:53total,
20:53de slap com o dedo.
20:54Verdade,
20:54bem lembrado,
20:55bem lembrado.
20:56Paulo Ricardo,
20:57PM,
20:57tinha as linhas geniais,
20:59né?
21:00Cara,
21:01tem tanta coisa legal,
21:02o Liminha nem se fala,
21:03né?
21:03Arthur Maia,
21:04que é um cara
21:05que conseguiu
21:07navegar muito bem
21:08no jazz,
21:08no pop,
21:09no MPB,
21:09que é uma coisa raríssima,
21:10sem pegar ranço,
21:12levar o ranço
21:13de um estilo para o outro,
21:14ele sempre conseguiu fazer isso,
21:15é muito difícil
21:15o cara conseguir fazer isso.
21:17Cara,
21:17é infinito,
21:18cara,
21:18tem,
21:19porra,
21:19Limarcut,
21:21com a Rita Lee,
21:23Jamil Joanes também,
21:24sabe?
21:25São,
21:25são,
21:26são,
21:26são,
21:27agora,
21:28no pop mesmo,
21:29vamos entender para os anos 90,
21:30né?
21:30Tem tanta coisa legal
21:31nos anos 90 também,
21:32né?
21:33Então,
21:33acho que,
21:35sem contar,
21:36o baixo da música
21:37é americana e inglesa,
21:39né?
21:39Que é aí que a gente
21:39fica até amanhã,
21:40né?
21:41É porque,
21:42olha só,
21:43olha só o que você está colocando,
21:44vamos agora para o lado de cá,
21:46o lado do ouvinte,
21:47porque você tem um ouvido
21:49de músico,
21:50então,
21:50quando você lembra do Jamil,
21:52quando você lembra do Limarcut,
21:54quando você lembra de
21:55Paulo Ricardo,
21:57B. Ribeiro,
21:58ali tem um ouvido
22:00do músico,
22:01mas,
22:02do lado de cá,
22:04o nível de gravação
22:06que chega,
22:07ou que chegava
22:08dos americanos
22:09para a gente,
22:10era tão superior
22:12ao nível
22:13de prensagem,
22:15não digo a captação
22:16ou mixagem,
22:17não estou discutindo
22:17masterização,
22:18estou discutindo
22:19a prensa final
22:21que eu ia na loja
22:22e comprava,
22:23botava um produto
22:24brasileiro,
22:28aí você botava
22:29o cu e da vida
22:30o som aberto,
22:31o baixo vem na cara,
22:32a bateria está na sua,
22:34isso também
22:35é um problema sério
22:37para você,
22:38músico,
22:38que se rasga na,
22:41agora nem tanto,
22:42já mudou muito isso,
22:43mudou muito.
22:44Isso era um problema,
22:45eu vou te falar
22:46que às vezes
22:46não era nem problema
22:47da qualidade de gravação não,
22:49era do material,
22:51você pega o vinil hoje,
22:52eu ouço vinil para caramba,
22:53você pega o vinil
22:53dos vintos hoje,
22:55nacional,
22:55dos anos 70,
22:5680,
22:57você põe o mesmo vinil
22:58americano,
22:59japonês,
22:59então tem diferença enorme,
23:01né?
23:01É.
23:02Um dia eu fiz um teste
23:03com o disco do Rush
23:03para o Windows,
23:04peguei o nacional
23:05que eu tenho lá em casa
23:05e peguei o novo,
23:06e peguei o americano
23:08da mesma época
23:08que eu tenho os dois.
23:10Cara,
23:10parece ser outra banda tocando.
23:12É verdade.
23:14E nós temos também
23:15que ver que a música brasileira,
23:16ela tem um estilo de mixagem,
23:21né?
23:21Que é muito diferente
23:22de um gringo.
23:23A música brasileira,
23:24no geral,
23:24tanto a MPB
23:25quanto a música pop brasileira,
23:27o vocal é alto
23:28para caramba.
23:31É estupidamente alto.
23:32Você pega uma música americana,
23:35um hit americano
23:35no cinema de qualquer época,
23:36você pega o vocal,
23:37às vezes,
23:37até mais baixo que o arranjo.
23:39Né?
23:40Então,
23:41é diferente o tipo de som,
23:43a linguagem é diferente.
23:45Talvez o inglês, cara,
23:46seja mais musical
23:47que o português,
23:48mais fácil de entender
23:49que o português, né?
23:51O português é uma língua complexa,
23:53uma língua que você conjuga muito,
23:55eu volto,
23:56tem aquela loucura toda, né?
23:59A mesa é masculina,
24:01a mesa é feminina,
24:02o sofá é masculino.
24:03Explica isso para um gringo,
24:04a mesa é feminina,
24:06está louco?
24:06Por quê?
24:07Cadê o peru do sofá?
24:09O sofá é masculino, né?
24:10Então, tipo assim,
24:12são várias coisas,
24:13mas também confesso que
24:17a música brasileira foi aprendendo, né?
24:19O baixo não é um instrumento brasileiro,
24:21a guitarra não é um instrumento brasileiro,
24:23nem a bateria não é um instrumento brasileiro.
24:25Esses instrumentos foram incorporados
24:26na música brasileira.
24:28O tropicalismo trouxe isso muito,
24:30trouxe a guitarra para o meio,
24:34foi até uma polêmica na época.
24:35Então, a gente adaptou os instrumentos
24:38muito bem à música brasileira.
24:39E os músicos brasileiros,
24:41eles foram os melhores no mundo, né?
24:42O mundo nosso não foi os melhores.
24:45Vocês recentemente fizeram uma turnê
24:48muito marcante,
24:49acho que dois, três anos,
24:50que foi o acústico.
24:52Lá atrás,
24:54quando era moda fazer acústico,
24:56vocês não embarcaram nessa história,
24:58porque...
24:58Até porque acho que o Jota era muito novo,
25:01num momento em que
25:05a mania do acústico,
25:07do Amplugat,
25:08se tomou conta do mundo.
25:09Acho que vocês tinham dois, três discos,
25:11então acho que não valia nem a pena
25:13fazer um acústico.
25:14Mas agora, recentemente,
25:16nos últimos três anos,
25:17vocês fizeram um acústico
25:18e o arranjo desses acústicos
25:20foram assinados pelo Liminha.
25:23Liminha,
25:24além de um excelente produtor,
25:27um exímio arranjador,
25:30baixista, né?
25:31Baixista dos mutantes, cara.
25:33Baixista de um monte de gente importante.
25:35Na hora de fazer esses arranjos,
25:37você se achou
25:40beneficiado pelo Liminha ou não?
25:42Cara, eu sempre me dei muito bem com o Liminha, né?
25:44Muito.
25:45Sou amigo pessoal dele, sabe?
25:47Admirador.
25:48Nunca teve...
25:49Eu nunca tive problema com o Liminha, assim.
25:51Ele sempre foi um cara que
25:52me ajudou a fazer algumas linhas de baixo, né?
25:55Ele sempre foi um cara que
25:57comprou a minha ideia, né?
25:58De usar muito slap
25:59e nunca me chamou o saco.
26:00Porque tem produtor que você vai dar slap
26:01e o cara vai tocar no chão de susto.
26:03E eu adoro slap.
26:04Aí, cara,
26:05eu nunca tive problema com o Liminha.
26:06Sempre fui quase um irmão, assim, sabe?
26:10Eu acho que
26:12o acústico,
26:13quando você faz um acústico,
26:16a banda é assim,
26:17o arranjo não pode sobressair a canção.
26:21Em princípio.
26:23Então,
26:24eu ouvi muito,
26:25eu tive uma dificuldade muito grande
26:27no começo do acústico,
26:28porque,
26:29como diz,
26:30eu tenho essa pegada punk,
26:31meio rebelde.
26:33Então, tipo assim,
26:33tem hora que eu fico até meio...
26:34Putz, não,
26:35mas nada.
26:35Muito violão,
26:36muito violão,
26:37pelo amor de Deus.
26:37Cadê a guitarra?
26:38Adoro a guitarra.
26:39Cadê a bateria?
26:40Cadê o meu baixo?
26:40Eu sou pecando.
26:42Aí,
26:42eu fui me acalmando.
26:44Falei,
26:45deixa o seu lado punk,
26:46heavy metal,
26:47de lado,
26:48e vamos ouvir.
26:49Fui me acalmando,
26:50fui ouvindo,
26:51fui ouvindo,
26:52e fui tentando,
26:55matreiramente,
26:56sorrateiramente,
26:57entrar ali dentro.
26:58Encaixando uma coisinha aqui,
26:59outra ali.
27:00É,
27:01e fui,
27:01ó,
27:02dá certo,
27:02ninguém me reclamou,
27:03vamos colocar.
27:04E fui indo.
27:06E eu falei até com o Paulinho,
27:08Paulinho,
27:08a gente virou,
27:09num acústico,
27:10a gente virou entrador de meio de música,
27:12né?
27:12Que tu começa com o violão,
27:13e tá no meio,
27:14entra o baixo de bateria.
27:17Mas tá tudo bem.
27:18E achei legal a experiência,
27:19embora eu não seja fã de projetos acústicos,
27:22sabe?
27:22Não fui mesmo.
27:24Mas eu acho que toda banda tem que ter,
27:25mas eu não ouço quase nada de acústico.
27:28Cara,
27:29tu fala assim,
27:29quer ouvir uma versão acústica de Zorimbi com o Paul McCartney?
27:31Eu não quero,
27:32eu quero ouvir dos Beatles,
27:32do Paul McCartney,
27:33e eu sou assim.
27:35A roda de violão.
27:36Mas muda muito pra você.
27:38Odeio roda de violão pra mim.
27:41Quando alguém pega o violão,
27:42meu Deus do céu.
27:44Fanta um som, galera.
27:46Mas é do jeito, cara.
27:47Eu gosto de volume,
27:49eu gosto da estamina,
27:51eu gosto daquele negócio,
27:51sabe?
27:53Pegar o instrumento,
27:54é o meu jeito.
27:56Mas eu respeito a minha banda,
27:57e eu acho que o acústico foi do caramba,
28:00repetiria,
28:00mas acho que deu.
28:01Mas foi difícil pra você,
28:05o baixolão,
28:06o contrabaixo acústico,
28:08muda pra você?
28:09Não tô dizendo nem se você gosta
28:12ou se você não gosta.
28:13Muda para o baixista,
28:15muda muito radicalmente?
28:18O instrumento em si não, tá?
28:19Porque o baixolão é uma enganação,
28:21é o baixo elétrico, né?
28:22Então, tipo assim,
28:23muda o...
28:23É, verdade, bem lembrado, bem lembrado.
28:25Muda o approach, né?
28:27O approach, assim,
28:28de como você,
28:28até como você vai se portar em palco, né?
28:31Não adianta você tocar um acústico,
28:32parecendo que tá tocando assim de si.
28:34Vai ficar até ridículo, né?
28:36Então, você tem que se reeducar,
28:38você tem que tocar mais calmo, né?
28:41Então, assim,
28:42o que mais mudou pra mim
28:43foi essa percepção sensorial do arranjo,
28:47que eu tive que ter muita,
28:49que eu ouvia com calma,
28:50pesquisava e tal,
28:52e fui entrando dentro
28:54e deixando respeitar
28:56a proposta da parada, né?
28:58Apesar de ter
29:00que no show
29:01foi crescendo outra vez,
29:03eu até voltei a usar o baixo elétrico
29:05no show,
29:05porque o baixo aluno, na verdade,
29:06muda muito pouco.
29:07Talvez mude visualmente falando, né?
29:10E eu não toco baixo acústico,
29:11vou tentar aprender,
29:12tomar vergonha na cara e aprender.
29:14Mas...
29:14Você tá falando baixo acústico,
29:15você tá falando aquele
29:16meio, aquele pé de jazz grandão,
29:18que parece um...
29:20É, isso aí.
29:20Sei.
29:21Esse é ruim pra você?
29:24Não, eu nunca me dediquei.
29:25Eu acho que se eu me dedicar aí,
29:27eu consigo tocar.
29:28Eu acho que sim.
29:29eu não vou sair,
29:29eu vou virar o Stanley Clark
29:31do baixo acústico, né?
29:32Mas também acho que
29:33não vou passar perto, não.
29:34Mas nunca me dediquei
29:35porque eu sou um fã
29:35do baixo elétrico.
29:36Minha banda é uma banda elétrica, né?
29:38Perfeito.
29:39E como eu não sou um freelance,
29:42é o que eu falo,
29:42quando você é um freelance,
29:43você tem que saber de tudo.
29:44Eu sou um cara de banda,
29:45então tem que saber
29:46dar o melhor de mim
29:47pra minha banda, né?
29:50Mas...
29:50Então foi isso, cara.
29:51Eu acho que essa percepção
29:52sensorial de arranjo,
29:53essa sinergia do apoio.
29:57Você falou duas coisas aí
29:59que eu estou catando
30:00dois pontos
30:01que você me disse agora.
30:02Eu sou um cara de banda
30:03e no começo da nossa conversa
30:06você disse que
30:07o sucesso está
30:08na determinação dos cinco
30:11e trabalhar muito.
30:13É verdade.
30:14Então, juntando esses dois pontos,
30:16eu sou um cara de banda
30:17e o sucesso do Jota
30:20está na determinação
30:21de trabalhar junto
30:23e muito
30:25e chega à conclusão
30:26de que
30:29você é um cara
30:31que gosta desses caras
30:33dos outros quatro.
30:34Esse é o primeiro ponto.
30:37E segundo,
30:38que tem esse espírito
30:40de trabalhar
30:40no coletivo,
30:42porque esse é o segredo
30:44de um cara de banda.
30:48Você falou tudo, tá?
30:49Eu acho que uma banda,
30:51quando você começa uma banda,
30:52a gente começou muito novo.
30:54Então,
30:56tipo assim,
30:56e muito cheio de gás,
30:57muito cheio de adrenalina,
30:58muito cheio de testosterona,
30:59todo mundo cheio de testosterona.
31:01E eu acho que o Jota Quest
31:02já começou bem,
31:04assim,
31:05o primeiro disco
31:05não foi um sucesso
31:07genial,
31:07mas foi um disco
31:08que nos apresentou muito bem,
31:10foi bem aceito,
31:10tocou muito na rádio,
31:11depois veio o Fássio
31:12com o Divaldo Planeta
31:13que quase vendeu
31:14um milhão de cópias.
31:15Então,
31:16naquela época,
31:17obviamente que o ego,
31:18eu sou um cara
31:20para assumir que o ego
31:22às vezes aparece,
31:23você tem que contê-lo.
31:25De você achar,
31:26ou bater,
31:27achar que
31:28tem sucesso
31:29porque minha bateria é foda,
31:31eu baixista não,
31:31faz sucesso
31:32porque eu baixo,
31:32mas é foda.
31:33A guitarra diz,
31:34você fez sucesso
31:34porque eu sou foda.
31:35Isso rola,
31:36é normal do ser humano.
31:38Aí,
31:38com o tempo,
31:39você vai amadurecendo
31:40e você vê
31:41que não existe jeito
31:42de você fazer sucesso sozinho,
31:44eu não seria
31:45baixista bom ou ruim,
31:47ou seja,
31:47se não fosse a minha banda,
31:49se não fosse meus bandmates,
31:50se eu não soubesse respeitar
31:52e admirá-los
31:53e delegá-los,
31:55e deixá-los fazer
31:56o que eles são melhor
31:57do que eu.
31:59Porque às vezes
31:59você começa com uma banda
32:01e o cara faz uma letra,
32:02como é?
32:02Ele fez uma letra,
32:03ele é meu vocalista,
32:03eu também vou fazer,
32:04a minha é tão boa quanto.
32:05Aí você fala assim,
32:06picho,
32:06minha letra não é legal,
32:07a dele é legal,
32:07sabe?
32:08Então,
32:09o cara mixou a música,
32:11que merda,
32:12eu também quero mixar uma,
32:13a dele é melhor,
32:15deixa ele mixar então,
32:16sabe?
32:17Quando você começa,
32:18ou então o contrário,
32:19o cara não,
32:19o cara é bom de finanças,
32:21não,
32:21mas ele está mexendo com o dinheiro,
32:22mas ele é menor que você,
32:23sabe?
32:23Então,
32:25a partir do momento que você
32:26começa a aceitar isso,
32:27as coisas começam a se encaixar,
32:28né?
32:29E isso não só numa banda,
32:30mas como na vida.
32:32Então,
32:33eu concordo com você,
32:35tem que respeitar os membros,
32:36Tem que...
32:37E também é grande ser,
32:38ter um vocalista generoso,
32:39um vocalista solidário,
32:41e um vocalista que gosta de compartilhar,
32:44por causa do Rogério.
32:45Porque realmente a banda está na mão do vocalista,
32:47não adianta você falar que não está,
32:49sabe?
32:49Ai,
32:49porque pode sair,
32:50que vai entrar outro.
32:51Qual banda que deu certo assim,
32:53que saiu vocalista?
32:54Tá,
32:55algumas deram,
32:56mas a primeira forma para uma banda acabar,
32:58o vocalista sair.
33:00O Rogério é um cara muito generoso,
33:01um cara muito...
33:02Ele gosta da gente também,
33:04e isso também foi.
33:06É,
33:07você está falando aqui,
33:07eu só pensei,
33:08uma banda brasileira,
33:10que o vocalista saiu,
33:11e que o outro segurou a peteca,
33:13foi frejar com a saída do Cazuz,
33:16acho que frejar foi um cara,
33:17acho que é um momento raro da história do pop rock brasileiro,
33:21não foi o frejar de segurar a peteca do Marão,
33:24o resto é difícil,
33:25você está certo.
33:26E lá fora,
33:26qual que foi?
33:27Você também conta nos dedos,
33:29o Inércio,
33:29quando o Michael Hutchinson morreu,
33:31acabou.
33:33Quando o Bruce Dickinson saiu,
33:35entrou aquele cara,
33:36foi um fracasso.
33:37O Motley Crue,
33:37quando o,
33:38como é que ele chama?
33:39O Vince Nils saiu também,
33:40foi uma loucura,
33:41quase que acaba.
33:42Então,
33:43acho que é difícil,
33:43cara.
33:45Quando a banda tem tanta identidade,
33:47cada membro tem uma identidade,
33:50isso é muito difícil.
33:51Tem banda que se até ser o baixista,
33:53acaba,
33:53o Red Hot,
33:54acaba ser o baixista.
33:57Outras,
33:58o Guns N' Roses,
33:59o Slash,
33:59acaba também.
34:00PJ,
34:02nosso tempo está no suspiro final.
34:04Eu quero te agradecer muito
34:05por você ter emprestado um tempo para a gente
34:07e a gente poder conhecer um pouquinho
34:09do Paulo Roberto Júnior.
34:11Conhecer um pouquinho
34:12de você
34:14e da sua história,
34:15da forma que você encara a música
34:17e da forma que você encara o grupo,
34:21demonstrando claramente
34:22que é extremamente preocupado
34:24com profissionalismo,
34:26com qualidade,
34:27com resultado,
34:28com comprometimento.
34:29isso é uma diferença.
34:31Isso dá para um profissional
34:33uma diferença.
34:34É o que você disse.
34:37Fator sorte precisa,
34:38o dedo de Deus precisa,
34:40de um bom produtor precisa,
34:42mas precisa suar muito,
34:44cara.
34:44E se manter no topo
34:45durante esse tempo
34:46que vocês estão se mantendo,
34:48é com muito trampo
34:49e muito suor,
34:51cara.
34:51Não é fácil.
34:53Não é fácil.
34:53É fácil, cara,
34:54porque o rock
34:57não é o estilo do Brasil, né?
35:00Vai, amor,
35:00já está com a Shepop.
35:01Cara,
35:01já está com a Shepop,
35:02mas é uma vertente do rock.
35:03A raiz é um rock.
35:04Ah, mas é soul.
35:05É rock, né?
35:06É uma moda de rock
35:07que tem essa influência
35:08de soul,
35:08de balada.
35:09Mas ninguém começou a tocar
35:11porque estava ouvindo
35:12Marvin Gaye.
35:13Então começou a ouvir rock,
35:14estava ouvindo Beatles,
35:15estava ouvindo
35:17Isid Si,
35:17estava ouvindo Barão,
35:19estava ouvindo, né?
35:20Então a gente abriu o leque.
35:23Mas todos os estilos
35:25que vieram no Brasil, né?
35:26Às vezes eu pensava assim,
35:27nossa,
35:27será que a gente vai sobreviver
35:28essa onda, né?
35:30Teve a onda do...
35:33De vários estilos musicais
35:36genuinamente brasileiros, né?
35:37Que entraram com tudo.
35:38E a gente está sempre aí.
35:39Então hoje, cara,
35:40o que eu posso fazer, né?
35:42Sem falsa modéstia,
35:43é me orgulhar muito
35:44do que eu fiz com a minha banda,
35:45sabe?
35:46É, com certeza.
35:48Nossa,
35:48tá lá e tem 25 anos.
35:50Não, e além disso
35:51que você falou que...
35:53Não, a banda...
35:54Além disso que você falou
35:55que o mercado
35:57apresentou vários estilos
35:58durante esses últimos anos,
36:00mudou também a forma
36:01de se comunicar,
36:02de vender,
36:03de se ouvir.
36:04O mercado teve
36:05uma mudança mundial
36:06e no Brasil
36:07uma mudança musical
36:09muito radical
36:10nos últimos anos.
36:12Então vocês estão
36:13de parabéns
36:13que vocês
36:14sobrevivem os bons.
36:16É igual
36:16uma...
36:18Um duelo
36:18de titãs.
36:19Aqueles filmes
36:20de faroeste
36:21que passam aquele...
36:22Só ganha
36:23e quer tirar primeiro,
36:24meu amigo.
36:25É outra coisa,
36:27para a gente finalizar aqui,
36:28já que você
36:28é um Beatle maníaco,
36:30eu sou fã
36:31do Wings.
36:32Acho que a carreira
36:33do Paul McCartney
36:34pós-Beatles
36:35é genial, sabe?
36:37Acho que
36:37na época do Wings ali,
36:39é uma das coisas
36:40que eu fico vendo,
36:41ouço e falo
36:42que eu queria estar vivo
36:43para ver um show
36:43desses caras.
36:44Isso é muito legal.
36:45Muito legal.
36:46Era fã do John também,
36:47do John Lennon.
36:48Eu lembro do dia
36:49que ele morreu.
36:50Eu acho que ele
36:51tinha esse outro lado
36:52mais ativo
36:53politicamente,
36:55mas talvez
36:56até mais alternativo
36:57que o Paul.
36:58Mas com certeza
36:59o John tinha muita coisa
37:00para ser feita, né, velho?
37:01É uma pena, né, bicho?
37:03É uma loucura aqui.
37:04A história é muito maluca.
37:05Alguém ser assassinado
37:07com o tiro pelas costas
37:08por uma pessoa
37:08que o admira.
37:10Isso é coisa
37:11sem peça e cabeça.
37:12E o George também, né, cara?
37:13O George também
37:14com aquela...
37:15comendo pelas beiradas ali
37:17também era genial, né?
37:18Era surreal, né?
37:19A guitarra do George Harrison,
37:20as composições do Harrison,
37:22a forma dele cantar
37:25e...
37:26E o mais novo
37:27é que nenhum dos...
37:28Quando acaba os Beatles,
37:30você sabe disso.
37:30Nenhum John,
37:31nenhum Paul teve
37:32no primeiro lugar.
37:32Quem teve no primeiro lugar
37:33nas paradas
37:33foi o George Harrison
37:34com My Sweet Lord, né?
37:36É incrível.
37:38É incrível.
37:38Um monte de três acordes
37:39que não muda, né?
37:41É.
37:42Ótimo.
37:42Bem lembrado.
37:43Muito bem lembrado.
37:44Meu amigo,
37:44muito obrigado
37:45por você estar aqui com a gente.
37:46Um abraço para a família.
37:48Se cuida
37:48e a gente vai se falando.
37:49Depois me manda o link
37:50do seu garoto
37:52para eu poder ouvir
37:52e curtir um pouquinho.
37:54Vou mandar agora.
37:54Muito sucesso para você.
37:55Obrigado pelo carinho.
37:56Um abraço.
37:57Um abraço.
37:57Um abraço.

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