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  • há 7 horas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.

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Transcrição
00:11Olá, chegou, chegou, chegou!
00:15Rapaz, eu tava aqui preocupado, porque eu fico sempre preocupado com esse momento,
00:19é um momento muito tenso, se vai entrar, se não vai entrar.
00:22Todos nós ficamos, cara.
00:24Cara.
00:25Deixa eu convidar uma galera aqui dos meus amigos, tá?
00:30Convida aí.
00:31Vou mandar um convite aqui pra quem quiser ver meus amigos e tal, aí já.
00:36Enfim, aviso todo mundo aqui, quem tiver disponível, assiste a gente.
00:40Legal, eu quero te agradecer muito a sua boa vontade e seu carinho de estar aqui com a gente conversando,
00:45hein, rapaz?
00:46Já vi que a minha amiga Neuminha está aqui, então não vou convidá-la, que ela apareceu aqui.
00:52Aham.
00:54Convidar o Marcão da Tajima.
00:57Marcão é figura boa.
00:59Tá ali.
00:59Ó, o Nelson Faria não vai entrar, porque ele é um cara muito, é um senhor já, muito derrubado.
01:07Muito derrubado, mas eu tô convidando quem eu tô vendo aqui, o Luquinha...
01:11Nelson já esteve aqui com a gente conversando entre os convidados.
01:14Eu vi nas suas propagandas lá.
01:16Pronto, já chamei uma galera, vamos ver quem fica com a gente aí.
01:19Ótimo.
01:20Marcinho, quero te agradecer muito o teu carinho, tua boa vontade de estar aqui conversando com a gente, cara.
01:24Muito honrado.
01:25Um prazer, Edu, um prazer, um prazer.
01:26Peço desculpas por ter desmarcado a primeira vez, mas tem aqueles compromissinhos que a gente tem de última hora e
01:32você foi super compreensivo também, eu te agradeço também pela compreensão.
01:35Não, e graças a Deus pintou, né, meu irmão?
01:37Porque o mercado tá ruim, tá difícil, então quando aparece alguma coisinha pra ganhar um troco, pega pelo calcanhar, não
01:45deixa fugir, não.
01:46É isso aí, é isso aí, é isso aí mesmo.
01:49Nasceu em São Paulo, como é que foi, efetivamente, corretamente, geograficamente você nasceu aonde?
01:57Eu sou paulistano, nascido em São Paulo, na Gema, na Gema de São Paulo.
02:02E nascido na Climação, que é um bairro que eu morei por muitos anos e depois agora eu moro no
02:09Brooklyn.
02:09Mas, no momento, eu tô no litoral.
02:13É, mas você tem toda a pinta de carioca, né? Já deve ter dito isso pra você, 250 mil vezes,
02:18né?
02:18Cara, eu sou daqueles caras que... Eu não sirvo pra morar no Rio de Janeiro, que eu certamente ia virar
02:24um vagabundo, porque eu não resisto àquela praia.
02:27Eu tenho um sério problema com passar na frente lá da Barra, por exemplo, e não ficar na praia, assim,
02:32no recreio ali, aquele lugar, eu adoro aquele pedaço, macumba.
02:36E toda vez que eu vou ao Rio trabalhar, né? Geralmente eu vou ao trabalho, quase não vou a passeio.
02:41Eu levo minha prancha, meus amigos já sabem qual que é a minha rotina.
02:45E até é engraçado, o ano passado, o Paulinho Serra, que é o meu amigo da comédia, eu até falei
02:51com ele de manhã.
02:53Eu fui ao Rio e aí ele assistiu o jogo do Flamengo no Maracanã, que ele tava transmitindo pela web,
02:59né?
02:59E eu nunca tinha ido ao Maracanã, porque eu não sou muito legal da futebol, mas, pô, Maracanã é Maracanã,
03:03né?
03:04E aí ele pegou de manhã fazendo o plano, ó, então eu te levo pra praia, te deixo lá, você
03:09volta de Uber, não sei o que lá.
03:10Eu falei, pera, Paulinho, mas você vai pro Maracanã? Será que eu poderia ir?
03:13Ele, mas você quer deixar de ir na praia? Eu falei, pro Maracanã eu troco, mano.
03:18Aí fui assistir o jogo do Flamengo, sou corintiano, mas adorei, cara, adorei.
03:23Virei flamenguista muito rápido, assim, sabe?
03:25Não, é uma torcida alucinante tanto quanto a do Corinthians, né, cara?
03:30Que é outra coisa mágica, né, cara?
03:33Puta, mas eu fiquei encantado, ele viu a minha cara, assim, cara, que legal, sabe?
03:38O Maracanã, então é uma coisa que eu já resolvi, assim, né?
03:41Já matei esse sonhozinho possível, chama de sonho possível, né?
03:44Sonho impossível já foi.
03:47Meu caro, você nasce numa família que tem uma atmosfera musical.
03:51Sua avó tocava piano, seu tio mexia com o regional de chorinho.
03:59Fala um pouquinho, seu avô, fala um pouco sobre a atmosfera musical, tia, avô, fala um pouco, como é que
04:12você nasce nesse berço musical, porque você é autodidata, mas essa verve, essa contaminação vem lá quando você é moleque
04:24brincando, correndo entre um piano e outro.
04:26Perfeito, perfeito.
04:28É, então, até o termo autodidatismo, que eu fui conhecer muito depois, porque um cara fez uma matéria comigo e
04:36com alguns outros profissionais autodidatas, não só da música, matemáticos, enfim.
04:42Foi interessante essa matéria, onde o ponto comum dos autodidatas, né?
04:46Mas o ponto comum, uma das coisas é o que você falou, é o ambiente, né?
04:50Porque eu também, como você falou bem, eu fui bombardeado naturalmente pelo universo musical, naturalmente na minha casa e nos
05:00lugares que eu frequentava.
05:01De todos os lados, Edu, inclusive onde eu tô no litoral aqui, tem uma história muito legal.
05:07E aonde, desculpa, o litoral é aonde, precisamente?
05:09É a Praia Grande, de São Paulo.
05:12E aqui, é uma sorte minha, assim, né?
05:15Mas tudo combinou, conjuminou pras coisas se acertarem pra música mesmo.
05:21Porque eu tô num bairro pequeno aqui, residencial, e aqui a minha rua a gente chamava de Rua Seita.
05:27Agora ela tem nome, mas eu só chamava de Rua Seita.
05:29Na Rua 5, que é a rua, ou seja, a rua do lado, viveu a vida inteira até a morte
05:34o maestro Luiz Arruda Paz, na rua de trás.
05:38Então, assim, era no quarteirão seguinte ao meu, eu virava a minha esquina e eu já tava na casa dele.
05:43Então, já tinha isso na minha casa.
05:44Vim pra praia, conheci o maestro, que fazia...
05:48Ele pegava orquestra, eu conheci o maestro Zezinho na casa dele, que foi do Silvio...
05:52Pra quem não sabe, foi do Silvio Santos a vida inteira.
05:55Os três do Rio, conheci na casa dele, que ele recebia...
05:58Ele era um maestro, era um cara muito querido, além de um grande maestro, ele era uma pessoa muito querida.
06:02Então, ele recebia muita visita.
06:03E eu, como era um menino precoce, com 14, 13, ele me ligava no telefone daqui, porque não tinha celular.
06:11Marcinho, vem pra cá, traz a guitarra.
06:13Aí eu ia pra lá, aí fazia eu ligar a guitarra e mostrar pra esses caras todos aí que eu
06:18te falei, pra muitos outros, eu tocando.
06:20E ele fazia, às vezes, orquestra, pegava orquestra, montava de graça pros moradores daqui.
06:25Então, era um negócio, assim, que surreal, né?
06:26Então, fora a minha família, eu tinha ele e esse ambiente.
06:29E aqui também, no litoral, eu tinha uns amigos que tocavam, o Cisão Machado, os sobrinhos dele,
06:37tinham casa aqui, na Rua 4, a minha 6, na Rua 4, duas pra lá.
06:42Então, ensaiava...
06:42Pô, que ambiente, meu compadre, não tá nem pra fugir, hein?
06:47Nessa época, eu nem sabia quem era Cisão, eles falavam do Cisão, não tinha nem ideia de quem fosse Cisão.
06:51Mas, ah, nosso tio é o Cisão, eu, ah, tá bom.
06:54E aí, eles já tinham banda, eles eram mais velhos do que o Cisão, e aí foi que eu via,
06:59assim, o negócio da banda, guitarra, bateria, baixo.
07:02E aí, aqui foi minha grande escola, porque eu vinha a todas as férias, e ali, eles também vinham passar
07:07férias.
07:07Então, tinha o maestro, tinha esses caras, e a minha família, o meu tio, que foi o grande...
07:13Uma grande inspiração, na verdade, porque ele que tocava aí profissionalmente, me levava nos lugares que ele tocava.
07:18Eu já via a música num ambiente real dela, assim, não só o cara ensaiando.
07:22Eu ia lá pra ver, né, eu era novinha, me levava à tarde pra ver passagem de som.
07:26Aí, eu conheci tudo quanto é músico paulistano, dos feras que tem até hoje por aí.
07:30Então, não tinha como ser diferente, né?
07:32Deu no que deu, fui virando músico devagarzinho e fazendo...
07:36Mas, olha só, eu fico pensando o seguinte, Marcelo, seu avô era do regional de chorinho.
07:41O avô da gente sempre é o herói, né?
07:43Então, quer dizer, isso já balançou.
07:45Você tinha um tio que tocava baixo, MPB Jazz.
07:49Toca.
07:51A sua tia com o piano.
07:53Agora, esse detalhe do piano que me chama a atenção.
07:56Porque quando você toca, quando a gente vê você tocar, a gente vê um pianista.
08:01A gente vê um pianista tocando guitarra.
08:03Então, esse, ah, legal, é o estilo Jordan, tudo bem, não importa.
08:08Vamos dizer...
08:09Então, eu acho que o piano, achômetro, que o piano deve ter sido algo fascinante para
08:16você, além de ser um instrumento visualmente mais fácil, que é um instrumento que está
08:20à sua frente, teclas brancas e pretas.
08:23Perfeito.
08:24É mais leve para uma criança.
08:27É, então, mais ou menos.
08:28Porque, assim, o piano, de fato, é a história, assim, que eu acho legal contar a história,
08:32né?
08:32Eu já contei isso algumas vezes, mas poucas vezes.
08:35Mas a minha tia-avó tinha um piano em casa.
08:38E a gente fazia aquelas visitas formais a ela, uma velhinha, já era uma senhora.
08:43Então, a gente ia visitá-la na casa dela, morava ela, uma outra tia, então tudo, né?
08:47Os parentes mais...
08:48Aquelas tias, né?
08:50Famosas, todo mundo tem aquelas tias mais velhas.
08:52A gente ia lá e aí tinha um piano na casa dela e eu ficava alucinado com esse piano.
08:57E essa parte da família não era a parte profissional, era a parte que via com partitura,
09:02eu tocava alguma coisa, a minha tia tocava por partitura.
09:05E esse piano foi muito importante na minha vida, porque foi ali que todo mundo começou
09:08a sacar que eu tinha jeito, porque foi o que você falou.
09:11É mais didático o piano.
09:12Você vai lá, aperta a tecla, sai o som, você compreende mais fácil.
09:15Tinha toda a formalidade.
09:16Contei isso para o Nelson Faria do programa.
09:18Eu tinha que lavar as mãos e levantar a...
09:22Até o Nelson fala que ele lembra do cheiro também.
09:24Eu levantava a tampa do piano, punha o paninho para não bater.
09:28E ali o pessoal ficava na sala.
09:30Nossa, ele está tocando alguma coisa.
09:31Eu já tirava a música da novela.
09:33O que eu ouvia no ambiente, eu saía tocando de ouvido.
09:35E aí esse piano acabou indo para a minha casa.
09:38Meu pai comprou esse piano da minha tia quando ela se mudou.
09:40E aí o meu início foi nesse piano.
09:43Mas eu já tinha violão em casa.
09:44Tinha esse ambiente, como eu falei, musical.
09:46As reuniões todas em casa eram com música.
09:49Minha mãe canta muito bem.
09:50Então tinha bossa nova, tinha MPB.
09:53Meu tio que toca.
09:54Até hoje ele levava um monte de amigos que tocavam.
09:57Sempre acabava na roda de música.
10:00E esse piano foi crucial.
10:02Mas aí o lance foi Stanley Jordan mesmo.
10:05Entender a guitarra desse jeito foi porque eu vi o Stanley Jordan na época.
10:09Me falava...
10:09Desculpa.
10:10Desculpa.
10:11Você viu ou ouviu?
10:12Não entendi bem.
10:13Eu ouvi.
10:14Porque não tinha como ver, né?
10:15Não tinha como ver.
10:17A mídia...
10:17Imaginei.
10:18Não tinha a parte visual ainda.
10:19A não ser que ele viesse fazer um show e você fosse assistir o show, né?
10:22O registro era muito pouco.
10:24E porque o estilo de música também não era uma música pop.
10:27Então nunca ia aparecer na televisão o Stanley Jordan.
10:29A não ser que fosse eventualmente...
10:30Quando você ouviu o Stanley Jordan pela primeira vez, que eu acho que é uma referência
10:34para um monte de gente, um monte de guitarrista no mundo inteiro, inclusive os brasileiros.
10:39Você tinha que idade que essa curiosidade bateu em você?
10:4314 anos.
10:4414 anos.
10:45Perfeito.
10:45Exatamente.
10:46Porque eu estava no...
10:48Foi no primeiro colegial.
10:49Eu tinha 14 para 15 anos.
10:51E era um amigo da escola.
10:52Eu lembro direitinho até onde foi.
10:53Na casa de um amigo da escola, ele tinha uma banda de pop nacional.
10:57A minha geração era a geração do pop nacional, né?
10:59Ele tinha uma banda de pop nacional.
11:01E esse cara...
11:04Na casa dele, pegou uma fita cassete.
11:07Ele botou e eu fiquei assim muito...
11:09Eu lembro assim de uma cena, eu ficando muito chocado com o que eu vi.
11:13Eu não acreditava.
11:14Eu falava, nossa...
11:15Foi a primeira vez que eu tive a sensação de quanto o mundo era grande.
11:18Nossa, quanta coisa deve ter que a gente não conhece, né?
11:21E eu percebi o quanto a gente estava atrasado.
11:23Eu falei, nossa, se um cara já toca assim, eu nunca vi isso.
11:26Não sei nem como que é.
11:27E aí, por coincidência, eu não lembro exatamente detalhes, mas assim...
11:32Começaram a me falar do Stanley Jordan.
11:33Meu tio me falava muito.
11:34Tem um cara, porque eu gostava do Van Halen, já tocava um...
11:37Tinha essa coisa do...
11:40É.
11:42Eu tinha facilidade, porque o Van Halen também foi um cara inovador para a minha geração.
11:46E aí, como eu estava mudando já meu estilo musical, me falavam do Stanley Jordan, então veio a calhar.
11:50E eu comecei a tentar alguma coisa em casa, sem nenhuma pretensão, como uma criança, tendo 15 anos lá em
11:54casa, tocando.
11:55O que aconteceu, quando eu ia tocar em algum lugar, aí no meio do show, pediam, ó, toca aquele negócio
12:03lá.
12:03Aí o pessoal cresceu o olho.
12:06Nossa, que diferente.
12:07Porque o Stanley Jordan até hoje não é conhecido.
12:09Imagina naquela época, né?
12:12Então, causava um espanto, né?
12:14O jeito de tocar, tal.
12:15Aí ficava tudo...
12:16Eu vi, eu ouvi falar.
12:18Pô, tem um cara, não sei o que lá.
12:19E eu virei meio um representante brasileiro do Stanley Jordan.
12:22Fiquei muito taxado a isso, né?
12:24Comparado com ele.
12:25Então, eu estou fazendo um resumo do que foi.
12:28Então, aí, mas...
12:29Só, eu queria que você desse dois passinhos para trás, porque você falou um negócio curioso.
12:34Você falou assim, eu estava mudando de estilo.
12:38Isso me chamou atenção.
12:39Você recebe um monte de influência dos parentes.
12:43Aprende a tocar sozinho.
12:45Tudo normal.
12:46E vai, ouve isso, ouve aquilo.
12:49Mas tem um certo momento na sua vida, que deve ser por volta dos 16 aos 18 anos, por aí.
12:55Que você começa a ouvir músicas que tocam a você.
13:00E não que tocam os outros que você gostaria de tocar.
13:04Você falou música brasileira.
13:05Rock brasileiro.
13:07Aí, quando você começa a mudar de estilo, você dá de cara com um fenômeno musical, que é o Stanley
13:13Jordan.
13:14Perfeito.
13:15Por que você quer mudar de estilo?
13:17É identidade mesmo?
13:18Você se sentir representado por você mesmo?
13:22Então, pode ser de uma certa forma, sim, Edu.
13:25Mas o motivo, na época, a questão foi...
13:29Os anos 80, para a minha geração, foi o rock e o pop.
13:33O rock de fora e o pop aqui dentro.
13:36O Lula Santos, Marina, todas as bandas de pop, o Traja Rigor, era a minha geração.
13:41Para você tocar numa festinha, agradar uma roda, você tinha que saber alguma coisa do Paralelo do Sucesso.
13:46Era o que se tocava.
13:47O Lula Santos, como eu falei.
13:49Então, isso.
13:50O número um é isso daí.
13:52E na minha escola, no que eu citei no objetivo, eu tinha muito roqueiro, metaleiro até.
13:56E quando o meu tio ia na minha casa, eu tocava a bossa nova e me ensinava algum acorde daqueles
14:01lá.
14:02Quando eu chegava para eu tocar num lugar que tinha um ambiente de rock, eu tocava um acorde.
14:05Isso aqui, por exemplo.
14:08Os roqueiros tivessem um olho.
14:09Nossa, esse acorde aí, não sei o que, é demais.
14:12E eu já estava meio que incorporando isso sem perceber.
14:17Mas esse tipo de música, não sei se você concorda, não tem muita cara.
14:21Você não distingue um bossa novista na rua.
14:24Você não distingue um cara...
14:26Às vezes a gente brinca, esse cara gosta de MPB.
14:28Roqueiro e sambista.
14:30Você percebe, aquele cara é roqueiro e aquele bichinho ali é sambista.
14:35Fora isso, todo se parece.
14:37De tribo, você está falando de tribo.
14:39Visualmente, visualmente.
14:40Exatamente, perfeito.
14:41E eu achava que aquilo não tinha muita cara, não era tão expressivo.
14:46Então, na escola, se eu não fosse cabeludo, se eu não tivesse aquelas roupas pernas,
14:50eu não estava inserido ali, sabe?
14:53E também não conhecia tanto.
14:55Mas o meu tio, como um bom músico, ele me apresentava as coisas.
15:01Então, geralmente, em fita, ele passava assim, ouve isso.
15:05Ia me dando coisas.
15:05Só que eu não entendia muito.
15:07Ele até brinca até hoje que eu não entendia.
15:09Ele não entendia mesmo, porque ele me dava Oscar Peterson,
15:12me dava coisas muito rebuscadas do jazz.
15:14Me apresentou de uma forma muito agressiva.
15:16E eu não me simpatizava.
15:17Mas eu já gostava do George Benson, porque ele tinha uma linguagem um pouco mais...
15:21Mais top.
15:22É.
15:23Ele passeava nas duas coisas.
15:24O Stanley Clark mesmo, na minha época, ele era o fenômeno do baixo.
15:29O meu irmão, a gente adorava o Stanley Clark,
15:31porque ele era um virtuoso que tocava funk.
15:34Então, aquilo foi a minha mudança.
15:37Essa transição foi isso.
15:38Eu passei do rock para o funk e aí, o instrumental.
15:43E vou te falar, outros dois caras,
15:45eu até estou feliz que um deles vai fazer uma live para o Faís,
15:47cada um sábado.
15:49A gente assistia muito a TV Cultura.
15:51Aliás, não tinha.
15:52As TVs eram fechadas.
15:53E a TV Cultura tinha muita coisa, assim, legal.
15:56E uma das coisas marcantes também foi o Euraldo Dumont e o Ulisses Rocha tocando juntos,
16:00duo de violão.
16:01Aquilo, quando eu ouvi aquilo, eu falei, puta, eu quero tocar isso daí.
16:04Puta, né?
16:05No violão?
16:06Com o violão.
16:07É tudo combinadinho, aqueles números.
16:09Então, eu comecei a fazer com o meu irmão isso aí.
16:11O meu irmão tocava.
16:12Eu também, então, vamos tocar de duo, fazer instrumental.
16:14Aí eu comecei a música instrumental por causa desses dois caras.
16:17E aí veio aquele bolo de fita que o meu time dava e começou a fazer sentido.
16:21Puta, aquilo que o meu time entregava, agora eu comecei a entender.
16:24Então, era Billy Coblan.
16:25Eram coisas muito virtuosas para a época já.
16:28Muito à frente.
16:29Isso é bom que eu acho que deve ter te dado um destaque no meio da tribo.
16:33A partir do momento que você se abriu, abriu a cabeça, abriu o coração para receber
16:40esse tipo de coisa, você começa a ganhar uma personalidade, começa a fazer um estilo
16:46e ganhar uma fama que é até de virtuoso.
16:50Pô, o cara é virtuoso, ele bota uns acordes malucos lá, pô, o cara é diferentão e tal.
16:55Não, você falou perfeito agora.
16:56Você fez uma tradução perfeita.
16:59Por isso que eu sei que é live com você, é um cara inteligente.
17:02Você traduziu bem, você traduziu bem.
17:05Porque eu não conhecia, eu já contei isso também algumas vezes, eu falo isso porque
17:09deve ter gente que já ouviu falar, mas assim, é muito importante isso.
17:12Eu não conhecia o universo de guitarra no Brasil, eu não conhecia esse universo.
17:16Para mim, o tocar ainda, as referências eram do meu tio.
17:19Então, o meu tio me apresentava à noite paulistana, que eram os músicos da Di Boate,
17:24aquela coisa toda, os músicos que são incríveis, são as minhas grandes referências
17:28e todos os meus ídolos também.
17:31Mas que não são conhecidos popularmente.
17:33São aqueles caras da noite, que você fala, pô, tem um cara que toca pra caramba ali.
17:38Enfim, poucos atravessaram essa barreira, como o Anismar, por exemplo.
17:41É um cara que transcendeu.
17:43Ele criou um nome como um cara, né?
17:45Enfim.
17:46Mas os outros todos da geração dele, se você falasse, não conhece nenhum.
17:49A maioria da galera não vai saber nem quem é.
17:50Mas são todos os caras que o Anismar ouvia, que ele fala.
17:53Ontem ele me ligou e contou uma história engraçadíssima com o meu tio.
17:56A gente morre de rir porque eu sei o que ele está falando.
17:58Mas ele transcendeu, ele foi pra um outro universo, atravessou.
18:01E aí eu fui participar de um festival uma vez, de guitarristas, e eu era o cara diferente.
18:07Porque eu tocava já na técnica diferente e um repertório diferente.
18:10Você falou bem, por isso que eu falei que você traduziu.
18:12Aí eu entrei com Asa Branca, eu toquei uma bossa nova.
18:15E aí isso realmente era uma coisa diferente no meio de todo mundo.
18:19Todo mundo era muito bom, mas eu era diferente.
18:21Então eu comecei a ser requisitado por tudo que aparecia, porque era guitarra.
18:25Puta, tem todo mundo...
18:26Ah, vai o Marcinho também, porque é uma opção diferente.
18:28Então eu fiquei com uma opção diferente.
18:31Boa, mas é um caminho profissional vale demais.
18:36Mas que não foi planejado.
18:38Você falou bem.
18:39Você não foi planejado.
18:39Sim, não, não.
18:40Não planejei nada.
18:41E aí descobri...
18:43E por outro lado, Edu, essa galera toda da guitarra, eu via que eles se preparavam muito para o palco.
18:49E eu não.
18:50Eu me preparei para a vida, que meu tio me mostrava, que era tocar.
18:53Eu até hoje falo isso.
18:55Na pandemia eu sofri um pouco, porque eu não tenho curso.
18:57Eu não gosto muito.
18:59Eu acho que tem muito.
19:00Então o meu negócio sempre foi tocado.
19:01A minha geração sempre foi tocar.
19:03Seja num bar, num restaurante.
19:04Só que eu também transcendi, assim, no sentido de patrocínio.
19:07Então fui um pouquinho mais longe.
19:10Descobri esse universo legal também, que também muita gente não conhece que tem.
19:14E isso me ajudou muito.
19:16Porque me levou para lugares melhores, assim, me apresentou para uma outra galera.
19:21E eu continuei fazendo a noite, que eu gosto muito, porque me deu repertório.
19:24Até hoje eu gosto de repertório.
19:25Eu gosto de tocar de tudo, assim, do meu jeito.
19:27Eu entrego as coisas do meu jeito.
19:28E eu descobri ali, né, como é infinito, como é grande essa parte, né?
19:34E continuei seguindo essa minha parte virtuosa, que o pessoal gosta de falar.
19:38Nossa, o cara é virtuoso.
19:39Duas guitarras, três guitarras.
19:41Mas sempre muito, não me defendendo, mas sempre muito preocupado com o repertório, com música.
19:46Então eu vou descobrir, eu falo, putz, se eu trouxer para o meio ambiente, como é que fica isso, sabe?
19:50Que legal que é, que gostoso.
19:52Então eu não tenho...
19:53Eu fui muito taxativo com preconceito.
19:55O primeiro que eu tocava em lugares foi do que pediam aquele óbvio, sabe?
20:00Como deixar o óbvio mais legal, entendeu?
20:02Às vezes não é o que eu quero, mas eu estou indo ali.
20:04Então se eu estou indo ali naquele ambiente, pô, se eu quero dar essas pessoas, não vou querer ficar me
20:07impondo muito, não, sabe?
20:09Eu prefiro fazer o cara sorrir, né?
20:11O cara olhar assim, caramba, que legal, como eu já fiz muito, assim, né?
20:14Pô, aquele cara ali, o que será que ele gosta?
20:15Deixa eu olhar para a cara dele.
20:17Bom, é Queen.
20:19Queen não é muito a minha parte.
20:20Deixa eu fazer uma versão do Queen para pegar aquele cara ali e fazer a minha versão.
20:23Aí o cara olhava, caramba, três guitarras, o cara tocando a música que eu gosto, sabe?
20:27Então se virou uma coisa muito legal na minha vida, por causa da noite, do ambiente musical, sempre com meus
20:32amigos.
20:33Aí muda um acorde, né?
20:35Eu uso o termo muito, que é meio assim, o meu chavão, assim.
20:40Trago para o meu ambiente, seja o que for.
20:42Eu não tenho mais preconceito.
20:44Eu gosto de descobrir, trazer para o meu ambiente, deixar legal.
20:46Se não é tão legal, harmonicamente, melodicamente, ritmicamente, eu trago para o meu ambiente e deixo legal.
20:53E eu acho também que depois que você consegue uma assinatura no quadro, você consegue...
20:59Tem alguns artistas, alguns pintores, que a gente bate o olho.
21:03Salvador Dalí, não precisa assinar o quadro.
21:06Eu sei que é Salvador Dalí.
21:08Pablo Picasso, não precisa assinar o quadro.
21:11Eu sei que é Pablo.
21:13Di Cavalcante, não precisa estar escrito Di Cavalcante.
21:16Eu sei que é o Di Cavalcante.
21:17E quando você consegue, o artista consegue uma estrutura musical que o represente,
21:24ele não deve abandonar jamais.
21:26Ele deve amplificar, melhorar, qualificar.
21:29Que é o que você conseguiu ao longo do tempo.
21:31Não vai ficar brigando.
21:32Agora, ao mesmo tempo, eu fico imaginando que um cara que consegue essa personalidade
21:37e que vai acompanhar alguém à noite, na noite, uma temporada, uma turnê, o que for.
21:43Um cantor, uma cantora, ele também tem que se conter.
21:48Porque ele não pode atrapalhar.
21:51Apesar de ter o seu momento de solo, você tem que fazer a cama para o sujeito, para ele brilhar.
21:57E naquele instantezinho que ele te dá para você solar, você arrasa.
22:01Isso, perfeito.
22:01Mas isso é difícil também para um cara que consegue uma personalidade musical assim, não?
22:06As partes, não ruins, mas talvez os conflitos são.
22:10Quando você cria um nome, como a minha geração tinha muito o negócio do nome,
22:17da gente brigar pelo nosso nome.
22:19Eu acho que tem um nome como guitarrista, a gente associar.
22:22Inclusive, tudo que eu fizer, o meu nome vai somar com aquilo.
22:26Até na época do Faustão, eu lembro que muita gente falava,
22:30pode não ser real, mas assim, eu assisto Faustão por tua causa.
22:33O Marcinho Eiras está no Faustão, sabe?
22:36Eu gostava disso.
22:36O Marcinho Eiras foi substituir o Tomate no Jô.
22:40Então, meu nome já estava meio feito para a galera da música,
22:42e eu ia lá e entrava com um nome.
22:44Então, eu percebi que era legal.
22:46Só que na parte, você falou bem, no Faustão, por exemplo,
22:49que era um programa popular, eu tinha que servir.
22:51Então, as três em casa ali não serviam, já tinha teclado.
22:55Então, eu tinha que abrir mão da minha função e tocar para o que pedia.
22:59Claro que virou uma marca.
23:01E muita gente, eu até falo isso, eu até vou fazer um comentário interessante.
23:05Eu ia dizer bacana, mas é mais interessante até,
23:07porque se um amigo meu falou assim para mim,
23:11vem tocar aqui, mas traz só um violão.
23:16Ele falou para mim assim, cara, o dia que eu fizer isso,
23:19por preguiça, eu sou um cara morto.
23:23Porque aqui atrás tem uma parafernada de coisas que me dão um trabalhão, não sei.
23:26Ele falou assim, não, você vai ganhar a mesma coisa.
23:28Eu falei, cara, mas eu penso assim, primeiro em mim.
23:30Um, juro, em mim.
23:31É, até porque se o cara vai te assistir, você chega lá e você está de violão,
23:35eu vou ficar puto da vida, cara.
23:36Eu vou ficar...
23:37Mas você falou, acho que talvez o meu terceiro motivo,
23:41ou talvez o segundo, ligado.
23:42Primeiro eu, que é o que eu me propus.
23:45Primeiro a música, vai, porque eu vou pela música.
23:47Então, o que eu me propus a fazer.
23:49Segundo, para mim, porque é o que eu me propus a fazer.
23:52Terceiro, exatamente, o que você falou.
23:54Às vezes, eu vou na noite, passa o batido, ninguém me conhece.
23:57Eu chego num lugar que eu não sou nem um pouco conhecido,
23:59e acontece muito isso.
24:00Eu tenho que conquistar, como qualquer um que chega num pau,
24:03conquista a audiência.
24:04Como eu te falei, ah, vamos achar esse cara da de Bolsonaro de Queen,
24:06esse de Bolsonaro, vamos fazer uma miscelânea de coisas do meu jeito,
24:09e eu vou conquistar um monte de novos fãs aí.
24:12Ou simplesmente o cara vai lá e vai falar,
24:13pô, que legal esse lugar.
24:14Tem um quadro bacana, a música é boa,
24:16e a comida é maravilhosa.
24:17É isso que é para quem está num lugar assim.
24:19E aí eu falei, cara, e a terceira coisa é o público.
24:22É exatamente um cara que vai me ver, puto Marcinho.
24:25Eu vi o Marcinho com violãozinho lá, puto,
24:27esperava ver ele com as três guitarras,
24:28fazendo tudo o que ele faz e tal.
24:30Agora, obviamente, quando você vai te servir,
24:32no Faustão, por exemplo, e não cabia,
24:34cara, eu falei, cara, aqui não cabe três guitarras,
24:36cabe uma.
24:37E o dia que eu precisar, que o maestro falasse,
24:39ó, cara, traz as três guitarras,
24:40eu estou pensando, eu levo.
24:41Mas não, eu trabalhava para a música.
24:43Então, era muito além do virtuosismo,
24:46muito além do que eu me propus a fazer.
24:48Não, é tocar junto, tocar certo,
24:51tocar o acorde certo.
24:52Eu sabia que ele ia estar feliz,
24:53ele não precisava de um virtuoso,
24:54ele precisava de um cara que acompanhasse.
24:55Então, ponto.
24:58Marcinho, eu estava pensando...
25:00Com certeza.
25:01Estava pensando na sua vida profissional,
25:03estou te ouvindo e pensando o seguinte,
25:05a gente pode dividir a sua vida,
25:09artisticamente falando,
25:10em três departamentos.
25:12Primeiro, o departamento do próprio estilo,
25:14que você encontrou esse estilo,
25:16e isso é fenomenal.
25:19Acho que aquele artista que dá o primeiro acorde
25:22e o cara fala, é fulano,
25:24porra, ele está feito.
25:25Ah, é a batera, é o teclado, é o baixo,
25:28é o pistão, que for, guitarra.
25:30Isso é fenomenal para qualquer identidade artística.
25:34Esse você já tem.
25:35No decorrer do tempo,
25:37você tem mais duas etapas
25:39que eu queria conversar com você nessa meia hora final.
25:41Primeiro, essa que você acabou de falar,
25:43que é a empatia com o veículo e televisão.
25:47Poucos artistas têm essa facilidade,
25:53essa naturalidade,
25:55fica natural.
25:56Você é um cara natural.
25:58Você parece que nasceu para a TV.
25:59se você não se sente atuado
26:03e nem passa uma arrogância,
26:06porque o veículo e televisão te dá essa chance
26:08de você conversar com alguém assim,
26:10nervoso,
26:11e parece que você está sendo arrogante.
26:13Então, você se encontrou ali.
26:15Matheus Assato,
26:16presta atenção, tá?
26:17Tem muito que aprender aqui hoje comigo.
26:19Vai, continua.
26:21Então, você conseguiu esse tipo de relacionamento
26:29com o veículo e televisão.
26:31Aí você vai,
26:33Jô Soares,
26:34que você substituiu o Tomate,
26:36naquela banda do Esquiavão
26:37que você entrou num certo momento
26:40que o Faustão resolve afastar
26:43uma banda anterior
26:45e traz um novo núcleo musical.
26:47Tem o Pânico,
26:48tem o Pânico
26:50que você contempla o Pânico também.
26:52Então, são elementos multishow.
26:55Nós estamos falando de quatro caminhos
26:57completamente opostos
26:58do veículo e televisão
26:59e que você transitou
27:00com muita facilidade entre eles.
27:02Isso.
27:04Então, Edu,
27:05primeiro que a nossa mídia,
27:07que hoje é espontânea,
27:08o YouTube,
27:08hoje o guitarrista,
27:09qualquer músico,
27:10qualquer atividade,
27:11o cara se faz
27:12através da sua própria mídia,
27:13que é o YouTube.
27:14Eu acho muito legal isso.
27:16As plataformas estão aí
27:17para serem exploradas.
27:18Na minha época,
27:18obviamente a TV
27:19era o auge
27:20de qualquer músico
27:21em termos de propaganda.
27:22A vitrine,
27:23a televisão era uma vitrine
27:24muito grande.
27:25Eu lembro que a primeira vez
27:27que eu fui no Jô
27:27fazer a canja do Jô,
27:30a canja do Jô.
27:31Eu sempre situo...
27:32Lembro desse quadro,
27:34lembro desse quadro.
27:35A canja do Jô.
27:36O maestro Osmar
27:36levava um convidado
27:37que tocava ali
27:38no final do programa.
27:40O Jô conversava um pouquinho
27:41e tinha um também
27:42que ele fez
27:43que você ficava
27:43o programa com ele,
27:45que era muito legal.
27:46Ele ficava...
27:47Durante o programa
27:47ele trocava uma ideia
27:48como se você era
27:48um cara do desenvolto,
27:49ele puxava mais o assunto.
27:51Mas, Edu,
27:51me lembro assim,
27:52impressionante.
27:52No dia seguinte,
27:53você estava meio famoso.
27:55Era uma coisa impressionante
27:56o alcance que tinha.
27:58Eu lembro que uma vez
27:58eu fui...
27:59A primeira vez que eu fui
28:00no Faustão
28:01como atração
28:02com outro amigo meu
28:03que era o Kleiber,
28:03que eu tinha uma dupla.
28:04Foi um cara muito importante
28:05na minha vida musical também.
28:07Eu lembro que no dia seguinte
28:09a gente saiu do programa
28:10que era ao vivo.
28:11A gente saiu no Rio de Janeiro
28:12que era gravado no Rio.
28:14A gente foi numa churrascaria
28:15comer e todo mundo
28:16conheceu a gente.
28:18Isso porque a gente
28:19apareceu cinco minutos.
28:20Então, a mídia realmente
28:21era impressionante.
28:23Era impressionante.
28:23Só para situar todo mundo.
28:25E como eu tocava diferente,
28:27eu tinha um negócio
28:28de ser diferente,
28:29era curioso
28:29para qualquer indivíduo.
28:31Eu sempre falo
28:31eu faço workshop em restaurante.
28:33O garçom vai perguntar
28:33como é que esses negócios
28:36são duas guitarras
28:36é um negócio
28:37que não é comum.
28:38Agora, até pela internet,
28:41se popularizou um pouco mais.
28:42Um pouco mais.
28:43Mas ainda as pessoas
28:44estranham quando vêm
28:45e querem ver
28:46a parte circense do negócio.
28:49Então,
28:50eu me aproveitei muito disso
28:51também por causa da TV.
28:52Então, qualquer lugar
28:53que eu ia,
28:54eu fui no Amor e Junior
28:55num programa
28:56que ele tinha num quadro.
28:58A atração era a cantora,
29:00mas quando ele me viu
29:01tocando com as três guitarras,
29:02ele quis me perguntar
29:03como que eu fazia aquilo.
29:05E eu já tinha manhã
29:06de perguntar.
29:06Eu adoro mostrar.
29:07Acho que todo mundo
29:07gosta de mostrar.
29:08Eu tenho isso muito de mostrar.
29:09Adoro.
29:10Para a minha mãe.
29:10Primeira coisa,
29:11mãe, olha o que eu fiz.
29:11Olha o que eu fiz.
29:12A gente gosta de mostrar.
29:13É o propósito de dar arte.
29:14É mostrar, compartilhar.
29:16Hoje é muito mais fácil.
29:18Mas eu queria mostrar.
29:19Então,
29:19eu saía falando,
29:20dando uma aula
29:21do que eu fazia.
29:21Isso aqui é um sintetizador.
29:23E já traduzia
29:24no jeito que ele entendesse.
29:25Sempre era legal.
29:26As pessoas gostavam
29:27do jeito que eu falava.
29:28Eu estava contando
29:29outro dia.
29:29Eu fui tocar
29:30num casamento
29:31de um cara.
29:32Num casamento.
29:34E eu estava passando
29:35o som.
29:36Uma série de músicas
29:37usando sintetizador.
29:39Com sons diversos.
29:41E chegou um cara
29:42do meu lado
29:43e falou,
29:43nossa,
29:43que legal.
29:44Como é que você faz
29:45duas guitarras?
29:46E eu comecei a explicar
29:47como explicaria
29:47para qualquer um
29:48que eu goste de explicar.
29:48Como eu falei,
29:49faço isso,
29:50faço aquilo,
29:50isso aqui,
29:50isso aqui.
29:51E o cara,
29:51nossa,
29:51eu estou impressionado.
29:53eu não sabia
29:54nem que tinha isso.
29:55Eu falei,
29:55ah, então,
29:55eu expliquei para o cara.
29:57E eu acho que ele estava
29:58meio assim,
29:58mas você nesse casamento
29:59tocando,
30:01eu percebi
30:02que ele estava
30:02meio assim,
30:03achando que era pouco
30:04para mim,
30:05aquele casamento.
30:05Eu falei,
30:06não,
30:06mas é super legal
30:07porque eu conheci os noivos.
30:10Trabalho,
30:10é um trabalho,
30:11é amigo,
30:12gente.
30:12E era uma cerimônia.
30:14É o momento
30:14mais importante
30:15daquele casal
30:16e eu estou junto.
30:17Exatamente,
30:17exatamente,
30:18perfeito.
30:18Eu falei,
30:19nossa,
30:19daí eu falei,
30:20eles me viram num lugar
30:21e sonharam
30:22com essa cena aqui.
30:23porque acho que o noivo
30:24tocava alguma coisa
30:25e foi assim,
30:26para ele eu estar
30:27na cerimônia dele.
30:27Não era uma igreja,
30:28mas era um lugar bacana
30:29para caramba.
30:31E expliquei para o cara,
30:32expliquei, expliquei,
30:32ele ficou conversando comigo,
30:33perguntou o meu nome,
30:34não sei o que lá.
30:35Pô,
30:36quero te procurar,
30:37não sei o que lá.
30:37Bom,
30:37era o padre,
30:38cara.
30:39Era o padre
30:40e eu não sabia.
30:41E era um padre,
30:42aqueles padres mais modernos,
30:43eu não sei exatamente
30:44o que era.
30:44Sim, sim.
30:45Eu estou lá
30:45esperando quando eu vejo o padre.
30:47Falei,
30:48nossa,
30:48é o padre.
30:49Aí,
30:49o que é?
30:53o pessoal fez algumas partes
30:55de praxe ali
30:56e falou,
30:57queria que vocês reparassem
30:59no meu lado direito
31:00ali e tal,
31:01está o Marcinho Eiras,
31:02é um músico incrível,
31:03ele toca três guitarras
31:04e ele vai tocar na cerimônia.
31:06E antes de começar
31:07aqui a cerimônia,
31:08eu fiquei conversando com ele.
31:10Pessoal,
31:10é uma coisa incrível
31:11o que ele faz,
31:12ele vai,
31:12vocês vão ter o prazer
31:13de assistir uma cerimônia linda.
31:15Eu fiquei com uma cara
31:17de bobo, assim.
31:19Sim.
31:21Padre.
31:21E ele me apresentou.
31:22Foi a balizada,
31:23foi a balizada
31:24pelo maestro do dia,
31:26o maestro do dia ali
31:27era o padre.
31:28Mas foi uma coisa tão legal
31:29porque todos viraram,
31:30assim,
31:30porque não era,
31:31os evangélicos
31:32estão mais acostumados
31:33com a música regrando
31:34tudo ali deles,
31:35tanto que a maioria
31:35dos músicos,
31:35meus amigos,
31:36eu aprendi na igreja,
31:38eu tocava na igreja,
31:38eu cantava,
31:39enfim,
31:40aí todos viraram
31:41pra mim olhar
31:41e realmente
31:43dividiram as atenções.
31:44Quando o noivo entrou
31:45e a tudo que eu tocava,
31:45eles começavam a reparar
31:47e eu via aqueles,
31:48devagarzinho,
31:49um cutucão,
31:49olha,
31:50agora eu entendi.
31:50E aquilo ali passaria batido
31:52se ele não tivesse falado
31:53realmente.
31:54Porque eu tava num cantinho,
31:55meio escondido
31:56e a minha cerimônia,
31:58então virou
31:58mais uma atração,
31:59assim, né?
32:00Eu acho,
32:01desculpe,
32:01desculpe,
32:02não virou mais uma atração,
32:03não,
32:03Massimo,
32:04desculpe.
32:05Virou,
32:06é o teu cartão postal.
32:07O que aconteceu
32:08nesse casamento
32:09é o que acontece
32:10na sua vida.
32:11A atenção que você dá
32:12pra pessoa,
32:13a resposta que você dá
32:14à pessoa,
32:16o relacionamento
32:17que você tem
32:18com essa pessoa,
32:20independente de você.
32:20você não sabia
32:21que o cara
32:21poderia chegar no microfone
32:23e vender uma imagem
32:24sua como artista
32:25como aquela pessoa vendeu.
32:27Engraçado que,
32:28talvez,
32:28depois pensando,
32:30a gente é todo
32:31cheio de dedos
32:31com personalidade,
32:33com o padre,
32:34eu falei,
32:34será que eu falei
32:34alguma besteira?
32:36Qual a impressão
32:37que ele teve?
32:37Mas eu não tinha ideia.
32:39E eu digo assim,
32:40quando eu falei
32:40do que eu faço
32:41pra garçom,
32:42eu não tô sendo,
32:43não é no pejorativo,
32:44mas assim,
32:44realmente,
32:45em qualquer lugar
32:45que eu vou tocar,
32:47todo mundo,
32:48ah,
32:48tem um outro exemplo
32:49bacana também,
32:50mas eu já sabia,
32:51eu fui pro Espírito Santo,
32:53até foi marcante isso
32:54pra mim,
32:54aconteceram várias,
32:55eu falei de uma,
32:56já lembrei de um monte,
32:56mas assim,
32:57eu tava no Espírito Santo
32:59pra fazer um workshop
33:00e foi à tarde
33:00passar o som,
33:01era um workshop sozinho
33:02pela Tajima,
33:03meu patrocinador,
33:04numa loja,
33:05na região,
33:07uma cidade chamada
33:07Venda Nova do Imigrante,
33:08eu fui algumas vezes lá,
33:10Lock Music,
33:11ficou minha amiga,
33:12Carla,
33:12dona da loja.
33:13E é um ótimo lugar,
33:15e é longe pra caramba
33:16de Vitória,
33:17você pega o estradão.
33:19conheço bem.
33:20Tô lá em Venda Nova,
33:21você sabe muito bem,
33:22fui em Venda Nova,
33:23tô passando o som,
33:25a faxineira,
33:26você tava lá olhando,
33:27quando eu saí,
33:28desci,
33:29ela falou assim,
33:30nossa,
33:31como você canta bem,
33:32ela não,
33:33em nenhum momento,
33:34falou das minhas guitarras,
33:35em nenhum momento.
33:36Nossa,
33:37como você canta bonito,
33:38eu falei,
33:38muito obrigado,
33:39ela falou assim,
33:40o que que vai acontecer aqui?
33:41Eu falei,
33:41não,
33:42é um,
33:42eu falei,
33:43se eu falar workshop,
33:44essa palavra,
33:45ela não vai entender nada,
33:47então eu falei,
33:47olha,
33:48na verdade eu vou fazer
33:48um evento,
33:49eu toco,
33:50e as pessoas vão perguntar,
33:51são estudantes,
33:51ela,
33:52nossa,
33:53meu,
33:53que linda a sua avó,
33:54não falou nada de guitarra,
33:56nada,
33:56pra ela,
33:56pouco importava as guitarras,
33:58simplesmente o som que saiu,
33:59ela varrendo ali,
34:01eu falei,
34:01você gostaria de vir?
34:02Ela,
34:02não,
34:03não posso,
34:03pode,
34:04é gratuito,
34:06não precisa de escrever,
34:06não,
34:07eu posso trazer minha filha?
34:08Pode,
34:08trazer sua filha,
34:09tal,
34:10isso pra mim,
34:11aí eu contei pra Carla,
34:12da loja,
34:12falei,
34:13Carla,
34:13você não vai acreditar,
34:14ela sabe o nome da senhora,
34:15não lembro o nome dela,
34:16ah,
34:16ela é um barato,
34:18ela vai,
34:18não,
34:19ela não vai,
34:19vai,
34:20vai levar a filha,
34:20foi com a filha,
34:21cara,
34:22isso pra mim foi a presença
34:23mais ilustre da noite,
34:25porque,
34:26pra ela,
34:26pouco importava o que estava acontecendo,
34:28mas quando ela viu,
34:29de fato,
34:30o que eu estava fazendo,
34:30e participou,
34:31ela falou,
34:32caramba,
34:33aí ela foi fazer outros elogios,
34:35não saber que você era do Faustão,
34:36porque isso causa aquela,
34:38nossa,
34:38do Faustão,
34:40já deve,
34:40deve ter me visto,
34:42ou lembrou,
34:43então ela estava eufórica,
34:44porque ela me conheceu neutramente,
34:46ela só gostou da minha voz,
34:47ela entendeu que eu tocava diferente,
34:50que eu era conhecido pra aquele meio,
34:52isso foi muito marcante pra mim,
34:53isso já aconteceu algumas vezes,
34:54assim, né,
34:55diferentes,
34:55mas foi muito marcante,
34:57porque,
34:58aí a Carla,
34:58meu,
34:59ela estava,
35:00se sentindo muito importante de estar ali,
35:04com todos os...
35:04Foi bem tratada,
35:05tratada com respeito,
35:06com carinho,
35:07como deve ser tratado todo mundo,
35:09né,
35:10ela não fez pergunta,
35:12porque ela ficou um pouco acanhada,
35:14mas assim,
35:14num determinado momento,
35:16eu falei o nome dela,
35:17apresentei,
35:18perguntei o nome da filha ali,
35:19né,
35:19então ela se sentiu a mais prestigiada,
35:22e aí eu já tinha,
35:23já constatei isso várias vezes,
35:24mas assim,
35:25pra ela,
35:26assim,
35:26como eu entro num lugar,
35:27como eu te falei,
35:27não tô querendo falar que sou humilde,
35:28de nada,
35:29mas realmente,
35:30você fazer um panorama do seu ambiente,
35:33é muito importante,
35:34porque quando eu aceito alguma coisa,
35:36né,
35:37eu tenho que esquecer,
35:38deixar de lado a minha história,
35:40porque eu tô reconquistando,
35:41não adianta eu falar,
35:42olha,
35:42beleza,
35:43a cada dia,
35:44essa reconquista é diária,
35:46compadre,
35:46agora,
35:47agora,
35:48pouco,
35:48eu falei que,
35:48eu falei que você tinha três etapas no meu olhar,
35:51a etapa foi você se localizar,
35:54a segunda etapa foi,
35:56você se comunicar bem,
35:58e ter uma empatia com o veículo de televisão,
36:01porque ele é ingrato pra uns,
36:02e fácil pra outros,
36:03e a terceira,
36:05é a junção das duas,
36:07porque a partir do momento que você começa a fazer workshop,
36:10começa a cair no segmento,
36:12que poucos entraram na,
36:14poucos,
36:15o número de músicos que nós temos no Brasil,
36:18poucos,
36:18poucos têm uma relação com as empresas de amplificador,
36:22pedais,
36:23cabos e guitarras,
36:24da forma que você e mais uns 10 tem,
36:28vocês sabem representá-los com respeito,
36:32com valor,
36:33você sabe fazer bons contratos,
36:35você sabe conversar com os empresários,
36:37os marqueteiros,
36:38isso tudo é um dom que você foi recolhendo ao tempo,
36:41e esses workshops,
36:45essas aulas,
36:46te ajudaram a criar um personagem,
36:49que aprendeu a usar o humor,
36:52a usar a resposta rápida,
36:53a pensamentos ligeiros,
36:55e você cai na terceira etapa da sua vida profissional,
36:59que é o stand-up,
37:01isso é muito interessante,
37:02eu queria que você falasse sobre esse ponto,
37:04de você tratar com humor,
37:06e ganhando, logicamente,
37:08mais uma prateleira,
37:09na sua vida profissional.
37:10Edu,
37:12antes eu vou falar uma coisa muito rápida,
37:13olha,
37:14eu fiz inúmeras lives,
37:16neguei algumas,
37:17porque eu achava que não fosse acrescentar,
37:19você é o melhor entrevistador que eu tive,
37:21de todas as minhas lives,
37:24incluindo todos os meus amigos,
37:25estou falando sério,
37:27ou pode ser não,
37:28porque você sabe muito sobre o que eu fiz,
37:30traduz bem o que eu fiz,
37:31estou falando sério,
37:32traduz bem o que eu fiz,
37:33me deixa assim,
37:34é muito fácil,
37:35porque eu estou,
37:36você está à frente,
37:39parabéns,
37:39muito excelente,
37:41me surpreendeu muito,
37:42me surpreendeu muito.
37:45Bom, enfim,
37:45Edu,
37:45você falou bem,
37:46no workshop exatamente,
37:48foi onde eu descobri,
37:50não vou dizer que é a veia do humor,
37:51mas onde eu poderia mudar um pouco o rumo das minhas coisas,
37:55como entretenimento,
37:57porque o pessoal da Tajima,
37:58o Marcão da Tajima,
37:59que é o diretor da Tajima,
38:00é um amigo pessoal,
38:02e ele foi até um cara que acompanha
38:04muito essa evolução,
38:05não vou dizer evolução,
38:06mas esse processo de transição,
38:08que foi,
38:10que o meu workshop,
38:11assim,
38:11Edu,
38:11você vai lá e vem da nova,
38:13vai,
38:13eu vou uma vez,
38:15eu tenho um público,
38:17o exemplo que eu dei foi perfeito,
38:18a faxineira do,
38:19estava me assistindo,
38:20o menino que comprou um violão ontem,
38:23e um cara que já toca profissionalmente,
38:24já toca jazz,
38:25melhor que eu,
38:26sabe,
38:27eu não sei para quem eu estou falando,
38:28mas eu sei que tem esse público,
38:29eu falo,
38:30putz,
38:31ali,
38:31se eu entrar,
38:33num,
38:34num,
38:34num papo super avançado,
38:36a faxineira vai boiar,
38:37o cara que comprou o violão ontem vai boiar,
38:39e o cara do jazz vai boiar,
38:40e você,
38:41e você não volta mais em venda nova?
38:44Não volto nunca mais,
38:45se eu agradar a sua faxineira,
38:47e tocar a música do Zezé de Camargo,
38:48ali,
38:48que eu sei que ela,
38:49eu sei onde encostar nela,
38:51eu,
38:51putz,
38:52eu vou desagradar talvez o cara,
38:53então,
38:53o ponto comum ali,
38:55era deixar todo mundo participar,
38:56eu comecei a perceber isso,
38:58e a comédia,
38:59ela cabe muito bem nesses momentos,
39:01assim,
39:01porque você consegue tirar,
39:03às vezes,
39:03uma pergunta rebuscada,
39:04eu conseguia contornar isso,
39:05com uma história engraçada,
39:06e o cara falando,
39:07puta,
39:07cara,
39:08adorei aquela história,
39:09todo mundo participava,
39:11eu já fiz vários workshops,
39:12com níveis de diferença,
39:13como eu falei,
39:13eu não sei pra quem eu tô falando,
39:14mas eu tento detectar,
39:16putz,
39:16esse cara já vi que toca,
39:17pela pergunta dele,
39:19puta,
39:19mas se eu ficar nesse assunto,
39:20esse cara vai ficar boiando,
39:21então,
39:21eu me preocupava muito com isso,
39:22aí,
39:22o que acontecia,
39:23me ligava o Marcão,
39:24meu,
39:24adoraram cair em você de novo,
39:26muitas vezes,
39:27eu ouvi assim,
39:27o cara falar assim,
39:29um cara me falou lá em Jaú,
39:31interior de São Paulo,
39:32cara,
39:33tô com um grande problema,
39:34quem que eu vou trazer depois,
39:35ele falava assim,
39:36quem que eu vou trazer agora,
39:38o pessoal amou,
39:40subiu o nível,
39:41subiu o nível,
39:41é,
39:42o cara falava assim,
39:43porque o cara que toca,
39:44eu li muitas vezes também,
39:46assim,
39:46quando se é isso,
39:47tinha criança,
39:48moleque de 12 anos,
39:4911,
39:4910,
39:50o pai levava,
39:51ou a mãe,
39:52levava com aquela cara toque,
39:53putz,
39:54eu vou ter que ficar com esse moleque aqui,
39:55a mãe gostava mais que o moleque,
39:56eu saia,
39:57eu não sabia que era isso,
39:59se eu soubesse,
40:00eu tinha trazido a minha tia,
40:01que toca aquela música,
40:03então era no repertório,
40:04nas histórias,
40:05né,
40:06eu fui aprendendo a contar,
40:07desculpe,
40:08desculpe,
40:08no visual,
40:09que você é um cara boa pinta,
40:10você se arruma bem,
40:11você ter um instrumento bonito,
40:13você ter uma,
40:14não,
40:14tudo,
40:15tudo é,
40:16faz parte do pacote,
40:17cumpadi,
40:18eu sou um cara mal acabado,
40:19você é um cara bonito,
40:20o que eu posso fazer com isso?
40:22Eu ouvi uma hoje,
40:23que eu tenho que contar pra você,
40:25cara,
40:25puta,
40:25eu juro,
40:27foi hoje,
40:28eu vou contar já,
40:29eu fui,
40:30eu tô aqui na Praia Grande,
40:31eu tô fazendo uns violões de decor,
40:32até pra ilustrar,
40:33vou te mostrar aqui,
40:34sem nenhuma pretensão de vender nada,
40:36só pra mostrar,
40:37eu tenho feito esses violões de decorativo.
40:38Você,
40:39você lutei,
40:40você lutei?
40:41Não,
40:42isso aqui é um scrap,
40:43é um violão que é pra...
40:43Ah,
40:44tá,
40:44eu tô vendo,
40:46aí você fez uma decoração,
40:47agora que eu tô vendo,
40:48bacana.
40:49Ele acende,
40:50ele acende e tudo,
40:52aí Edu,
40:53você falou de boa pinta,
40:55né,
40:55vou te contar a história,
40:56agora à tarde,
40:57eu acabei de contar pro amigo meu,
40:59Rafael Paris,
40:59que tava aqui em casa agora,
41:00eu fui na Praia Grande comprar
41:02um LED que eu ponho em volta,
41:04numa lojinha,
41:04né,
41:05e eu fui semana passada nessa loja,
41:07e o pessoal de uma loja aqui,
41:08a Fênix,
41:08aqui da Praia Grande,
41:09me levou.
41:10Quando eu saí,
41:11aí o cara me contou hoje,
41:14esse cara não era do Faustão?
41:15A mulher perguntou,
41:16né,
41:16o cara falou,
41:17era,
41:17ele namorava uma bailarina?
41:19Aí o cara,
41:20isso,
41:21putz,
41:21tá acabado ele,
41:22hein?
41:23A mulher...
41:25Cara,
41:26eles me contaram isso agora,
41:27ainda o dono,
41:27não,
41:28não conta pra ele,
41:28não conta pra ele,
41:29não,
41:30eu juro,
41:31Edu,
41:31eu juro,
41:32você falar isso,
41:34como ele tá,
41:35e eu não sabia,
41:36eu fui na loja,
41:36eu conversei com a mulher agora,
41:37se eu soubesse,
41:38teria brincado muito com ela,
41:40olha,
41:40eu tô meio acabado,
41:41mas ainda toco bem,
41:42sabe?
41:43Ainda dou um caldo,
41:44eu tô acabado,
41:44mas não dou um caldo.
41:47Bom,
41:47enfim,
41:48Edu,
41:48e aí,
41:50eu acho que o pacote
41:51realmente é legal,
41:52saber falar,
41:53saber falar a língua de todo mundo,
41:55você falou,
41:56outro dia numa live,
41:56a gente entrou num papo com tudo,
41:58até falei pros alunos,
41:59relacionamento é muito importante,
42:01cara,
42:02muito,
42:02tudo isso que eu fiz,
42:03os relacionamentos são muito importantes,
42:05eu lembro muito bem,
42:06quando eu saí do Faustão,
42:08e entrei no jogo,
42:10depois de uns anos,
42:11como eu fui bem recebido
42:12pela mesma galera,
42:14cara,
42:15eu vou ser aqui de volta,
42:16então,
42:16porque eu tinha um bom relacionamento
42:17paralelo a,
42:18né,
42:19a tudo que acontecia,
42:20com os próprios apresentadores,
42:22outro dia o Jô,
42:23o Fabinho que trabalha com ele,
42:24me ligou,
42:25meu,
42:26olha quem tá aqui do lado,
42:27Marcinho,
42:27beijo,
42:28falei,
42:28o Jô me mandando um beijo,
42:30cara,
42:30quando que eu sonhei com isso,
42:31sabe?
42:33Então,
42:34isso tudo é relacionamento,
42:35assim,
42:35então,
42:36enfim,
42:36tô tentando falar melhor que você,
42:38porque tá difícil,
42:39você já traduz tudo,
42:40perfeito,
42:42e a comédia,
42:43pra gente só se concluir,
42:44se não ficar inconcluso,
42:46a comédia veio desses workshops,
42:47de fato,
42:48porque eu tinha,
42:49eu comecei a fazer textos,
42:50porque o cara que ouviu a história do Faustão,
42:52que ouviu a história do Cita Galada,
42:53que tá,
42:54eu comecei a criar,
42:55contar as histórias,
42:57e perceber os punches da graça,
42:59pô,
42:59os caras riram aqui,
43:00riram aqui,
43:01e eu,
43:02de fato,
43:02não conhecia a modalidade stand-up,
43:05formalmente,
43:05eu já tinha visto o José de Vasconcelos,
43:08o pessoal da minha rede,
43:09o Soares,
43:09mas mais em skates,
43:11não exatamente em stand-up,
43:13quando eu já tinha um monte de textos,
43:15cada vez que eu contava de novo a história,
43:17ela aparecia,
43:18né,
43:18eu tive um erro muito grande,
43:20que às vezes eu forçava as histórias a aparecerem,
43:22o cara me perguntava um negócio,
43:23eu conto nada pra contar aquela história,
43:25e não tinha um resultado tão bom como eu queria da outra vez,
43:27pô,
43:27por que não riram tanto da outra vez,
43:29porque não tinha sido espontâneo,
43:30eu comecei a aprender,
43:31que eu poderia ter um monte de histórias,
43:33e sempre,
43:33aí eu comecei a incrementar essas histórias,
43:35e viraram textos,
43:37é que nem se contar uma piada uma vez,
43:38dez vezes você tá contando ela muito bem,
43:41putz,
43:41se eu falar isso aqui,
43:42desse jeito,
43:43é que eles vão rir aqui,
43:44se eu terminar assim,
43:45eles vão rir aqui,
43:45então foi isso,
43:46eu comecei a aprender a contar esses textos,
43:48pra resumir,
43:50um dia,
43:52eu ouvi tocar num lugar em São Paulo,
43:54o Blicker,
43:54hoje não tem mais,
43:55uma casa muito importante,
43:56inclusive eles fizeram stand-up muitos anos,
43:58e no meio de um show meu,
44:00eu contei umas histórias dessas,
44:01e foi um sucesso pro público,
44:04quebrou aquele gelo do público,
44:06e eu já tinha uma boa fama,
44:08de conduzir bem,
44:09assim,
44:10Cicerone,
44:10de estar na frente,
44:12sempre fazia piada,
44:13eu lembro uma vez que eu fiz,
44:14eu apresentava,
44:15o cara que tocava comigo,
44:17era o Paulinho Lima,
44:17ele cantava muito bem,
44:19assim,
44:19era assim,
44:20destoável,
44:20eu tinha que cantar depois dele,
44:21aí eu brincava assim,
44:22ó,
44:22esse cara canta bem,
44:24mas eu toco três guitarras,
44:26então,
44:26aí o pessoal já ria disso,
44:28então,
44:28meu pseudo personagem é em cima disso,
44:30é um cara que se diz foda,
44:31né,
44:31muito bom,
44:32e que tem que provar isso pra galera,
44:34tocando,
44:35né,
44:36do começo ao fim,
44:37eu faço uma crescente no meu show,
44:38pra provar que eu sou muito foda,
44:39é isso,
44:39meu show é isso,
44:40e o mote que eu quero deixar,
44:42assim,
44:42o incentivo,
44:43é quase que um,
44:44quase que um negócio meio motivacional,
44:46é pra galera ser foda,
44:48sabe,
44:48pra todo mundo ser bom,
44:50que eu me inspiro nos caras foda,
44:52como é esse cantor,
44:54como é o cara do tênis,
44:56como é o surfista tal,
44:57né,
44:57eu falo que todo mundo do segmento tem um cara foda,
44:59e eu quero ser esse cara,
45:00eu quero que vocês sejam foda do que vocês falam,
45:02entendeu,
45:03esse é o mote,
45:04e eu faço um jeito provocativo,
45:06provoco mesmo,
45:07assim,
45:07né,
45:08de sempre falar que eu sou muito bom,
45:09vocês não,
45:10e enfim,
45:11é um jeito engraçado que eu achei,
45:14e me orgulho de ter feito show com todo mundo que tá aí na comédia,
45:17quase todos aí,
45:18que são os tops,
45:20hoje eu já fiz show junto,
45:22e...
45:22E aos poucos,
45:23você foi abrindo corredores profissionais importantes pra um cara sobreviver,
45:29porque no nosso mercado artístico brasileiro,
45:33é...
45:34um período...
45:35não é o período do guitarrista,
45:38e no período acabaram as...
45:40a possibilidade de workshop,
45:42e mais,
45:43você pode cair no humor que você se segura,
45:46eu tô falando de dinheiro, sobrevivência,
45:48você tem contas a pagar,
45:49eu tô falando de trabalho,
45:50as pessoas acham que o artista é porra louco,
45:53e que não tem luz, gás, telefone,
45:55mulher chata,
45:56filho chorando,
45:57carro botando gasolina...
45:59O ano que eu comecei a fazer,
46:01que o pessoal começou a me descobrir,
46:03porque do mesmo jeito que eu entrei na guitarra com a técnica diferente,
46:06no humor foi muito parecido,
46:07porque o que acontecia no humor acontece ainda,
46:10o cara usa o violão de muleta,
46:11tem um violãozinho lá que ele faz uma versão,
46:14eu entrei oposto,
46:15eu entrei tocando bem,
46:17e...
46:18e diz assim,
46:20provocando a galera,
46:20assim, ó,
46:21e aí realmente,
46:22quando a galera via,
46:23caramba,
46:23o que é isso?
46:24E a dúvida acontecia,
46:26será que ele tá enganando,
46:27ou ele toca mesmo bem?
46:28Sabe?
46:29Inclusive até no Faustão,
46:30eu abro meu show,
46:31tem uma abertura que eu faço,
46:33que é assim,
46:34eu falo,
46:35eu faço um soberbo,
46:37então eu falo assim,
46:38e a gente foi mandado embora do Faustão,
46:39então eu trabalho com esses elementos,
46:41eu trago pra mim,
46:43eu falo assim,
46:43bom,
46:43eu entrei no Faustão porque eu quis,
46:45eu falo assim,
46:45porque eu toco três e tal,
46:47eu sou muito bom,
46:47e aí quando eu saí,
46:49ele já ia mandar a banda embora,
46:50não que eu saí porque ele mandou,
46:51eu já ia sair,
46:52aí ele mandou a banda embora,
46:53aí eu entrei no Jô porque eu quis,
46:55coincidência,
46:55o Tomate saiu porque ele ficou doente,
46:57aí eu entrei,
46:57não pra substituir,
46:58porque eu já entrei porque eu quis,
46:59quando eu resolvi sair,
47:00ele voltou,
47:01ele melhorou e voltou,
47:02mas eu já ia sair,
47:03então eu fico com essa soberba,
47:05e aí eu brinco,
47:06eu falo assim,
47:06pô,
47:07o Jô fala,
47:07pra que banda você faz isso?
47:08Aí eu toco a música do Jô,
47:10eu vou,
47:10eu vou ilustrando as minhas histórias,
47:13com a música,
47:14aí cala a boca das pessoas,
47:15porque eles falam,
47:15que cara folgado,
47:17uma toca bem,
47:18desgraçado,
47:18sabe,
47:19então essa é a provocação,
47:21caramba,
47:22depois lógico,
47:23o bom ouvinte sabe que eu estou provocando,
47:25que é tudo uma brincadeira,
47:27mas que é a gusto,
47:28e depois eu faço um 360,
47:32nas coisas que são,
47:36nos mitos,
47:37nos falsos mitos,
47:38então no pop,
47:38eu desmitifico o pop,
47:43o DJ,
47:44os ruins,
47:45eu mostro como é que é possível fazer isso,
47:47e eles se identificam,
47:49caramba,
47:49é verdade,
47:50é isso que eles fazem,
47:51e eu estou fazendo ao vivo,
47:52eu sou bom,
47:52eles não,
47:53eu fico brincando,
47:54mas obviamente que,
47:56a ideia é essa daí,
47:58você mexer nessas feridinhas da música,
48:00sabe?
48:01Eu acho que tem um ponto,
48:03a gente está falando dos três pontos,
48:05mas tem um ponto que vai do momento em que você começa,
48:09lá com a sua tia,
48:11a obrigação de lavar as mãos,
48:14para tocar piano,
48:16olha que loucura isso,
48:17olha que disciplina essa porra,
48:20você vai tocar no meu piano,
48:22meu sobrinho,
48:22sobrinho,
48:23então vai ali,
48:25lava as mãos,
48:26vem aqui,
48:27abre o piano com calma,
48:29pega o feltro,
48:30enrola,
48:31bota atrás,
48:32para não arranhar o piano da tia,
48:36isso,
48:37isso,
48:37cara,
48:39simbolicamente,
48:40no meu olhar,
48:41é toda a tua base como humano,
48:44porque isso é disciplina,
48:46isso representa que você não vai furar,
48:48representa que você vai se dedicar,
48:50representa que você vai ensaiar,
48:52representa que você vai chegar na hora certa,
48:54que você vai levar o instrumento,
48:55e não só o violão,
48:56representa que você vai ser o máximo possível,
49:00dedicado a esse dom que você recebeu de Deus,
49:04porque esse papo não é furado,
49:06o homem lá em cima falou,
49:07você vai tocar nessa família toda,
49:09você vai continuar seguindo essa saga,
49:12então isso tudo,
49:13tudo está no teu DNA,
49:16mas tem um ponto fundamental,
49:18que amarra os três corredores que a gente falou aqui,
49:22bom gosto,
49:23obrigado,
49:24obrigado,
49:25bom gosto,
49:26cara,
49:27porque você pode fazer isso tudo,
49:29sem a preocupação de ser didático,
49:33e também de ser professoral,
49:35porque você tem a obrigação de ser professoral,
49:38a partir do momento que você encontra um estilo,
49:41e esse estilo me impressiona,
49:43você não pode me decepcionar,
49:45como artista,
49:47você tem que me surpreender,
49:48a cada vez que eu te encontrar em algum lugar,
49:50na televisão,
49:50no som do rádio,
49:52no workshop,
49:53você tem que me surpreender,
49:54se você não se dedica,
49:56se você não se entrega,
49:58quem faz mais,
49:59sempre sai na frente,
50:01acho que no Faustão ali,
50:03estou falando do Faustão,
50:04vou dar como exemplo,
50:06eu acho que ali,
50:07o tocar era importante,
50:08mas o falar bem era importante,
50:11como você falou,
50:13eu acho que,
50:13eu detectei isso muito rápido,
50:15é claro que o Ski Avon,
50:16ele tem um mérito muito grande,
50:17que ele orientou a gente,
50:18olha cara,
50:19presta atenção,
50:20vocês tem três horários para a atenção no programa,
50:21depois você pode fazer o que vocês quiserem,
50:23se matem,
50:24mas a que foca no programa,
50:25eu era um cara muito ligado,
50:26quando eu percebi,
50:27como é que eu poderia aparecer,
50:29eu falei,
50:29tocando eu não vou aparecer muito,
50:30se eu falar uma coisa engraçada,
50:32na hora que ele,
50:32sabe,
50:33que eu tivesse a manha,
50:34e era muito nervoso,
50:35porque ele estava quente,
50:36ele te pega,
50:36ele queima a roupa ali,
50:37você dá uma resposta na hora que,
50:39que ele entenda,
50:40então,
50:40no jogo foi a mesma coisa,
50:42número um,
50:42é tocar legal,
50:44me dar bem com a banda,
50:45fazer o máximo para a gente se dar bem,
50:47e com o restante do programa,
50:49para tudo conspirar ali,
50:51mas o principal ali,
50:52os Ski Avon falavam,
50:53pô,
50:53é Domingão do Faustão,
50:54é o do Marcião,
50:55cuidado,
50:56o dia que for no Marcião,
50:57você vai de cueca,
50:59o dia que for seu,
51:00mas agora,
51:00o Domingão é dele ainda,
51:02ele que manda,
51:03então,
51:03vamos obedecer,
51:04então,
51:04isso daí é uma coisa muito interessante,
51:06quando eu vou no barzinho,
51:07eu não sou o show,
51:10a não ser que eu seja o show,
51:11aí é diferente,
51:12não,
51:14os protagonistas são,
51:15a comida,
51:16o ambiente,
51:17o garçom,
51:18o chefe,
51:18a música,
51:19então,
51:19eu tenho que me,
51:20a engrenagem tem que funcionar,
51:22se eu vou fazer um show,
51:23eu sou o show,
51:24mas eu tenho que também fazer funcionar tudo,
51:26bom,
51:26vamos fazer um repertório que agrade,
51:28tal,
51:28tal,
51:28tal,
51:28enfim,
51:29isso é,
51:29a vida é uma engrenagem,
51:30faz parte de uma engrenagem,
51:31na sua casa,
51:32gente,
51:32assim,
51:33e por isso que você falou da minha tia,
51:34por isso que eu conto a história,
51:35começando por isso,
51:36eu tinha que pegar o piano,
51:38abrir com delicadeza,
51:40lavar a mão,
51:41para não sujar,
51:42lógico,
51:42eu lavo isso para a minha vida,
51:43e,
51:44enfim,
51:44até hoje,
51:45assim.
51:46É o respeito ao que você faz,
51:50nós temos muitos amigos músicos,
51:52geniais,
51:54mas,
51:55talvez faltem neles,
51:56em alguns deles,
51:58o respeito pelo que ele faz,
52:00o respeito dele com ele mesmo,
52:02porque se você se respeita,
52:04você transfere isso para a arte,
52:06e,
52:07consequentemente,
52:07atinge as pessoas com mais facilidade.
52:09É,
52:09e mostram,
52:10e estão olhando muitos outros também,
52:11sabe,
52:11Edu,
52:12olham demais os outros,
52:14se comparando,
52:15desmerecendo,
52:15faz,
52:16eu sempre falo,
52:16faz o seu,
52:17cara,
52:17faz o seu,
52:17vai,
52:18segue,
52:19cara,
52:19segue,
52:19sabe aquele negócio do cavalo ali,
52:21meu,
52:21vai,
52:21vai,
52:21segue,
52:22claro que,
52:23acho que tem que se inspirar,
52:24e pegar o que o outro tem de bom,
52:25estava o Matheus Assato aqui na live,
52:27a gente até brinquei com ele,
52:29essa galera está empurrando a gente,
52:31cara,
52:31e eu olho com o cara,
52:33que legal,
52:34sabe,
52:35eu,
52:35eu,
52:35a minha geração é outra,
52:37eles têm que empurrar,
52:37e me inspiram,
52:38eu falo,
52:38puta,
52:38que legal,
52:39preciso fazer,
52:39sabe,
52:40não,
52:40puta,
52:40preciso fazer,
52:41pelo amor de Deus,
52:42não,
52:42preciso fazer,
52:42porque,
52:43que legal,
52:44tem mais gente fazendo,
52:45e eu tenho certeza que muitos deles olharam a gente fazendo antes,
52:47sabe,
52:49nas nossas mídias,
52:50na televisão,
52:51não sei aonde,
52:51eu escuto isso até hoje.
52:53Você,
52:53quando ouviu o Stanley Jordan a primeira vez,
52:56ouviu,
52:56você ficou doido,
52:59quantos,
53:00quantos caras você enlouqueceu,
53:02quando eles viram você tocando dessa forma,
53:04é o fenômeno dominó,
53:06meu amigo,
53:08gerações vão aprendendo com outros,
53:09tenho certeza que muitos desses,
53:12não sabem nem quem é o Stanley Jordan,
53:14mas sabem quem é o Marcelo Eiras,
53:15e desculpe,
53:17É,
53:17eu até brinco,
53:17que sorte,
53:18eu falo por um lado,
53:19se as pessoas não conhecerem,
53:20mas eu sempre faço questão de falar,
53:22de citar,
53:22explicar,
53:23porque eu odeio falsos méritos,
53:25assim,
53:25mas,
53:26de fato,
53:26foi o cara que eu vi,
53:28e falei,
53:28eu quero ser isso daí,
53:30obviamente,
53:31é que,
53:32eu não vou ficar,
53:33eu não sou meio contra falar a personalidade,
53:35não,
53:36na verdade,
53:36a minha vida musical me levou para um caminho diferente da dele,
53:38e não tinha como não ser diferente,
53:40né,
53:41e aí,
53:42eu fui descobrindo um jeito de ser diferente,
53:44mas a técnica foi ele,
53:46e o mérito,
53:48nesse sentido,
53:48é dele ter me mostrado isso,
53:50e ele disse que foi um outro cara que mostrou para ele,
53:52em algum momento,
53:53na rua,
53:53ele conta uma história,
53:55é perfeito o que você falou,
53:57a gente vai andando,
53:57deixa eu fazer o meu,
53:58eu não posso parar,
53:59não,
53:59deixa eu tocar menos,
54:00ou deixa eu inventar menos,
54:02porque eu quero respeitar alguém,
54:03não,
54:03cara,
54:03segue,
54:04eu não estou se respeitando de ninguém,
54:05eu quero agradar a galera que está aí se inspirando com o que eu estou fazendo,
54:08né,
54:09tem aqui o...
54:10Marcinho,
54:11nós estamos na reta final,
54:13estamos na reta final,
54:13temos um minuto.
54:15Beleza.
54:15Meu,
54:16Edu,
54:16você foi o melhor entrevistador que eu tive,
54:19em toda a minha pandemia,
54:21em toda a minha vida de entrevistas.
54:24Muito obrigado,
54:25meu amigo,
54:26e você é um dos guitarristas mais espetaculares que esse país tem,
54:30e a gente tem que parar com essa síndrome de cachorro vira-lata que o brasileiro tem,
54:37e pegar figuras como você e falar assim,
54:39cara,
54:40você é foda.
54:42Obrigado,
54:43Edu,
54:43foi um prazer exato conversar contigo,
54:45obrigado a todos que ficaram na live aí,
54:46meus alunos,
54:47muita paz,
54:48só avisando aos amigos que amanhã nós temos Chico Teixeira,
54:51e depois de amanhã Wanderleia,
54:53por favor,
54:54assistam a gente,
54:55uma live por dia durante a pandemia,
54:56seis da tarde.
54:57Wanderleia é maravilhoso,
54:58beijo,
54:58Edu,
54:58foi um prazer,
54:59um beijo meu compadre,
55:00um beijo em casa.

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