- há 6 minutos
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.
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NotíciasTranscrição
00:11E aí pessoal, chegando, chegando, estamos chegando, estamos entrando, um brinde a todos.
00:18Hoje na nossa conversa teremos a participação mais do que especial de Roberto Frejá, o tão
00:24esperado Roberto Frejá conversando com a gente hoje.
00:26Primeiro eu quero te agradecer muito a presença de você estar aqui com a gente, eu estou
00:31em Vitória, você está no Rio.
00:33Estou no Rio de Janeiro, estou no Rio de Janeiro.
00:37Trancado em casa?
00:38É não, eu na verdade, eu estou trancado em casa 99% do tempo, mas o meu estúdio é a
00:45uma rua da minha casa, então eu tenho condição de sair da minha casa, pegar o carro, parar
00:50na porta do estúdio, vir até o estúdio, sair do estúdio, pegar o carro na porta e ir
00:54para a porta de casa, então não tenho um contato, comunicação com ninguém, sempre
00:58de máscara, lógico, e com todos os cuidados, álcool gel sempre na mão e coisas assim.
01:05Agora Frejá, o que você vai fazer no estúdio?
01:07Você está com o disco pronto, rapaz.
01:08O que você vai fazer no estúdio?
01:10Você sabe que é curioso isso, porque todo mundo falou, não, agora todo mundo está com
01:15muito tempo, você pode compor músicos, pode compor músicas sobre esse momento e tal,
01:20e na verdade eu estou fazendo, eu estou aproveitando realmente esse tempo que ficou assim, disponível,
01:27né, para fazer uma coisa que era difícil eu ter tempo para fazer, que é organizar os
01:33meus arquivos dos computadores do estúdio, com as gravações e também arquivos particulares
01:41de fotos e tal, é um trabalho hercúleo, trabalho de chinês, porque muitas vezes você tem
01:45que comparar dois arquivos que têm o mesmo nome e você vê se tem o mesmo número de
01:49itens, se eles são iguais, uma coisa de louco, assim, eu estou já há um mês e pouco,
01:55quase dois meses fazendo isso, ainda não terminei, né?
01:58Não, mas sabe o que, eu estou te ouvindo, antes da gente pegar na conversa mesmo, como
02:04diz o, e pensando que você de repente pode estar preparando o primeiro passo de um trabalho
02:10em cima dos 40 anos de carreira.
02:13É, na verdade eu não tinha pensado nisso não, porque o que acontece, eu estava me preparando
02:18para lançar um disco, né, quando começou a acontecer isso, então, eu quando estou lançando
02:24um disco, eu não consigo pensar muito em outra coisa que não seja aquele trabalho.
02:28Engraçado que eu tenho vários amigos e conheço vários artistas que, quando eles estão lançando
02:32um disco, eles já estão com a cabeça no seguinte, né, eu já vi várias vezes os
02:36caras dando entrevistas falando, não, porque eu já tenho um projeto no outro negócio, eu
02:41não tenho isso, eu tenho outros projetos, mas que já existiam antes, né, uma coisa que
02:45de repente está aqui, que eu já vou fazer direto, não tem, assim, de imediato na cabeça.
02:50Então, eu fiquei focando mesmo nessa coisa do trabalho novo, de apresentar os singles
02:57e tal, de colocar o disco da maneira que dá, porque infelizmente também não posso dar
03:02a sequência que seria a ideal, que é apresentar o disco e ir para a estrada imediatamente
03:08depois, isso também, eu não tenho essa possibilidade nesse momento, então, eu tenho que realmente
03:12aproveitar e dar às pessoas o máximo do disco, por sorte eu também fiz muita coisa
03:17que as pessoas já devem estar acompanhando pela gente, tem um material de making of
03:21bacana, que foi feito, primeira vez que eu fiz isso, né, de fazer uma coisa de making
03:26of do disco, então foi legal, porque deu um pouco de conteúdo mesmo para as pessoas
03:31irem curtindo, né.
03:33Já jogou nas redes sociais três músicas nas plataformas, eu quero falar sobre isso, mas
03:40eu queria, antes, entender um pouco a sua cabeça.
03:44E quando a gente entende a cabeça de uma pessoa, a gente começa a entender o que que ele nos
03:49apresenta como um artista no final da conversa.
03:52Então, tudo começa lá atrás.
03:56Você, pelas informações que os amigos, eu tenho aqui amigos que já mandaram o recado
04:00para você, ó.
04:01Aqui, ó.
04:01Opa, que beleza.
04:04Você começa como todo mundo começa, um apaixonado, um moleque que gosta de música e que junta
04:11um dinheirinho para comprar o seu disquinho para ouvir na sua vitrolinha no quarto.
04:18Com certeza.
04:18O que você comprava?
04:19Aquele moleque comprava o quê?
04:22Olha, nesse sentido, eu já falei isso em várias entrevistas, mas é sempre bom repetir,
04:26eu fui muito precoce com a coisa de música.
04:28Eu, com quatro anos, eu pedi para o meu pai comprar um LP, um LP, não era um compacto.
04:34Eu pedi, entrei numa loja de disco, ele falei, pai, eu quero que você compre um disco para
04:37mim.
04:38E eu saí com esse disco da loja, que era o Rubber Soul, né?
04:41Foi o primeiro disco.
04:42Menino de bom gosto.
04:43Menino de bom gosto.
04:45Mas eu tenho que dar o mérito a um primo mais velho que eu tenho, que ele tem mais ou
04:50menos, acho que ele tem um de oito a dez anos mais que eu, então ele estava no auge
04:54da adolescência ali, no momento que os Beatles estavam explodindo no mundo, né?
04:58E ele tinha um disco dos Beatles em casa, então eu vi na casa dele, gostei daquilo,
05:03e aí quis comprar um para mim.
05:05Cheguei lá, tinham várias capas, várias capas de discos, e eu escolhi o disco pela
05:10capa, porque eu não sabia qual era o disco que representava o quê.
05:13E eu adorei aquela capa meio fora de foco, assim, não é fora de foco, ela tem aquela
05:17grande angular, né, que dá aquele espaçamento, aquele olho de peixe do Rubber Soul.
05:23Meu irmão estava comigo e ele levou o...
05:29Agora eu não lembro se ele levou o With the Beatles ou se ele levou aquele Oldest But
05:34Goldies, que é uma coletânea que basicamente só saiu no Brasil, né?
05:38Aquela coletânea com uma capa meio psicodélica.
05:40E basicamente esses dois discos foram muito importantes ali.
05:43Eu ouvia muito rádio, porque eu tinha o rádio sempre na cozinha, então o rádio
05:48estava presente nessa época, a Jovem Guarda estava muito forte, então Roberto Carlos,
05:52Vanderlei Cardoso, Gerri Adriani, Erasmo, Vanderleia, era uma coisa forte, assim, presença.
05:59Tim Maia depois um pouco também, depois quando ele apareceu, gostava muito.
06:03E depois, já um pouco mais, um pouco mais velho, assim, com, sei lá, uns oito, nove
06:09anos, eu escutava direto o programa do Big Boy, né?
06:14Então o programa do Big Boy era um programa que apresentava o rock and roll todo e tinha
06:18também um programa dele específico que se chamava Baile da Pesada, que aí era a parte
06:23mais soul, mais funk, que foi onde eu ouvi James Brown e pirei.
06:27Desde que eu ouvi James Brown a primeira vez, eu achei aquilo sensacional.
06:31Então, daí...
06:32Se eu te contar uma passagem aí, você vai achar loucura, mas vamos lá.
06:36Tô coçando aqui.
06:38Porque eu, moleque, eu nasci no Rio, nasci na Tijuca, vim pra Vitória e tô aqui a minha
06:45vida inteira, fiz minha vida no Espírito Santo, mas eu como moleque de rádio, eu trabalhava
06:51ou tentava arrumar um trampo na Mundial, onde trabalhava o Newton, que é o Big Boy.
06:57Cara, 860, 860, 860 da Mundial.
07:00E uma certa madrugada, uma certa madrugada aconteceu a seguinte cena, já que você tá
07:06falando dos dois caras, um tal de James Brown tava fazendo shows no Brasil, salvo engano,
07:13no Canecão.
07:14Ele saiu do show e foi conhecer Big Boy na Mundial.
07:19E lá estava esse que vos fala e viu entrar James Brown pra dar um abraço em Big Boy.
07:26Cara, isso é uma loucura que eu tô te falando, que é histórico.
07:31E eu, naquele momento, não tinha muita noção do que tava acontecendo, não.
07:34Sabia que o Negão era bravo, que era um artista excepcional, maravilhoso.
07:41Mas eu, depois, com o passar do tempo, cara, é isso que você tá falando, dois monstros
07:47sagrados.
07:48Aí, com 10 anos, você começa a botar a mão num violão.
07:52É, com 10 anos, só pra você ter uma ideia, com 10 anos eu tava já pedindo o disco de
07:56Santana de Natal.
07:58Já era uma coisa assim, né?
08:00Já era outro salto.
08:01Já tava lá na frente.
08:03E comecei a querer aprender o violão, só que eu tive um professor muito ruim, era um
08:08cara muito careta, que queria me fazer aprender a tocar violão com partitura.
08:13Imagina um garoto doido pra tocar rock'n'roll, tocar aquelas canções.
08:16Podia ter a Jovem Guarda, que são canções que têm acordes simples e tudo nada.
08:22O cara veio querendo que você aprendesse aquelas coisas de violão clássico e tal, tema
08:27do Poderoso Chefão, e tudo lendo partitura.
08:30Imagina, não tinha nem atenção pra isso, entendeu?
08:33Nem foco pra isso.
08:35E aquilo me desinteressou completamente.
08:37Acabou que o meu violão ficou parado durante 4 anos num cantinho do meu quarto, que eu
08:41dormia com o meu irmão, dormimos no mesmo quarto durante décadas, né?
08:47E aí, depois disso, com 14 anos, aquela loucura da música tava mais forte ainda.
08:56Eu falei, não, eu tenho que aprender.
08:57E aí a minha mãe conseguiu, ela lembrou de um amigo dela de funcionalismo público, que
09:04era professor de violão, e o cara foi maravilhoso.
09:09Apesar dele ser um cara extremamente nacionalista, então pra ele guitarra e rock era uma música
09:15menor, né?
09:16Guitarra pra ele só jazz, né?
09:19Só jazz.
09:19Era o máximo que ele dava pra guitarra.
09:22Les Paul no máximo, les Paul.
09:24Não, não.
09:25É, e só guitarra de jazz.
09:27Não tinha, imagina, Jimmy Hendrix, Eric Clapton, nada podia.
09:31Era só Barney Castle, Joe Pass, uma coisa assim.
09:34Que são maravilhosos, mas, pô, quem gosta de rock and roll é outra praia.
09:38E aí, o que que acontece?
09:40Eu comecei a ter aula com ele, e ele dava aula na ProArte, que é uma escola de música
09:45que tinha em Laranjeiras.
09:46Só que a ProArte tinha aula de guitarra.
09:49E aí eu comecei a ver que tinha um professor de guitarra, né?
09:53E aí eu quis comprar uma guitarra, e aí pra comprar essa guitarra, eu tive que vender
09:59uma filmadora, que eu tinha acabado de comprar.
10:02Você vê que eu gostava muito de cinema também, eu tinha participado do cineclube
10:06no colégio, organizando, escolhendo filmes.
10:09E aí acabou que eu fui pros Estados Unidos, trouxe a coleção toda do Crossroads Films
10:14National Young, porque naquela época eu tava pirado, todos os discos deles e dos componentes
10:20também, tudo ali, uma pilha de disco assim, e trouxe essa filmadora.
10:25Era o dinheiro todo que eu economizei pra gastar na viagem, eu gastei em disco e nessa
10:29filmadora.
10:30Quando chegou aqui, eu falei, cara, eu quero comprar uma guitarra, eu preciso comprar uma
10:33guitarra.
10:34O que que eu posso vender?
10:35A filmadora.
10:36Então eu vendi a filmadora e comprei uma guitarra, um amplificador e um pedal de distorção.
10:41E aí a partir daí começou essa coisa, e aí eu comecei a ter aula com esse professor
10:45de guitarra, que foi o meu grande mentor como professor de música.
10:51Eu agradeço muito ao meu professor de violão, porque ele me apresentou a harmonia da música
10:55brasileira, que basicamente é a harmonia básica dos jazz, elas são muito, tem muito
10:59em comum.
11:00Então isso foi muito importante pro meu processo de composição e tudo.
11:03E também pra muita coisa que ele me apresentou de música brasileira.
11:06Mas essa coisa de, da guitarra, e esse professor, ele na verdade era guitarrista de uma banda
11:12muito importante na Argentina, chamada Los Gatos.
11:16E ele veio pra cá, pra um festival internacional desse, se apaixonou pelo Brasil e não quis
11:20voltar pra Argentina.
11:22E ele tinha todo um conhecimento, tinha livros, coisa que o Brasil, o Brasil se fechou com
11:27a coisa da Revolução de 64, o Brasil se fechou pro mundo.
11:30Então você não tinha livros didáticos de música, você não tinha nada, você não
11:34tinha informação.
11:35Ele tinha métodos americanos de guitarra, livros, métodos, esses livros de violão
11:41clássico até tinha no Brasil, por causa da escola da música erudita e tal.
11:46Mas qualquer coisa ligada ao jazz e tal, não tinha.
11:49E esses métodos pra guitarra eram os métodos que existiam.
11:52E ele tinha isso que ele tinha trazido, isso da Argentina.
11:55Ele foi muito importante, era o cara que tinha a cabeça muito aberta, era o cara que
11:58gostava de James Brown, de Miles Davis, de Rolling Stones, de Barney Kessel.
12:03Então isso foi muito bacana, porque a gente pôde discutir.
12:07Eu já gostava de música de uma maneira bastante abrangente, então a gente teve uma sintonia
12:11muito bacana.
12:12Foi um cara muito importante.
12:13E eu fui até o final do curso dele, depois de mais pra frente, já 20 anos depois, eu
12:19ajudei, aí ele conseguiu uma editora pra editar o método dele, que tá editado na Vitale,
12:25chama-se Do Blues ao Jazz.
12:27O nome dele é Gaitano Galife.
12:29Todo mundo chama ele de Kai, porque é o apelido dele, mas Gaitano Galife é o nome dele
12:33e ele foi um grande professor pra mim.
12:35Hoje ele só dá aula de violão clássico.
12:37Cortou relações com a guitarra.
12:40Só dá aula de violão clássico, é um grande professor.
12:42Mas eu vou dar aula pra guitarra.
12:46Nessa pequena fotografia que você nos dá agora, essa fotografia 3x4, a gente consegue
12:52entender muita coisa.
12:54Primeiro que, da onde vem um pouco do seu estilo.
12:58Quando você fala que traz Crosby Steel, Nash Young, a gente começa a entender que tem
13:03muito violão de Crosby Steel, Nash Young na sua vida, ao longo da vida.
13:07Quando você fala que ali atrás se envolvia com os filmes na escola, na faculdade, a gente
13:15começa a entender como você encara a estética do seu trabalho, que o seu trabalho tem muita
13:20coisa visual, de clipes excepcionais, posicionamento de capa, postura de fotografia.
13:26Você, opa, já vem nesse sangue aí também.
13:29É eclético.
13:31Você tem um professor que te mostrou que pra fazer música não precisa ser radical.
13:36Você pode ser um coração mais aberto, uma mente mais ampla.
13:40Também te traz essa informação ao longo da vida que quem ouve o trabalho, o seu trabalho
13:45independente ou envolvido com o Barão, vê que tem todas essas nuances e influências.
13:50Quer dizer, isso é muito legal que você fotografou.
13:53Agora, eu só quero entender uma coisa.
13:55Em cima disso tudo, você tem uma mãe judia e um pai árabe.
14:04Sim.
14:05Cara, isso é confusão.
14:06Ateu.
14:07Árabe e ateu.
14:09Mas de uma família católica.
14:10Mas de uma família católica que tem várias freiras como tias.
14:14Cara, que farinha é essa aí?
14:18É curioso isso porque, de uma certa maneira, isso me deu respeito por todas as religiões.
14:24Ao mesmo tempo, me deu uma ausência completa de uma coisa religiosa, porque eu não tinha
14:31essa obrigação.
14:33Eu até cumpri alguns compromissos judaicos por uma questão de carinho pelos meus avós.
14:39Então, eu ia à sinagoga num dia que era uma data importante religiosa, mas eu ia porque
14:43os netos todos iam.
14:45Não ia porque eu estava acreditando naquilo.
14:47E eu tenho respeito enorme pela cultura judaica, como tenho respeito por todas as religiões
14:52quando elas estão em busca de uma explicação para a fé.
14:56Por outro lado, é exatamente isso que acaba me incomodando em todas elas.
15:01Porque eu acho que a fé é uma coisa tão complexa que eu acho que não há religião
15:10que explique.
15:12Então, eu me sinto um pouco dentro desse paradoxo aí, dessa contradição, desse conflito entre
15:19realmente você...
15:21Eu já tive muitas experiências espirituais na minha vida para ter claramente uma relação
15:26de que existe Deus pelo que você pode chamar de Deus e Deus pode ser uma explicação para
15:31cada um de uma forma diferente.
15:33mas não tem nenhuma religião efetiva em que eu caiba.
15:39Eu digo assim, não, eu me encaixo aqui.
15:42Tenho mais proximidade com algum tipo de prática do que com outra, mas tenho respeito principalmente
15:48por essa vontade de entender essa força divina que é essa coisa muito maior e que a gente
15:56não consegue explicar e que é o que acaba trazendo essa busca para uma coisa que seria
16:01a religião, que é a busca da explicação da fé.
16:04A gente fica o tempo todo tentando explicar isso e é isso que as religiões tentaram fazer
16:08isso a vida inteira, né?
16:10E para mim, eu acho que nenhuma delas consegue ter a explicação perfeita, mas eu respeito
16:16essa busca porque é uma busca que o ser humano tem desde a essência dele, né?
16:21É verdade.
16:22Agora, para eu falar em busca, vamos lá.
16:24E com 14 anos você volta ao violão, mas com...
16:28Olha como é que o tempo é curto.
16:30Estou aqui analisando o fator tempo, que o tempo trabalha contra a gente.
16:34Com 14, 15 anos você volta ao violão, com 19 você embarca no barão.
16:41É muito pouco tempo.
16:42É verdade.
16:43Agora, tem uma coisa interessante, porque com 14 anos eu volto ao violão, com 15 eu estou
16:47na guitarra, mas com 14 anos eu tive uma grande revelação, que foram os novos baianos.
16:55Porque eu, numa semana, basicamente um intervalo de uma semana de 15 dias, eu assisti o Gênesis
17:03no Maracanãzinho e naquele momento o Rock Progressivo estava no áudio.
17:07Assisti, estava assistindo também, cheguei a ver isso.
17:09Um show maravilhoso, assim, fenomenal.
17:14Só que uma ou duas semanas depois eu fui assistir os novos baianos, já sem Moraes, né?
17:19Já sem Moraes, lançando o disco Caia na Estrada, Periga às Vê.
17:24E eu fiquei alucinado por aquilo.
17:27Por quê?
17:27Primeiro, assistir ao Pepeu justificou para mim uma guitarra brasileira.
17:33Eu já falei isso para ele várias vezes.
17:34Ele é fundamental na minha vida.
17:38Por outro lado, o show dos novos baianos era dez vezes melhor do que o disco deles.
17:46Enquanto que o show do Gênesis era exatamente igual ao disco deles.
17:52E aquilo começou a ser uma frustração para mim.
17:54Porque eu acho que um artista no palco, ele é mais.
17:57Porque ele está ali.
17:59Você não pode ser menos do que o seu disco.
18:02Você pode até ser diferente, mas menos.
18:05Porque se você tenta reproduzir e chega a ser menos, ou chega só a ser igual, você ficou ali.
18:12E, na verdade, o fato de você não conseguir ser igual, mas ser mais, né?
18:18Porque era o que os novos baianos eram ao vivo, uma coisa intensa, assim, atropeladora.
18:23Então, para mim, aquilo foi marcante.
18:25E aí eu comecei a ter uma relação muito grande com essa música, com eles, com a cor do som,
18:32com o Gil Caetano eu já tinha.
18:34E eu também, por ser uma pessoa que gostava de música desde cedo, eu ainda peguei um rabicho das bandas
18:43do rock da década de 70 no Brasil.
18:46Então, por exemplo, eu assisti aquele show da gravação dos Mutantes ao vivo, daquele disco.
18:51Aquele show estava lá, naquele disco ali.
18:54Eu assisti o Vimana, eu assisti o Peso, eu assisti o Ponte Aérea, que era a banda que acompanhava o
19:01Saiguara Bira.
19:02Eu assisti várias coisas dessas bandas de rock daquela época, que hoje, o Nego fala, é uma referência histórica,
19:10mas pouca gente via o Viabolha lançando É Proibido Fumar, né?
19:14Então, são muitas coisas que eu acompanhei ali, que de repente...
19:19Eu era aquele moleque numa plateia de um bando de maluco.
19:22Olha a esponja, olha a esponja.
19:24Exatamente, não, e você vai absorvendo tudo isso, você vai achando também qual é o teu lugar dentro dessa história
19:29ali, né?
19:30Então, quando eu encontro hoje várias dessas pessoas que foram importantes pra mim,
19:34que foram caras que eu assisti ali, né?
19:37Ao seu, e várias outras pessoas, quando eu encontro com eles, é Ramalho, que eu encontro com eles...
19:42Assim, eu sou aquele garoto.
19:44Ainda pra eles, eu me sinto aquele garoto que tava lá olhando eles.
19:49Tudo bem, eu tenho 10, 20, 15 dias, isso não faz a menor diferença.
19:52Quando eu tô junto com eles, pra mim, eu me vejo como aquele garoto que assistia a eles lá naquele
19:57show e falava,
19:58caramba, cara, como eu tenho que aprender?
20:00Robertinho de Recife, né?
20:01Paulo Rafael, o Alceu, sabe?
20:04Grandes guitarristas e eu falando, caramba, como é que esses caras tocam?
20:07Pra mim, a vida inteira eu vou olhar eles com o mesmo olhar.
20:10Não tem como mudar, eu não consigo me ver e falar, não, agora eu sei, agora não sei...
20:15Não tem, eu não consigo ter essa transferência.
20:20Sair desse lugar, pra mim, eu continuo sendo aquele garoto que todos eles tocarem e que foram meus professores, né?
20:27Carline...
20:27E por falar aí, professor, eu tenho uma perguntinha aqui do Carline, pra você,
20:31que antes de começar ele me deu uma ligada, pergunte-se pra ele.
20:35Professor do Sérgio?
20:37Professor do Sérgio.
20:38Tem aqui uma pergunta de Carline pra você, mas aí, vamos lá.
20:42Você embarca no Barão e a história do Barão é extremamente conhecida,
20:49a gente não vai ficar tocando muito na história do Barão,
20:51na amizade com o Cazuza, na parceria com isso, tudo tá...
20:54Mas tem um ponto ali, cara, que eu digo pra todo mundo
20:59que eu nunca vi um cara tão corajoso na história da música no Brasil,
21:04independente de estilo, do que você, quando, da saída do Cazuza.
21:13Porque a saída do Cazuza, do Barão, e a sua entrada ao microfone,
21:18a frente do grupo, independente da mudança que o grupo ganha,
21:22com mais bluseiro, mais rock'n'roll, não vamos discutir o resultado,
21:27vamos discutir a atitude.
21:29Qualquer um pulava fora do barco naquela hora,
21:32qualquer um faria um outro grupo,
21:34era mais fácil fazer um outro grupo
21:36do que assumir o nome Barão Vermelho
21:40e ir pro microfone do Barão,
21:43cobrindo a saída do Cazuza,
21:46que era uma personalidade difícil de se cobrir.
21:50Você foi corajoso como ninguém jamais na história da música brasileira
21:55foi, independente do estilo.
21:57Eu vou te falar, eu até agradeço o elogio,
22:00mas eu vou te falar que eu acho que talvez essas coragens
22:04seja motivo de uma certa inocência, sabe?
22:08Eu acho que no momento que ele saiu,
22:13eu tinha tanta confiança no grupo
22:16como um trabalho que musicalmente estava forte
22:19e que tinha ele à frente com aquele discurso maravilhoso
22:22que tinha e com a figura carismática que ele representava no palco,
22:28que eu achava um desperdício a gente parar ali naquele momento.
22:33Eu achava que musicalmente a gente tinha chegado,
22:35até porque isso é claro no Declare Guerra.
22:40Por exemplo, a diferença da performance da banda no estúdio,
22:43do Declare Guerra pro Maior Abandonado,
22:46que é o disco anterior,
22:47a gente está muito mais seguro, muito mais maduro.
22:49Tudo bem que sou eu que estou cantando,
22:51e no Maior Abandonado era o Cazuza cantando,
22:53que estava num momento super consistente dele,
22:57de estar evoluindo, já é o terceiro disco que ele está gravando,
23:00e eu estava gravando o meu primeiro.
23:01Então, a voz não é muito um parâmetro de comparação,
23:04mas a base musical...
23:06A atitude do disco é outra.
23:08Exatamente.
23:08E o conhecimento de causa, de chegar no estúdio e dizer
23:11eu quero chegar nesse lugar,
23:13e aquilo ali, da maneira como aconteceu numa hora abandonada,
23:16e como acontece no...
23:17Aquele salto de conhecimento, de vivência,
23:21ele é fruto de toda a vivência que a gente teve naquele período,
23:24e que isso teria desembocado de uma maneira muito mais gritante
23:27se o Cazuza estivesse no vocal.
23:29Mas, de qualquer forma, era isso que me incomodava,
23:32abandonar tudo aquilo que a gente tinha construído ali.
23:35Eu falei, cara, não pode, isso aqui é muito forte,
23:38é muito consistente para se jogar fora.
23:41Mas eu sabia que tinha uma carência,
23:45a carência de cantor, ela sempre vai existir,
23:47porque se sair um um entra outro, ninguém é igual ao outro.
23:50A não ser que você põe um cover e aí fica patético, é ridículo.
23:52Então, essa nunca seria uma opção.
23:55A opção de ter uma pessoa com um outro cantor,
23:58ela era possível.
24:00Mas a questão de você ter um recado
24:02que não fosse com uma qualidade que vinha antes,
24:07e a gente tinha um grande eletrista,
24:09na minha opinião, o maior eletrista da nossa geração,
24:12temos outros muito bons,
24:14mas, na minha opinião, ele tem uma força
24:17e ele tem uma personalidade assim...
24:20Discutível.
24:22Isso, para mim, era o maior desafio.
24:24Então, quando a gente foi para frente com isso,
24:27depois de decidir que eu seria o cantor,
24:28eu acho que tinha algumas coisas meio óbvias.
24:30Eu era o compositor da maior parte das músicas
24:33e eu fazia música em cima de letra,
24:35então eu cantava aquela música,
24:37até antes dele ter cantado,
24:38era eu quem tinha cantado aquela música,
24:39porque eu tinha feito e mostrava para ele
24:41como era a música que a gente tinha feito.
24:44Por outro lado, o nosso tom de voz,
24:45a nossa região de voz era mais parecida,
24:48mas era próxima,
24:49então isso também não daria tanto um desnível tão grande.
24:53É lógico que ele estava com uma maturidade como intérprete,
24:56que eu demorei muito tempo mais para alcançar,
24:59e ele também já se focava nisso desde sempre,
25:02quando, na verdade, o meu foco era guitarra e compor e tal.
25:05Então, foi um pouco um voo cego,
25:09não foi uma coisa tão consciente.
25:12A consciência em relação ao recado, eu tinha,
25:15porque eu achava que era o elemento que seria mais ausente,
25:18mais discrepante se a gente viesse com um discurso bobo,
25:23cometendo o erro que muitas bandas de rock and roll
25:25da década de 70 cometeram,
25:28que tinham um som muito bom,
25:30mas o papo era furado, era meio fraco,
25:33e aquilo não...
25:34O texto era frágil, o texto era frágil.
25:37Não contagiava, não fazia as pessoas se identificarem aquilo
25:40como uma representação de vida,
25:42e eu acho que a gente tinha isso,
25:44a geração da gente tem isso,
25:46não é o varão só, a geração da gente tem isso.
25:49Acho que se tem uma coisa que o rock dos anos 80 faz,
25:51é trazer para o português uma identificação,
25:54que a música brasileira sempre teve,
25:56mas dentro do rock,
25:57coisa que você tinha,
26:00assim, êxitos pontuais,
26:02você tinha a Rita,
26:02você tinha o Raul,
26:04você tinha o Erasmo,
26:06de uma certa maneira,
26:07até dentro de uma coisa um pouco mais pop,
26:08você tinha o Guilherme,
26:09Arantes,
26:11mas fora isso,
26:12você não tinha um movimento,
26:14você não tinha ainda uma história do rock
26:17dentro da música brasileira
26:18de uma maneira tão consistente.
26:19Eu acho que a geração dos 80
26:21veio para asfaltar isso,
26:22que foi uma geração inteira
26:23que tinha isso como característica.
26:26Então, acho que isso foi a minha preocupação.
26:29E independente disso,
26:30você foi corajoso,
26:31parabéns,
26:32e nós agradecemos muito.
26:33Bom,
26:34graças a Deus,
26:35eu não sabia que estava sendo,
26:36mas ainda bem então que fui.
26:39Você está com um disco novo,
26:40já lançou três faixas,
26:43três músicas,
26:44o lançamento agora vai ser no dia 4 de junho,
26:46estou vendo aqui,
26:47o nome do disco é
26:48Ao Redor do Precipício,
26:50o título é ótimo,
26:51você já lançou
26:53Pergunta Urgente,
26:54e por sinal,
26:56rapaz,
26:57que clipe maravilhoso
26:59dessa música,
27:00cara.
27:00Eu adorei o clipe.
27:03Se você de casa não viu esse clipe,
27:05procure assistir,
27:06e a gente não vai ficar
27:07adiantando o final do clipe,
27:09senão perde o charme.
27:10O clipe é sensacional,
27:12um take só,
27:13um take só.
27:14É,
27:15plano sequência,
27:16plano sequência.
27:17Exatamente,
27:17esse é o grande desafio,
27:19fazer de uma vez só.
27:21É engraçado,
27:22porque você falou
27:23dessa coisa da imagem,
27:25videoclipes são coisas
27:26muito difíceis
27:27de você acertar,
27:29não é sempre que você acerta,
27:30às vezes você pega uma pessoa
27:32com quem você já trabalhou,
27:33que você adora,
27:34às vezes o resultado é bom,
27:36às vezes o outro resultado
27:37não é tão bom.
27:38Eu, por sorte,
27:39agora,
27:40no lançamento desse disco,
27:41consegui acertar
27:43todas as escolhas até agora.
27:44As pessoas que têm feito
27:46os meus lyrics,
27:47que é o pessoal da Vento Estúdio,
27:48têm feito um trabalho maravilhoso,
27:50e o pessoal da Couple of Things,
27:51que foi o que fez
27:52a pergunta urgente,
27:53também teve uma realização
27:54maravilhosa para uma ideia
27:56que a gente bateu bola junto
27:57e deu super certo.
27:59Então,
28:00eu realmente,
28:01dessa vez,
28:02estou conseguindo ter
28:02bons resultados
28:03dentro de um universo
28:04que eu gosto,
28:06mas não necessariamente
28:07domino.
28:08No áudio,
28:09eu estou falando
28:10de igual para igual
28:11com qualquer um,
28:12mas no vídeo não,
28:13no vídeo eu não tenho
28:14essa naturalidade.
28:15Às vezes eu dou sorte
28:17da coisa toda dar certo,
28:18às vezes eu dou
28:19minhas tropeçadas,
28:21porque não conseguiu
28:22ter o controle
28:23ou a consciência
28:25de onde é que estava
28:26saindo do eixo
28:27do que eu gostaria.
28:29Mas tem acertado
28:30muito mais do que errado,
28:31meu amigo,
28:32você tem acertado
28:32muito mais.
28:33Sim,
28:33tem sido bastante
28:34rigoroso comigo
28:35em relação a isso,
28:37muito mais do que
28:37com os outros,
28:38com as pessoas
28:39que estão trabalhando,
28:40tem sido rigoroso comigo
28:41no sentido de escolher
28:42e de direcionar
28:44um pouco mais
28:44para depois
28:45não ficar tentando
28:46ter que consertar
28:47uma coisa
28:48que foi mal compreendida.
28:50Agora,
28:51o disco novo
28:51traz também
28:52Amar Um Pouco Mais.
28:54Amar Um Pouco Mais
28:57me leva
28:58a
28:59Trosby,
28:59Seel,
29:00Nash e Young,
29:00umas coisas assim,
29:02já que a gente
29:03conversou essa conversa.
29:04Tem uma sonoridade
29:05de country
29:06com muitos
29:07violões.
29:09É,
29:10na verdade,
29:11o disco...
29:11As três músicas
29:12têm isso.
29:13Os discos têm
29:15bastante violão.
29:17Engraçado,
29:17curiosamente,
29:18nesse disco,
29:20eu não fiz
29:21os coros,
29:22normalmente nos meus
29:23discos solo todos,
29:24com exceção de uma faixa
29:25ou outra,
29:25eu que faço os backing vocals,
29:27porque eu adoro backing vocals,
29:28justamente por causa
29:29do Cross,
29:29Seas,
29:30Nash & Young
29:30e Beatles
29:31e essa coisa toda.
29:32Então,
29:33a coisa dos vocais,
29:34para mim,
29:34é uma coisa que eu adoro
29:35fazer vocal.
29:36E eu mesmo,
29:37às vezes,
29:37construo as coisas.
29:38Mas nesse disco,
29:39eu acabei tendo
29:40um pessoal que normalmente
29:42canta com a Isa.
29:43São quatro vocalistas
29:45e eles fizeram
29:45um trabalho vocal maravilhoso.
29:47Mas,
29:47por outro lado,
29:48a primeira faixa do disco,
29:50que chama-se
29:51Ao Redor do Precipício,
29:52é uma vinheta instrumental
29:54onde eu faço a minha homenagem
29:55ao David Crosby,
29:56onde eu monto
29:57uma melodia toda
29:59de vocal
30:01agrupado,
30:01assim,
30:02e ela constrói
30:03a melodia dessa vinheta,
30:05que é a faixa
30:05que abre o disco.
30:06Ao Redor do Precipício,
30:07apesar de ser exatamente
30:09o que descreve
30:10um pouco
30:11o momento
30:11que a gente está vivendo
30:12hoje,
30:13porque vivemos,
30:14ela,
30:14o título,
30:15esse disco,
30:16ele terminou
30:17em maio de 2019,
30:19já com o título.
30:21Então,
30:22eu não estou me chamando
30:23de profeta, não.
30:24Eu só dei,
30:25é um acaso
30:26de eu ter posto
30:28o nome do disco
30:28e a gente está vivendo
30:30exatamente essa situação.
30:32Mas era um pouco
30:33como eu me sentia
30:34já desde aquele momento,
30:35assim,
30:36a gente hoje acorda
30:37com esse tipo
30:38de velocidade
30:39que a vida teve
30:40e agora
30:41os motivos
30:42para a gente estar
30:42ao Redor do Precipício
30:43são outros,
30:44mas eu acho
30:44que o dia a dia
30:45que a gente tem
30:46nessa vida contemporânea
30:47é um ao Redor do Precipício
30:49permanente,
30:50porque o tempo todo
30:51você está entre coisas
30:53que você quer fazer,
30:54outras coisas
30:55que não cabem,
30:56que você não consegue fazer,
30:58coisas que você tem,
30:59você fica desesperado
31:00porque estão acontecendo.
31:02Então,
31:02ao Redor do Precipício
31:03tem muito isso.
31:04Pergunta urgente,
31:05que é a primeira música
31:06do disco,
31:07fala muito
31:07dessa questão
31:08de você
31:11querer ser mais
31:12do que um
31:12para o que eu quero fazer.
31:14Você não consegue.
31:15Hoje em dia
31:16a gente tem essa sensação
31:17o tempo todo
31:18de que falta tempo
31:19para a gente realizar
31:20tudo o que a gente
31:21gostaria de fazer.
31:23Eu imagino.
31:25Nosso tempo já está
31:26quase acabando,
31:27mas eu quero voltar
31:28um trabalho
31:29que você fez lá atrás
31:30que eu adorei
31:33porque você agiu
31:34muito mais
31:34como produtor
31:35do que qualquer
31:36outra coisa
31:36que foi
31:37o primeiro
31:38tributo
31:38ao Roberto Carlos.
31:40Cara,
31:41é um disco
31:42muito bem feito,
31:43muito respeitoso
31:45musicalmente
31:45e ao mesmo tempo
31:46muito moderno
31:47para aquele momento.
31:48E até moderno
31:49para a própria carreira
31:50de um cara
31:50que é tão inatingível,
31:52intocável,
31:53um rei Roberto Carlos.
31:55E você
31:55traz ele para o pop,
31:57traz...
31:58Eu acho isso
31:58uma grande sacada
32:00e um dos grandes momentos
32:01da sua carreira
32:02como artista.
32:03É,
32:04na verdade,
32:05eu acho assim,
32:05como realizador,
32:07eu acho que eu tenho crédito.
32:08Acho que a ideia
32:09do projeto
32:10de,
32:11vamos dizer,
32:12trazer o Roberto Carlos
32:14para a voz
32:14de uma geração mais nova
32:16não foi minha,
32:17foi da própria gravadora.
32:18A Sony,
32:19que era a gravadora
32:20do Roberto,
32:21queria fazer uma homenagem
32:22a ele
32:22e ela,
32:23através de uma
32:26ideia conjunta
32:27do Roberto Augusto,
32:28que na época era o presidente,
32:29e do Jorge Davidson,
32:30que era diretor artista,
32:32eles tiveram a ideia
32:33de me convidar
32:33para fazer esse projeto.
32:35Eu nem era artista
32:36da gravadora,
32:37mas eles sabiam
32:37que eu seria uma pessoa
32:39que talvez tivesse
32:39essa possibilidade,
32:40essa capacidade de fazer
32:42e foi um projeto
32:42que me deu uma alegria enorme
32:44porque eu adoro
32:45a obra do Roberto
32:46e do Erasmo
32:47e acho que,
32:48assim,
32:49a gente conseguiu
32:51trazer coisas
32:52muito interessantes,
32:53leituras muito interessantes
32:54para a obra dele.
32:56E artista,
32:57alguns artistas
32:58estavam começando ali,
33:00na verdade,
33:00é proibido
33:01para o Mário,
33:02é o grande
33:03big hit
33:04do Skank,
33:07e você tem ali,
33:08por exemplo,
33:09a primeira música
33:10que tocou
33:10do Chico Sainz
33:11na São Zumbi
33:12no rádio
33:13é Todos Estão Surdos,
33:15até aquele momento
33:16eles já estavam
33:16muito bem falados
33:17dentro da mídia,
33:18mas eles não tinham
33:19tocado em rádio
33:19em nenhum momento,
33:21então tem essas coisas
33:22que me deram
33:22muita alegria,
33:23ao mesmo tempo
33:23eu tive o prazer
33:24de trabalhar
33:25com muita gente
33:25que eu adoro,
33:26Marina,
33:28vou esquecer,
33:29Cássia,
33:30não vou conseguir
33:31lembrar todo mundo
33:32que está no disco,
33:32tinha Blitz,
33:33muita gente
33:34que eu gosto
33:35e que eu tive
33:36o privilégio
33:37de estar trabalhando,
33:38porque de repente
33:39como artista,
33:40uma coisa de varão
33:41junto com eles,
33:43de repente não teria
33:44a possibilidade
33:44de acontecer,
33:45mas eu como produtor
33:46estar produzindo
33:47uma faixa deles,
33:48foi muito bacana,
33:50ao mesmo tempo
33:50para mim
33:51foi muito importante
33:52você ver,
33:53esse projeto
33:54foi em 95,
33:57no final de 99
33:58para 2000
33:59foi quando eu tomei
34:01a decisão
34:01de que eu tinha
34:02já uma vivência
34:03suficiente
34:04para fazer um trabalho
34:05solo,
34:05que eu só vinha fazer
34:06em 2001
34:07porque eu avisei
34:08a banda
34:08em 2000
34:10que eu faria o trabalho
34:11no ano seguinte,
34:12e quando eu constatei
34:14que aquele era
34:14o momento de fazer,
34:15essas experiências
34:16que eu tinha tido
34:17como produtor
34:18nesse projeto,
34:19produzindo Jorge Cabileira,
34:21o dia que seríamos
34:22todos inúteis,
34:23produzindo Os Inocentes,
34:25essas experiências
34:27me deram a certeza
34:28que eu tinha
34:28uma outra coisa
34:30que eu tinha
34:31que fazer separado
34:32justamente
34:33para não implodir
34:34a banda,
34:35porque se eu fosse
34:35forçar essa minha
34:37vivência dentro
34:38da banda,
34:39muitas vezes
34:39isso seria
34:40prepotente,
34:42assim,
34:43espaçoso demais,
34:44então eu achei
34:44que aquele momento
34:45era o momento
34:46de eu fazer
34:46uma coisa minha mesmo.
34:48Nosso tempo
34:49está no final,
34:50lembrando a você
34:51de casa
34:51que você já tem
34:52três músicas
34:53do novo disco
34:54do Frejá
34:55nas redes sociais,
34:56nas plataformas,
34:57vale você buscar
34:59assistir ao clipe
35:00da música
35:00Pergunta Urgente,
35:02que é o nome
35:03da música nova,
35:03eu ainda não decorei,
35:05Pergunta Urgente,
35:06que o clipe
35:06é sensacional,
35:08está rolando por aí,
35:09o disco estreia
35:10dia 4,
35:11e eu quero desejar
35:12para você
35:12um pouco mais
35:14de sucesso,
35:15porque você já tem
35:16muito,
35:16mas você merece
35:17muito mais.
35:18Muito obrigado,
35:18muito obrigado,
35:19querido,
35:19eu fico muito feliz
35:20de ter podido
35:21fazer essa live,
35:22você sabe que é a primeira
35:22live que eu fiz
35:23na minha vida,
35:24estou estreando,
35:25cheguei aqui virgem
35:26hoje.
35:29A sua performance
35:31foi muito boa,
35:32que bom,
35:33que bom,
35:34isso quer dizer
35:35que eu levo
35:35o jeito para a coisa.
35:36Levo o jeito,
35:37tem uns 25 segundos,
35:39um beijo,
35:39um beijo na família,
35:40se cuida,
35:41para todos que estão
35:42ouvindo a gente também,
35:43tudo de bom.
35:45Um abraço,
35:45amanhã de volta
35:46com o Branco Mello
35:47do Titãs,
35:48dia 4,
35:50mês que vem,
35:51novo disco
35:51de Frejá,
35:52perde não,
35:53hein?
35:58Muito bom,
35:58adorei.