- há 6 horas
Produtor musical e jornalista, Edu Henning entrevistou 260 artistas e personalidades culturais durante a quarentena provocada pela pandemia do novo coronavírus. Confira no canal do vocalista da icônica banda Big Beatles lives que abordam desde a trajetória musical a questões curiosas de importantes nomes da música brasileira.
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NotíciasTranscrição
00:12Opa, chegou! E aí, Edu, tudo bem? Que bom, você consegue, eu não sei como é que você tá,
00:20você tá com tripé, você consegue tirar um pouco do teto pra ficar mais enquadradinho aqui,
00:24você tem essa chance aí? Opa, perfeito, Cid, bacana! Você tá bem? Pelo menos um pouquinho melhor, né?
00:33Rapaz, como é que você tá? Saúde tá tranquilo, você tá se cuidando? Tudo bem, Edu, graças a Deus,
00:40prazerzaço estar fazendo esse encontro com você, com os teus amigos, com os nossos amigos, né? Do
00:46mundo, né? Eu não preciso dizer pra você, meu caro Cid, que eu sou seu fã, eu já te disse
00:53isso
00:53pessoalmente, eu gosto muito de você, não só da história que você, junto com Renato, com seus
01:02Blue Caps, não é só a história escrita e cantada. Existem pessoas que carregam uma emoção nos olhos,
01:13carregam uma relação humana que é diferente das demais, e você tem esse tipo de coisa, cara,
01:21você é uma figura que tem uma energia bacana, fico muito honrado de saber que você sabe quem eu sou,
01:28sabe aquele negócio? Pô, esse cara sabe quem eu sou.
01:32Obrigado, Edu, apesar de que você é suspeito, porque você é amigo, você é amigo e é suspeito,
01:36mas de qualquer forma, fico muito feliz. Eu acho que é bom quando a gente consegue, de alguma forma,
01:42passar coisas boas para as pessoas, né? Eu acho que essa é a nossa missão, principalmente nós,
01:48artistas, né? Sempre falo isso, sempre falo que a nossa missão é passar energias positivas no mundo
01:57de tantos problemas, né? Eu acho que a gente veio com uma missão bem especial, que é de entreter as
02:02pessoas, né? Quando a gente consegue passar coisas positivas, acho que já valeu a pena, né? Valeu a pena,
02:09já valeu. É verdade. Cid, você nasce no Rio de Janeiro, Cid Rodrigues Chaves. Cid é o seu nome
02:17mesmo, não é diminutivo, não é apelido, é Cid, C-I-D. Cid. Eu comecei, eu estava no jardim de
02:25infância e C-I-D, eu fui o primeiro da turma lá, dos bunizinhos, escrever o nome. Meus pais foram
02:35muito
02:35legais comigo. Cid. Podia ter colocado Wellington, né? Washington.
02:43Aprendeu a escrever seu nome com muita velocidade. Foi o primeiro da turma.
02:47Super rápido. Cid. Ah, que beleza.
02:51Você nasceu em Campo...
02:53Veja, seria mais complicado, mas Cid, C-I-D.
02:57Você nasceu em Campo Grande? Onde é que você nasceu?
03:00Eu nasci em Campo Grande. Pra mim, o melhor bairro do mundo, porque eu moro até hoje.
03:06Isso é um caso raro, cara, de pessoas. Eu nasci... Eu adoro o meu bairro, entendeu?
03:11Eu nunca consegui sair. Eu saio pra trabalhar. A gente vai pra... Corre o mundo, mas eu volto
03:18pra Campo Grande. Campo Grande é meu bairro.
03:21Cid, como é que foi a música dentro de casa, na sua família? Tinha uma relação com a música
03:27ou a música veio já num outro estágio da sua vida? Como é que é essa relação família e música?
03:34Não veio em outro estágio. Na verdade, a minha casa, até o parabéns, era meio desafinado, né?
03:40Aquela... Cada um no ritmo diferente. Não tinha. Eu não sofri nenhuma influência dos meus pais, nem dos meus irmãos
03:50mais velhos, sabe?
03:51A coisa veio mesmo... Eu comecei a ouvir, entendeu? Coisas e... Eu sempre falo da banda infantil, que foi a
04:01minha primeira relação
04:02com instrumentos, a coisa toda, né? Mais direto com música. E eu ficava assistindo as bandas, assim, eu achava legal
04:10pra caramba, né?
04:11Banda de música, aquela de fazer retreta, né? Então, foi aí que eu comecei. Falei, cara, que isso é legal
04:18pra caramba, entendeu?
04:21Quando você começou a ouvir essas bandas, banda do bairro, banda passando, festinhas, você tem mais ou menos a noção
04:29da idade que você tinha
04:31quando a música te tocou pela primeira vez e você começou a prestar atenção?
04:36Não, olha, se for analisar legal, é... Um pouquinho antes, eu já tinha... Por exemplo, o Jorge Veiga, os mais
04:46jovens, não vão, mas...
04:48Aqueles que estudam, né? Que conhecem um pouco da música popular brasileira, certamente, mesmo que não tenham sido contemporâneo, né?
04:54Mas o Jorge Veiga, ele me fascinava, eu gostava de ouvir o Jorge Veiga, eu tinha mania de...
05:00Nas festinhas, assim, eu imagino, aí, com sete, oito anos, eu tinha mania de ficar...
05:05Ah, vou imitar o Jorge Veiga, não sei o quê. Então, tinha isso. Já a gente ouvia muito, né?
05:10A Rádio Nacional, era uma rádio dos grandes cantores, né?
05:14Enfim, todas as grandes manifestações de música, né? Porque eu tinha muita coisa na Rádio Nacional.
05:19E eu ouvia. Eu sempre gostava das festas que tinha lá, aqueles grupos tocando já também, de diversos ritmos, né?
05:30Desde o chorinho até o... Eu sempre gostei, sabe?
05:34Agora, essa coisa da banda, eu acredito que eu devia ter aí em torno de uns nove, dez anos, quando
05:41eu comecei a ver, sabe?
05:43Tanto que eu acho que com uns dez anos eu já pedi meu pai e ele me colocou na banda.
05:49A banda infantil.
05:51E essa banda infantil, esse universo de banda, banda marcial, bandinha de coreto, é isso que te traz o saxofone.
06:02Exatamente. Aliás, antes do saxofone, porque nessa banda, você tinha...
06:09A gente estudava ali a lição do Bona, né?
06:11E o maestro falava, quando chegar na lição oito, vocês vão pegar um instrumento.
06:16E essa banda, ela predominava muito crianças carentes, sabe?
06:20Meu pai era considerado, nossa, rico, perto da grande maioria, porque meu pai era funcionário público.
06:27Ali, o saláriozinho dele certinho, era considerado um cara, entendeu?
06:31Mas a grande maioria, e eu me incluo aí também, crianças pobres, entendeu?
06:36Só que a grande maioria não tinha a menor condição de comprar um instrumento, sabe?
06:41E o maestro, muito legal o trabalho dele, que ele orientava aos pais que todos os meninos tinham que seguir
06:50o mesmo trânsito ali.
06:52Passou da lição oito, pega um instrumento que tiver vago.
06:56Depois, ele aceitava.
06:59O que tiver vago, quer dizer, você caiu no saxofone por mão de Deus.
07:06Eu caí num trombone.
07:09É.
07:12Trombone de piston.
07:14E quando...
07:15Ah, tá.
07:15É, é, não é o de vara, não.
07:17Quando passou, eu falei pra ele.
07:21E lá tinha coisa da...
07:23Ele tinha como fundamento lá a coisa da hierarquia militar, né?
07:27Então, você entrava com um soldado, né?
07:30E ia, de acordo com o teu aproveitamento, você...
07:36Então, a banda marcial, que era só de calcatambura, coisa, você entrava com um soldado e chegava a cabo ali.
07:44Quando passava pra banda de música, que é quando você pega um instrumento, você já ganhava terceiros sargentos, sabe?
07:51Já começava a ficar bonitinho.
07:54Mas, quando eu passei da licitação 8, ele falou, olha, vou pegar o instrumento.
08:02Eu falei, pô, pois é, eu queria saxofone.
08:03Ele me deu logo um esporro daquele, falou, você não tem que querer, rapaz.
08:09Você tem que pegar o que tiver vago.
08:10E aí, era a coisa da hierarquia, né?
08:12Eu não sei nem qual era a patente dele, era a maior que tinha na perna.
08:15E aí, eu já comecei a ficar com a cara de choro, porque eu falei, pô, eu queria o saxofone.
08:19Ele falou, vamos ver o que tem vago.
08:21Aí, tinha vago no trombone.
08:22Ele falou, é o trombone que você vai pegar.
08:25Aí, depois, ele chamou o meu pai, né?
08:27Até eu não estava presente.
08:29E ele falou, olha, o critério é esse aqui.
08:32Se o senhor tiver a condição de comprar um instrumento, que é o que ele gosta,
08:37vamos dar um tempinho.
08:39E aí, a gente vai passar ele pro instrumento dele.
08:43Mas, aqui, tem que seguir.
08:45O que é a norma pra todos, né?
08:47Entendeu?
08:48Muito legal.
08:49E aí, foi que eu peguei o trombone, fiquei lá durante um tempo, né?
08:53Eu não sei quantos trombonistas tinham, mas eu era o último.
08:56Ficava muito fazendo o tipo, né?
08:58Ele fazia uma reteta, qualquer coisa.
09:01A maioria do tempo, eu ia fingindo que estava tocando.
09:04Não tinha nenhuma afinidade com o trombone.
09:07Mas, ok, durante um tempo, o trombone.
09:09Aí, depois, um tempo.
09:10Aí, seu pai conseguiu comprar o sax, que pra ele deve ter sido um sacrifício,
09:16porque ele é um funcionário público, uma pessoa simples.
09:19Comprou o sax do tamanho que o dinheiro dele dava,
09:22e você começou a aprender o sax.
09:26Quanto tempo você demorou pra dizer assim,
09:29ah, tô tocando legal, tô dominando esse troço aqui chamado saxofone.
09:34Quanto tempo você demorou?
09:35Rapaz, eu não sei.
09:37Eu sei que, dentro desse quadro aí da hierarquia,
09:41eu cheguei a primeiro sargento, que era um posto...
09:45Era a patente máxima que a gente chegava.
09:48Primeiro sargento.
09:50Depois tinha um tal de...
09:51Primeiro sargento foi El, que era um pouquinho mais,
09:53mas primeiro sargento.
09:54Já tinha alguma mordomia, né?
09:56Porque os soldados eram os últimos a entrar no...
10:00Só rapidinho pra...
10:02Quando eu entrei, e a primeira vez que a gente foi fazer uma...
10:06Uma viagenzinha pra fazer retreta, né?
10:09Em algum lugar, tinha os ônibus, né?
10:11E o maestro fazia.
10:12Primeiro pelotão, eram as meninas.
10:14Ele já respeitava, pelo menos ele se dava privilégio às mulheres,
10:17entendeu?
10:18Nessa época.
10:19Aí, primeiro pelotão, as meninas.
10:21Entravam, sentavam.
10:23Aí depois ele falava, primeiro sargento.
10:25Aí os primeiros sargentos.
10:26Segundo sargento.
10:27Terceiro, cabo e soldado.
10:31Primeira vez que eu fiz uma viagem dessa, em pé.
10:35Aí...
10:36Ele chegou um dia no meu ouvido e falou,
10:39tá gostando de andar em pé?
10:41Eu falei, não.
10:42Ele falou, então estuda.
10:44Então estuda.
10:46Ele era inteligente, cara.
10:48Aí também chegou uma vez, a gente fez uma...
10:52Bom...
10:53Nas viagens, nós fazia...
10:56Tocava e depois tinha o famoso lanche, né?
10:58Um lanche legal.
10:58Aí a gente ficava olhando o lanche.
11:00Aí a primeira vez que eu fui participar também,
11:03mesma coisa.
11:04Primeiro pelotão, tal, tal, tal.
11:05Aí quando a gente ia para comer,
11:07só tinha resto.
11:09Aí ele...
11:10Tem quase nada, né?
11:11Eu falei...
11:12É.
11:12Ele falou...
11:13Acha legal?
11:14Eu falei...
11:15Não.
11:16Ele falou, então estuda.
11:17Então realmente ele fazia uma forma de incentivar.
11:20Na prática.
11:20Ele falava, o cara todo mundo tem que passar.
11:22Tá sargento.
11:23Mesmo para andar sentado, né?
11:25No ônibus.
11:25E comer primeiro.
11:27E comer primeiro.
11:29Então é muito legal.
11:31O maestro Rubens...
11:32Maestro Rubens de Farias Neves.
11:34E era da estudantina Campo Grande.
11:37Aí você...
11:38Você da estudantina Campo Grande,
11:41você começa a...
11:43A ter, logicamente, as suas aulas de saxofone,
11:45mas para tocar um tipo de música.
11:48Um segmento musical quase marcial,
11:51as marchas e tudo mais.
11:53Aí você começa a receber uma pancada
11:57que todo aquele jovem da sua geração recebeu naquele momento,
12:00que foi a chegada do rock.
12:02Exatamente.
12:04Os jovens começaram a se identificar com a música.
12:07A música que eles curtiam até então
12:10era a música dos seus pais.
12:12Aquela era uma música daquela geração.
12:15E isso foi impactante na cabeça de vocês.
12:18O que você ouvia ali que chamava a sua atenção,
12:21que foi te jogando para o lado do rock?
12:24Na verdade, através da banda,
12:28dessa banda de música tradicional,
12:32nós formamos um conjunto.
12:34Um conjuntinho, entendeu?
12:37Para começar para cá nas festinhas, entendeu?
12:40A gente chamava muito aquilo de caça-boia, né?
12:41O cara fala,
12:42pô, ali não tem dinheiro, mas tem comida para caramba.
12:44A gente fala, opa, vamos lá.
12:46Entendeu?
12:46Tudo garoto.
12:47E aí foi essa formação, né?
12:50Eu, Zezinho, Paulinho, Gaspar,
12:53todos da banda fizemos um conjunto
12:56e mais tarde deu o início.
13:00Esse conjunto era o Silver Boys, já?
13:04Já, Silver Boys.
13:05Mas não tinha ainda o nome na época.
13:07Começamos a fazer coisinha.
13:09Depois houve sim a coisa de Silver Boys.
13:13Inclusive porque tinha o Golden Boys, entendeu?
13:16Aí um cara que virou empresário.
13:18Nós falamos, pô, acabou de Bosque,
13:19um Silver Boys, enfim.
13:22E aí...
13:23Era você, tinha o Paulinho,
13:25tinha o Zezinho, seus primos.
13:28Depois entrou meu primo.
13:30Depois, meu primo Paulo.
13:31Um outro Paulo.
13:32Aí quando...
13:33Porque a primeira formação dessa banda
13:34era sax, ston, trombone e bateria.
13:39Não tinha nenhum instrumento de harmonia.
13:41Entendeu?
13:41Então nós, sempre que um solava,
13:43o outro ficava fazendo duas vozes
13:44pra dar uma harmoniazinha de duas vozes.
13:47Não tinha.
13:48Depois, aí chegou o Fernando,
13:51o violão elétrico,
13:53violão elétrico,
13:54que depois foi a guitarra.
13:56O meu primo Paulo,
13:58depois chegou a contrabaixo, entendeu?
14:00Aí já ficou...
14:02A coisa ficou bem mais redonda, né?
14:04E nós participamos...
14:06Aí, bom...
14:08Nós fazíamos baile.
14:10Já a primeira glança,
14:11mesmo com trombone,
14:12que estamos fazendo baile.
14:14Depois,
14:15fomos enriquecendo
14:17e foi chegando...
14:18Aí sim,
14:18você falou o negócio do rock.
14:20O rock foi chegando.
14:22A gente tava começando a ouvir,
14:23caraca,
14:24Little Richard,
14:25Bill Halley,
14:27atatá,
14:27uh, legal, legal,
14:29papá, papá,
14:29entendeu?
14:30E...
14:32Tinha um programa na época
14:34que todo mundo passou por ali,
14:36que era o
14:36Hoje é Dia de Rock.
14:38Né?
14:39Carlos Imperial.
14:41Renato Seulic.
14:42Não,
14:42Hoje é Dia de Rock não era do
14:43Carlos Imperial,
14:44era do Jair de Itaumaturgo.
14:46Ah, Jair de Itaumaturgo.
14:48Isso.
14:48Rádio Marim que veio.
14:49Então, nós participamos
14:52do Hoje é Dia de Rock
14:55com o rock ao vivo.
14:57A mesma coisa,
14:58essa história nossa é muito parecida
14:59com a do Renato Seulic.
15:01Do Senhor de Boas,
15:02muito parecido.
15:02A gente foi fazer rock ao vivo
15:04e na época moda mesmo,
15:06a coquelucha era fazer dublagem,
15:08mímica, né?
15:09Nós fomos fazer rock ao vivo.
15:11E fizemos,
15:12nos demos bem,
15:12concorremos,
15:13inclusive,
15:13com o Getúlio Cortes,
15:15logo depois,
15:15veio fazer parte da nossa história também,
15:18grande Getúlio Cortes.
15:20E...
15:20E aí...
15:22ganhamos,
15:23coisa e tal,
15:24lá, entendeu?
15:24Tiramos em primeiro lugar,
15:25depois com concorrer melhores do mês.
15:27Aí,
15:28tudo isso com Silver e Boas, né?
15:30Silver e Boas começou,
15:32opa...
15:33Mas no momento que Silver e Boas
15:35estava se preparando já
15:36para fazer a primeira gravação,
15:38os primeiros convites,
15:40foi nesse momento
15:41que surgiu o convite
15:43para que eu participasse
15:45de uma banda
15:46que o Roberto estava em formação, né?
15:49Tinha o Walter Silva,
15:50que é clássico,
15:53violão de sete cordas aí,
15:54o Walter Silva,
15:55mestre Walter,
15:56que nessa época
15:57ele foi tocar contrabaixo
15:59nessa banda,
16:00ele falou,
16:00Cid, o Roberto está precisando
16:01de um saxofonista
16:02e coisa e tal,
16:03que não quer não?
16:03Eu falei,
16:04pô,
16:04um larga,
16:05eu falei...
16:06Roberto,
16:07Roberto que você está falando,
16:08Cid,
16:08é aquele menino lá de Cachoeira.
16:11Exatamente.
16:12É o menino de Cachoeira,
16:14que ele formou uma banda
16:16e eu tive esse privilégio
16:19de participar desse início, né?
16:21Uma história fantástica,
16:23muita coisa,
16:24muito legal,
16:26participei.
16:26Aí você chega a sair
16:28do Silver Boys
16:29para ir tocar
16:30com o Roberto Carlos?
16:31Sim.
16:33Não estava dando
16:33para conciliar
16:34as duas coisas.
16:36No início,
16:36eu fiquei fazendo
16:37papá,
16:38mas, na verdade,
16:39depois de um tempo,
16:40eu falei,
16:41pô,
16:42melhor vocês caminharem, né?
16:43E eu sempre torcendo,
16:44porque eles viviam
16:45na minha casa,
16:46a gente vivia muito junto
16:47o Silver Boys, sabe?
16:48Era sempre um torcendo
16:49pelo outro, sabe?
16:50Eu nunca deixei de ser
16:52um pouquinho o Silver Boys.
16:54Então,
16:55fui trabalhar com o Roberto,
16:59eu sempre conto isso,
17:01que apesar das pessoas
17:02terem um pouco de
17:03como é que pode o Roberto,
17:04não deu certo,
17:05eu falei,
17:05não, realmente,
17:06a coisa não aconteceu.
17:08O Roberto formou essa banda
17:09por causa de uma turnê, né?
17:11Que ele ia fazer,
17:12enfim,
17:13mas no final,
17:14a tal turnê
17:15não deu certo,
17:16não aconteceu.
17:18E o Roberto,
17:20ele falou,
17:21pô,
17:21Cidinho,
17:22acho que não vai dar mais
17:22para ficar.
17:23Ele falou,
17:23pô,
17:23se quiser eu dou um toque
17:24lá para o pessoal do Renato,
17:25porque eu,
17:27quando quero fazer show,
17:29eu faço com eles,
17:30coisa e tal.
17:31Aí,
17:32só que aí tem uma historinha
17:33antes, né?
17:34Que,
17:35na banda do Roberto,
17:36o Gelson,
17:38Gelson,
17:39que veio a ser baterista
17:40nosso,
17:41Gelson já conhecia
17:42o Renato,
17:42o Gelson já tinha participado,
17:44mas estava lá
17:44na banda do Roberto.
17:45E o Gelson foi,
17:47ele que fez o teste,
17:49o teste para ver
17:50se eu passava lá,
17:51para eu tocar lá,
17:53e o Gelson que ia fazer
17:54a avaliação.
17:55E ele me aprovou.
17:58Depois que eu já estava lá,
17:59a banda tinha eu,
18:00tinha o Gelson,
18:00tinha o Lafayette,
18:01o Lafayette tocava também,
18:03né?
18:04O Walter Silva
18:05e o Geraldo.
18:07E aí,
18:08um dia,
18:08o Gelson falou,
18:09pô, cara,
18:10pintou um convite
18:10para fazer um baile
18:12em Angra dos Reis.
18:15Aí ele falou,
18:16pô,
18:17aceitou.
18:18Eu falei,
18:19tudo bem,
18:19mas qual banda?
18:20Ele falou,
18:20não sei,
18:20vou formar uma banda aí,
18:21você está afim de ir?
18:22Eu falei,
18:22ué, vou.
18:24Aí,
18:25falou,
18:25então,
18:26onde já estava,
18:26vamos nos encontrar
18:27na rodoviária,
18:28né?
18:29Aí,
18:29vamos lá,
18:30tudo bom.
18:31Na rodoviária,
18:32a banda foi apresentada.
18:34Ninguém,
18:34quase ninguém conhecia ninguém.
18:36O Gelson conhecia a todos,
18:37né?
18:38Esse aqui é fulano,
18:39ou foi um prazer,
18:40ou foi um prazer.
18:41E nesse lance estava o Paulo César,
18:44Paulo César Barros,
18:46irmão do Renato.
18:46Irmão do Renato,
18:48um dos fundadores do Renato
18:49e seus Blue Caps.
18:51Exatamente.
18:52Aí o César,
18:53a gente começou a ter papo,
18:55aí pintou logo
18:56uma grande afinidade,
18:57né?
18:57O César é um cara espetacular,
18:59um papo divertido.
19:01Como música,
19:02não precisa falar.
19:03Aí é,
19:04fora de série.
19:06Mas o César começou a bater papo
19:08e de repente ele falou,
19:09pô, cara,
19:10o Roberto Simonal
19:12anda subindo,
19:13acho que ele não vai querer
19:14mais ficar com a gente,
19:15o Simonal tocava
19:16com o Renato,
19:17e eu falei que era.
19:18Aí ele falou,
19:19tu não tá afim não
19:19de ir pra lá?
19:20Eu falei,
19:21cara,
19:21pô,
19:22isso seria uma honra,
19:23mas eu falei,
19:24eu tô com o Roberto,
19:25eu fico meio sem graça.
19:27Aí pronto,
19:27a gente vai o papo de novo,
19:29adiante, né?
19:30Quando o Roberto falou,
19:31aí eu falei,
19:32pô, Roberto,
19:32o César me chamou,
19:34me convidou,
19:35já que você tá falando,
19:36então pode dar um toque.
19:38Vou pra lá.
19:39Certo, né?
19:40Foi assim que eu entrei,
19:41né?
19:42Olha só,
19:43em 1960 você começa
19:45com The Silver Boys,
19:46em 1963 você entra
19:49pro Renato e seus Blue Caps,
19:51que já tinha,
19:52salvo engano,
19:53dois discos gravados,
19:54você entra já no terceiro,
19:55mais emblemático disco
19:57do Renato e seus Blue Caps.
19:59Mas o Erasmo Carlos,
20:02curiosidade,
20:03você entra como saxofonista,
20:05perfeito?
20:06Você passou um bom período
20:07no Renato e seus Blue Caps,
20:09fazendo parte
20:10do grupo que só tocava,
20:13não cantava.
20:14O Erasmo,
20:15o Erasmo,
20:16você chegou a cruzar
20:18com o Erasmo no Renato?
20:20Vocês tocaram juntos
20:21ou ele já tinha saído?
20:23O Erasmo,
20:24quando eu entrei,
20:27logo depois,
20:29a gente foi fazer
20:30um compacto,
20:31quer dizer,
20:32assinamos com a CBS,
20:33eu entrei nesse momento,
20:35a banda assinou com a CBS,
20:37a CBS fez um compacto,
20:38né?
20:40Que praticamente
20:41era quase todo,
20:42a base mesmo,
20:44era instrumental a coisa,
20:45né?
20:46A voz ali era mais
20:47um complemento,
20:48um detalhe, né?
20:49E,
20:51depois do,
20:52nesse compacto,
20:54eu já,
20:54já encontrei o Erasmo,
20:56o Erasmo já estava
20:57de saída da banda,
20:58mas ele estava
20:59indo muito ali,
21:00entendeu?
21:03Fazendo a gente,
21:03algumas convocagem
21:05com a gente,
21:05entendeu?
21:06Inclusive,
21:07no primeiro LP,
21:08foi logo em seguida,
21:09né?
21:09A gente gravou o compacto
21:10e logo em seguida o LP,
21:11Viva a Juventude,
21:12né?
21:14Desculpe,
21:15eu posso estar errado,
21:16mas talvez tenha sido
21:17o disco mais importante
21:19da história do Renato
21:20Seus Blue Caps.
21:21Não,
21:22você tem razão,
21:23vamos assim,
21:25muita gente fala
21:26no embalo,
21:26né?
21:27Eu acho que o embalo...
21:29Mas o lance
21:30do Viva a Juventude
21:32é que ali,
21:33dentro do Viva a Juventude,
21:35estava o Menina Linda.
21:40Não tenho o que falar mais,
21:41né?
21:42Menina Linda...
21:43Deixa eu ver,
21:44eu estou quietinho aqui,
21:45que eu sou suspeito.
21:48Agora você,
21:49cara,
21:49você está me deixando,
21:50porque eu agora
21:52estou aprendendo
21:53bastante coisa com você,
21:54porque tem coisa
21:54que eu já estava
21:55no datas aí,
21:56eu falei,
21:56caralho,
21:56foi isso mesmo?
21:57É,
21:58em 64,
21:59em 64 você entrou
22:01no Renato Seus Blue Caps,
22:03em 65 você gravou
22:06Viva a Juventude,
22:07que já era
22:07o primeiro disco,
22:08mas era o terceiro disco
22:10do grupo,
22:10o primeiro LP,
22:11e dali foi,
22:13em 66,
22:14outro momento importantíssimo
22:16da vida do rock no Brasil,
22:18que vocês estavam lá
22:19metidos dentro,
22:20o filme
22:20Na Onda do Iêêê,
22:22esse filme foi importantíssimo
22:24em 66.
22:26Foi.
22:26Agora,
22:27o mais importante
22:29que eu quero entender,
22:30e você vai abrir
22:31um coração comigo,
22:32em 69,
22:34você passa
22:35a ser vocalista,
22:37também,
22:38do Renato Seus Blue Caps.
22:39Eu quero entender
22:40como é que você
22:42chega ao vocal,
22:44o que foi acontecendo
22:46que te levou
22:47ao microfone?
22:48Deve ter motivo,
22:49deve ter motivo,
22:50sim.
22:50primeiro é que eu sou
22:54um privilegiado
22:55por estar junto
22:58de caras fantásticos.
23:01Eu cheguei,
23:02sabe aonde?
23:03Eu cheguei em piedade,
23:05morar em Campo Grande,
23:07em piedade eu cheguei
23:08para me juntar
23:10à família Barros,
23:12ou seja,
23:15Renato Barros,
23:17Ed Wilson
23:17e Paulo César Barro.
23:20Quer dizer,
23:21isso aí,
23:21cara,
23:23é uma faculdade,
23:24cara,
23:25então você pergunta,
23:25como é que você
23:26do saxo passa?
23:27Eu falei,
23:27cara,
23:28eu estava ali junto
23:28de caras fantásticos,
23:30entendeu?
23:32E,
23:34pá,
23:35toda hora,
23:36o campo era um negócio,
23:37entendeu?
23:37Até porque a mãe do Renato,
23:39ela foi cantora,
23:41né,
23:42da Rádio Nacional,
23:43entendeu?
23:44Seu Barros,
23:45pai do Renato,
23:45era ator.
23:46tudo que eu falei aqui na minha casa,
23:48ali na casa do Renato,
23:49essa aí,
23:50ali era arte o tempo todo,
23:52entendeu?
23:53Então,
23:53eu acho que foi isso,
23:54a gente ficava ali o tempo todo
23:55cantando de brincadeira.
23:57Quando,
23:58já no primeiro compacto,
24:00eu falei,
24:01não era prioridade cantar,
24:02mas tínhamos ali
24:04o Bigurrilho,
24:06depois no intervalo,
24:07lá em casa tem o Bigurrilho,
24:09todo mundo cantando,
24:10entendeu?
24:11O que mais que a gente cantou?
24:13Vera Lúcia também foi,
24:16tinha também,
24:17Vera Lúcia.
24:18Então,
24:19e no primeiro LP,
24:22eu tocava muito,
24:23mais a participação tocando,
24:25mas tinha sempre música,
24:27a gente cantava em um nisso,
24:28nos três,
24:29entendeu?
24:29E eu ali,
24:30só pegando carona,
24:32entendeu?
24:32O Renato e o César já estavam lá,
24:34juntos cantando,
24:35eu fui pegando,
24:36fui pegando,
24:36fui cantando,
24:37fui cantando,
24:38né?
24:39Em 69,
24:40o que ocorreu
24:41foi que o César,
24:43em 68,
24:44o César saiu
24:44para fazer carreira solo,
24:46né?
24:47E aí nós ficamos realmente
24:49nesse primeiro disco,
24:51aliás,
24:51foi na,
24:52a primeira participação
24:53foi no,
24:54nas 14 e mais,
24:56saiu,
24:57a gente gravava
24:58duas músicas,
24:59você sabe disso,
25:00duas músicas sempre
25:01nas 14 e mais,
25:02então foram as primeiras músicas
25:04que fizemos,
25:06eu e o Renato,
25:07e a gente falou,
25:07pô, o timbrou legal,
25:08aí já fomos para o LP,
25:10já,
25:12respondendo a tua pergunta,
25:13foi aí que eu comecei
25:14a ficar realmente cantando
25:16mais e deixando o sax,
25:18né?
25:19Fiquei mais cantando mesmo,
25:20fiquei mais vocalista
25:21do que instrumentista,
25:23no caso,
25:24como saxofonista.
25:25Agora,
25:26tem alguns pontos
25:27que a gente poderia tocar,
25:29não são delicados para você,
25:31porque você é o cara
25:33que cresceu
25:35protegido pela arte,
25:37que isso dá
25:38uma certa proteção.
25:39Mas hoje,
25:40por exemplo,
25:41nós tivemos
25:43mais uma cena
25:44de violência
25:45contra negros
25:46no Brasil,
25:47nós estamos
25:48com o mundo
25:49mudando cada dia mais,
25:50que a gente,
25:51um racismo
25:52que a gente tem
25:52que destruir,
25:53acabar,
25:54enterrar,
25:54afogar
25:55e terminar
25:56com essa história.
25:57E eu fico imaginando,
25:58te ouvindo,
25:59que você deve
26:00ter
26:02conseguido vencer
26:03algumas barreiras
26:04num universo
26:05do rock branco,
26:06num universo
26:07do Brasil
26:08racista,
26:10um negro,
26:11cantor,
26:12saxofonista,
26:13numa banda
26:13de visibilidade,
26:16e que só tinha
26:17uma vontade,
26:18fazer uma coisa,
26:19cantar e ganhar um troco,
26:22tocar e ganhar um dinheirinho.
26:24Você não tinha
26:24nenhuma responsabilidade
26:25com,
26:26vou mudar esse país,
26:28eu não sou,
26:28não é isso
26:29que eu estou querendo dizer,
26:29eu estou dizendo que
26:30você deve ter sofrido
26:32preconceito
26:33desse universo
26:33rock e roll branco.
26:35É claro,
26:37eu até,
26:38rapaz,
26:38eu sempre fico fazendo
26:39uma reflexão
26:40sobre isso aí,
26:42aliás,
26:43cara,
26:43você tocou
26:43num ponto aí,
26:45a gente está sorrindo,
26:47mas,
26:48por dentro,
26:49não só
26:51nós
26:52fazemos parte
26:54dessa comunidade
26:55negra do Brasil,
26:56mas eu acho que
26:58todas as pessoas
26:59de bem
27:00estão hoje
27:02mais um pouquinho
27:03destruídas,
27:03né,
27:04cara,
27:04porque
27:06a gente quando pensa
27:07que não,
27:07não,
27:08não vai acontecer
27:09mais isso,
27:10né?
27:11Acontece.
27:12Acontece,
27:12né,
27:13ali,
27:14estava até vendo
27:15o nome do rapaz,
27:16Nego Beto,
27:18quer dizer,
27:19aí vai ter,
27:20eu sei que tem pessoas
27:21que vão falar,
27:22mas ele,
27:22eu não sei o que ele fez,
27:24não sei o motivo,
27:25isso não pode
27:26acontecer mais,
27:27cara.
27:27Não,
27:28não justifica
27:29absolutamente nada.
27:30nada justifica,
27:32entendeu?
27:33Nada justifica.
27:34E parece até
27:35que foi feito,
27:36parece que amanhã
27:38é o dia do feriado,
27:40com a ciência negra,
27:41vamos aprontar uma hoje
27:42que é para chocar,
27:44né,
27:44cara?
27:45Porque
27:46poderia ser
27:47um rapaz branco,
27:49amarelo,
27:50não importa,
27:50isso não se pode
27:52admitir de quem,
27:53nenhum ser humano,
27:55mas essa coisa
27:56se repete
27:57muito,
27:58muito,
27:59muito mais,
27:59a gente sabe disso,
28:01com os negros,
28:02né,
28:02cara?
28:03E a gente
28:04fica triste,
28:05porque a gente
28:06está conseguindo
28:07alguns avanços,
28:07né,
28:08eu estou vendo
28:08uma nova geração aí,
28:10cara,
28:11eu fico tão feliz,
28:12sabe,
28:13de ver
28:13o processo
28:16avançando,
28:16né,
28:18e aí
28:19pinta assim,
28:20mas eu não quero
28:20considerar isso
28:21como retrocesso,
28:22cara,
28:22eu acho que a gente
28:23tem que,
28:24vamos continuar,
28:25sabe?
28:26É um tropeço,
28:27é um tropeço,
28:28não é um retrocesso.
28:29Exatamente,
28:30entendeu?
28:30Até porque isso é
28:31uma luta de todas
28:32as raças,
28:33cara,
28:33eu acho que agora sim
28:34a coisa está ficando
28:36bonita,
28:36por isso aí
28:37todas as pessoas
28:38de bem
28:40estão se revoltando
28:41contra esse tipo
28:41de ação,
28:42sabe?
28:43Não é mais uma coisa
28:44só do negro ficar
28:45ele lutando
28:46não,
28:47as pessoas de bem,
28:48entendeu?
28:49De bom senso,
28:50estão...
28:51Eu tive um amigo
28:52que conversou comigo
28:53ontem,
28:54ontem ele falou assim,
28:55a gente não tem que ser
28:59não ser a favor
29:01do racismo,
29:02nós temos que ser contra,
29:03não temos que nos posicionar,
29:05nós temos que gritar,
29:05isso está errado,
29:06cara,
29:07você não pode ser assim
29:08com essa senhora,
29:09não pode ser assim
29:10no ônibus,
29:10não pode ser assim
29:11no metrô,
29:12com o vendedor,
29:13com ninguém,
29:15cara,
29:15temos que mudar
29:16essa coisa,
29:16isso está certíssimo.
29:18Porque,
29:18é,
29:20existe situações
29:21que o tal do preconceito,
29:22cara,
29:22para qualquer situação
29:23é terrível,
29:25eu estava há pouco
29:26conversando com uma amiga
29:28minha,
29:29e ela falando,
29:31é,
29:32o problema que ela está
29:33tendo com
29:33uma netinha,
29:35coisa e tal,
29:36o problema de uma criança
29:36especial,
29:37papapá,
29:38papapá,
29:39entendeu?
29:39é,
29:40é,
29:40é,
29:40há pouco também,
29:42é,
29:43uma amiga nossa
29:44falando sobre um outro
29:45problema,
29:45que um amigo nosso
29:46também está passando,
29:48uma netinha também,
29:49sendo uma criança especial,
29:51então,
29:52é,
29:52esse tipo de coisa,
29:54sabe,
29:55não se,
29:55não se,
29:56não se admite mais isso,
29:57eu só estou dizendo o seguinte,
29:59é que,
30:00a do negro
30:00é uma coisa muito antiga,
30:02muito dolorida,
30:03né,
30:03entendeu?
30:05E,
30:05quando uma pessoa,
30:07é,
30:08seja da cor,
30:09ou branca,
30:10amarela,
30:11fofa esse tipo,
30:12ele dá para se sentir
30:12um pouquinho como é,
30:13então,
30:14não se pode admitir
30:15nenhuma forma de preconceito,
30:17nenhuma,
30:18entendeu?
30:19Nenhuma.
30:19Eu acho,
30:19estou falando,
30:20que eu estou achando
30:21que está muito legal agora,
30:22não é uma coisa do negro
30:23falar que,
30:24não,
30:24toda a população,
30:26todo o mundo está
30:27se posicionando agora
30:29de uma forma,
30:30sendo que,
30:30é claro,
30:31para nós negros,
30:32a gente sente,
30:33por exemplo,
30:33o caso desse rapaz,
30:34é como se fosse chutando
30:36a um de nós,
30:37né,
30:37entendeu?
30:38Então,
30:38eu me vi ali,
30:39eu falei,
30:39cara,
30:39podia ser meu filho,
30:41entendeu?
30:41Poderia ser meu filho,
30:43porque está ali,
30:44está entendendo?
30:45Ah,
30:45mas ele não importa,
30:46eu não quero saber
30:47o que o cara tem,
30:49mas,
30:49não,
30:49não desculpa,
30:50não desculpa.
30:51Não é assim,
30:53hoje é um problema,
30:54né?
30:55Essa,
30:55essa pandemia,
30:58nos levou muita gente bacana,
31:01levou o Renato,
31:03num momento em que a gente,
31:05muitos de vocês,
31:06mais próximos do que eu,
31:08eu vinha conversando com o Renato
31:10para que ele fizesse uma live comigo,
31:12ele estava com certa,
31:15temia não acertar tecnicamente,
31:18a gente estava envolvendo a filha dele,
31:21e aí a gente,
31:22de repente,
31:23levou esse chute na boca do estômago
31:26da perda do Renato.
31:29Vocês mais próximos,
31:31você principalmente,
31:33fiel escudeiro,
31:35fazer uma dupla imbatível,
31:37você deve ter levado uma pancada muito grande,
31:43e equilibrar isso emocionalmente
31:47num momento tão difícil para todos nós,
31:49porque estamos todos mais sensíveis
31:52com essa história
31:53de ficar trancado em casa,
31:55não poder ter uma vida normal,
31:56e chegar a uma informação dessa,
31:58você perder um grande irmão,
32:00um grande amigo,
32:01você teve que encontrar
32:03um processo emocional
32:05de equilíbrio
32:06muito grande,
32:07não é, Cinti?
32:09Deixa eu só dar uma voltinha aqui
32:12para você ver.
32:15você sabe,
32:16era como eu sou
32:17com muito orgulho suburbano,
32:21já na época,
32:23a coisa era muito mais distante ainda,
32:24culturalmente falando,
32:27eu fui recebido
32:30na casa do
32:31seu Barros,
32:33primeiro na casa do Roberto,
32:35eu estou falando com alguns privilégios
32:37que talvez eu tenha tido,
32:38por isso que não se pode colocar uma posição,
32:40eu tenho que ter muito cuidado,
32:41porque eu fui recebido
32:43de braços abertos
32:44na casa do Roberto,
32:46entendeu?
32:47O Dona Laura
32:47e o Silvio Robertinho,
32:50eles me abraçaram,
32:51me acolheram,
32:51era um garoto,
32:52entendeu?
32:53Eu cheguei lá,
32:55independente do carinho do Roberto,
32:58negão,
33:00eu não senti,
33:02entendeu?
33:02Então está entendendo?
33:03Como eu cheguei ali,
33:04eu cheguei,
33:05um cara para tocar sax,
33:07ele não tinha um olhar qualquer,
33:09diferente.
33:10Na casa do Renato,
33:11cara,
33:12os pais do Renato
33:13me receberam.
33:16Então,
33:17eu voltei um pouco para falar,
33:19para você,
33:19falou,
33:19como é que você,
33:20realmente eu fui,
33:21eu fui um privilegiado,
33:23porque a história não foi assim,
33:24para a grande maioria,
33:25não foi,
33:26os negros,
33:27jovens como eu,
33:28nem todos tiveram esse privilégio.
33:31Eu tive.
33:31Com certeza.
33:34Mas se você lembrar o que eu falei agora há pouco,
33:37eu falei assim,
33:37você foi protegido pela arte,
33:41porque a arte protege um pouco mais o negro no Brasil.
33:46Então ele é recebido,
33:48ele é visto,
33:49ele,
33:50agora,
33:50o negro funcionário público,
33:53motorista,
33:55vendedor esse,
33:56no Brasil,
33:57sempre foi tratado de forma muito ruim,
34:00e que nós sabemos que está mudando,
34:02graças a Deus,
34:03e eu acho que você colocou muito bem agora.
34:05Eu tive a oportunidade de ver os olhares das pessoas,
34:10mas eu tinha uma filosofia minha,
34:11aí era coisa minha.
34:13Eu quando era bem nenenzinho,
34:15bem fui crescendo,
34:16crescendo,
34:16a primeira pessoa que eu vi me beijando muito
34:18era a minha mãe,
34:18que minha mãe era branca,
34:19era de pele branca.
34:21E na minha família,
34:23os almoços,
34:24assim,
34:24de domingo,
34:25minha mãe falava assim,
34:26vamos almoçar na casa de Maria Branca,
34:28e depois ela falava,
34:30a semana que vem vamos almoçar na casa de Maria Preta,
34:32que era a maior tautinha.
34:34Então,
34:35eu cresci muito nisso,
34:36mas o primeiro afago que eu senti,
34:38que eu olhei,
34:39falei,
34:39era uma pessoa.
34:39Então eu não vi essa diferença,
34:41de forma muito brutal,
34:43sabe,
34:43muito violenta.
34:44Perfeito.
34:44Da mãe.
34:46Mas,
34:46o que eu estou falando,
34:47já na fase adolescente,
34:49quando você via alguma coisa,
34:51eu sempre aprendi o seguinte,
34:53cara,
34:53se aquela pessoa não gosta de mim,
34:56porque eu sou negro,
34:57eu prefiro ver quem é que gosta de mim,
34:59sendo negro.
35:01Então,
35:01eu fui ter um círculo de amigos,
35:04eu filtrava,
35:04mas no automático,
35:05eu falava,
35:06cara,
35:06ali não está muito bem-vindo.
35:07Então,
35:07eu vou para cá.
35:09Entendeu?
35:10Então,
35:10sempre tive a minha volta
35:12pessoas que eu tinha certeza
35:14que gostavam muito de mim.
35:16Tenho certeza.
35:17O Renato,
35:18que você falou aí,
35:20cara,
35:22foram 57 anos
35:23de convívio,
35:24não é?
35:25Me interrumpa.
35:27Quando aconteceu
35:29o fato,
35:32eu pensei assim,
35:33perdi,
35:34perdi um parceiro,
35:36perdi um amigo,
35:37mas está tudo certo.
35:38a vida segue.
35:39Ele era espírita,
35:41eu sou espírita,
35:42está tudo certão.
35:43Ele é espírita,
35:44vamos falar assim,
35:45ele é espírita,
35:46a gente acredita
35:47que isso aqui
35:47é só uma passagem.
35:49Nós estamos igualzinhos,
35:50então vai ter grande impacto.
35:54no dia que eu fui participar
35:55da live dos Feveres,
35:58cara,
36:00eu fui relax,
36:01vou participar,
36:02legal.
36:03Quando o Luiz Cláudio
36:06chamou,
36:08eu fui criando,
36:10e ali,
36:10cara,
36:11foi uma coisa que
36:11eu juro a você
36:13que eu nunca pensei,
36:15eu nunca pensei
36:16que eu senti tanta falta.
36:19Então,
36:20é você,
36:21para mim,
36:22hoje você classificar
36:22como é que você está,
36:23como é que vai ser,
36:24eu realmente não sei.
36:26Eu sei que eu estou
36:27muito bem cercado,
36:28sabe?
36:28Muito bem.
36:29É.
36:31Os colegas...
36:32Mas olha só,
36:33o Luiz Carline,
36:35Luiz Carline,
36:36guitarrista,
36:39mandou um enorme beijo
36:40para você.
36:41Hoje,
36:42antes de começar a live,
36:43ele me ligou,
36:44a gente conversou,
36:45ele mandou um recado aqui,
36:46e ele perguntou para você
36:49como é que está
36:50a adaptação
36:51do chileno,
36:53que é amigo dele também,
36:55e ele...
36:56se está tudo bem,
36:57se está tudo encaixando.
36:59Aquela conversa
37:00do guitarrista,
37:01pergunta para mim
37:01se o chileno está bem.
37:03Não,
37:04o chileno está muito bem,
37:05rapaz.
37:06Aliás,
37:06se você me permite,
37:09eu quero aqui
37:11mandar um abraço
37:13para essa legião
37:14de pessoas
37:15que estão nos assistindo.
37:17É um abraço
37:18de todos os integrantes
37:20da banda.
37:21Abraço do Gelsinho.
37:22Gelsinho Moraes,
37:24que é filho do Gelsão,
37:26Gelsinho está tendo
37:27uma participação
37:28muito importante
37:29com a gente agora.
37:30Eu falo assim,
37:32você é o diretor,
37:34diretor musical,
37:35entendeu?
37:35O cara é empenhado
37:37em fazer cada vez mais
37:39a gente unir o grupo,
37:41sabe?
37:43O Darcy Velasco,
37:44que é o gauchão,
37:45Darcy,
37:46que também está com a gente
37:48já há mais de 30 anos,
37:49entendeu?
37:51É Bruno Samson,
37:54um menino maravilhoso,
37:56um menino que chegou até nós
37:57como técnico,
37:59entendeu?
38:00Como técnico.
38:01e de repente,
38:02quando o nosso querido
38:03Amadeu,
38:04senhoré,
38:05Amadeu,
38:07foi cuidar dos seus negócios,
38:09que estavam crescendo demais,
38:10dependia muito dele,
38:12graças a Deus,
38:12um cara sensacional,
38:14um bluecap eterno,
38:16Amadeu senhoré.
38:17E aí,
38:18o Renato foi comentar com o Bruno,
38:22a gente,
38:23o Amadeu,
38:25o papá,
38:26vamos ver como é que a gente vai fazer
38:27o trabalho,
38:27ele falou,
38:28eu faço.
38:29Aí ele falou,
38:29peraí,
38:30ele falou,
38:30eu faço.
38:32E fez brilhantemente,
38:35está fazendo brilhantemente já,
38:36há alguns anos com a gente,
38:38o Bruno Samson.
38:40Agora,
38:40isso é um cara sensacional,
38:43dando todo o suporte para a gente,
38:44também lá no seu estúdio,
38:45entendeu?
38:46A gente está lá toda semana,
38:49ensaiando,
38:49fazendo coisas lá com ele.
38:51E quem mais?
38:53E o chileno?
38:54O chileno chegou agora,
38:55há pouco tempo.
38:56O chileno,
38:58já há alguns anos atrás,
39:00o Renato,
39:02sabe?
39:03Escolheu o chileno
39:04para que o substituísse
39:06em um ou dois eventos
39:08que ele não poderia fazer.
39:09Entendeu?
39:10Ele ensagou o chileno
39:11para tocar e para cantar.
39:13Entendeu?
39:14E o chileno
39:17correspondeu na época
39:18muito bem,
39:18entendeu?
39:19E tanto que depois
39:20o Renato precisou
39:23algum problema
39:24na mão das mãos.
39:26Aí ele falou,
39:26chileno,
39:27vamos fazer guitarra aqui comigo.
39:29Aí o chileno
39:30viajou com a gente
39:31para mais de 12 shows.
39:33Então agora,
39:34quando aconteceu,
39:35eu ia conversando
39:36com a Erika,
39:37aliás,
39:38um beijo carinhoso
39:39para essas guerreiras,
39:40essas meninas,
39:41Erika,
39:41Renata,
39:43vamos fazer um
39:44elas estão juntas
39:45com a gente.
39:45Estão juntas com a gente.
39:47Por isso que agora
39:48a família Renata
39:48e o senhor
39:48são todos vocês
39:50que estão aí do outro lado,
39:51todos,
39:52e junto com a gente
39:54a Renata e a Erika.
39:55E, então,
39:57o que eu estava falando?
39:59Papapá,
39:59coisa do...
40:01Eu estava falando
40:02da junção das pessoas,
40:04eu achei muito legal
40:05o chileno,
40:06esse detalhe do chileno
40:08ser apadrinhado
40:09pelo Renato Barro,
40:11ser convidado.
40:11Isso é...
40:13Rapaz,
40:14quando você fala
40:15que você é espírita
40:16e que Renato também é,
40:19não é à toa
40:20que essas coisas
40:21acontecem não,
40:22Cid?
40:23É.
40:24Eu tenho certeza disso.
40:26Certeza disso.
40:27Só para complementar,
40:29então,
40:29o chileno
40:30está super integrado,
40:32respondeu ao nosso Carline,
40:33que eu sei que...
40:34O Carline
40:35é um cara
40:36especialíssimo
40:37na nossa vida,
40:38sabe?
40:39A gente tem um carinho,
40:40um respeito por ele,
40:41fantástico,
40:42um dos maiores guitarristas
40:43do planeta,
40:45entendeu?
40:46Do planeta.
40:47Então,
40:48a gente tem...
40:48Nós somos privilegiados.
40:50O Renato era
40:50fã zoco dele,
40:51ele diz que é fã zoco
40:53da gente,
40:53então está tudo certo,
40:54está tudo certo.
40:55Um beijo carinhoso.
40:57Mas o chileno está
40:57muito bem com a gente,
40:59muito bem,
41:00em todos os sentidos.
41:01Não poderia ser só lá.
41:03É uma pessoa fantástica.
41:05Quando,
41:06do acontecido com o Renato,
41:08você,
41:09em algum momento,
41:10pensou,
41:12acabou,
41:13não vou mais
41:14seguir com o Renato
41:16seus blue caps.
41:17Você chegou a pensar nisso?
41:19Eu sei.
41:20Eu sei.
41:21Conversei com algumas pessoas,
41:22amigas.
41:23Eu falei,
41:24cara,
41:25eu vivi todas as emoções
41:26que um ser humano possa...
41:29O que é que a de banda sabe?
41:31Você não tem só momentos maravilhosos.
41:33Não é só alegria.
41:34Não é só...
41:35Não é só...
41:37Não.
41:37Tem problemas também.
41:39A gente briga.
41:40Porra,
41:40briga também.
41:41Sempre em prol
41:42do negócio,
41:44do trabalho.
41:45Mas sai porrada.
41:46Entendeu?
41:47A gente brigava.
41:48Eu não tanto.
41:50Porque eu sou muito mais
41:51de apaziguar, né?
41:53Ficava muito ali.
41:54Papapá, papapá.
41:56Muito.
41:57Mas,
41:58eu vivi todas as emoções.
42:00Eu participei
42:01dos maiores programas.
42:03Eu pensei em estudo.
42:03Eu falei,
42:04cara,
42:05participei da Jovem Guarda,
42:06fiz programa tal,
42:07participei da...
42:08Um dos contratados
42:09na TV Record,
42:10maior emissora
42:11daquele momento,
42:12os maiores musicais.
42:13A gente estava dividindo
42:14o Camarim com os maiores nomes.
42:15Desde alguns nomes que...
42:18Por exemplo,
42:19dividi o Camarim com
42:21Ciro Montenho,
42:22Elisete Cardoso,
42:23Elis Regina,
42:24Zimbotrio,
42:25e o David Tatar.
42:26Pô, cara,
42:26então,
42:27eu falei,
42:29passamos pro rock,
42:30Carlos Imperial,
42:31José Messias,
42:32tanta gente importante
42:34que participou com a gente.
42:36E,
42:36eu falei,
42:38Renato,
42:39eu fiz tudo
42:40que eu poderia
42:41fazer.
42:42Eu falei,
42:43chegou a minha hora também
42:43de parar.
42:44Mas,
42:45depois,
42:46conversando,
42:47principalmente com a Renata,
42:48sabe,
42:48no dia que a gente começou,
42:50ela falou assim,
42:50que é isso?
42:52O pai gostaria?
42:54E,
42:55aí,
42:56eu já comecei a falar,
42:56pô,
42:57você acha que eu tô sendo egoísta,
42:58né, cara?
42:58De repente,
42:59pensar muito
42:59que pra mim tá tudo certo.
43:02Aí,
43:02conversei com os meninos também
43:03e falei pra eles todos.
43:05Eu falei,
43:05cara,
43:06eu quero esperar
43:07a reação
43:08do público,
43:09do nosso patrão.
43:11Quem manda na gente,
43:12quem manda no artista
43:13é o público.
43:13Embora,
43:15a gente,
43:15a gente escuta algumas coisas aí
43:17como se o público fosse
43:18segundo plano.
43:20O plano,
43:20o público que manda na gente.
43:23Na hora que ele resolve
43:24congetar,
43:24não quero mais,
43:26acabou,
43:26cara,
43:26pode gastar uma grana,
43:28não tem mais jeito.
43:29E como nós temos...
43:30Mas você sabe o que eu...
43:30Desculpe,
43:31você sabe o que eu acho
43:32que o público quer?
43:34Que vocês continuem,
43:37que vocês têm
43:38muita garra pra frente,
43:39pra fazer,
43:40e principalmente,
43:41vocês têm uma obrigação.
43:43E aí não é um favor.
43:45É uma obrigação
43:47de manter
43:48o nome
43:49Renato e seus blue caps
43:52brilhando.
43:53Porque vocês construíram
43:54esse nome
43:55e esse nome ficou maior
43:57do que o próprio Renato.
43:59E a gente hoje
44:00tá fazendo isso aí,
44:02cara.
44:02Eu já estou agora,
44:04do Cid que falou,
44:06que tava realmente...
44:06Hoje eu tô como um menino
44:09empolgado pra caramba
44:10de justamente fazer
44:11com que esse nome
44:12se eternize,
44:13cara,
44:13entendeu?
44:13E também,
44:15pra fazer
44:18um agradecimento,
44:19a gente tem que sempre citar
44:20que muitas pessoas,
44:22entendeu?
44:23Por aqui passaram,
44:24muitas pessoas contribuíram
44:26pra que esse nome
44:26ficasse até hoje
44:27e pra que a gente possa
44:28manter vivo isso aí.
44:30O Renato é fora de série,
44:31o Renato a gente
44:32não precisa nem citar.
44:33A contribuição dele
44:34foi em todos os sentidos,
44:36entendeu?
44:36O nome dele
44:37tá aqui,
44:38a gente vai trabalhar
44:39pra manter legal
44:40esse nome,
44:41entendeu?
44:41As canções que ele fez
44:43pra gente
44:44e até pra outros nomes,
44:46de vez em quando
44:46a gente vai cantar também,
44:47porque são obras
44:48que a gente quer
44:49que fiquem super vivas,
44:51entendeu?
44:52Então, cara,
44:53eu tô hoje
44:54muito legal,
44:55e como eu falei,
44:56eu vou ser cercado
44:57de jovens
44:58que estão
44:59super empolgados,
45:01respeitosos
45:01com o nome
45:01Renato Serbuket,
45:03um carinho fantástico.
45:05Então,
45:05hoje eu me sinto
45:06realmente um cara
45:07que tô,
45:09sabe,
45:09que eu passei
45:10nas minhas conversas
45:11com o Renato
45:11e eu falo,
45:12cara,
45:12tá ficando legal,
45:14entendeu?
45:14Tá ficando legal
45:15e vamos em frente,
45:17até chegar o meu dia,
45:18porque eu também
45:19daqui a pouco
45:19vai chegar o meu,
45:20e aí eu tenho que ser
45:21o meu,
45:22o meu,
45:23de um monte de gente
45:23que tá assistindo a gente,
45:26agora,
45:26o que é legal,
45:28que eu sinto assim,
45:29que você deve terminar
45:30e falar assim,
45:31será que o Renato
45:32vai ficar feliz
45:33com isso aqui
45:33que tá acontecendo?
45:34Eu acho que
45:35ia gostar disso,
45:36sabe,
45:36eu acho que isso é
45:37muito legal,
45:38assim,
45:39vocês se prepararem
45:41como se o Renato
45:41estivesse ali
45:43acompanhando o ensaio,
45:45ele ia ficar,
45:46gostei dessa guitarra aí,
45:48ele ia gostar
45:48dessa porca
45:49dessa guitarra aí.
45:50E a gente faz isso,
45:53o Gelsinho
45:53cansa de fazer isso,
45:55essa guitarra aí
45:55não tá como,
45:56ele cansa de fazer isso,
45:58o Gelsinho lá no ensaio,
45:59entendeu?
46:00E é essa a filosofia,
46:01a alegria,
46:02o nosso ensaio tá alegre,
46:03como o Renato,
46:05eu não sei,
46:05tem muita gente
46:06que não conheceu o Renato
46:07nos bastidores,
46:09o Tacano,
46:10o bem-humorado,
46:11entendeu?
46:11Renato,
46:12ele tinha todas as nuances,
46:14quando ele tava aborrecido,
46:15eu saí de baixo,
46:16a cara dele,
46:17não era mole não,
46:19mas o cara bem-humorado também,
46:21tu tinha que,
46:22porra,
46:22mora com isso,
46:23ele era um...
46:24Então a gente tá levando
46:25esse clima pros ensaios,
46:26sabe,
46:27muito legal,
46:28eu tô feliz da vida,
46:29sabendo que ele está feliz
46:31com o que tá acontecendo aqui,
46:32sabe?
46:33Então tá tudo certo,
46:35nesse sentido,
46:35tá tudo certo,
46:36entendeu?
46:37Eu queria,
46:38eu queria confidenciar
46:40com as pessoas
46:41o que aconteceu comigo
46:42e com vocês,
46:44eu faço parte de uma banda
46:46chamada Clube Big Beatles,
46:48tô usando a caixinha
46:49do Clube Big Beatles
46:50pra falar com um monte
46:51de gente todo dia,
46:52hoje a entrevista
46:53com você é de número 239,
46:55quer dizer,
46:57239 entrevistados
46:58até esse momento
47:00e tem um projeto
47:02chamado Projeto
47:02Sócio de Carteirinha
47:03do Clube Big Beatles,
47:04uma vez por mês
47:05a gente recebe
47:06um convidado
47:06pra cantar e tocar Beatles
47:08com a gente
47:08em Vitória e Espírito Santo.
47:10Durante muito tempo
47:11eu tentei,
47:12eu fui convencendo
47:13o Renato a participar,
47:15porque sempre que a gente
47:16tocava
47:18Menina Linda
47:18em inglês,
47:19a gente pensava
47:20neles,
47:21em você
47:22e nele
47:23e um dia
47:24isso aconteceu,
47:26vocês vieram
47:27participar
47:27desse projeto
47:28com a gente aqui.
47:30E foi um dos dias
47:32mais importantes
47:33que a gente teve,
47:34porque
47:36se nós
47:37chegamos
47:38aonde nós chegamos,
47:40alguém fez a base,
47:41alguém abriu a porta,
47:43alguém esticou o tapete,
47:45alguém limpou o vidro,
47:46alguém arrumou o armário.
47:48Antes da gente,
47:49tiveram vários nomes
47:51da música brasileira
47:52com importância enorme,
47:54arrumando um cenário
47:55pra que uma outra geração
47:57viesse
47:58e continuasse
47:59a divulgar
48:00um tipo de canção.
48:02E se nós
48:03fizemos o Clubing Beatles,
48:05a banda,
48:06se existe há 30 anos,
48:07se a gente
48:08vai pra Inglaterra
48:10há 26 anos,
48:12quase 300 shows
48:13na Inglaterra,
48:15Broadway,
48:16projetos,
48:17a gente deve
48:18a uma série
48:20de nomes
48:20que criaram
48:22o armário,
48:24arrumaram o tapete
48:25e arrumaram a sala
48:26pra gente fazer
48:27o que nós fazemos.
48:29E tem duas pessoas
48:30nesse universo
48:31que na prateleira
48:33estão na parte de cima.
48:35Renato Barros
48:36e Cid.
48:39Vocês são responsáveis
48:41por uma geração enorme
48:43de pessoas
48:44que tocam Beatles
48:45no Brasil,
48:46que gostam dos Beatles
48:47no Brasil,
48:48que gostam de boa música
48:49no Brasil,
48:50cara.
48:50É uma responsa
48:52muito grande
48:52que você tem.
48:53Muito obrigado.
48:55A gente tem
48:55os grandes orgulhos
48:57nossos
48:58de,
49:00em algumas situações,
49:02a gente,
49:05a gente,
49:06sem querer,
49:08nós fizemos
49:08com que muitos
49:09jovens da época
49:10passassem
49:12a conhecer
49:12o trabalho
49:12de Beatles
49:13pelas nossas versões.
49:14então,
49:16é isso aí,
49:16alguns artistas,
49:17alguns colegas nossos
49:18disseram,
49:19entendeu?
49:20Eu lembro de uma entrevista
49:21que eu li
49:21do Carlin Brown,
49:23ele falando lá
49:23na Bahia,
49:24lá no clube,
49:26cidade que tinha lá,
49:27acho que sim o nome,
49:28ele falava,
49:29eu não conhecia Beatles,
49:30mas eu conhecia Renato
49:31Semblau Kexy,
49:32e muita gente,
49:34até no show
49:34eu falo de gozação,
49:35às vezes eu falo,
49:36cara,
49:37os Beatles gravaram
49:38nossas,
49:39eles fizeram versão
49:40de nossas músicas,
49:41o que nós gravamos
49:46com as histórias,
49:47e saiu o primeiro
49:48do que os originais
49:49chegando aqui,
49:50a gente recebia
49:50eles,
49:51eles fizeram versões
49:53em inglês.
49:55Exatamente,
49:56entendeu?
49:56Então,
49:57cara,
49:58a gente,
49:58realmente,
49:59Beatles,
50:00na nossa vida,
50:01foi uma benção,
50:02né?
50:02Eu sou como
50:03menina linda,
50:03né?
50:04Carlos Imperial
50:05pediu pra gente gravar,
50:06cantar no programa,
50:07né?
50:08Renato fez a letrinha
50:09correndo lá em português,
50:10pra cantar no dia seguinte,
50:12a música entra na LV,
50:14lá pelo meio,
50:15e se torna um sucesso,
50:17e até hoje
50:18a gente termina com ela.
50:20Posso falar uma coisa
50:21pra você?
50:21Nós fazemos a música,
50:24metade em português
50:25e metade em inglês,
50:26e nós contamos a versão
50:27de vocês pra qualquer público,
50:29eu paro,
50:30e as pessoas cantam
50:31em português
50:32como se estivessem
50:33cantando um sucesso
50:34da semana passada,
50:36rapaz.
50:36Que bom,
50:37peraí,
50:37só um instante.
50:41Oi,
50:42oi,
50:42oi,
50:42opa,
50:43deu um,
50:43na retinha final,
50:45faltando agora cinco minutinhos,
50:47pra gente,
50:47quatro minutos pra gente fechar,
50:49deu uma,
50:49deu uma pequena travada aqui,
50:54vamos aguardar um pouquinho pra,
50:56opa,
50:56destravou?
50:58Desculpa,
50:58desculpa,
50:59desculpa,
51:00voltou?
51:00Estamos de volta.
51:01Não,
51:01foi uma ligação,
51:03mas,
51:04amigo,
51:05olha só,
51:06Cílio,
51:06eu queria te desejar
51:08mais um pouquinho
51:09de tudo que você já tem,
51:11um pouco mais de amor,
51:13um pouco mais de saúde,
51:15um pouco mais de dinheiro,
51:16um pouco mais de felicidade,
51:19porque você já tem tudo isso,
51:21cara,
51:21você tem isso tudo,
51:23e a gente,
51:24e a gente,
51:25a gente tem que,
51:27não esquecer que nós temos isso
51:29ao longo da vida,
51:30e você é um,
51:32é um privilegiado,
51:34e eu fico muito feliz por você,
51:36muito obrigado,
51:37cara,
51:37muito obrigado pela forma carinhosa,
51:40você já demonstrou isso em outras ocasiões,
51:44eu tive,
51:45tive essa sorte de estar com você,
51:48fazendo com o Renato,
51:50anos atrás,
51:52e a gente teve a oportunidade de,
51:55muitos papos,
51:56pessoalmente,
51:57que a gente,
51:57pelo telefone,
51:58a gente se fala já há muito tempo,
51:59mas você é um cara muito carinhoso com a gente,
52:02com o Renato,
52:02tenho certeza que o Renato está assistindo isso aí,
52:05e está tendo chance de mais uma vez,
52:09sabe,
52:10estar presente,
52:11ouvindo essas coisas todas,
52:12para nós,
52:13isso aí é muito legal,
52:14tudo isso que você está falando,
52:15a responsabilidade também é grande,
52:17e a gente quer poder,
52:18sabe,
52:19retribuir,
52:21esse carinho que esse público tem com a gente,
52:23público que vem nos acompanhando,
52:25os fãs tradicionais,
52:26e os fãs que estão chegando agora,
52:28que nem o Arthur,
52:29que eu quero mandar um beijo para ele,
52:31o Arthur de seis anos,
52:32não,
52:32já fez sete,
52:32está velho,
52:33fez sete anos recentemente,
52:35o Arthur fez a festa dele temática,
52:38sete anos,
52:39que era uma festa com o tema Renato e o Hervo Kébs,
52:41é uma coisa muito bonita,
52:43sabe,
52:43a gente,
52:45como tem também o Zé Pedro,
52:47lá de Belém,
52:47e o pai dele levou ele no polo,
52:49com três,
52:50quatro anos,
52:51e agora um Galalau liga para mim,
52:52com trinta e quatro anos,
52:54quer dizer,
52:54com três,
52:55quatro anos ele cantava música nossa,
52:56como o Arthur canta,
52:57um monte de música,
52:58então isso é muito legal,
52:59gratificante,
53:00e também nos deixa assim,
53:01com uma responsabilidade muito grande,
53:03dizer lá por esse nome,
53:05sabe,
53:06cada vez mais,
53:07falo isso para os meninos lá,
53:09cada um tem seu prazo de validade,
53:11mas vocês são responsáveis,
53:12vamos deixar esse nome vivo,
53:13super vivo,
53:14muito obrigado a você pelo carinho,
53:16muito obrigado pela atenção,
53:18esse público todo,
53:19Um beijo na família,
53:22muito obrigado a todo mundo que acompanhou a gente,
53:24seis da tarde,
53:25amanhã eu estou de volta,
53:25com mais um convidado,
53:27e hoje,
53:28Cid Chaves,
53:30o homem que tem a chave dos nossos corações,
53:33um beijo,
53:38um abraço meu irmão,
53:39bom te ouvir e te ver,
53:40Tchau,
53:40Tchau,
53:41Obrigado.