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  • há 15 minutos
Transcrição
00:00E na coluna Olhar Espacial de hoje, o Marcelo Zurita nos explica o que é o cinturão de Van Halen
00:08e responde se ele pode representar uma barreira às viagens espaciais.
00:14Vamos com ele, Marcelo Zurita.
00:25Olá pessoal, saudações astronômicas.
00:28A 150 milhões de quilômetros de distância, o Sol é uma enorme usina de fusão nuclear
00:34produzindo cerca de 384 trilhões de trilhões de watts.
00:39Toda essa energia é lançada no espaço na forma de luz, calor e partículas carregadas
00:44que seriam letais para a vida na Terra não fosse a presença de um enorme escudo protetor que envolve o
00:49nosso planeta.
00:50O campo magnético da Terra nos protege de boa parte das partículas carregadas que chegam do Sol,
00:55mas ao mesmo tempo criam uma região no espaço conhecida como o cinturão de Van Halen,
01:00onde a radiação dessas partículas é concentrada.
01:03A sua existência só foi descoberta quando começamos a explorar o espaço,
01:07e rapidamente levou a uma pergunta importante.
01:10Quão perigoso seria atravessar essas regiões de radiação?
01:13A resposta ajudaria a definir os limites e as possibilidades das primeiras viagens humanas para além da órbita terrestre.
01:20Entre 1911 e 1912, o físico austro-americano Victor Franz Hess realizou uma série de voos de balão
01:29medindo a radiação em diversas altitudes, concluindo que ela aumentava com a altitude
01:34e que essa radiação vinha do espaço.
01:36Hess havia descoberto os raios cósmicos.
01:40Esse experimento seria aprimorado no início de 1958,
01:44quando os Estados Unidos colocaram em órbita o Explorer 1, seu primeiro satélite artificial.
01:49Entre seus instrumentos havia um contador Geiger,
01:52destinado a medir os raios cósmicos em altitudes bem mais elevadas que as alcançadas pelos balões de Hess.
01:58Só que os dados começaram a apresentar um comportamento estranho.
02:02Em determinadas altitudes, o instrumento registrava uma quantidade de radiação tão grande que parecia ficar saturado.
02:08O astrofísico James Van Halen, da Universidade de Iowa, chegou a imaginar que os instrumentos estavam bugados.
02:15Mas as medições do Explorer 3 lançados no mesmo ano não deixaram dúvidas.
02:19Aquilo não era uma falha, era uma nova e surpreendente descoberta.
02:24A Terra estava cercada por um cinturão de partículas energéticas aprisionadas pelo campo magnético do planeta.
02:31Mais tarde, outras missões mais profundas, como a Pioneer 3 e o Explorer 4,
02:36mostraram a existência de uma segunda região mais externa.
02:39Essas estruturas acabaram recebendo o nome de cinturões de Van Halen,
02:43em homenagem ao cientista que liderou sua descoberta.
02:46Mas afinal, o que são esses cinturões?
02:49Se você já viu aquele experimento com um imã em limalha de ferro,
02:53sabe que o campo magnético cria uma estrutura invisível ao redor dele,
02:57que acaba orientando o pozinho de ferro.
02:59No caso da Terra, essa estrutura é muito maior e interage com as partículas eletricamente carregadas
03:05que chegam principalmente do Sol.
03:07Algumas acabam ficando presas pelo campo magnético,
03:10formando regiões em forma de enormes rosquinhas.
03:13Só que, ao contrário da limalha de ferro,
03:15as partículas energéticas dos cinturões de Van Halen
03:18não ficam simplesmente paradas no espaço.
03:20O cinturão interno é relativamente estável
03:23e formado principalmente por prótons de alta energia,
03:25um pouco mais comportados como o time de masters da firma.
03:30Já o cinturão externo, composto predominantemente por elétrons,
03:33é um ambiente extremamente dinâmico,
03:36como uma festinha de aniversário de criança,
03:38com partículas correndo para todos os lados
03:40e algumas a velocidades próximas à da luz.
03:43O tempo todo, novas partículas podem ser capturadas
03:46e outras escapar para o espaço.
03:48Por isso, a intensidade e a extensão dessas regiões
03:51mudam com a atividade solar.
03:53Durante tempestades geomagnéticas, por exemplo,
03:56os cinturões podem sofrer alterações importantes,
03:59como foi percebido a partir das sondas Van Halen, lançada em 2012.
04:03Seus dados revelaram que, em determinadas condições,
04:06pode surgir uma terceira região de radiação entre as duas principais.
04:10Ela não é permanente, apareceu em meio a uma intensa atividade solar
04:14e desapareceu depois de algumas semanas.
04:16Mas então, toda essa radiação não faria do cinturão de Van Halen
04:20uma barreira intransponível para as viagens tripuladas ao espaço?
04:24Felizmente, não.
04:25Mas essa é uma preocupação válida diante do risco
04:28que ela representa para a nossa saúde
04:30e para o funcionamento dos nossos equipamentos.
04:32Partículas energéticas, quando atingem componentes eletrônicos,
04:35podem provocar falhas.
04:37Em uma memória de computador, por exemplo,
04:39elas podem alterar o valor lógico de um bit,
04:42modificando uma pesquisa
04:43ou talvez a programação de voo da espaçonave.
04:46Em seres humanos, o efeito é semelhante.
04:49A radiação pode alterar os bits do nosso DNA,
04:52gerando células defeituosas
04:54que podem provocar um mau funcionamento do organismo
04:57ou evoluir para um câncer.
04:58Mas a boa notícia é que nosso organismo
05:00é capaz de suportar certa dose de radiação
05:03sem risco significativo para a nossa saúde.
05:06É essa tolerância que nos permite fazer um raio-x de vez em quando
05:09e que possibilitou que Hess voltasse vivo
05:12de seus experimentos com balão.
05:14Tudo depende da intensidade da radiação
05:16e do tempo que ficamos expostos a ela.
05:18Essa compreensão é importante para entender
05:21como foi possível para os astronautas das missões Apolo
05:24e agora da Artemis
05:25atravessar o cinturão de Van Allen sem problemas.
05:28Os cinturões realmente existem
05:30e representam um ambiente de radiação hostil para o ser humano.
05:33Mas se as espaçonaves oferecem alguma proteção
05:36e atravessam rapidamente essa região,
05:39a dose de radiação que os astronautas recebem
05:41é baixa e relativamente segura.
05:43Durante as nove missões tripuladas do programa Apolo,
05:46a NASA mediu as doses de radiação recebidas pelos astronautas.
05:50As médias variam de 0,16 a 1,14 rad
05:54e boa parte dessa exposição
05:56veio da passagem pelos cinturões.
05:58Nenhuma dessas doses ultrapassou os limites anuais
06:02então recomendados para trabalhadores
06:04regulamente expostos à radiação.
06:06Isso não significa que a radiação espacial seja inofensiva.
06:10Fora da proteção do campo magnético terrestre,
06:13os astronautas também ficam expostos aos raios cósmicos
06:15e às partículas energéticas emitidas pelo Sol.
06:18Uma grande tempestade solar durante uma missão lunar
06:21ou interplanetária poderia representar um risco muito mais sério
06:25e esse é um dos grandes desafios para as futuras viagens de longa duração.
06:29Por isso é tão importante estudar o ambiente espacial
06:32identificando os riscos e os melhores caminhos
06:35para a nossa jornada pelo cosmos.
06:37E os cinturões de Van Allen não são uma barreira intransponível
06:40mas se parecem mais como uma onda que quebra na praia.
06:43Uma onda que precisamos atravessar rapidamente
06:46para seguirmos nossas aventuras pelo grande oceano cósmico.
06:50Bons céus a todos e até a próxima!
06:52Tchau!
06:53Tchau!
06:53Tchau!
06:53Tchau!

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