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Quer ir além da Lua e de Marte? Descubra os motores revolucionários que podem nos impulsionar para o espaço profundo!

Enquanto sonhamos com bases lunares e turismo espacial em Marte, a verdade é que as viagens tripuladas para destinos distantes ainda enfrentam um grande obstáculo: a velocidade. Nossos foguetes atuais, com tecnologia de 70 anos, são eficientes para o lançamento, mas não para longas jornadas. Levar mais combustível significa naves maiores e, consequentemente, a necessidade de ainda mais combustível – um ciclo vicioso.

A propulsão iônica já oferece uma alternativa mais econômica, expelindo partículas carregadas a velocidades incríveis. Sondas como a Dawn e a Dart já se beneficiam dessa tecnologia, mas o baixo empuxo exige tempo. Precisamos de um motor com a força de um foguete químico e a autonomia de um sistema iônico.

E se pudéssemos reduzir a viagem a Marte de 8.5 meses para apenas 3 ou 4? A propulsão térmica nuclear usa reatores para aquecer hidrogênio, gerando um impulso duas a três vezes maior que os motores químicos. Outra promissora alternativa é a propulsão de magnetoplasma, que ioniza e superaquece o propelente a um milhão de graus Celsius, gerando um empuxo 20 a 30 vezes superior!

Essas tecnologias, embora desafiadoras, podem ser o impulso que a humanidade precisa para explorar o cosmos. A vontade de conhecer o desconhecido é o que nos move a buscar soluções para chegar mais longe.

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Transcrição
00:00E como hoje é sexta-feira, é dia da coluna Olhar Espacial.
00:05E Marcelo Zurita fala sobre os motores que podem levar a humanidade ao espaço profundo.
00:13Vamos então com ele, Marcelo Zurita.
00:25Olá pessoal, saudações astronômicas.
00:30Como já vimos anteriormente em nossa série sobre viagens espaciais,
00:34estamos muito próximos de voltar a pisar na superfície da Lua.
00:37Com muito investimento e trabalho, talvez tenhamos uma base lunar nos próximos anos.
00:42Já para Marte entrar para o nosso roteiro turístico, talvez ainda demore algumas décadas.
00:47Uma viagem tripulada ao planeta vermelho ainda seria muito arriscada com as tecnologias atuais.
00:53Mas se quisermos saltar mais alto, precisaremos de um impulso maior.
00:57E quando falamos de viagens pelo cosmos, esse impulso vem dos motores que podem levar a humanidade ao espaço profundo.
01:05Sim, nós já temos tecnologia para enviar sondas para os planetas mais distantes do sistema solar e até para fora
01:12dele.
01:12As Voyager, por exemplo, foram lançadas há quase 50 anos e já alcançaram o espaço interestelar.
01:18Mas uma coisa é enviar uma pequena sonda robótica em viagens que podem durar anos.
01:23E outra, completamente diferente, é transportar seres humanos pelo espaço profundo.
01:29Para uma missão tripulada não basta chegar ao destino.
01:32Além das pessoas, precisamos levar alimentos, água, equipamentos e tudo o que será necessário para mantê-las vivas durante a
01:40viagem.
01:40E quanto mais distante o destino, maior tende a ser o tempo de viagem e maior a quantidade de recursos
01:47necessários.
01:48Portanto, viagens tripuladas mais distantes só se tornarão viáveis se puderem ser feitas mais rapidamente.
01:55E para isso, novas formas de propulsão são necessárias.
01:59Nossos foguetes atuais ainda utilizam motores com a mesma base tecnológica de 70 anos atrás.
02:05Basicamente, eles queimam combustível, produzindo gases muito quentes, que são expelidos em alta velocidade.
02:11E pela terceira lei de Newton, a força que espelha os gases para trás gera uma força de reação que
02:17empurra o foguete para frente.
02:18É um princípio relativamente simples, mas extremamente poderoso.
02:22Foi graças a ele que conseguimos escapar da gravidade terrestre e colocar seres humanos em órbita, chegar à Lua e
02:30enviar as sondas para os quatro cantos do sistema solar.
02:33O problema é que esses motores bebem mais combustível do que um Opala 77.
02:46São excelentes para uma arrancada, mas se pegar uma estrada mais longa, periga ficar no meio do caminho.
02:52E já vimos que para levar mais combustível, precisamos de foguetes maiores e foguetes maiores precisam de mais combustível.
02:59Um problema recursivo, que nos leva à conclusão que talvez estejamos precisando mesmo, é de uma nova e revolucionária forma
03:06de propulsão.
03:07Uma das alternativas que já existe é a propulsão iônica, que também funciona baseada na terceira lei de Newton,
03:13mas de uma forma muito mais econômica no consumo de propelente.
03:16Nos motores químicos, uma grande quantidade de gás é expelida em alta velocidade.
03:22Já nos motores iônicos, partículas carregadas são aceleradas eletricamente a velocidades muito maiores.
03:29O resultado é um motor com a eficiência de uma Honda Abyss.
03:32Um empuxo muito pequeno, mas que pode ser mantido por vários meses ou até anos,
03:37mesmo com uma quantidade bem pequena de propelente.
03:40Esse tipo de propulsão já é amplamente utilizada em sondas que exploram o espaço profundo, como a Dawn e a
03:46Dart.
03:47Fora inúmeros satélites que usam essa tecnologia para as correções orbitais, como os Starlinks.
03:53Mas existe uma consequência importante.
03:55Acelerar muito uma nave com um empuxo tão pequeno exige tempo.
03:59E o tempo, como vimos, é justamente o principal desafio para as missões tripuladas.
04:04Se queremos chegar mais rapidamente à Marte ou destinos ainda mais distantes,
04:09precisamos de um motor com a potência do Opala, mas com a autonomia da Honda Abyss.
04:14Um sistema capaz de produzir mais aceleração sem abrir mão da eficiência.
04:19E uma das tecnologias que pode ocupar esse espaço é a propulsão térmica nuclear.
04:25A ideia é usar um reator nuclear para aquecer um propelente líquido, como o hidrogênio.
04:29O propelente aquecido se expande e é expelido pelo bocal, gerando um impulso duas a três vezes maior que a
04:37de um foguete químico convencional.
04:39Não teria a força do Opala nem a autonomia da Abyss,
04:43mas seria suficiente para encurtar a viagem até Marte de oito meses e meio para apenas três a quatro meses.
04:50Ainda não é o ideal, mas é uma tecnologia que já está sendo testada e em breve pode ser utilizada
04:56em uma missão real.
04:57Outra possibilidade é a propulsão eletronuclear.
05:00Nesse caso, o reator não aquece diretamente o propelente.
05:03Ele produz energia que alimenta um sistema de propulsão iônica.
05:07Teríamos, assim, uma fonte de energia mais eficiente que os atuais painéis solares,
05:12o que permitiria motores maiores e mais potentes.
05:15Outra tecnologia que vem se mostrando bastante promissora é a propulsão de magnetoplasma.
05:21Como nos motores iônicos, o propelente é ionizado e acelerado por campos eletromagnéticos.
05:26Mas aqui, o gás ionizado também é superaquecido,
05:31formando um plasma que atinge temperaturas em torno de um milhão de graus Celsius.
05:35Esse processo acelera o gás a dezenas de quilômetros por segundo,
05:39gerando um impulso que pode ser de 20 a 30 vezes maior que os propulsores químicos atuais.
05:46Motores de magnetoplasma podem ter seu impulso ajustado dinamicamente,
05:50permitindo maior potência para um lançamento
05:52ou maior autonomia para longas viagens pelo espaço.
05:56Entretanto, como eles consomem muita energia elétrica,
05:59só seriam viáveis se abastecidos por um reator nuclear.
06:02Além disso, as elevadas temperaturas em que ele opera
06:05adicionam um desafio extra para a engenharia.
06:08Ainda assim, essa seria uma boa aposta para os motores que podem nos levar ao espaço profundo.
06:13Ainda não sabemos quando a humanidade vai finalmente expandir suas fronteiras para a Marte
06:18e para outros mundos ainda mais distantes.
06:21E também não sabemos quais dessas tecnologias estarão nos levando quando esse momento chegar.
06:26Mas uma coisa é certa.
06:28Para saltar mais alto, é preciso um impulso maior.
06:31E são nossos sonhos, a vontade de conhecer o universo,
06:35que nos motivam a continuar encontrando soluções capazes de nos levar mais longe.
06:39As novas tecnologias de propulsão são evidentemente fundamentais.
06:44Mas não podemos imaginar que elas sejam passagens definitivas
06:48para os nossos próximos destinos espaciais.
06:51Afinal, a propulsão não é o único desafio que precisamos superar
06:55para alcançar o espaço profundo.
06:58Bons céus a todos e até a próxima!
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