O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, esteve ao vivo no Meio-Dia em Brasília para falar sobre seu novo livro "Eu Disse Não: uma trincheira antigolpista", que chega às livrarias em setembro.
Na entrevista, ele detalha os bastidores do período mais tenso de 2022, confirma a existência da minuta golpista apresentada aos comandantes, relembra a reunião de 14 de dezembro com o então ministro da Defesa e comenta o papel de Freire Gomes, Braga Netto e das Forças Armadas diante da pressão para impedir a posse de Lula.
Meio-Dia em Brasília traz as principais notícias e análises da política nacional direto de Brasília.
Com apresentação de José Inácio Pilar e Wilson Lima, o programa aborda os temas mais quentes do cenário político e econômico do Brasil. Com um olhar atento sobre política, notícias e economia, mantém o público bem informado.
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#8DeJaneiro #Golpe2022 #FAB #ForçasArmadas #Bolsonaro #OAntagonista
Na entrevista, ele detalha os bastidores do período mais tenso de 2022, confirma a existência da minuta golpista apresentada aos comandantes, relembra a reunião de 14 de dezembro com o então ministro da Defesa e comenta o papel de Freire Gomes, Braga Netto e das Forças Armadas diante da pressão para impedir a posse de Lula.
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NotíciasTranscrição
00:00A minuta, para quem até hoje acha que não teve a minuta, tem sim, teve sim.
00:05General Freire Gomes folheou.
00:07O ex-comandante da Força Aérea Brasileira, Carlos Batista Júnior, afirma que o risco de golpe no fim de 2022
00:13foi iminente
00:14e que ele temia uma ruptura dentro do exército.
00:17As revelações constam no seu novo livro, que se chama Eu Disse Não, uma trincheira antigolpista,
00:24que será publicado pela editora Autêntica em setembro, próximo mês.
00:28Para dar detalhes sobre esse período, estamos ao vivo com o ex-comandante da FAB, aqui no Meio Dia em
00:34Brasília.
00:35Comandante, muito boa tarde, obrigado por estar aqui com a gente.
00:39O senhor decidiu lançar esse livro agora durante um processo eleitoral, foi de propósito ou foi uma coincidência? Boa tarde.
00:46Boa tarde, Adolfo. Boa tarde, Wilson. Obrigado por me receber aqui.
00:52Na verdade, eu tive algumas restrições para o livro.
00:56O livro foi uma decisão já de algum tempo e eu conto logo na introdução o que me levou a
01:02escrever o livro.
01:03Foi comprovar uma grande quantidade de brasileiros que aceitariam uma manobra qualquer
01:10para não dar posse ao presidente eleito em janeiro de 2023.
01:15E, logicamente, durante o prazo que eu fui comandante, eu não podia escrever.
01:20Também optei em não escrever durante o prazo das ações penais no STF,
01:25porque eu acho que não seria adequado eu colocar um livro comentando
01:30ou dando impressões minhas daquilo que eu estava falando como testemunha lá no STF.
01:35e o próprio prazo de se escrever um livro, de revisar, de publicar.
01:40E o livro está chegando aí no início do mês, as livrarias já estão em pré-venda.
01:45E o grande objetivo é que as gerações futuras, principalmente,
01:50tenham registrado o que se passou naquele período, principalmente de 2021 até final de 2022.
01:59Wilson Lima, boa tarde. Pode fazer a sua pergunta para o comandante.
02:03Boa tarde, comandante. Seja bem-vindo ao Médio em Brasília.
02:06Obrigado pelo seu tempo, pela disponibilidade.
02:10Comandante, eu queria entender um pouco como é que foram aqueles meses finais de 2022.
02:16O senhor sentiu que houve, de fato, uma ação deliberada do ex-presidente Jair Bolsonaro
02:27de que, de fato, ele atuasse por uma ruptura institucional com o apoio de alguns setores ali do Exército e
02:35da Marinha?
02:37Eu só acredito que houve, de fato, uma intencionalidade do ex-presidente nesse sentido?
02:43Wilson, quando a gente estuda a história republicana no Brasil,
02:46desde a proclamação da República, a nossa história, infelizmente, é cheia de exemplos desses.
02:52Até no último capítulo do livro eu faço um paralelo com o golpe, o contra-golpe,
02:57do Marechal Lott, lá de 1955.
03:01E eu também não, apesar do livro e dos inquéritos eles focarem muito nesse período
03:08após o segundo turno das eleições, eu registro no livro desde quando nós assumimos,
03:15em abril de 2021, aquela troca inesperada e inédita do ministro da Defesa,
03:22do chefe de Estado do maior conjunto e dos três comandantes militares.
03:25E venho fazendo uma comparação com o painel de emergências e de panes no avião,
03:31o livro traz muito essa minha experiência como piloto, mostrando algumas ações
03:38que levam a este filme no final de 2022, como o presidente participando de atos
03:46contra outras instituições, com pedidos de intervenção militar.
03:52E, logicamente, que isso toma um...
03:56Ele é potencializado, essa intenção, a partir de quando o general Braganeto
04:03sai do Ministério da Defesa em 31 de março para se desincompatibilizar.
04:07E nós vamos, deste período, da posse do Freire Gomes no Exército e do Paulo Sérgio
04:14como ministro, num crescente de tensão até o final do governo.
04:19Eu diria que, logicamente, novembro e dezembro foram meses muito perigosos,
04:26inúmeras reuniões.
04:28E eu trago isso com muita tranquilidade no livro, com, eu vou dizer, com elegância.
04:33O livro não se propõe a ser ferramenta de propaganda eleitoral para nenhum candidato.
04:39Ele é um livro em primeira pessoa.
04:41Eu assumo a responsabilidade do que eu falei, do que eu estou falando no livro.
04:45Mas ele é um livro para deixar registrado todos esses fatos, as inúmeras e cansativas reuniões,
04:52as tentativas de se buscar um estado de exceção sem que nós tivéssemos os pressupostos
04:58para o estado de defesa ou estado de sítio, que vai culminar na reunião de 14 de dezembro.
05:04E, comandante, quer dizer, o senhor está tratando aí de um período anterior ao 8 de janeiro de 2023.
05:10Qual que é a avaliação do senhor sobre o que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023 na Praça
05:14dos Três Poderes?
05:16O livro, eu paro o livro no dia que eu passo comando, no dia 2 de janeiro, né?
05:22Mas eu não me furto a responder essa pergunta, porque eu não abordo no livro, porque eu já não era
05:29o comandante.
05:30Mas, como cidadão, eu acho que o 8 de janeiro foi o fim de uma, eu chamo de operação psicológica,
05:39de fatos psicológicos que levaram as pessoas, e isso até hoje, né?
05:46Uma pesquisa da Atlas Intel, entre 6 e 9 de janeiro de 2023, trazia, ou trouxe ao registro no livro,
05:5540% da população não acreditava que Lula tivesse tido mais votos do que Jair Bolsonaro.
06:0137% neste período de 6 a 9 de janeiro aceitariam uma ferramenta ou um instituto como um golpe,
06:12um estado de defesa, um estado de sítio, para não dar posse ao presidente eleito.
06:17Ou seja, o 8 de janeiro eu vejo que foi uma grande balbúrdia, fruto de um filme,
06:22de uma operação psicológica, de descrédito das urnas, de descrédito da vacina,
06:28de atrito entre os poderes, né? Que eu chamo de esticar os elásticos institucionais.
06:35Então, acho que foram pessoas que voluntariamente foram lá,
06:41mas fruto de um filme que foi e que desagou no 8 de janeiro, naquela grande balbúrdia, logicamente.
06:48Para deixar mais claro, comandante, antes de passar para o Wilson, fazer mais uma pergunta,
06:51então o senhor não considera que houve uma tentativa de golpe, de fato, em 8 de janeiro, certo?
06:56Quer dizer, ela foi uma consequência, sim, ali, de um movimento que o senhor descreve aí no seu livro,
07:01mas a forma como foi tratada pelo STF, o senhor concorda, o senhor acha que eles configuraram o direito que
07:06aconteceu ali?
07:08Eu não tenho o saber jurídico para interpretar isso, mas como observador próximo, né?
07:15Eu acho que aquilo foi uma grande balbúrdia, né?
07:17Essa relação de causa e efeito, ela pode ter, mas eu acho que como uma grande balbúrdia levou aquelas pessoas,
07:27muitas pessoas humildes, sem conhecimento, mas que psicologicamente foram levadas a achar que estava na hora de virar a mesa.
07:36Wilson.
07:39Comandante, eu queria explorar um pouquinho a reunião de 14 de dezembro, porque eu acho que é um ponto sensível
07:45da nossa democracia.
07:46O senhor tem falado justamente sobre esse risco iminente, né, de uma ruptura institucional.
07:53O senhor sentiu esse risco iminente a partir das manifestações do Braga Neto,
07:58a partir dos seus colegas comandantes das demais Forças Armadas,
08:03e dá para a gente narrar um pouco como é que foi o clima dessa reunião?
08:08O senhor sentia alguma tensão?
08:11Quando o senhor saiu daquela reunião, o senhor ficou pensativo?
08:13Falei, gente, não, peraí, é preciso fazer alguma coisa,
08:16porque se não for feito nada, as coisas vão perder o controle.
08:19Dá um pouco para a gente, esse dia especificamente,
08:22e a sua reação pós, porque eu acho que é importante para o público,
08:24para a gente ter uma noção mais concreta daquele momento.
08:27Tá bom, Wilson. Muito obrigado.
08:30Eu vou dividir primeiro nos meses de novembro e dezembro,
08:33que eu acho que é importante.
08:34O livro eu trago um capítulo falando de novembro, outro de dezembro.
08:38Então, em novembro, logo após o dia primeiro,
08:42nós tivemos uma reunião, os comandantes militares,
08:45o ministro da Defesa e o advogado-geral da União,
08:48na biblioteca do Palácio do Planalto.
08:50O livro explora isso e detalha para que os leitores se ambientem,
08:56como aconteceu, e ficou claro para o presidente,
08:59nós deixamos claro que não havia qualquer irregularidade
09:02no sistema eleitoral.
09:04A partir daí, nós voltamos ao Palácio do Planalto diversas vezes.
09:09O presidente estava num estado muito triste,
09:13no dia dois, eu conto no livro, nós fomos lá ver um companheiro de trabalho,
09:16vamos falar assim, e nós não fomos lá conspirar, fazer qualquer coisa.
09:22Ele estava numa situação ruim.
09:24A partir do dia dois, as outras reuniões, nós tivemos uma tensão muito grande,
09:33porque o presidente ainda esperava que, com o relatório das Forças Armadas,
09:37alguma coisa iria aparecer.
09:39Nós tínhamos o Fernando Serimedo fazendo lives,
09:42dizendo que tinha descoberto fraudes no sistema.
09:47Então, até o dia onze, foi muito ruim.
09:50Foi um período de tensão, os caminhoneiros bloqueando estradas,
09:56os acampamentos em frente aos quartéis, principalmente aos quartéis do exemplo.
10:00A partir do dia onze, quando o Instituto Voto Legal,
10:04ele traz algo parecido com o Serimedo,
10:07e no livro eu coloco lá até para quem quiser programar aquele erro,
10:10em quatro linhas de programação Python, as pessoas vão conseguir.
10:13Então, do dia onze até o final do mês, talvez mais no dia vinte e quatro,
10:19o clima piorou bastante.
10:21O presidente recebeu o relatório,
10:26o PL entrou com aquela petição para anular as urnas anteriores a dois mil e vinte,
10:32e a reação do TSE.
10:33Isso foi muito ruim.
10:35Então, eu acho que o mês de novembro, de dia onze, vinte e quatro, foi muito ruim.
10:38A partir daí, entra num silêncio.
10:41Eu não sei se, por já saberem das nossas posições consolidadas do comandante,
10:47mas entra num silêncio perigoso.
10:49Até que no dia nove de dezembro, o presidente quebra o silêncio
10:53e vai para a frente do Alvorada e faz aquele discurso
10:58que as forças armadas vão para onde ele quiser,
11:01se não fizer o que ele está tentando, é um sinal que ele perdeu a liderança,
11:05e eu não concordo com isso, não é questão de liderança, é questão de lei.
11:10E ali começa a ficar muito preocupante.
11:13Até que no dia quatorze, o ministro da Defesa...
11:15Eu não estava na reunião do dia sete, como está escrito no livro,
11:18eu estava em Piracinunga.
11:20E aí, no dia quatorze, quando o ministro da Defesa chama os três comandantes,
11:24isso está bastante detalhado no livro,
11:27ali eu acho que o Rubicão estava sendo atravessado.
11:31Nós chegamos num ponto que não tinha mais volta.
11:34o livro conta com detalhes.
11:36A minuta, para quem até hoje acha que não teve a minuta,
11:39tem sim, teve sim.
11:41O general Freire Gomes folheou,
11:43tanto que no depoimento dele ele diz que era similar
11:46a que foi apresentada para eles no dia sete,
11:49similar a que foi encontrada na casa do Anderson Torres,
11:52ou seja, houve.
11:53E aí eu pergunto se aquilo ali impedirá,
11:56aquele estado de defesa, impedirá a posse de quem foi eleito.
12:00E aí eu saio da sala e digo que a Força Aérea não vai.
12:03Então, essa foi talvez a mais tensa reunião,
12:07o comandante deixar a sala, o clima realmente foi muito ruim,
12:11aliás, como eles depuseram na STF.
12:14Ô comandante, eu quero explorar um pouquinho esse pós,
12:18porque eu, na época, cobria muito as Forças Armadas
12:22e tenho um imenso respeito pelas Forças Armadas.
12:26Às vezes eu costumo falar que há uma ala das Forças Armadas
12:30que pensa na democracia mais do que muito político por aí.
12:34Então eu tenho um imenso respeito pela Força Aérea,
12:37pelo Exército, pela Marinha,
12:39até um amigo meu que me falou isso,
12:41acho que você é um militar frustrado.
12:42Mas eu quero explorar justamente a questão do Ministério da Defesa,
12:48comandante.
12:50A impressão que a gente tem, a impressão que nós temos,
12:53e o seu relato, ele, eu acho que coaduna um pouco com isso,
12:58é que, num primeiro momento,
13:01o ex-presidente Jair Bolsonaro sabia,
13:04ele foi, ele internalizou a derrota
13:06e alguns auxiliares, parece que tentaram convencê-lo do contrário,
13:12de que era preciso uma ruptura institucional.
13:14E me parece que esse movimento partiu muito do general Braga Neto.
13:20Ele como ministro da Defesa, enfim, existe uma hierarquia.
13:24E me parece que o ministro da Defesa, naquele momento,
13:29queria utilizar o seu, um princípio básico da escola militar,
13:35da família militar, vou utilizar esse termo,
13:37que eu acho que é um termo que os senhores utilizam muito,
13:39que é o princípio da hierarquia.
13:41Me parece que o Braga Neto queria se utilizar
13:44do respeito à hierarquia
13:46para proclamar uma ruptura institucional.
13:49Quando o senhor sai dessa reunião do dia 14,
13:51o senhor tem também essa impressão
13:53de que esse movimento,
13:55de que havia uma tentativa de movimento
13:56de tentar convencê-los a partir do respeito à hierarquia
14:01de algo de cima para baixo, comandante?
14:04Eu acho que quem não estava apoiando o golpe
14:07estava cumprindo a hierarquia,
14:09só que a hierarquia é do respeito à Constituição
14:11e não a atalhos que a democracia não aceita.
14:15Veja bem, Wilson, Rodolfo,
14:17em qualquer momento,
14:19eu me boto alinhado com os problemas do Brasil,
14:23com a corrupção, com os desvios de emenda
14:26de qualquer contrato público no Brasil,
14:29com os excessos de poder de uma ou de outra autoridade,
14:35jamais.
14:35Ou seja, você não coadunar um caminho golpista
14:39quer dizer que você está concordando
14:41com tudo de errado que está, não.
14:43Quem faz isso está tentando criar
14:46um bode expiatório, talvez,
14:49para justificar a sua vergonha
14:51de hoje ter tudo muito mais esclarecido,
14:54e ainda será mais esclarecido.
14:56Eu acho que temos outros jornalistas
14:59vindo aí com outras opiniões.
15:02Um atalho desse, um golpe desse,
15:04exige, primeiro, liderança.
15:08Eu não acredito que houvesse essa liderança
15:12no general Braga Neto, por exemplo,
15:15para levar o Exército,
15:18e ele foi do Exército,
15:19para ele ter muitos anos,
15:20para uma ruptura dessa.
15:22Logicamente, que a lealdade,
15:27e está no livro em negrito,
15:28acho que é uma das poucas palavras
15:30que estão escritas em negrito no livro,
15:32a lealdade fica muito fragilizada.
15:34Por isso, eu registro uma ligação
15:36que fiz para o general Sérgio Ategoia,
15:38no dia 11,
15:39porque eu sabia da postura
15:41do general Freire Gomes,
15:43dos mais antigos,
15:44que eram mais contemporâneos meus,
15:46como general...
15:47O general Sérgio que é um do mais...
15:48O general Sérgio que é uma das maiores vozes do Exército,
15:51uma das vozes mais respeitadas do Exército no país.
15:53Sim, o Sérgio Ategoia é uma pessoa...
15:57Eu diria que após o meu pai e a minha mulher,
15:59é a pessoa que eu tinha mais relação,
16:01até porque nós temos uma história,
16:03dos nossos pais lá atrás,
16:05em períodos semelhantes,
16:07e foi muito tranquilizadora.
16:09Não sabia a posição do general Freire Gomes,
16:11que eu sabia,
16:12mas sabia...
16:12O Exército é muito grande,
16:14é muito capilarizado,
16:15e foi uma grande segurança
16:17a conversa que eu tive com ele
16:18lá naquele 11 de novembro.
16:20Só para lembrar,
16:2111 de novembro,
16:22por coincidência,
16:24era a data lá do contra-golpe
16:26do Marechal Lott em 1955,
16:29que garantiu a posse do Juscelino e do Jânio.
16:34Comandante,
16:35o STF,
16:36alguns ministros do STF
16:37gostam de se apresentar como
16:38fiadores da democracia,
16:40que foi o STF que impediu
16:42que esse golpe ocorresse.
16:43A gente destacou aqui,
16:44numa capa da revista Cruzoé,
16:46lá em 2024,
16:47a partir das investigações
16:48e do depoimento do senhor,
16:50que agora é reforçado no livro,
16:51que as Forças Armadas foram,
16:53na verdade,
16:54quem impediu que isso continuasse.
16:56Só que tem uma ironia nessa história,
16:58porque hoje as Forças Armadas
17:00se desgastaram demais
17:01por conta desse processo.
17:02Então,
17:03eu queria um comentário do senhor
17:04sobre como é que o senhor acha
17:04que as Forças Armadas saíram,
17:06os militares saíram dessa história toda,
17:08e se é justo
17:09essa impressão,
17:11se é justa a impressão
17:12de que os militares
17:13estavam, de fato,
17:14colaborando com o golpe
17:15e as Forças Armadas
17:15estavam participando disso.
17:18Rodolfo,
17:18as Forças Armadas
17:19têm compromisso
17:20com o que é certo.
17:21Institucionalmente,
17:22apesar de quando eu falo
17:23que 37% da população
17:25achava justo
17:28um golpe de Estado lá atrás,
17:31logicamente que tem militares
17:33aí da ativa
17:34e muitos da reserva,
17:35até hoje,
17:37infelizmente.
17:38mas a última pergunta
17:41que me foi feita
17:42lá no STF,
17:43ao depor na ação penal
17:44de 2008,
17:45foi pelo ministro Fux.
17:47E ele me faz uma pergunta
17:48muito parecida
17:49com essa que você traz.
17:50Ele perguntou,
17:52a transcrição está no livro,
17:54brigadeiro,
17:56a que o senhor
18:00traz como
18:02não ter tido o golpe?
18:05Por que o senhor
18:06acha que não teve o golpe?
18:07E eu respondo para ele
18:08muito rapidamente
18:11a não unanimidade
18:13das Forças Armadas
18:14a favor do golpe.
18:15E aí, depois,
18:16durante o tempo
18:17que eu escrevi o livro,
18:18essa pergunta
18:19eu parei nela
18:20e fiz uma análise
18:22mais profunda
18:23do que a resposta
18:23que eu dei ao ministro Fux.
18:25Não teve o golpe,
18:26não foi por causa
18:27de um ministro,
18:29por causa de um comandante
18:30ou por causa...
18:31Não teve um golpe
18:32por causa que o povo
18:33não quer.
18:34o brasileiro
18:35não quer o golpe.
18:37Como uma outra pesquisa
18:38após o 8 de janeiro
18:39mostrou que 82%
18:41da população
18:42era contra o golpe
18:43só de testemunhar
18:46os eventos
18:46de 8 de janeiro.
18:48Então, não teve um golpe
18:49porque as instituições
18:51não quiseram,
18:52as autoridades
18:53não quiseram
18:54e o povo não quis.
18:56Então,
18:57não acho que tenha
18:58qualquer responsável
19:00único
19:01nessa,
19:03graças a Deus,
19:04continuidade da democracia.
19:06E não tem
19:07ninguém que precise
19:08ser herói,
19:09não deve.
19:10Eu acho que o brasileiro
19:11não precisa olhar
19:11como herói
19:12e ninguém que
19:14ajuda a cumprir a lei.
19:15É só uma obrigação.
19:31Agradecimentos
Comentários