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  • há 3 dias
Psicóloga explica que o sumiço repentino é uma forma de comunicação de quem não sabe lidar com a própria vulnerabilidade; saiba como não deixar o vazio afetar sua autoestima.
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Transcrição
00:00Você já ouviu falar em responsabilidade afetiva?
00:03Pois é, ela vai muito além dos relacionamentos amorosos.
00:07Está presente nas amizades, no trabalho, nas relações familiares.
00:11Mais em tempo de ghosting, relações casuais, expectativas mal alinhadas.
00:18Como evitar frustrações e construir vínculos mais saudáveis?
00:23Quem vai explicar pra gente é a psicóloga e neuropsicóloga Keila Rodrigues Mendes.
00:29Doutora, muito boa tarde, obrigado pela sua presença.
00:31Boa tarde, obrigado pelo convite.
00:33Doutora, é um assunto muito discutido nas redes sociais, né?
00:39Muito recorrente.
00:40E que a gente acaba vendo assim, a senhora falou um pouquinho aqui o que mais chega no consultório.
00:45Mas primeiro eu queria perguntar assim, o que é efetivamente essa responsabilidade afetiva?
00:51Boa tarde.
00:52Boa tarde.
00:52Então, eu recebi essa pauta pra conversar e eu achei tão interessante que eu falei,
00:55vamos já na essência, né?
00:57Responsabilidade afetiva.
00:59Quando a gente pensa em responsabilidade, a gente pensa numa pessoa madura.
01:01Uma pessoa que assume responsabilidade pelas decisões que toma, pelos compromissos que faz.
01:08Que uma vez que toma decisões que não estão bacanas, né?
01:11Vem lá e faz as reparações necessárias.
01:14E afetivo, né?
01:15Quando a gente pensa em efeto, a gente fala sobre relações emocionais.
01:18Nos vínculos que a gente estabelece ao longo da nossa vida.
01:21Então, é basicamente isso, né?
01:22A responsabilidade que a gente tem com o outro, quando a gente assume um compromisso com esse outro.
01:27Não necessariamente de um relacionamento só amoroso, mas também de relação afetiva, de amizades, né?
01:33No trabalho, né?
01:34Quando a gente tem um vínculo, uma relação com essa outra pessoa, a gente precisa ter essa maturidade, né?
01:39De olhar para o outro e pensar como é que esse outro está recebendo essa informação.
01:42Como é que ele está tendo...
01:45Como é que essa minha decisão, a minha forma de agir está reverberando nas emoções dele, sabe?
01:52Eu acho que isso é de uma maturidade muito grande, né?
01:54Então, é importante a gente ter muita clareza que para nós nos relacionarmos,
01:59a gente precisa estar sabendo com quem a gente está se relacionando e criando vínculo.
02:03Se essa pessoa é, de fato, responsável pelas decisões que toma, pelas ações que faz.
02:07Como é que a gente descobre isso?
02:09Porque muitas questões que envolvem o relacionamento é aquela questão assim,
02:14você está se envolvendo com alguém e, de repente, a pessoa some.
02:19Perfeitamente.
02:19Quais são os sinais, né?
02:22Tanto o homem quanto as mulheres, e aí a senhora pode abordar o que mais acontece,
02:28que nós precisamos ficar atentos para essa pessoa que não tem uma responsabilidade afetiva.
02:33Olha, isso é muito interessante que você está colocando para a discussão.
02:38Quando a gente fala sobre sexo, mulheres e homens,
02:41a gente tem uma diferença grande sobre essa questão da responsabilidade afetiva, né?
02:45Tem na tendência que as mulheres tendem a ser mais dependentes emocionalmente,
02:50a se responsabilizarem mais por essa outra relação com o outro, né?
02:55Acho que até por uma questão social, né?
02:57Pensando que a mulher, sobre ela, é colocada uma responsabilidade do cuidado, do zelo, do olhar, né?
03:03Perceber como é que essa pessoa está se portando, com os traços que ela está tendo na fisionomia,
03:08se ela está gostando ou não.
03:09É quase uma cobrança social.
03:11Ao passo que o homem, ele não tem tanto peso da sociedade quanto a isso.
03:15Então, ao contrário da mulher, ele tende a fugir, né?
03:20Não assumir, por exemplo, vulnerabilidades.
03:23Então, quando ele, por exemplo, é convidado para uma situação que ele acredita que não vai dar conta,
03:28a tendência dele é de fugir, né?
03:30De evitar aquela situação, né?
03:32Para não mostrar que ele não vai dar conta, que é vulnerável naquela área.
03:36Então, para algumas pessoas que são mais responsáveis,
03:39elas tendem a se comunicar de forma assertiva.
03:41Olha, muito obrigada pelo convite, né?
03:43Agradeço, mas eu não vou conseguir estar.
03:45Então, falar que não consegue estar,
03:47ou que não vai conseguir falar sobre aquilo,
03:50é de uma responsabilidade muito grande, né?
03:52Ou que não quer mais.
03:53Ou que não quer mais também, né?
03:54Fazer fechamento de ciclos, né?
03:56É muito sério, né?
03:58Quando a gente deixa a pessoa sem ter clareza, né?
04:01Sem ter consistência nas decisões que a gente fala,
04:03nas coisas que a gente se propõe a fazer.
04:06E a pessoa tende a preencher essas lacunas do vazio com o imaginário dela, né?
04:12As mulheres tendem a pensar que o problema está mais nelas, né?
04:15As mulheres não, né?
04:16De forma geral, né?
04:17A gente sempre tende a olhar pra gente e falar,
04:19nossa, eu sou uma pessoa inadequada, né?
04:21Eu não consegui atender a expectativa do outro.
04:23E, às vezes, não tem nada a ver sobre você.
04:25Tem mais a ver sobre a ineficiência do outro de ser claro,
04:27de ser consistente,
04:28de ser coerente com aquilo que assume como responsabilidade.
04:31Doutora, é possível alinhar expectativas no início de uma relação?
04:36O que precisa ser dito, por exemplo,
04:39no início de uma relação?
04:40E o que é considerado o início de uma relação amorosa,
04:44vamos dizer assim, um namoro?
04:46É preciso verbalizar alguma coisa?
04:49Isso é tão delicado,
04:50porque pra cada relação é de um jeito diferente.
04:53Acho que a gente precisa ter muita consciência de quem a gente é,
04:58sabe?
04:58Do valor que a gente tem,
05:00das qualidades que a gente construiu ao longo da nossa história de vida,
05:04e pra relação com essa perspectiva.
05:06Porque à medida que eu sei quem eu sou,
05:08até onde eu quero ir, os meus limites,
05:10aquilo que eu tolero, aquilo que eu não tolero,
05:13eu vou pra uma relação com o outro,
05:15preenchida, completa.
05:17Eu não vou ficar procurando no outro alguma coisa pra me preencher.
05:20Então, quando eu começo a me relacionar com essa outra pessoa,
05:23com essa perspectiva,
05:24eu não vou com ansiedade, sabe?
05:30De preencher essas lacunas,
05:32de ficar com medo do que a pessoa vai falar ou não vai falar,
05:35achando que o problema tá em mim, né?
05:37Eu vou analisar esse outro como um outro,
05:39esse outro que tá querendo se relacionar comigo,
05:41que tem as questões dele, os problemas dele, as histórias deles, né?
05:45E aí eu vou saber separar uma coisa da outra.
05:47Então, quando a gente começa a se relacionar,
05:49sem esse desespero da relação inicial,
05:52de querer fazer vínculo a qualquer custo,
05:54negociar qualquer coisa,
05:56a gente tende a ter mais paciência,
05:58de observar até os silêncios, por exemplo.
06:00Porque o silêncio, o ghosting, que o pessoal fala,
06:02é uma forma de comunicação.
06:03Ele tá dizendo que não dá conta.
06:05Então, quando a gente tá inteiro,
06:07a gente consegue olhar esse silêncio como uma forma de fala.
06:10E eu vou falar...
06:11Não sofre, então.
06:12Não sofre, não precisa estar numa relação
06:13que a pessoa não sabe se comunicar.
06:15Ela já tá dizendo que ela não sabe.
06:16Então, não adianta você insistir, sabe?
06:18Ou, se você tiver paciência pra ensinar, ok, né?
06:21Eu acho que também vale isso nas relações, né?
06:23Às vezes a pessoa tem muitas qualidades,
06:25mas nesse aspecto ele tem essa dificuldade.
06:27Então, às vezes vale a pena investir.
06:28Ou não, ou às vezes ele tem inúmeras dificuldades.
06:31Mas aí, dependendo da sua energia, né?
06:33Sua disponibilidade, vale a pena partir pra uma outra.
06:36O que acontece também muito, e aí eu falo das mulheres,
06:40não sei se é correto isso,
06:42é aquela questão do dia seguinte.
06:45Sim.
06:45Ah, ele não me ligou.
06:47Sim.
06:48E isso também é uma comunicação?
06:50Total.
06:51Sempre uma comunicação.
06:53Não, não, eu penso assim, né?
06:55Dentro da relação das terapias,
06:57eu penso e estudo muito sobre isso também, né?
06:59Quando a gente atende pessoas,
07:00a gente estuda todo tipo de coisa.
07:01E atende todo tipo de demanda.
07:03E o que eu mais vejo, no caso das mulheres, né?
07:06Quando o homem tem interesse de fato,
07:08ele vai atrás.
07:09Ele vai dizer.
07:10Ele vai se comunicar.
07:12Né?
07:13Quando ele, obviamente, é uma pessoa responsável,
07:15afetivamente falando.
07:16Quando ele é uma pessoa imatura,
07:18ou tem um apego, por exemplo, evitativo, né?
07:21A gente vai falar de uma teoria chamada
07:22teoria de apego.
07:24Ele tende a querer uma relação,
07:26mas ele não sabe sustentar aquela relação.
07:28Então, ele vai trazer informações meio inconsistentes.
07:31Vai dizer que quer, às vezes não quer.
07:32E aí vale também você pensar.
07:34Quero estar nessa relação mais uma vez, né?
07:37Porque às vezes a gente vai com essa necessidade
07:38de suprir uma carência.
07:40Então, esperar essa mensagem do dia seguinte
07:43é necessariamente estar nesse lugar
07:45de esperar, né?
07:46O outro.
07:47E não necessariamente.
07:48Às vezes não tem nada a ver com o outro.
07:50Tem a ver...
07:50Ou melhor, não tem nada a ver com você.
07:51Tem mais a ver com o outro que é contigo.
07:52E uma mensagem final, doutora,
07:54para quem não sabe se está numa relação,
07:57se está saindo de uma relação
07:58e fica naquela dúvida,
08:00naquela corda bamba.
08:01O que fazer?
08:02Como abrir essa conversa?
08:03Tem a responsabilidade afetiva.
08:05Seja você a pessoa que vai trazer
08:08essa maturidade para a relação
08:09e sentar.
08:09Olha, nós estamos aqui hoje,
08:11já temos alguns tipos de encontros.
08:13Eu tenho uma perspectiva de vida,
08:15tenho um objetivo a alcançar, né?
08:17Sem querer ser, obviamente,
08:18muito cartesiana, né?
08:19Muito pragmática.
08:21Mas ser claro.
08:22Olha, eu quero isso para mim.
08:24Você está nessa?
08:25Não, não está.
08:26Beleza.
08:26Eu topo não estar nessa também?
08:29Porque às vezes eu...
08:29Pô, beleza.
08:30Acho que eu estou afim nesse momento da vida
08:31de estar nessa relação.
08:33E não, não quero perder tempo com isso.
08:35Eu tenho outras coisas para gastar energia.
08:37Então, é você trazer a razão para a relação
08:40e dizer, olha, daqui para frente é o quê?
08:42Só para saber, né?
08:43Hoje você pode fazer até logo no início.
08:45Tem pessoas que estão mais descoladas,
08:46conseguem fazer isso logo no início.
08:48Eu sou desse tipo de pensamento, né?
08:50Se você quer alguma coisa,
08:52já define logo no início
08:53para saber que é o caminho
08:54que você vai tomar na relação
08:56que você está estabelecendo ali de vínculo.
08:58De todos, né?
08:59Tanto de amizade,
09:00quanto de trabalho,
09:01quanto amoroso.
09:02Ok.
09:02Conversei aqui com a psicóloga,
09:05neuropsicóloga,
09:05doutora Keila Rodrigues Mendes.
09:07Muito obrigado pela participação.
09:08Obrigada pelo convite, gente.
09:09Um prazer.
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