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Categoria

🎈
Diversão
Transcrição
00:28A CIDADE NO BRASIL
00:50A CIDADE NO BRASIL
00:58A CIDADE NO BRASIL
01:01A CIDADE NO BRASIL
01:22A CIDADE NO BRASIL
01:33A CIDADE NO BRASIL
01:43A CIDADE NO BRASIL
02:12A CIDADE NO BRASIL
02:42A CIDADE NO BRASIL
02:56A CIDADE NO BRASIL
03:08A CIDADE NO BRASIL
03:11A CIDADE NO BRASIL
03:18CDADE NO BRASIL
03:20A CIDADE NO BRASIL
03:21A CIDADE NO BRASIL
03:23A CIDADE NO BRASIL
03:29Nosso idioma, o vascaíno.
03:46Vamos parar de zombar que você não entende nada disso.
03:51Não é pro teu bico não, palhaço.
03:55Ô, dona Magda, olha aqui, eu tô entendendo a língua deles, eu tô entendendo tudo em oi, tô entendendo os
04:01bração, opa, tô entendendo os pernão, olha aí, tudo bem?
04:20Gente, olha aqui, não podemos mudar os hábitos desses índios.
04:25Essa é a regra mais importante da minha ONG, a Vavíndio.
04:47Ó, Pêro Vavá, a gente caminha.
04:51Chegou a hora dessa gente avermelhada mostrar o seu valor.
04:55Eu estou aqui com um colar de contas das despesas dele de aluguel, comida.
05:02Passa, bufunfão.
05:03Desse jeito, quem vai acabar de tanga sou eu.
05:06Ó, Laki, pelo que eu tô entendendo aqui que o Goiabara Cascão tá falando,
05:11é mesmo, é, tá falando que vai colocar o Yanguera dele no meu Pacaembu.
05:16Ah, Yanguera, Pacaembu, será que isso é uma tribo fanha?
05:20Ô!
05:23Vavá, desta vez você passou de todos os limites.
05:27Isto aqui está parecendo a porta do INSS em dia de carnaval.
05:31Ou então um grupo de empresários depois de serem exaltados por você.
05:36Como você está cômica.
05:39Vem!
05:40Ô, rapaz, tá doido?
05:41Nem mais uma palavra.
05:44Ó, grande cabeção que fala.
05:48Olha, esta mulher que vocês estão achando que é boa coisa,
05:53esta mulher é a pior de todas.
05:55É cobra da cabeça grande.
05:59É, ela é anti-ecológica.
06:03Não pode ver um pau de pé, derruba todos.
06:07Ela acabou com o pau mulato.
06:09Por causa dela é pau mulato.
06:12Ah, extinção.
06:15Ah, não aprendeu?
06:20Pode ofender a vontade, grande espírito de porco.
06:25Eu estou nisso aqui só para receber dinheiro.
06:27E já recebi.
06:28Olha, assim não dá, viu?
06:30Fui tomar meu café da manhã, fui procurar meu patê de foie,
06:34encontrei patê de jaca.
06:36É demais.
06:36Ah, eu também acho demais, amor.
06:39Demais.
06:39Eles não são demais.
06:41Olha, eu só tenho uma palavra para definir.
06:43M-A, chapéuzinho, C-H-I-M-O.
06:47Maravilhosos, né não?
06:49Não são.
06:52Márida!
06:53Eu vou lhe dizer uma coisa.
06:54Eu só não sirvo você para sair de assada
06:56com uma maçã assada na boca
06:58que é capaz desses palhaços gostarem de carne de jumento
07:01que minha mulher não é comida de índio.
07:11Calma, calma.
07:17Calma, calma.
07:19Olha aí, está vendo?
07:20Está vendo que se aprontou?
07:22Já ficaram bravos.
07:23Isso aí é dança de guerra.
07:25Eu conheço essa dança da guerra.
07:27Sabe como é que chama?
07:28Na boquinha do pau-brasil.
07:30Que dança de guerra, o cacete.
07:33Isso é coreografia cafona folclórica de academia de subúrbio.
07:37Pobre que adora botar as pobres na academia.
07:41Aí fala.
07:42Academia Daiane Menezes.
07:45Crássico e gés.
07:50Final de ano aquela desgraça.
07:52As pobres gordas, tochadas numa armália.
07:54Com uns pompom na cadeia.
07:56É fantástico.
08:27Aí a mãe pobre.
08:28Fim da manhã.
08:29Dá pra ficar de fora, velha.
08:30Ô, bororó.
08:32Ô, bororó.
08:33Chega.
08:34Tirene, vou te sentar num bloco de gelo pra esfriar teu bororó.
08:37Sim, senhor.
08:38Passa.
08:39Dá licença.
08:40Eu tô aqui.
08:40Dá licença.
08:41Isso.
08:42Agora tem uma coisa, hein?
08:44Eles estão defendendo a terra deles e eu vou ajudar.
08:48Claro, antes eu preciso legalizar a minha ONG, a Vavinco.
09:00Eu sou um legítimo dinamarquês.
09:03Não vou viver no meio desta vulgrada pintada de vermelho.
09:06Qual que é que é isso?
09:08Ao contrário, eu acho eles ultra fashion.
09:12Ô, Sirene, vão comigo numa granja de 1,99?
09:15Vê se a gente descola uns modelinhos de pena assim.
09:18Eu acho que vou ficar uma graça de coquinho.
09:21Ô, dona Magda, é coca.
09:23É coquinho que a senhora tem dentro dessa cabeça.
09:25Cheia de água.
09:26Vambora.
09:26Vambora.
09:28Ó, passarinho.
09:37Cheguei.
09:41Obrigado.
09:47Seu caco, seu caco, olha, arrumei um trampo em cima das índias também, sabia?
09:50Vou fazer um ensaio fotográfico índio erótico, lá na caixa d'água.
09:55Já sei até o título que eu vou botar nesse meu ensaio.
09:57Se a reserva indígena é assim, imagine a titular, não é bom não?
10:01Tá pensando que isso aqui é o quê, ô palhaço?
10:03O quê?
10:04A floresta do fantasma?
10:06Vá procurar teu bando de pigmeus?
10:09Olha, uruminou.
10:10Rolá, mano, sonhão, não, não.
10:12Rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá.
10:16Seu cuidado, tô fazendo rodinha, cuidado.
10:18O que que estão fazendo ali?
10:19Tão fazendo a marca que a diretora Sininha marcou ali.
10:22É, eu vou...
10:25Rolá, rolá, rolá, rolá.
10:27Olha, eu vou pegar toda a produção de colares de um ano.
10:33Ficarei com tudo.
10:34Os portugueses fizeram isso e se deram bem.
10:36Toma rumo.
10:37Rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá, rolá.
10:39Não, não, não, não, não.
10:40Vim pirar a poeira.
10:41Não, não, não, rolá, rolá, rolá.
10:42Ah, pronto.
10:43Ei, pera aí.
10:44Ah, dá isso aqui, dá isso aqui, dá isso aqui.
10:45Dá isso aqui.
10:46Ah, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai, vai.
10:48É, lá, lá, rolá.
10:49Ô, seu caco.
10:51O senhor enganou.
10:52Os índios de quem ia fazer isso era eu.
10:55Os mamelucos foram embora.
10:57Minha alegria não é completa,
10:59porque eles não tiraram o escalpo do louro safado.
11:03Ah, o caráter, eu sei muito bem qual é a tua.
11:05Pô, você não queria que eu ganhasse dinheiro com os colares indígenas?
11:10Você queria ficar com tudo pra você,
11:11pois passei-te a perna, compreendeu?
11:15Quem diria?
11:17Um homem que já assaltou a casa da moeda,
11:20já derreteu a taça de ribe,
11:23a gorda tá roubando o colar de índio.
11:27É, já tem pior, dona Cassandra.
11:29Não deixou eu fazer o meu ensaio fotográfico com as índias.
11:31Viu, dona Cassandra?
11:34Dona Cassandra,
11:35só não quer colocar um coca na cabeça
11:36e subir comigo lá na caixa d'água
11:37e tirar uma foto pela dona, não?
11:38Hein?
11:39Não faça uma loucura dessas?
11:40Ataíde!
11:41Esse cabeção pode entupir os canos.
11:43Ah, não, não.
11:44Deixa eu passar essa.
11:45Ataíde, eu sou uma dama, uma mulher fina.
11:48É?
11:49Você...
11:49Sou.
11:50Sou uma dama, uma mulher fina.
11:53E você saia daqui antes que eu corte o teu cabirinho
11:57e bembro de um jacaré com ele.
12:00Ela vai cortar meu cariri.
12:03Ó, Ataíde e Júlio, vamos lá pra portaria
12:05que senão a gente vai entrar em extinção.
12:06Com licença.
12:07Vem mais uma palavra.
12:14Faltam minhas palavras
12:17pra dizer o que eu penso de você.
12:20E como as palavras não me chegam, eu vou embora.
12:24E sabe fazer o quê?
12:25Vou comer num restaurante novo que abriu.
12:28o francês, o espetáculo.
12:29Fui.
12:30Vai, vai, mico leão dourado.
12:35Mami, nós fomos pro Iraí procurando animais com penas,
12:39patos, gansos, porcos, não encontramos nenhum.
12:43Não foi?
12:44O animal penado que eu encontrei foi esse aqui, olha.
12:47Essa petequinha.
12:48Eu vou fazer uns cocares dela.
12:50Você quer que eu faça um cocá pra você, mami?
12:52Ei, pra fazer um cocá pro cabeção vai precisar de uma 100 peteca dessa.
12:58Aqui, cadê o zinco que eu tava azarando, hein?
13:01Ora, o que acontece é que todo mundo que entra nessa casa
13:04foram assaltados pelo Caco Antibes,
13:06que botou os coitadinhos pra fora com uma mão na frente e outra atrás.
13:10O quê?
13:11Uma mão na frente e outra atrás?
13:13O Caco destroncou os coitados.
13:16Ah, eu não tô acreditando.
13:18Eu tava apegada àquela tribo, eu tava me aculturando,
13:22eu tava quase conhecendo a lamenda jaú deles.
13:24Mas eu vou passar um fax, olha.
13:29Deus me livre, pobre, não pode vir uma tampa
13:33que já começa a fazer batucada.
13:35Ah!
13:41Magda, é um absurdo!
13:43Alguém mandou os índios acamparem no Ibirapuera.
13:47Lógico, chamaram a polícia, foram todos presos.
13:50E eu fico pensando, quem poderia ter feito uma maldade dessas?
13:54Comi como um deus.
13:56Que restaurante espetacular.
13:58Uma refeição digna dos deuses.
14:00Não fiquem com esta cara.
14:02Lembrei de vocês e trouxe uma lembrancinha.
14:04Um pequeno arroto.
14:08Obrigada, meu amor.
14:11Eu não vou aceitar porque eu já comi agora.
14:15A culpa é sua
14:16para aqueles índios terem sido presos.
14:18Caco Antibes.
14:19Será que você não sabe, cara,
14:21que todas as raças são iguais?
14:23Os brancos, os índios,
14:26os amarelos,
14:28os azuis, os estampadinhos.
14:32Sabe, seu Caco,
14:33tem coisas na vida
14:35que são
14:36inecessárias.
14:47E ainda vou dizer mais,
14:49eu nasci loura, sabe?
14:51O senhor acha
14:53que todas as pessoas
14:55que o senhor conhece,
14:56o senhor pode roubar,
14:58maltratar,
14:59fazer uso do corpo.
15:00Eu estou por aqui com o senhor,
15:03seu loura estragado.
15:06Ah, pintora de rodapé.
15:09Roubar não fica um ciúme.
15:10Eu roubo sim,
15:11gosto de roubar um ou outro,
15:13mas você,
15:14eu sempre roubo primeiro.
15:16Sabe o que eu acho, Caco?
15:18Que você é pior
15:19que o esquema tático
15:21da seleção brasileira.
15:22Me diz uma coisa,
15:23como é que eu agora
15:24posso salvar os índios?
15:26Eu quero saber
15:27quem vai me salvar dos índios.
15:29Ai, seu Caco,
15:30como dói!
15:31Ai, como dói!
15:33Ai, como dói!
15:37Ai!
15:37Essa taíde?
15:38Ui!
15:38Esse farmacêutico
15:39é um louco?
15:40Colocou um supositório gigante?
15:43Não é isso?
15:43É uma flecha.
15:45Mas é uma flecha?
15:47É.
15:48Deixa eu ver.
15:49Não é, meu Deus.
15:49Deixa eu analisar.
15:51Vira aqui.
15:53Ah, meu Deus.
15:56Olha que eu tenho
15:56flatulência, hein, filho?
15:57Cuidado.
16:00É só pra aliviar.
16:05Ataíde!
16:09Filenço!
16:11Ataíde!
16:12Uma flechada dessas
16:13vale 100 pontos.
16:14Eu vou me queixar,
16:16afunai.
16:17Esses safados
16:18vão ter que tapar
16:19o furo que fizeram
16:20no Duende de Bambuluá.
16:21Ninguém vai tapar
16:22a fura de mim, não, hein?
16:23Vai tapar a fura aqui, não, viu?
16:24Ó, e se quiser também
16:26tomar satisfação,
16:27vá tomar satisfação
16:28aqui, ó,
16:29do bofão aqui.
16:44Raul.
16:45Raul.
16:46Raul.
16:46Raul.
16:47Raul, are you?
16:48Eu vou bem.
16:48Raul, cacique Barilari.
16:49Raul.
16:50Raul.
16:50Eu vou muito bem.
16:52Muito prazer,
16:53cacique Ubirajema.
16:55Meu pai era Ubirajara,
16:56minha mãe Jurema.
16:57Por isso eu sou cacique Ubirajema.
16:59Mas pra vocês,
17:00podem me chamar de Bira.
17:02Hum, cacique Ubirajema?
17:04Mas o cacique tem nome de pobre,
17:06cá pra nós.
17:07Ele deve ser da tribo
17:09dos Creuzoré.
17:11Mistura de Creuzoré com a Imoré.
17:14Acabei de soltar
17:16a minha tribo da cadeia.
17:18Agora tô voltando
17:18pra minha aldeia.
17:19Mas antes eu quero
17:20levar pele de homem branco.
17:22Tu tá ligado?
17:23Ô, louro safado,
17:24tu tá ligado?
17:24Que eu quero a tua pele
17:25pra enfeitar a minha oca.
17:26Que isso?
17:27Caculinha,
17:28Dalton.
17:30Quem souber
17:30aprender,
17:31canta junto.
17:32Vamos lá.
17:36Pego esse louro
17:38e tiro a pele
17:39pra vender.
17:44Pego esse louro
17:45e tiro a pele
17:46pra vender.
18:00Muito prazer,
18:01cacique Ubirajema.
18:03Eu fiquei muito feliz
18:04em saber que o senhor
18:05veio aqui pra arrancar
18:06a pele do louro safado.
18:08Mas eu vou lhe avisar
18:09numa coisa.
18:09A pele é como dono.
18:11Não presta.
18:13É, não dê ouvidos
18:14ao grande cabeção
18:15que anda.
18:16Isso aqui,
18:18doida,
18:19doida.
18:20É.
18:21Doida.
18:21Doida.
18:22Bateu cabeça
18:22quando o pequena
18:23caiu da rede,
18:26quebrou o coco.
18:27Se quer pele,
18:29não pega a minha.
18:30Pega a de bavá.
18:31Pele já vem com
18:32dois suspensórios.
18:33Muito bom,
18:34tu transforma
18:34numa rede.
18:35Mais espetáculo.
18:36Epa,
18:36minha pele não.
18:38Pode tragar-se
18:39em alguns lugares,
18:39não muito usada
18:40em outras,
18:41mas é a única pele
18:41que eu tenho.
18:43parado aí.
18:45Ô cabeção
18:45da cabeça amarela,
18:46parado aí.
18:47É isso.
18:47Mais um passo,
18:49você vira louro
18:50no espeto, hein.
18:50Não, não,
18:51não faça uma coisa
18:52dessa,
18:52você não pode fazer
18:52isso comigo,
18:53sabe por quê,
18:53ô cacique?
18:53Vou lhe dizer
18:54porque nós temos
18:55praticamente o mesmo
18:56sangue.
18:57É verdade.
18:58É verdade.
18:58É minha avó,
19:00minha avó,
19:01que era muito amiga
19:02da baronesa Maisfielda,
19:04minha avó era índia botucuda.
19:07Tinha uns beijos assim,
19:08tinha um disco no beijo,
19:09a gente ia pra praia
19:10com a vovó,
19:10brincava com ela,
19:11zunia a velha longe
19:12pro cachorro pegar.
19:15Vovó era botucuda.
19:17Você índio?
19:18Era índio de qual tri...
19:19Peraí,
19:20peraí,
19:20peraí,
19:21que grande tupã
19:22que tá no céu
19:22que tá mandando mensagem.
19:23Peraí,
19:23peraí.
19:25Tá querendo dizer
19:27que é ruim,
19:29é ruim.
19:30Depois de descoberta
19:32safadeza,
19:33eu só quero saber
19:34onde é que esse louro safado
19:35tá querendo sentir
19:36o veneno da minha flecha.
19:37Na minha sogra.
19:44Eu, vem!
19:51Pega a pacaiua nu,
19:54pega a anta e o doutor,
19:58todo mundo faz a roda
20:01com o dedo no xingô
20:03contra o ar Red Bull.
20:05Uh, uh, uh,
20:07contra o dedo no xingô.
20:11Pega,
20:12para!
20:13Para daí!
20:14Para daí!
20:15Magda,
20:15sua louca,
20:16daqui a pouco
20:16o cacique
20:17vira,
20:18mete flecha
20:19em todo mundo.
20:21Olha,
20:21essa moça
20:22eu nem conheço.
20:23Ela costuma dizer
20:24Que é minha filha, mas é mentira
20:27Raul
20:32Alô, pronto
20:33Pera um instantinho
20:34Que é interrubando lá da tribo
20:37Demanda o tatu aí
20:38Demanda, tá dando o pedido a toca
20:40Caragua tatu
20:43Caragua tatu
20:44Tá certo, tá certo
20:47Está chovendo na minha tribo
20:49Fazia 10 anos
20:51Que não chovia lá na tribo
20:52Sabe por quê?
20:52Sabe por quê?
20:54Porque mulher branca, peituda, gostosuda, popozuda
20:56Fez dança pra mim
20:57Mas sim
20:58Pera, porque eu só não entendi uma coisa
21:01O que é que o Paraguaçu tem que ver com as calças
21:03Não, você não se mete, ô telhado de farinha
21:05Não se mete, a história é contigo aqui
21:07Minha deusa, dança de novo pra mim
21:10Que assim eu vou te coroar
21:12A deusa da chuva da minha tribo
21:14Que deusa o quê, rapaz?
21:16Que mané deusa o quê?
21:18Deus é o cacique, fico só sabendo
21:20Eu sou deusa de caco
21:21Caco Antibes
21:22E só ele tem o direito de beijar os meus pezinhos
21:24Pés estes
21:25Que aliás, um dia ele os pediu em casamento
21:28É deusa de caco
21:29Parada contigo então, meu irmão
21:31O negócio é o seguinte
21:31Se tu se liga
21:32Que eu vou te contar uma parada sinistra
21:34Se essa tua mulher não fizer essa dança da chuva agora mesmo
21:37Tá me entendendo?
21:38Eu vou pegar a tua pele
21:39E se a tua pele for ruim
21:43Eu uso como papel engenheiro
21:46Então é o seguinte, ô cacique
21:49Eu vou bater pra tu, pra tu bater pra tu
21:52Compreendeu, ô bençudo?
21:54Que é o seguinte
21:55Aqui não tem essa história não
21:56Compreendeu?
21:58Eu vou lá dentro ver o texto
21:59Depois eu volto pra te dizer
22:02Seu cacique, calma, calma
22:04Fique tranquilo
22:05O senhor quer tomar alguma coisa?
22:06Uma bebidinha?
22:07Comer alguma coisa?
22:08Eu só não lhe ofereço uma roupinha mais confortável
22:11Porque mais confortável que isso, só pelado
22:13Tu tá querendo me rolar o barriga de boca?
22:15Não, não, não
22:15O que é isso?
22:16Eu tô de acordo com o cacique
22:19Eu tô do lado do cacique
22:20Só que eu vou ficar longe
22:21Porque eu já vi que é mais seguro
22:24Ô doutor cacique, Bira
22:26Eu sou a mãe da deusa
22:28Só que Magda não faz chover
22:31O que ela faz toda noite é molhar o colchão
22:38Cabeção tá me dando uma boa ideia
22:42Eu acho que eu posso até levar
22:44Palmeira de açaí gigante pra minha tribo, né não?
22:47Vem comigo, vem, vem palmeirão
22:49Vem palmeirão
22:51Tô me sentindo elba
22:55Eu com um cacique desse topava qualquer programa de índio
23:00Então, oferece a tua carne, a tua carne barata pra ele no meu lugar
23:07Ô, opa
23:09A minha carne, quanto mais tu bater, mais gostosa fica, sabe?
23:16Vem comigo, vem que eu vou te catequizar todinho
23:18Que é isso?
23:21Já tô com a sirene na cabeça?
23:23Pensei que era uma arara de repente
23:25Pô, eu tava querendo fazer, tirar da anaconda o couro, né?
23:29Que é pra fazer umas bolsas, vender aquilo tudo por R$ 1,99 na loja de turistas
23:32Eu tava querendo isso
23:33Não, não, não, entrega isso pra Tupã
23:35Vem comigo
23:36Vem, baila comigo como se baila na tribo
23:39Lá no meu esconderijo
23:42Já tô vendo que pequena preada do brejo tem fogo na Iambiquara, né não?
23:48E tu tem o que no pé?
23:51Vem, vem, vem, rola aqui, ó
23:52Fazer um sinal de fumaça lá dentro
23:54Vamos, vamos, fazer um sinal de fumaça
23:56Ai, seu Caco, seu Caco, me ajuda
24:00Me ajuda, pelo amor de Deus
24:01Agora é a porteirada que quer invadir a minha reserva indígena, seu Caco, me ajuda
24:06Tem mais uma aqui
24:08Tanta popozula dando sopa por aí, escolheram a tua bunda como alvo
24:12Tira, tira, tira, tira
24:12Peraí, vamos lá
24:13Tira, tira, tira
24:14Ai, ai, ai, ai
24:16Ai, que mão forte
24:19Parece uma rocha
24:22É texto, hein, galera
24:25A ponta ficou lá dentro, nunca mais será recuperada
24:28Ai
24:29Caco, eu andei pensando, refleti bastante
24:32E decidi que sim, eu vou dançar pro Cacique
24:35Eu pretendo ser a nova chacrete da chuva
24:39Meu bem, eu sabia que você servia pra alguma coisa
24:42Agora descobri pra o que é
24:49É uma coreografia
24:51Segura o beijo
24:52Ah, meu pai
24:54Opa
24:56Sabe o que eu já falo pra ele o tempo todo?
24:58Ficar com as crianças
24:59Que eu saio pra curtir
25:02Faltei o tempo todo pra ele
25:03Opa, tira o pé, senão fico
25:08Gente, por mim todo dia seria dia de índio
25:11Ô, seu Cacicão
25:12Ô, seu Cacicão
25:13Lá naquela sua tribo só tem índia pelada, né?
25:16Virgem mesmo, só a mata, né?
25:17Você não quer me arrumar uma vaga lá pra mim, não?
25:19Pelo amor de Deus
25:19Ah, tu manda até o currículo pra pigmeu, filhote de lagartixa
25:23Ô, senhor Cacique, eu resolvi que sim, vou dançar pra sua tribo e pra várias outras
25:29O tribo Tupi, tribo Guarani, Ponte Preta, nenhuma tribo vai ficar sem chuva
25:34Ótimo, ótimo, porque dessa forma marido com cara de quindim fica e mulher branca peituda gostosuda vai com Cacique pra
25:42tribo
25:42Não parece não, palhaço
25:43Opa, peraí, não xinga ele não que eu tô pegando
25:46Me leva também
25:47Me leva eu contigo
25:48Passa o seu amigo
25:49Olha aí que eu, ó
25:50Eu canto, danço, represento, sapateio
25:53Sabe como é que é?
25:54E ainda estou representando, modelo, atriz e manequim
25:57Ainda estou representando a peça infantil
25:59Quem quer se amigar com a dona baratinha?
26:02Ô, seu Cacicão, me leva como brinde, olha
26:03Olha só, eu sou pequenininho, eu ocupo pouco espaço
26:06E ainda posso servir de almofadinha pra sua, ó
26:07Olha que bonitinho
26:10Cacô, eu, eu, eu, eu não sei se eu quero ir lá com esse pessoal, não
26:13Eu, sei lá, eu sem roupa me sinto assim, tão, tão, tão nua
26:17Deixa comigo, meu bem, deixa comigo
26:19Olha aqui, ó, olha aqui, ó
26:20Rola, rola, rola, rola, rola, rola, rola, rola, rola, rola, rola o seguinte
26:23Não é assim não, rapaz
26:24Não pense você que vai chegando aqui e levando minha mulher
26:27Em troca de colazinho de dente de osso e esteirinha de palha
26:32Trambiqueiro oxigenado
26:34Dente de osso e esteirinha de palha eu só ofereço pra branco burro
26:38Pra você eu tô oferecendo são dez quilos de ouro
26:41Ou então a grande esmeralda do Xingu
26:51Dez quilos de ouro
26:52Ou a grande esmeralda do Xingu em troca da mulher que eu amo
26:59Serei fiel a você, meu bem
27:00Amor
27:01Vou lhe escrever todos os dias
27:02Vai embora, Deusa coçuda
27:04Vem pra cacique, vem
27:06Vem pra cacique, vem pra cacique
27:19Vem
27:19Como é que você pode vender, magra?
27:25Ela é metade de mim
27:28Eu, por isso, eu exijo de você 50%.
27:35Não lhe dou nada!
27:37Seu Caco, me vende pros índios também, seu Caco, por favor.
27:39Olha só, lá naquela tribo do Xingu, fica todo mundo peladão.
27:42Olha, é só entrar numa oca lotada que a gente perde a virgindade, seu Caco.
27:45Ainda pode perder duas vezes, entendeu?
27:47Você enlouqueceu?
27:48Você quer ir pra Amazônia?
27:50Imagina você pelado correndo na floresta.
27:53A jiboia vai pensar que é um ratão do banhado e se abra o chão.
27:56Seu Pule é descolorido.
27:59Se Magda for pro Xingu, eu vou denunciar você pro Ibama por tráfico de animais silvestres.
28:07Deixa de ser louca.
28:08Magda será expulsa da tribo.
28:10Claro que ela vai acabar fumando a mandioca e comendo o cachimbo da paz.
28:14Agora não me encha um saco.
28:16Eu tenho que resolver se eu fico com o ouro ou com a grande esmeralda do Xingu.
28:20Aí, tia.
28:21Ô, tia, me dá uma esmeralda.
28:23Eu não sou sua tia.
28:23Ô, tia, me arruma aí.
28:24Entera aí um dinheiro pra minha passagem pro Xingu, tia.
28:26Olha só, até pra ajudar, eu já vou tirando logo a roupa pra ficar no clima da tribo.
28:30Não se atreva, ligeirinho.
28:33Feche a gaveta das miudezas.
28:36Eu agora vou estudar as tradições indígenas.
28:41Pra aprender.
28:43Pra aprender a embolar.
28:45A dar o bote em cacoadipos.
28:50Ataí, de socorro.
28:52Aquele cacique tá se fregando tanto em mim, tanto no meu corpinho, que tá chegando a sair fumaça.
28:57E o pior, ele tá querendo aproveitar a fumaça do meu corpinho pra fazer sinal.
29:00Sabe o que ele tá escrevendo?
29:01Quero macho, quero macho, quero macho.
29:05Volta aqui na minha tribo.
29:07Cacique tem 38 mulheres.
29:08Não tem nenhuma que tu leva a tacape 38 vezes também.
29:11Peraí, seu cingu, olha só, faz uma coisa, me leva pra sua tribo também, viu?
29:14Olha, caiu não, nem me torre, tudo bem.
29:16Olha só, se uma das suas 38 mulheres enguiçar, eu posso consertar que eu tô estudando mecânica, entendeu?
29:21É mesmo?
29:21É.
29:22Bom, cacique pode até pensar no caso, se pequeno sagui conseguir pra mim, aquele cocá fixo de caçandra.
29:30Sim, o murundu, porque vai ter uma festa funk na selva e cacique tava querendo usar.
29:35Combinado, cacicão, combinadão.
29:37Difícil vai ser mim encontrar serra elétrica pra arrancar a cabeção.
29:40Mas vou tentar.
29:41Você tenta, você tenta.
29:44Olha ali uma peninha tua que caiu, vai lá, vai.
29:48Seu cacique, eu acho que esse casaco aqui tá ultra na moda lá na Amazônia, né?
29:55Cacique Bira, eu vou junto.
29:57Vou junto pra tomar conta da Magda, não conhece isso aí.
30:00De repente ela começa a comer toda a mata da Amazônia.
30:03Não tem problema, grande suspensório.
30:05Até porque o jatinho de cacique já tá à espera da gente ali em Cumbica.
30:09Não, hein?
30:11Não.
30:13Pequena preá do brejo não precisa fazer a mala, não?
30:17Hein?
30:17Porque pequena preá a partir de agora só vai usar folhinha de parreira.
30:22Não, pro peitão precisa de folha de bananeira.
30:24Vai pra ouvir isso.
30:25Não quero tuas folhas não, palhaço.
30:27Não quero mesmo.
30:28Eu não quero virar ainda.
30:29Olha isso, eu vou lá.
30:29Depois meus peitos vão ficar caídos.
30:31Eu não quero.
30:33Sirene, o problema é o seguinte.
30:34Pela tradição da tribo, transou com o cacique e tem que casar com o cacique.
30:38Não liga pra esse negócio de peito caído, não.
30:40Pega uma rede, faz um chutiã, quebra o galho.
30:43Eu, como deusa da chuva, declaro vocês cacique e caciuda.
30:50Depois do casório feito, tu aguenta o tranco.
30:52Tu vai pra cozinha agora, pega uma trouxa com material de limpeza, que eu quero o chão
30:56daquela oca hoje, Tinino.
30:57Eu quero aquilo encerado, brilhando, quero as minhas tangas lavadas e passadas todo dia.
31:01Vamos.
31:02Olha aí, no que eu fui me meter, só fui dar uns pegos, olha aí.
31:06Eu já tô até sentindo saudar lavar as cuecas, assim, mentindo a besta do seu caco,
31:09viu?
31:10Dá licença.
31:11Sabe outra coisa também que eu vou fazer, como deusa da chuva?
31:14Eu vou fazer chover pros grandes, pras crianças, só gotinhas.
31:18E eu vou estar nomeando também uma deusa guarda-chuva, pras pessoas não se molharem
31:23demais.
31:25Cacique!
31:27Cacique!
31:28Olha, isso.
31:30Olha, cacique, eu já resolvi.
31:33Eu vou ficar com ouro.
31:36É, 10 quilos de ouro.
31:37Vou botar numa banheira, me deitar dentro e criarei a maior joia da história da humanidade.
31:42Ouro cravejado de Caco Antibes.
31:44Grande escolha, Caco Antibes.
31:47Ouro é a sua cara.
31:49Se colocar um do lado do outro, não se sabe o que é Caco, o que é ouro.
31:55Amiga.
31:56Amigo.
31:57Como você é legal.
31:59Como você é gente.
32:02Eu te conheço, cabeção.
32:03Se você está feliz porque eu escolhi o ouro, é porque eu deveria ter escolhido a outra
32:08coisa.
32:08Acabo de mudar de ideia.
32:10Não quero mais o ouro.
32:11Eu quero a grande esmeralda do Xingu.
32:14Negócio fechado.
32:15Fechado.
32:15Então, cacique, agora já está providenciando a vinda da grande esmeralda do Xingu, que
32:19está chegando pelo correio da tribo, que é de canoa mesmo.
32:22Está saindo do Xingu e desembarcando no Tietê.
32:27Magna, vamos aproveitar.
32:28Temos tempo para um canguru de despedida.
32:30Vamos, meu bem.
32:31Eu só não posso sacudir muito, tá?
32:33Que agora eu sou a deusa da chuva, de repente dá uma inundação em São Paulo.
32:37Calma, calma.
32:38E eu vou para o meu quarto, colocar a roupa na mala.
32:41Aliás, vou tirar a roupa da mala.
32:43Sim, porque lá no Xingu eu vou passar o tempo todo cutupando de fora.
33:02Tira a mão suja do meu cabelo, capivara trombadinha.
33:09Ô, dona Cassandra, eu só preciso de um pedacinho do seu cabelo, viu?
33:11É que é para fazer um cocá do seu Xingu.
33:13Quer dizer, se a gente pegar um pedaço grande, se sobrar, a gente faz uma oca para a tribo toda,
33:17mas não tem problema.
33:17Só um pedacinho.
33:19O cacique devia era pegar você e botar no anzol para pescar deste boi.
33:24Ô, Ataíde, coisa...
33:26Ô, que é isso, Ataíde?
33:27Ô, coisa pequena, eu estava pensando.
33:29Você não quer perder a sua virgindade?
33:31Sirene!
33:32Não, pera aí.
33:33Não aqui.
33:34Desculpa, dona Cassandra, é só um toque, assim, uma coisa.
33:37Eu acho que você deve encarar esse problema de frente, né?
33:40Ou de costas, como preferir.
33:42Agora...
33:43Eu estava pensando, tu não quer ser, assim, a trigésima nona esposa do cacique, não?
33:48Hã?
33:49Já pensou?
33:50Ele te carregando no colo, te colocando no solo da taba, na oca, hein?
33:56Você com vestidinho de penas brancas.
33:58Ai, nós deitados, assim, numa esteira giratória.
34:02Isso.
34:02Com miçangas no teto.
34:03E ele bem em cima de você, hein?
34:04Espelhos na parede e eu pegando...
34:06Ai, ai!
34:07Que isso, Ataíde, para!
34:09Ô, até ruim, hein?
34:10Tacape no segundo dos outros é refresco, né?
34:12Não vem conversar comigo, não.
34:13Peraí, ô, Tainá!
34:14Ô, Tainá!
34:15Olha aqui.
34:16Eu não te contei ainda o que ele faz com aquela beissola, cabeção.
34:19Tu não sabe.
34:20Vem aqui!
34:23Cassandra, eu estive pensando, eu tenho planos para nós dois.
34:27Assim que eu colocar a mão na grande esmeralda do Xingu, eu vendo a pedra, me mando para a Dinamarca
34:32e te mando para o inferno de passagem econômica.
34:38Vai rindo, Caco Antibes, vai rindo.
34:42Gagalha!
34:44Até o seu pivô cair na plateia!
34:49Gente, eu estou louca para conhecer esses índios de perto.
34:53Eles não são aquele pessoal que vive naquelas casinhas de gelo no meio da neve?
34:58Tá louca.
34:58Raul!
35:00Raul!
35:01Raul!
35:01Homem branco.
35:02Ah.
35:02Homem louro.
35:03Ah.
35:04Está preparado para se tornar o homem mais rico desse planeta.
35:07Olha, eu vou lhe dizer uma coisa, meu querido Alexandre.
35:09Eu sempre estive pronto para a riqueza.
35:13Sempre fui uma pessoa predestinada para ter dinheiro na mão.
35:18Eu quero essa esmeralda comigo agora.
35:22Tá certo.
35:23Peito aberto.
35:24Peito aberto.
35:25Olho fechado.
35:26Olho fechado.
35:26Que aí vem a grande esmeralda do Xingu.
35:34Uga, Uga, Caco, Vidaçu.
35:41Para, tu cega.
35:44Eu joguei pedra na cruz, troquei uma anta por um hipopótamo.
36:00Me larga.
36:03A culpa é sua, Cassandra.
36:06Por sua causa eu abri mão do ouro.
36:08De toneladas de ouro para toneladas de banho.
36:10Olha aí.
36:11Bem feito.
36:12Bem feito.
36:13Quem mandou você não pesquisar antes de fechar o negócio.
36:17Eu fui ver o que era.
36:18É?
36:19É.
36:20O que que era essa esmeralda do...
36:22Grande esmeralda do Xingu.
36:24Uma enciclopédia.
36:26Olha, que enciclopédia de boa.
36:28É.
36:28Só de bunda tinha três páginas.
36:31Sai fora, fechiboi.
36:33Sai fora.
36:35Olha aqui, ó.
36:35Vou te falar uma coisa.
36:37Tá pra nascer o dia que um homem de tanguinha e cara pintada vai passar as pernas em cacotibes.
36:41Eu quero o meu ouro, senão o pau vai comer.
36:46Tarde demais.
36:47Homem branco tem acerto com cacique.
36:49Se tu quebra o acerto com cacique, eu mando cortar a cabeça.
36:52E a cabeça que não usa cocá.
36:53Tu tá me entendendo?
36:54Isso mesmo, cacique Bira.
36:56Isso mesmo.
36:56Chegou a hora de se vingar dos brancos, louros e mau caráter.
37:00Viu?
37:01Chegou a hora de extinguir com essa tribo caco antíbeis.
37:06Corta o pau-brasil.
37:07Não, não, não.
37:08Corta o pau-brasil.
37:10Não, não, não.
37:10Não, não, não.
37:10Por favor, amigão.
37:11O caco vai comigo, tá?
37:13Ele pode bater um tambor, bater uma cadeira, hein?
37:17Olha aqui, ô, júrona de novela.
37:19Sem ouro, tu só leva a magda por cima do meu...
37:23Quer dizer, do cadáver da minha sogra.
37:26Cacique tá farto de comer cobra?
37:28Cacique agora só quer comer pele de homem branco.
37:30Quer isso?
37:31Pega a esmeralda!
37:31Oi, oi, oi, oi!
37:32Pega em cima dele!
37:33Vai, gol, gol, gol!
37:35Ô, seu cacique, aquele pirarocu que o senhor pediu pro almoço...
37:39Tu volte pra cozinhar imediatamente, entendeu?
37:41Faça mais lições que amanhã, bem cedo, a mulherada da tribo te ajuda, te ensina a preparar a mandioca de
37:46cacique.
37:47Epa!
37:47Tu tá pensando o quê?
37:48Eu não vou servir de tiragosto pra pagelança de nitarado, não.
37:51Tá pensando o quê?
37:52E se eu fosse pé saldeio, eu ia acabar com esse fast food de mulher?
37:55Hum, cacique aqui não vai trocar.
37:5838 mulheres boazuda por metade de uma, fica onde tá.
38:01Vamos embora, Bira!
38:02Vem, vem, vem, vem!
38:03Menino, eu estou louca pra conhecer Tarzamba, ter um papuxita.
38:08Eu já sei até o que eu vou perguntar pra ela.
38:10O quê?
38:10Uh, uh, uh, uh!
38:12Ah, ah, ah!
38:13Hein?
38:14Cassandra!
38:16Botei um arsenal de cueca na mochila.
38:19Sim, porque eu andei pensando...
38:21Eu não vou andar pelado por aquela floresta.
38:23Vai que eu levo uma flechada e fico com o hiperroxo.
38:26É.
38:28Isso se acharem, né, o hiperro, senhor?
38:29Opa!
38:31Vá, vá!
38:31A Magda foi embora com o Birajema e você pagando o mico de Indiana Jones do Paraguai!
38:39Ô, dona Cassandra, não se preocupa não.
38:41Agora a dona Magda é deusa da chuva, né?
38:43Ela vai dançar lá na tripe e vai chover tanta burrice que a indialhada vai andar de quatro.
38:47É isso mesmo, Cassandra.
38:49E vou te dizer mais, eu acho que a Magda convenceu o cacique aí trotando pro aeroporto.
38:54Se eu andar ligeiro, eu ainda encontro eles no caminho pastando em alguma praça.
38:58Pelo amor de Deus, socorro!
39:00Isso que eu te ganhei, você vai te sacar!
39:01Olha, não dá!
39:02Sossega aí!
39:04Essa é doida!
39:06O ex-marido dela era o famoso touro sentado.
39:09Que ela deu uma...
39:10Né, o homem nunca mais levantou.
39:11É quente que eu tô fervendo!
39:13É quente que eu tô fervendo!
39:15É uma índia paulista, não é quente que eu tô fervendo?
39:18O que é isso?
39:21Ô, meu!
39:22Ô, Rolinha!
39:24Ô, tá pensando!
39:25Tá olhando o quê?
39:26Aí, preste atenção!
39:29Tô achando que essa índia cola velcro, hein?
39:34A desgraça sempre vem mesmo, né?
39:36Isso não é uma índia não, seu capo!
39:38Isso aí é a rola do rio Amazonas!
39:41Sirene!
39:42A grande esmeralda do Xingu é uma deusa da fartura, da abundância!
39:48Olha pra cara do pilantra!
39:51Parece que ela já mostrou a abundância pra ele!
39:54Olha, mostrar, ela mostrou!
39:55Mas eu não vi!
39:57Eu ainda falei, minha filha, faz um xixi pra me dar uma pista!
40:03Larga!
40:04Me larga!
40:05Me larga, seu filho!
40:08Olha aí, ó!
40:09Sai fora!
40:11Sai fora!
40:12Comigo não, eu!
40:14Supositório de balé!
40:16Sirene, vamos deixar os pombinhos a sós!
40:19Você lhe paga, hein?
40:20Eu não quero ver esse sexo bizarro de frente!
40:24Ei, Sirene!
40:26Quem sabe não nasce uma pequena cativara mau caráter loura!
40:31Ai, você só fala, para de me enxerar!
40:33Eu vou pagar um chá, vamos tomar um chazinho!
40:36Ei, vai tomar chá?
40:36Vai tomar de quem?
40:37Porque pagar você não paga não, ó!
40:39Ó!
40:40Susega!
40:40Se deu bem, louco!
40:43É, mas não rola, não rola, não rola, não rola, não rola, não!
40:46Não, não, não!
40:47Aqui é o nho, nho é o cacete!
40:48É o nho é o cacete!
40:49Você está precisando de um outro sujeito, um sujeito mais pobre, mais feio, mais virgem!
40:58Consegui, seu Caco!
40:58Consegui o escalpo da dona Cassandra!
41:00Só que, na verdade, isso aqui é um genérico, viu?
41:02Isso aqui é uma barba de bode que eu enchi de laque!
41:05Ai, seu Caco, agora as índias estão no meu papo!
41:08E seu papo, e aqui na sala!
41:10Olha aí, que espetáculo!
41:12Prontinha para você, aqui, ó!
41:13Ó!
41:14Escuta uma coisa aqui, ó, Esmeralda!
41:16Nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho!
41:19Nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho, nho!
41:22Pega, pega, pega!
41:23Vamos lá!
41:26Chega lá para a sua cabela bundinha!
41:29Ai, meu Deus!
41:31Ai, o que foi?
41:31Ah, está doendo demais!
41:34Não é que aquele maldito daquele cacique queria me comer?
41:39Mas sem um jantar, um cineminha?
41:42Sem um beijinho no cangote?
41:44É, que é isso?
41:45Respeite um pouco os meus cabelos brancos!
41:47Eu tô falando que aquele cacique é um canibal.
41:50Ele levou a lasca do meu busanfã.
41:53Pô, se ele tá querendo comer carne de segunda,
41:56imagina o que não vai fazer com a Magda,
41:57que é praticamente um filé afirmanteza.
42:00Vou comer ensopada.
42:03Depois que a deusa fez a dança da chuva na minha tribo,
42:06aquilo alagou de tal maneira,
42:08tá mais molhado que suvaco de peixe.
42:10Peça pra essa mulher imediatamente fazer a dança da seca.
42:12Não vou fazer dança da seca coisa nenhuma.
42:14E o senhor bem que poderia ser
42:16um canibal vegetariano.
42:18Mas não, mas não.
42:19Se esmou de comer, meu pobre tio.
42:22Coitadinho.
42:23No bom sentido, é claro.
42:24Olha aqui, cabeção de milho.
42:25Tu faz o seguinte,
42:26tu pede pra tua mulher fazer a dança da seca agora mesmo, entendeu?
42:29Porque senão eu fazia um almoço pra você
42:30e vou te servir como prato principal.
42:33Tu tá escutando, Wanda?
42:36Tá escutando?
42:37Eu, por exemplo,
42:39não me presto pra ser comida
42:40porque eu tenho horror a tempero.
42:44Pada, pelo amor de Deus,
42:45faça logo esta porcaria, esta dança.
42:47Tudo bem, eu faço a dança da seca.
42:50Agora, seguinte,
42:52vou fazer tão bem essa dança
42:53que aquilo vai ficar mais seco do que...
42:55Vai dar pra ver o Titanic ali no fundo do rio Amazonas, tá?
42:58Por favor.
43:15Alô?
43:16Sim, cacique, o Birajama fala...
43:18Eu não acredito.
43:20Eu não acredito.
43:21A gente se vê na oca.
43:23Acabou a chuva na minha trigo,
43:25tá tudo acabado.
43:27Agora é o seguinte,
43:28se a chuva voltar,
43:29eu também volto aqui
43:30que é pra descascar essa espiga de milho.
43:32Tá certo?
43:34Cacique, tá aí.
43:34Bom prazer.
43:39Cacique, tá aí.
43:39Cacique, tá aí.
43:41Cacique, tá aí.
43:42Ai, amor, que bom que eu tô aqui.
43:45Não ia dar certo esse negócio de eu de deusa da chuva.
43:48O que eu ia fazer na Amazônia sem a sua pororoca?
43:52Você sabe que a maior joia que eu tenho na vida é você,
43:54não sabe, Maguidinha?
43:56Eu jamais seria capaz de te vender.
43:58Quer dizer, vender eu vendo,
44:00mas eu entrego.
44:16O prédio está sem água.
44:18Sem água.
44:18E eu preciso tomar um banho,
44:19porque eu tenho um encontro.
44:21Eu tenho um encontro marcado com a carteira de um alto executivo.
44:24Não vive dizendo que você é um gato?
44:26Por que você não toma um banho de língua?
44:31Pois o síndico deveria mandar fechar a torneira da sua cabeça
44:34pra parar de jogar a asneira.
44:36Eu quero água.
44:37Eu quero água.
44:38Por que a gente não faz como os índios, hein?
44:40E a gente vai pro banheiro,
44:41eu faço uma dança da chuva bem caprichada
44:43e você lava a sua orca.
44:47Gostei.
44:48Tive uma ideia maravilhosa?
44:50Diz.
44:51Vamos fazer uma nova posição,
44:52a capivara perneta.
44:57Vem meu cacique, gostoso,
45:01clorinho e tira teu coca.
45:04Tu peladinho, lá no chuveiro,
45:08vai agarrar tua tupinamba.
45:13Índiazinha feituda,
45:16coxuda, quero te beijar.
45:19Fica pelada, debaixo d'água,
45:23que a tua égua hoje eu vou lavar.
45:27Opa!
45:27Fica pelada, debaixo d'água.
46:06Isso é no Jardim Botânico,
46:08toda manhã, ela lá...
46:16Toda manhã no Jardim Botânico,
46:17se passa um homem que ela gosta, ela...
46:21E é lá na estufa das rosas que o couro come,
46:25aí vem toda ralada, machucada,
46:26para eu falar bela,
46:27que é bruto comigo falar bela, eu sei.
46:30Tudo isso foi porque eu não sei
46:31uma palavra do texto.
46:34Muito!
46:38O que é ele?
46:41É um pobre, né?
46:43Depois chama as vizinhas,
46:45faz aquela voz em linha.
46:49As vizinhas, os parentes,
46:51a pobre etada,
46:51toda junta,
46:52e o pobre fala aquela voz em linha.
46:56Ataíde, eu sou uma mulher fina,
46:58eu sou uma dama,
47:00saia antes que eu corte.
47:04Finíssima!
47:04Ataíde, eu sou uma dama,
47:06eu sou uma mulher fina,
47:07saia daqui antes que eu corte.
47:10Seu cara...
47:10Ataíde!
47:15Ataíde!
47:17Ataíde!
47:18Ataíde!
47:20Ataíde!
47:21Obrigada.
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