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DiversãoTranscrição
00:28Transcrição e Legendas Pedro Negri
00:58Legendas Pedro Negri
01:12Parmei, um champanhe, por favor?
01:19É inacreditável, não mexe uma palha para ajudar ninguém nesse bar e ainda quer tomar champanhe de graça.
01:24Ah, que farroupilha!
01:26O que foi?
01:40O que foi?
01:43O que foi?
01:44O que foi?
01:51O que foi?
01:54O que foi?
02:01O que foi?
02:05O que foi?
02:06O que foi?
02:21O que foi?
02:42O que foi?
02:44O que foi?
02:51O que foi?
03:01O que foi?
03:08O que foi?
03:12O que foi?
03:28O que foi?
03:31O que foi?
03:50O que foi?
03:54O que foi?
04:11O que foi?
04:21O que foi?
04:43O que foi?
04:43O que foi?
04:48O que foi?
05:00O que foi?
05:16O que foi?
05:19O que foi?
05:25O que foi?
05:32O que foi?
05:43O que foi?
05:43Cacete, né?
05:44Aí depois eu lavo as minhas maus, arrumo minhas malas e adeus Zaruch.
05:51Aos!
05:52Nos, nos, nos, nos...
06:05Neide, sabe o que você parece?
06:07O seu ordenado está sempre chegando atrasada.
06:10Seu vovó, sabe o que é?
06:12É que eu fui buscar as roupas da peça sobre o descobrimento do Brasil
06:16que eu vou participar.
06:18O pessoal aqui da rua que vai fazer ali na pracinha, não é?
06:21Chama-se Tempo Posuda na Caminha do Cabral.
06:26Olha que ótimo.
06:28Que educativo.
06:31E você vai fazer o que, estrupiço?
06:33O tamanco ou o bacalhau?
06:36Olha aqui, é uma adaptação livre, tá legal?
06:39É uma coisa despojada, uma coisa nova, tá?
06:43Inclusive, a gente adaptou uma van para fazer a caravela, né?
06:47E eu vou vir assim na frente de Cabral Topless, né?
06:52Só usando uma cerola.
06:54E eu vou vir amarrada na frente cantando.
07:09Legal, no inglês, vou cantar.
07:12Isso não vai ser o Titanic, vai ser o tetanique.
07:16E não vai precisar de iceberg, só os peitos dela afundam qualquer van, qualquer caravela.
07:22Isso vai ser uma gaiola do São Francisco e você vai ser a carranca, criatura.
07:27Deus me perdoe, lei de aparência.
07:29É a primeira caravela de airbag da história.
07:33E agora eu vou-me embora.
07:34Aliás, vamos comprar um terno novo.
07:37Não vamos não.
07:38Porque eu não posso ir a lugar nenhum que eu tenho que ficar aqui trabalhando, tá?
07:41Não estava me referindo a você, estava me referindo a mim e a este dinheiro que eu peguei no cofre.
07:47Caco, você pegou outra vez dinheiro do cofre?
07:49Claro, você é um homem desalmado, um homem insensível, psicótico.
07:54Estou por conta contigo, Vavá.
07:55Largou o dinheiro sozinho lá dentro.
07:57Eu passei e ele chorava, gritava.
08:00Tio Caco, me leva, me leva, me leva.
08:03Eu salvei o pobre dinheirinho.
08:06Eu não aguento mais, né?
08:07Eu não aguento mais.
08:09Esse safado tá cansado de saber que o cofre tá quebrado.
08:12Se fechar a porta, ele não abre mais.
08:15Sabe o que eu vou fazer?
08:16Vou botar um pitbull pra tomar conta daquele cofre.
08:19Que isso, seu Vavá?
08:20Vai gastar dinheiro com o cachorro?
08:22Enfia a dona Cassandra lá dentro.
08:24O povo tem muito medo de cobra.
08:27Bom, e você agora que é atriz, pelo amor de Deus,
08:30vai contracenar com as panelas lá na cozinha.
08:32Sabe quem é que está lá te substituindo?
08:34A Magda.
08:35E quando a Magda está na cozinha,
08:37é um perigo pra nossa clientela.
08:40É risco de vida.
08:41Tio Vavá.
08:43Ai, ela é aqui.
08:54Tá bom, vamos lá.
08:58Tio Vavá.
08:59Ligue imediatamente para o ProContra.
09:02O senhor está sendo roubado.
09:03E nada, ele não liga pra isso, não.
09:05Ele está acostumado.
09:07Seu caca sócio dele.
09:08Esqueceu?
09:08Não, não estou me referindo a isso.
09:10Estou me referindo aos mil folhas.
09:12Eu contei folha por folha.
09:16252 com apenas 68 folhas.
09:1835 com 95 folhas.
09:2135 com 95 folhas.
09:21E 12 com 48.
09:23Agora eu embaralhei um pouco, não estou conseguindo montar de novo.
09:28Ah, meu Deus do céu.
09:30Mais uma para explodir as nossas finanças.
09:33Não, não, isso nunca.
09:34Isso não, não, não.
09:35Eu desarmei bomba a bomba de chocolate.
09:39Inclusive, eu acho que o senhor foi roubado nelas também, porque eu não encontrei um detonador
09:43dentro de nenhuma delas.
09:44Olha, dona Magda, eu acho que a senhora devia abrir um restaurante italiano.
09:48Já tem até o nome, Massa Falida.
09:52Gente, pelo amor de Deus, vamos nos conscientizar que hoje à noite vai chegar um grupo de senhores
09:58portugueses riquíssimos.
10:01Portanto, nós temos que nos organizar, você.
10:03Vá preparar uns quitutes lusitanos bem gostosos.
10:07E, Magda, pelo amor de Deus, vê se você treina esse teu papel de garçonete
10:12para não cometer nenhuma gafe hoje à noite.
10:17Portugueses, Neide!
10:18Me ajuda, pelo amor de Deus, que língua eles falam?
10:20Não interessa, dona Magda, só não entender mesmo.
10:23Agora, com licença, que eu tenho que ir lá falar com as sardinhas, que elas vão fazer papel de bacalhau.
10:28É, Jack?
10:29Me ajuda a ensaiar, Neide, ensaiar sozinha.
10:36Ah, escuta, não tem ninguém para atender aqui nesse bar?
10:39Um minutinho, com licença, desculpe, pronto.
10:41A senhora gostaria de ver o nosso homem nu, alguma coisa?
10:45Não, não, por enquanto está bom, eu gostaria que a senhora me trouxesse um chopp.
10:49Ah, claro.
10:52Escuro.
10:55Escuro?
10:55É, não estou entendendo.
10:58A senhora gostaria que eu apagasse as luzes?
11:01Não, querida, o chopp é escuro com colarinho.
11:06Ah, escuro com colarinho, certo.
11:08A senhora, é...
11:10O Pelé serviria?
11:12Então, eu não acredito no que eu acabei de ouvir.
11:15A senhora pode ir embora daqui?
11:17Pelo amor de Deus, eu também vou embora.
11:18Que lugar horrível.
11:19Mas, oh, rei...
11:20Salam!
11:21Salam!
11:28Salam!
11:34Seria possível falar com o proprietário do estabelecimento?
11:38Ah, no momento ele não está.
11:40O senhor não aceitaria comer alguma outra coisa?
11:45Outra coisa é um novo prato, mas é que não vim cá consumir, é que eu estou a carta de
11:51emprego.
11:52Eu sou garçom.
11:53Ah, o senhor é garçom?
11:54Perfeitamente.
11:55Ah, perfeito.
11:56O senhor me traga um chopp e dois pastéis, rapidinho.
11:58Não, por favor.
12:00Magda, o que é isso?
12:02Se é maneira de tratar um cliente, você...
12:05Ah, desculpe.
12:07Agora que eu estou percebendo o senhor Eurico.
12:10Prazer.
12:11Jaime.
12:12Não, não, meu nome não é Jaime, é Vavá.
12:15Ah, és Vavá.
12:16Se Jaime sou eu, quem é este tal de Eurico?
12:19Eurico.
12:20Não olhem para mim.
12:23Mas o senhor não é o Eurico, o Adido Cultural?
12:28Acertaste na lata!
12:30Pois eu não sou o Eurico, o Adido Cultural, perfeitamente.
12:34É que eu sou um garçom desempregado, estou a carta de serviço.
12:37Ah, que maravilha, bem que eu precisava.
12:40Mas no momento eu não estou podendo contratar ninguém.
12:43Não, mas olha, senhor, eu garanto que eu tenho uma larga experiência.
12:47Cria, já tive 15 butquins.
12:5015 butquins.
12:52Perfeitamente.
12:53E um ao lado do outro.
12:55Um ao lado do outro.
12:56Perfeitamente.
12:57Óbvio.
12:58Pois é, ó pá, mas ó, ó pá, pelo amor de Deus, raciocina, não é?
13:01Raciocina.
13:02O que é que faz o negócio crescer?
13:06Meu Deus do céu!
13:10Pois a menina sabe.
13:12O que é que faz o negócio crescer?
13:14Ah, a concu...
13:17Concu?
13:19Concurrência.
13:20Ah, concorrência.
13:22Pois então, como não havia o butiquim por lá, eu acabei abrindo o butiquim ao lado
13:28do primeiro, não é?
13:29Para que o negócio crescesse.
13:31Quando dei por mim, pai já estava com 15.
13:33E o melhor, o melhor é que, como eu me conheço muito bem, pude me defender melhor ainda da
13:39minha própria concorrência.
13:41Percebe?
13:42Claro que percebo, pois a coisa procede com toda razão.
13:45É a ideia mais interessante que eu escutei desde a invenção da língua de sogra.
13:50Feito.
13:52Não diga nada.
13:54Mas não disse nada, senhor.
13:56Percebo uma linhagem aristocrática à distância.
14:01Traços firmes e talhados na pedra.
14:05Que beleza.
14:06Permita-me, permita-me, nobilíssimo senhor.
14:09Que maravilha.
14:11Que homem aristocrata.
14:12Olha, que perfeição.
14:14Senti sua presença de longe.
14:16É, talvez porque o meu desodorante já esteja vencido.
14:21Não perde o teu tempo, porque o cara é pobre.
14:23Pobre?
14:27Fora daqui, português ordinário.
14:29Isso.
14:29Está peçando-se aqui a Inantes?
14:31Não, por favor, por favor, senhora.
14:32Por favor.
14:33Eu creio que poderia ser de grande valia para os senhores.
14:36É que a minha família está neste ramo já há várias, várias e várias gerações.
14:41Creio que o meu...
14:44Esteve cá com o Cabral para instalar o primeiro botequinho no Brasil.
14:49E ele foi, e ele foi o inventor dos ovos cor-de-rosa e dos azuis também.
14:56Ah, mas isso eu sei.
14:57Os cor-de-rosa são os ovos das galinhas, os azuis são os ovos dos galos.
15:03É esperta, menina.
15:05Galo não bota ovo, Magda.
15:08Pois é, senhor.
15:08Aí é que está a lógica, não é?
15:10É por isso que só existem ovos cor-de-rosa.
15:15Aliás, trago cá comigo os dois primeiros ovos cor-de-rosa que foram inventados.
15:26Aqui estão.
15:28Não são uma beleza.
15:30Verdadeiras relíquias.
15:35Relíquias.
15:36Vamos fazer o leilão da relíquia aqui no Aeros Place.
15:42Ainda vamos ter um garçom quase de graça.
15:44Eu não estou entendendo.
15:45Você vai entender.
15:46Perceba como um gênio trabalha.
15:50Senhor James, eu tenho a honra de lhe informar que o senhor vai trabalhar aqui no Aeros Place esta noite.
15:56O senhor vai me desculpar, mas o gajo ali diz que está liso, que não há dinheiro, pá.
16:00E eu sou português, mas sou do Ribatejo.
16:03Sem receber, não trabalho.
16:05Mas o senhor vai receber.
16:06Vai receber tudo que lhe é devido.
16:09E tem mais.
16:10Terá a honra de participar do nosso leilão.
16:14Nós vamos leiloar seus ovos.
16:16Credo assim, sem anestesia, Caco.
16:19Não, senhora, me permita que são ovos de estimação.
16:23Sim, mas imagine seus ovos expostos em cima da mesa.
16:27Todos de butuca nos seus ovos.
16:30Vem o leiloeiro, pega o martelinho e pimba.
16:35Eles vão ficar meio roxinhos depois disso, né?
16:38Sim, mas senhora, eu não me separo dos meus ovos por dinheiro ouro.
16:42Mas imagine, seus ovos podem inclusive terminar no museu,
16:45sendo fotografados pelaquela japonesada ensandecida.
16:49Podem até virar símbolos nacionais.
16:52Meus ovos?
16:53Exatamente.
16:54Símbolos nacionais?
16:55Exatamente.
16:56Imagine, nos cadernos escolares, o caderno de pobre.
17:01O pobre senta para estudar.
17:03Abre o caderno, escreve, pobrema de matemática.
17:08Aqui, na contracapa, tem a letra do hino nacional impressa
17:12e ao lado, uma foto dos seus magníficos ovos.
17:16Olha, ô russo, sabe que eu gosto...
17:20Amarejaste aí os meus olhos de lágrimas?
17:23Quem é que pelo meu tê-tê-tê, tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê
17:27-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-tê-vó?
17:28Acceito!
17:29Mas que maravilha, negócio fechado.
17:32Vá, vá!
17:32Quero lhe apresentar Jain, nosso galego dos ovos douros.
17:52Tio Babá, estou dando aqui um curso básico de garçom para a menina Magda aqui.
17:57Digamos que seja assim um supletivo primeira mesa.
18:01Moleza, Tio Babá, moleza.
18:02É o seguinte, o freguês se senta e nós puxamos a ca...
18:10É, alguma coisa não está dando certo.
18:12Não, não, não, não, não, por favor, fizeste corretamente certo, porém errado, percebes?
18:17Tá.
18:18Vamos ver novamente.
18:20Primeiro, a senhora puxa a cadeira e depois eu me sento, percebes?
18:27Desculpe, não foi intenção, puxa a vida, senhor, desculpe, deixa eu te ajudar aqui, por favor.
18:31Não, não, não, levanta a boca.
18:33Com as mãos é melhor, vai.
18:34Obrigado.
18:35Ai, desculpe.
18:41Sabe o que era melhor?
18:42O melhor para fazer é o seguinte, vocês pegam a cadeira, os dois, e contam.
18:48Um, dois, três e já!
18:51Não, não, senhorita, é da cadeira, é da cadeira.
18:54Não, mas senhor, não vai, paciência.
18:56Senhor, mas tem que ter paciência, paciência, as coisas que aprendam, não é?
18:59Mas me parece que ela é Patrícia, não é?
19:03É Magda.
19:04Só que, só que, do Alentejo, com certeza é Alentejana.
19:10Mas não se preocupe, não se preocupe, que tudo se dá um jeito, não é?
19:14Não.
19:14Porque, errando que sim, acerta.
19:17Acerta.
19:18Agora, só falta...
19:20Erraira.
19:22Esquece, esquece.
19:23Acertar.
19:23É, tipo, né?
19:27É, mas tudo bem, Magda, mostre as dependências do Eros pra ele.
19:32Eu não sei disso.
19:34Já declararam a dependência do Eros Place?
19:37É.
19:38Que bárbaro!
19:40Quem foi o cara, a moça que segurou a espada e disse, eu tenho a força, foi senhor.
19:46Esquece, mostra o restaurante pra ele, a cozinha.
19:49Olha, creio eu, o que é que esta da espada, se me recorda, é Vasco da Gama.
19:53Vasco da Gama.
19:54Mas não seria a Vasca?
19:55Porque esse negócio de pegar a espada é mais coisa de...
19:57Com mulher, não, com certeza.
19:59Caco, eu tô muito preocupado, Caco.
20:02Primeiro, nós estamos usando esse jive.
20:04E segundo, eu pergunto a você, será que esses ovos são legítimos?
20:09Claro que são.
20:10Segundo consta, foram colocados postos pela galinha da tatatatatataravó do Portuga.
20:17Caco, eu tô falando sério, pelo amor de Deus.
20:19Eu quero saber se você está brincando ou tá falando sério.
20:22Eu lá, brinco com dinheiro?
20:23Eu estou fazendo isso por amor ao Eras Place.
20:26E é claro, por uma mediante, mediante a uma pequena percentagem.
20:32Vavá.
20:44Vavá, meu irmão, este é o meu grande amigo Eurico, adido cultural do Brasil em Portugal.
20:53Muito prazer.
20:54Muito prazer, Vavá.
20:55Muito prazer.
20:56Deve ser uma grande alegria ter uma irmã tão culta, tão elegante, tão charmosa, não é mesmo?
21:05Eu?
21:06Ah, sim.
21:07Não, claro.
21:08Não imagina que prazer.
21:09Aquilo ali é o meu ex-gerro, Caco Antibis.
21:18Encantado, encantado.
21:20É um prazer recebê-lo aqui no Eras Place, um lugar amado e respeitado pela colônia
21:27lusitana de São Paulo.
21:29Sim, mas Cassandra não me disse isso.
21:32Cassandra não está dizendo mais nada.
21:34Está quase e já não fala mais, coitada.
21:37Tem que pegar Cassandra, bota ali, tira dali, joga o malfazema pra tirar os gostos de guardado.
21:42Enfim.
21:43Mas fique sabendo que amamos tanto a colônia lusitana que pensamos até em mudar o nome
21:48de Eras Place para a Tássica do Perelecal.
21:51Não é, Lala?
21:52É verdade.
21:52E por falar em Perelecal, nós estamos aqui aguardando com muito prazer receber a sua
22:00comitiva para uma bacalhoada hoje à noite.
22:03É uma pena, Vavá, mas não vai ser possível.
22:07É impossível.
22:07Porque Cassandra mesmo sugeriu que nós fôssemos ao...
22:13Já sei.
22:14Ela queria levá-los ao Caracaramba Caracaraô, não é?
22:18Mas não é preciso, porque eu tenho um vídeo, Eurico, que mostra todo o que é
22:22e todas as alterações do local.
22:24Inclusive, a primeiríssima estrela do Caracaramba Caracaraô, que é Lady Cascacu.
22:30Faz coisas do arco da velha.
22:32Imagine você que ela tira bolinhas de ping-pong na plateia usando uma musculatura específica,
22:39se é que você me entende.
22:47Eurico está com pressa, gente.
22:50Mas é uma pena, porque hoje vamos leiloar aqui no Arrow's Place uma peça histórica de
22:56valor inestimável, uma relíquia.
22:58Uma relíquia?
22:59Sim.
23:00Mas que coincidência, nós estamos justamente aqui no Brasil atrás disso.
23:04que peça será leiloada?
23:09Eu não estou autorizado a dizer que tipo de peça é, porque me pediram um segredo.
23:15Agora, que é uma porrada, isto é.
23:19É um espetáculo de peça.
23:21Não é, Babá?
23:21Diga alguma coisa.
23:22A renda será inteiramente doada.
23:24Ah, mas que belo gesto esse.
23:26E a renda será para quem?
23:28Não é, Babá?
23:29A renda, então, a renda vai ser doada a uma tribo, é uma tribo de índios, é da tribo
23:40Bororó de dentro.
23:42Quer dizer, porque o Bororó de fora já foram extintos.
23:47Uma tragédia.
23:49Imagine que os Bororó de fora foram o Tororó beber água e não acharam nada.
23:54Pegaram a friagem do Bororó e a tribo foi dizimada.
23:58Vá, Vá, por favor, sirva um drink para Eurico, um instantinho só.
24:04Meaça, meaça, meaça.
24:05Que mú treta é essa?
24:07Não me suje com o Eurico?
24:10Saiba que um nobre português apareceu.
24:13Ele é esquisito, desencaneado, entendeu?
24:17Mas ele trouxe uma relíquia para ser leiloada.
24:21Pode deixar que eu resolverei tudo.
24:23Só acredito, vendo.
24:24Eu posso mostrar.
24:25Ele pediu de segredo absoluto.
24:28Mas fique...
24:39Foram pé d'amor, uma agonia.
24:48A mão do destino nos apanha nas asas da nossa fantasia.
25:08Cada um de nós tem sua aranha.
25:17Cassandra, pelo amor de Deus, libera essa aranha de uma vez, senão insome não para de cantar todo episódio essa
25:22música.
25:24Sandy, minha querida, demorei um pouquinho, mas voltei.
25:27Cheguei na hora, trouxe um presentinho para você.
25:29Um presentinho lindo, quando você botar no seu dedinho, você vai começar a ver tudo rodar.
25:35Presentinho, Pereirinha, é um anel?
25:37Não, é um ioiô.
25:40Comprei no consórcio.
25:42Hoje eu trouxe só barbante.
25:43Mas na próxima semana eu vou dar outro lance.
25:46Aí trago o resto para você.
25:47Mil milhões de hotes.
25:49Mulher de fome.
25:52Muita, Cassandra.
25:55Eu quero trazer o grupo aqui esta noite.
25:59Por isso, o nosso encontro particular, a SOS, deixamos para amanhã.
26:04Sim?
26:05Mas o que é isso?
26:05O encontro particular, a SOS, que intimidade é essa?
26:07Você está me cheirando na safadeza.
26:09Quem é esse gringo aí?
26:11Eurico é meu grande amigo, adido cultural do Brasil em Portugal, um homem rico, mas diferente
26:20de você, mão aberta, generoso.
26:26Enchanté, Pereira.
26:30Mon car.
26:32Le carton.
26:33Ah, para a gente, deixa eu ver.
26:34Ah, oui.
26:35Adido cultural.
26:36Ah, oui.
26:37Com letras de ouro, hein?
26:38Attaché.
26:38Olha só o papel, papelinho, muito bem.
26:42Eu vou lhe dar o meu, sabe?
26:43Aqui está, olha.
26:46Mas aqui só está escrito Pereira.
26:49E precisa mais?
26:50Para que mais?
26:51Gastar tinta à toa, precisar de alguma informação, estou aqui presente.
26:54Quer saber o quê?
26:55Já leu?
26:55Então, devolve.
26:56Pronto, aqui não tem nada a ver.
26:58Está bom.
27:02Eurico, não se preocupe.
27:04Este homem é assim mesmo, mão fechada, mão de vaca.
27:08Na casa dele, quando chega alguém, ele late para economizar o cachorro.
27:15Marguerita, eu tenho que ir agora.
27:18Eu preciso pegar o grupo e avisar do leilão aqui hoje à noite.
27:21Está bem, Eurico, eu vou acompanhá-lo até a sua limousine.
27:28Ah, será um grande fiat cheque.
27:31Limousine, limousine, mas o que é isso?
27:35Hasta la vista, senhores.
27:36Hasta la vista.
27:37Se o homem está com problema na personagem, ele não resolveu que sotaque vai usar ainda.
27:42É, achei meio estranho isso, não é?
27:45Mas, escuta, vem cá, vai haver um leilão aqui, é?
27:48É isso?
27:49Então, quero participar.
27:50Quero a minha parte nesse leilão.
27:52Leiam a cláusula 58.
27:54Taxa do martelo.
27:56Que é isso, Pereira?
27:57Que leilão?
27:58E o Pereira leilão?
28:00Leilão de martelo de...
28:02É o leilão, a sapatona que mora aqui em cima, a Leila, aqui na cobertura, aquela que faz alterofilismo.
28:10É, mora aqui.
28:12Olha, brutal, campeã de queda de braço, usa um pochetão que é crachá de sapatão, cês sabe, né?
28:20Violentíssima.
28:21Diz que quando garra um, é só solta quando dá a trovoada.
28:26É o famoso sapatão siri, é perigosíssimo.
28:29Vem cá, Pereira.
28:30Aliás, Pereira, eu tenho uma coisa pra lhe dizer.
28:33Diga.
28:33Você está correndo perigo, porque vamos fazer o leilão e Eurico é mão aberta, ele vai dar lances altos.
28:40Cassandra, vai nas águas dele que eu conheço, Cassandra.
28:43Abre teu olho, você vai ter que entrar nesse jogo.
28:46Eu entrar no jogo?
28:46Mas nem pensar.
28:48Imagina, a minha carteira tá contundida, tá proibida de jogar.
28:51Não vai dar.
28:52A Cassandra dá, com certeza dá.
28:55Pra ele?
28:55Pra ele dá.
28:56Não é isso?
28:57Não é verdade?
28:58Eu vou dar uma providência, eu vou até lá ver que marca que é essa limusine aí.
29:02Aproveitar também, já cobre o estacionamento, toda uma coisinha rápida.
29:05Isso, vamos ver.
29:06Eu também vou junto.
29:07Por precaução, quero conferir.
29:23Magda, que diabo é isso, Magda?
29:25Perdão, senhora, é que estou a ensinar a ela a tabuada.
29:30É, a música eu já decorei, falta aprender a letra, né?
29:34E você sabe, Magda, o motivo pelo qual nos separamos, a sociologia da personagem que
29:41é explicada a cada novo episódio.
29:43Eu não admito ter uma mulher garçonete.
29:47Peraí, ô cara.
29:49Você tá pensando que você ainda é meu pozo, não é?
29:53Em primeiro lugar, querido, eu sou sua esposa.
29:58Tá entendendo?
30:01Em segundo lugar, não atrapalhe as minhas aulas de garçonetagem aqui com meu querido
30:06Jaime, que vai agora me ensinar a diferença exata entre o talherete, não, o espaguini,
30:14não, o talherim e o espaguete.
30:17Mas isso é muito simples, Magda.
30:18Vá na cozinha e conte na panela.
30:20A panela que tiver 1.180 fios é espaguete.
30:24A que tiver 1.214 é talherim.
30:28Eu acho que você tá me gozando, cara.
30:32Mas eu vou lá conferir.
30:34Ahá, não voltava com essa, não é?
30:39Mas, pá, olha, pá, é bestial.
30:44Bestial?
30:44É uma besta.
30:45Não, não, bestial a ideia.
30:48Aprendeste o método, cara, com um cozinheiro italiano, pois não?
30:51Não, não.
30:51Foi com um adestrador de mulas de Bauru.
30:55Olha aqui, ô, ô, Jaime.
30:57Você vai dar uma lustrada nos seus ovos pro leilão de hoje à noite, viu?
31:00Ah, não se preocupe com eles, que estão bem guardados, tá?
31:04Botei-os no cofre e tranquei-os.
31:08No cofre não, criatura!
31:11Ah, como não?
31:12Cofre não foram feito pra guardar as coisas?
31:15Deixa pra lá.
31:16Vai lá ajudar a Magda, que ela tem problema com números acima de 4.
31:20Vá, vá, vá, vá, vá, vá, vá, vá, vá, vá, vá.
31:22Vá pra cozinha, criatura.
31:25Veide!
31:27Veide!
31:28E aí?
31:29O que que foi?
31:31Veide, imagine você que aquela anta do Jaime trancou os ovos dentro do cofre.
31:35Eu vou precisar de uma coisa sua.
31:38Que isso, seu Caco?
31:40Eu sou menininha, não tenho ovo, não.
31:44Não estou falando de ovos, estou falando de outra coisa.
31:47Eu quero a cirula que você vai usar na peça.
31:50Tudo bem, seu Caco, eu vou resolver o seu problema.
31:53Agora, me explica uma coisa.
31:55Quem é o doido que vai querer comprar minha cirula?
31:58Mas não é a sua cirula.
32:01A partir de agora, ela é a cirula de Pedro Álvares Cabral.
32:22A gente podia começar cantando aquele fado.
32:24Teus ovos castanhos.
32:27Perdão, perdão.
32:28É mais acima.
32:29O tom?
32:30Eu posso subir na escada.
32:31Não, não, não.
32:32Perdão.
32:32A letra.
32:33Não são ovos.
32:35São olhos castanhos.
32:36Ah, tá.
32:38Oh, dona Magda, confundi olho com ovo.
32:42Francamente, eu não sei como é que a senhora engravidou.
32:44Eu tapei os ovos.
32:48Eu acho melhor a gente fazer essa versão aqui que o senhor já me fez.
32:52Oh, que beleza.
32:53Que versão.
32:54É.
32:54A visita do Patrício Bigurrilha ao reino do Brasil.
32:57Oh, eu não sei se isso aqui vai dar certo.
33:00Pois vamos, pois vamos lá.
33:02Atenção.
33:03É um, a dois, a três, a quatro, a cinco, a seis, a sete, a oito, a nove, a dez,
33:07e um, dois...
33:11Partiu!
33:40Parem com isso!
33:47Onde é que nós estamos?
33:51Nem quando Dom Pedro proclamou a independência fez tamanha desfeita aos portugueses.
33:56Vocês enlouqueceram?
33:57O Caco tem toda a razão.
33:59Nós devíamos escolher uma coisa mais lusitana.
34:02Não, não, lusitana não, gente.
34:04Uma coisa mais portuguesa.
34:06Cala a boca, onta!
34:07Não, senhor, mas desculpe, mas faz sentido.
34:10Por uma coincidência, todos os lusitanos não nasceram em Portugal.
34:15Ah, é verdade.
34:16E todos os portugueses são lusitanos, rapá.
34:20Fui.
34:22Vamos também.
34:23Vamos, vamos, você tem a ver, vamos.
34:25Ô, portuguesa, tu sai de fininho.
34:27Como é?
34:28Se não é o que frito e tu vira um bolinho.
34:31Caco!
34:32Por favor, eu exijo que você me apresente esse nobre português.
34:37Eu preciso saber direito sobre essa relíquia.
34:45Não posso revelar a identidade dele.
34:47É um homem muito discreto.
34:50Um homem que faz questão de manter em segredo sua condição de nobre.
34:54Já descobriu de quem são aqueles tacos de golfe ou não?
34:59Mas posso lhe garantir que a relíquia é boa.
35:03Sabe o que é, Caco?
35:05Sabe o que acontece?
35:06Ele pode me ajudar no meu emprego lá em Lisboa.
35:11Mas me diz pelo menos o que é essa relíquia.
35:14Vou lhe dar uma dica.
35:16É uma peça de roupa.
35:18Uma peça de roupa histórica.
35:20Que foi usada por Pedro Álvares Cabral.
35:24Ele a vestiu em Lisboa e nunca mais tirou.
35:27Veio de uma viagem inteira até o Brasil e voltou sem tirar do corpo.
35:32É uma ceroula.
35:36Ceroula?
35:36Ida e volta.
35:39Com calor abrasador.
35:40Que nojo.
35:42Tendo dito isso, eu pediria que você se retirasse.
35:44Mas você sai do espinho.
35:46É verdade.
35:47Você fica.
35:48Saio eu.
35:49Não quero mais falar com você.
35:52Não quero mais falar com você.
35:53Está lá.
35:54É permitir...
35:55Permite...
35:57Com licença.
35:58Seu Jaime, o garçom...
36:00A senhora, com certeza, deve ser Dona Xandra.
36:04Irmã do senhor Vavá.
36:06De quem o senhor Vavá, possivelmente, também é irmão.
36:09É mais ou menos isso.
36:11É feito.
36:12Seu Jaime, eu sei de tudo.
36:14De quê?
36:15Deixa eu ver a relíquia.
36:17Só um pouquinho, vai.
36:20Você está com ela agora?
36:22Não, neste exato momento está no cofre.
36:24Quase nunca me separo dela.
36:26Nem para dormir.
36:27Mas o senhor lava, não lava?
36:31Absolutamente.
36:32Jamais, minha senhora.
36:34Lavar nunca.
36:35Se lavar, perde a textura, não é?
36:37Aquele aroma típico que atesta a sua originalidade.
36:41Sim, com licença, que eu vou cuidar dos preparativos para mais tarde.
36:47Pois não, pois não.
36:47Desculpe.
36:49Pois não.
36:52Ô, senhor.
36:54Repare ao passo.
36:55Que é o tal de Jaime.
36:57O que é isto, rapaz?
36:58O garçom.
37:01Ai, ai, o que é isso aqui?
37:05Ah, campainha.
37:11Olha.
37:11Sim.
37:15O senhor, sendo garçom, estava de conversinha com Cassandra, não?
37:20Ah!
37:22Ah!
37:23Ah!
37:24Ah!
37:25Ah!
37:26Ah!
37:27Ah!
37:28Ah!
37:28Cansei.
37:29Não, perfeitamente.
37:31Tens toda razão, rapaz.
37:32Estava cá com a dona Cassandra.
37:35Imagina, senhor, que ela estava louca.
37:39Louca.
37:40Para ver meus ovos.
37:45Seus ovos, senhor.
37:47Perfeitamente.
37:48Mas o que é isso?
37:50Ela nunca pediu para ver os meus?
37:54O que é que seus ovos têm que os meus não têm?
37:57Que meus ovos são especiais, não é?
37:59São verdadeiras relíquias.
38:04Pois não.
38:05Vem a jaca.
38:07Pois não.
38:07Olha aí.
38:08Inutilizou a campainha, viu?
38:10Está morta.
38:12Asfixia, coitada.
38:14Não quero você trocando ideias com o seu Pereira mesmo, porque ele não troca.
38:18Vende.
38:19Vá para a cozinha ajudar Magda.
38:21Não.
38:21Taco.
38:22Cassandra estava tendo uma conversinha com o garçom.
38:25Ela está com a cabeça virada.
38:27Está com um complexo de gandula.
38:28Ela não pode ver homem que logo dá bola.
38:31Pereira, vai por mim.
38:32Sua munheca dura é que está estragando tudo.
38:36Para conquistar Cassandra, você precisa deixar sua munheca mole.
38:40Mas de jeito nenhum.
38:42Eu prefiro ficar com a munheca dura do que mole.
38:44Eu dou tudo para ela.
38:46Tudo que ela quer, eu dou.
38:47É só ela pedir o que ela quiser, contanto que seja de graça.
38:50Não é?
38:51Meta uma coisa na sua cabeça.
38:52Para conquistar Cassandra e abrir seu coração, você vai ter que também abrir seus fundos.
38:58Meus fundos?
39:00É...
39:00O que é que há?
39:02Ah, é boa.
39:04Eu vou lhe explicar.
39:05Vamos fazer um leilão aqui.
39:08Certamente, Eurico, querendo impressionar Cassandra, vai dar lances altíssimos e vai arrematar a relíquia.
39:13O que faz você, então?
39:14Dar lances mais altos, arremata a relíquia e entrega a Cassandra.
39:20Porque ela é louca por você.
39:22Eu sei.
39:23Ela te ama, Pereira.
39:24Não sei, eu não tenho muita certeza.
39:27Se ela me amasse, não precisava fazer isso que ela está fazendo, me obrigando a gastar dinheiro.
39:31Não, Pereira, mas a vida é assim.
39:34A vida é assim.
39:35Eu vou entrar nesse leilão de qualquer jeito.
39:38Custe o que custar, eu entro nesse leilão.
39:41E ainda vou pedir 40% de abatimento.
39:44Vá com Deus, Pereira.
39:45Vá com Deus, meu querido.
39:46Deixa você ver como é que é.
39:47Essa mulher vai me deixar na miséria.
39:49Como é triste e amar.
39:50Não é verdade.
39:51Como é difícil, meu amor.
39:52Ai, meu Deus do céu.
39:55Seu Caco.
39:56Seu Caco, uma tragédia.
39:59Olha, eu coloquei a cerola de molho junto com o bacalhau.
40:04Para dar um cheiro, né?
40:05De época.
40:06Para parecer uma coisa antiga.
40:09E quando eu voltei lá para procurar, sumiu a cerola.
40:19Cólica?
40:22Doméstica inepta.
40:23Não me digas que você desfiou a cerola para fazer um bolinho de bacalhau.
40:27Isso daí, meu filho, deve ser receita da Dinamarca.
40:33Aquele país que é vizinho da Suéquia.
40:37E da Noroelguia, não é?
40:40Noroelguia.
40:40E que junto com a Fonlândia, forma a Península Escondinóvia, não é?
40:46Sua débil mental.
40:47Escute aqui uma coisa.
40:48Você vai imediatamente achar essa cerola, senão te coloca uma máscara de mergulho.
40:52Eu te mergulho no caldeirão até você se transformar numa doméstica Gomes de Sá.
40:56Venha comigo já para a cozinha.
40:57Rumo.
40:58Rumo, Neide Aparecida.
41:02Depois, nós ensaiamos mais.
41:04Agora vou pegar os meus vinhos portugueses para a bacalhoada.
41:14Pagda, você anda bebendo?
41:17Não, eu bebo sentada mesmo.
41:22Ah, mas isso é porque o Jaime, numa das aulas dele, disse para mim que é bom deitar os vinhos
41:28antes de guardar.
41:29Então eu fiz com eles como eu faço com o Caquinho.
41:31Eu levei eles para fazer xixi antes de deitar.
41:34Magda, eu não acredito.
41:36Você pegou os meus vinhos portugueses caríssimos e jogou tudo, derramou tudo na privada, Magda.
41:45Nenhuma gotinha na tábua.
41:48Agora você me dá licença, você viu de ti que eu estou atrás de chiqueiros.
41:51Preciso achar aquele vinho do porco.
41:53Uma loucura.
41:55Ah.
41:57Vavá, pelo amor de Deus, me conta uma história boa porque está dando tudo errado, Vavá.
42:03Ah, para mim também está tudo errado.
42:04Ainda bem que eu hoje pude ajudar o Jaime.
42:08Você sabe, coitado do Jaime, o Jaime não tem dinheiro mais nem para comprar roupa de baixo.
42:13E sustentar cueca de português é história boa desde quando?
42:16Não é, mas eu estou te contando essa história porque ela tem o seu fator interessante.
42:21Veja você.
42:23Que ele encontrou uma cirula dentro da bacariuada.
42:28Não me pergunto porque aquela cirula estava fazendo a bacariuada, porque ninguém sabe.
42:32Me perguntou se podia ficar com ela.
42:34Eu disse, claro que pode.
42:36Mas não pode, aquela cirula não pode.
42:38Ah, e eu ia saber que a cirula é sua.
42:40E é minha.
42:41Sabe o que mais?
42:42Vocês todos estão loucos nesta casa.
42:45Eu vou pegar o meu cartão e vou raspar a tarde até o fim para poder repor os vinhos do
42:51lugar.
42:51Vem, Diz.
42:52Ah, está ficando repetitivo.
42:54Todo final de bloco essa gritaia.
42:56O que é?
42:57Você precisa pegar a cirula do Jaime.
43:01Não, hein?
43:01Por conta de quê?
43:03O que eu ganho com isso?
43:04O direito de eu não enfermizar a tua vida, que tal?
43:06Meu Deus do céu.
43:08Se o diabo louro falou isso em pessoa, porque tem que ter jogo.
43:11Agora tudo bem, mas como é que eu vou arrancar a cirula do Portuguesa?
43:15Da mesma maneira que você arranca a cueca do jornaleiro aí da frente, do garagista do
43:19prédio ao lado, do faz-tudo, do biscateiro, você arrancou as cuecas até do dono daquele
43:25taco de golfe que eu sei.
43:27Compreendeu, Leide?
43:28Use a sua...
43:32imaginação.
43:49O que demora é essa?
43:51Vai me dizer que a diferença de fuso rádio entre Arroche e Lisboa?
43:56Não, não, não.
43:57Patrícios, Patrícios.
43:59Brevemente iniciaremos o nosso leilão.
44:02Vamos leiloar uma relíquia de valor inestimável.
44:04Mas antes, como prova de nossa gratidão por vossa presença, apresentaremos um pequeno
44:11número musical.
44:12O Coral dos 500 Anos.
44:24O Coral dos 500 Anos.
44:55O Coral dos 500 Anos.
45:15Isso é tudo muito divertido, muito bom, mas cadê o leilão?
45:20Eu tenho a impressão que seu martelinho de leiloeiro não bate.
45:24Caco.
45:25Não deu certo, a porta do cofre não abre, eu acho que aí tem a mão do Pereira.
45:30Calma, calma, calma, que eu estou fazendo uma substituição de relíquia.
45:34Já, já a coisa vai.
45:36Magda!
45:37Oi!
45:37Faz um número aí, meu bem.
45:41Eu?
45:47O cinco!
45:48Eu?
45:50Eu, eu, eu.
45:52Eu, eu, eu, eu.
45:53Eu, eu, eu, eu, eu.
45:54Eu, eu, eu, eu.
45:54Eu, eu, eu, eu.
45:54Piquei dinheiro.
45:56Seu caco.
45:57Seu caco.
45:57Público.
45:58Uhul!
46:02Consegui
46:02Mas que calça é essa? Eu te mandei trazer só a Cirola
46:06Você fez barba, cabelo e bigode, sua tarada?
46:09Não, não teve nada disso
46:11É porque eu inventei que os fregueses estavam reclamando do cheiro
46:14E me ofereci pra lavar
46:16Aí ele foi tirando a roupa, né?
46:19Aí eu peguei correndo, a Cirola veio a calça junto
46:21Dá de brinde
46:22Tira esta calça de pobre daqui
46:24Seu caco, guarda a calça
46:27Vai que é a Cirola
46:29Ninguém acredita que ela é do Cabral
46:30Só diz que a calça é do Peru Vaz de Caminha
46:33Silêncio absoluto, ninguém diga nada
46:37Vamos dar início ao leilão
46:41Senhoras e senhores
46:42Tenho a honra de apresentar esta relíquia
46:47Olhem bem
46:49Sintam o aroma
46:52Esta Cirola
46:55Depois de chegar ao Brasil
46:57Ainda no corpo de Pedro Álvares Cabral
47:00Foi mergulhada junto com o mesmo
47:03Nas águas da Lagoa Rodrigo de Frentes
47:05E nas águas do Tietê
47:07Olha o perfume, ó
47:09Ó Caco, não sei se isso vai dar certo
47:11Mas vamos em frente
47:13Atenção
47:14Vai ser iniciado o leilão
47:18Quem dá o primeiro lance para a Cirola
47:21O primeiro lance
47:23One thousand dollars
47:26Mil dólares
47:27Mil dólares
47:29Quem dá mais
47:30Quem dá mais
47:30Eu ouvi por acaso mil e quinhentos
47:33Eu lia com isso
47:35É que a mão me arrumava
47:37Mil dólares e vinte centavos
47:42Mil dólares e vinte centavos
47:45Quem dá mais
47:46Quem dá mais
47:46Two thousand dollars
47:48Dois mil dólares
47:50Dois mil dólares
47:51Quem dá mais
47:52Dois mil dólares e dez centavos
47:56Dois mil dólares e dez centavos
47:59Quem dá mais
48:00Quem dá mais
48:01Three thousand dollars
48:02Três mil dólares
48:05Três mil dólares e um chaveirinho
48:07Três mil dólares e um chaveirinho
48:10Quem dá mais
48:11É jogo de matemática, Neide?
48:13Não, não, nada a dizer
48:14É que quem der um número maior ganha
48:16Ah, é tão fácil
48:17Vou ganhar um milhão
48:19Um milhão
48:21Que barato
48:24Magda
48:32Tu vai comer essa cirola desgraçada
48:34Tu vai falar fofo até o final do ano
48:38Alguém, pelo amor de Deus
48:40Alguém, pelo amor de Deus
48:40Cumpra a oferta de esta mulher
48:41O que é um milhãozinho?
48:43Estamos aceitando tudo
48:44Alguém diga alguma coisa
48:45Peraí, tudo tem limite
48:47Um milhão não daria nem para a calcinha da dona
48:51Maria louca
48:52Maria louca
48:52Está suspenso
48:53O leilão
48:55Não, não, não
48:56Pelo amor
48:57Para, faz favor
48:57Não pode suspender o leilão
48:59Sim, sim
49:00E os meus ovos
49:01Não vão ver os meus ovos
49:03Fica com os ovos
49:20Cego sexual coletivo
49:22Você está satisfeita, Magda?
49:24Está satisfeita?
49:26Eu não
49:27Agora está tudo acabado
49:29Acabar de uma óvula, meu filho
49:31Eu quero meu troféu
49:32Eu ganhei jogo
49:33Ganhaste
49:35Ganhaste o jogo
49:37Ganhaste, viva
49:54Agora sabe o que mais me chateia?
49:57É você ter sujado o nome do Aeros Place
50:01Eu acho melhor, Vavá, você limpar, sabe?
50:04Porque vocês já estão endividados até o pescoço
50:06Imaginou o tamanho da dívida se eu tivesse arrematado a cerola?
50:10Ia ficar lindo
50:11Você de cerola embacalhoada em cima da cama
50:15E a cascacu nua rodeando nos pés
50:18Dizendo, vem, Pereirinha
50:20Roça teu bacalhau no meu
50:21A pior parte que ficou foi comigo, tá?
50:25Porque quem teve que ver o Jaime pelado fui eu
50:29Não é uma coisa horrorosa, seu carpo
50:32Olha, eu bem que tampei o olho
50:34Mas foi horrível
50:36Ah, senhor, senhor Vavá, senhor Vavá
50:38Ah, senhor Vavá
50:39Eu quero agradecer à cueca que me deste
50:42Mas só saio daqui quando me devolverem os ovos
50:46Meu tatatá, tatatá, tatatá, tatatá, tatatá, tatatá, bo
50:48Não, não, eu prometo que eu vou pagar alguém pra abrir aquela porta do cofre
50:52Nem que eu tenha que eu vender as minhas próprias cuecas
50:54Coitado do Jaime
50:56Com os ovos presos dentro do cofre
50:59Imagina se fosse o dinheiro
51:00Ainda bem que eu limpei o cofre antes
51:02Imagina, dinheiro nunca fica preso
51:04Fica sempre dentro do cofre
51:06Dormindo com os anjinhos
51:08É, caco Antibes, você já não é mais o mesmo
51:14Abrir cofre pra você era um brinquedo de criança antigamente
51:18É, eu cá, sem os meus ovos
51:20Eu fico como uma pilha
51:23É, imagina, imagina só se também
51:25Seu tatatá, tatatá, tatatá, tataravô
51:28Se tivesse vivo
51:29Ah, não, aí realmente seria um espanto, não é?
51:32Porque não é toda hora que se encontra uma pessoa com 418 anos, não é?
51:36Mas só saio daqui com os ovos
51:39O meu tatatá, tatatá, tatatá, tataravô
51:41Gente, com as aulas que Jaime me deu
51:43Aprendi até a cozinhar
51:45Olha só o prato que eu preparei pra nós
51:49Olha
51:50Não me diga que você vai nos servir aquela bacalhoada imunda
51:53Não, imagine
51:54Vocês estavam falando tanto em cofre que eu chamei o chaveiro pra abrir
51:57Encontrei dois ovos lá dentro
51:59Olha que omelete bonito que eu fiz
52:01Os meus ovos
52:04Com as minhas relíquias
52:06Ah, meu Deus do céu
52:09Calma, calma
52:10Calma, não fique deprimido
52:12Olhe
52:13Já que roubaram seus ovos
52:15Leve os tacos de golfe
52:20Pertenceram a Bartolomeu de Gusmão
52:22Que em toda sua vida nunca viu tamanhos colhambação
52:26Oh, bravo!
52:27Oh, bravo!
52:43Estou até um pouco cansado
52:56Estou até um pouco cansado
52:57Chocado com o que acabei de ouvir
52:59Tá bom
53:00É verdade, já recuperei
53:04Estou achando meu prumo e tomando meu rumo
53:08Vou
53:09Vou
53:10Aliás
53:13Por que que você está querendo aprontar com o Eurico?
53:16Como é que eu posso contracenar com você enquanto um taco de golfe está parado ali?
53:21E eu não sei de quem são
53:23Isso perturba um ator em cena
53:26De quem são aqueles tacos de golfe?
53:29São de papai
53:34Eu nunca fui humilhado assim na minha vida
53:37Nem eu
53:38Eu vou processar a noxplay por ofensa sexual
53:44O homem se engasgou no final
53:50Foi o futum da calça
53:53É
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