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DiversãoTranscrição
00:13A CIDADE NO BRASIL
00:56A CIDADE NO BRASIL
01:00A não tem uma empregada pra abrir a porta nesta casa? Que inferno!
01:15A CIDADE NO BRASIL
01:48A CIDADE NO BRASIL
01:48A CIDADE NO BRASIL
01:48A CIDADE NO BRASIL
02:44A CIDADE NO BRASIL
02:48A CIDADE NO BRASIL
03:28A CIDADE NO BRASIL
03:31A CIDADE NO BRASIL
03:40A CIDADE NO BRASIL
03:55A CIDADE NO BRASIL
04:25A CIDADE NO BRASIL
04:35A CIDADE NO BRASIL
04:37A CIDADE NO BRASIL
05:00A CIDADE NO BRASIL
05:03A CIDADE NO BRASIL
05:10A CIDADE NO BRASIL
05:13A CIDADE NO BRASIL
05:19A CIDADE NO BRASIL
05:29A CIDADE NO BRASIL
05:41COMO RÓBIL
05:41O que é isso?
05:43A CIDADE NO BRASIL
05:46Música
05:46A CIDADE NO BRASIL
05:56A CIDADE NO BRASIL
05:59A CIDADE NO BRASIL
06:01A CIDADE NO BRASIL
06:10Olha aí, seu caro, não vai correr atrás aí da estátua mesmo?
06:13Senhora, minha filha, quem corre atrás é pivete.
06:16Eu sou um profissional, eu espero a hora certa de atacar.
06:18Agora toma o teu rumo, vai.
06:19Vai arrumar um serviço pra fazer, vai.
06:21Toma o tempo.
06:22Que isso?
06:22Que isso?
06:23Que isso?
06:24Que isso?
06:24Que isso?
06:24Que isso?
06:25Que palhaço?
06:26Tá pensando que é louro, pode vir passar na mão?
06:28Eu sou pobre, mas eu sou limpinho, hein?
06:42Tu é pequeno, hein, palhaço?
06:44Tu é pequeno, hein?
06:45O que que é?
06:47Quem que tá olhando também?
07:01Caco, você não vai acreditar.
07:06Bateram a minha carteira pela sexta vez nesta semana.
07:11Que engraçado, né, seu Vavá?
07:12O senhor só não foi assaltado na vez que o seu caco ficou doente e não foi trabalhar, né?
07:16É verdade, é.
07:17Eu estou horrorizado com a situação que estamos vivendo.
07:20Eu estou chocado com este país, Vavá.
07:23Eu não sei onde vamos parar.
07:24Pra você ter uma ideia, eu não saio mais na rua com o seu cartão.
07:27É, mas acontece, seu Vavá, que eu vi o ladrão que roubou o senhor.
07:30Você viu?
07:30Vi, vi, a cara dele tá aqui, ó.
07:32Tá fresquinha na minha cabeça, o rostinho dele.
07:35Parece até que eu tô olhando pra ele, assim, de frente com alguém no meio.
07:38Mas, Ataíde, essa sua informação.
07:40É da maior importância pras investigações.
07:44Eu vou ligar pra polícia agora mesmo.
07:45Um momento, um momento, um momento.
07:48Eu tenho a impressão de que o Ataíde está sonegando informações.
07:50Vamos torturar.
07:51Ataíde, você está sonegando informações?
07:54O que é isso?
07:55Parece um hipopótamo.
07:58Está fugindo.
07:59Olha lá.
08:00O pintor de rodapé fugiu.
08:01Alô, é da polícia?
08:14Vavá, sente-se, por favor.
08:18Permita-me sentar no braço.
08:21Eu quero te falar uma coisa do fundo do meu coração, Vavá.
08:24Eu estou um pouco aflito com o que eu vou te dizer.
08:26Por favor, tente entender antes de tomar qualquer atitude.
08:30Eu fui obrigado a fazer uma retirada drástica na sua carteira.
08:34Desgraçado!
08:35Aquilo não foi a retirada drástica.
08:37Foi uma fuga em massa.
08:39É, mas eu tive que comprar duas passagens pra Las Vegas.
08:43Las Vegas?
08:44Estou fazendo negócios em Las Vegas, viu?
08:47Vamos ganhar muito dinheiro.
08:49Eu vou limpar aquela gente naqueles cassinos, hein, sócio?
08:52Sai daí, eu não quero me envolver nas suas arquimanhas.
08:55Me inclui fora dessa e me devolve o dinheiro.
09:17Não adianta mais, Vavá, já comprei duas passagens para Las Pregas.
09:23Também não é Las Pregas, é Las Vegas.
09:26Não, é Las Pregas mesmo.
09:27O moço lá da lojinha de passagem disse que Las Vegas não está com nada nessa época,
09:32que enche de gente, que Las Pregas sim, que é muito tranquilo.
09:36Faz 10 anos que ninguém vai pra lá.
09:39Las Pregas?
09:41Magda, isso era o interior da Guatemala.
09:44Eu tive que adiantar um dinheirinho pra eles,
09:46pra eles encherem o tanque do avião e consertarem os pneus.
09:48Estavam todos furados, né?
09:50Magda, você gastou o meu dinheiro com esta idiotice?
09:53Seu dinheiro não, meu dinheiro.
09:55Peraí, um idiota de cada vez.
09:57Ai, sobraram uns trocadinhos, é verdade,
09:59mas eu adiantei pro piloto pra ele comprar uma escova de dente,
10:02que o bafo de cachaça era uma coisa impressionante.
10:04Eu vou te matar.
10:04Olha aqui, Caco, eu ia te mandar pros quintos dos infernos,
10:07mas a Magda já comprou as passagens,
10:09então, boa viagem.
10:11Eu vou te matar, desgraçada.
10:12Eu vou voar no teu pescoço, eu vou...
10:14Ai, eu também vou te matar.
10:16Magda, o que é isso?
10:17Magda!
10:19Magda!
10:20Magda!
10:21Caramba!
10:23Amor, vamos deixar pra fazer isso lá em Las Pregas, hein?
10:25O que é isso, Magda?
10:26Oh, yeah!
10:27Magda, o que você fez com o engenheiro?
10:29Lá tem tanto mosquito, você vai cansar de dar tapa na moriçoca.
10:32Caramba!
10:32Magda!
10:38O que é que tu pensa que vai, Luluxo?
10:41Eu vou, eu vou, eu vou a uma reunião,
10:44o almoço anual do clube dos pão-duros.
10:48Quem chega por último paga a conta, por isso que eu tô indo embora.
10:50Dá isso pra cá, você safado!
10:52Magda, olha aí!
10:53Luluxo querendo roubar sua mãe!
10:55Meu Deus, como é que ela entrou aí dentro?
10:58Essa estatuita aqui é minha!
11:00Foi um roubo legítimo!
11:01Caraca, tira a mão daí, palhaço!
11:03Não, não, não, não!
11:04Pra cá, pra cá, pra cá!
11:05Ai!
11:06Ai!
11:14Maldição!
11:17Ele morreu mesmo, olha só, ele tá tão morto que abriu a mão!
11:21Será que ele morreu mesmo?
11:23Meu Deus, ô meu pai, no luxo, no luxo.
11:27Magda, eu posso ser acusado de assassinato, Magda.
11:30Mas eu tenho uma ideia boa.
11:31Vamos, vamos, vamos, vamos fechar todas as saídas do Pereira assim.
11:34O espírito dele não pode sair.
11:35Fecha aí embaixo que eu fecho aqui em cima.
11:37Não para com isso.
11:38De maneira alguma, me dá uma passagem que ele botou o negócio em cima.
11:40Ora aí, eu vou-me embora.
11:42Eu te vejo nas pregas, Magda.
11:44Pereira, ojo, onde está a minha caixa?
11:49Pereira!
11:52Pereira, Pereira!
11:53Calma, mami, mami, calma.
11:55Ele só morreu.
11:58Morreu!
12:00Mas que carnaval, mas morre gente todos os dias.
12:05Vavá!
12:06Vavá, meu pereirucho morreu.
12:08Faz alguma coisa.
12:10Calma, calma, que eu vou dar um jeito nisso.
12:13Primeiro eu vou pegar o meu dinheiro que está no bolso dele,
12:15que eu paguei hoje de manhã, que é isso aqui.
12:17Tira a mão do meu bolso.
12:21O que é isso?
12:21Além de morrer, quer me matar de susto?
12:23Eu não morri, Magda.
12:25Eu apenas esmaiei.
12:27O caco bateu na minha cabeça com aquela caixa e roubou a cobra de ouro.
12:32Oh, tadinho do meu pereirucho, ele machucou muito você.
12:36Olha o galo que picou, olha aí.
12:38Mami, é mentira, mami.
12:41Quem roubou primeiro foi ele, que eu vi ele saindo do seu quarto com a caixa na mão.
12:46Pereira, você vai ter que explicar essa história direitinho.
12:50Não houve roubo.
12:51E a estatueta está comigo.
12:54Como eu sabia que o caco ia roubar, eu botei uma pedra dentro daquela caixa.
12:57Maravilha.
13:10Mas o que é isso?
13:12Uma passagem de tempo, mami.
13:16Gente, gente, gente, eu tenho uma notícia ótima para dar para vocês.
13:20Acabou de dar no rádio.
13:21Caiu um aviãozinho na Amazônia, no meio da floresta.
13:25Desde enquanto isso é uma notícia ótima.
13:28Gente, o seu caco estava dentro.
13:32Que beleza, meu.
13:34Não, não, não.
13:53Não chora, não chora, filhinha.
13:55O tio Vavá está no meio da selva procurando o caco e ele vai encontrá-lo.
14:01E se o caco estiver morto, mami?
14:04Bom, não podemos ser tão otimistas assim, né?
14:07Olha lá, é ele, mami, é o caco.
14:10Eu sei, eu sinto que é o caco.
14:13Caco, meu amor, venha.
14:27Peleruxo, querido, o que aconteceu com você?
14:30Foi por causa da pancada que seu caco deu na cabeça do meu chefinho, dona Cassandra.
14:33Um horror.
14:34Da cintura para baixo, coitado, deu perda total.
14:38Fui ao médico, ele disse que eu tenho que fazer um tratamento caríssimo.
14:41E justamente agora que eu estou sem dinheiro nenhum.
14:45Pelo menos se eu tivesse em minhas mãos a estatueta da cobra de ouro numa...
14:51Mas peraí, não está cheirando bem essa história, não, viu?
14:55Ô, Pereira, e eu não pisei em nada, tá certo?
14:58Você saiu daqui andando.
15:00Foi um efeito retardada.
15:04Ah, é?
15:05Está pensando o que?
15:06Que eu sou burra?
15:07Que eu sou estúpida, imbecil?
15:09Eu cravava palpite triplo aí, viu?
15:12Magda, deixa o Pereira um chimpácio.
15:14Você não vê que ele está sofrendo.
15:16Já para o meu quarto.
15:17Eu vou te dar a estatueta, viu, meu Pereira?
15:20Ah, que bela fala.
15:22Sabia que eu podia contar com você.
15:24Anjinho de bondade.
15:26Anjinho de bondade.
15:29Chupa, Fábio, me fala.
15:31Você encontrou o Caco.
15:32Não me diga que ele morreu, pelo amor de Deus.
15:34Agora me fala.
15:34Me fala tudo, tudo.
15:35Agora se ele morreu, não quero saber, não quero saber.
15:37Me diga.
15:38Encontrou ele, ele estava vivo, amor.
15:39Fala!
15:40É para falar ou não é para falar?
15:43Não sei, agora fiquei um pouco confusa.
15:46O Caco não morreu, o Caco está vivo.
15:49Quer dizer, ele está vivo.
15:51Mas um, digamos assim, um pouquinho diferente.
15:56Só para lá, o palhado.
16:10Pura a baranga, Pura a baranga.
16:12Aqui, Vanderleia.
16:13Vem, vem, a Jérita do moto.
16:15Vem.
16:15Vem, palhaça.
16:16Olha aí, olha aí.
16:17Seu bava está querendo me transformar no cocrete.
16:19Ô, Caco.
16:20Caco, você esteve na floresta ou o Yudstock?
16:24O Caco perdeu a memória.
16:26Agora ele acha que é um índio da tribo Tunga Tunga.
16:29O nome dele é Cacoapu.
16:32Cacoapu.
16:33Cacoapu, espetáculo.
16:35Cacoapu, tesudo, popozudo.
16:36Que saudade de você, Caco, meu amor.
16:41Vamos, vamos lá.
16:42Calu, calu, calu, calu, calu, calu.
16:44Vamos lá dentro, fazia um canguru de tanga, vamos.
16:47Ai, dá cuidado que agora o Cacoapu é o selvagem.
16:50Agora que ele é selvagem, isso daí foi um animal.
16:55Me enfura, me enfura.
17:00Vá, Papu.
17:02Ô, Vanderlé da Amazônia.
17:05Olha lá que o desgraçado é até de índio, odeia pobre, palhaço.
17:09Angélica do mato.
17:12Ai, meu Deus.
17:15Expulsaram o Caco do inferno.
17:17Deviam ter deixado esse ladrão lá na floresta.
17:20Por quê, pô?
17:20Pra ele ver como é bom.
17:22Ih, ih.
17:25Cabeção, Cascacu.
17:26Cascacu, Cascacu.
17:27Não, papo.
17:28Ataíde, me ajuda a segurar esse índio, Ataíde.
17:32Não, senhor, seu vavá.
17:33Eu não vou segurar índio armado, não, viu?
17:36Vai que ele resolve empinar aí o tacap e eu não tô fora.
17:39Ih, churucucu.
17:40Churucucu.
17:41Churucucu.
17:41Chilindró, Cacoapu.
17:43Chilindró.
17:44Chilindró.
17:45Ih, no carandiru, no, no, no.
17:48Que língua ridícula é essa?
17:50Onde você aprendeu, vavá?
17:52Ah, eu tive que comprar um dicionário português tunguês pra entender a língua que ele fala.
17:57Daqui, daqui, daqui.
17:58A língua do Caco é minha.
18:00Ninguém passa, eu vi primeiro.
18:02Olha, vavá, desculpe usar as palavras que você costuma usar no programa, mas alguém
18:06pode me explicar o que está acontecendo nesta casa?
18:11O Caco perdeu a memória quando o avião caiu.
18:14Aquela pedra que você botou na caixa bateu na cabeça dele.
18:17Nossa, por isso que ele tá vestido assim com essa peruca canecaloma aí horrorosa.
18:21Não interessa o que aconteceu pra esse safado.
18:23O que interessa é que a estatuta está em meu poder.
18:26O que é isso que esse paquito selvagem tá querendo falar agora?
18:32Segundo, o livrinho tá dizendo que Pereira escondeu a cobra num lugar muito esquisito.
18:36Ah, não é nada disso, não é nada disso.
18:39É porque eles acham que o troféu, a estatueta, pertence à tribo Tunga Tunga e eles querem a cobra de
18:47volta, ué.
18:48Ah, mas nem vai querer, imagina.
18:50Se esse índio quiser botar a mão na cobra, tem que ser num outro horário.
18:53Porque esse horário tem muita criança vendo o programa.
18:55Bom, Perenuxo, vamos já pro quarto.
18:58E você, Vavá, vê se coloca esse índio numa reserva de segurança máxima.
19:05Urugurá, urugurá, urugurá, cobra vai fumar.
19:11Conosso?
19:17Cacuapu, Cacuapu.
19:19Cacu, vamos tentar lembrar como é que era, gente, antes, hein?
19:23Ó, mim, Magda, você, Cacu.
19:28Mim, Magda, você, Cacu.
19:30Não, não.
19:31Mim, Cacu, você, Magda, não.
19:36Não.
19:37Mim, mim.
19:41Você, não, mim.
19:44Você, você.
19:47Mim, cair fora.
20:08Tô reconhecendo você, Cacu.
20:10Vem, meu pele vermelha, vem.
20:13Passinho pra frente.
20:15Passinho pra trás.
20:17Cacuapu vai armar a barraca.
20:20Índio quer rapito.
20:22Se não, Cacuapu não der.
20:25Cacuapu vai me comer.
20:28Bora, Magda.
20:29Tá estragando o meu disfarce com essa palhaçada.
20:31Para, Gris.
20:32Você voltou, amor.
20:33Você voltou.
20:34Vamos lá pra dentro.
20:35Vem.
20:35Vamos pra onde, Magda?
20:37No quarto.
20:37Vou te mostrar o que é uma pororoca.
20:57Tô feliz que agora eu tenho um maridinho normal.
21:01Um cara que xinga a minha mãe, que vive às custas do meu tio.
21:05Magda, eu continuo o Cacuapu.
21:07Só tô falando português porque você, por acaso, apertou a tecla SAP no meu controle remoto.
21:12Uau, que prático.
21:14Quer dizer que aí regula a imagem, muda de canal.
21:17Com certeza.
21:18Mas aqui não, na frente de todo mundo.
21:20Magda, eu preciso da estatueta da cobra dourada.
21:23Ela é a única que consegue salvar os índios da maldição da Cascacu.
21:26Não, Cacu.
21:27Não, Cacuapu.
21:28Se Cacuapu pega a estátua, Cacuapu volta pra aldeia de Cacuapu.
21:33Acontece que Cacuapu é meu marido, Caco.
21:36Se Cacuapu vai, Magda fica sem Caco.
21:39Que pensa que é Cacuapu, que por sua vez é Caco pensando que é Cacuapu.
21:46Ou é o contrário.
21:48Fala alguma coisa que meu neurônio derreteu.
21:52Você vai ou não vai pegar a estatueta dourada?
21:55Só se você me levar pra sua tribo.
21:57Magda, você acha que você dá pra índia?
21:59O que?
21:59Uma tribo de sapatões?
22:02Esquece.
22:04Esquece.
22:04Tá bom.
22:05Se você recuperar a estatueta dourada, eu te levo pra minha tribo e te batizo de...
22:11Antacentada.
22:12Ai, adorei.
22:15Adorei.
22:16Deixa eu abraçar toda essa sua cultura indígena.
22:19Calma.
22:20Lá lá.
22:20Começa o abraço sozinha que depois eu vou.
22:22Ah, porcaria nenhuma.
22:30Ouvi a sua conversa com Magda.
22:33Ouvi todinha a conversa.
22:34Ai, esse negócio da tecla Sápia tem que interessante, não é verdade?
22:38Foi interessante.
22:40Seu ladrão de estatueta.
22:42Isso que é você.
22:43Mas quando o Cassandra souber, você vai ver o que vai acontecer com você.
22:46Você vai parar no Carandiru.
22:48Ai que eu quero ver você numa cela no meio de presos.
22:52Isso aí vai ser...
22:53Todo dia vai ser dia de índio, não é?
22:59Ah, Taíde, modere.
23:05Você está rindo mais que eu.
23:07Muito mais alto.
23:08Ria menos.
23:12Acho que foi demais.
23:14Agora aumenta um pouquinho.
23:16Você não vai conseguir contar nada para Cassandra, Luluxo.
23:19Por quê?
23:20Porque você vai morrer.
23:21Vai morrer num acidente automobilístico.
23:29Ai, meu Deus do céu.
23:32Ai, meu Deus do céu.
23:42Tá bom, tá bom, meu Deus do céu.
23:47Tá satisfeito?
23:51Assuma agora que esta sua invalidez é só uma farsa para você roubar a estatueta dourada.
23:55Farsa coisa nenhuma, seu caco.
23:57Farsa coisa nenhuma.
23:58Depois da agressão covarde que o senhor fez contra o meu chefinho, coitado.
24:01Ele não sente mais nada da cintura para baixo.
24:03Tá de assar.
24:04Não sente nada.
24:06Vamos ver se ele sente ou não sente.
24:07Vamos ver.
24:09Vamos ver.
24:10Vamos ver.
24:11Olha aqui.
24:11Eu não sinto a perna, mas o bolso eu sinto.
24:14Tá aqui.
24:14Ataíde, pega o meu dinheirinho.
24:16Ataíde.
24:16O que são faça, chefinho?
24:21Eu vou chamar Funai.
24:25Funai.
24:26Pederuxo, o que que tá acontecendo aqui?
24:29Esse silvícola maluco quer me matar.
24:31Gasta por, gasta por.
24:34Sirene, socorro, sirene.
24:38A sirene.
24:40Tá fora da área ou fora da cobertura, não tá conseguindo falar, não.
24:43Faça alguma coisa, sou imprestável.
24:45Esse canibal está querendo me comer.
24:48Jura?
24:52Olha aí.
24:53Eu já vi indo que come macaco, né?
24:55Agora a cobra é muito baixinha, vai se ralar inteira, hein, alborígena?
25:00Ah, meu Deus, meu anjo da guarda, pelo amor de Deus.
25:04Manda um homem bem forte pra segurar esse imbecil aí.
25:08Deixa comigo que eu me entendo com o cacofu.
25:11Ô, seu Pereira, até teu anjo da guarda é pão duro, hein?
25:16Só pedir um homem forte é o abatimento que ele fez.
25:20O animal tratou mal, meu pereiruxo.
25:24É, e se eu não chego aqui, dá um creio nela também, ó.
25:27É ruim, é ruim.
25:29Cabeção, tô fora.
25:31Ô, sirene, sirene, vai lá pra dentro que esse aqui é um assunto em família, certo?
25:35É ruim, é agora que tá ficando animado.
25:38É eu, hein?
25:39Ô, ô, passa fora.
25:41Passa fora, vai.
25:42Fala com o jeito, fala com o jeito, fala com o jeito, hein?
25:43Só pode, mas eu sou limpinha, hein, falácio.
25:46Escuta aqui, vová, você não pode manter um aborígene marginal dentro dessa casa.
25:52Ou você joga ele no jardim de um presídio, ou então devolve ele pra selva.
26:16O que significa isso, Magda?
26:22Min não, Magda.
26:24Min anta sentada.
26:28Min vai com cacuapu pra tribo bunda-bunda.
26:33Isso.
26:34Cacuapu quer ficar com anta sentada.
26:37Cacuapu não quer mais ir pra selva descabelar a macaca.
26:41Não, não, minha filha, não.
26:44Vavá, faz alguma coisa.
26:46Magda, minha querida, olha, eu sei que você ama o seu marido, mas...
26:49Depois do que ele fez com o Pereira, o cacuapu não pode mais ficar nessa casa, Magda.
26:55Cacuapu quer estatueta, se não der, pau vai comer.
26:57Não vou dar estatueta nenhuma pra esse índio, não.
27:00Isso aí é pro meu tratamento, né?
27:05Cassandra, a paralisia, Cassandra.
27:08Tá pegando essa parte de lá.
27:09Que parte, pereirúcio?
27:11Que parte de lá?
27:13Ah, não!
27:14Cacuapu resolve tudo.
27:16Cacuapu vai fazer ritual de índio.
27:19Ritual muito poderoso.
27:21Cacuapu vai botar o luxo de pé.
27:24Imagina, não sabia que esse índio tinha esses poderes mágicos, não.
27:27Bom, sumia a carteira dos outros, isso ele sempre fez.
27:31Cacuapu, mister M, tribo tunga tunga.
27:34Isso, Cacuapu promete.
27:36Se cabeçom dá a estatueta dourada, Cacuapu põe o luxo tinindo.
27:42Bom, se é pro meu pereirúcio voltar a dar, eu dou a estatueta pro vinho.
27:47Não, não, não, não, não, não, não, não.
27:48Eu não quero participar desse ritual, não.
27:51Ô, pereirinha de pereira vai pular que nem perereca.
27:59Anca sentada, anca sentada, pega facão, facão de sangra-porco.
28:06Mas o que vocês vão fazer?
28:08Hã?
28:08Mas o que é isso?
28:09É voodoo?
28:10Vão sacrificar animais?
28:11Não, senhor mesmo.
28:31Pronto, consegui pegar o coquinho que o Cacuapu pediu.
28:36São dez perereca do Tietê.
28:38Bom, se o índio fizer o meu pereirúcio andar outra vez, a estatueta é dele.
28:43Anda?
28:44Eu acho melhor ele correr pro banheiro, porque eu vou te dizer uma coisa.
28:48O caso dessa perereca dá uma diarreca e uma argamassa que segure.
28:53Gente, como vocês são tolos.
28:55Vocês não veem que o Cacu tá fingindo?
28:57Fingindo.
29:02Cacuapu não finge.
29:04Cacuapu vai fazer ritual.
29:06Pegou perereca?
29:07Peguei.
29:08Peguei esse que você pediu, deu um trabalho.
29:11Não, porque quando a gente era criança pegava perereca.
29:13Na minha idade, pegar perereca é brincadeira.
29:18Vavá, não é hora pra confissões, entendeu?
29:22Vamos lá dentro ajudar a sirene a fazer a poção mágica.
29:26Olha aqui, hein?
29:27É melhor dar certo, porque senão eu vou dar queixa no Fantástico, hein?
29:32O que é que você tá pretendendo com isso tudo, seu cara de pau?
29:35Pretendo chegar a Nova York, entrar nas melhores boutiques e sair de lá com os ternos mais caros que eu
29:40encontrá-lo, Luz.
29:41Duvido, porque dessa cadeira eu não vou levantar e você não vai levar estátua de ouro.
29:45Ah, é?
29:46É o que você pensa.
29:48Magda!
29:50Magda!
29:52Anta sentada!
29:53Raul!
29:55Rui!
29:55Ah, ah, ah, Raul!
29:57Que Raul?
29:57O que é isso?
29:59Olha aqui, mete uma coisa na sua cabeça.
30:01Vamos começar o ritual.
30:02Quando eu gritar, uga, uga, pegamos as tatuetas e sebo nas canelas, compreendeu?
30:07Uga, uga, é essa mesmo.
30:09Sou o Eto, cara, metade ao tchau.
30:10Ah, o que é isso?
30:11Tô treinando tunguês, meu amor.
30:13Quando a gente se mudar pra selva, eu tenho que saber, pelo menos pedir uma pizza pelo telefone, né?
30:17Vai, vai, vai, vai.
30:17Pera aí, menina.
30:18Deixa que me livre quando eu dou cheiro.
30:20Ai, agarrei nojo, meu Deus.
30:21Aí.
30:22Ah, estou, estou, estou intoxicada.
30:26Falei, dona Caçando, eu falei pra senhora não cheirar essa gororoba aqui, menina.
30:29Essa porção tá braba, viu?
30:31O cheiro tá tão ruim, tá fedendo tanto, que juntou um monte de urubu lá no varal, viu?
30:34Aí, ó, tá pronta a gororoba, ôjuru no oxigenado.
30:37Coloca a gororoba da perereca no pé de luluxo.
30:42Ai, Deus que me livre.
30:44Vai começar a ritual.
30:48Vamos lá.
30:57E cinco, seis, e sete, e oito.
30:59E cinco, seis, e sete, e oito.
31:43Música
31:44Que eu não quero
31:45Essa porcaria
31:47Cobre logo Pereira
31:49Vai querer ficar a vida inteira nessa cadeira
31:51Cobre de uma vez
31:54Imagina
31:55Se eu começo aí eu vou ficar a vida inteira
31:57Sentado numa privada
32:00Olha meu chão
32:01Tô na ponta da peçaia
32:04Uga uga
32:05Uga uga
32:06Uga uga
32:08Uga uga
32:10Uga uga
32:12Andar sentado é matar cascacu
32:14Uga uga
32:15Você não é outra sentada Magda
32:17É tu é anda em pé maluca
32:19E devia tá de quatro né
32:21Matar cascacu
32:22Não para com isso
32:31Onde sou?
32:33Quem estou?
32:34Que lindo aqui
32:35Seu Pereira
32:37Seu consegue andar sem rodinha?
32:40Ah
32:41Ah é
32:42Milagre
32:45Milagre
32:45O amor é maior que a doença
32:52Pereiruxo
32:52Paradez
32:54Que força de vontade
32:55Você está me saindo um belo de um canastrão
32:58Hein Luluxo
32:59Eu vou te contar
33:01A minha interpretação sim merecia um Oscar
33:03Mas pra cá
33:04Caco
33:05Você voltou ao normal?
33:07Não não
33:08Alguns sem vergonha andou passando a mão na tecla SAP dele
33:11Magda
33:12Ele tá fingindo
33:13Ele não é índio coisa nenhuma
33:14Claro que não
33:15Eu sou um futuro multimilionário
33:18Agora com esta cobra na minha mão
33:20A cobra vai fumar
33:21Vamos gastar Magda
33:23Vem comigo
33:39Ai senhora
33:41Meu primeiro
33:42O Chupaco roubou a cobra de ouro
33:44Mas pelo menos você ficou bom
33:47O que são milhões de dólares
33:49Perto da sua saúde
33:56Chefinho
33:57Chefinho
33:58Chefinho
33:58Olha tem um mendigo lá fora
33:59Danada a vida com o senhor
34:01Viu?
34:01Ele tá dizendo que o senhor pegou a cadeira de roda dele
34:03E não devolveu
34:04Você pegou?
34:05Pegou a cadeira de roda do mendigo?
34:08Caçante
34:08Eu posso explicar pra você
34:09Eu comprei uma cadeira no consórcio
34:11Como eu tava demorando a chegar
34:13Ai eu pedi uma emprestada
34:15É ruim hein palhaço
34:16Que eu te vi botando o mendigo no manquinho
34:17E se ralando na cadeira de roda
34:18Eu vi
34:19Me tira a mão
34:20Que você enganou a gente o tempo todo
34:22Pereruxo não vai ficar assim
34:23Sirene
34:24Traga o resto da poção
34:26Vou fazer Pereruxo botar perereca pelas orelhas
34:31Sabe o que aconteceu com a poção?
34:32Eu levei lá pro forró
34:33O pessoal comeu
34:33Deu um rebuliço no estromo
34:34Menino você não sabe
34:35Esmerilhou o sanfone todo mundo
34:36Tava só no forró
34:37Já entendi
34:39Tá certo
34:39Obrigada
34:40Pronto
34:43Finalmente consegui encontrar o safado do Caco
34:46Ah é?
34:47E a cobra de ouro?
34:48Encontrou?
34:50Não encontrou nem uma minhoquinha
34:51O Caco vai explicar
34:53Ele já vem vindo aí
34:55Ih
34:55Não adianta fingir de índio não
34:58Que ninguém mais agora cai nessa
35:01Nós não estamos fingindo, mami
35:03Nós perdemos todas as nossas roupas
35:05Porque o Caco resolveu apostar tudo que a gente tinha lá em Las Vegas
35:08Até aquela cobra de ouro
35:10Não
35:10A culpa foi daquela estatueta desgraçada
35:12Perdi tudo
35:13Perdi até nos cavalos
35:15E olha aquela magda que aí tava correndo, hein?
35:18Força, meu velho
35:19Vamos ser fortes agora
35:21Não se esqueça que você tem a mim
35:22Não, não tenho
35:23Porque eu perdi você também pro porteiro do cassino
35:26Perdi, mas não entreguei
35:31Mas que a ué, a ué, a ué
35:35Mas que a ué, a ué, a ué
35:38Cobra de ouro tá com a cobra
35:41Que é de laque, laque, laque
35:45Mas que a ué, a ué, a ué
35:49Mas que a ué, a ué, a ué
35:52É de ouro, tem cara de quê
35:55Que é de laque, a ué, a ué, a ué
36:03Mas que a ué, a ué, a ué
36:05Mas que a ué, a ué, a ué
36:51Enrolei, mas não lembrei do texto
36:52Aqui você não coloca mais a mão, é a estatueta que você está querendo roubar.
36:57Pega para a gente brigar.
37:00Desculpe.
37:01Vamos daqui de novo, fecha a boca.
37:03Você vai ter que explicar essa história direitinho.
37:11Não houve roubo, não houve roubo.
37:12Não houve roubo, Vavá, não houve roubo.
37:16Alguém quer contar algum problema, alguma coisa que aconteceu da vida pessoal?
37:20Alguém quer dividir?
37:23Não é comigo, também estou batalhando, nega.
37:25Não entendi, o que ela falou?
37:27É emprego.
37:27É pobre.
37:31Chefinho, chefinho, chefinho, olha, tem um mendigo lá, fui eu.
37:35Sente-se, por favor, Vavá.
37:38Me dá aí o braço, porque o Jorginho Fernando não me deixa sentar em cena, eu estou exausto.
37:45Eu quero te falar uma coisa e eu espero que você pondere antes de tomar qualquer atitude.
37:57Cheio de formiga, que coisa e coisa.
38:03Aqui, olha, não é brincadeira, não.
38:06Agora, a pessoa está querendo dizer um texto que estudou a formiga desconcerta.
38:30Tem dia que a gente não devia levantar da cama.
38:33Eu quero te dar danado.
38:34Tchau, eu quero te dar danado.
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