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#AGrandeFamília

Créditos: Rede Globo de Televisão

Categoria

🎈
Diversão
Transcrição
00:06Mãe, mandaram entregar pro papai, ó. Parece coisa boa.
00:09Gente, parece um presente. O que seria que mandaram hoje pro teu pai?
00:14Vai ver hoje alguma data especial.
00:16Que data especial, Tuco? Imagina se fosse data especial, eu ia saber, né, Tuco?
00:19Bom dia, nenê, querida. Bom dia, Tuco, querido. Bom dia.
00:25Bom dia. Bom dia. Bom dia, bom dia, Linhãozinho.
00:31Ah, Linhãozinho, ó, isso é pra você.
00:34Nenê.
00:37Você lembrou, nenê.
00:40Eu lembrei do quê?
00:41Do quê, mãe? Da data especial. Eu também lembrei, propósão.
00:45Você também lembrei. Parabéns.
00:49Lembrei da...
00:50Seu aniversário.
00:52Não, não, não é meu aniversário.
00:55Aniversário de casamento?
00:57Não, não, não. Não é nosso aniversário de casamento.
01:01Ué, gente, de quem é esse aniversário?
01:03Meu?
01:04Não, nenê.
01:06O meu relógio. Nossa.
01:09Deve ter custado caríssimo, né?
01:12Adorei.
01:13Adorei, nenê.
01:14Tom, Tom.
01:15Adorei esse relógio. Lindo, lindo.
01:17Linhãozinho, ó, pra falar a verdade,
01:21não fui eu que te dei esse relógio, não.
01:23Ah, não?
01:24Foi você, Tuco?
01:25Que riso, pobozão.
01:27Pra comprar um relógio desse, só se eu tivesse roubado mesmo, né?
01:29Ô, Linhão,
01:30olha,
01:32nós esquecemos que dia é hoje. Pronto, falei.
01:36Esqueceram?
01:37Acharam que era amanhã?
01:39Linhãozinho, amanhã, ontem, hoje, amanhã, não sei.
01:41A gente não sabe o que você está comemorando, Linhãozinho.
01:45Esse relógio eles entregaram aqui na porta.
01:51Ninguém liga pra um fiscal.
01:54Ué, mas o que é que um fiscal tenha a ver com isso?
01:56Tudo.
01:57Ai, Linhãozinho, pelo amor de Deus,
02:00para de torturar a gente e diz o que foi que a gente esqueceu.
02:04Hoje, eu, Linhão Silva,
02:10completo 30 anos como fiscal sanitário.
02:14Ah, era isso?
02:16Tuco.
02:18Era.
02:18Era isso.
02:20Era só isso.
02:23Hoje faz 30 anos que eu comecei a trabalhar como fiscal sanitário.
02:28E você sabe o que significa o trabalho de um fiscal?
02:31Que ele fiscaliza.
02:32Significa que eu presto serviços à comunidade.
02:35Que eu zelo pelo bem da população.
02:38Que eu sacrifico a minha vida pela saúde pública.
02:41Mas, Edson, quem é que liga pra um fiscal?
02:43Ai, Linhãozinho, meu amor, desculpa, desculpa.
02:47O Mendoza, linda.
02:48O Mendoza liga.
02:50Com certeza foi ele que me mandou esse presente.
02:53Meu companheiro de batalha, meu amigo.
02:55Ai, Linhãozinho, você vai sair sem tomar café?
02:59Vou tomar café na repartição.
03:01Com meus companheiros fiscais.
03:04Com licença.
03:13Que furo.
03:15Ai, meu Deus do céu, o que eu vou fazer pro Linhão me desculpar?
03:21Ô, Agostinho.
03:22Oi.
03:23Agostinho, ó.
03:24Você podia me levar ao supermercado?
03:27Não, Donhão.
03:27Eu não posso agora, não.
03:28Agora eu tô ocupado.
03:29Ô, Agostinho.
03:30Sabe o que é?
03:31É que o Linhão hoje, ele faz 30 anos de fiscal sanitário, né?
03:34Eu esqueci.
03:35Meu Deus, esqueci completamente.
03:37Eu tenho que fazer um jantar, assim, pra dar uma disfarçada.
03:39Mas 30 anos.
03:40O que é que teria, Donhão?
03:41Ai, tem muito, Agostinho.
03:43São 30 anos prestando serviço à comunidade.
03:47Zelando pela população.
03:48Se sacrificando em nome da saúde pública.
03:51Não, é verdade, discurso que eu tô falando assim, realmente é discurso bonito.
03:54Mas eu não sei assim.
03:55Quando ele fizer 50 anos de serviço, aí a senhora me chama e eu vou.
03:59Agostinho!
04:00Ô, Bebel.
04:01Nossa, que surpresa.
04:02Pois eu não tô nada de surpresa de encontrar aqui, jogando sinuca.
04:05Ah, não sei o que que é, Bebel.
04:07Ele tá só fazendo hora pra me levar ao supermercado, né, Agostinho?
04:10É claro, e Dona Nenê se atrasou e eu fiquei aqui matando o tempo.
04:12É, matou até duas cervejas.
04:15É, mas tá acabando, meu irmão.
04:17Calma, calma, calma, calma.
04:19Imagina, é exagero do Beisola.
04:21Ô, Beisola, você já tá livre pra me levar ao supermercado, né, Agostinho?
04:25Calma, só um instantinho.
04:26Eu fui ofendido aqui.
04:27Minha mulher me chamou de vagabundo, isso é uma injustiça que realmente tem que acabar.
04:31Tá bom, Agostinho, tá bom.
04:33Eu retiro o que eu disse.
04:34Desculpa também pelo tapa, tá?
04:36Agora vai trabalhar.
04:37Não, não, não, amor, você vê que situação.
04:40Sua mãe está comemorando 30 anos em homenagem aí ao seu pai.
04:43E você não faz um jantar desse pra mim.
04:45Mas, tia, você não tem carteira assinada, amor.
04:49Pô, mas eu trabalho taxista na praça três anos já, ué?
04:52Isso tem demais.
04:53Ah, claro, assim, ninguém liga.
04:55Agora assim, ah, taxista, mas tudo bem, não é o que precisa, né, de supermercado, farmácia,
04:59dor de dedinho no meio da noite, todo mundo tem que botar o dedinho, né?
05:02Agora, o Linê é homenageado, enquanto que eu sou o quê?
05:06Injustiçado.
05:06Ô, Agostinho, tudo bem?
05:07A Bebel já pediu desculpa.
05:08Vamos pro supermercado.
05:09Mas é que eu ainda tô abalado.
05:11Eu não posso dirigir abalado.
05:12Ah, tia, desculpa, mãe, tia.
05:16Desculpa, sua Bebelzinha, tá?
05:18Agora vai trabalhar, vai.
05:19Não, só bacana, se a pessoa reconhece, sim, pede desculpa.
05:21É bonito, agora sua mãe tá fazendo um jantar pro seu pai.
05:24Ah, tá bom, Agostinho, já entendi, já entendi.
05:27Se você me levar ao supermercado, o jantar, além de ser pra comemorar os 30 anos de fiscal do Linêu,
05:33também pode servir pra comemorar os seus 3 anos de taxista.
05:36Ei, então vamos.
05:38Ei, então vamos.
05:39Vamos fazer um trigo no jantar.
05:42Ei, que não.
05:43Ei, que não.
05:44Ei.
05:53Amigo.
05:54É?
05:54A minha família pode não lembrar.
05:57Mas você lembra.
06:01Adorei.
06:04Eu também, mas quem foi que deu?
06:06Como quem foi que me deu?
06:08Foi você.
06:10Ai, meuzinho, eu gosto muito de você, mas pra te dar um relógio desse valor aí, só se fosse pra
06:15noivar.
06:17Até você, Mendonça.
06:20Até você não lembrou?
06:23Mas lembrar de que...
06:25Seu aniversário.
06:27Não.
06:28Já sei.
06:29O seu aniversário de casamento com a dona Nenê.
06:31Não, Mendonça.
06:33Hoje, eu faço 30 anos de repartição.
06:38Minha Nossa Senhora, Limeuzinho.
06:41Como é que eu fui esquecer uma data dessa?
06:44Oh, meu Deus.
06:45Tudo bem, Mendonça.
06:46Tudo bem.
06:48O que importa agora é descobrir a única pessoa que lembrou.
06:53E me mandou esse relógio?
06:55Deixa eu dar uma olhadinha aí por último.
06:58É, é, é.
07:00Pode ser coincidência.
07:01Que coincidência?
07:03É que o...
07:03Um gerente de supermercado aí do lado tentou subornar o Peçanha com um igualzinho a esse.
07:10Suborno.
07:11É.
07:14Propina.
07:16Propina.
07:18Mas você sabe, o Peçanha é incapaz de receber propina.
07:22Eu também, Mendonça.
07:24É?
07:24Mas o que faz esse relógio no seu pulso?
07:29Meu Deus.
07:30E eu pensando que isso aqui era um presente.
07:33Limeuzinho, se você quiser agradecer pessoalmente, o nome do gerente é Vasconcelos.
07:46Ah, maionese, é aí, ó.
07:47Vou fazer um salpicão pro Limeu, que ele adora.
07:50Ô, Nenê, vamos levar também um peixe em calda, ó.
07:52Não, imagina.
07:53Ninguém gosta de peixe em calda.
07:55O homenajado da festa gosta, Dona Nenê.
07:57Mas não gosta nada.
07:58Que isso?
07:59O Limeu detesta, odeia peixe em calda.
08:01Não, não tô falando do Limeu, não tô falando de mim, Dona Nenê.
08:02Eu adoro.
08:03Ah, você gosta?
08:04Então, por que você não compra o seu peixe em calda?
08:06Não, eu compro ainda.
08:07Eu tô descapitalizado no momento.
08:08Esses recursos meus não estão disponíveis.
08:11Dona Nenê!
08:13A senhora é por aqui hoje?
08:15Oi, Vasconcelos.
08:16A gente comprou umas coisinhas assim pra fazer um jantar em homenagem ao Limeu.
08:20Ele merece.
08:22Não é todo dia que se faz 30 anos de fiscalização.
08:25Ô, Vasconcelos, você lembrou.
08:27Um bom gerente, Dona Nenê.
08:29Não esquece um fiscal.
08:31Principalmente se esse fiscal é Limeu Silva.
08:33A gente tá sendo homenageado.
08:35Se tá dando três anos pra...
08:36Parabéns!
08:38Será que eu podia oferecer alguma coisa pra família?
08:41De graça?
08:43Não, não, não, não.
08:43Não precisa nada.
08:44Imagina só uma latinha aqui, uma latinha de peixe em calda.
08:47É muito bom.
08:47Roda uma rubrica aqui.
08:48Ô, ô, ô, ô, Agostinho.
08:49Agostinho, o Limeu detesta peixe em calda.
08:52Dona Nenê, eu adoro peixe em calda.
08:55Muita gentileza sua.
08:56Não precisa.
08:57Tudo que a gente precisa tá aqui.
08:58Vambara.
08:59Vambara.
09:01Venha.
09:02Ô, Agostinho.
09:03Tu vai levar o peixe em calda ou não vai?
09:07É?
09:08Olha.
09:16Limeuzinho.
09:18Eu posso falar com você.
09:20Melhor não, minha doça.
09:22Você pode se comprometer.
09:24Depois de trinta anos de uma carreira honesta, eu recebi propina.
09:28Deixa disso, Limeuzinho.
09:30Deixa disso.
09:31Eu exijo que você abra uma sindicância pra me investigar.
09:34Pra que sindicância?
09:35Se fosse outro funcionário, você abriria e investigaria.
09:38Eu não quero favorecimento, João Mendoza.
09:40Se você não abrir uma sindicância, eu vou denunciar você.
09:43Limeuzinho, para com isso.
09:44Eu sou seu amigo.
09:45Eu não tenho amigos.
09:47Os amigos de trabalho sabem quando o outro faz trinta anos de serviço.
09:51Mas a única pessoa que lembrou foi quem me deu aquela propina lá.
09:55Limeuzinho.
09:55Aquela propina.
09:56Rapaz, fala baixo.
09:58Fala baixo.
10:00Fala baixo.
10:01Porque você quer se destruir, Limeuzinho.
10:03Eu já estou destruído, Mendoza.
10:05Não, Limeuzinho, não.
10:07Meu filho, basta você ir ao supermercado e devolver o relógio pro Vasconcelos.
10:12O que antes era propina, deixa de ser propina.
10:17É verdade, Mendoza.
10:20É isso mesmo, Mendoza.
10:23Você me salvou.
10:25E você ainda fica dizendo que não tem amigos.
10:28Não pense que eu perdoei o seu esquecimento, Mendoza.
10:38Eu vou te negar a cara do Vasconcelos.
10:41Eu vou fazer ele engolir.
10:44Perdeu, tio.
10:44Perdeu.
10:45Passa tudo.
10:45Carteira, celular.
10:46Passa tudo.
10:47Calma, calma.
10:47Passa.
10:48Calma, calma.
10:49Isso, agora celular, celular.
10:51Eu não tenho celular.
10:52Não tem celular?
10:54Ô, gente dura, meu Deus.
10:56Isso é no teu bolso aqui.
10:57Ah, não, não, não.
10:58O relógio, irmão.
10:59Não dificulta, tio.
11:01O defunto não usa relógio?
11:04Desculpe, mas você não pode roubar uma coisa que não me pertence.
11:07Esse relógio não é meu.
11:08O que está fazendo com ele no teu bolso?
11:09É uma longa história.
11:11Imagine você que depois de 30 anos de serviços prestados à comunidade,
11:16tentaram me subornar com esse relógio.
11:18Ah, então deve ser muito bom.
11:21Passa pra cá.
11:21Veja bem, veja bem.
11:23Eu estava indo justamente devolver o relógio para provar que eu não aceito propina.
11:27Se você me roubar o relógio, eu não tenho como limpar a minha honra.
11:30Por favor.
11:32Hoje eu faço 30 anos como fiscal sanitário.
11:36E quem liga pra fiscal sanitário, tio?
11:40Passa o relógio!
11:44Definitivamente hoje não é o meu dia de sorte.
11:47É isso.
11:49Fica triste não, tá, tio?
11:52Toma.
11:53Um presente pelos seus 30 anos de fiscal sanitário.
12:03Quantos pratos, mãe?
12:05Só pra família mesmo, é um jantarzinho íntimo.
12:08Mãezinha, você esqueceu de comprar o zero do bolo?
12:10Ah, de jeito nenhum, bebê.
12:11Imagina se eu ia esquecer.
12:13Cadê o zero?
12:13Cadê o zero do 30?
12:15Quantos anos o Agostinho está fazendo de praça?
12:17Três.
12:20O Agostinho Carrara, cadê o zero do meu pai?
12:22Fala assim, do teu pai.
12:23Ah, que isso, eu, hein?
12:24Ô, ô, ô, ô, ô.
12:26Agostinho, ela tá falando da vela do bolo.
12:29Ah, vai ter bolo.
12:30Que bacana.
12:31Deixa eu ver aqui.
12:32Deixa eu ver aqui.
12:33Deixa eu ver aqui.
12:34Deixa eu ver aqui.
12:35Para, para.
12:36Deixa eu ver, deixa eu ver, deixa eu ver.
12:37Olha, ó, Mãezinha, o que que eu achei?
12:39O zero do papai, ó.
12:41Acreditando, Agostinho, você não teria vergonha na cara, não?
12:43Dona Lirinha, por que que o Lineu tem direito a ter vela no bolo e o Agostinho Carrara não tem?
12:47Pra começar, porque ele não rouba a vela do bolo e você rouba.
12:50É, mas pelo menos eu contribuo com alguma coisa, não fico só enchendo a pança.
12:53Tá, eu vou botar de cerveja pra jantar.
12:55Ô, Agostinho, olha, não é por nada não, mas por que que você comprou tanta cerveja?
12:59Ah, se a gente beber metade do que tem aí, não para ninguém de pé nessa casa.
13:03Agostinho, você não chamou mais gente não, né?
13:07Grande família!
13:08Deixa eu dar um abraço no homenageado.
13:11O popozão ainda não chegou não, beijão.
13:13Ah, parabéns, viu?
13:14Vocês devem estar orgulhosos do Agostinho.
13:17Deixa eu botar cerveja lá no giro.
13:19Deixa eu te ajudar, Agostinho, deixa eu te ajudar, viu?
13:21Ai, meu santo Cristo, será que o Agostinho chamou mais alguém?
13:37Ô, Agostinho, ó, se eu soubesse que a comida ia trazer tanto, eu ia trazer uns pastéis pra vender.
13:42Eu tô morrendo de fome.
13:43Só lá apoia você, vamos reclamar.
13:45Dona Nenê, não aguenta mais, começa e toma.
13:48Pelo amor de Deus, já tá coendo caroça aí.
13:50É, Dona Nenê, eu tenho que me alimentar, né?
13:52Não é possível.
13:52Ô, gente, essa festa é do Limeu.
13:55Eu só fico sem ter a comida com banho e chequei.
13:58Ô, Limeu, graças a Deus.
14:00Chegou.
14:00Eu nem pijantei.
14:01Limeu, você pode me explicar que bagunça é essa?
14:05Não é bagunça não, Limeuzinho, é a festa pra você.
14:08Não, pra nós.
14:08Pra nós, é nós.
14:10E aí, gostou?
14:11Acredita em mim, Limeu.
14:12Eu não tenho nenhum motivo pra comemorar.
14:17Ô, Limeu.
14:18Ah, Dona Nenê.
14:20Pro Limeu, você lavar a banana, né?
14:22Ah, Limeuzinho.
14:25Eu não sabia que o Agostinho ia chamar tanta gente, eu juro.
14:28A única coisa que eu queria hoje era chegar em casa, tomar um banho e tentar dormir.
14:35Ô, Limeu.
14:37Se eu esqueço dos seus 30 anos de repartição, você fica chateado.
14:40Se eu lembro, você fica irritado.
14:42Desculpa, Nenê, mas é que hoje todos os meus pesadelos viraram realidade.
14:46O que que aconteceu?
14:47Aconteceu tudo, Nenê.
14:49Hoje, nada mais me surpreende.
14:51É, ó, ó, ó, ó, pessoal.
14:53Ei, e aí?
14:56Vasconcelos?
14:56O que que você tá fazendo aqui?
14:58Surpresa?
14:58Trouxe ele, hein?
14:59Surpresa!
15:01E aí?
15:02Gostou do presente que eu te dei?
15:03Ah, eu adorei o meu.
15:06Adeus.
15:08Que fique bem claro, Vasconcelos.
15:11Eu não aceitei propina nenhuma.
15:13Que propina, Limeu.
15:15Aquele relógio foi só uma lembrancinha pelos seus 30 anos de dedicação.
15:20Então, você lembrou que eu estava fazendo 30 anos de serviço?
15:24Como eu podia esquecer?
15:27Tu multa meu supermercado toda semana.
15:30São anos de relacionamento.
15:31Que ironia.
15:33Você foi a única pessoa que lembrou dessa data.
15:35É porque eu sou teu amigo de verdade.
15:38Fiscais não são amigos de gerentes de supermercados, Vasconcelos.
15:42A gente não precisa ser tão amigo assim.
15:45Basta que você seja menos inimigo do que antes.
15:49Entendeu?
15:50Entendi. E a resposta é não.
15:52Tudo bem, Limeu.
15:53Se isso te faz se sentir melhor, me devolvo o relógio nesse palmeiros.
15:57Eu sei.
15:59Que difícil de acreditar.
16:02Eu não posso devolver o relógio.
16:04Eu fui roubado justamente quando eu estava indo lhe devolver.
16:07Ah, claro.
16:09Foi roubado.
16:10Eu acho que você não está entendendo, Vasconcelos.
16:12Bom, entendo.
16:14É que o primeiro relógio é sempre mais difícil, Limeu.
16:17Não é nada disso.
16:18Eu fui roubado de verdade.
16:20Eu não tenho relógio nenhum.
16:21Ah, já entendi, Neu.
16:23Tu está querendo mais um relógio.
16:26Não.
16:26Não tem problema não, Limeu.
16:28Eu dou.
16:28Olha, quando tu tiver uma coleção de relógios,
16:31tu nem vai se lembrar deles.
16:32Eu não quero nada de você, Vasconcelos.
16:35Nada.
16:47Mas só isso, Dona Nenê.
16:49Eu não estava esperando tanta gente, né?
16:51Isso aí é só a entrada.
16:52Vamos lá, segue o salpicão aí.
16:53Ah, então pode trazer a entrada e a saída também,
16:56porque isso daí não dá nem para tapar o buraco do dente, né, Dona Nenê?
16:59Ai, Limeu.
17:00Limeu, você está servindo o jantar.
17:01Eu preciso sair, Limeu.
17:03Ah, peraí, Limeu.
17:04Limeu, deixa, deixa.
17:04Vamos servir o salpicão, Limeu.
17:06Ah, não, não.
17:06Aqui, ô, Bebel.
17:07Não deixa ninguém tocar nesse salpicão.
17:09Enquanto não trouxer teu pai de volta, tá?
17:11Segura aí.
17:12Eu já vou voltar com o salpicão.
17:24Limeu, Limeu, Limeuzinho, onde você vai?
17:28Eu vou limpar a minha honra, Nenê.
17:30Ah, não dá para você cortar o bolo assim antes?
17:33Ô, Limeu, mas o que aconteceu?
17:37Acabou a cerveja?
17:37Acabou a minha paciência.
17:39Sabe o relógio que eu ganhei de manhã?
17:41Foi Vasconcelos que me deu.
17:42Ah, que simpático, Vasconcelos.
17:44Mas não foi um simples presente, não, Nenê.
17:47Foi propina, tentativa de supor.
17:50Que simpático, Vasconcelos.
17:51E se ele está tentando me corromper
17:53porque tem alguma coisa de errado naquele supermercado?
17:55E eu vou descobrir o que é.
17:57O que é que você está fazendo aqui?
17:58Eu vou com você para garantir que você volte.
18:00Limeu, eu não estou escondendo nada de você, eu juro.
18:05O guarde à sua lábia para responder ao processo.
18:11Tanto fiscal corrupto no mundo
18:13e eu fui cair na mão logo deste.
18:15Ei.
18:25Data de validade em estado-geral da embalagem satisfatório.
18:33Condições de armazenamento dentro do padrão.
18:37E, meu senhor, esse supermercado está cheio de produto.
18:40Você vai examinar um por um?
18:41Eu vou. Se for preciso, eu vou.
18:44A senhora aí, me passa essa lata de sardinha.
18:47O que é isso?
18:47Ai, meu Deus do céu, velho, desculpa, minha senhora, Limeu.
18:49Pelo amor de Deus, você está assustando as pessoas.
18:51É melhor elas se assustarem agora do que depois da refeição, está certo?
18:55Ai, Limeuzinho, isso.
18:56Olha, a nossa refeição está esperando pela gente em casa, Limeuzinho.
18:59Vamos embora.
19:00Eu não saio daqui, Nenê, enquanto eu não achar uma infração.
19:03Ah, é?
19:04E se não tiver erro nenhum no supermercado?
19:06O que vai acontecer, Limeu?
19:07Se não houvesse irregularidade, o Vasconcelos não teria tentado me subornar.
19:11Eu já falei, Limeu, o relógio foi só um presentinho.
19:15Poupe o meu tempo, Vasconcelos.
19:18Onde está a mutreta?
19:20Não tem mutreta nenhuma, Limeu.
19:23Atenção, amigo cliente, promoção relâmpago de maionese.
19:27Promoção de maionese?
19:28Ai, eu vou comprar um vidro para aumentar o meu salpicão.
19:30Espera aí, Nenê, espera aí, Nenê.
19:33Tem algo de errado.
19:35O que pode estar de errado com a promoção de maionese?
19:38Num supermercado desonesto, a promoção relâmpago pode ser uma estratégia para se livrar de um produto estragado.
19:43Que imaginação, Limeu.
19:46Limeuzinho, você está exagerando, Limeu.
19:48Eu vou correr, senão eu vou perder o meu pote de maionese, tá?
19:51Volta aqui, Nenê.
19:52Nenê, volta aqui, Nenê.
19:58Com licença, com licença.
19:59Nenê, com licença.
20:00Me dá aqui essa maionese, Nenê.
20:01Eu vi primeiro, Limeu, eu vi primeiro.
20:03Eu não quero tirar de você, eu só quero examinar antes.
20:06Limeu, a maionese está excelente.
20:08O que é isso?
20:08Olha aqui, olha a validade.
20:097 de dezembro de 2003.
20:11Olha aí, prazo de validade vencido, eu sabia que ia achar.
20:15A maionese está um pouco velha, mas ainda pode ser consumida, Limeu.
20:18Quem comer essa maionese vai ter graves problemas de saúde.
20:22Ai, meu Deus do céu.
20:23Meu Deus do céu, eu coloquei essa maionese no salpicão.
20:26Ai, meu Deus, eu tenho que avisar Bebel.
20:27Vai, Bebel, libera pelo menos aí o salpicão, pô.
20:29Não, não, não.
20:30Eu só vou liberar o salpicão quando o papai e a mamãe chegarem.
20:33A gente já esperou demais, Bebel.
20:34Libera logo aí, vai.
20:35Até tu, Tuco.
20:36Olha, não é por mim não, entendeu?
20:38Mas a galera aí, a galera tá faminta.
20:40Se você ver logo esse rango, meu Deus vai fazer uma rebelião aí, vão queimar colchão
20:43e vão pegar o bem-sol de refém.
20:44Não tem conversa.
20:46Pode deixar, eu vou lá abrir outra lata de azeitona.
20:48Tem que ser telefone, anda.
20:50Ninguém mexe no salpicão.
20:51Azeitona, o senhor não vai botar mais azeitona em lugar nenhum.
20:53Ei, azeitona, ei, cadê o fofo colchão?
20:55Oi, mãe.
20:57O quê?
20:59Ô, Bebel, cadê o salpicão?
21:02Eu mato, Agostinho.
21:31Agostinho.
21:33É, com licença, só um...
21:35Com licença, só um por favor.
21:36Desculpa, com licença.
21:37O que tá acontecendo?
21:38Você acha o quê?
21:38Que eu ia deixar os meus convidados morrerem de fome?
21:41Ah, melhor morrer de fome do que morrer contaminado.
21:43O quê?
21:43Espera aí, eu tô...
21:44Dizem o quê que tá acontecendo.
21:46O quê que tá acontecendo é o seguinte, é que esse salpicão tá estragado.
21:49Minha mãe usou maionese vencida pra fazer isso aqui.
21:51Mentira, você tá falando isso que é pra gente não comer nada antes do teu pai chegar, tá?
21:55Você acabou da sua mãe.
21:56Tá aqui, o salpicão.
21:58Quem quer comer do salpicão?
22:03É engraçado.
22:03Eu esperei tanto que eu perdi a fome.
22:08Eu vou dar um exemplo aqui, ó.
22:10Agostinho, não faça isso, Agostinho.
22:14Esse é o salpicão do taxista Tiana.
22:18Ah, garoto.
22:19Tinho, você vai passar mal.
22:21Que nada.
22:21É, Vasconcelos, pelo jeito parece que eu vou ficar mais 30 anos multando o seu supermercado.
22:29Eu posso ficar de cadeira de rodas, Vasconcelos, que eu volto aqui pra multar você.
22:37O que que é, Lineuzinho?
22:39Multa logo esse homem, Lineu.
22:41Ah, meu Deus.
22:42Eu esqueci que tinham roubado a minha pasta.
22:44Tu perdeu tudo?
22:46Até a carteirinha de fiscal?
22:47Perdi.
22:48Mas não tem problema.
22:49Eu vou recolher a mercadoria estragada e volto aqui pro alto de infração.
22:53Infelizmente, se o senhor não tem um documento comprovando que é fiscal sanitário,
22:57eu não posso deixar o senhor sair com a mercadoria.
22:59Que palhaçado.
23:00O que é isso, Vasconcelos?
23:01Você tá cansado de saber que o Lineu é fiscal?
23:03Lei é lei, dona Nenê.
23:04Pra sair com a mercadoria, vai ter que pagar.
23:07O que é isso?
23:07Isso é uma bobagem.
23:08Vamos embora, Nenê.
23:10Segurança!
23:11Segurança!
23:13Segurança!
23:14Segurança!
23:14E aqui estou, nesse camburão preso como saqueador.
23:44Calma, calma.
23:45Eu não sou saqueador, não, meu querido.
23:46Calma, peraí, eu não sou saqueador.
23:48Cadê o senhor?
23:50Olha, eu sou um fiscal sanitário.
23:51Olha aqui, ó, meu documento, ó.
23:53Lineu Silva.
23:54Que isso?
23:55Foi você, seu safado.
23:57Foi você que me roubou.
23:59Que isso?
23:59A gente te conhece, meu irmão.
24:00Olha aqui a minha pasta.
24:01Foi você o Guata?
24:02Foi ele?
24:02Foi ele que me roubou o relógio com uma banana.
24:06Você é um mentiroso.
24:07Quem entrou com o relógio, não é seu?
24:08Você, que é um mentiroso, que eu vou colocar a banana, seu casal.
24:10Desculpe!
24:11Desculpe!
24:12Desculpe!
24:13Vocês creem que são só o Lineu, gente.
24:15Ele não é saqueador.
24:17Mas foi ele quem começou o saque, dona Nelly.
24:19Fora, senhor!
24:20É, por favor!
24:24É, por favor!
24:25É, por favor!
24:26É, por favor!
24:27É, por favor!
24:27Olha aqui, por favor!
24:28Calma, por favor!
24:28Olha aqui, sargento!
24:29Ó, esse elemento está dizendo que esse documento aqui é dele, ó.
24:32O senhor é o senhor Lineu Silva?
24:34Perfeitamente!
24:35Fiscal sanitário, matrícula 29845, de 1974.
24:39É, a foto confere.
24:40Confere.
24:41Onde liberar ele?
24:42Ah!
24:42Vamos, vamos, vamos!
24:45A banana?
24:47Desaltou com a banana?
24:48Tudo terminou bem, Lineu!
24:50De onde é que saiu essa carteira?
24:52Do mesmo lugar de onde vai sair este relógio.
24:55Toma!
24:56Ô, Lineu, imagina!
24:59Ele fica tão bem no seu pulso, combina com você!
25:01Nem tanto quanto esta multa aqui vai combinar com você!
25:05Ô, Lineu, hoje é dia de festa, rapaz!
25:08Esquece o trabalho, Lineu!
25:10Ô, Vasconcelos!
25:11Hoje eu não completo apenas 30 anos de carreira.
25:15Eu completo 30 anos de dignidade.
25:20E eu... 30 anos de orgulho.
25:35Nossa, paizinho!
25:36Tá todo arrumadinho.
25:38Parece que a festa era ontem.
25:39Não, ontem foi meio inferno astral.
25:42A festa é hoje.
25:43Toma só um cafezinho e gostei.
25:46E quando seu pai voltar do trabalho,
25:48eu vou fazer um jantar bem especial pra ele.
25:50Sem maionese estragada, hein?
25:52Sem amigo do Agostinho também.
25:54Eu vou falar em Agostinho?
25:55Cadê ele?
25:55No mesmo lugar que ele tá desde que chegou.
25:59Ô, Agostinho!
26:01Aqui, ó.
26:02Tadinho.
26:03Toma um chazinho pra ver se fará alguma coisa no teu estômago.
26:06Obrigado, irmão.
26:07Você deu sorte de não ter morrido, Agostinho.
26:10Com licença, eu vou trabalhar.
26:11E você, tia, você não vai trabalhar, amor?
26:16Jantar no carro, estou falando.
26:20Ai, tia, mas também você é muito frágil, né?
26:23Ô, bebê, deixa, deixa, tadinho.
26:26Não conseguiu comer nada, não parou nada no estômago.
26:29Aí, Agostinho, tem uma parada aqui na geladeira
26:32que eu tenho certeza que tu vai querer, ó.
26:34Pêssego em carro, olha aí.
26:44Tô, pô, ônibus.
26:46Treino de leitezinho.
26:48Sim.
26:50Ah!
27:03Ah, mas não é possível.
27:05Outro relógio.
27:06Vamos mandar propina pro Quinto, Taduzinho.
27:09Lileuzinho!
27:11Lileuzinho.
27:12Gostou do presentinho?
27:15Hã?
27:15Que presentinho?
27:17O relógio que eu te dei custou uma fortuna.
27:19Ah, esse presentinho?
27:23Então foi você?
27:26Foi eu, Lileuzinho.
27:28Eu precisava me redimir.
27:29Afinal, o aniversário de 30 anos seu da repartição
27:32é o nosso aniversário.
27:37Lileuzinho.
27:38Eu agradeço muito.
27:41Fundo do meu coração, eu agradeço muito, minha torcida.
27:44E o relógio, por que você não tá usando?
27:47Está guardado.
27:48É.
27:48O guardado.
27:49É com uma cidade assim, cheia de bandidos,
27:52eu preferi deixar guardado.
27:54Lileuzinho, você não gostou do modelo, né?
27:57Mas olha, era igualzinho ao que você tinha agarrado antes.
28:00Adorei.
28:01Adorei.
28:01O relógio é pontual.
28:03Eu adoro coisas pontuais.
28:05Mas então por que você não põe no pulso, homem?
28:08Está bem.
28:09Está bem, então.
28:12Está bem.
28:16São os dentistas.
28:19Lileuzinho, o que você fez com o presente que eu te dei?
28:22Eu estava testando a resistência dele.
28:26Ah, é?
28:26E a resistência do meu coração não conta, não?
28:29Eu vou infartar.
28:30Você me perdoa, Mendoza.
28:32Vem daqui a 30 anos.
28:33Vem daqui a 30 anos.
28:35Não perdoa, Mendoza.
28:36Vem aqui, Mendoza.
28:37Mendoza, peraí, você não corre assim.
28:39Você vai...
28:39Me deixa, me deixa.
28:40Me deixa.
28:41Eu tô precisando.
28:43Já chama o bom, Mendoza.
28:44Não, chama.
28:45Abulance.
28:46Perdona aqui, Mendoza.
28:47Eu vou dar um jeito aqui.
28:48Não, não vai dar jeito.
28:49Eu vou dar um jeito aqui.
28:50Vai ficar ótimo.
28:50Vem com a minha filha, porra no joelho.
28:52Não, porra no joelho, não.
28:53Me dá isso aqui.
28:54Me dá isso aqui.
28:55Peraí, me dá isso aqui.
28:56Põe aqui, põe aqui.
28:56Alô, alô, alô.
28:58Isso aqui é.
28:59Não, vai, meu amor.
29:01Peraí, Mendoza.
29:02Vem cá, legal.
29:03Depois...
29:03Olha, Mendoza.
29:05Mendoza, depois que eu vou na relojaria...
29:07Ficou lindo, ó.
29:08Que lindo, está sucata.
29:11Não, não, Mendoza.
29:12Aqui são dois relojes.
29:13Depois que eu vou na relojaria...
29:14Olha que bacana, ó.
29:15Olha.
29:16Eu também quero cá tocar.
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