Neste episódio do Economia & Negócios, José Inácio Pilar e Patricia Chaccur discutem sobre campanhas de marketing que não apenas fracassaram, mas geraram perda de reputação e prejuízos bilionários para marcas icônicas.
Jaguar, Tesla, Havaianas e Nike são alguns dos casos que mostram como decisões equivocadas de branding podem gerar rejeição do público, boicotes e destruir legados.
Contando com a experiência da Patricia Chaccur, que ocupou posições de liderança à frente da comunicação de marcas globais como Nike e Avon, a análise destes casos recentes revela os principais fatores que levam uma marca a perder confiança e conexão com seus consumidores.
Em um ambiente polarizado e sensível a questões culturais, mudanças bruscas de posicionamento e campanhas desconectadas do público-alvo podem custar décadas de construção de marca.
Entre os temas abordados:
* O colapso da Jaguar após seu controverso reposicionamento
* A crise de imagem da Tesla associada ao comportamento de Elon Musk
* O boicote histórico enfrentado pela Bud Light
* O caso Havaianas e a polêmica do “pé direito”
* A crise de identidade da Nike e os erros recentes envolvendo a Seleção Brasileira.
* O que empresas e profissionais podem aprender com campanhas que deram errado.
Em O Antagonista, você encontra um jornalismo de investigação, com análises precisas e opiniões sem concessões.
Acompanhamos de perto os bastidores da política, da economia e as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Aqui, você confere na íntegra nossos programas: Papo Antagonista, com Madeleine Lacsko; Meio Dia em Brasília, com José Inácio Pilar e Wilson Lima; Narrativas; Café Antagonista; LadOA!; e o Podcast OA!, com convidados influentes em diversas áreas.
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Essa sensação de déjà Vu não é coincidência. No Brasil, o que é manchete hoje costuma ser o eco de decisões e fatos que analisamos meses, ou até anos atrás.
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Leia mais em www.oantagonista.com.br | www.crusoe.com.br
#Marketing #ErrosDeMarketing #Branding #Nike #Tesla #Jaguar #Havaianas #Negocios #EstudoDeCaso #CriseDeImagem
Jaguar, Tesla, Havaianas e Nike são alguns dos casos que mostram como decisões equivocadas de branding podem gerar rejeição do público, boicotes e destruir legados.
Contando com a experiência da Patricia Chaccur, que ocupou posições de liderança à frente da comunicação de marcas globais como Nike e Avon, a análise destes casos recentes revela os principais fatores que levam uma marca a perder confiança e conexão com seus consumidores.
Em um ambiente polarizado e sensível a questões culturais, mudanças bruscas de posicionamento e campanhas desconectadas do público-alvo podem custar décadas de construção de marca.
Entre os temas abordados:
* O colapso da Jaguar após seu controverso reposicionamento
* A crise de imagem da Tesla associada ao comportamento de Elon Musk
* O boicote histórico enfrentado pela Bud Light
* O caso Havaianas e a polêmica do “pé direito”
* A crise de identidade da Nike e os erros recentes envolvendo a Seleção Brasileira.
* O que empresas e profissionais podem aprender com campanhas que deram errado.
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Categoria
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NotíciasTranscrição
00:12Olá, meus amigos, minhas amigas, está no ar mais uma edição do Economia e Negócios e esse programa
00:19especial para você. Você quer destruir a sua marca, quer construir tudo que você fez e empurrar
00:26de um precipício. Este é o seu programa, você vai descobrir como acabar com uma marca de prestígio,
00:33seja ela no setor que for, em pouco tempo, porque hoje nós vamos falar das campanhas mais flopadas
00:39da história do marketing, quer dizer, não todas, mas dos que nos chamam mais a atenção e é por isso
00:45que eu estou aqui com a pessoa que muito sabe de marketing, ela que foi líder de marketing de
00:51grandes empresas, inclusive uma delas que está aqui, mas não tem nada a ver com o trabalho dela.
00:57Patrícia Chacur, tudo bom?
00:59Olá, José Inácio, tudo ótimo e você? Olá, antagonistas.
01:02Pois é, hoje vai, justamente porque é a sua área de domínio, vai ser muito bacana falar e ouvir o
01:09que
01:09é que você tem a dizer dessas flopadas gerais, enormes, mastodônticas de marcas grandes, marcas
01:16que vocês conhecem aqui do Brasil e lá de fora também. Antes de entrar no conteúdo, já vou pedir
01:22para você deixar o seu like, o seu joinha, clicar no like e se inscrever no canal. E eu já
01:28começo com
01:28uma provocação para você que está vendo o nosso programa ou ouvindo na versão podcast. Escreve
01:34aqui embaixo, nos nossos comentários, antes da gente começar, quais as marcas que você se lembra que fez
01:42um comercial que você falou, hum, que vergonha alheia, que tiro no pé. De repente, uma dessas marcas,
01:52uma dessas campanhas vai ser abordada aqui hoje. Mas escreve aqui antes da gente começar a falar,
01:57justamente para saber se você acertou alguma delas. Será que você acertou? Pois é, pois é.
02:04Muito bem. Então, antes de falar das flopadas federais, você que é uma autoridade, foi CEO, ou não,
02:13foi CMO, perdão. Eu fui... Foi CMO de várias marcas. Líder de comunicação, né? Isso. Trabalhou com...
02:22Liderei a comunicação de várias marcas. Que envolve marketing, mas não se resume ao marketing.
02:27Sim, é um dos pilares do marketing, né? Veja só. Veja como é a minha inocência. Eu achando que ela
02:35tinha liderado o marketing. Não, ela estava acima. Não, não, não. Você é modesta. Porque o marketing
02:41estava como um dos tentáculos do povo que você comandava em algumas das marcas. Cada uma tinha
02:48um organograma específico. É, que dentro do marketing, para deixar mais claro, existem áreas, né? Existem.
02:56Tem as pessoas que cuidam da parte mais técnica. Certo. Então, é uma pessoa que está ali focada
03:01em entender a concorrência, analisar números, negociar espaço no varejo, entender... Tem as pessoas
03:11que estão mais ligadas ao desenvolvimento de produtos. Então, que produtos devemos lançar,
03:16o que a concorrência está fazendo, o que nosso consumidor quer e tal. E tem a área que cuida
03:21e especificamente de comunicação. Sim. E muitas empresas não têm uma liderança exclusiva para a área
03:29de comunicação. Ultimamente, o branding ficou mais famoso, né? Hoje em dia, aliás, se você abrir o Instagram,
03:35todo mundo vai te falar que vai te dar uma aula de branding. Hoje virou meio papo, assim, para qualquer
03:41um, né?
03:41Que não é verdade. Muita gente que está ali falando que dá curso de branding nunca nem trabalhou numa
03:46grande organização. Mas o branding é um dos pilares do marketing e, obviamente, até porque foi a área em que
03:53eu me especializei e pela qual eu me apaixonei, eu acho que é essencial. Porque se você não faz uma
04:01boa...
04:01O que é o branding? É você comunicar a sua marca, né? Como você vai comunicar a sua marca para
04:06o seu cliente.
04:07Se você não tem uma boa comunicação de marca, você estraga todas as outras áreas. Você estraga a área de
04:12produto,
04:12você estraga toda a parte estratégica, né? Que é o que a gente vai ver aqui hoje.
04:16Vamos ver. E para um produto dar certo, me corrija se eu estiver errado, a empresa, primeiro, tem que conhecer
04:23o público com quem ela está falando. Exato.
04:25Segundo, tem que conhecer muito bem o produto que ela está querendo vender e ela tem que saber como que
04:32se
04:33comunica com aquele público para não alienar, para falar aquilo que a pessoa quer ouvir, para chamar novos
04:39clientes, sem perder os antigos. Parece uma coisa muito óbvia, mas como a gente vai ver aqui,
04:45isso não é bem verdade.
04:46É, eu acho que tudo começa, Inácio, no conhecimento profundo do seu consumidor.
04:52Então, quando você quer lançar qualquer produto ou serviço, você tem que, antes de mais nada,
04:59entender muito bem o seu consumidor.
05:00e saber como você, primeiro, o que ele deseja, né? Obviamente, aí é o princípio básico do Kotler, né?
05:08Aula 1 de marketing, né? De qualquer faculdade, que é você entender os desejos e necessidades do seu consumidor
05:16e aí você começa a desenvolver produtos para oferecer para ele.
05:20Agora, entender o consumidor não é só entender o que ele quer ou o que ele precisa,
05:25é entender como você vai estabelecer uma ligação emocional com ele.
05:31Então, o que é relevante para ele, o que ele está pensando, o que, exatamente isso,
05:37como você cria uma conexão.
05:40E poucas marcas sabem fazer isso.
05:42E algumas fazem isso muito bem e, de repente, dão umas patinadas, né?
05:45Pois é. E vamos começar falando sobre uma patinada.
05:48Aliás, um termo muito bom, muito adequado, patinar,
05:51porque alguns carros, por exemplo, podem patinar na neve, podem patinar no gelo,
05:58não como esporte, mas, de repente, estar numa pista que está com gelo,
06:01podem até patinar na pista molhada, se tiver muita escorregadia,
06:04mas teve uma marca inglesa que patinou justamente na comunicação.
06:11Patinou feio, né?
06:12Pois é. Conte para a gente um pouco dessa situação da Jaguar,
06:16uma marca tão querida por tanta gente,
06:19mesmo quem não tem um Jaguar, sabe do que se trata o Jaguar,
06:23eu até convido para a gente colocar a primeira imagem do comercial da Jaguar.
06:28Aí está.
06:30Tira esse nome Jaguar na tela.
06:32Você sabe o que eles estão vendendo?
06:33Exatamente.
06:35Quando você tem uma boa comunicação de marca
06:40e você estabelece isso ao longo do tempo,
06:43essa observação que você fez foi muito interessante,
06:45porque você pode colocar um anúncio sem o seu logo e o teu consumidor vai te identificar.
06:50Agora, aqui acontece o contrário, né?
06:52Aqui você olha para essa imagem e você jamais vai identificar que é uma campanha da Jaguar.
06:57Por quê? Quais são os valores da Jaguar?
07:01Sofisticação, elegância.
07:02Você está vendo sofisticação aqui ou elegância?
07:05A Jaguar é uma marca tradicional e ela lançou essa campanha onde ela inverteu completamente a lógica.
07:14Então, como se ela tivesse pego todos os valores de marca que ela construiu ao longo de décadas
07:21e tivesse resolvido abrir mão daquilo, jogar fora.
07:25Então, foi um baita erro, assim, o erro mais básico que você pode fazer em relação a uma marca
07:31é você estabelecer uma comunicação que exatamente não tem nada a ver com a tradição
07:35que você foi conquistando ao longo do tempo.
07:39Então, a Jaguar lançou essa campanha no ano passado, pouco mais de um ano.
07:47E essa era a mídia impressa e a gente tem o filme dessa campanha que a gente vai olhar agora.
08:21E essa é a mídia impressa e a gente vai olhar agora.
08:25Uma comunicação arrojada, extremamente colorida e com uma certa até violência, né?
08:33Na hora, uma agressividade, né?
08:35Com a marreta para quebrar os moldes.
08:37Com a pessoa com a marreta e tal, uma certa agressividade.
08:39E quais são os valores da marca, como eu falei?
08:41É tradição, é sobriedade, é elegância, é sofisticação.
08:46Você não enxerga nada da Jaguar aí.
08:48E ainda mudaram o logo da marca, né?
08:52Colocaram essa fonte mais modernosa.
08:55Tiraram o Leaping Cat, que é o símbolo de status.
08:58Quando você tem um Jaguar, você quer ali estar enxergando o Jaguarzinho na tua frente.
09:04Então, assim, eu acho que foi um erro tão básico, tão básico.
09:08E realmente os resultados foram péssimos, né?
09:11A queda de vendas foi absurda.
09:13E eu entendo que, assim, num momento desse, se uma marca quer desmerecer tudo que ela já construiu,
09:19crie uma marca nova.
09:21Crie uma submarca, né?
09:23Sim, ou uma super, uma Uber, uma marca.
09:25É, crie uma outra marca dentro da empresa.
09:27Mas não faça, não destrua uma coisa que você demorou tanto tempo para construir, né?
09:32Inclusive, os resultados aí de vendas, né?
09:36Eles despencaram, né?
09:37Eles tinham vendido 2 mil carros no ano anterior, no ano dessa campanha, eles venderam 49.
09:43Pois é.
09:43Ah, sim, porque tem mais um pulo da onça aí.
09:47Da onça não, do Jaguar.
09:49Do Jaguar.
09:49Eles pararam de fabricar carros no fim de 2024 e ainda não voltaram a fabricar carros.
09:55Estamos indo para dois anos sem carro nenhum da Jaguar.
09:59Eles não têm nenhum carro.
10:01Mas você, vamos supor que você está com o dinheiro guardado, você fala,
10:04Puxa, quero um carro inglês, sofisticado, macio, silencioso, potente.
10:09Vou comprar um Jaguar.
10:11Você não vai comprar um Jaguar, não novo pelo menos.
10:14Eles vão fazer uma nova linha de carros totalmente elétricos.
10:18Não vai ter carro nem híbrido, nem carro movido a gasolina, combustível fóssil.
10:22100% elétrico.
10:23Inclusive, num momento em que muitas marcas estão dando um passo atrás na eletrificação,
10:28porque muita gente está vendo que ainda não é uma realidade tão palpável para todo mundo.
10:33Não tem uma praticidade.
10:34Tem a questão de variação de temperatura que diminui muito a autonomia.
10:38Ah, eu comprei o meu carro.
10:39Meu carro dá 400 quilômetros de autonomia.
10:41Mas se você estiver no inverno, cai para 200, 250 quilômetros.
10:45Ou você está num verão muito forte, também cai, porque ele tem que se refrigerar.
10:49Então, ele gasta com outras coisas que não estão.
10:51E além do que os gargados de alimentação, esse tipo de coisa.
10:55Mas eles têm alguns, digamos assim, projetos, conceitos do que eles querem que sejam os carros deles do futuro.
11:02Vamos ver a imagem dos carros futuristas da Jaguar.
11:08Então, esse é o Jaguar antigo.
11:10Esse é o clássico.
11:10Deixa, pode deixar a imagem.
11:12Esse é o Jaguar, inclusive, da família real.
11:14Repara que tem o brasão da família real.
11:16A Jaguar é reconhecida por ser o carro que transporta a família real.
11:20Por isso que eu falo, como é que você quer mudar isso completamente e passar uma comunicação modernosa, né?
11:26Não é isso.
11:27Não são os valores da marca.
11:28Isso.
11:29Agora o pessoal vai colocar o carro futurista, que são dois carros super coloridos.
11:33Isso daí.
11:34Esse é o projeto do carro da Jaguar para um futuro próximo ainda não declarado.
11:41Parece minimamente prático.
11:43É um objeto de desejo.
11:45Parece que saiu de uma prancheta.
11:47De uma criança que desenhou.
11:50E assim, o consumidor da Jaguar vai se interessar por isso?
11:54Ah, e tem outro detalhe.
11:55O consumidor que eles conquistaram ao longo do tempo.
11:57Pois é, e tem um detalhe também.
11:59Eles estão recolocando a Jaguar numa marca de ultra luxo.
12:03Sai do luxo, que concorre com Mercedes, BMW, Audi, e está indo para ultra luxo.
12:09Concorrendo com Rolls Royce, com Bentley, com Bugatti, depende até, porque eles ainda não divulgaram os preços.
12:17Mas eles já declararam que não querem mais apenas o luxo.
12:19Eles querem o ultra luxo.
12:20Então eles rasgaram a tradição deles.
12:23Querem reposicionar a marca para ultra luxo.
12:25E com essa comunicação, não passa nada de ultra luxo.
12:28E a comunicação também, nem o carro, nem o produto, nem a comunicação.
12:32Aliás, a equipe de marketing foi toda demitida depois daquela campanha, porque a repercussão foi tão negativa.
12:40Pois é, que situação.
12:42Vamos ver como que era um comercial mais tradicional da Jaguar.
12:45Não vi de uma imagem que a gente também tem aí do Jaguar.
12:48Veja só.
12:50É solitário no topo.
12:52E é precisamente por isso que nós fizemos o carro com dois lugares.
12:57Fazendo o comercial do Jaguar XK, que era o Jaguar XK8, que era o conversível deles.
13:04Mas comunicando.
13:05Primeiro que você via que se tratava de um comercial de carro.
13:07Segundo, fala de exclusividade.
13:09Exclusividade.
13:09O próprio tagline, né?
13:11Quer dizer...
13:11Exato.
13:12E no topo.
13:13No topo você está solitário.
13:15Exato.
13:16Está falando com pessoas que chegaram lá ou que querem ter essa sensação de que chegaram lá.
13:21Isso é uma comunicação coerente.
13:23Se não é aquilo que parece uma propaganda de roupa futurista, com o pessoal sentado na pedra e uma marrita
13:28na mão.
13:28E de mau gosto, né?
13:29Pessoas feias.
13:30É tudo feio naquele filme.
13:32Não tem nada atraente.
13:34Foi um baita furo na água.
13:36E continuando no mundo automotivo, vamos falar agora de Elon Musk.
13:41Elon Musk, door da Tesla, ele criou praticamente o setor de carros elétricos no mundo.
13:48Mas ele cometeu um deslize muito caro.
13:53Sabe qual é?
13:54Vamos colocar a imagem dele aí.
13:56Ele apoiou Donald Trump.
13:58Ah, mas você não gosta do Trump, Inácio?
14:00Não tem nada a ver uma coisa com a outra.
14:03Independente de gostar ou não, quando você apoia um candidato político, você automaticamente aliena outra metade do seu público.
14:08E veja que falta de visão.
14:11Justamente o público do Trump é o público que não consome carro elétrico, porque acredita que isso é uma bobagem,
14:19uma questão de ambientalistas alarmados falando que está tendo aquecimento global.
14:25Quer dizer, ele afastou justamente o público-alvo dele, que é o público que não gosta do Donald Trump.
14:32Ele investiu, acho que, 233 milhões, 277 milhões de dólares na campanha do Trump para ajudar nos advertising, nos comerciais.
14:43E entrou nessa cilada que é o posicionamento político.
14:48Aqui no Brasil a gente teve outros empresários que, por muito menos, se queimaram muito.
14:53Alguns fizeram tanto quanto até mais, fazendo campanha bem forte a favor de um ou outro candidato.
14:59E não aprenderam que você divide o seu público.
15:02É, num mundo polarizado, quando você se posiciona, você está afastando a outra metade do seu público.
15:09Pois é.
15:10E no caso dele é expressivo que se trata justamente do público que normalmente vota no rival de quem ele
15:17apoiou.
15:18Exato.
15:18É muito curioso isso.
15:20E aí qual foi a consequência?
15:22Bom, vamos ver a próxima imagem do Elon Musk.
15:26Aí ele fez um discurso nos Estados Unidos e ele levantou essa mão para saudar as pessoas.
15:34Automaticamente virou um, entre aspas, neonazista.
15:38Disseram que ele estava fazendo um raiel.
15:41E aí ele falou, não, não era, eu só estava acenando.
15:44Mas não interessa.
15:45Como está dentro desse contexto polarizado.
15:49Muita gente com ódio dele, porque ele estava, metade do país com ódio dele, porque ele estava apoiando o Trump.
15:55Qualquer deslize é motivo para gerar uma polêmica gigantesca, né?
15:59E aí começaram a tacar fogo.
16:01Dos carros.
16:02Primeiro nas estações de abastecimento da Tesla.
16:05Aí está.
16:06Várias, em vários lugares dos Estados Unidos.
16:09Tacaram fogo nos carros, em concessionárias também da Tesla.
16:13A gente viu só num lugar, foram 12 carros destruídos.
16:16Picharam carros.
16:17Isso na França, hein?
16:18Isso é na França.
16:19Não é só nos Estados Unidos, não.
16:21E olha aí, picharam com os nazistas, dizendo que ele era nazista.
16:26E é interessante, porque justamente os donos dos carros elétricos são pessoas que são pessoas antenadas com questões ambientais, políticas.
16:35E ainda ficaram, digamos assim, pagando o pato por uma questão de imagem do dono da empresa.
16:42É um tremendo tiro no pé.
16:46E aí a gente fala, mas Inácio, isso não tem marketing.
16:48Não tem marketing, mas não teve visão do líder da empresa, sabendo que haveria consequências justamente junto ao público-alvo
16:55mais sensível, que são os compradores dos carros deles, né?
16:59Não, e as pessoas ficavam, acho que até com medo de sair na rua com o carro, porque o carro
17:03podia ser pichado, teve muitos casos de vandalismo.
17:07E as pessoas até colocaram, algumas pessoas colocaram um adesivo no carro, dizendo, eu comprei esse carro antes do Elon
17:15Musk enlouquecer, né?
17:18Olha, a gente tem até alguns números aqui que eu separei.
17:20Em 2025, por causa dessa situação toda, que é inclusive quando o Trump assumiu a presidência, as vendas dos carros
17:27da Tesla despencaram 50,3% na Alemanha, 63% na França, e mais de 81% no modelo 3,
17:38que era o mais popular, que ainda é o mais popular da Tesla, na Austrália.
17:42Isso também, nos Estados Unidos também teve boicotes, mas esse boicote não se compara, veja só, ele foi forte, a
17:51um que nasceu, aí sim, da equipe de marketing de uma empresa de cerveja.
17:57Esse foi terrível também, e causou repercussão, está causando repercussão até hoje, né? As vendas da Bud Light, estamos falando
18:04aqui da Bud Light.
18:05Bud Light é a versão light da Budweiser, que tem para vender aqui no Brasil também, e que fez uma
18:11campanha desassada.
18:11E que, de novo, uma baita desconexão entre o público-alvo da marca, o público que já era cativo da
18:17marca, e a comunicação, porque a Bud Light é conectada a um público bem masculino, bem daquele macho e tal.
18:26O americano tradicional.
18:27O americano tradicional.
18:29E aí eles fizeram uma colaboração com uma influenciadora trans, a influenciadora Dylan Mulvaney.
18:39E isso gerou uma repercussão absurda, enfim, era uma coisa que seria um post no Instagram, mas não adianta, nessas
18:46horas o consumidor não perdoa.
18:50E a repercussão foi tão, tão drástica, que até hoje a Bud não recuperou as vendas, né?
18:57Ela teve perdas enormes no primeiro e no segundo ano, mas até hoje não recuperou, e perdeu o mercado para
19:03outras marcas.
19:03E aí o pessoal da Fox News, que é mais do perfil de direita nos Estados Unidos, desceu a lenha
19:09também, começou a...
19:11Aproveitou para reverberar o caso, sim.
19:12Exatamente, também estava naquele clima eleitoral, logo depois, e logo depois não, logo antes da campanha eleitoral, um ano antes
19:21da campanha eleitoral, Trump-Biden.
19:24Então tudo isso entrou no caldeirão, e veja só que interessante, as vendas caíram entre 20% e 30%, depois
19:31que começou um boicote ativo à marca,
19:33e permaneceram cerca de 40% abaixo dos níveis, isso no final de 2025.
19:39Essa campanha foi em 2023, no final de 2025, eles estavam ainda cerca de 40% vendendo menos do que
19:48antes.
19:48E aí perderam o mercado para os concorrentes, né?
19:51Pois é.
19:51Para a cerveja Coors, né?
19:53Uhum.
19:55Coors, Miller Lite e também Mike Lob Ultra, entre outras, a cerveja modelo também, que é mexicana.
20:05Gente, o pessoal não conversa, não faz pesquisa antes, fica numa bolha.
20:10Não, e justamente, o pessoal, ali você não precisava nem de pesquisa para saber que isso não ia dar certo,
20:16porque eles têm o perfil do consumidor deles, não é?
20:19E essa campanha não se conecta com o consumidor deles.
20:23Aliás, a gente está vendo isso em todos os casos aqui, né?
20:25Então, são coisas muito básicas.
20:27E eu fico até...
20:29Juro, meu estômago ferve, porque assim, você demora tanto para construir uma imagem de marca,
20:34mas para você destruir são cinco minutos.
20:37Então, você não pode dar chance para isso acontecer.
20:39Pois é.
20:41Outra marca ainda americana, que também tropeçou com essas questões de campanhas divisivas,
20:48é uma que até me causou surpresa, não pela marca em si, mas porque a causa deles é justa.
20:54Era o supermercado Target, que fez o mês da consciência, do orgulho.
21:01O mês do orgulho, perdão.
21:02Fez uma homenagem ao...
21:03Exato, ao público LSBTQ+, e também em 2023, como que é?
21:09LGBT.
21:09LGBT, que é...
21:11LGLS, já mostrei que eu estou antigo.
21:12Você está antigo, né?
21:13É o termo antigo.
21:14Hoje, o termo tem mais letras.
21:16Dependendo até de quem você fala, tem até mais letrinhas nessa sopa.
21:20Mas o fato é que eles fizeram esse mês de orgulho e criaram toda uma linha de produtos,
21:27conscientes, até aí, tudo certo.
21:30O problema é que eles estariam...
21:32Mexeram com as crianças.
21:34Aí que está.
21:35Conta isso.
21:36Porque junho é o mês do orgulho gay.
21:38Certo.
21:38E aí, eles lançaram uma coleção para o mês de junho daquele ano com produtos
21:44aí destinados ao público gay, né?
21:47Usando o colorido do arco-íris e usando várias frases e tal.
21:51Só que a questão é que eles lançaram também produtos para crianças.
21:56E eu me lembro, na época, de ver várias influenciadoras, mães influenciadoras no Instagram, falando.
22:05Isso é um absurdo, porque algumas frases eram bem pesadas, assim.
22:10Fazendo referência ao universo gay e ao universo trans para crianças.
22:17Roupas de crianças, roupas de 3, 4, 5, 6 anos.
22:19Então, assim, é o que falam, né?
22:21Não mexam com as nossas crianças.
22:22Então, acho que, assim, você não precisa misturar.
22:24Você pode homenagear, obviamente, a comunidade gay, mas você não precisa criar produtos para crianças.
22:31Falando que ser trans é muito melhor ou que ser gay é muito melhor e tal.
22:36E existiam frases, assim, nas camisetas que traziam essa conotação.
22:41Pois é.
22:42E já entrando também nesse terreno, digamos assim, do politicamente correto.
22:47E aqui eu não estou entrando no mérito de ser a favor ou ser contra.
22:50Não estou aqui fazendo nenhum tipo de crítica ou elogio ao termo politicamente correto.
22:57Nos Estados Unidos também, aquela rede de sorvetes Ben & Jerry's, que tem para vender aqui no Brasil.
23:03Você acha em qualquer geladeira de supermercado grande.
23:06Também não resistiu a uma casca de banana.
23:11E num dia, no dia da independência americana, eles soltaram apenas uma mensagem, um tweet.
23:21Vamos ver o tweet deles aí.
23:23Os Estados Unidos foram fundados em terra indígena roubada.
23:28Nesse 4 de julho, que é o dia da independência americana,
23:31vamos nos comprometer em devolver.
23:35E aí tem lá uma plaquinha.
23:37Essa terra foi roubada.
23:40E a coisa desandou bastante.
23:44Primeiro que perderam muitas vendas.
23:45E aí o feitiço virou contra o feiticeiro.
23:48Um líder indígena disse que quer retomar onde é a sede do Ben & Jerry.
23:55Porque o quartel-general deles, a sede, foi construída em terra roubada.
24:00Originalmente indígena.
24:02E aí você falou que você não quer emitir sua opinião sobre politicamente correto.
24:07Não, não é que eu não quero emitir melhor.
24:08Eu estou querendo deixar para vocês.
24:09Vocês escrevam aqui embaixo.
24:11Eu odeio o politicamente correto porque eu acho que o politicamente correto,
24:14o único objetivo dele é a sinalização de virtude.
24:17E nem sempre as pessoas têm tantas virtudes assim.
24:21É uma grande hipocrisia.
24:22E aqui está um caso de uma grande hipocrisia.
24:25Ou seja, eles quiseram sinalizar virtude.
24:26Nós queremos defender as terras indígenas.
24:29Os Estados Unidos foram criados em cima de terra roubada.
24:31A sede deles está em cima de uma terra indígena.
24:34E aí como é que faz?
24:35Eles vão doar para a comunidade indígena?
24:38Toda terra está em cima.
24:39E em última análise também todos os países.
24:41Inclusive, talvez até na África, onde tudo nasceu,
24:45certamente alguém vai dizer, então, mas onde está aquele grupo?
24:49Há mil anos atrás, era outra tribo que estava lá.
24:53Eles estão invadindo.
24:54Bom, tanto que, infelizmente, os conflitos por lá também sagram bastante.
24:58Até na Europa.
24:59As tribos bávaras da Alemanha podem falar, não,
25:02quem estava aqui originalmente não era.
25:05Eram os godos.
25:06Não, eram os visigodos.
25:07E aí começa...
25:08Ah, essa não termina nunca.
25:09E é uma comunicação absolutamente hipócrita.
25:12É muito fácil você fazer um tweet.
25:14Mas o que eles estão fazendo, de fato, pela comunidade indígena?
25:17Então, façam alguma coisa relevante, verdadeira.
25:20Vão dar sorvete?
25:21E não um tweet, não é?
25:23E o tweet misfired, usando o termo deles, o tiro saiu pela culatra.
25:29Mas a questão do politicamente correto é um tema que, aliás,
25:31a gente pode voltar aqui num outro momento,
25:33porque ele também, às vezes, pode assustar muitas empresas,
25:38evitar criatividade, pode também, por outro lado...
25:41E ele vira um instrumento de censura, né?
25:44Pois então, vamos falar um dia...
25:45Vamos falar sobre isso.
25:46Um programa especificamente sobre o politicamente correto.
25:50Isso vai ser...
25:51Aí já tem uma pauta, já vou até anotar aqui.
25:54Politicamente correto.
25:57Pauta.
25:57Está nascendo aqui um livro.
25:58Eu gosto desse assunto.
25:59Sim, ótimo.
26:00Eu odeio esse assunto.
26:01Você gosta desse assunto.
26:02Você odeia o que ele simboliza.
26:04Exato.
26:05Exatamente.
26:06Mas, ainda nos Estados Unidos, tem uma rede de lanchonetes,
26:10que é meio que um armazém, mas é uma experiência dos Estados Unidos clássico,
26:15que é o Cracker & Barrel.
26:18Conta pra gente o que aconteceu com essa rede.
26:21É, outro baita furo na água.
26:23Na verdade, pior que um furo na água, né?
26:25Porque com muito prejuízo por trás.
26:28Essa é uma rede super tradicional de restaurantes americanos,
26:32onde você já sabe que vai encontrar uma comida tradicional,
26:37o que eles chamam de comfort food, né?
26:40A comida que te traz conforto.
26:42Então, é aquela comida típica americana.
26:45E eles têm uma decoração.
26:47A gente tem até uma imagem...
26:49Do interior dessa...
26:50Aí está.
26:52Bem rústico.
26:52Essa decoração bem rústica.
26:54Lamparinas.
26:55Na porta, eles têm as cadeiras de balanço.
26:58E em algum momento, alguém falou assim,
27:00vamos modernizar as lojas?
27:02Vamos modernizar.
27:03Vamos deixar uma coisa mais atualizada e tal.
27:08E aí, de novo...
27:08Vamos chamar a turma da Jaguar.
27:10Aí, de novo, você construiu essa marca com base nesse visual,
27:16com base nessa experiência.
27:18E na hora que você moderniza, os teus consumidores falam,
27:21peraí, não é a lanchonete que eu conheço,
27:26que eu gosto de frequentar.
27:27Se você quiser ser algo moderno, eu ia para um outro.
27:29Iria para outras, exatamente.
27:31Então, assim, construiu-se uma marca em cima destes valores
27:34e, de repente, resolvem, não, vamos modernizar.
27:37E aí está a modernizada que eles deram.
27:40A consequência foi que...
27:42Aqui embaixo, vocês veem o logo original.
27:44Eles tiraram o barril, que era tradicional, ali no logo.
27:47Esse homem sentado na cadeirinha, apoiado no barril.
27:50Tirou o country store também, ficou só com a cadeira.
27:53Tirou e ficou só...
27:55Era uma leve modernizada no logo, mas isso não é o mais grave.
28:00Eles resolveram também mudar o interior das lojas.
28:03E aí, eles reformaram algumas lojas
28:05e perceberam a reação negativa dos consumidores
28:08e voltaram atrás.
28:09Só que isso rendeu a eles um prejuízo de 700 milhões de dólares.
28:13Porque eles já tinham pago por toda a modernização,
28:16já tinham comprado novo mobiliário e tal.
28:19Então, de novo, a desconexão entre uma marca e o seu consumidor.
28:23Antes de chegar nos casos brasileiros,
28:25porque a gente vai falar dos casos brasileiros,
28:26você como especialista justamente em comunicação,
28:30dentro da estrutura de empresas dessa magnitude,
28:32estamos falando de Cracker Barrel, estamos falando de Tesla.
28:38Não, Tesla é mais político, é mais voluntarismo do dono.
28:40Mas Jaguar, estamos falando de Bud.
28:43Não existe dentro da empresa um setor
28:46ou uma figura, um cargo de uma pessoa responsável
28:49e falar, peraí, pessoal, vocês estão esquecendo de alguma coisa.
28:53O que leva uma empresa a ficar tão cega
28:56de não perceber esses riscos
28:57que depois se tornam, obviamente,
28:59como é que nunca ninguém viu?
29:01Esse líder deveria ser justamente o CMO,
29:04a pessoa que lidera todo o marketing.
29:07E embaixo deste CMO existe uma pessoa especializada em branding.
29:11Quer dizer, são essas duas pessoas.
29:13O que lidera o marketing todo e o que lidera o branding.
29:16Mas essas áreas de marketing nos últimos anos
29:21foram muito contaminadas pela ideia de ser correto,
29:26de ser moderno, de ser atualizado e arrojado.
29:31E essas coisas se perderam.
29:33Então, acho que foi uma questão de mudança,
29:36de contaminação dos profissionais de marketing.
29:40Eu só posso imaginar isso.
29:41E você acredita...
29:42Olha, estamos mudando rapidamente a pauta,
29:45mas a gente vai voltar aqui para marcas,
29:47inclusive brasileiras,
29:48que floparam com campanhas ousadas.
29:51Você acredita que é um período de acomodação?
29:55Estava tudo muito, digamos assim, normal.
29:57Aí foi-se para um extremo,
29:59tipo, vamos ousar, vamos puxar.
30:02A nossa marca tem que empurrar o público
30:04para a consciência que eles precisam ter.
30:06E aí, veio que não deu muito certo,
30:09em grandes partes dos casos.
30:11E aí está havendo um recuo para um meio termo.
30:13Não vão voltar a ser o que eram antigos,
30:15mas não vão ser também tão ousados.
30:17Porque as marcas, nos últimos anos,
30:19entenderam que elas precisavam
30:22educar os consumidores a serem pessoas melhores.
30:25Não é?
30:26Elas começaram a dar lição de moral,
30:28a dar lição, enfim.
30:30E, espera aí,
30:32o consumidor não quer receber palestrinha, entendeu?
30:36Ele está ali.
30:38A marca não tem que invadir esses territórios.
30:43Falando em territórios,
30:44muitas vezes as pessoas invadem,
30:46usando termos militares,
30:48com butina, com coturo,
30:49mas, às vezes, até de chinelo pode ser,
30:51que soe com uma invasão
30:53de um terreno,
30:54lamacento,
30:56de politização.
30:57Às vezes, nem foi a intenção,
30:58mas, dentro de uma falta de leitura
31:01do mercado,
31:02do contexto do mercado,
31:03foi o que aconteceu com a Havaianas.
31:06Eles fizeram um comercial
31:07no fim do ano,
31:09com a Fernandinha Torres.
31:11Uma pessoa muito popular,
31:13fez os normais,
31:14eu adoro os normais,
31:15mas a questão é que
31:17ela veio com aquela frase,
31:19não quero que você comece 2026
31:21com o pé direito.
31:23E aí, as pessoas falam,
31:24espera aí,
31:25pé direito,
31:25direita,
31:26política,
31:27é isso mesmo?
31:28Aí, vários problemas, né?
31:30Vários problemas.
31:31Existem pessoas do universo
31:33de marketing,
31:34da publicidade,
31:35que falam que não foi intencional.
31:38eu acho que,
31:40eu, Patrícia,
31:41acho que foi sim.
31:43Mas, se não foi intencional,
31:45pior ainda.
31:45Mostra uma miopia gigantesca.
31:47Se foi intencional,
31:48foi uma provocação, né?
31:50Por quê?
31:51E se não foi intencional,
31:52é uma falta de leitura
31:54do contexto absurda.
31:56Porque, veja bem,
31:57foi uma campanha de Réveillon
31:58às vésperas de um ano eleitoral.
32:01Se fosse um ano qualquer,
32:03talvez não tivesse gerado
32:04tanta polêmica.
32:05Mas, às vésperas
32:07de um ano eleitoral,
32:08você fala,
32:08entre com o pé direito.
32:10E aí,
32:11as pessoas que são de direita
32:14se sentiram ofendidas.
32:16Não entre com o pé direito,
32:17na verdade.
32:17Não entre com o pé direito.
32:18Existe uma tradição,
32:19nossa, brasileiros,
32:21que você entra o ano
32:23com o pé direito.
32:24Sim.
32:24Que você pula as ondas,
32:25sete ondas com o pé direito.
32:27Então, a gente tem essa coisa
32:28na nossa,
32:28faz parte da nossa superstição.
32:31Então, eles vêm com essa piadinha,
32:32tipo,
32:33não entre o ano com o pé direito.
32:35E daí vieram,
32:36ah, entra com os dois pés,
32:37entra com tudo,
32:38pé na joca, pé, não sei o quê.
32:39Mas não importa.
32:40A frase, né,
32:41de abertura da campanha
32:42era não entre com o pé direito
32:43num ano eleitoral.
32:44Então,
32:45ficou a mensagem subliminar,
32:47que era
32:47não vote na direita.
32:49Por que essa mensagem
32:50foi reforçada?
32:51Porque eles
32:53usaram
32:55como
32:55como estrela da campanha
32:57uma atriz
32:58que é
32:59declaradamente de esquerda.
33:01então, aí é o segundo
33:02fator.
33:03Então, você está
33:04às vésperas de um ano eleitoral,
33:06onde todo mundo já estava
33:07pensando ali em política,
33:09em eleição e tal,
33:10você faz uma referência
33:11a não usar o pé direito
33:13e você usa uma estrela,
33:15né,
33:16uma atriz.
33:17Se fosse a Cassia Kiss.
33:18Uma atriz
33:19que é
33:20declaradamente de esquerda.
33:22Aonde vem a outra miopia?
33:25Fernanda Torres
33:26foi indicada ao Oscar.
33:28Isso é motivo de orgulho.
33:30Ou seja,
33:31todos os brasileiros
33:31deveriam ter comemorado.
33:33O que aconteceu?
33:35Metade da população
33:36torceu para ela não ganhar.
33:38Porque houve uma apropriação
33:39política do...
33:41Exato.
33:41Não só do filme,
33:42mas dela.
33:43E o Oscar foi o quê?
33:44Lula ligando,
33:45essas coisas.
33:46E foi o quê?
33:48Quantos meses?
33:49Oito meses antes
33:50dessa campanha.
33:51Na verdade,
33:52a campanha deve ter sido
33:53criada um pouco...
33:53Então,
33:53foi uma diferença aí
33:54de seis meses
33:55entre o que aconteceu
33:56no Oscar,
33:56com a Fernanda sendo...
33:58As pessoas torcendo contra
34:00e o brasileiro
34:00é um povo que tem orgulho
34:02das suas conquistas,
34:03das suas vitórias.
34:04Quer dizer,
34:04o brasileiro estava tão cheio
34:06que resolveu torcer contra.
34:07Eu acho um absurdo
34:07torcer contra,
34:08mas a gente viu
34:09esse movimento.
34:10Então,
34:11na hora que a marca
34:12contrata uma atriz
34:14que já divide o país
34:15ao meio,
34:16ela já tem que levar
34:17essa em consideração.
34:19Metade já vai implicar
34:20com a minha campanha.
34:22Sobretudo se for essa campanha.
34:23Aí você faz uma campanha
34:24falando para não entrar
34:25com o pé direito.
34:25Aí as coisas vão se somando.
34:27Então,
34:27foi assim,
34:28uma coisa em cima da outra.
34:30E aí as pessoas falam,
34:32não foi proposital.
34:32Se não foi proposital,
34:33foi miopia absurda.
34:36Só que já tive uma ideia.
34:38Poderia ter sido
34:39uma coisa tipo,
34:40começando em 2026,
34:42comece com o pé direito
34:43ou com o pé esquerdo,
34:44mas comece ao lado
34:45de quem você ama,
34:46de quem você gosta,
34:47de quem te faz bem.
34:48Pronto.
34:48Sim,
34:49mas eu acho que assim,
34:49se não fosse ano eleitoral,
34:51não teria acontecido isso.
34:52A questão foi
34:53o contexto,
34:55é isso que eu falo,
34:55a falta de leitura do contexto.
34:57Então,
34:57o que é o contexto?
34:58Você está,
34:59é Réveillon,
35:00você está entrando no ano
35:01onde vai ter uma disputa
35:03eleitoral acirrada
35:04num país polarizado.
35:06Então,
35:06se fosse uma campanha
35:08do ano anterior,
35:09não teria acontecido nada disso.
35:10E aí é outra questão,
35:12você põe uma pessoa
35:12notadamente de esquerda
35:13para falar no entre com o pé direito.
35:15E aí você vai falar
35:15que não foi proposital?
35:18Então,
35:19fica difícil.
35:19Difícil.
35:20É,
35:20como você falou,
35:21se foi um erro foi feio
35:22e se foi,
35:23se foi intencional
35:24foi uma jogada
35:26muito arriscada
35:27e se foi um erro
35:27foi muito feio.
35:28Muito arriscada
35:28e pouco inteligente, né?
35:30Pois é.
35:30Pouco inteligente,
35:31porque estava na cara
35:32que ia dar problema.
35:33Ainda mais com essa campanha.
35:35Se fosse ela fazendo,
35:37se fosse outra atriz
35:38fazendo essa campanha
35:39ou ela fazendo outra campanha.
35:41Outra atriz fazendo essa campanha
35:42não teria tido problema.
35:44É que foi a somatória
35:46dos fatos, né?
35:47A somatória da véspera
35:48de ano eleitoral
35:49com a Fernanda
35:50e a frase.
35:51Pois é.
35:52Eu tenho a impressão,
35:53tenho a minha teoria aqui.
35:55Teoria dela, né?
35:55Tenho a minha teoria aqui,
35:56que foi algum criativo
35:58que se julga muito inteligente
36:02mais do que os outros
36:04e falou assim,
36:04vamos fazer uma piadinha subliminar,
36:06vamos provocar,
36:07só a gente vai saber, vamos.
36:09E deu no que deu.
36:10É, muito sutil.
36:11Realmente tão sutil
36:12que veja só.
36:13E ainda falando em Brasil,
36:15agora estamos já falando
36:16de dois mil e vinte e seis,
36:18ano de Copa do Mundo.
36:20E quem é o fornecedor
36:22de materiais esportivos
36:24para a seleção brasileira?
36:26Já faz muito tempo,
36:27mas ainda é este ano.
36:29É a Nike.
36:30E a Nike
36:32veio com uma de
36:34é brasa.
36:35É brasa,
36:37tá no uniforme,
36:37aí vocês estão vendo a imagem,
36:39também tá no meião
36:41do que os atletas iriam usar.
36:43A CBF já vetou,
36:44não vai ter uso nenhum
36:45de meião escrito brasa,
36:47é Brasil mesmo,
36:49vai brasa.
36:49E a justificativa
36:50é que eles teriam descoberto
36:52que informalmente
36:54nós brasileiros,
36:55em geral,
36:56nos referimos,
36:57nos estádios brasileiros,
37:00de brasa.
37:00A justificativa foi isso,
37:01que nos estádios
37:02os brasileiros
37:04incentivam a seleção
37:05gritando,
37:06vai brasa.
37:07Só que isso não é
37:08uma realidade.
37:09Você,
37:10você que está nos assistindo,
37:11momento da verdade,
37:12escreve aqui embaixo,
37:13você quando está num estádio
37:15ou foi num estádio,
37:17já se referiu ao Brasil
37:19vai brasa?
37:20Você usa brasa
37:22ou você acha que brasa
37:23é um termo da época
37:24da jovem guarda?
37:26É brasa,
37:27mora?
37:27Aí sim,
37:28a gente entende,
37:29mas aí não tem nada a ver
37:30com o Brasil.
37:31Tem que falar de brasa mesmo,
37:32de fagulha,
37:33de calor,
37:34de churrasco,
37:35do que for,
37:36uma brasa.
37:37Agora,
37:38escreva aqui nos comentários,
37:39já deixa o seu like,
37:40se você ainda não deixou,
37:41dê a sua curtida,
37:42deixa o seu joinha,
37:43lembra que esse mesmo podcast
37:46e esse vídeo
37:46que você está assistindo
37:47tem exatamente
37:48essas duas versões,
37:49vídeo e áudio
37:50nas principais plataformas
37:52de streaming.
37:53E aí,
37:53escreve aqui embaixo
37:54se você se refere
37:55ao Brasil.
37:56Se você já gritou,
37:56vai brasa.
37:57É,
37:57ou se você conhece alguém,
37:58vai,
37:59vamos fazer mais fácil.
38:00Você conhece alguém
38:01que você chama,
38:02que você sabe
38:03que chama o Brasil
38:03de brasa
38:04quando está torcendo
38:05pela seleção brasileira?
38:07E aí de novo,
38:07né,
38:07Inácio,
38:08vários problemas.
38:08Bom,
38:08primeiro que falar da Nike
38:09me emociona muito
38:10porque eu...
38:11Você tem uma história longa.
38:12Trabalhei sete anos lá
38:13justamente cuidando
38:14de comunicação
38:15para o Brasil
38:16e durante um período
38:17para toda a América Latina.
38:19Então,
38:19eu sei o quanto
38:21a marca
38:23tem como valor
38:24entender
38:25e conhecer
38:26o consumidor.
38:27E isso provou
38:28um profundo
38:29desconhecimento
38:30do consumidor.
38:32Então,
38:32quando eles fizeram
38:33o lançamento
38:34desse uniforme
38:35que teve aquela designer
38:36que apresentou
38:37e que gerou
38:38uma super polêmica
38:39também...
38:39Amarelo Canary.
38:41Amarelo Canary,
38:42queremos ser muito brasileiros,
38:43Brasil com S,
38:45não é Brasil com Z
38:46e a camisa
38:46é Amarelo Canary.
38:47Quer dizer,
38:48ele gerou
38:48uma super polêmica.
38:50Ela disse
38:51que todo mundo
38:52se refere
38:52ao Brasil
38:53como brasa,
38:55que é um apelido.
38:57Então,
38:58assim,
38:58primeiro você não pode
38:59reduzir uma nação
39:00a um apelido.
39:01O brasileiro
39:02não quer ver
39:03o Brasil,
39:03o nome Brasil
39:04sendo reduzido
39:05a um apelido.
39:06Segundo,
39:06que ela fala
39:07que todo mundo
39:07nos estádios
39:08fala isso.
39:08Mas que estádio
39:09que todo mundo...
39:10E quantos jogos
39:12da seleção
39:12aconteceram
39:13no último ano?
39:14Quantas vezes
39:15o brasileiro
39:16teve a oportunidade
39:17de estar assistindo
39:18um jogo
39:18da seleção brasileira?
39:20Pouquíssimos.
39:21Então,
39:21assim,
39:21mesmo que isso
39:22tivesse sido falado
39:22naqueles momentos,
39:23naqueles estádios
39:24que não é a realidade,
39:25seria muito pouca gente.
39:27Perto de 200 milhões
39:28de brasileiros
39:29que vão torcer
39:29para a Copa.
39:30Então,
39:31não justifica isso.
39:34E está completamente
39:35fora dos valores
39:36da Nike,
39:37que é o valor
39:38de conexão
39:39emocional
39:39com o consumidor.
39:40E gerou
39:41uma conexão
39:42ao contrário,
39:44gerou uma repulsa
39:45do consumidor
39:47geral.
39:48Pois é.
39:49Tem mais uma imagem
39:50que a gente separou aí,
39:52o nosso querido
39:53Gustavo vai colocar.
39:55Aliás,
39:55um abraço
39:56para o Gustavo,
39:57que é,
39:57primeiro,
39:57a alegria
39:58que apavora.
39:58Também é
39:59o slogan,
40:00o tag,
40:01que também
40:01não gerou
40:02uma unanimidade,
40:04porque estariam
40:05achando um pouco,
40:06digamos assim,
40:09polarizante,
40:10mais uma vez.
40:11Estaria falando
40:12com apenas
40:14uma camada
40:15do público
40:16específica,
40:17desagradando outras.
40:18Você concorda
40:19com essa visão também?
40:21Então,
40:21aí eu entendo
40:22um pouco o objetivo.
40:23Eu entendo
40:25onde eles queriam chegar,
40:26mas achei que a ideia
40:27foi mal executada.
40:30por que o público
40:31não gostou?
40:32Porque a seleção
40:35brasileira
40:35é vista como
40:36a seleção
40:37que joga
40:37com ginga,
40:38com alegria,
40:39com criatividade,
40:41são coisas positivas.
40:43Coisas positivas.
40:44Então,
40:45ah,
40:45o que é isso
40:46de apavora e tal?
40:47Por outro lado,
40:49a gente não ganha
40:50muito tempo.
40:51Não é?
40:52Né?
40:52Então,
40:53eu acho
40:54que
40:55o objetivo
40:56da Nike
40:56foi dizer
40:57que nós vamos
40:58entrar para ganhar.
40:59A gente vai
41:00entrar com tudo,
41:01a gente vai apavorar.
41:01Então,
41:02eu entendo
41:03aonde eles quiseram chegar,
41:05mas a execução
41:06não ficou boa,
41:07né?
41:07E outra,
41:07essa arte é horrível,
41:09horrível.
41:10E não é de bom gosto.
41:13E aí teve a questão
41:14toda do canarinho
41:15que tinha três patas,
41:16né?
41:16Porque foi feito
41:18em inteligência artificial
41:19um erro absurdo.
41:21Então,
41:21são coisas que,
41:22assim,
41:22eu falo,
41:23não reconheço a Nike
41:26nessa campanha.
41:27E ainda teve
41:27problemas de qualidade.
41:29Próxima imagem
41:29a gente tem aí,
41:31justamente,
41:32aí,
41:32ah,
41:32Não,
41:33aí tem outra questão,
41:35que assim,
41:35a seleção brasileira
41:38pode estar
41:38há 24 anos
41:39sem vencer,
41:40mas ainda é
41:41a única seleção
41:42pentacampeã.
41:43E joga futebol,
41:44não basquete.
41:45E merece muito respeito,
41:47né?
41:47Tanto é que a gente fala
41:48que a camisa amarela
41:49é o bando sagrado,
41:50e a gente tem um carinho
41:52pela amarelinha,
41:53né?
41:53Que é uma outra maneira
41:54de falar da camisa
41:56e a seleção canarinho,
41:58quer dizer,
41:59tem toda essa coisa
42:00de...
42:01E é...
42:02Brasilidade.
42:03A brasilidade e tal.
42:04E aí,
42:05você chega,
42:07você faz a camisa 2
42:09de uma seleção,
42:10da seleção
42:11que ganhou mais copas,
42:13a seleção mais valorizada
42:15do mundo,
42:16e você coloca
42:17um logo de basquete
42:19na camisa.
42:20Do Michael Jobs,
42:21só pra lembrar
42:21que é uma submarca
42:22da própria Nike.
42:23Uma submarca da Nike.
42:24Então, a Nike
42:25vem usando a marca Jordan
42:27para outras áreas,
42:29que não sejam só o basquete,
42:30pra comunicar uma ideia
42:32de lifestyle,
42:33de moda,
42:34de produtos mais ligados
42:34à moda.
42:35E resolveu colocar
42:37o logo do Jordan
42:38na camisa 2
42:38pra que ela ficasse
42:39uma camisa mais,
42:40assim,
42:41de tendência,
42:42né?
42:42Mais fashion.
42:44Só que você não pode
42:45fazer isso com a seleção
42:46brasileira.
42:47Sabe?
42:47O respeito à seleção brasileira
42:49tem que estar acima disso.
42:50Pode colocar
42:51em outras seleções.
42:52A marca Jordan
42:54foi usada pela primeira vez
42:55no futebol
42:55numa camisa
42:56do Paris Saint-Germain.
42:57Mas uma coisa
42:58é você fazer um clube,
43:00a outra coisa
43:01é você colocar
43:01numa seleção.
43:02Então,
43:03isso causou
43:03muita indignação
43:04e eu concordo plenamente.
43:06E teve problema também
43:07de qualidade.
43:08Essa mesma imagem aí,
43:09vamos colocar
43:10na tela grande
43:11pro pessoal ver.
43:12Olha o ombro
43:14dos jogadores.
43:15Parece que tem um chifrinho,
43:16parece que ficou no cabide
43:17a noite inteira.
43:18E é um problema
43:19de produção.
43:20A Nike
43:21admitiu que teve
43:22um problema de produção
43:23não só na camisa
43:24da seleção brasileira,
43:25mas de outras também,
43:27digamos,
43:28com esse mesmo layout
43:29de costuras, né?
43:30É, ali claramente
43:31houve um problema
43:31de modelagem, né?
43:32Quem entende
43:33um pouquinho
43:34disso,
43:35de moda, sabe?
43:35Houve um problema
43:36de modelagem
43:36e aquela costura
43:37acabou levantando
43:39naquele recorte
43:40e isso é mais
43:41um momento
43:43em que eu falo
43:43não reconheço
43:44a Nike
43:44porque eu me lembro
43:46muitas vezes
43:46que eu estava
43:47ali na matriz,
43:48né?
43:48Em Portland,
43:49que é o campus
43:50da Nike,
43:51é uma coisa maravilhosa,
43:52quem passar por lá
43:53vale a pena
43:53visitar e conhecer
43:55e eu ia muito
43:57ao laboratório
43:58onde cientistas
44:00desenvolviam os produtos.
44:02Então,
44:02a gente tinha pessoas
44:04ali focadas
44:05em desenvolver
44:06as camisas
44:07mais leves
44:08possível
44:08para os jogadores
44:09poderem jogar,
44:11correr mais em campo.
44:12Então,
44:12a cada lançamento
44:13de uniforme da seleção
44:14a gente
44:16ia conversar
44:17com essas pessoas,
44:17eles faziam
44:18uma apresentação
44:18para mostrar,
44:19olha,
44:19conseguimos que a camisa
44:20fique mais leve.
44:22Teve um ano
44:22que eles fizeram
44:23uma camisa
44:24que tinha
44:24uma outra camisa
44:25por baixo,
44:26um forro,
44:26não sei se você se lembra,
44:28lembro,
44:28que aquele forro
44:29era para absorver
44:30o suor,
44:31para o cara
44:32ter mais conforto,
44:33então ficava
44:33aquela ajustinha
44:34que absorvia o suor
44:35e a outra por cima,
44:36depois acabou não dando certo,
44:37era difícil de vestir e tal,
44:39mas assim,
44:39eles estão sempre
44:40querendo inovar,
44:41eles estão sempre
44:41pesquisando muito,
44:43pesquisa para ter
44:43as chuteiras mais leves
44:45e tal,
44:45e me surpreende
44:47um erro tão básico desse,
44:48eu falo,
44:49gente,
44:49o que está acontecendo
44:50com a empresa?
44:50Pois é,
44:51e não é só no Brasil,
44:52ela também cometeu
44:53um erro de comunicação
44:55na maratona de Boston.
44:56Absurdo,
44:57absurdo,
44:58e aí,
44:59ferindo o princípio
45:01mais básico da Nike,
45:02eu já vou explicar porquê,
45:03então aí está,
45:04um dos cartazes
45:05da maratona de Boston,
45:08teve uma campanha grande
45:09de mídia exterior,
45:10com várias frases,
45:12e uma das frases
45:13era essa,
45:14que fala que
45:15os corredores
45:16são bem-vindos,
45:17mas os caminhantes
45:18serão tolerados.
45:21E a missão da Nike,
45:24a lição número um
45:25que você aprende
45:26no teu primeiro dia
45:27de empresa,
45:28é que a Nike,
45:29vamos colocar aqui
45:30no próximo slide,
45:32slide,
45:33a missão da Nike,
45:34então aí,
45:34esse é o Phil Knight,
45:35que é o fundador da Nike,
45:37e a missão da Nike
45:38é levar inspiração
45:40e inovação
45:41a todos os atletas
45:42do mundo.
45:43Asterisco,
45:44se você tem um corpo,
45:46você é um atleta.
45:47Ou seja,
45:48a missão da Nike
45:48é levar inovação
45:49e inspiração
45:50a todas as pessoas,
45:53porque a Nike
45:53patrocina os atletas
45:54mais importantes do mundo,
45:56mas ela não está preocupada
45:57só com eles,
45:58com eles também,
45:59em melhorar
46:00a performance deles,
46:01através do desenvolvimento
46:02de produtos e tal,
46:03mas com qualquer pessoa,
46:05porque é democratizar
46:07o esporte,
46:08é te incentivar
46:08a fazer uma atividade física.
46:10Essa é a missão.
46:11Então,
46:11como é que você chega
46:12numa maratona
46:13e fala assim,
46:14se você vem correndo,
46:15tudo bem,
46:16se você vem caminhando,
46:17a gente não quer você aqui,
46:18você vai ser tolerado.
46:20Isso fere
46:21o princípio mais básico.
46:23Pois é.
46:23E aí,
46:24o que aconteceu?
46:25Obviamente,
46:25pegou super mal
46:26essa campanha,
46:27eles tiveram que retirar
46:28a campanha do ar,
46:29pediram desculpas,
46:31e as rivais,
46:33as marcas rivais
46:34como Roca
46:35e Alta
46:36aproveitaram o momento
46:36justamente para reforçar
46:38essas mensagens
46:39de inclusão
46:39e que todo mundo
46:40dos mais variados níveis
46:42de atividade física
46:43seriam super bem-vindos.
46:45Lembrando
46:46que a Nike
46:47já faz algum tempo,
46:48talvez não por acaso,
46:50depois que você saiu de lá,
46:51vem enfrentando
46:53um problema
46:54para se reconectar
46:54com os seus consumidores.
46:56Vem enfrentando.
46:56No mundo inteiro,
46:57não é só no Brasil.
46:58A Nike é uma empresa,
47:00eu falo que assim,
47:01para mim,
47:01foi a melhor escola
47:03de marketing
47:04e de branding,
47:05branding de verdade,
47:07branding com profundidade,
47:09que eu podia ter tido.
47:10Eu entrei lá
47:11no início dos anos 2000,
47:132001,
47:14e olha que curioso,
47:15quando eu fui contratada,
47:17a minha chefe falou assim,
47:18Patrícia,
47:18vai demorar um ano
47:19para você entender a marca.
47:21E eu achei aquilo
47:22um exagero.
47:24Falei,
47:24como vai demorar um ano?
47:25Ela já era uma profissional
47:26de marketing e tal.
47:28E ela tinha razão,
47:29porque a Nike justamente
47:30pensa ao contrário
47:31do que as marcas tradicionais.
47:33Ela sempre focou,
47:33ela focava nessa coisa
47:35da conexão emocional,
47:37quando ninguém falava disso.
47:40Ela antecipou
47:41muitas tendências
47:42da comunicação.
47:44E agora,
47:45parece que ela desaprendeu tudo.
47:47Acho que também
47:47entrou uma equipe nova lá
47:48e não teve quem falasse,
47:51olha,
47:51está aqui a cartilha,
47:52esses são os nossos valores
47:53e foi assim que a gente
47:55se consolidou
47:55como uma das marcas
47:57mais desejadas do mundo
48:00ao longo de décadas.
48:04A Nike já estava vindo
48:06com problemas,
48:06tanto é que em 2024
48:07ela demitiu o CEO
48:09e recontratou um ex-funcionário.
48:12Um funcionário que já tinha saído,
48:13já tinha se aposentado
48:14e ele voltou para a empresa.
48:17E agora, em abril,
48:19ele fez uma declaração,
48:20porque os resultados da Nike
48:21ainda não melhoraram,
48:22e ele fez uma declaração
48:23falando assim,
48:24eu sei que vocês
48:25já estão cansados
48:26e eu também já estou cansado
48:28de tentar consertar essa empresa.
48:30O negócio está sério lá.
48:32E eu espero muito
48:33que ele consiga,
48:34porque assim,
48:34eu sou muito apaixonada
48:36pela marca.
48:37Aliás,
48:37vi aquela foto
48:39do Phil Knight
48:39aqui na tela
48:40e me emociona,
48:42porque ele fundou
48:42essa empresa em 1972
48:46vendendo carro,
48:47vendendo tênis
48:48no porta-malas do carro,
48:50nas pistas de corrida.
48:51assistam o filme,
48:52é super bacana
48:53e tem muita coisa
48:55muito verdadeira
48:56ali naquele filme.
48:56É filme ou documentário?
48:57Não lembro agora.
48:58É um filme,
48:58é um filme.
48:59Isso,
48:59acho que está no Netflix
49:00ou num desses filmes.
49:01É muito bom.
49:01Está no Netflix.
49:02Chama Nike.
49:02E eu me lembro que eu,
49:04uma vez que eu estava
49:05morando lá em Portland,
49:07que eu passei um ano
49:08na Matriz,
49:09e eu vi o Phil Knight
49:10atravessando,
49:11eu estava almoçando,
49:12e eu vi o Phil Knight
49:12atravessando ali o campus
49:14e eu fiquei até emocionada,
49:15porque, poxa,
49:16o cara é um empresário
49:18maravilhoso,
49:19um baita visionário.
49:20Tem um livro também
49:21que é muito legal,
49:22um livro,
49:23não sei se chama
49:23Just Do It,
49:24vamos pesquisar,
49:25vamos falar para vocês,
49:26que conta toda
49:27a filosofia dele,
49:29tem várias curiosidades
49:31ali no campus,
49:33muita conexão
49:33com o Japão e tal.
49:35E aí você vê
49:36a marca sendo destruída
49:37nos últimos 5,
49:3810 anos,
49:39é uma pena.
49:39Pois é.
49:40Então,
49:41o programa de hoje,
49:42veja só,
49:43rendeu bastante, hein?
49:45Rendeu bastante,
49:46porque justamente
49:46trouxemos aqui
49:48várias marcas
49:49que cometeram
49:51erros incríveis
49:52que estavam
49:53tão na cara,
49:54tão óbvios,
49:55que depois você fala,
49:56puxa vida,
49:57como é que eles não viram?
49:58Tinha uma equipe inteira
49:59lá para fazer
50:00um pente fino
50:01e falar,
50:01isso não vai descer legal.
50:03E estamos falando
50:04de empresas no Brasil,
50:06empresas nos Estados Unidos,
50:07no mundo inteiro.
50:08Também falamos
50:09sobre lideranças específicas
50:11que se meteram em polêmica
50:12e aí prejudicaram
50:13as suas marcas
50:14que não tinham nada a ver
50:14com a história.
50:15de repente a marca
50:16estava fazendo tudo direitinho,
50:17mas lá tem um líder polêmico,
50:19mas, digamos assim,
50:21com comportamentos,
50:24arroubos comportamentais
50:25pouco pensados
50:26ou pouco estudados
50:27e aí também prejudicou.
50:30Escreva aqui embaixo
50:31no comentário,
50:32você que está assistindo a gente,
50:33qual marca chamou mais atenção
50:35dos flops
50:35que a gente trouxe
50:36e também escreva
50:37alguma marca,
50:38algum outro flop
50:39fenomenal
50:40que você se lembra
50:41que a gente deixou de fora
50:42que valeria a gente trazer aqui
50:44para a Patrícia analisar
50:46e a gente trazer para você
50:47outros flops
50:48de campanhas
50:49de marketing
50:50de todos os segmentos,
50:51porque a gente quer saber
50:52o que vocês querem ver.
50:55Patrícia,
50:55muito obrigado mais uma vez aqui.
50:57Eu que agradeço.
50:58Por mais esse
50:58Economia Negócios.
51:00Isso,
51:01muito bom.
51:02Adoro esse assunto
51:03e estaremos de volta.
51:04Estaremos, sim.
51:05E muito obrigado a você
51:06que nos assistiu,
51:07que já deixou o seu joinha,
51:08o seu like,
51:08já se inscreveu no canal.
51:10É um clique cada,
51:11a gente não tem que preencher nada.
51:12E já deixou o seu comentário aqui,
51:14o que você achou desse programa,
51:16dos flops,
51:17se a gente esqueceu algum.
51:18E já sabe,
51:19o Economia e Negócios
51:20é toda quarta-feira
51:22às sete horas da noite,
51:25logo depois do Papo Antagonista.
51:27Até semana que vem.
51:28Exatamente.
51:28Tchau, pessoal.
51:29Tchau.
51:30Tchau.
51:31Tchau.
51:35Tchau.
51:42Tchau.
51:43Tchau.
51:46Tchau.
51:48Tchau.
51:49Tchau, tchau.
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