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  • há 1 dia
No Ponto de Vista desta terça-feira (21), a apresentadora Marcela Rahal analisa o novo cenário das eleições presidenciais a partir das últimas pesquisas, que mostram o crescimento de Flávio Bolsonaro e a pressão sobre o governo Lula. O cientista político Antônio Lavareda explica os fatores por trás da queda de popularidade do presidente, destacando o peso da economia no voto do eleitor.

O programa também entrevista o senador Carlos Portinho (PL-RJ), que comenta a articulação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e critica propostas do governo, como a mudança na jornada de trabalho.

Além disso, o debate aborda o embate entre STF e Congresso e seus impactos no cenário político.

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Transcrição
00:00O que é o Ponto de Vista?
00:30E também, claro, nas nossas redes sociais.
00:32Vamos juntos então, uma ótima terça-feira, bom feriado para todos nós.
00:36A gente começa falando sobre eleições presidenciais.
00:39A última pesquisa da Quest, divulgada na semana passada, mostra um cenário novo, inédito para a pesquisa
00:45que tem o candidato, o pré-candidato, o senador Flávio Bolsonaro, numericamente à frente do presidente Lula no segundo turno.
00:54O Datafolha também já tinha mostrado essa tendência, assim como outras pesquisas.
00:59Vamos falar então com o cientista político e sociólogo Antônio Lavareda.
01:04Professor, seja muito bem-vindo, uma honra falar com o senhor.
01:07Obrigada pela participação aqui no Ponto de Vista.
01:10Prazer estar conversando com você e com os espectadores da VES do Ponto de Vista, Marcela.
01:15Professor, bom, queria falar sobre essa tendência que a gente vem detectando, né, em várias pesquisas, não só na Quest,
01:22Datafolha,
01:23outros institutos também mostram o pré-candidato Flávio Bolsonaro crescendo, crescendo num ritmo acelerado, né,
01:30e inclusive passando numericamente o presidente Lula.
01:34Como é que o senhor vê isso?
01:35Deve ser uma tendência ainda de alta ou está perto ali de um limite?
01:41Olha, Marcela, toda eleição na qual o chamado incumbente, ou seja, o ocupante da cadeira,
01:50seja eleição de prefeito, de governador, de presidente,
01:53quando o ocupante da cadeira, o incumbente, é candidato, a eleição gira em grande medida sobre ele.
02:00O que é que isso significa?
02:02Significa que a aprovação do incumbente, a aprovação no caso do presidente Lula,
02:08explica em grande medida o seu desempenho, sobretudo no segundo turno, nos cenários de segundo turno.
02:17Então, Flávio Bolsonaro cresceu sistematicamente desde que seu nome foi lançado,
02:23no final do ano passado, e quais os motivos, né?
02:27Em primeiro lugar, o fato de que o eleitorado bolsonarista tomou conhecimento do apoio do seu pai,
02:37o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao senador.
02:40Número um.
02:41Número dois, à medida que as pessoas vão tomando conhecimento disso,
02:46e, obviamente, os bolsonaristas, o eleitorado bolsonarista perfilando do ponto de vista da eleição ao lado do senador,
02:56há uma fragilização das intenções de voto do presidente Lula,
03:01sobretudo no segundo turno, em função da elevação, da desaprovação ao seu governo.
03:09Então, Marcela, nessa altura do campeonato é importante se entender
03:14o que é que está afetando a popularidade do presidente,
03:18no sentido de que o que é que está alavancando a desaprovação do seu governo,
03:23porque é o entendimento disso que nos permitirá fazer algumas projeções mais razoáveis
03:30sobre o que poderá vir a ter lugar adiante.
03:34Robson Borim, nosso colunista está com a gente.
03:36Borim, seja bem-vindo.
03:39Marcela, boa tarde, professor, o pessoal que está nos acompanhando em casa.
03:42Professor, nessa altura do campeonato a gente já consegue analisar em perspectiva o que foi o governo Lula
03:47e as escolhas que o presidente fez nesse governo que levaram a esse cenário que a gente está vivendo agora.
03:54É um governo sem marca, que apostou tudo no assistencialismo, na base de benefícios sociais,
04:03e chega nesse momento com um discurso que me parece o primeiro de tentar convencer um eleitor
04:08que está pressionado por dívidas, pressionado pela crise financeira,
04:12de que a vida está boa e que o governo fez muita coisa por ele.
04:16É um discurso de alguém que tenta convencer de que fez um pouco melhor do que o ex-presidente Jair
04:24Bolsonaro.
04:24Eu queria saber do senhor se esse cenário que se apresenta hoje é suficiente para o presidente Lula conseguir se
04:31reeleger.
04:32Olha, como você disse, o cenário hoje é um cenário de dificuldade.
04:38De dificuldade. Agora, nós temos que ponderar alguns fatores.
04:43Veja o seguinte, o governo Lula carece de uma narrativa a respeito do significado dele próprio.
04:51Ou seja, o Lula 13 não foi explicado para a população até hoje.
04:55O presidente Lula desperdiçou o seu governo, desperdiçou os dois primeiros anos,
05:00sem elaborar uma narrativa a respeito dos seus propósitos,
05:05do significado que ele desejava emprestar ao governo.
05:10E está entrando agora no quarto ano também,
05:12sem que os brasileiros possam responder a seguinte questão.
05:16Qual é o significado?
05:17Qual é a grande realização, qual o sentido do governo Lula nesse terceiro mandato?
05:24E como tal, fica muito difícil, sem ter essa narrativa sobre o terceiro mandato,
05:30você demandar ao eleitor um voto para conseguir um quarto mandato ainda.
05:36Agora, eu atribuo menos até a esses fatores que foram levantados,
05:44as dificuldades do governo do ponto de vista da sua desaprovação,
05:49do ponto de vista da sua aprovação mais baixa e do ponto de vista das intenções do voto do presidente.
05:53Eu atribuo menos a esses fatores e muito mais a algo objetivo,
05:58que vem da dimensão econômica.
06:01Veja o seguinte, há um aparente paradoxo.
06:04O salário real dos brasileiros, na média, aumentou recentemente.
06:11A curva do desemprego, a linha do desemprego nunca foi tão baixa.
06:16A Bolsa de Valores nunca atingiu patamares tão elevados.
06:21O PIB cresceu e tem crescido, na média, vai se situar praticamente no dobro do que no governo anterior.
06:29E ainda assim, a população está insatisfeita com a economia.
06:35E aí vem a explicação.
06:36É a corrosão inflacionária.
06:40É a elevação dos preços, independentemente da linha da inflação estabilizada,
06:48mas estabilizou com preços muito elevados.
06:51E a guerra do Irã agora deflagrou um repique inflacionário,
06:56sobretudo no setor de combustíveis.
06:58E isso preocupa, isso é repassado para os preços.
07:01E é essa questão, ou seja, a dificuldade dos brasileiros pagarem suas contas,
07:09fazer um consumo minimamente razoável, seu consumo.
07:14Os juros muito elevados têm afastado investimento.
07:18Com um investimento menor, logo mais nós podemos ter problemas até
07:24nessa curva de desemprego que eu falei, que no momento está baixa.
07:28E a população cobra isso, isso gera um sentimento de insatisfação muito grande.
07:34Agora, vamos lembrar o seguinte, isso é mundial.
07:38O Orbán, na Hungria, perdeu a eleição domingo exatamente por conta disso.
07:45As projeções de hoje mostram que Trump vai perder pelo menos 40 cadeiras
07:52nas eleições de novembro, cadeiras na House, na Câmara Federal deles,
07:58exatamente por isso.
08:00No momento, nós podemos dizer o seguinte,
08:02a economia, mas não a economia das estatísticas oficiais,
08:08não a economia dos macroindicadores, mas a economia do sentimento,
08:13a percepção pública, o sentimento do bolso das pessoas,
08:17está, no momento, criando grandes dificuldades para o presidente Lula
08:24e para o governo e prometendo uma cobrança severa,
08:30um resultado eventualmente negativo nas urnas em outubro.
08:35Pois é, professor, já que o senhor falou disso, tem um recorte da Quest
08:39que mostra exatamente esse aspecto que o senhor menciona.
08:43Vamos ver os números aí na tela, que são números que realmente chamam atenção.
08:46Por exemplo, a pesquisa avaliou que em março desse ano,
08:5158%, a pergunta é, o preço do alimento dos mercados subiu no último mês?
08:56Antes, em março, era 58%, agora 72%.
09:01Em um mês, olha o tamanho desse crescimento.
09:04Ficou igual, de 24% caiu para 18% e o caiu, estava 16%, foi para 8%.
09:13É um número muito grande, é um número muito acima até do que estava no mês de março
09:21e que mostra um desafio gigantesco para o governo federal, né, professor?
09:26Olha só, Marcela, a seleção que vocês fizeram desse gráfico foi exemplar.
09:33Por quê?
09:34Porque toda pesquisa, como nós sabemos, vocês estão acostumados a noticiar isso no dia a dia,
09:40toda pesquisa envolve o que tecnicamente se chama dezenas de variáveis,
09:44dezenas de variáveis traduzidas em questões que são colocadas para os entrevistados.
09:51Essas pesquisas, o foco recai na intenção de voto, certo?
09:58Mas, dentre elas, há sempre um retrato, uma fotografia de um aspecto específico da opinião pública
10:06que tem um forte significado pela sua capacidade quase explanatória de produzir inteligibilidade
10:15sobre o conjunto das pesquisas, incluindo as intenções de voto.
10:19Vocês selecionaram o gráfico mais importante da pesquisa da Quest da semana passada,
10:26que é esse que ilustra a perfeição e evidencia o comentário feito há pouco.
10:35Mundo afora, desde a eleição de Nova York, vocês vão lembrar a eleição do Mandame em Nova York,
10:39muito comentada, etc., e uma expressão em inglês que tomou as manchetes dos jornais,
10:46a questão da affordability.
10:48A affordability é isso, é custo de vida, condição de enfrentar o preço das coisas,
10:55a acessibilidade ao consumo e aos serviços.
10:59É exatamente esse fator que está afetando agora o governo Lula,
11:04e você veja o salto de 14 pontos em apenas um mês decorrente do aumento,
11:13sobretudo dos combustíveis, que deflagra outros aumentos em cadeia.
11:17É muito difícil você identificar uma mercadoria ou até um serviço
11:23na cadeia da produção do qual não compareça ao fator transporte.
11:28Como tal, combustível afeta todas as cadeias de todas as mercadorias dos produtos
11:36e também dos serviços, Marcela.
11:38Foi excelente a seleção desse gráfico.
11:42Pois é, retrata bem, né, Boninho?
11:44É, eu tenho uma curiosidade, porque quando a gente olha para o outro lado,
11:49o Flávio Bolsonaro parece subir, escalar as pesquisas,
11:53baseado na certidão de nascimento dele,
11:56porque não há um registro, um histórico de trabalho,
11:59enquanto gestor, que justifique uma confiança elevada
12:03na adesão do eleitorado ao nome dele, se não pelo sobrenome do pai.
12:06E é justamente nesse ponto que o presidente Lula
12:09vem dando sinais de que vai bater.
12:11Ele vem dizendo que é a hora da verdade,
12:13que vai ser a hora que as pessoas vão confrontar biografias
12:17e ver quem fez, quem não fez.
12:20O senhor acredita que isso pode ter algum resultado?
12:22Porque o eleitor costuma ter essa fama de conservador no Brasil também.
12:26Ele reclama, reclama, está insatisfeito,
12:28mas na hora de mudar, às vezes,
12:29ele prefere segurar o que tem na mão do que apostar em aventura.
12:33Ainda mais diante de todo o fiasco que foi a nova política,
12:37esse discurso que surgiu em 2018.
12:40Olha, eu tendo a concordar com você.
12:44Eu acho que a minha opinião é semelhante à sua.
12:47Eu gostaria de chamar a atenção apenas para dois aspectos.
12:51Do ponto de vista do Lula, como eu disse há pouco,
12:55eu acredito, baseado no que eu tenho acompanhado
12:58ao longo das eleições da Nova República
13:01e o que eu tenho estudado de eleições mundo afora,
13:05eu acredito que a sorte de Lula vai ser definida pela economia.
13:08Ponto.
13:09É a economia que vai assinalar.
13:11E se o presidente Lula consegue ou não consegue o quarto mandato?
13:15A economia percebida,
13:18não a economia dos números, das estatísticas oficiais,
13:24relativas a indicadores macroeconômicos.
13:27Agora, com relação ao Flávio,
13:30o Flávio cresceu,
13:32e agora retomando a primeira questão da Marcela,
13:36o Flávio cresceu na onda,
13:38de um lado a insatisfação, obviamente, com o governo Lula,
13:41e de outro na esteira do voto bolsonarista,
13:45do voto de Jair Bolsonaro,
13:47da fidelidade eleitoral de Jair Bolsonaro, etc.
13:50Quem é que pode tirar votos de Flávio Bolsonaro?
13:53O Lula pode tirar votos, retirar votos de Bolsonaro?
13:58Não.
13:58Se o fizer,
14:00seria uma parcela ínfima,
14:04desprezível de eleitores que eventualmente se descolem de Flávio Bolsonaro
14:10e se desloquem para o campo ideologicamente oposto,
14:17para manifestar a intenção de voto em Lula.
14:22Quem pode retirar a intenção de voto de Flávio
14:27são os candidatos da direita.
14:31E, obviamente, essa eleição é uma coisa curiosa.
14:35Apenas um candidato de esquerda ou de centro-esquerda,
14:38como se auto-intitula o presidente Lula,
14:41e de outro, todos os candidatos de direita.
14:45E é essa competição,
14:47nessa parte do espectro ideológico, político-ideológico,
14:50da direita, que pode eventualmente gerar,
14:53por comparação, desgaste de Flávio.
14:56Ele é muito menos preparado,
14:58muito menos experiente que outros candidatos,
15:01como Ronaldo Caiado, como Romeu Zema,
15:04e, de repente, pode levar alguma insegurança
15:08ao eleitor de direita,
15:11que poderá vir a temer
15:13que uma eleição de Flávio Bolsonaro
15:16produziria um governo com tantos problemas
15:21quanto o governo do seu pai produziu,
15:23e, ao fim e ao cabo,
15:26facilitaria a volta, o retorno,
15:29se não de Lula, pelo menos do poder,
15:32ao Palácio do Planalto.
15:34Então, quem pode tirar votos de Flávio Bolsonaro
15:38a partir da exploração das dificuldades dele,
15:41ou pelo cotejo dessas candidaturas com o senador,
15:47são os candidatos do campo da direita,
15:49os outros candidatos do campo da direita.
15:54Agora, professor, a gente vê que os números
15:56são muito parecidos, estão empatados tecnicamente,
15:59a rejeição também é parecida.
16:01Vou mostrar um outro telão aqui,
16:03um outro recorte da pesquisa Quest,
16:05que pergunta o seguinte,
16:06Sua escolha de voto é definitiva ou ainda pode mudar?
16:1157% diz que é definitiva,
16:1343% diz que pode mudar.
16:15Professor, é um número alto ainda,
16:17se a gente for imaginar que são dois espectros políticos
16:20tão diferentes, né?
16:21Quando a gente fala,
16:22vou votar no Flávio Bolsonaro,
16:24herdeiro do ex-presidente,
16:27ou no Lula,
16:29tem essa questão ideológica muito forte,
16:31mas por esse levantamento,
16:33a gente vê que as pessoas podem mudar bastante ainda, né?
16:38Marcela, o número daqueles que revelam
16:41que podem, poderiam mudar é elevado,
16:44e eu quero chamar a atenção para o fato
16:46de que muitas pessoas,
16:47mesmo dizendo que a intenção de voto é definitiva,
16:51dependendo das informações que absorvam,
16:55que venham absorver durante a campanha eleitoral,
16:57eventualmente mudarão.
16:59Nós, eu, você, todos nós,
17:02podemos ter uma opinião hoje,
17:03acharmos que não vamos mudar de opinião,
17:06daqui a seis meses,
17:08mas eventos, fatos novos,
17:10desdobramentos de informações
17:13que nós ainda não temos hoje,
17:16pode levar essas pessoas a mudar.
17:18Então, eu diria que o número é elevado
17:21dos que confessam que poderão mudar,
17:24mas o potencial de mudança é ainda maior.
17:28Esses que dizem que podem mudar hoje,
17:31eles estão dizendo de outra forma o seguinte,
17:33olha, dependendo do que eu venha a assistir,
17:36do que eu venha a ver,
17:37do que eu venha eventualmente a cotejar,
17:39do que eu venha a saber durante a campanha eleitoral,
17:41eu estou disposto a mudar meu voto.
17:44Isso faz da eleição,
17:46a essa altura do campeonato, Marcela,
17:48uma competição ainda aberta.
17:51É uma leitura equivocada,
17:53olhar hoje para as pesquisas,
17:55para essa polarização,
17:57que em grande medida é aparente,
18:00aparente.
18:01Por que é que eu digo aparente?
18:03Porque as pessoas,
18:04a maioria dos eleitores,
18:06pesquisa, Marcela,
18:07que pergunta aos eleitores,
18:09quais os candidatos que o senhor ou a senhora conhece
18:12que já estão postos para a eleição desse ano?
18:14Lula é uma menção quase unânime,
18:18todo mundo cita Lula,
18:20e em geral, dois terços,
18:2270% dos eleitores citam Flávio Bolsonaro.
18:26Caiado e os demais não são citados
18:29por mais de 20% dos eleitores, Marcela.
18:33Então, na mente das pessoas,
18:35só há dois candidatos,
18:37e isso contribui para o fato
18:39de que os dados das respostas
18:42nessas entrevistas
18:44apareçam bipolarizados,
18:48como aparecem hoje.
18:49Mas isso não é real,
18:52essa é uma eleição aberta.
18:55E eu resgatei para a nossa conversa,
18:58Marcela,
18:59dois números bastante interessantes
19:01para a gente pensar
19:02sobre os cenários de segundo turno.
19:05As pesquisas,
19:07sobretudo a essa altura do campeonato,
19:10elas são bastante elucidativas
19:12sobre a correlação de forças
19:14no primeiro turno.
19:15Então, elas falam
19:17um pouco que os eleitores sabem
19:20sobre candidaturas,
19:22candidatos,
19:22eventuais propostas,
19:24significados,
19:25mas falam alguma coisa.
19:26Agora, aí meu conselho,
19:29meu aconselhamento sempre,
19:31as questões sobre o segundo turno
19:34têm um nível de conjectura
19:37tão mais elevado,
19:39o segundo turno,
19:41depois do primeiro,
19:43se vier a ocorrer ou não,
19:45etc.,
19:46e muito,
19:48e sobretudo a essa altura
19:49do campeonato,
19:51que não devem ser levados
19:53tão ao pé da letra
19:55como algumas vezes,
19:56algumas análises fazem,
19:59Marcelo.
19:59Eu vou dar dois dados para você,
20:01para vocês,
20:02para os nossos espectadores,
20:04que eu selecionei essa manhã
20:07pensando na nossa conversa.
20:09Uma eleição de 2022,
20:12a última eleição,
20:14eleição de 2022,
20:16como é que estavam as pesquisas
20:18com relação ao segundo turno
20:21em maio,
20:23em maio de 2022?
20:25Pesquisa do Datafolha.
20:27Datafolha,
20:28lembrando,
20:29apresentou agora
20:30uma dianteira de Flávio
20:32sobre Lula,
20:33assim como a Quest,
20:35também apresentou ambos
20:36empates técnicos,
20:37a diferença.
20:38Pois bem,
20:39em maio de 2022,
20:41o Datafolha mediu
20:43um eventual segundo turno
20:45e apresentou os números
20:47de Lula,
20:4958%,
20:50e o então presidente Bolsonaro,
20:5333%.
20:54Uma diferença
20:56de 25 pontos.
20:59Olha só, Marta,
21:0025 pontos.
21:02Resultado na urna,
21:04como todos nós lembramos,
21:0550,9
21:07versus 49,1,
21:08uma diferença de 1,8.
21:11Então, você veja
21:12como essas pesquisas
21:14desse momento,
21:15com relação ao segundo turno,
21:17elas não têm a menor capacidade,
21:20muitas vezes,
21:21de fazer,
21:22de alimentar qualquer prognóstico
21:24minimamente razoável.
21:25Agora, eu vou recuar
21:26mais no tempo.
21:27E eu lembro disso,
21:29porque eu trabalhei
21:30na campanha de Fernando Henrique,
21:32em 1998,
21:34assim como trabalhei em 1994,
21:36eu coordenava as pesquisas
21:37de opinião,
21:38era consultor de estratégia
21:40daquelas campanhas.
21:421998,
21:43aí nós não temos pesquisa
21:44para abril, maio de 98,
21:46mas temos para junho,
21:47do mesmo instituto,
21:49data a folha,
21:50para ter a mesma base de referência.
21:52Lula,
21:53governo Fernando Henrique,
21:54apresentava dificuldades
21:56ali entre maio e junho
21:58de 98,
22:00na direção da tentativa
22:02de reeleição.
22:03Lula tinha 32%,
22:05Marcelo,
22:05e Fernando Henrique
22:06tinha 31%,
22:07ou seja,
22:08Lula tinha um ponto
22:10acima de Fernando Henrique.
22:12Pois bem,
22:12resultado da eleição,
22:13Fernando Henrique 53%
22:16e Lula 32%,
22:17no primeiro turno.
22:19E,
22:20como nós todos sabemos,
22:21Fernando Henrique conquistou
22:22a reeleição.
22:23Marcela.
22:26Doutor,
22:26o quanto essa crise,
22:28na semana passada,
22:29a gente vivenciou,
22:30de novo,
22:31um choque entre poderes
22:32com aquela questão
22:33do indiciamento de ministros
22:34do STF pela CPI
22:35do crime organizado.
22:38Pareceu até um aperitivo
22:39do que pode vir a ser
22:40um embate entre Senado
22:41e STF,
22:42caso a direita consiga
22:44formar maioria lá no Senado
22:46para abrir processos
22:47de impeachment
22:47no próximo ano.
22:48Agora,
22:49o quanto o STF
22:51será um fator de voto,
22:54um peso aí
22:55a influenciar
22:56a candidatura
22:57de quem ataque o STF,
22:59vamos assim dizer,
23:00ou a quem recai
23:02essa missão
23:02de defender o STF,
23:04o quanto o STF
23:05pode estabilizar a eleição?
23:08Olha,
23:09já está,
23:09já está,
23:10já está,
23:11desde já,
23:13afetando a eleição
23:14e afetando
23:16em direção bem específica.
23:17Eu acredito,
23:18por exemplo,
23:19que o relatório
23:20do senador
23:21Alessandro Vieira,
23:23como todos os advogados
23:25fazem análises técnicas,
23:27o próprio ministro,
23:28etc.,
23:28o relatório foi inadequado,
23:31o indiciamento
23:32dos ministros
23:34absolutamente desprovido
23:37de base jurídica,
23:39e isso é a percepção
23:40que eu tenho,
23:40levando em conta
23:42a opinião dos advogados,
23:43etc.,
23:43mas,
23:44agora,
23:46colocando a oração
23:47adversativa,
23:48mas garantiu
23:50a reeleição
23:51do senador
23:53Alessandro Vieira,
23:54garantiu a reeleição dele.
23:55E,
23:56quando eu digo isso,
23:57se o Supremo
23:58insistir
23:59nessa toada
24:00de processar
24:02o ministro,
24:03do ministro
24:03sem investigar
24:04do ministro,
24:05não,
24:05do senador
24:06ser alvo do inquérito
24:11pela PGR,
24:12etc.,
24:12porque exagerou,
24:13porque agiu
24:15de forma
24:16desarrasoada,
24:17se insistir nisso,
24:18só fará
24:19aumentar a votação
24:21do senador
24:22Alessandro Vieira.
24:23Então,
24:24isso,
24:24como você
24:25muito bem
24:26caracterizou,
24:27foi um preview,
24:30um avant-premier
24:31do que nós podemos
24:32assistir
24:34no ano
24:35que vem.
24:35Ou seja,
24:36o STF
24:38e a retórica
24:40de impeachment
24:42de ministros
24:43ser um vetor
24:45absolutamente
24:46importante
24:47nas eleições
24:48desse ano,
24:49sobretudo
24:50no que concerne
24:51as eleições
24:52senatoriais.
24:53Muito bem,
24:55agradeço demais
24:55a sua participação,
24:57professor Antônio Olavareda,
24:58sociólogo,
24:59cientista político,
24:59muito obrigada
25:00e até uma próxima
25:02oportunidade,
25:02professor,
25:03até mais.
25:05Foi um prazer
25:06conversar com vocês.
25:08Obrigada.
25:09Gente,
25:09seguimos aqui,
25:10inclusive,
25:10falando sobre eleições,
25:12a gente vai agora
25:13entrevistar
25:13Carlos Portinho,
25:14que é líder do PL
25:15no Senado.
25:16Senador,
25:17seja muito bem-vindo,
25:17obrigada pela participação
25:18do senhor aqui com a gente.
25:21Muito obrigado a você
25:22e a toda a grande audiência
25:23da Veja.
25:25Senador,
25:26vou aproveitar,
25:26então,
25:27continuar nesse tema,
25:28falar sobre eleições,
25:29falar sobre a pré-candidatura,
25:29do senador Flávio Bolsonaro.
25:32O senhor também tem feito
25:33um papel importante
25:34aí de articulação,
25:35ouvindo os setores,
25:37as demandas dos setores,
25:38fazendo esse lobby
25:39no bom sentido.
25:40Como é que está
25:41esse trabalho?
25:43Esse é um trabalho
25:44importante,
25:45porque ele é a base
25:46do conteúdo,
25:48tanto para a campanha,
25:50quanto para o plano
25:50de governo.
25:52As pessoas,
25:53pelo que eu tenho
25:54conversado com alguns setores,
25:55elas querem uma mudança
25:56de governo,
25:57elas querem um governo
25:58que valorize aqueles
26:00que empreendem,
26:01que não atrapalha
26:03o empreendedor
26:03e que cria oportunidades
26:05para o desenvolvimento
26:06do país.
26:08Hoje,
26:09o país está capturado
26:10por um Estado
26:11monstruoso,
26:13um Estado
26:14que tem uma narrativa
26:16de vender
26:16um bem-estar social
26:17às custas
26:18de muito imposto.
26:19Imposto
26:20sobre quem empreende,
26:21sobre o empresário,
26:23sobre as indústrias
26:24e sobre o cidadão
26:25também,
26:26que está sentindo
26:27o peso disso
26:28nos preços.
26:30Quem vai ao supermercado
26:31está vendo,
26:32quem abastece
26:32seu carro
26:33nos postos de gasolina
26:35está vendo.
26:35Então,
26:36eu tenho servido
26:37como escuta
26:39e encaminhamento
26:40para a equipe
26:41do pré-candidato
26:43a presidente
26:44Flávio Bolsonaro,
26:45para que a gente
26:46possa receber
26:48esses anseios
26:49dos setores
26:50e poder
26:52traduzir isso
26:53em propostas.
26:55A gente,
26:56é possível agora
26:56comparar dois governos
26:58e é muito fácil
26:59essa comparação
27:00e os setores
27:02eles têm
27:02nos buscado
27:03porque eles
27:04não querem,
27:05estão cansados
27:06desse modelo
27:07de governo atual,
27:08desse modelo
27:08de Estado.
27:09A discussão
27:10vai além
27:10da questão
27:11ideológica,
27:13a discussão
27:14de Estado,
27:15que modelo
27:16é o Brasil?
27:22A gente perdeu
27:23o contato
27:24com o senador
27:25Carlos Portinho,
27:26que é o líder
27:26do PL no Senado,
27:28que tem feito
27:28também,
27:29você estava falando
27:29sobre esse trabalho,
27:31né,
27:31Bonin,
27:31que inclusive
27:32vocês trouxeram
27:33na coluna
27:33radar de Veja
27:34na semana passada.
27:36Agora sim,
27:37pode retomar,
27:38senador?
27:41Não,
27:41desculpa,
27:42o sinal do Senado
27:46não está muito
27:47bom da internet,
27:48perdão,
27:48mas o que eu estava
27:49dizendo é que
27:50as pessoas,
27:51elas já entenderam
27:52que há modelos
27:53diferentes de Estado,
27:54de um governo
27:54para o outro,
27:55né,
27:56e elas estão
27:57criando uma transformação
27:58e estão nos trazendo
27:59demandas para que a gente
28:01possa retomar o rumo
28:02do progresso,
28:03do desenvolvimento
28:03e do apoio
28:04àqueles que produzem,
28:06quem produz
28:06gera emprego,
28:08quanto mais emprego
28:09maior produção,
28:09maior riqueza
28:10para o país
28:11e a arrecadação
28:12é consequência disso,
28:13diferente desse governo
28:14que entende
28:16que o Estado grande
28:16precisa de maior
28:17arrecadação
28:18através de muitos
28:19impostos.
28:21Setores,
28:22essas demandas.
28:25Senador,
28:27ao que parece,
28:28está em curso,
28:28né,
28:29um estelionato eleitoral
28:31aí envolvendo
28:32o fim da jornada
28:336x1,
28:33que o governo
28:34lançou essa proposta
28:36na semana passada,
28:37mandou ao Congresso,
28:39e aí o ministro
28:40do Trabalho
28:40correu para dizer
28:41que tem condições
28:42de aprovar ainda
28:43esse ano,
28:44que em três meses
28:44aprova,
28:46a gente sabe
28:46que o setor produtivo
28:48quase que como um todo
28:49é contra essa proposta
28:50e a gente está
28:52num calendário eleitoral
28:53muito apertado,
28:54é óbvio que não vai
28:55dar para aprovar,
28:56mas mesmo assim
28:56o governo
28:57vende essa informação
28:58para a população
28:59como se fosse verdadeira.
29:01Como é que a
29:01campanha
29:02para a candidatura
29:03do Flávio Bolsonaro
29:05vai lidar com isso?
29:07É, essa é uma
29:09pauta do governo,
29:11ela traz um discurso
29:14que para aqueles
29:16que preferem trabalhar
29:17menos
29:19parece razoável,
29:21mas ele tem um impacto
29:22muito grande justamente
29:23na geração de emprego.
29:25A gente quer que as pessoas
29:27trabalhem
29:27e alcancem riqueza
29:30através do seu trabalho.
29:31Muitos podem acreditar
29:34que ela é menor
29:36e o patrão
29:39vai,
29:39ele vai,
29:42não é o que vai acontecer
29:44no restante,
29:48muito provavelmente
29:52não vai acontecer
29:53esse terceiro turno
29:54que esperam.
29:55E não é trabalhando menos
29:57no momento que o país
29:58precisa gerar riqueza
30:00que a gente vai
30:01aumentar a produção,
30:03que a gente vai
30:04aumentar o poder
30:06de compra,
30:07muito ao contrário,
30:08isso é uma enganação.
30:10O sonho
30:11de trabalhar
30:11e de não trabalhar
30:13e ficar rico
30:14ele pode permear
30:15aí a cabeça
30:16de muitos,
30:17mas o que
30:18engrandece
30:19o país,
30:20o que gera
30:21desenvolvimento,
30:22progresso,
30:23é trabalho
30:23com a consequente
30:24remuneração adequada
30:26e oportunidades
30:27de trabalho.
30:28Quanto menos
30:29oportunidades
30:30de trabalho,
30:31menor as famílias
30:33vão poder
30:35acumular
30:35seus patrimônios,
30:37seu patrimônio
30:37e progredir.
30:39A gente quer que as pessoas
30:40progridam pelo seu trabalho,
30:42é muito diferente,
30:43os modelos de Estado
30:44são muito diferentes.
30:45Sim,
30:46é difícil
30:47num momento,
30:48a gente está vendo
30:48as últimas semanas
30:49aqui no Senado,
30:51teve dificuldade
30:52para votar autoridades,
30:54por exemplo,
30:54que exige quórum,
30:56muitos já estão
30:56nas suas bases
30:57eleitorais
30:59fazendo política,
31:00porque é um ano
31:01eleitoral,
31:02a gente já entrou
31:03no calendário
31:03eleitoral.
31:04Temas muito complexos
31:06têm uma dificuldade
31:07maior de tramitar
31:08nas duas casas,
31:09isso é inegável.
31:10Em três meses
31:10a gente já praticamente
31:12está na beira
31:13do recesso,
31:14vai ser um esforço
31:15hercúleo
31:15e tem uma resistência
31:17muito grande
31:17do setor produtivo.
31:19Lembrando que o setor
31:20produtivo é quem
31:20emprega,
31:21você que tem
31:22o seu emprego
31:23parece à primeira vista
31:25um sonho,
31:25mais uma vez
31:26o governo
31:26vem de um sonho,
31:28o sonho de ficar rico
31:29e não trabalhar
31:30ou trabalhar menos,
31:31mas quem está
31:33na vida real
31:34sabe que precisa
31:36trabalhar e empreender,
31:37porque não é só trabalho
31:38hoje, emprego,
31:39é empreendedorismo,
31:41tanto que os aplicativos
31:44têm mostrado isso
31:45e o governo
31:45tem tido dificuldade
31:46em lidar exatamente
31:48com as novas formas
31:49de trabalho
31:49e mais uma vez
31:51num momento
31:51em que o país
31:52não tem crescimento,
31:53querer reduzir
31:55a jornada de trabalho
31:56pode parecer um sonho
31:57para muitos
31:59ganhar dinheiro
32:00sem trabalhar,
32:01mas na verdade
32:01isso vai causar
32:02mais desemprego,
32:03aumento do custo
32:04e certamente
32:05não haverá terceiro turno
32:07nas indústrias,
32:08elas vão reduzir
32:09a sua produtividade,
32:11até porque tem
32:11uma reforma tributária
32:12aí que começa
32:14a entrar em vigor
32:15e que ninguém
32:15entendeu ainda
32:16e que tem um risco
32:17muito grande
32:18para as empresas,
32:19elas estão mensurando
32:20isso,
32:21então não é o momento
32:23de discutir isso,
32:24se a gente tivesse
32:24em pleno emprego,
32:26se a gente tivesse,
32:27não tivesse tanta gente
32:28no Bolsa Família,
32:30olha o Bolsa Família
32:31aí de exemplo,
32:32é muito bom
32:33essa política assistencialista,
32:35é,
32:35mas só que
32:36as pessoas
32:37estão vivendo
32:37com muito pouco,
32:38elas poderiam estar
32:39produzindo e gerando
32:40bem-estar
32:40para a sua família
32:41muito maior
32:42se tivessem empregadas
32:44e elas estão
32:45correndo do emprego
32:46para viver
32:46com essa miséria
32:48aí de Bolsa Família
32:49e muitos que poderiam
32:51estar aí gerando
32:52outros empregos,
32:53gerando riqueza
32:54para si e para o país,
32:55né,
32:56estão sendo desperdiçados,
32:58a gente não pode perder
32:59mais uma oportunidade,
33:00não é o momento
33:00para isso,
33:01nem o momento
33:03por ser um momento
33:03eleitoral
33:04e nem o momento
33:05pela questão
33:07econômica
33:08do Brasil.
33:11Senador,
33:12ah, não,
33:12que a gente,
33:13acho que agora
33:14está normal,
33:15está estabilizado.
33:16Senador,
33:16bom,
33:16queria falar um pouquinho
33:17sobre esse embate
33:18recente entre Congresso
33:20e STF
33:21depois da CPI
33:23do crime organizado
33:24ter,
33:25foi rejeitado
33:26o relatório,
33:26mas o parecer
33:27pediu ali
33:28o indiciamento
33:28de três ministros
33:29do Supremo
33:30e também
33:30do Procurador-Geral
33:31da República.
33:32Queria saber,
33:33e teve uma resposta,
33:34uma resposta dura,
33:35inclusive o ministro
33:35Gilmar Mendes
33:36pediu ali
33:38uma investigação
33:39contra,
33:39né,
33:39por abuso de poder
33:40contra o senador
33:41Alessandro Vieira
33:42que é o relator,
33:43que era o relator,
33:44né,
33:44da CPI
33:45do crime organizado.
33:46Queria saber qual
33:47que é a avaliação
33:48de vocês,
33:49né,
33:49a oposição sempre
33:50bem,
33:50tendo uma posição
33:51muito crítica
33:52em relação
33:52à postura
33:54de alguns ministros
33:55do STF,
33:55se vocês preparam
33:56algum tipo
33:57de ofensiva
33:57do ponto de vista
33:59legislativo.
34:01Olha,
34:01a gente
34:12O sinal está muito ruim,
34:14deu uma boa
34:14cilada ali,
34:16uma pena,
34:17mas enfim,
34:17Boninho,
34:18pelo que,
34:18né,
34:19ele falou,
34:19vamos falar da escala
34:206x1,
34:21que foi a sua pergunta,
34:22e eu acho que é um assunto
34:23importante,
34:24inclusive que está sendo
34:26alvo ali
34:26de disputa,
34:29né,
34:29nos bastidores da Câmara
34:30dos Deputados,
34:31por conta que todo mundo
34:32quer protagonizar
34:33uma pauta positiva
34:35do ponto de vista
34:36eleitoral
34:36nesse ano,
34:37né?
34:42Exatamente,
34:43Marcela,
34:43o político
34:44em ano eleitoral,
34:45o que ele mais
34:46procura,
34:46né,
34:47o ideal para ele
34:48é conseguir vender
34:48um sonho
34:50ao eleitorado
34:51que faça
34:52com que ele tenha
34:53votos,
34:54e que essa população
34:55acredite que a vida
34:56vai melhorar
34:57pelas mãos,
34:58né,
34:58da classe política,
35:00pelo que pode ser
35:01votado na Câmara
35:02ou no Senado.
35:04Agora,
35:04como a gente
35:05já vinha avaliando,
35:06esse movimento
35:08que o presidente Lula
35:09faz ao liberar
35:10essa proposta
35:11da escala
35:126x1,
35:13ignorando o próprio
35:14alerta do vice dele,
35:15o Geraldo Alckmin,
35:16que até ontem
35:17era ministro
35:18do desenvolvimento,
35:19alguém que falava
35:20muito com o setor
35:21produtivo nacional
35:22e sabia, né,
35:23sabe,
35:23alertou o governo
35:24de que esse projeto
35:25não é simples,
35:26não é executável
35:28nos moldes
35:28que está sendo proposto,
35:30mas o presidente Lula
35:31ignorou tudo isso
35:32nesse movimento
35:32desesperado
35:33para tentar conter
35:34a rejeição dele
35:35e tentar arrumar
35:37alguma musculatura
35:38eleitoral
35:38para enfrentar
35:39o Flávio Bolsonaro
35:40e os outros candidatos
35:41nessa disputa.
35:42Então,
35:43enviou o projeto,
35:44o projeto,
35:46ele,
35:47por ser complexo,
35:48por mexer com toda
35:49uma cultura
35:49e uma estrutura
35:50de trabalho
35:51que existe no país,
35:52há décadas,
35:53histórica,
35:54ele tem que ser
35:55muito discutido,
35:57o Congresso
35:58vai ter que ouvir
35:58todos os setores
35:59envolvidos da sociedade,
36:01setor de serviços
36:02que é o principal
36:03impactado por isso,
36:05está em desespero,
36:06vai buscar caminhos
36:07para se organizar,
36:08para falar
36:09durante essa discussão
36:11no Congresso
36:11e não há caminho,
36:14um ano eleitoral
36:15a gente já está
36:15caminhando para o fim
36:16de abril,
36:17a gente vai ter maio,
36:19junho,
36:19com convenções,
36:20então o parlamento
36:21tende a daqui
36:22para frente
36:22ficar cada vez
36:24mais esvaziado.
36:25A gente já acompanhou
36:26aqui outros períodos
36:27eleitorais,
36:28Brasília fica deserta,
36:30não há
36:31uma janela
36:33e o presidente Lula,
36:35os ministros dele,
36:36o PT,
36:36todo mundo que está
36:37vendendo esse sonho
36:38nas redes sociais
36:39para o eleitorado,
36:41eles sabem muito bem
36:42disso,
36:42que isso é um puro
36:43estelionato eleitoral,
36:44além de ser um tema
36:46complexo que não vai
36:48passar,
36:49mesmo que no modo
36:50trator não passaria
36:52no Congresso,
36:54ele é um tema
36:55que precisa
36:57de um debate
36:58com a economia,
37:00com o setor produtivo
37:00tão grande,
37:01porque se mesmo
37:02que o Congresso
37:03queira levar adiante
37:04esse projeto,
37:05o que não tem tempo,
37:06mas que por um milagre
37:07todos os políticos
37:08abandonassem
37:09suas campanhas
37:09nos estados
37:10e viessem para Brasília
37:12para votar
37:13esse projeto,
37:13se fosse aprovado
37:15de qualquer forma
37:16ou da forma
37:17como o governo
37:17está querendo,
37:19fatalmente esse tema
37:20seria judicializado,
37:21ia parar no Supremo,
37:22por quê?
37:23Porque o setor produtivo
37:24não pode pagar a conta
37:25de um populismo
37:26de um governo
37:26que está desesperadamente
37:27precisando de uma marca
37:28eleitoral,
37:29e não tem,
37:30o presidente Lula
37:31está distribuindo dinheiro,
37:33está sacrificando
37:34os cofres públicos
37:35com uma infinidade
37:37de benefícios
37:38que ele vem lançando
37:39dia após dia
37:39e não está dando
37:40resultado nas pesquisas,
37:42então vender esse sonho,
37:44você vai trabalhar menos,
37:46vai continuar ganhando
37:47o mesmo,
37:47vai trabalhar menos,
37:49vai ter mais tempo
37:50para ficar com a família,
37:51vai ter mais tempo
37:51para viver
37:52uma vida mais prazerosa,
37:54todo mundo quer isso,
37:56legal que os políticos
37:57pensem nisso,
37:59mas isso é um sonho
38:00impossível no momento,
38:01o presidente Lula
38:02sabe disso
38:03e está apostando
38:05num discurso
38:05que é perigoso,
38:06ele que faz discurso
38:07de democracia,
38:08porque ele joga
38:10essa proposta
38:11para a população,
38:12diz que ela é possível,
38:14sabendo que não é,
38:16para depois na sequência
38:17culpar o legislativo,
38:18o congresso,
38:18a classe política,
38:19dizendo, olha,
38:20eu queria aprovar,
38:21mas eles não aprovaram,
38:22a culpa é da elite,
38:24a culpa é do mercado,
38:25a culpa...
38:25Então é muito perigoso
38:27esse discurso populista,
38:28porque ele engana as pessoas
38:29e a gente precisa ver,
38:31Marcelo,
38:31até onde que vai
38:32essa aventura aí
38:34proposta na semana passada
38:35pelo governo Lula.
38:37Pois é,
38:37bom,
38:38a gente estava tentando
38:39retomar o contato
38:39com o senador Carlos Portinho,
38:40que a gente não conseguiu,
38:41mas eu acho que é importante
38:42a gente retomar o assunto
38:44da semana passada,
38:45que é esse embate,
38:46né,
38:46entre o Supremo Tribunal Federal
38:48e o Congresso,
38:49depois da CPI do crime organizado,
38:51ter votado,
38:53mas foi rejeitado,
38:54o parecer do senador
38:55Alessandro Vieira,
38:55que pediu o iniciamento
38:56de três ministros,
38:57Gilmar Mendes,
38:58Dias Toffoli e também
39:00Alexandre de Moraes,
39:01além do procurador-geral
39:02da República,
39:03Paulo Gonê,
39:04pela questão aí envolvendo
39:06o Banco Master.
39:07Queria saber,
39:08Bonin,
39:08de você,
39:09como é que você viu
39:10esse embate público
39:11entre os poderes
39:12e, claro,
39:13a ofensiva que eu até
39:14cheguei a perguntar
39:15para o senador,
39:16que ele não vai conseguir
39:18responder porque não vai
39:19conseguir restabelecer
39:19o contato,
39:21em relação agora,
39:22o que eles também,
39:23a oposição,
39:24sempre já teve
39:25essa história
39:26de vamos tentar
39:27limitar o poder
39:28ali do judiciário,
39:29mas agora também
39:30em relação
39:31à participação
39:32de convidados
39:33na CPI,
39:34nas CPIs,
39:35como mudar
39:36essa legislação
39:36para que não haja
39:38essa chuva de abescópios
39:39e os convidados,
39:41enfim,
39:41os convocados
39:42tenham que participar
39:43das comissões.
39:45Como é que você
39:45está vendo isso aí?
39:46Essa é uma discussão
39:47meio sem futuro,
39:48Marcela.
39:49Na revista
39:50que está nas bancas,
39:50a gente revela
39:52declarações aí
39:53exclusivas para a gente
39:54do ministro Gilmar Mendes,
39:55em que ele,
39:57primeiro,
39:58acusa o Alessandro Veira,
40:00que é o relator
40:00da CPI do Crime Organizado,
40:02que propôs
40:02esses indiciamentos,
40:04de ter atuado
40:05dessa forma
40:06com interesse,
40:07ou porque seria
40:08financiado
40:09por facções criminosas,
40:11ou porque
40:13tem interesse
40:14de proteger
40:15os milicianos
40:16que,
40:17porventura,
40:18fossem amigos dele
40:19ali na Polícia Civil,
40:20ele é um delegado
40:20de Polícia Civil
40:21lá do Sergipe.
40:22Então,
40:22o ministro Gilmar Mendes
40:24faz duras críticas
40:25e mostra que
40:26está disposto
40:27a levar até o fim
40:28esse embate
40:30cavado pelo
40:31senador Alessandro Vieira
40:33a partir daquele
40:35pedido de investigação
40:36na PGR.
40:37Na semana passada,
40:38o ministro Gilmar Mendes
40:39pediu que o
40:40Paulo Gonê
40:40abrisse uma investigação
40:42para o abuso de autoridade
40:43contra o Vieira.
40:44E o ministro Gilmar Mendes
40:46já também sinaliza,
40:47a gente publica isso,
40:48que o julgamento
40:51do STF
40:52que vai analisar
40:53a possível limitação
40:55de poderes
40:56das CPIs
40:57será o julgamento
40:58que vai analisar
40:59a quebra de sigilo
41:01do Lulinha
41:02pela CPMI
41:03do INSS.
41:06Essa quebra de sigilo
41:08foi suspensa
41:09pelo Flávio Dino
41:10lá atrás
41:11e o ministro Gilmar Mendes
41:13na hora de votar
41:14avocou a questão
41:15para o plenário,
41:16ou seja, mandou a discussão
41:18para que ela recomece
41:19com a votação
41:20no plenário físico
41:21do Supremo
41:21por todos os ministros.
41:23E o que ele pretende fazer
41:24é elaborar um voto
41:27que reduza
41:28os poderes
41:29das CPIs
41:29tanto para quebra
41:31de sigilo
41:31quanto para convocações
41:33e indiciamentos,
41:34inclusive.
41:35A leitura dele
41:37é de que
41:38CPI não tem que ter
41:39poder de indiciar,
41:41poder de polícia
41:41para fazer esse tipo
41:42de coisa.
41:43Então, é um sinal
41:44de que a crise
41:45ela vai se alongar
41:47e tudo por causa
41:49de um movimento
41:51desastroso
41:52do senador
41:53Alessandro Vieira
41:54que apresentou
41:55um relatório,
41:56muitos colegas dele
41:58viram um erro
41:59nesse caminho,
42:00porque ele quis atirar
42:01no Supremo,
42:03explorar essa
42:04impopularidade do Supremo,
42:06mas acabou acertando
42:07o próprio pé,
42:08porque o pedido
42:08de uma proposta
42:10de indiciamento
42:11contra três ministros
42:12do Supremo
42:12e o chefe
42:12da Procuradoria,
42:14ela obrigatoriamente
42:14deveria ter elementos.
42:17E ainda assim,
42:19uma CPI
42:19seguir esse caminho
42:21é um caminho
42:22ilógico,
42:23porque quando
42:24uma CPI
42:25propõe indiciar
42:26alguém,
42:27ela necessariamente
42:28tem que enviar
42:29essa proposta
42:30de indiciamento
42:31para a Justiça
42:32e para o Ministério Público.
42:34Nesse caso específico,
42:35a proposta
42:36de indiciamento
42:37de ministro Supremo
42:38iria para o Paulo Gonê
42:39e para o Alexandre de Moraes,
42:40que é o ministro
42:41que investiga
42:41essa questão na área.
42:42E o próprio ministro
42:43Alexandre de Moraes
42:44iria analisar
42:45uma proposta
42:45de indiciamento
42:46dele,
42:47do colega dele,
42:48dos outros dois
42:49colegas dele,
42:50e o Paulo Gonê.
42:52O Paulo Gonê
42:52tem foro privilegiado
42:54no Supremo.
42:55O Supremo
42:56iria analisar
42:57o indiciamento
42:57do Paulo Gonê,
42:59o Paulo Gonê
42:59iria decidir
43:00se abre
43:01investigação
43:01ou não
43:02a partir do que
43:03a CPI
43:03apresentou
43:04contra ele próprio,
43:05contra os
43:06ministros do STF.
43:08Então,
43:09é uma coisa
43:09ilógica,
43:10não para de pé.
43:11O que o senador
43:12quis fazer
43:13foi explorar
43:14esse desgaste
43:15que o Supremo
43:15tem no momento
43:16no escândalo
43:17do Banco Master,
43:18mas fez de uma forma
43:19tão juvenil
43:20que acabou sendo
43:21engolido,
43:21dando para o Supremo
43:23esse discurso,
43:24primeiro,
43:24de vitimização
43:25e, segundo,
43:26de quem está
43:26do lado certo,
43:27porque,
43:28nesse ponto,
43:29é uma irresponsabilidade
43:30um parlamentar
43:32provocar um caos
43:33desse tamanho
43:34entre as instituições
43:35com algo que não tem
43:36perna e cabeça,
43:36né, Marcelo?
43:37Pois é,
43:37e o objetivo central
43:39que era ali
43:39a investigação
43:40do crime organizado,
43:42pouco se falou
43:43no relatório final
43:44sobre essa questão,
43:45poucas medidas
43:46foram propostas
43:47em relação a isso,
43:48né, Bonin?
43:48Obrigada,
43:49bom feriado
43:50e a gente volta
43:50a se falar em breve.
43:52Valeu,
43:52até mais.
43:54Gente,
43:55obrigada a você
43:55que nos acompanhou
43:56pela participação,
43:57pela audiência,
43:58pelas mensagens,
43:59voltamos amanhã,
44:00quarta-feira,
44:01às 11 horas da manhã,
44:03sempre com muita informação,
44:04análise e entrevista.
44:05Tchau, tchau.
44:05Até mais.
44:05Tchau.
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