00:00O governo anunciou uma redução de mais de 5% da gasolina na distribuição, tá gente?
00:05Não é essa gasolina, tipo, na gasolina A, que é a gasolina antes de ir para o posto,
00:12que é chamada gasolina C, é essa que chega ali na bomba.
00:16Vamos ver como é que a Petrobras faz o cálculo de tudo que insere no preço da gasolina.
00:21E vocês vão entender que esse resultado de 5% não vai chegar inteiro pra gente não, tá?
00:26Olha só, segundo a Petrobras, num levantamento nacional, a média nacional do litro da gasolina
00:33estava R$ 6,33 agora em janeiro, tá?
00:3717,7% desse valor é da distribuição e da revenda, 1,12 centavos.
00:45O etanol que é acrescentado à gasolina significa, nesse bolo, 16,7% do preço, ou R$ 1,06.
00:56O ICMS, que é um imposto estadual, é cobrado pelos estados, pelos governadores,
01:03é que determinam as assembleias.
01:06O ICMS leva 24,8% dessa fatia do preço da gasolina, portanto, R$ 1,57.
01:15Vocês estão percebendo aí o cálculo?
01:17É o segundo valor mais alto do cálculo todo desse bolo da gasolina.
01:22Impostos federais representam R$ 0,68, ou 10,7%.
01:27Impostos federais, cobrado pelo governo federal.
01:30E a Petrobras, desse bolo todo de R$ 6,33, fica com R$ 1,90, ou 30%
01:38do valor que é cobrado da gasolina.
01:40Quero conversar agora com os nossos entrevistados.
01:42Eu quero chamar o professor Ricardo Rocha, que é do INSPER, e está aqui para conversar conosco.
01:49Bom dia, que estava de férias, curtindo bastante as férias, e agora veio conversar conosco.
01:56Já falando sobre Copom, sobre gasolina.
01:59Bom dia, professor, seja bem-vindo.
02:02Bom dia, então.
02:03Queria que o senhor ajudasse a responder.
02:05Pode continuar.
02:06Tá bom.
02:09Preciso voltar a treinar, é isso.
02:11Não, imagina, eu que estou acelerada, porque hoje tem tanto assunto.
02:15Então, eu já estou até sorrindo aqui para pegar o começo da sua apresentação, né?
02:20Porque revela, então eu quero revelar que eu estou bem aqui, estou tranquilo.
02:25Estou feliz de voltar aqui a poder conversar com todo mundo que acompanha você no Brasil e no mundo.
02:32Professor, então, deixa eu te fazer...
02:34Deixa eu fazer a pergunta, porque eu quero juntar os dois assuntos, né?
02:39A redução do preço da gasolina em 5%, mais de 5%, e essa inflação, IPCA 15, que veio hoje, a
02:470,20%, são boas notícias para a economia?
02:52O que dessa redução da gasolina chega ao nosso bolso e se vai impactar a inflação?
02:58Bom, são boas notícias, sempre boas notícias.
03:02Quando a gente olha o IPCA 15, a gente percebe que a dinâmica da política monetária está fazendo efeito,
03:09então o Banco Central está cumprindo o seu papel, e gasolina para baixo sempre é bom.
03:15O problema é se chega no consumidor, né?
03:18Porque você tem um mercado aí...
03:20As bandeiras principais, elas são concentradas, né?
03:24São duas ou três, nós já tivemos...
03:26Quando eu era criança, tinha um monte de bandeira de pouso de gasolina, depois foi concentrando, né?
03:32E você tem as bandeiras independentes, que muita gente, às vezes, tem uma certa preocupação, qual que é a origem
03:37da gasolina e tal.
03:39Eu acho que o grande drama da gasolina é chegar no consumidor.
03:42Talvez o consumidor possa fazer o seu papel, que é olhar onde ele abastece com frequência, e aí é uma
03:50questão de segurança também.
03:51Muita gente, às vezes, opta a pagar um pouquinho mais para ter duas coisas.
03:56Primeiro, confiança que aquele combustível é de qualidade.
04:00Segundo, saber onde reclamar se acontecer alguma coisa, né?
04:04Mas são notícias boas.
04:05Eu acho que, para o início de ano, são boas notícias.
04:09Laura Pacheco, economista aqui conosco também, bem-vinda.
04:13Bom dia, Laura.
04:15Você viu aí que eu já trouxe a redução da gasolina e também o IPCA 15, que foi divulgado hoje
04:21pelo IBGE.
04:21Quais as chances dessa redução chegar ao nosso bolso e, se chegar, quanto deve chegar?
04:29Esse total de 5% ou não?
04:32Bom, não chega ao total de 5%, se a gente for pensar no combustível em si, deve chegar ali 1%,
04:382%, e olha lá.
04:39Mas tem um ponto bastante importante a ser considerado.
04:42O Brasil, na parte logística, depende majoritariamente das estradas.
04:48Então, tudo aquilo que chega nas prateleiras, na mesa do consumidor, ele veio dentro de um caminhão.
04:54E esse caminhão veio movido a combustíveis.
04:57Então, quando se fala de preços da energia, preços de combustíveis, a gente fala também de um impacto de preços
05:04em toda a cadeia,
05:06que pode ter ali um impacto não apenas no combustível em si, mas também naquele produto que precisou ali de
05:13combustível,
05:14no cálculo do preço, até do produtor, até a mesa das famílias brasileiras.
05:21E eu quero perguntar, qual a expectativa de vocês para a inflação, o IPCA mesmo, porque o IPCA 15, ele
05:29dá, mostra ali, ele dá,
05:33é uma sinalização de como pode vir.
05:36Com esse IPCA 15 vindo a 0,20%, o que vocês esperam para o índice oficial, o IPCA amplo?
05:43Professor?
05:45Eu acho que deve vir com alguma redução e talvez isso abra alguma discussão para a decisão do Banco Central
05:55em cortar juros.
05:56Eu não acredito agora em janeiro, mas para março é bem provável que ele inicie uma sinalização se a inflação
06:03de fato se acomodar
06:05e ele conseguir olhar que está tudo caminhando para o centro da meta.
06:09Não vai ser tão simples, mas é possível esse ano que ela caminhe para o centro da meta, então acho
06:15que isso é positivo.
06:16Bom, daqui a pouquinho a gente vai falar um pouco mais sobre a decisão do Banco Central,
06:20mas eu já quero dar uma explorada com você, Laura, aproveitando o que a gente falou do IPCA 15,
06:25você acha que o Banco Central vai levar esses números em consideração na reunião que começa hoje
06:32ou ele olha mais para trás?
06:37Bom, ele vai levar em consideração, porém, decisão de taxas de juros não é olhando só para número,
06:43olhando também para contexto econômico, tanto dentro do Brasil como também fora.
06:48Foi anunciado ali uma projeção de redução da inflação, o que favorece que venham a acontecer os cortes
06:55nas taxas de juros para as próximas reuniões.
06:58Não existe otimismo de redução de taxas de juros, nem aqui no Brasil e nem lá nos Estados Unidos.
07:03A gente ainda vive um cenário de tensões aí na questão geopolítica, mas, por outro lado,
07:09tivemos aí essa questão da possibilidade de haver uma redução do preço de combustíveis,
07:13houve redução de preço de dólar, isso também pode impactar na dinâmica de preços.
07:18Mas eu vejo também que a gente traz aí um ano com muitos aspectos que a gente não consegue ainda
07:23colocar em números,
07:24que são essas tensões que acontecem no ambiente externo, essa posição do Donald Trump de ter uma mão bastante pesada
07:33em suas políticas públicas e seu posicionamento em relação ao resto do mundo,
07:36porque ele busca essa manutenção dos Estados Unidos sendo a potência econômica do mundo.
07:43Então, a figura do Donald Trump, ela veio muito com esse papel de, olha, eu vou mostrar que quem manda
07:48aqui sou eu,
07:49porque ele viu que ele perdeu espaço, né? A gente teve ali um plano de desenvolvimento econômico da China
07:54nos últimos 40, 50 anos, que fez a China saltar para a segunda maior potência econômica do mundo
08:01e a gente teve ali os acordos de blocos econômicos que se fortaleceram bastante ao longo desses anos.
08:07Então, os Estados Unidos começou a sentir ali um pouco de medo que ele não tinha,
08:11já desde o pós-segunda guerra e do pós-guerra fria, em que ele havia conquistado esse posto de
08:17o dólar ser a moeda poderosa do mundo, os Estados Unidos serem os poderosos do mundo.
08:23E aí agora, com esse monte de eventos no exterior, no mercado externo que a gente tem visto,
08:29por mais que façamos projeções agora em janeiro, de redução de expectativas de inflação para o final do ano,
08:35reduções de taxas de juros, eu vejo que muitos eventos podem acontecer e evitar um possível poste nas taxas de
08:45juros
08:45e isso que a gente nem tocou ainda no assunto do episódio Banco Master, que trouxe sim também
08:51uma certa importância em considerar o risco do Brasil aos olhos do mundo, no que diz respeito ali ao rating,
08:59a nota que o Brasil tem aos olhos do mundo e que também pode trazer ali algum tipo de impacto
09:04para que o Brasil possa ter juros mais baixos.
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