Pular para o playerIr para o conteúdo principal
Vinte anos após os ataques que colocaram São Paulo em estado de guerra, o Primeiro Comando da Capital mudou sua forma de atuação. Em maio de 2006, atentados contra delegacias, rebeliões em presídios e ataques a prédios públicos deixaram dezenas de mortos e marcaram o confronto direto da facção com o Estado. Duas décadas depois, investigações apontam que o PCC passou a priorizar infiltração e cooptação dentro das estruturas públicas, com integrantes ligados a licitações, lobby político, eleições e até atuação de policiais contratados para proteção e prática de crimes. Casos recentes também envolveram a presença de membros da facção em ambientes ligados à Polícia Civil e investigações sobre policiais militares associados a supostos integrantes do grupo criminoso.

Assista ao Jornal da Manhã na íntegra: https://youtube.com/live/CFXEzvMOorI

Baixe o app Panflix: https://www.panflix.com.br/

Inscreva-se no nosso canal:
https://www.youtube.com/c/jovempannews

Siga o canal "Jovem Pan News" no WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VaAxUvrGJP8Fz9QZH93S

Entre no nosso site:
http://jovempan.com.br/

Facebook:
https://www.facebook.com/jovempannews

Siga no Twitter:
https://twitter.com/JovemPanNews

Instagram:
https://www.instagram.com/jovempannews/

TikTok:
https://www.tiktok.com/@jovempannews

Kwai:
https://www.kwai.com/@jovempannews

#JovemPan
#JornalDaManhã

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Bom, duas décadas após uma série de ataques que parou São Paulo e assustou o país, o PCC evoluiu, ganhou
00:07força dentro e fora do país e até na política.
00:11Entenda todos os detalhes na reportagem de Misael Mainete.
00:14Maio de 2006, São Paulo parou. O motivo? Uma série de ataques de um grupo criminoso que já dominava as
00:22cadeias, o PCC.
00:24Bases da polícia, bombeiros, agentes penitenciários, policiais de folga são atacados.
00:30É véspera do Dia das Mães e a facção criminosa protesta contra a transferência de membros para uma penitenciária de
00:37segurança máxima.
00:38Desespero. Empresas liberam os funcionários mais cedo, rodovias ficam congestionadas, o transporte público para.
00:46Boatos de ataques a lojas, escolas e shoppings se multiplicam e os rumores saem daqui da cidade de São Paulo
00:54e tomam todo o estado.
00:56O PCC mostra as caras.
00:59O PCC no estado de São Paulo se tornou hegemônico, né, no decorrer dessas décadas.
01:05Nós não temos no estado de São Paulo nenhuma outra facção que faça frente a essa organização criminosa.
01:12Duas décadas de luta contra o PCC, anos sendo ameaçado de morte.
01:17Este é Lincoln Gaquia, promotor de justiça do Ministério Público de São Paulo, integrante do grupo de atuação especial de
01:25combate ao crime organizado, o GAECO.
01:28Para ele, o estado subestimou, o que começou apenas como uma pequena facção criminosa em mil novecentos e noventa e
01:35três.
01:35Nós temos três décadas de atraso em relação à facção.
01:39O estado de São Paulo, evidentemente, eu não posso deixar de dizer isso e omitiu, né, tanto no reconhecimento do
01:47fenômeno, da existência da facção, quanto no seu crescimento.
01:52Em vinte anos, a facção expandiu, atuando em todo o país e no exterior, numa ação comparada às máfias italianas.
01:59O PCC de dois mil e vinte e seis, vinte anos depois dos ataques, não é mais o mesmo de
02:05dois mil e seis.
02:06Em dois mil e seis, eles faturavam dez milhões de reais por ano, basicamente com tráfico interno de drogas e
02:14mais algum tipo de rifa, de ajuda.
02:16E hoje eles faturam, vinte anos depois, dois bilhões de dólares por ano.
02:21Eu desconheço qualquer empresa, qualquer outra organização criminosa que tenha experimentado um crescimento exponencial tão grande como esse.
02:33Transformação. Essa é a palavra usada por André Santos Pereira, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de
02:41São Paulo,
02:41para descrever o PCC nestes últimos vinte anos, marcados por guerras entre facções, domínios de territórios e até união entre
02:50as organizações criminosas.
02:51Dentro dessa perspectiva, eles enveledaram, ingressaram em empresas lícitas e até mesmo em órgãos públicos, dentro da política formal.
03:04Portanto, eles não abandonaram a velha forma de atuar violenta e que subjulga a população, o cidadão de bem.
03:14Mas eles apenas acrescentaram mais uma camada, que é essa camada da exploração econômica de atividades, inclusive lícitas.
03:23Um passo atrás ou um passo à frente? Onde se encaixa o Estado quando o assunto é enfrentamento ao PCC?
03:31Não basta apenas recurso, não basta apenas dinheiro. É necessária tecnologia, inteligência, estratégia.
03:38Elementos que o PCC também desenvolve com o passar dos anos.
03:43A polícia hoje conhece esta estrutura, conhece também os integrantes dessa estrutura e é um desafio diário realizar esse enfrentamento.
03:55E eu elencaria aqui as principais barreiras para um desempenho mais efetivo da polícia.
04:02Primeiro, a legislação que dá uma proteção muito grande para os investigados, para quem desenvolve uma atividade criminosa no Brasil.
04:13Ivana Davi, desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, diz que o PCC tem um monopólio,
04:19mas não vislumbra que um novo ataque, como o de maio de 2006, aconteça de novo.
04:25Mas lembra que o cenário de ações violentas, que aterrorizam a população, continua em outros estados.
04:31Tem estado, por exemplo, tem dez facções. Na verdade, eles já brigam entre eles.
04:36O Rio de Janeiro tem três grandes facções e a gente está assistindo o fenômeno de uma situação onde sempre
04:44se desenhou o PCC e o Comando Vermelho
04:46como maiores atores no país. E, de fato, eles dominam ali pelo menos 24, 25 estados.
04:53Mas agora a gente vê o terceiro comando puro, que é uma dissidência do Comando Vermelho, que é aliado ao
05:01PCC,
05:02mas que já demonstra presença em mais de cinco estados da federação.
05:08Então você vê que a situação vai se modificando.
05:12Para Ivana, o desafio agora é combater um grupo que enfrenta o estado.
05:16Eu acho que nós melhoramos, nós evoluímos.
05:20Aí a pergunta poderia dizer assim, mas, Deza, a facção está bem maior que antes.
05:26E está.
05:27Essa evolução, tanto de investigação, de ferramentas tecnológicas e tudo que a gente passou,
05:33legislativa, ainda não é suficiente para, eu não diria nem acabar, uma organização criminosa,
05:42porque não seríamos tolos, tem máfias de 500 anos, a drangueta tem 150 anos.
05:47Mas, pelo menos, ter maior controle desse segmento, digamos assim, criminoso que o Brasil tem enfrentado.
05:57Sancionada pelo presidente Lula, a chamada lei antifacção prevê, entre outros pontos,
06:02o aumento de penas para integrantes e líderes de quadrilhas e restrição à progressão de regime.
06:08Com a PEC da Segurança parada no Congresso, a lei é a maior aposta para tentar reverter o poderio do
06:14crime organizado no Brasil.
Comentários

Recomendado