00:00Maio de 2026 marca 20 anos dos ataques coordenados pelo PCC aqui em São Paulo.
00:06De lá pra cá, o que mudou de fato?
00:08Quais são as medidas de segurança para frear as facções criminosas?
00:12Bom, muita coisa aconteceu.
00:14A gente vê o avanço do crime organizado cada vez mais nas diferentes frentes, né?
00:19Até mesmo com a utilização do transporte público, licitações em prefeituras,
00:24também o uso de fintechs para lavagem de dinheiro.
00:27E o crime se estruturando cada vez mais.
00:30Só que naquela época, os policiais penais, os agentes penitenciários, sofreram bastante
00:36porque foi por conta de uma questão envolvendo a transferência de cerca de 700 detentos
00:40para a penitenciária de presidente Wenceslau, que resultou em todos aqueles ataques.
00:46Entre esses presos estava o Marco Williams Herbas Camacho, o Marcola, líder número um do primeiro comando da capital.
00:53E ele emitiu um salve geral para que esses ataques, então, fossem promovidos contra as forças de segurança.
01:00Por isso, agora, a gente conversa ao vivo com o presidente do Sindicato dos Policiais Penais, o Fábio Jabá,
01:05que viveu aquela época toda essa tensão e vai poder fazer também um resgate histórico sobre aquele contexto, né, Jabá?
01:12Porque, de fato, os policiais penais, eles tiveram as casas atingidas.
01:17Ontem eu conversei com alguns deles porque estou preparando uma série de reportagens também para a minha coluna no site
01:21da Jovem Pan.
01:22E eles têm medo até hoje porque tiveram a casa atingida, as famílias tiveram que ir para a casa da
01:29sogra, né,
01:30às vezes tinha esposa e aquele receio todo e aquela comoção toda.
01:34Qual a principal questão marcante, assim, para você daquela época em 2006,
01:41que era a antivéspera do Dia das Mães, quando começaram esses ataques aqui em São Paulo?
01:45Bom dia.
01:46Bom dia, Tarso. Bom dia, ouvintes e tributadores aí da Jovem Pan.
01:53Bom, Tarso, o que mais começa, o que mais nos assusta hoje e nos assustava naquela época
02:00é justamente uma coisa muito simples que, fazendo uma conta básica,
02:07em 2006 nós tínhamos 144 mil presos, nós tínhamos aproximadamente 140 unidades prisionais
02:14e nós tínhamos em torno de 28 mil, né, naquela época agentes penitenciários, né,
02:20a EVPs, agentes de meditação de quadro penitenciária,
02:22e hoje nós temos 228 mil presos, nós temos 180 unidades prisionais
02:28e nós temos apenas 23 mil policiais penais.
02:32e isso assusta, porque naquela época eu trabalhava na P1 de Lavínia e nós estávamos no plantão em 35,
02:42para cuidar de 1.200, 1.100 presos, também já estava, já estava, sempre teve uma superdotação em São Paulo.
02:49Hoje, a minha comunidade, que eu não trabalho mais na P1 de Lavínia,
02:52mas a P1 de Lavínia hoje com 1.200, 1.300 presos,
02:57agora nesse momento no plantão, né, às 6 horas rende o plantão,
03:02vai estar em torno de 10 policiais penais.
03:04Então, só por esse número já assusta, porque sempre foi menor, né,
03:09a gente sabe que sempre foi menor o número de policiais penais,
03:11mas, numa emergência, como que você faz?
03:15Então, na verdade, a gente percebe que o crime, ele vai evoluindo hoje,
03:21está ali nas, está na Faria Lima, está no meio da política,
03:25e a polícia é só nesse simples fato que a sua numeração está abaixo.
03:29Então, existe um déficit na polícia penal, na polícia civil, na polícia militar.
03:33Então, tem que nós combatemos o crime dessa forma.
03:36Mas, também, eu fiquei marcado, eu, né, como eu disse aqui,
03:39eu morava em Mirandópolis na época, eu trabalhava na P1 de Lavínia,
03:42nós tínhamos que sair, nós íamos viajar de ônibus,
03:44a estrada de Lavínia, na época, era de terra,
03:46e nós fomos escoltados várias épocas.
03:50E uma coisa que não mudou até hoje de lá,
03:52os policiais penais ainda não têm armas cauteladas.
03:56Nós podemos portar a arma, mas temos que comprar do nosso próprio bolso.
04:00Então, num momento desse de ataque, você não tem nem o direito de se defender.
04:05Se acontecer novamente, aqui em São Paulo hoje,
04:07em torno de 80% não tem arma cautelada pelo estado de São Paulo,
04:11os policiais penais.
04:12É, e o que eles fizeram, eu me lembro muito bem, né,
04:14foi um verdadeiro terrorismo na penitenciária de Wenceslau,
04:17na P1, que fica dentro da cidade, basicamente, hoje.
04:21Cabeças foram colocadas, expostas, justamente nesse ato de demonstrar força
04:25e toda essa questão do terrorismo, né.
04:27Então, além das casas que foram atingidas dos policiais penais,
04:31dos agentes de segurança pública, policiais civis também,
04:34e as próprias delegacias e bases,
04:36ainda teve essa cena chocante, que eu me recordo,
04:38tava começando no jornalismo, e toda essa tensão no interior de São Paulo
04:42que se espalhou, porque foram concentrados os ataques
04:45nas bases e nas forças de segurança,
04:48mas as rebeliões também aconteceram, né, Jabá?
04:52Na verdade, naquela época, em torno de 77 unidades se rebelaram.
04:58E uma coisa cheguei muita atenção, sabe, Tarso?
05:01A minha unidade, a P1 de Lavínia e várias outras,
05:04elas tiveram rebeliões no sábado,
05:06e mesmo no domingo, a diretoria, né, a secretaria, né,
05:11as coordenadorias na época, liberou o banho de sol.
05:13No domingo, que aí acabou, no sábado, acho que quebrou umas 30 e poucas unidades,
05:17e no domingo quebrou o restante, né,
05:20eu tinha acabado de sair da P2 de Lavínia
05:24e voltado pra P1 de Lavínia,
05:26e um colega meu, que era chefe do plantão, o Alessandro,
05:30ele foi pego de refém no domingo, né,
05:32aquela época, Tarso, nós temos que relembrar aqui
05:34que, né, inclusive denúncias minhas,
05:37quando eu vim parar no sindicato,
05:40tinha churrasco nas unidades de zonais,
05:42tinha aparelho de som,
05:44tinha o futebol interraio,
05:45e isso, inclusive, eu vim parar no sindicato
05:48porque eu denunciei o avanço do crime organizado na minoridade prisional
05:51e a diretoria me perseguiu na época, né,
05:55e a nossa denúncia, que nós tínhamos feito há um ano atrás,
06:01foi o resultado que aconteceu em 2006,
06:04a grande situação onde o governo não acreditava,
06:07mesmo após a primeira mega rebelião
06:10que aconteceu em 15 de fevereiro de 2001, né,
06:13em torno de 30 unidades de zonais quebraram naquela época,
06:16teve rebelião, então,
06:18e hoje eu tema um pouco pela fala do governador Tarcísio, né,
06:21no final do ano passado, naquela,
06:23quando ele faz o levantamento da,
06:25da, do ano, né,
06:29ele presta a conta do ano de cada secretaria,
06:30ele elogia o nosso secretário,
06:32Marcelo Traifinger,
06:33dizendo que o PCC não está mais atuante
06:36nas unidades de zonais.
06:38Aí eu falo que,
06:40tanto quanto naquela época,
06:42como agora,
06:43será que os governantes vão negar a existência do PCC?
06:45Fica a pergunta, né?
06:47É, uma série de questões precisa realmente melhorar,
06:50a gente conversou com o Fábio Jabá,
06:52presidente dos policiais penais,
06:54aqui do sindicato, né,
06:55que representa a categoria no estado de São Paulo,
06:58relembrando isso,
06:59e até apurações na época também,
07:01tratam de que houve uma negociação,
07:03porque o governador era o Cláudio Lembo,
07:05o Geraldo Alckmin tinha deixado o governo de São Paulo
07:08para tentar a presidência pelo PSDB,
07:11e aí houve uma negociação com uma advogada
07:13de uma ONG que representava ali os presos,
07:16para que esses ataques, então, parassem.
07:19Tudo isso vai ser relembrado, então,
07:21no site da Jovem Pan.
07:22Agradeço demais o Jabá aqui no Jornal da Manhã,
07:24nessa entrevista exclusiva,
07:27tratando, né,
07:27relembrando todos aqueles ataques em 2006,
07:30porque apurações até mesmo da Agência Brasil
07:33falam sobre 59 agentes das Forças de Segurança
07:36que perderam a vida,
07:37mas mais de 500 mortes também de civis,
07:40de pessoas envolvidas com o crime e tudo mais.
07:42Muito obrigado, Jabá.
07:44Obrigado, Tars. Bom dia.
07:46Valeu.
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