00:00Outra informação que eu preciso compartilhar com você que nos acompanha, porque a partir do dia 1º deste mês, 1º
00:07de abril, e não é mentira, o agronegócio brasileiro passou a enfrentar uma nova realidade tributária.
00:13Fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas deixaram de contar com alíquota zero de PIS e COFINS, passando a ser tributados conforme
00:22as novas regras estabelecidas pela legislação federal.
00:26A medida, que também veio acompanhada do aumento das alíquotas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, já provoca preocupação
00:34em toda a cadeia produtiva, especialmente em um momento de margens pressionadas pela volatilidade internacional.
00:41Então, para falar mais sobre esse assunto, nós recebemos aqui o deputado federal e vice-presidente da FPA, a Frente
00:48Parlamentar da Agropecuária, Arnaldo Jardim, a quem agradecemos demais pela participação.
00:53Deputado, muito obrigado pela gentileza, mais uma vez, em atender a gente aqui na Jovem Pan. Bem-vindo.
00:59Muito obrigado, Daniel. Em nome meu, em nome da FPA, eu agradeço esse momento.
01:05Nós estamos aí muito preocupados.
01:07O agro vive quase que uma tempestade perfeita nesse instante.
01:12Embora o agro ainda registre, desde o ano passado, uma performance importante, a nossa participação no PIB cresceu, o agro
01:22foi a 11% de crescimento no ano passado, a taxa geral média do país foi de 2,6%
01:29de crescimento do PIB, não tivesse o agro, teria sido um crescimento negativo.
01:34Mas, apesar disso, o agro acumula uma série de questões que nos fazem estar preocupadíssimos nesse momento.
01:44Primeiro, a questão referente ao aumento de custos que vieram a partir do próprio confronto do Oriente Médio, impactando o
01:53preço de combustível, o diesel é básico não só para a produção, mas depois para o escoamento da safra.
01:59E, por outro lado, o crescimento também no preço de adubos, de uma forma muito significativa, particularmente os nitrogenados, os
02:08nitrogenados que vêm a partir da ureia.
02:11Além disso, Daniel e amigos da Jovem Pan News, nós temos um impacto desta alíquota, que é verdade, foi aprovado
02:20um projeto de lei complementar no apagar da luz em dezembro.
02:24Nós tentamos segurar isso, mas infelizmente prevaleceu o movimento do governo, que acabou tendo maioria, e este projeto aprovado cortou
02:35uma série de benefícios tributários,
02:38particularmente, como você disse, para fertilizantes e insumos agropecuários, que passaram a ter um crescimento de incidência do PIS-COFINS.
02:48Nós já havíamos segurado, Daniel, em outros momentos, o aumento do IOF, que ia impactar o LCA, e ia impactar
02:59os FIAGROS, e nós conseguimos segurar naquele instante.
03:03Mas essa lei complementar, a 224, veio nesse sentido de retirar aquilo que era a isenção de PIS-COFINS, portanto,
03:14nós vamos ter um aumento de alíquota que vai a 0,925.
03:19Parece um percentual pequeno, mas isso, como acaba causando um efeito cascata, é uma situação difícil,
03:26para o agro, que tem suas margens reduzidas agora, e que teve, além disso, toda uma situação de recuperação judicial,
03:35de inadimplência, porquanto desse aperto financeiro.
03:39Pois é, o aumento dos impostos e o impacto para o agronegócio.
03:43Intervista com o deputado Arnaldo Jardim, que é o vice-presidente da FPA, conversando ao vivo aqui com a gente.
03:49Deputado, nós faremos um giro de perguntas com os nossos comentaristas, trataremos de algumas questões,
03:54então, vou até pedir para os comentaristas perguntas mais objetivas e, da mesma forma, também respostas mais sucintas.
04:01Vou começar com o Luiz Felipe Dávila. Você, Dávila.
04:05Deputado Arnaldo Jardim, muito boa noite, bom tê-lo aqui nos Pingos nos Is.
04:08Deputado, eu tenho duas perguntas importantes.
04:11Primeiro, é óbvio que o governo vai aumentar o imposto desses insumos, isso vai afetar a inflação dos alimentos,
04:17e o governo, em época de eleição, vai ocupar o agro.
04:20O fazendeiro, bolsonarista, culpado por aumento da comida no prato do brasileiro.
04:25A gente já sabe que é essa narrativa.
04:27Qual é a vacina contra essa impostura?
04:30E segundo, por que o Brasil, que é uma potência agrícola, não tem uma política industrial
04:37para produzir uréia, fertilizante aqui, fazer com que nós dependamos tanto de um insumo fundamental para o nosso agronegócio?
04:46Luiz Felipe, uma alegria sempre tê-lo, registrar a identidade que temos com aquilo que você tem empregado.
04:53Diminuição da presença do Estado, reconhecimento da capacidade de empreender da livre iniciativa,
05:00e o Estado enxuto.
05:02Nesse sentido, primeiro capítulo sobre a questão da inflação, sobre a questão de custo de alimentos.
05:09O ano passado, e portanto é recente, por volta de março, se publicaram as primeiras estimativas de inflação
05:17e se detectou ali um crescimento da inflação de alimentos.
05:21O governo passou a alardear duas questões.
05:25Primeiro, que nós estávamos tendo uma inflação do custo de alimentos,
05:29porque o Brasil exportava.
05:31E chegaram os setores do governo a alardear que se poderia ter uma cota, uma restrição à exportação.
05:39Uma reedição pobre, porque foi desastroso quando isso aconteceu na Argentina,
05:45no tempo da Cristina Kirchner, quando ela estabeleceu limitação às exportações
05:51e o agro declinou e a inflação de alimentos disparou na Argentina.
05:57Nós dissemos, não, resistimos a isso, nada de cota, nada de intervenção.
06:02Quando terminou o ano, Luiz Felipe, numa inflação que foi de 4,6,
06:08o capítulo inflação de alimentos foi de 2,8.
06:12Ou seja, os alimentos puxaram para baixo a inflação, contiveram a inflação,
06:17que só não foi maior exatamente por conta disso.
06:20Então, nós temos esses argumentos e a nossa narrativa se confirmou,
06:25que é o seguinte, deixa o agro trabalhar, garanta condições aí para que isso possa crescer
06:32e nós temos gradativamente uma queda, uma queda do preço dos alimentos no conjunto da inflação.
06:40O IBGE registra que há 20 anos atrás, naquilo que era o gasto médio de uma família brasileira,
06:47o capítulo alimentação era responsável por cerca de 40% dos gastos e hoje a alimentação caiu para o patamar
06:57de 22%.
06:58Portanto, o agro tem essa contribuição.
07:02Segunda questão referida por você, fertilizantes.
07:05Eu estou indo amanhã cedo para Brasília, amanhã mesmo, dia 21, porque lá vou ultimar o parecer que eu devo
07:13apresentar na quarta
07:15sobre minerais críticos estratégicos, vamos incluir fertilizantes e no final da tarde eu tenho uma reunião com o senador Laércio
07:23Oliveira,
07:24que é autor do Profert, que é exatamente um programa de fomento à produção de fertilizantes.
07:30Nós não podemos continuar o gigante agro-brasileiro com pés de barro, que é essa dependência que nós temos
07:38de fosfatados, potássicos e nitrogenados.
07:42Nitrogenados impactados agora pelo Irã, que é exatamente quando nós tivemos restrição da oferta de oreia e amônia verde
07:52e nós tivemos esse impacto aqui, como eu mencionei, diante da pergunta do Daniel.
07:58Então, um Profert quer criar condições para um programa nacional de fertilizantes, é a prioridade da ação da FPA.
08:06Tá certo, deixa eu só fazer uma divisão com a rede, deputado.
08:10Agora eu preciso me despedir de algumas emissoras que ficarão agora com a programação local.
08:15Muito obrigado.
08:16Eu sigo aqui com os nossos comentaristas, com o deputado Arnaldo Jardim,
08:20ele é o vice-presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio, conversando ao vivo aqui com a gente
08:25sobre os desafios do agronegócio, especialmente após esse aumento de impostos,
08:29também analisando as questões que envolvem o conflito no Oriente Médio,
08:34o impacto para o agronegócio após aquele represamento no escoamento de petróleo
08:39e também de fertilizantes a partir do fechamento do Estreito de Hormuz.
08:43Ainda dá tempo de mais uma pergunta, vou passar para o Bruno Musa, nosso comentarista.
08:48Sua vez, Bruno, por favor.
08:51Deputado, muito boa noite.
08:52Bom, primeiro, obrigado pelo tempo.
08:54O agronegócio tem um percentual extremamente relevante dentro do PIB,
08:58ali algo como 20%, 25% ao longo de toda a cadeia produtiva.
09:02Se olharmos a produtividade do Brasil ao longo dos últimos 10, 15 anos,
09:06o único que leva um resultado positivo é o agro.
09:09A produtividade da indústria é negativa.
09:11Portanto, quando é que o agro terá vozes importantes para mostrar isso a grande parte da população
09:20e calar esse nós contra eles completamente absurdo e sem sentido nos números que o governo atual tanto proclama?
09:29Bruno, eu agradeço muito a sua pergunta e ela está muito escudada no anúncio feito exatamente nesse final de semana
09:36sobre o aumento de produtividade do Brasil e o setor que revelou aumento significativo foi exatamente o agro.
09:44Por quê?
09:46Porque muitas vezes se passa uma ideia e tem setores que são interessados nisso,
09:51de que o agro, do ponto de vista de relações trabalhistas, é arcaico
09:55e alguns até dizem que escravocrata em algumas regiões do país.
10:00Segundo, que o agro é atrasado.
10:03E terceiro, que o agro é predatório do ponto de vista ambiental.
10:07E nós, com muita, não só convicção, mas com fatos, nós temos demonstrado, primeiro,
10:14que do ponto de vista de relações trabalhistas, o agro tem um grau de formalidade superior ao mundo urbano no
10:22Brasil.
10:23Hoje, se você for pegar, particularmente nos grandes centros, o grau de informalidade do trabalho,
10:29no agro, a formalização é muito mais significativa, os índices são muito mais importantes.
10:38Segundo, inovação.
10:41Hoje, um estudo recente feito por uma série de entidades mostram que dos novos aplicativos
10:48vinculados à questão da produção, mais da metade são do agro.
10:53O agro tem hoje aquilo que é uma pulverização controlada por drones.
10:59Hoje, o agro tem previsão de safra, controlada também por equipamentos muito modernos.
11:06O agro tem uma logística, onde ele chega, a logística se renova e se aperfeiçoa.
11:13E terceiro, do ponto de vista ambiental, nós temos práticas sustentáveis.
11:18Nós aceitamos desafios, fomos para a COP30.
11:21Todo mundo imaginava que a COP30, o agro ia para a vitrine, ia ser execrado.
11:27Quando lá se constituiu a agrozone, que é uma novidade, vai ser repetida agora na COP programada para a Turquia,
11:35se tornou algo incorporado, nós fomos lá e embrá, apaular de todas as entidades, mostrar as práticas sustentáveis.
11:43Ninguém tem uma legislação como o Código Florestal que nós temos.
11:47Por isso que o agro tem feito.
11:48Você vai me dizer, Arnaldo, onde que o negócio pegou?
11:51Pegou quando o agro decidiu caminhar sobre suas próprias pernas.
11:54Deixa eu exemplificar.
11:56Primeiro, no que diz respeito à questão da inovação, além da Embrapa,
12:00o agro tem hoje várias instâncias que, particularmente no capítulo de biocombustível,
12:06têm tido uma grande inovação, se tornaram referências internacionais.
12:11Segundo, o agro avançou muito no trato do solo e dos recursos hídricos,
12:19para a gente poder ter racionalidade na irrigação, um ganho e um saldo de qualidade,
12:24é muito importante.
12:26Mas é no aspecto financeiro.
12:28Nós começamos aqui o programa falando de tributação.
12:31O Plano Safra, que era tudo há 20 anos, hoje é um terço só do financiamento e do custeio do
12:38agro.
12:38Por quê?
12:39Quer seja pela lei agro 1 e 2, que foram relatadas pelo nosso querido Pedro Lupion,
12:45onde se criou o CRA, onde se criou o CPR, onde se criou o LCA.
12:51Depois eu tive o privilégio de, em nome da frente, apresentar, fui autor do projeto que instituiu os fiagros.
12:58E hoje, o Plano Safra, aquilo que é oficial, é um terço só do financiamento que o agro tem.
13:06Ou seja, o agro começou a caminhar sobre suas próprias pernas.
13:09Por isso, e eu volto, que nós queremos que sejam reconhecidos os insumos e a cadeia produtiva do agro.
13:17Nós, no debate da reforma tributária, frisamos muito isso.
13:20Eu próprio apresentei agora uma legislação que restringe o que o governo pode fazer na manipulação do índice do IOF,
13:31que é o Imposto sobre Operações Financeiras.
13:35Por quê?
13:36Porque esse imposto que devia ser regulatório, hoje o governo o transformou em arrecadatório.
13:44Então, nós apresentamos um projeto para limitar o que o governo pode fazer nesse sentido.
13:49Ou seja, Bruno, obrigado por esse alerta e nós realmente precisamos ganhar a batalha da narrativa.
13:57Se é um setor que o Brasil tem vantagens competitivas, comparativas, em relação aos outros países do mundo, é no
14:04agro.
14:05Ou seja, o Brasil é a grande referência do agro inovador, sustentável, que nós praticamos aqui em termos internacionais.
14:16Deputado Arnaldo Jardim, que também integra a Frente Parlamentar da Agropecuária no Congresso Nacional,
14:24é o vice-presidente, sempre atendendo gentilmente aos nossos convites.
14:28Deputado, grande abraço, boa sorte, seguiremos em contato.
14:32Qualquer novidade, por favor, nos atualize.
14:34Até a próxima.
14:35Muito obrigado, Daniel, a toda a equipe, ao Luiz Felipe, ao Bruno também, e a toda a equipe da Jovem
14:41Planilha.
14:42Seguimos aqui com outras notícias e informações.
14:46Antes disso, uma rápida parada para você que nos acompanha pela rede de rádios.
14:51Até a próxima.
14:51Até a próxima.
14:51E aí
14:51Obrigado.
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