00:00Deixa eu trazer uma outra informação, ainda debatendo a questão do BRB e do Banco Master,
00:05porque horas antes do Banco Central rejeitar a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília,
00:11o Banco Público fez uma última tentativa para tentar salvar o negócio.
00:15Alguns documentos que foram obtidos pelo portal Metrópolis mostram que a então diretoria do BRB
00:21chegou a propor mudanças relevantes na operação, incluindo a saída de Daniel Vorcaro do quadro societário.
00:29O ofício relacionado à compra do Master pelo BRB foi enviado ao Banco Central no dia 3 de setembro do
00:36ano passado pela manhã.
00:37No mesmo dia, só que por volta das 7 horas da noite, os dois bancos foram informados
00:43de que a diretoria do BC, do Banco Central, havia decidido barrar a operação, tinha vetado o negócio.
00:50Na tentativa final, o então diretor de finanças do BRB, o Dário Oswaldo Garcia Júnior,
00:56e o então presidente do BRB, o Paulo Henrique Costa, disseram que o banco estava plenamente disposto
01:03a ajustar a estrutura do negócio.
01:05Eles pediram reuniões para discutir as alternativas que resolvessem os problemas apontados pelo Banco Central.
01:12Uma das propostas foi trocar as empresas envolvidas na compra.
01:16O que o BRB sugeriu?
01:19Tirar o Banco Master SA e colocar no lugar o Banco Master de Investimento SA, com outro CNPJ.
01:28Deixa eu chamar o Luiz Felipe Dávila.
01:29Dávila, muitas informações, detalhes dessas articulações e essas tentativas de avançarem com a venda do Banco Master,
01:38vem à tona e fatalmente resbala e vai colocar em xeque uma série de figuras da administração pública.
01:50E não dá para tirar desse questionamento a figura de Ibanez Rocha, né?
01:58De jeito nenhum.
01:59Aliás, foi uma ordem política para resolver a questão do Banco Master utilizando o Banco Estatal.
02:07E aí, Caniato, você vê a complexidade da picaretagem, né?
02:13Aí você precisa trazer bons advogados, presidente do banco, para construir essa engenharia do negócio.
02:21No fundo, o que eles estavam querendo fazer é, vamos nos ver livres de uma parte podre do Banco Master
02:28e ficar com uma boa parte.
02:30Pode ser que seja aí o Banco Master Investimento e tal.
02:32O problema é que o Banco Central já tinha detectado que a compra de 12 bilhões de reais é uma
02:40carteira podre.
02:41Agora, não vamos esquecer que havia, sim, competição de mercado por parte dos ativos dessas carteiras de recebíveis do Banco
02:52Master.
02:53Não era só o BRB que estava no jogo.
02:56Então, realmente, nessa hora final, tentaram separar a parte podre do banco, e essa, sim, não entraria no negócio, salvar
03:09a parte boa como se isso fosse uma garantia que dava para continuar a operação.
03:13Era essa a engenharia por trás.
03:15Eu tenho certeza que o Bruno Musa sabe mais detalhes do que eu estou descrevendo aqui.
03:20Mas, no fundo, toda a engenharia é essa.
03:23Esquece a parte podre, fica com a parte boa, e aí a parte podre, lógico, a conta, quem vai pagar
03:30somos todos nós.
03:31Mas o fato é que houve, sim, uma instrução política para fazer um negócio com o Banco de Vorcaro.
03:42Pois é, deixa eu chamar o Mota também para avaliar esses detalhes que acabaram sendo divulgados, inclusive com as informações
03:51dos documentos que apontam para muitas tentativas, né?
03:55De última hora, aos 47 do segundo tempo, após a sinalização do Banco Central, para tentarem salvar o negócio.
04:02Até propuseram mudar a empresa do Banco Master propriamente para uma outra divisão que cuidava somente dos investimentos.
04:10Teve um momento ali que era tudo ou nada, viu, Mota?
04:15É, Caniato, essa é mais uma oportunidade para a gente mostrar para as pessoas, para o nosso público, para o
04:26eleitor, para o cidadão brasileiro,
04:28que é disso que se trata, quando os políticos no Brasil enchem a boca para falar de combate à pobreza,
04:38de redução da desigualdade.
04:41É para esse tipo de coisa que se criou no Brasil um Estado inchado, um governo gigante, com 39 ministérios,
04:54gastando cada vez mais.
04:56Mas essa realidade do Banco Master é a realidade do Estado Democrático de Direito do Brasil.
05:07Essa expressão que tantas autoridades enchem a boca para pronunciar.
05:14Essa é a democracia do Brasil.
05:17É para isso que nós pagamos impostos, para que esquemas como esse, que nem originais são, porque a gente ouve
05:28a descrição desse roteiro,
05:30e a gente percebe que a gente já ouviu essa mesma coisa inúmeras vezes antes.
05:36E ainda assim, o sujeito faz a mesma coisa, sem nenhuma preocupação em disfarçar, porque qualquer exame rápido teria descoberto
05:49isso.
05:49O que essas pessoas têm é a certeza absoluta de mesmo que isso tudo seja descoberto, a gente encontra o
06:00jeito.
06:01O meu advogado já me explicou aqui, depois tem lá uma conversa, a gente apronta uma delação,
06:10e disso tudo que a gente roubou, a gente devolve um pedacinho, e aí fica tudo certo.
06:17No máximo eu fico, tem aí algumas semanas preso, vai sair nas notícias, isso é um preço pequeno para pagar.
06:26Porque depois eu resolvo a minha situação financeira, e a da minha família, e a dos meus filhos, e a
06:33dos meus netos.
06:35Ninguém vai ter mais que se preocupar com dinheiro.
06:38Então, caro espectador, caro ouvinte, é para isso que nós pagamos impostos.
06:45Não é para que o Estado preste serviços de qualidade, que é uma ilusão que muita gente ainda tem, né?
06:52A gente paga impostos para que o Estado preste serviços.
06:57Não é verdade.
06:59A gente paga impostos para sustentar uma classe de parasitas e corruptos.
07:09Eu até engasguei.
07:11Não, é isso aí.
07:13O Mota vai tomar uma água.
07:14A gente compreendeu bem essa finalização.
07:16Só preciso passar para o Bruno Musa, porque o Bruno vai explicar exatamente o que parece que aconteceu nessa reta
07:23final.
07:24Musa, a partir dessas informações que nós divulgamos, o BRB recebeu uma resposta, um posicionamento negativo do Banco Central.
07:35Mas aí, a sua direção e os seus dirigentes entendiam que o negócio tinha que sair de qualquer jeito e
07:43propuseram, aos 47 do segundo tempo, alterar os parâmetros do negócio, inclusive a empresa com a qual seria fechado o
07:52negócio.
07:52Isso indica exatamente o quê?
07:56Isso indica claramente que não era uma decisão de mercado, que era uma decisão que estava desenhada para ser feita.
08:02Veja, foi apresentado o Banco Master e o seu balanço fraudado, mas foi apresentado ali os seus ativos e passivos
08:11para bancos privados.
08:12Os bancos privados que analisaram, que toparam analisar, vale lembrar isso.
08:17Nós pouco falamos aqui, falamos lá atrás, mas depois pouco falamos e é um detalhe extremamente relevante.
08:24Os bancos privados, de qualidade, ofereceram R$ 1,00 pelo Banco Master.
08:29R$ 1,00 claramente é um valor simbólico por ele.
08:32Ou seja, eu compro todos os seus ativos, eu separo os passivos e ele não vale absolutamente nada.
08:39Você quer? Eu pelo menos te livro dos passivos.
08:42Ele não valia nada.
08:43Só que pouco tempo antes da concretização, ou quase concretização, digamos assim,
08:49antes do Banco Central vetar essa operação, havia saído uma nota técnica do próprio Banco Central
08:54falando que o Banco Master precisaria, Caniato, de um aporte de R$ 2 bilhões.
09:00Os bancos privados tinham oferecido R$ 1.
09:03Logo depois da nota técnica veio o BRB e ofereceu quanto?
09:08R$ 2 bilhões.
09:09Exatamente o que a nota dizia que o Master precisava para continuar respirando por aparelhos.
09:16Mais uma coincidência, né?
09:17Como disse muito bem o Dávila, isso significa que o Banco Público passaria essa conta para a população de Brasília,
09:26como já passou.
09:28Nós estamos falando que já foram mais de R$ 30 bilhões em carteiras compradas do Master,
09:33ou melhor, do BRB, da carteira do Master, carteiras fraudulentas, e o banco está quase quebrando.
09:40O banco está precisando de uma injeção, está passando por um momento crítico de ou quebra,
09:46ou é federalizado, ou ele precisará ser privatizado, porque ele vai quebrar.
09:51E se ele quebra, quem vai pagar essa conta?
09:54O povo de Brasília, que já pagou essa conta quando o dinheiro dele comprou os títulos fraudulentos do Master.
10:02Então perceba que é um jogo muito bem organizado, porque exatamente nesse mesmo momento,
10:07na ordem cronológica dos fatos, nós linkamos ao primeiro evento que nós falamos hoje aqui.
10:13Justamente a compra de apartamentos de alto luxo de Vorcaro para o presidente do BRB.
10:21Quantas coincidências no mesmo período de tempo?
10:24Os R$ 2 bilhões exatamente necessários ditos pela nota técnica.
10:28Os apartamentos comprados exatamente no momento em que o BRB iria fazer a oferta,
10:33acabou fazendo a oferta e depois barrado pelo Banco Central.
10:37E agora o BRB operando por aparelhos e o Banco Master liquidado.
10:42Se somarmos tudo isso que nós falamos, porque sim, tem a ver o consignado,
10:47tem a ver o INSS, tem a ver a Fictor, que a gente vale lembrar,
10:52isso já está se aproximando de R$ 100 bilhões de reais, essa fraude, gente.
10:58R$ 100 bilhões de reais.
11:01E aí eles apresentavam essas eventuais mudanças para tentar salvar essa compra final
11:07e fazer o doente respirar por aparelhos um pouquinho mais de tempo.
11:11Repito a pergunta anterior.
11:13Precisamos de mais fatos para mostrar o óbvio?
11:17Pois é, a gente vai seguir acompanhando as movimentações no caso do Banco Master,
11:21mas no Brasil tem vários escândalos, né?
11:23Mas agora, nesse momento, eu preciso fazer uma rápida parada
11:27para as pessoas que nos acompanham pela rede.
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