00:00Paralelamente a isso, o governo estuda liberar 7 bilhões de reais do FGTS a 10 milhões de trabalhadores
00:08na tentativa de conter o endividamento das famílias.
00:12De volta à Brasília com Rafaela Almeida aqui com a gente.
00:15O pacote de medidas está previsto para os próximos dias. O que se espera, Rafaela?
00:24É verdade, Tiago. Essa proposta foi antecipada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
00:30e prevê a liberação de cerca de 7 bilhões de reais para aproximadamente 10 milhões de trabalhadores.
00:36Esse valor corresponde a um saldo que ficou retido do FGTS de pessoas que aderiram ao chamado FGTS,
00:44saque de aniversário, né? E depois foram demitidas.
00:47Então, nesse caso, o dinheiro acabou ficando no banco, sendo utilizado como garantia de empréstimos
00:53e não pode ser acessado integralmente. Por isso, segundo o Ministério do Trabalho,
00:58parte desses recursos já havia sido liberado em programas anteriores de governo,
01:04mas ainda restou um montante que agora o governo quer destravar.
01:08A ideia é que esse dinheiro seja utilizado principalmente para pagamento de dívidas
01:13dentro de um pacote mais amplo que está em estudo para reduzir o endividamento da população.
01:19E, além disso, o governo também discute mudanças nas regras do uso desse FGTS,
01:24como garantia para empréstimos consignados, justamente para evitar que o trabalhador
01:30fique sem acesso aos recursos no momento de maior necessidade.
01:34Mas, ainda, a proposta depende de aval final do Palácio do Planalto,
01:39que pode e deve ser anunciada aí já nos próximos dias.
01:43Sem dúvida. Essa é a discussão.
01:45De qualquer forma, principalmente os setores ligados à construção civil,
01:51o Secov, aqui de São Paulo, por exemplo, preocupados,
01:54essas entidades são preocupadas com essa liberação do FGTS
01:57por causa da segurança do trabalhador, mas é saber, efetivamente, o que vai ser feito.
02:01Até daqui a pouquinho, o Rafael, eu vou chamar a Denise Campos de Toledo aqui.
02:05Daqui a pouco a gente vai falar sobre o endividamento também, o cartão de crédito,
02:08de que forma o governo, tratando disso, tem essa preocupação dos setores? Denise.
02:14Olha, os setores, eles podem ser atingidos, o setor da construção principalmente,
02:18porque parte dos recursos que bancam os financiamentos vem exatamente do fundo de garantia.
02:23Então, se há um saque maior desses recursos, eles perdem o funde que vai dar respaldo
02:30exatamente para os financiamentos e já vem sofrendo perdas daqueles financiamentos
02:34que são bancados com recursos da cadeneta de poupança.
02:37A cadeneta tem sofrido saques contínuos, não apenas porque ela perde em termos comparativos
02:44com a rentabilidade de outras aplicações, mas também porque muita gente está precisando
02:48do dinheiro exatamente para pagar as dívidas.
02:51Então, tinha um dinheirinho lá aplicado e vai sacando.
02:54Então, há essa preocupação geral, só que o governo quer dar um jeito
02:57de conseguir os recursos necessários, dar para a população, para conseguir diminuir
03:02a inadimplência, o endividamento no geral, criar um ambiente mais favorável.
03:06Então, seria uma mãozinha aí para ajudar as pessoas a terem mais recursos para bancar
03:11essas despesas.
03:12E por falar em endividamento, desde que eu me conheço por gente, desde que eu conheço
03:17você, você sempre fala que o uso do rotativo do cartão de crédito é sempre uma armadilha.
03:22Isso aumentou muito desde o período pós-pandemia.
03:26Assim que a pandemia terminou, naquele período já da pandemia.
03:29E o que é possível falar, explicar?
03:32Qual o valor registrado no ano passado, principalmente?
03:35E como se sai disso?
03:37Olha, é complicado.
03:38A gente sempre fala do uso do cartão de crédito que pode ser uma boa alternativa
03:42para quem sabe programar as despesas.
03:45Então, compra, deixa tudo até o vencimento da fatura.
03:48Quando chega lá, faz a quitação e termina.
03:51Inclusive, essa preocupação do rotativo já vem de muito tempo.
03:53Já houve, inclusive, mudança de regras, limitando o quanto que pode ser jogado no rotativo,
03:58o quanto que a despesa pode aumentar.
04:00Mas o fato é que, em meio a essas discussões do governo, para uma saída, para reduzir inadimplência
04:05e reduzir o endividamento em geral, se tem os dados agora divulgados pelo Banco Central
04:11desse avanço forte do uso do cartão de crédito, principalmente no pós-pandemia,
04:16quando acabou o auxílio emergencial e foi aquela fase que a inflação disparou logo
04:20pós-pandemia, teve a questão da dificuldade de logística, de fornecimento, de mercadorias.
04:28Então, todas as consequências da pandemia levaram ao aumento da inflação.
04:31Isso coincidiu com o fim daquela receita extra do auxílio emergencial e aumentou o uso.
04:36Vamos conferir, então, os dados.
04:37No ano passado, o uso do cartão de crédito em volume chegou a 400 bilhões de reais.
04:43Foi muito acima do que se registrava antes, mas foi um aumento crescente desde o pós-pandemia.
04:49O uso por 101 milhões de brasileiros é quase a metade da população.
04:54Em 2026, em janeiro, 40 milhões de pessoas estavam no rotativo.
04:59Isso quer dizer que não conseguiram quitar a dívida na primeira fatura e caíram no rotativo.
05:04E aí é uma situação muito complicada, porque os juros do cartão de crédito
05:07são os mais altos de todas as linhas.
05:10Isso aqui é média, Tiago, 436% ao ano.
05:15Isso em fevereiro era a taxa média.
05:17Depois nós tivemos um pequeno corte da Selic, que não faz nem encócegas na taxa que é cobrada
05:21no cartão de crédito.
05:23Consignado é a linha mais baixa de juros, 24% a 60% ao ano.
05:28Tem limitações do consignado para aposentados, mas tem restrições.
05:31Porque tem acesso quem tem salário, então empregado formal ou quem é aposentado, pensionista,
05:37que tem essa garantia do desconto automático da prestação.
05:40E exatamente por isso tem limite de acesso ao consignado.
05:43Ele não pode comprometer muito da renda.
05:45Então chega um momento que a pessoa não tem mais crédito,
05:48então vai recorrer exatamente ao cartão.
05:50E o cartão quase sempre está lá na carteira disponível,
05:52porque tem cartão de supermercado, tem cartão de loja, tem cartão de fintech,
05:56cartão de banco.
05:57Muitas vezes a pessoa nem quer, mas é oferecido.
06:00E a pessoa fala, ah, tudo bem, vai juntando cartão na carteira.
06:02Aí está sem dinheiro, vai lá e vai comprando.
06:04Tem compras online, tem os aplicativos até para compra de alimentos.
06:09E aí, a inadimplência, o resultado é isso, 63,5% no cartão de crédito.
06:15Então é uma situação que preocupa bastante,
06:17porque é uma dívida mais difícil de a pessoa sair, porque o juro é muito alto.
06:21Entendo, a pessoa tem que buscar uma outra saída para quitar essa e ficar com uma outra.
06:26Exatamente, e o governo está tentando juntar tudo num pacote.
06:29Então pega tudo que a pessoa está devendo no cartão,
06:32em outras linhas de crédito, junta, negocia com o banco desconto,
06:35desconto substancial e o refinanciamento com parcelas que caibam no orçamento.
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