- há 7 horas
No JP Ponto Final, o jornalista José Maria Trindade conversa com Letícia Pineschi, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros.
A convidada comenta os desafios do transporte rodoviário no Brasil, o crescimento do transporte clandestino e os impactos dessa prática para a segurança dos passageiros e para as empresas do setor. Pineschi também fala sobre concorrência desleal, qualidade do serviço e direitos dos usuários do transporte interestadual.
A convidada comenta os desafios do transporte rodoviário no Brasil, o crescimento do transporte clandestino e os impactos dessa prática para a segurança dos passageiros e para as empresas do setor. Pineschi também fala sobre concorrência desleal, qualidade do serviço e direitos dos usuários do transporte interestadual.
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00:05Salve, seja bem-vindo!
00:07É, nós estamos falando diretamente dos estúdios da Jovem Pan, no planalto central do país.
00:12Bom demais, né?
00:14A gente sempre fala de política.
00:16Eu digo que política mexe com a sua vida, a casa que você mora, a escola do seu filho e
00:22a projeção do futuro.
00:23Hoje vamos desviar um pouco e falar sobre política empresarial.
00:28E isso é muito importante porque lida exatamente com o seu dia a dia.
00:33Aqui nos estúdios da Jovem Pan, Letícia Pinesc, ela é presidente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Terrestre de
00:44Passageiros.
00:45Nome cumprido dessa associação.
00:48Mas Letícia, seja bem-vinda aqui à Jovem Pan.
00:51Obrigado por estar aqui nos estúdios da Jovem Pan.
00:54Eu vejo que é um setor muito forte.
00:58E a sua área é a área nacional.
01:02Transporte de passageiros, via terrestre e empresas nacionais.
01:07Ou seja, que vai de estado para estado.
01:10Isso, na verdade, é um prazer estar aqui.
01:13Muito obrigada pela oportunidade.
01:15Na verdade, ele é um setor muito forte e muito importante.
01:19Toda a mobilidade do país interestadual, intermunicipal, está ligada às empresas que hoje são associadas à Abrat.
01:28Essas empresas têm um papel social tão importante quanto o papel econômico, que é da integração entre diversas regiões do
01:36país.
01:37E a imigração que o Brasil movimenta todos os anos já há muitas décadas está muito ligada às empresas de
01:45transporte rodoviário.
01:46É interessante que eu sempre falo aqui sobre a importância das associações, dos sindicatos, sindicatos laborais, que são os sindicatos
01:55trabalhadores, e também os sindicatos patronais.
01:58Eles defendem os seus interesses de uma maneira clara, e é isso que tem que ser.
02:03De uma maneira clara, cada um colocar as suas dificuldades e as suas vantagens.
02:09Por que não?
02:09E eu vejo, Letícia, que o setor enfrenta uma concorrência predatória, que são esses ônibus que cruzam o Brasil de
02:19forma irregular.
02:21O que as agências têm feito para impedir esse perigo ambulante?
02:26Na realidade, existe um perigo muito grande com relação ao transporte, que não é regular, e ele oferece, sim, para
02:34as empresas uma concorrência muito desleal,
02:37uma evasão de receita muito grande, mas ele causa prejuízo a toda a sociedade.
02:43À medida que ele não recolhe nenhum tributo e ele prejudica o fisco e todos os programas de governo,
02:49ele prejudica as pessoas na medida que ele é um transporte que tem altos índices de letalidade e de descumprimento
02:59de direitos do consumidor.
03:01E ele também é um vetor de outros crimes, como, por exemplo, tráfico de pessoas, tráfico de animais, tráfico de
03:11drogas.
03:12Tudo isso está muito ligado a essa clandestinidade, que ela tem ali várias vertentes, que a gente pode chamar de
03:20alternativo,
03:22clandestino, pirata, irregular, vários nomes para o mesmo problema.
03:26É, o problema maior é que a concorrência predatória é desleal.
03:31Enquanto, de um lado, uma empresa é obrigada a seguir todas as normas, né, a qualidade do ônibus, o ano
03:39de fabricação do ônibus,
03:41o serviço prestado, o outro lado não tem nada disso, né.
03:46E a gente vê que aumentou muito.
03:49Nós chamamos a senhora para conversar aqui, exatamente porque a gente vê que aumentou muito.
03:54A gente vê aqui em Brasília, recentemente, um ônibus que se acidentou, a gente vê a dificuldade do proprietário do
04:01ônibus
04:01de fazer um atendimento, se fosse uma empresa, seria um atendimento muito melhor e assim por diante, né.
04:07Mas o que é, o que está fazendo essa proliferação dessas empresas fantasmas?
04:13Eu entendo que, ao longo das décadas, nós subestimamos, nós enquanto sociedade, governo,
04:21consumidores e empresários, nós subestimamos a proliferação, a facilidade com que o transporte clandestino ia proliferar,
04:32esse serviço ia proliferar.
04:34E nesse sentido, as políticas para coibir esse tipo de prática não foram suficientes.
04:41Por exemplo, o transporte clandestino, assim como tudo na sociedade, ele também se sofisticou
04:47fazendo a oferta online de passagens.
04:51Antes, o passageiro chegava na rodoviária e ele era aliciado pelos chamados arrastadores,
04:56que eram aquelas pessoas que ficam no entorno da rodoviária e que chamam
05:00você aqui, você aqui para Goiânia, para Planaltina, não sei o que, fica chamando ali no entorno da rodoviária.
05:07Depois que as empresas começaram a vender passagem online, passagem na internet, em sites e aplicativos,
05:13ele também teve que encontrar um outro meio de fazer essa oferta.
05:17O que ele fez?
05:18Ele também passou a ofertar online, porque o passageiro já chega na rodoviária com a passagem na mão.
05:23Aí ele cria ali um perfil nas redes sociais, impulsiona aquele perfil, coloca um anúncio no buscador,
05:31se agrupa e transforma num site chamado Marketplace de venda de passagens,
05:36mas todas as passagens que não saem da rodoviária, que não emitem bilhete de passagem, e isso facilitou.
05:43Assim como acontece com o mercado, por exemplo, de medicamentos, que hoje tem muito medicamento pirata,
05:51o transporte não ficou imune a isso e também foi fragilizado com esse tipo de prática que se proliferou.
05:57É muito mais barata a passagem, né?
06:00É um pouquinho mais barata, mas nem é tanto assim, né?
06:03É, depende. Na realidade, para o consumidor, sai, acredito que de 20% a 40% mais barato em alguns
06:13eixos.
06:13Mas para o transportador, a diferença é muito grande, porque aquele valor que ele oferece,
06:19ele vai inteiro para o dono do serviço.
06:23Ele não tem nenhum recolhimento de imposto, ele não paga ICMS, ele não paga nenhum imposto,
06:29ele não tem registro dos funcionários, ele não tem nenhum custo com folha de pagamento,
06:35porque o motorista dele não é registrado, ele não tem um atendimento de balcão,
06:41então ele não paga um atendente, ele não tem saque 24 horas, ele não tem estrutura de contabilidade,
06:47enfim, todos os custos da empresa são muito menores.
06:51Então, na verdade, a passagem, ela é mais barata para o consumidor,
06:54mas para quem recebe, ela é muito mais rentável.
06:57Ah, o custo disso aí, efetivo da passagem e separando os impostos e taxas?
07:04Ah, olha, por exemplo, uma passagem, vou te dar um exemplo específico
07:09do quanto que o imposto incide para o preço final do consumidor.
07:12No Rio de Janeiro, por exemplo, onde você tem um ICMS com uma alíquota alta,
07:18você conseguiria vender uma passagem 18% a 19% mais barato se você não tivesse a incidência de ICMS,
07:25porque quem paga é o passageiro, não é a empresa, é o passageiro que está pagando,
07:28é no bolso dele.
07:29A empresa transfere, né?
07:30É, exatamente.
07:31A empresa apenas transfere esse valor.
07:34Então, você tem uma série de custos,
07:37o risco ambiental, que a empresa tem que fazer toda uma estrutura de licenciamento ambiental
07:42para a atividade que é potencialmente poluente,
07:46ela é potencialmente poluente não apenas com relação às emissões de gases,
07:51mas com resíduos de banheiro, resíduos do serviço, pneu, óleo,
07:56tudo isso demanda uma estrutura de reparação para o meio ambiente
08:03que uma empresa clandestina não tem.
08:04Agora, é interessante, Letícia, que recentemente eu conversava com um representante
08:09de uma grande fábrica de refrigerantes,
08:12e eles perceberam que quando vendiam, modernizavam a fábrica,
08:17vendiam aquele equipamento e imediatamente quem comprava montava uma tubaína e ia concorrer.
08:23Não seria o caso também de limitar a venda de ônibus?
08:25Que esse pessoal se alimenta da venda de ônibus que são descartados pelas empresas formais.
08:30É, a gente poderia pensar, e já foi discutido isso,
08:34num programa de destinação desses veículos,
08:37seja a destinação para descarte ou não,
08:42mas esse é um programa que precisa ser pensado e estruturado junto com o fabricante também.
08:48Até porque hoje na cadeia de produção você tem toda uma preocupação com reciclagem,
08:55não é só apenas transformar os veículos que são a combustão em elétricos,
09:01mas é também dar uma destinação a esses resíduos.
09:05Vocês têm limite de fabricação, ano de fabricação que eu uso, né?
09:09Na realidade, para o ingresso na empresa, sim.
09:16Agora, hoje a frota nacional está com uma média de idade,
09:20no interestadual, está no rodoviário interestadual,
09:22nós temos uma média de idade de oito anos.
09:25Oito anos.
09:25Isso é razoável?
09:27É uma regra que pode ser internação?
09:29Eu acho que é bastante razoável,
09:31especialmente quando você compara com outros modais,
09:34como, por exemplo, o aéreo, que a média de idade de um avião é infinitamente maior, né?
09:41E também pela qualidade.
09:44Agora, tem uma questão que é,
09:46toda a frota nacional de rodoviário está sendo trocada pelos veículos Euro 6,
09:53porque hoje nós não temos para o segmento rodoviário de passageiros,
09:58viagens de média e longa distância,
10:00ser uma solução elétrica disponível,
10:04principalmente por conta da infraestrutura.
10:06Então, todas as empresas estão trocando a sua frota para o motor Euro 6,
10:12que é menos poluente,
10:14que tem toda uma estrutura que reduz em até 70%
10:18as emissões de partículas no meio ambiente.
10:22Então, isso é uma preocupação,
10:25que o transporte regular,
10:26que as empresas associadas à Abrat,
10:28e que são regulares no país,
10:31mesmo as que não são associadas à Abrat,
10:33tem essa preocupação de troca do veículo.
10:35Ô, Letícia, a gente tem que comparar
10:38a qualidade do transporte
10:40que é oferecido aqui ao consumidor.
10:43É uma qualidade boa em termos internacionais ou ainda...
10:47É uma qualidade excelente
10:48em relação aos termos internacionais.
10:51Eu estive o ano passado na maior feira de transporte rodoviário,
10:56de ônibus do mundo,
10:58que é a Bus World em Bruxelas,
11:00e você tinha um fabricante de veículo brasileiro,
11:04que é uma multinacional brasileira.
11:07É o Marco Polo, né?
11:08Exatamente.
11:09Eu conheço o pessoal lá do Marco Polo.
11:10É um orgulho para o transporte rodoviário nacional.
11:13E você claramente vê a diferença
11:18entre a qualidade do veículo fabricado
11:21para o mercado brasileiro
11:23e a qualidade do veículo em termos de conforto para o passageiro,
11:26a percepção de conforto do fabricado fora do Brasil.
11:30É óbvio que isso tem muito a ver com as distâncias do país
11:34e com a estrutura que a matriz do transporte nacional é rodoviária.
11:39Então, você vê essa qualidade muito...
11:41Existem distâncias muito longas, né?
11:43Eu vi um ônibus, Rio Natal via Caruaru,
11:48eu falei, meu Deus do céu!
11:50Exatamente.
11:51Anda...
11:52Você tem ideia de quantos mil quilômetros a maior linha?
11:56Não sei.
11:57Você sabe qual a maior linha do Brasil?
11:58Não, não sei mais qual é.
12:00Eu lembro que era Fortaleza Pelotas,
12:02só que essa linha foi fracionada em mercados com hub.
12:06E hoje existe estrutura, né?
12:09E a legislação exige descanso, né?
12:12Troca de motoristas.
12:14Sim.
12:14A dupla de motoristas no rodoviário está completamente proibida já
12:20com manifestação do Supremo Tribunal Federal.
12:24Não pode viajar com dupla.
12:27Transporte de passageiros rodoviário, ele tem que fazer a rendição.
12:31O motorista tem que vir descansado e em determinado ponto da rodovia,
12:36quando esgotado o tempo dele de direção, tem que haver a rendição.
12:42As empresas têm locais onde os motoristas ficam, né?
12:45Sim.
12:46Todas as empresas têm regulários.
12:48Qual é o máximo de quilômetros?
12:50Estamos falando, a cada 400 quilômetros em geral,
12:52você tem que ter um ponto de apoio para fazer uma parada, descanso.
12:59E você tem que ter um ponto de apoio da empresa
13:01para que ela possa providenciar, por exemplo,
13:03um trabalho de contingência ou socorro, no caso de uma quebra,
13:06de um problema que haja com aquela viagem.
13:10Esse tipo de estrutura...
13:12O ônibus reserva?
13:13O ônibus reserva não necessariamente é obrigatório,
13:18mas, obviamente, que é aconselhável e recomendável
13:22que você tenha para poder fazer a substituição.
13:25É um bom setor, um setor lucrativo, né?
13:27É um bom setor.
13:29É um setor que, obviamente, já foi mais lucrativo
13:32e que tem todos esses problemas, inclusive, do clandestino,
13:36mas que é um setor que presta um serviço de muita qualidade.
13:39A gente fez uma pesquisa com o Instituto Antigo da Atafolha,
13:44foi em 2023, sou 22, agora não me lembro ao certo,
13:49e deu 70% de satisfação da sociedade
13:52com a qualidade do serviço rodoviário oferecido.
13:56Houve um momento em que a passagem aérea caiu tanto
14:00que começou a concorrer com o transporte rodoviário, né?
14:03Sim.
14:04Agora houve uma distância muito grande também,
14:06já não mais concorre, né?
14:07Na realidade, quando você coloca uma família, por exemplo,
14:12com três pessoas e mais bagagem,
14:15fica muito distante o preço do rodoviário para o aéreo, né?
14:19O rodoviário tem um custo-benefício gigantesco em relação ao aéreo.
14:24Principalmente quando você faz a análise do serviço cama, por exemplo,
14:30ou do leito, onde você tem um conforto
14:32que pode minimizar o que é invencível, o que é o tempo.
14:37Então isso, de fato, é bastante atrativo.
14:41Você não paga bagagem, você não paga mala,
14:43cada passageiro pode ter uma franquia de 30 quilos por pessoa.
14:47Vocês estavam querendo cobrar também a mala.
14:50Não, o rodoviário não pode cobrar, são 30 quilos de franquia.
14:54Mas houve um momento que os rodoviários estavam querendo mesmo.
14:58Os rodoviários interestaduais nunca trabalharam nesse sentido, não.
15:02As estradas também melhoraram, o que facilita, aumenta, reduziu o tempo, né?
15:08E melhoraram até porque foram concedidas, estradas concedidas.
15:14Isso impacta também na qualidade do serviço, né?
15:17Muito, impacta muito e impacta no custo da empresa também.
15:21Uma rodovia com melhor qualidade é uma rodovia que também oferece menos custo de manutenção.
15:28Tudo isso melhorou muito ao longo dos últimos anos no Brasil,
15:33mas é óbvio que você ainda tem muitas regiões que são críticas, né?
15:38As estradas, por exemplo, no interior de Minas, existem...
15:42É a maior malha viária do país, então, obviamente, que ela tem essa característica, né?
15:50Não é homogêneo.
15:51Mas você ainda tem algumas rodovias com necessidade de melhoria e de investimento.
15:57Não melhorou muito.
15:58O Brasil de hoje, com relação a rodovias, não é o mesmo Brasil de 10, 15 anos atrás.
16:04Eu vou dividir a segurança no transporte coletivo em duas partes.
16:09A segurança de assalto a ônibus, né?
16:13E a outra.
16:14Vamos falar primeiro de assalto.
16:16Houve um momento que os assaltos estavam constantes demais, né?
16:20Essa linha daqui para o Rio de Janeiro, Brasília e Rio de Janeiro, era basicamente normal.
16:27Ainda continua sendo um problema?
16:29Houve alguns pontos que eram críticos nesse sentido de segurança.
16:34Algumas regiões que ofereciam, de fato, muito risco para a viagem durante um determinado período.
16:41Felizmente, isso reduziu muito nos últimos anos e isso se deve muito ao trabalho da PRF.
16:48A Polícia Rodoviária Federal presta um papel importantíssimo nas estradas, importantíssimo para a população.
16:56E o monitoramento das rodovias hoje, acredito que também tenha...
17:02Na verdade, a câmera foi colocada para fazer outro tipo de função, que era verificar a placa, verificar a velocidade,
17:09verificar a regularidade daquele carro com relação à IPVA e outros impostos.
17:14E ela, no entanto, ofereceu um outro benefício, que foi saber que a pessoa não está escondida no que ela
17:29apronta na rodovia.
17:30E isso reduziu um tanto os assaltos e outros tipos de crimes em relação ao passageiro.
17:37A câmera interna nos ônibus, né?
17:38Não, as externas e as internas. As internas são uma segunda etapa.
17:42Hoje, o ônibus tem câmera no salão, a maioria deles, câmera voltada para a rodovia e câmera voltada para o
17:49motorista,
17:50que é o do monitoramento também da telemetria.
17:54Tudo isso ajuda...
17:56Aumentou a segurança.
17:57Muito.
17:57De quem é a responsabilidade de um assalto?
18:00Um assalto, o passageiro está dentro de um ônibus e o ônibus sofre um assalto.
18:06De quem é a responsabilidade por essa segurança e recuperação de danos?
18:11Na realidade, a responsabilidade é da segurança pública.
18:16É da segurança pública.
18:17Existem inúmeras sentenças e decisões de tribunais que, assim como a população está à mercê da qualidade da segurança pública
18:28na rua,
18:29em todos os lugares, ela também está quando ela está dentro do ônibus.
18:32Existem pontos críticos para esse tipo de insegurança?
18:36Olha, hoje reduziu muito.
18:37Reduziu muito.
18:38Ainda deve ter algumas localidades, talvez, rodovias do litoral do Nordeste,
18:45algumas rodovias, que existem alguns pontos críticos em função da qualidade do piso
18:52ou da velocidade que o ônibus anda em uma velocidade muito reduzida, outros estados,
18:58mas é muito menos do que existia há alguns anos atrás.
19:02E um outro ponto também muito importante de se mencionar é que os terminais rodoviários hoje,
19:11as empresas todas regulares partem de terminais rodoviários,
19:15eles estão investindo em câmeras.
19:17Sempre existiu a câmera de monitoramento do terminal.
19:21Hoje existe uma tecnologia com inteligência artificial que faz o reconhecimento facial da pessoa
19:29e está interligada diretamente ao batalhão de polícia.
19:33Então você consegue coibir a entrada de um meliante dentro do ônibus para embarcar, por exemplo, como passageiro.
19:41O Rio de Janeiro já implementou essas câmeras e essa conexão com o batalhão de polícia.
19:48São Paulo já tem.
19:49Brasília começa agora, nos próximos meses.
19:53A rodoviária do plano piloto aqui também já tem esse tipo de monitoramento interligado com o reconhecimento facial.
20:02Então, assim, ninguém mais fica invisível.
20:04Essa é a palavra.
20:05E o pirata não tem exatamente isso com o destino.
20:08E com relação à segurança viária das estradas, como é que está no Brasil essa segurança, o perigo de viajar
20:19de ônibus?
20:19Olha, a letalidade do transporte clandestino é um ponto muito importante para ser mencionado,
20:27porque ele coloca em risco não apenas quem escolheu viajar nele,
20:30mas ele coloca em risco todas as pessoas que estão trafegando na rodovia,
20:34que podem vir a ser abarruados no seu veículo com mais ou menos gravidade.
20:41Sem manutenção.
20:42Por um motorista que está dormindo, que não descansou devidamente,
20:46que não tem a qualificação para estar dirigindo um ônibus de 40, 50, 60 pessoas dentro, por exemplo,
20:53como é um double-decker,
20:54que não tem nenhum programa que monitora a saúde física dele,
21:01porque até é que ele esteja apto a dirigir pelo tempo de cansaço e de viagem,
21:06mas se ele não tiver com uma saúde monitorada,
21:09se ele tiver com alguma doença que venha a prejudicar o alerta dele durante a viagem.
21:15E essa pessoa não é registrada em geral,
21:18ela não tem nenhum vínculo com aquela empresa,
21:20ela não tem nenhum histórico, ninguém sabe de onde saiu.
21:23Mas os acidentes também acontecem com os regulares.
21:27Com certeza, o regular também está sujeito a ter acidentes.
21:31A grande diferença é como é tratado a vítima desse acidente.
21:36A vítima, seja ela com menor ou maior letalidade,
21:40ou até a vítima que só teve dano material,
21:42como por exemplo, uma avaria de má bagagem,
21:45quando ela está no transporte regular,
21:47ela tem toda a obrigação da empresa de reparar esse dano,
21:53seja um dano emergencial e imediato e pecuniário,
21:58ou seja um dano moral,
22:01que é, obviamente, reparado com valor pecuniário,
22:05mas ao longo de um período,
22:06conforme determinada pela sentença e avaliação do juízo.
22:09Isso faz muita diferença.
22:11Muita diferença.
22:12Uma família pode ser totalmente desestruturada
22:16com um acidente que vem a vitimar o seu provedor,
22:20que reduza de alguma forma, por exemplo,
22:23a capacidade dele de trabalhar.
22:24No transporte aéreo, já conversei com diretores de empresas
22:28que se queixam muito do risco jurídico.
22:32Existem profissionais de direito
22:35que ficam de plantão nos aeroportos
22:37comprando direitos de passageiros.
22:40Esse risco jurídico também é importante no terrestre?
22:44Existe.
22:45Existe esse risco jurídico,
22:47mas, sinceramente, as empresas,
22:49elas trabalham para não oferecer essa oportunidade.
22:54O que tem que se trabalhar é para ser pontual,
22:57é para entregar ao passageiro
22:59com a sua integridade física totalmente preservada,
23:03a sua bagagem perfeitamente acondicionada,
23:06se custodiada no bagageiro da empresa.
23:09fazer toda a identificação das pessoas
23:13para ter certeza que o menor embarcado
23:16ele está com o responsável legal dele.
23:21O trabalho tem que ser feito
23:23para que tudo corra corretamente.
23:27Se eventualmente alguma coisa está errada
23:29e se tem uma quantidade de profissionais
23:33que venham a se valer disso
23:35para encontrar nesse risco jurídico
23:37uma oportunidade de trabalhar,
23:39a empresa precisa minimizar antes.
23:43Ela tem que trabalhar na causa.
23:46Isso é a minha opinião.
23:48É interessante que muitos empresários reclamam
23:51da quantidade de feriados no Brasil,
23:54especialmente esse ano,
23:55vai ter muito feriado imprensado.
23:58Mas para vocês é bom, né?
23:59O setor está preparado para esse aumento?
24:02Eu acho que vai ter um aumento ali de uns 20% a 30%.
24:05O setor comemora quando tem feriado.
24:07Ao contrário do comércio, por exemplo,
24:10e de outros setores da indústria,
24:12o setor comemora quando tem feriado,
24:14porque isso impulsiona o desejo de viajar.
24:17E o Brasil tem um potencial turístico,
24:20rodoviário enorme.
24:21A maior parte dos locais que são interessantes
24:27e que estão fora daqueles eixos óbvios de turismo,
24:30só se acessa de ônibus.
24:32Que não são capitais, por exemplo,
24:34só se acessa de ônibus.
24:36Então, para nós, há uma preparação grande,
24:38há uma preparação de equipe,
24:41há uma preparação de disponibilidade de frota
24:44para fazer a oferta de trabalho
24:46e trabalhar na sazonalidade
24:48com a mesma qualidade que se trabalha
24:50no período regular.
24:53Letícia, quais são os direitos do consumidor,
24:55do passageiro?
24:58Eles têm, evidentemente, direitos.
25:00Quais são esses direitos?
25:01Olha, o passageiro do rodoviário,
25:02ele tem muito mais direito
25:04do que o passageiro, por exemplo, do aéreo.
25:06Isso eu posso te afirmar tranquilamente.
25:09A passagem rodoviária, ela vale por um ano.
25:13Ela pode ser trocada,
25:14ela pode ser remanejada
25:19com uma taxa estabelecida em lei
25:21e com a diferença de tarifa
25:23que depende do período
25:25em que ele faz a solicitação de compra.
25:27Não existe uma taxa que seja equivalente
25:30ou maior do que o valor que ele pagou pela passagem.
25:33Não existe isso.
25:34Ela perdia a passagem. Não existe.
25:36Ele tem direito a transportar a bagagem dele
25:40pelo valor da passagem.
25:42Ele tem o direito, por exemplo,
25:44de receber todo o atendimento
25:48caso essa viagem, por algum motivo,
25:51seja durante ela ou antes dela iniciar,
25:54ela ultrapasse as quatro horas.
25:55Ele tem que ter alimentação,
25:57ele tem que ter hospedagem,
25:58ele tem que ter isso tudo imediatamente.
25:59Isso existe no transporte terrestre.
26:00Isso é uma norma da Agência Nacional de Transportes Terrestres,
26:05não é recente, inclusive não é do Novo Marco.
26:08O Novo Marco repetiu a norma,
26:10que é obrigatório para as empresas de transporte regular.
26:14Ele tem que ter todo um contingente
26:16para resolver o problema dele.
26:18Ele tem o saque 24 horas,
26:20que a empresa precisa manter.
26:22um serviço de atendimento ao consumidor,
26:250800, ligação, WhatsApp,
26:27seja lá a maneira que ela escolher,
26:2924 horas, 365 dias no ano.
26:33Ele precisa ter um atendimento presencial em algum lugar.
26:37Não existe ele falar só,
26:38ah, eu não tenho, só tenho um atendimento virtual.
26:40Se ele vai embarcar naquela cidade,
26:43ele precisa que haja uma agência,
26:45que exista uma agência com gente
26:47para ele receber um atendimento humanizado,
26:50caso ele precise.
26:51Ele pode, óbvio,
26:52comprar uma passagem dele na internet,
26:54vai embarcar só com QR Code,
26:56ler na porta do ônibus,
26:57entra e embarca, ótimo.
26:59Mas se ele tiver um problema,
27:00ele quiser uma informação,
27:02uma solicitação,
27:03uma reclamação,
27:04um remanejamento de passagem,
27:06ou mesmo pagar a passagem em dinheiro,
27:07que é um direito que ele tem,
27:09ele tem que ter uma agência
27:10para ele comprar essa passagem.
27:13Em outros transportes,
27:14não existe isso, né?
27:16Você vai procurar como comprar essa passagem
27:18num balcão,
27:19você não acha.
27:19E reclamar muito disso.
27:20Só no balcão, no aeroporto, né?
27:23Mas no terceiro andar,
27:25atrás de uma porta,
27:28tem esse tipo de diferença hoje
27:30com relação ao passageiro do rodoviário.
27:32Porque ele é um transporte popular.
27:34Ele é um transporte mais democrático
27:37que existe no sentido de atender
27:40a todo tipo.
27:41A universalidade do serviço.
27:45Deficiente ou não,
27:47idoso ou não,
27:49jovem ou não,
27:51com problemas ou não,
27:52hipossuficiente financeiramente ou não,
27:55o rodoviário,
27:56ele tem que estar preparado para atender.
27:58Muito bem.
27:59Queria te agradecer, Letícia,
28:01por essa conversa aqui
28:02na Jovem Pan.
28:03Importante porque nós temos aí feriados pela frente
28:07e o transporte rodoviário
28:09é o modal brasileiro, né?
28:12Muitos falam no modal aéreo
28:15para grandes distâncias, né?
28:17Mas o básico é exatamente o rodoviário.
28:21Muito obrigado.
28:21E obrigado a você
28:22que nos acompanhou aqui no Ponto Final.
28:30A opinião dos nossos comentaristas
28:33não reflete necessariamente
28:35a opinião do Grupo Jovem Pan
28:37de Comunicação.
28:41Realização Jovem Pan
28:43Jovem Pan
28:45Obrigado.
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