00:00No início, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declara que a palavra cautela
00:04vai continuar no vocabulário dele por mais tempo devido à instabilidade do mercado internacional.
00:10Repórter Matheus Dias, agora aqui com a gente, Gabriel Galípolo, está preocupado com a inflação, é isso?
00:16Boa noite.
00:19É isso, viu, Tiago? Boa noite pra você, boa noite a quem nos acompanha.
00:22Uma ótima semana.
00:23Diante, então, das pressões internas sobre corte de juros,
00:26o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mais uma vez citou os fatores externos,
00:31como o caso da escalada do conflito no Irã.
00:34E ele disse que integrantes dos bancos centrais têm um sentimento em comum,
00:39segundo ele, o sentimento de constantemente preocupados.
00:42E que por conta disso, por conta dessas incertezas externas,
00:46a palavra, como você bem disse, tem que ser a de cautela. Vamos ouvir.
00:51Acho que eu usei a palavra cautela desde que eu entrei no Banco Central
00:56mais vezes do que eu usei toda a minha vida antes de eu entrar no Banco Central.
01:02Mas no Banco Central, a palavra cautela, desde a época que a Fernanda era diretora,
01:05ela vem acompanhada da palavra serenidade.
01:08Ela nunca está sozinha, ela está cautela e serenidade junto.
01:12Por quê?
01:12Porque justamente a ideia de cautela para o Banco Central do Brasil
01:15é você poder tomar tempo para conhecer melhor o problema
01:20e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros
01:24na direção da política monetária,
01:26a partir do conhecimento que você tem maior do problema.
01:33Pois é, essa fala do presidente do Banco Central
01:35aconteceu no 12º Seminário da Política Monetária,
01:39organizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV.
01:43E ele respondeu uma pergunta, Tiago, referente ao pequeno corte de juros
01:47depois de um ano passado praticamente inteiro com a taxa de juros do país a 15%,
01:52agora com um pequeno corte de 0,25%, estando então a 14,75%.
01:59Galípulo disse que esses cortes são estratégicos
02:03e que o Comitê de Política Monetária pensa diferente das pessoas comuns.
02:07Vamos ouvir.
02:08Nós, banqueiros centrais, somos focados em meta de inflação.
02:13Enquanto a população está focada em nível de preço.
02:17Então você pode estar tendo uma inflação baixa,
02:20mas conviver as duas coisas altas, as duas coisas simultaneamente.
02:24Uma inflação baixa com um nível de preço relativo,
02:28especialmente porque a receita e a renda das pessoas
02:31não cresceu na mesma velocidade que esses degraus
02:34que a gente assistiu de pancada a partir de cada um desses choques de oferta.
02:41E mesmo com esse corte de 0,25%, Tiago,
02:44o Brasil continua com a maior taxa de juros aqui dos últimos 20 anos
02:49e a segunda maior taxa de juros real do mundo,
02:52atrás apenas da Turquia.
02:53E mesmo em todo esse cenário,
02:55e mesmo com tanta pressão do governo federal
02:57por esse corte mais acelerado,
02:59Galípulo disse que o Banco Central vai manter essa política apertada.
03:03Os desafios do Banco Central nesse ano eleitoral também
03:07com a questão dos juros e essa pressão inflacionada.
Comentários