00:00O presidente Lula afirmou hoje que o BC precisa olhar mais para a classe trabalhadora do país.
00:06Repórter Júlia Fermino, mais uma vez aqui com a gente no Jornal Jovem Pan,
00:11o presidente busca uma queda nos juros do país, como falava a Denise agora há pouco.
00:15Bem-vinda mais uma vez, Júlia.
00:19É exatamente isso, Thiago. Foi a ele num tom de brincadeira, um pouco descontraído,
00:24mas fato é que Lula passou o recado, diz que quer então conversar com o presidente do Banco Central,
00:31Gabriel Galípolo, justamente buscando essa redução nos juros, na taxa básica de juros.
00:39Disse ainda que o Banco Central deveria considerar as ações que o governo tem tomado,
00:44o governo federal tem tomado e que a autoridade monetária também deve olhar para pessoas como ele,
00:51e pessoas como Lula, que foi um metalúrgico.
00:55A gente, inclusive, separou um trecho dessa fala do presidente. Vamos acompanhar?
00:59Esse Lula só governa por causa de único, tudo é por causa de único, tudo é por causa de único.
01:03E eu? E eu?
01:05Que sou metalúrgico, sou torneiro mecânico igual a ele.
01:08Por que é que eu não tenho direito de ter uma casa?
01:10E aí a gente pensou em elevar esse padrão e também baixar a taxa de juros, gente.
01:16Sabe?
01:16Você veja que o Banco Central olhar para nós, ele vai baixar a taxa de juros.
01:21O Banco Central precisa olhar o que o Tesouro fez, o que o planejamento fez aqui.
01:26Quando o Galipo voltar para a viagem dele à Europa, eu vou falar,
01:29olha aqui, os meninos, os meninos da gastança estão reduzindo o dinheiro.
01:35Estão reduzidos.
01:36Por que?
01:37Porque são esses investimentos que fazem a economia girar.
01:44Nessa mesma oportunidade, o petista também destacou que o governo busca ampliar o acesso ao crédito
01:51por parte de famílias de renda média.
01:54Como, por exemplo, fazendo aquelas mudanças em programas habitacionais do governo,
02:00como, por exemplo, Minha Casa Minha Vida, o Reforma Casa Brasil.
02:05E aí, o que cabe a gente destacar aqui, Tiago, é que ainda em março,
02:10a Selic foi reduzida para 14,75%, o que foi uma primeira queda registrada em cerca de dois anos.
02:20A gente segue de olho para ver se, de fato, essa conversa vai realmente acontecer
02:24entre o presidente do Banco Central e o presidente aqui do país.
02:28Volto com você.
02:28Perfeito.
02:29Júlia Fermino, então, trazendo a palavra do presidente Lula.
02:32Até daqui a pouquinho.
02:33Denise Campos de Toledo e Mano Ferreira.
02:36Denise, tudo é uma questão de economia, nesse caso.
02:39Agora, será que o presidente Lula vai começar a pressionar o Banco Central,
02:44mesmo com o Galípolo sendo indicado por ele?
02:46Bom, ainda bem que ele falou dando risada que vai chamar o Galípolo
02:49para ele ficar de olho na gente, para ele vir aqui e baixar os juros,
02:52porque não deu aquela ameaça como ele fez na época de Roberto Campos Neto.
02:56Mudou um pouquinho o tom, então, que seja brincadeira mesmo,
02:59porque, inclusive, se Galípolo ficar de olho no que eles andam fazendo
03:02em relação às contas públicas, aí é que não sai corte dos juros mesmo,
03:06porque, além da preocupação com o avanço da inflação por conta da guerra
03:09no Oriente Médio, a gente tem essa pressão, como eu falava há pouco,
03:13que vem das contas públicas, dessa piora das expectativas,
03:16isso pressiona também a inflação, dá menos espaço para redução dos juros.
03:20Estamos, de fato, numa situação difícil, que o governo não está sabendo exatamente
03:23de comunidade, aumento de endividamento, aumento da inadimplência,
03:27claro que tem a ver com o nível dos juros, mas está tudo muito interligado,
03:31e aí sobe a dívida pública, isso exige mais do governo,
03:35e cria um ciclo vicioso que a gente não consegue sair dessa marra.
03:40E o governo, ao mesmo tempo, vai tentando fazer alguns agrados para a população,
03:44ele anunciou novas regras, Minha Casa Minha Vida,
03:47ele aumentou a faixa de renda, que pode chegar a 13 mil, entrar na faixa 4,
03:51e aumentou o valor máximo dos imóveis.
03:54Então, quem estava naquela limite de renda pode comprar um imóvel melhor,
03:59melhor localizado, mais adequado, inclusive, a evolução de preços de mercado.
04:04Então, é um agrado, desta vez, para a classe média.
04:07Essas são as condições do Minha Casa Minha Vida,
04:09e com juros mais baixos do que os praticados hoje no mercado.
04:12Então, por aí, o governo tende a conseguir algum resultado,
04:15ele espera a inclusão no sistema de milhares de famílias
04:19que estão interessadas em adquirir a casa própria.
04:22Agora, em relação a juros do Banco Central, muita coisa vai interferir, Tiago.
04:26E, de qualquer forma, quando o presidente Lula fala
04:29que o Banco Central deveria olhar mais para a classe trabalhadora,
04:33é um órgão técnico, não é um órgão que olha o social, enfim,
04:38não é um órgão de governo, né?
04:39E, mesmo assim, Tiago, acho que é muito importante relembrar
04:43que quem mais se prejudica quando nós temos a inflação fora de controle
04:49são os mais pobres, porque, justamente, são os mais pobres
04:52que, proporcionalmente, precisam gastar mais do que conseguem investir
04:57e, na prática, sentem mais o impacto da inflação no seu poder de compra.
05:03Então, acabam, sim, sendo as principais vítimas do aumento da inflação.
05:09De tal modo que, quando o Banco Central eleva a taxa de juros
05:13para tentar controlar o aumento da inflação,
05:16ele está também olhando pelos mais pobres.
05:19O que o governo precisa fazer é ajudar o Banco Central
05:23a ter condições efetivas de baixar os juros.
05:26E isso passa, necessariamente, por organizar a trajetória das contas públicas
05:31para parar de pressionar a trajetória de aumento da dívida,
05:35que é o que, hoje, todo mundo olha para o horizonte
05:38e não sabe como o governo brasileiro vai ser capaz de pagar as contas.
05:43O que também é engraçado quando a gente fala da preocupação com o endividamento, né?
05:47Porque o maior endividado do Brasil é o próprio governo
05:51e, num contexto em que ele diz se preocupar com dívida,
05:55ele está querendo estimular o crédito, ou seja, mais uma dívida.
05:59Bom, Denise, temos dois minutinhos para o nosso intervalo,
06:01mas eu queria só retomar com você, agora há pouco eu destaquei aqui uma notícia,
06:06que o ministro da Fazenda, Dário Durgan, que está em Washington,
06:10afirmou que o governo está focado em gasto eficiente a partir de agora
06:13e não mais em ajuste de carga tributária.
06:16O que isso representa?
06:17A responsabilidade fiscal se for implementada na prática.
06:20É tudo o que o mercado gostaria de ouvir, é poder levar a sério.
06:23Ele vai participar das reuniões do FMI e também do Banco Mundial,
06:27as reuniões de primavera, onde saiu essa projeção de que a dívida pública brasileira
06:32pode chegar a 100% do PIB no primeiro ano do mandato do próximo governo.
06:36Então, ele mostra uma preocupação em passar esse recado de responsabilidade fiscal.
06:41Agora, não bate muito com as estratégias que a gente ainda tem visto
06:44de aumento das despesas, de o governo abrir mão dessa correção real
06:48do salário mínimo que tem impacto na Previdência, outras despesas,
06:52e mesmo em relação ao Minha Casa Minha Vida, tem uma destinação maior de recursos.
06:57Agora, só para acrescentar, fazer isso num ano eleitoral,
07:01justamente no bico da eleição, isso dá algum resultado, Denise?
07:06Olha, é muito difícil, porque você tem que mostrar na prática, efetivamente,
07:09alguma medida que dê resultado melhor em relação à evolução das contas públicas
07:13num baixo discurso do ministro da Fazenda, não é, Tiago?
07:16Tem que mostrar o resultado mesmo, conseguir cumprir a meta fiscal sem manobra,
07:21sem tanta exclusão de despesas como a gente tem visto,
07:24sem trabalhar na margem de tolerância.
07:26Então, alguma proposta que reduza, efetivamente, gastos
07:30e garanta uma condição melhor para as finanças.
07:33E a pergunta para o Mano Ferreira, em 30 segundinhos,
07:36é um prateio para a oposição ao governo Lula,
07:39para questionar por que essas medidas só estão sendo adotadas agora, né?
07:42Exatamente. Quando você tem o discurso numa direção
07:46e as práticas na outra, isso degrada a credibilidade
07:50e faz com que, na prática, as pessoas não levem a sério
07:54aquilo que está sendo trazido.
07:56Então, a oposição nada de braçada nesse contexto,
07:59especialmente porque a principal forma de comunicação aí está no bolso.
08:04É quando as pessoas sentem, na prática e na fila do supermercado,
08:08o poder de compra delas diminuindo.
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