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Em entrevista ao Jornal da Manhã, o pesquisador da PUC-Rio, Edmar Almeida, alertou que o preço do petróleo pode sofrer novos picos caso o conflito entre Donald Trump (EUA) e o Irã se prolongue.

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Transcrição
00:00Porque o preço do petróleo disparou, não só no Brasil, mas em todo o mundo, afetou todo o ecossistema financeiro
00:06global.
00:06Vamos conversar com o professor Edmar Almeida, que é pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio.
00:11Professor, muito bom dia, obrigada pela participação aqui no Jornal da Manhã.
00:16Esse fenômeno acontecendo agora evidencia muito a crise energética que a gente vive, né?
00:21Já era, o mundo inteiro está vivendo uma transição desses combustíveis fósseis.
00:26E por que ela ainda não está acontecendo, professor?
00:30Bom dia, Márcia, bom dia, Evandro. Obrigado aí pelo convite, inicialmente.
00:35Efetivamente, apesar dos esforços de diversificação da matriz energética mundial,
00:43alguns países com mais vontade dessa transição do que outros,
00:48a dominância da matriz energética mundial ainda é do petróleo, gás e carvão.
00:54Nós estamos falando aí de algo como 75, 80% de todo o combustível consumido no mundo,
00:59ainda vem dessas fontes fósseis, né?
01:02Não é fácil você fazer essa transição ou substituir essas fontes fósseis, né?
01:09Porque o primeiro tamanho do mercado de energia no mundo é muito grande.
01:13Segundo, porque essa transição exige muita...
01:19Tem um custo muito elevado, existe mudança de padrão de tecnologia,
01:23então tem uma inércia muito grande, né?
01:26Então, assim, ainda estamos longe, nós vamos conviver com petróleo e gás durante décadas, né?
01:35E esse processo vai ser gradativo, né?
01:38Até lá, né?
01:39A gente vai ter que conviver com essa instabilidade do mercado de petróleo e do gás,
01:44que são mercados muito sujeitos a essa instabilidade geopolítica, como a gente está vendo aqui, né?
01:50Em particular, nos últimos anos, a gente tem visto uma grande volatilidade nos preços,
01:54e esse é um problema, né?
01:55Para as economias mundiais, enfim.
01:57Isso causa choques externos na economia, disrupção em alguns setores da economia,
02:03então são problemas muito complexos que os governos vão ter que conviver com eles de agora em diante, né?
02:10Professor, muito bom dia para o senhor, bem-vindo, obrigado pela presença aqui conosco no Jornal da Manhã.
02:15Nessa semana a gente viu a revista The Economist dizendo que o Brasil tem uma vantagem
02:19em relação a outros países do mundo por conta dos biocombustíveis.
02:22O senhor concorda com essa leitura e de que maneira que essa vantagem pode trazer mais sustentabilidade
02:29num cenário em que o conflito não se resolva tão rapidamente quanto esperado?
02:37Veja, primeiro, quanto mais diversificada a sua matriz energética, melhor é para enfrentar esses períodos de volatilidade, né?
02:48Na verdade, é o que os analistas financeiros falam para a gente quando a gente vai para o banco, né?
02:53Olha, diversifica, porque se tiver alguma turbulência em nenhum mercado, você tem lá outros tipos de aplicação, etc.
03:01Isso vale para a energia também.
03:03Então, diversificação é a chave para você conviver com a oscilação dos preços, né?
03:11E evitar que isso impacte negativamente na economia.
03:15O Brasil, certamente, é um dos países que tem uma matriz energética mais diversificada no mundo.
03:20Até porque a gente conseguiu inserir a nossa matriz energética em algumas fontes que outros países não conseguiram, né?
03:26O Brasil tem uma capacidade de produção de biocombustíveis que outros países não têm.
03:32Então, por exemplo, no mercado de gasolina, né?
03:36O gasolina que a gente coloca no nosso carro, 30% não é gasolina, é etanol, né?
03:42Ainda tem o mercado de etanol.
03:44Isso facilita para o Brasil manter a estabilidade dos preços nesse mercado.
03:50Tanto é que a gasolina subiu muito menos aqui no Brasil do que o diesel.
03:54A gente está vendo que o diesel aí está disparando.
03:56O problema nosso no diesel é que a gente...
03:59Primeiro, a porcentagem do biodiesel no diesel é pequena, cerca de 15%,
04:04enquanto que... e a gente também importa muito o diesel do exterior.
04:08Então, o nosso mercado está muito sujeito ao preço do diesel no mercado internacional.
04:14Professor, e como é que o senhor enxerga essa dominação americana também, né?
04:19Esse monopólio de Trump agora mexendo com o mercado, né?
04:23Isso mudou toda a geopolítica global.
04:28Veja, os Estados Unidos é o maior produtor mundial de petróleo e de gás, né?
04:35Eles controlam, de certa forma, né?
04:39Hoje em dia, com a movimentação geopolítica, né?
04:44Eles controlam o que está acontecendo nesse mercado, ou determinam, né?
04:49Melhor dizendo, né?
04:51Mas, veja, eu acredito que os Estados Unidos não estão imunos
04:58às oscilações do preço do petróleo no mercado internacional, né?
05:03Tanto é que o preço do diesel e gasolina está subindo lá também.
05:06O preço dos combustíveis são livres nos Estados Unidos, né?
05:13Então, na medida em que a guerra se agrava, e tudo indica que nós estamos indo para esse cenário, né?
05:20Nós vamos ter problemas cada vez maiores no suprimento de gasolina e diesel
05:28e de outros combustíveis, como querendo ser de aviação, né?
05:31O que eu acho que vai diferenciar os Estados Unidos, países como o Brasil, de outros,
05:36é que quem exporta não vai ter falta de produto, ou seja, não vai faltar gasolina no Brasil,
05:44não vai faltar quem haver diesel, tem uma questão de...
05:47A gente vai ter que monitorar esse mercado, porque nós temos alguma fragilidade ali,
05:52mas nos Estados Unidos não vai faltar combustível.
05:54Mas o preço não vai ser um preço americano, tá certo?
05:58Cedo ou tarde, o preço, a disparada do preço que nós estamos assistindo no mercado internacional
06:05vai chegar em todos os países do mundo, porque esses mercados são interligados, né?
06:09É uma commodity mundial, né?
06:12Nós não estamos falando de um produto que só tem em alguns países, enfim.
06:17Todo mundo consome petróleo, e quando falta petróleo na Filipinas, na Índia, né?
06:26As empresas vão buscar petróleo onde tem, então elas vão comprar nos Estados Unidos,
06:30elas vão comprar aqui na América Latina, e a demanda aqui vai subir e o preço também, né?
06:35Então, ninguém está imune ao choque do petróleo.
06:39Alguns países têm algumas vantagens, mas do ponto de vista econômico,
06:44eu entendo que se a gente viver uma disrupção no mercado de petróleo,
06:49quer dizer, faltar petróleo no mundo, que é isso que a guerra pode causar, né?
06:54Hoje, cerca de 10% da oferta mundial de petróleo deixou de existir.
06:59Não está conseguindo sair lá do Oriente Médio, né?
07:03No gás natural, nós estamos falando de 20% da oferta de GNL no mundo.
07:09Essa falta, né?
07:11Ela pode começar a acontecer na Ásia, na Índia, etc.
07:15Primeiro, porque são países mais dependentes,
07:17mas no fim do dia, né, você vai ter que destruir demanda,
07:21ou diminuir o consumo no mundo todo, né?
07:24Para ajustar, e como é que a gente diminui o consumo?
07:28Aumentando o preço.
07:29E é isso que tende a afetar as economias mundial,
07:33a economia mundial, porque o preço vai subir no mercado internacional,
07:39e aqui o diesel vai subir, o carizeno de aviação vai subir,
07:43não há como você evitar isso.
07:45Aliás, esse subsídio que o governo está dando, né,
07:50ele não vai ser suficiente, como não está sendo suficiente,
07:53para você voltar, manter os preços de antes da guerra.
07:57Então, acho que é importante, inclusive, trabalhar isso politicamente,
08:01avisar os consumidores, etc.
08:03Olha, estamos fazendo um esforço aqui para diminuir o impacto,
08:07mas se preparem, porque a depender do que vai acontecer na guerra,
08:11os preços podem ficar ainda mais altos e a gente vai ser afetado.
08:15É impossível que o Brasil consiga blindar totalmente o nosso mercado da crise internacional,
08:22até porque nós ainda estamos vivendo preços relativamente confortáveis, né,
08:32porque 100 dólares o barril de petróleo é um preço normal.
08:37Aconteceu entre 2010 e 2014 preço de 100 dólares o barril,
08:41aliás, o dólar daquela época, que vale hoje muito mais do que 100 dólares correntes, né.
08:46Então, assim, ainda a gente não assistiu ao impacto econômico
08:52que essa guerra pode trazer para o mercado de petróleo.
08:55Se o petróleo vai para 200 dólares o barril,
08:57eu acho que é um cenário completamente possível, né,
09:02a gente espera que isso não aconteça, mas possível, se a guerra continuar, né,
09:06você vai ter problemas muito sérios de preços da bomba, né,
09:12muito diferentes do que nós estamos vendo aí.
09:14Esses 7 dólares, a gente vai lembrar deles com um certo saudausismo.
09:187 reais, aliás.
09:21Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC,
09:24muito obrigado por conversar conosco.
09:26As portas estão sempre abertas por aqui.
09:29Eu também fico à disposição, obrigado pelo convite.
09:31Um grande abraço.
09:33E eu quero conversar agora e chamar os nossos comentaristas
09:35para a gente falar um pouquinho também sobre essa situação.
09:37Vou começar aqui com o nosso Acácio Miranda.
09:40Acácio, e a gente percebe que boa parte dessa situação
09:42está conectada também com o fechamento do esteito de Hormuz
09:45e com a influência que o Irã exerce sobre esse espaço
09:50que, como o próprio nome diz, é tão estreito e que tem prejudicado tanto a situação.
09:55Você entende que pode haver algum tipo de movimentação no mundo
09:59que consiga retirar o foco da passagem de navios
10:03por uma área onde o conflito sempre pode reacender?
10:10Evandro, sua pergunta tem muitas camadas,
10:14porque ela envolve não só aspectos econômicos,
10:17como aspectos geopolíticos e até uma eventual solução de logística, meu amigo.
10:24É importante nós observarmos, em primeiro lugar,
10:27que essa discussão sobre o aumento do preço dos combustíveis e derivados do petróleo
10:34está intrinsecamente associada à questão do Oriente Médio,
10:39que é uma região que, nas últimas décadas,
10:44verdade seja dito, tem sido objeto de inúmeros conflitos.
10:48E a relação Estados Unidos-Irã, nesse momento,
10:52é o fator pontual que tem contribuído para o aumento dos derivados do petróleo.
10:59Porém, quando a gente pensa no Estreito de Ormã e na sua importância geopolítica
11:07e na sua importância logística,
11:10não há, em termos geográficos,
11:12uma solução que seja compatível à utilização dessa localização.
11:19Então, de forma bastante objetiva,
11:22a única solução que se tem para a contenção do preço dos combustíveis
11:28é uma solução na questão do Irã.
11:33Mas nós temos acompanhado as relações dos norte-americanos com os iranianos
11:39e a relação dos norte-americanos com o Oriente Médio como um todo,
11:44e é muito difícil que se chegue a um consenso nos próximos dias.
11:50Então, esse aumento dos combustíveis será uma constante nos próximos tempos,
11:55com as quais o mercado terá que conviver e achar soluções.
12:01Nós falávamos ao longo da entrevista desse subsídio proposto pelo governo brasileiro,
12:08mas é óbvio que esse subsídio reflete em outros itens do mercado.
12:13Então, nós teremos, de forma bastante objetiva,
12:18um pouquinho mais de inflação nos últimos tempos,
12:22por mais que a causa esteja lá do outro lado do mundo.
12:27Mônica Rosenberg, você falava aqui com a gente, nos bastidores,
12:30que achava que a guerra estava com um prazo determinado para acabar
12:34e que agora você perdeu um pouco as esperanças.
12:37Explica melhor essa análise.
12:38Pois é, eu estava apostando que na próxima semana a gente já ia ver pelo menos um cessar-fogo.
12:44Os americanos estão, apesar de não assumirem os detalhes,
12:48estão conversando com os iranianos.
12:50Nós não sabemos até onde isso foi,
12:52mas do lado de Israel também já há uma sensação de que
12:56podemos passar para uma fase de mais calmaria e voltar a conversar.
13:01E aí o que nós vimos nesta noite foi que os Hutis começaram a atacar Israel
13:06e declararam que entram na guerra.
13:09Os Hutis, vale lembrar, são um dos três grupos de capangas do Irã.
13:13O Irã tem os seus capangas ali, o Hezbollah, o Hamas e os Hutis.
13:18E os Hutis já tinham atacado o Estreito de Hormuz há alguns anos atrás,
13:23há um ou dois anos, eu não lembro exatamente a data.
13:26Já tinham mostrado a fragilidade de deixar um ponto tão nevrálgico,
13:30tão importante para o fluxo de petróleo mundial,
13:34nas mãos de um grupo terrorista.
13:36São terroristas, são grupos que semeiam a violência,
13:40são grupos que têm objetivos muito claros e que não estão alinhados
13:43nem com a paz mundial, nem com a democracia, nem com o desenvolvimento econômico.
13:48O que eles querem é fortalecer o regime teocrático, autocrático,
13:53jihadista iraniano e já havíamos percebido que era um perigo.
13:57O que pode ser feito agora é o que os Estados Unidos também estão fazendo,
14:02que é deixar circular o petróleo russo, que já havia sido tirado e que não circula,
14:09não passa pelo Estreito de Hormuz, para tentar agilizar.
14:13Inclusive, foi retirado o embargo no petróleo iraniano.
14:17Olha que coisa maluca.
14:18A venda do petróleo iraniano vai reforçar o próprio inimigo,
14:22mas é necessário por causa do mercado de petróleo que necessita de um pouco de paz.
14:27E vamos ver se essa entrada dos rutis não vem contrapor a minha disposição
14:34de que essa guerra não dure mais do que mais uma ou duas semanas.
14:37E vamos ver se essa
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