00:13Estamos de volta agora com um bloco exclusivo para você que nos acompanha aqui no YouTube do Portal Uai.
00:21O nosso bate-papo é com a Ana Sanches, presidente da Anglo-América do Brasil.
00:26Ana, eu encerrei o bloco da televisão perguntando assim, por quanto tempo você vai ficar?
00:31Você sabe por quê? Você passou por um período em Londres, né?
00:35Quanto tempo você ficou em Londres?
00:36Dois anos e meio.
00:37Dois anos e meio. Eu morei em Londres também.
00:39Então, assim, eu sou apaixonada por Londres.
00:41Existe a possibilidade de mesmo dentro da Anglo-América você voltar a viver em Londres de novo ou não o
00:46caminho é por aqui por enquanto?
00:48Bom, primeiro eu acho que na vida, eu nunca digo nunca, né?
00:51Acho que a gente tem que estar aberto aí para as possibilidades, para as oportunidades, desde que elas façam sentido.
00:58Então, nunca digo nunca.
01:01Londres especificamente, Carol, acho que vai ser menos provável porque a Anglo-América, ela está agora com uma mudança da
01:09sua sede de Londres para a cidade de Vancouver, no Canadá.
01:12Então, é com um anúncio da fusão da Anglo com a Tec Resources, então vai virar Anglotec, então vai ser
01:21uma fusão de duas grandes empresas e a Tec é uma empresa canadense.
01:28Então, concluindo esse processo dessa transação que está esperado para acontecer no final deste ano, aí sim a gente tem
01:36a possibilidade, né?
01:37Mudar a nossa sede para Vancouver e quem sabe um dia, mas não tem nada no radar.
01:43Eu estou aqui no Brasil com o time do Brasil e muito feliz, com muitos desafios, muito motivada, mas Londres
01:51acho que seria, ficaria cada vez mais difícil.
01:53Agora a gente volta, eu sou apaixonada por Londres, você ficou apaixonada por Londres também?
01:57Muito.
01:57Nossa, demais.
01:58Agora, voltando a falar um pouco sobre a força da mulher e sobre esse cargo de presidência de uma mineradora,
02:06você, dentro da nomeação que você recebeu em Londres,
02:09teve outras duas ou três mulheres também da Anglo que foram nomeadas lá, não teve?
02:13Que receberam essa nomeação?
02:16Sim.
02:16Então, quer dizer, você não foi a única, o setor já começa a olhar também para outras mulheres com cargo
02:22de direção que são reconhecidas, que são nomeadas, que são consideradas influência da mineração no setor.
02:30E como que isso para as mulheres que estão se formando agora, seja em engenharia, seja em finanças, seja em
02:40qualquer setor,
02:41o que você diria para essas mulheres que estão começando agora, que te vêm num cargo de presidência e falam
02:46eu também quero receber uma nomeação, eu também quero chegar até lá, eu quero me inspirar, o que você diria
02:51para essas mulheres, para essas jovens que estão começando agora?
02:54Bom, o que eu diria é para elas acreditarem no potencial, que cada uma guarda aqui dentro de si, independente
03:03do que elas possam escutar,
03:04independente de terem pessoas no caminho delas dizendo, isso não é para você, você não vai dar conta.
03:12Eu lembro que quando eu tive meu primeiro filho, há 21 anos atrás, eu escutava muitas pessoas às vezes falaram,
03:22você vai arrepender, você não vai dar conta.
03:25E aí eu parava e pensava, olha, eu tive um exemplo dentro de casa de que isso é possível.
03:31Minha mãe teve quatro filhos, eu sou a caçula de quatro e minha mãe entrou na faculdade aos 17 anos
03:40para fazer odontologia na UFMG
03:43e a vida toda trabalhando e criando os quatro filhos, se realizando profissionalmente, se realizando como mãe.
03:51Então, aquilo ali, vendo a forma como eu fui criada, eu acreditei que é possível o E, não precisa ser
03:59O, desde que seja desejo da pessoa.
04:03Então, é acreditar que vocês podem ser o que vocês quiserem, desde que seja do seu desejo, da sua vontade
04:12e não desistir com a primeira pedra que vai aparecer no caminho,
04:16porque vão aparecer muitas pedras. E eu acho que a cada pedra que vem no caminho é cair, sacudir e
04:23já levantar, né?
04:26E uma resiliência, né?
04:29É ter aquela força dentro de vocês, de ter aquela resiliência, ter aquela determinação.
04:35Eu acredito muito nisso.
04:36Você tem quantos filhos, Ana?
04:37Eu tenho dois.
04:38Dois filhos, esse de 21?
04:40E um de 16.
04:41Agora, sobre as outras mulheres, olha só, o reconhecimento de ser uma das 100 mulheres inspiradoras da mineração global,
04:48que foi um evento no Reino Unido, né?
04:51Pela Woman in Mine.
04:52Isso.
04:52E aí tiveram outras três mulheres da Anglo que também foram, que é a Fernanda Vergara, que é do Chile,
04:58a Maria Elisa Lloyd, de Londres.
05:01Na verdade, são essas duas.
05:03Então, assim, está ali no setor da mineração outras mulheres também sendo reconhecidas.
05:06Carol, no meu corpo de diretoria, no meu comitê executivo, é quase metade-metade.
05:14É isso que eu ia perguntar.
05:15Eu tenho no meu comitê executivo quatro mulheres fantásticas, extremamente competentes, que eu aprendo todo dia com elas.
05:27É um prazer trabalhar com elas.
05:29Quando eu escuto alguma mulher falando que, ah, eu prefiro trabalhar com homem, eu olho para elas e eu penso
05:36assim, o que tem você que talvez, né, você também possa estar criando esse sentimento com outras pessoas.
05:45Então, para mim, né, mulher ou homem, desde que esteja ali querendo arregaçar as mangas, querendo dar o seu melhor,
05:55né, querendo correr atrás, tendo humildade para dizer quando não sei, tendo curiosidade para fazer pergunta,
06:03que eu acho que o líder hoje é um líder que deixa de dar tantas respostas e faz mais perguntas.
06:11Eu gosto de me rodear de pessoas mais inteligentes do que eu.
06:15Eu falo muito que se eu estiver em uma sala de trabalho e eu sou a pessoa mais inteligente, eu
06:22estou na sala errada.
06:23Eu gosto de ter gente onde que me desafia, que eu aprenda.
06:27E essas mulheres que trabalham comigo no dia a dia, eu aprendo muito com elas.
06:31Você sabe quantas pessoas estão aí na sua gestão, mais ou menos?
06:34Eu tenho um dado aqui de 12 mil empregos diretos e indiretos.
06:37É um pouco maior, a gente tem...
06:41Maior?
06:41É, hoje a gente tem aí entre minério de ferro e o níquel, entre empregos diretos e indiretos, a gente
06:49tem cerca de 17, 18 mil pessoas.
06:52É muito, gente.
06:52É um quadro bem significativo.
06:54E aí você estava falando dessas pessoas mais próximas de você, de ser 50, 50 homens e mulheres.
06:59Já foi uma mudança que você viu acontecer desde que você chegou ou muito forte?
07:04Quando eu me tornei diretora na Angola América, em 2015, e nós tínhamos um comitê executivo que reportava para o
07:15presidente, eu era a única mulher nesse comitê executivo.
07:19E durante algum tempo eu fiquei sendo a única mulher.
07:23E aí, aos poucos, isso foi mudando, a ponto de chegar hoje e a gente tem aí...
07:30Hoje nós lutamos aí na metade, metade no quadro de diretoria, mas é, vou dizer, 40%, 60%, tá quase.
07:38Mas é essa transformação, né, Carol?
07:41Eu acho que agora tem que sair do...
07:45Acho que começando pela liderança, porque é a liderança que dá o tom, é a liderança que toma a decisão.
07:50Mas garantir que isso permeia em toda a organização e garantir também que vai em diversos setores.
07:56Não só aqueles, tradicionalmente, onde acaba tendo mais mulheres, mas na operação, no dia a dia.
08:02É ter uma operação que tenha atividades, que elas sejam amigáveis, independente do gênero, né?
08:10Ah, não, mas esse é um trabalho braçal que precisa da força, de uma força músculo mais bruta.
08:16Mas então não tá legal, porque também pode acabar com a coluna de alguém, pode trazer um esforço físico desnecessário.
08:23Não tem como ter um desenvolvimento tecnológico, não tem como ter um equipamento que vai, então, reduzir essa carga...
08:29Né, física, e aí permita que qualquer pessoa possa fazer essa atividade.
08:34É esse tipo de pensamento que a gente tem que ter, é quebrando o paradigma, questionando se a gente realmente
08:41acredita na força dessa diversidade, dessa inclusão.
08:45Eu não comentei no bloco da televisão, mas você também é presidente do Conselho do IBRAM, Instituto Brasileiro de Mineração,
08:52né?
08:52Que é a principal instituição representativa do setor no Brasil, né?
08:56E isso também tem um peso, né?
08:59Não, sem dúvida. O IBRAM, esse ano, completa 50 anos.
09:04E o IBRAM é um instituto que tá aí na defesa do coletivo, né?
09:08O principal é uma associação das empresas de mineração, então, tem todo um papel em falar em nome do setor
09:16e que tem ganhado uma presença muito forte nos últimos anos.
09:21A gente tá até agora, assim, vivendo muito o luto da perda do então presidente do IBRAM, que era o
09:28Raul Júgima,
09:29que era uma pessoa fantástica, que trouxe aí uma visibilidade pra mineração, uma abertura ao diálogo, né?
09:39Uma pessoa, acho que todos nós aprendemos muito com o Raul, muito saudoso.
09:44E agora fica aí pra gente, né, que fica essa responsabilidade de dar continuidade a esse legado.
09:52Mas, sem dúvida, é um papel muito importante.
09:55Ainda mais esse momento, né, Carol, que eu comentei nos blocos anteriores,
09:59de como que a mineração tá ganhando um espaço diferente nas discussões geopolíticas,
10:05nos cenários de perspectivas futuras, de demandas futuras.
10:11Então, acho que a mineração tá ganhando um protagonismo muito diferente.
10:15Agora, não posso encerrar sem tocar num detalhe que é, assim, fundamental na história da mineração no Brasil, né?
10:22Principalmente em Minas Gerais, que foram as tragédias ali em Brumadinho e Mariana.
10:27Qual é a preocupação da mineração, de uma forma em geral, pra que não volte a acontecer tragédias como essa?
10:35São tragédias que muito nos entristeceram.
10:39A gente fica bastante comovido, né, com tudo o que aconteceu,
10:43em respeito a todas as pessoas que foram diretamente afetadas.
10:48E o que fica é, né, a nossa responsabilidade, né, de garantir que estamos sempre fazendo da melhor forma possível,
10:58garantir que a gente tá fazendo o que é certo, cuidando da segurança das pessoas,
11:03a segurança do meio ambiente, garantindo que a mineração, ela possa trazer todo o benefício, né,
11:09que ela traz aí pra sociedade, na sua amplitude, mas de forma que seja responsável, seja sustentável, seja transparente.
11:19Então, fica um aprendizado muito grande, né, pra que tragédias como essas, elas nunca mais se repitam.
11:27Se repitam.
11:28Que ficou na nossa história.
11:29Ana, muito obrigada pela sua entrevista, é um prazer ter você aqui no Em Minas.
11:33Volte sempre à casa, está de portas abertas pra você.
11:37Pra vocês que nos acompanharam até aqui, muito obrigada pela companhia.
11:40Lembrando, a íntegra da nossa conversa, o que é a Ana Sanches, presidente da Anguamérica do Brasil,
11:45você confere segunda-feira no Jornal Estado de Minas.
11:49Obrigada, pessoal, e até o próximo programa.
11:51Tchau.
11:52Obrigada.
11:53Obrigada.
11:58Obrigada.
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