00:14Agora o programa em Minas segue com esse bloco exclusivo para o YouTube do Portal A.
00:20Obrigada pela companhia de vocês.
00:21A convidada de hoje, Eliane Parreiras, gestora cultural, está aí à frente da direção
00:27executiva da Associação do Cine Teatro Brasil e aí para a gente começar esse bloco de
00:32uma forma mais leve, Eliane, eu quero falar sobre uma coisa que eu achei super delicada
00:36que eu fui olhar ali nas suas redes sociais.
00:38Quem te conhece sabe que o batom vermelho é uma marca registrada sua, mas vem cá, isso
00:47é uma escolha pessoal ou tem um propósito, um fundamento?
00:52Conta pra gente.
00:53Acabou tendo, porque virou uma marca mesmo, eu brinco que hoje eu sou refém desse batom.
01:01Eu, eu, e assim, eu usei muito intuitivamente, não era nenhuma, não tinha nenhuma intencionalidade,
01:10era intuitivo, né, de colocar, porque eu acho que demarca, assim, né.
01:14Você sempre gostou, pra começar.
01:16É isso, sempre gostei, eu acho que é uma coisa que é forte, tem a ver com a minha
01:21personalidade, eu sou uma pessoa que sou muito empolgada, sou muito, tenho uma energia, assim,
01:27relacionada, então acho que combina comigo, da mesma forma que o vermelho, uso muito em
01:32outras, né, desde sapato, as unhas vermelhas.
01:37Mas ele, ele realmente virou uma marca e eu, ao longo do tempo, eu fui, eu fui ficando muito
01:45sensibilizada como ele inspira outras mulheres, várias mulheres, várias mulheres chegaram
01:51ao longo desse, dessa minha, que tem pelo menos uns 20 anos que eu uso direto e direto mesmo.
01:58Sempre, sempre.
01:59Não tem outra cor de batom.
02:00Não tem outro, não.
02:01Se olhar na sua bolsa e na sua casa, só tem vermelho.
02:05Pelo menos, assim, a quantidade de mulheres que chegaram pra falar, olha, você me inspirou,
02:10eu não tinha coragem, agora eu passo a usar e eu não me sentia segura, que é uma coisa
02:15que a gente, é quase inconcebível da gente pensar, mas até hoje as mulheres muitas vezes
02:20têm esse tipo, e ao mesmo tempo esse símbolo de força, de, do feminino, de mulher em liderança,
02:29ele acabou inspirando, então, assim, é muito interessante, várias mulheres falam, ah, eu
02:33passo batom vermelho, eu lembro de você, eu uso batom vermelho por sua causa e o povo
02:38para pra perguntar qual é a cor, de que marca que é, para meu marido, para minha filha,
02:44então é um, virou uma marca mesmo, mas eu fico feliz que tenha virado um símbolo
02:50dessa questão das mulheres e da força das mulheres, né?
02:53E essa mulher forte que traz esse batom vermelho, qual vai ser o principal desafio agora à frente
02:58do cine teatro?
02:59Eu acho que é fortalecer essa rede de parceiros, né?
03:04Então, assim, a gente tem esse desafio.
03:07Ao mesmo tempo, a relação com o hipercentro e com essas instituições que estão todas
03:12ali em volta e com esses parceiros e com os movimentos culturais, o centro é uma loucura
03:19dos movimentos culturais.
03:21A gente está falando de feira hippie ao sol, a gente está falando do skate à galeria
03:27do rock, do grupo de surdos que se reúne na praça para se encontrar e poder trocar e para
03:35ter uma relação de convivência.
03:37Então, o centro, ele tem uma riqueza muito grande, muito grande e a ideia é que a gente
03:42possa também dialogar com esses movimentos todos e construir junto e aí a gente espera
03:48fazer isso, inclusive junto com outras instituições culturais, caminhos para a sustentabilidade
03:53das instituições culturais.
03:55As instituições hoje vivem muitos desafios do ponto de vista da sustentabilidade.
04:00Aí eu estou falando de sustentabilidade financeira, dos modelos de financiamento, das formas
04:05de se planejar, de não ter que ficar naquela luta todo ano, não conseguir fazer um planejamento
04:14de médio prazo, como a gente vê várias organizações internacionais.
04:18Então, a nossa ideia é também pensar e assim, a gente já começou a conversar com
04:23algumas outras instituições, criar um grupo forte para poder pensar isso.
04:27Qual é o futuro também dessas instituições culturais no sentido de sustentabilidade, de
04:34conseguir ter planejamento, de conseguir se organizar, de conseguir ter recursos que
04:38possam garantir uma sustentabilidade a médio prazo.
04:43Então, acho que esse é um enorme desafio.
04:46É algo muito da gestão pública.
04:49Hoje já se discute em vários outros modelos de financiamento, para além dos investimentos
04:55próprios, das leis de incentivo.
04:57E isso, sem dúvida nenhuma, vai ser também uma linha de atuação que a gente vai abrir
05:03e dialogar, porque todas as instituições vivem esse mesmo desafio.
05:07Sejam as públicas, sejam as privadas.
05:10Que é como sustentar essas instituições ao longo do tempo e garantir essa capacidade
05:16de planejamento.
05:17Então, são muitos desafios, mas animadíssima para a gente poder enfrentar.
05:23Agora, me conta uma coisa, dentro dos projetos extramuros do Cine Teatro, tem algo voltado
05:32para as escolas, para as instituições de ensino?
05:35Tem, tem dois projetos que são muito importantes e agradeço de você ter falado disso.
05:42Um é o educativo do próprio Cine Brasil, que é realizado no Cine Brasil e em algumas
05:46ações fora.
05:47Esse educativo, ele trabalha, que é uma ação de mediação e de educação pelo patrimônio.
05:53Então, essa...
05:56Porque eu considero que a gente é, antes de qualquer coisa, um mediador.
06:01A gente oferece uma produção artística, mas a gente trabalha essa questão da mediação,
06:07de dar mais informações, de fornecer, propiciar que essa experiência cultural seja maior.
06:14E, por outro lado, a gente está num bem, que é patrimônio cultural de Belo Horizonte.
06:20O Cine Brasil é um prédio...
06:23Ele está num prédio que é quase centenário.
06:25De 1932.
06:28Exatamente.
06:28Que foi todo recuperado.
06:30E criado, e construído, e pensado para aquele lugar.
06:34Isso é muito precioso.
06:35Pensa nisso na década de 30.
06:37Ele está num terreno que é em leque.
06:41Ele está... é uma construção que, então, aproveita, ele tem esse formato que aproveita
06:46para o maior aproveitamento do quarteirão, do espaço do quarteirão.
06:50Ele já nasce como um centro cultural, porque ele já nasce com três entradas, né?
06:56Pelas... pela Carijós, pela Amazonas e pela própria Praça 7, pela Fonspena.
07:01Ele nasce já com a ideia de lojas, de ter centro comercial junto.
07:06Na década de 50, eu não sei se você sabe, Juscelino Kubitschek inaugurou um restaurante
07:12popular, um dos primeiros restaurantes populares de Belo Horizonte.
07:17Então, aquele bem, ele tem não só do ponto de vista arquitetônico, um dos primeiros prédios
07:23de concreto armado, daquela altura, foi durante muito tempo o prédio mais alto de Belo Horizonte.
07:28Então, ele tem não só do ponto de vista da arquitetura, mas do ponto de vista do valor
07:35simbólico do que ele representa para a cidade, como um cinema que foi um dos maiores da América
07:40Latina e maior do Brasil durante muito tempo.
07:44Formou quantas e quantas gerações que assistiram ali, que foram ali, que ali era um espaço de
07:49convivência, né?
07:50Depois do cinema, o footing, e se encontravam.
07:54Então, é um espaço muito importante e o educativo, ele trabalha isso.
07:59Ele trabalha tanto a vertente arquitetônica do bem em si, quanto esse valor simbólico.
08:05E a história, né?
08:06Eu estou aqui em mãos, gente, um material que a Eliane trouxe para a gente, que mostra
08:10justamente isso.
08:11A nostalgia, que é o memória, lembranças e saudosismo.
08:14E tem um guia educativo que é para uma brincadeira, para um estudo também voltado para
08:19crianças, né?
08:20Exatamente.
08:20Eu vou mostrar aqui para vocês, e aqui tem algumas fotos aqui dentro, que acabam mostrando
08:25um pouco disso que você falou, da construção, da abertura, da história do que é o Cine
08:31Brasil e o que ele representa para a nossa cidade.
08:34E esse programa, ele acontece, então, para as escolas, então, grupos também que tenham
08:39interesse em agendar, a gente já faz esse convite.
08:42Aí tem a visita mediada também ao Cine Teatro, que é incrível.
08:47E tem esse programa educativo que acontece, tanto lá, né?
08:50Com grupos específicos, oficinas, essa mediação, mas também dentro dos nossos projetos extramuros.
08:57E nós temos o Criança Arte, que acontece em praças, e temos também o Quarteirão das
09:02Artes, que também tem atividades.
09:04Agora, esse material aqui foi pensado nas crianças, não foi?
09:07Exatamente.
09:07Ele é pensado para atrair...
09:09Esse aqui, ó, Guia Educativo para Crianças.
09:11Olha só, gente.
09:12É isso, é isso.
09:13E aí as crianças se apropriam, é a sensação de pertencimento.
09:17Existe algo, Carol, que é uma frase que eu acho que é muito simbólica para o patrimônio,
09:23que fala assim, são seus olhos que me protegem.
09:27Se existe a sensação de pertencimento, se existe a compreensão da importância daquele
09:33bem, todo mundo cuida.
09:35Todo mundo preserva, todo mundo valoriza.
09:37Então, esse é o esforço que a gente faz, né, e ressaltando não só a importância
09:43do Cine Brasil, mas como eu disse, a importância do centro, a importância desse cuidado com
09:49a cidade, com o urbanismo.
09:51Agora, há uma preocupação, eu não sei, em se fomentar e valorizar ali aquele hipercentro,
09:58aquela região, sem fazer com que ele perca a característica popular?
10:04Existe essa preocupação?
10:05Sem dúvida nenhuma, a gente não pode trazer como se fosse um disco voador que pousa ali
10:11com uma programação e vai embora, não é isso.
10:14Todos os nossos projetos, eles trabalham todo esse universo de artistas que estão ali,
10:21inclusive artistas de rua.
10:23Nossos projetos, até os artistas de rua, a gente faz cadastramento para que eles possam
10:27participar.
10:28A própria Feira Ripe, que também tem um papel importante ali aos domingos.
10:33Então, dialogar com esses movimentos que estão ali é super importante, mas o teatro,
10:42ele é um teatro preparado para receber qualquer tipo de produção, inclusive produções que
10:47vão ter, às vezes, um ticket um pouco mais caro, que vão, por terem uma complexidade, uma
10:54complexidade na sua produção, um custo mais elevado de produção.
10:57Então, hoje, tanto a programação própria quanto essa programação que a gente recebe,
11:03porque a gente também tem um trabalho de prospecção de programação que a gente vai
11:07iniciar pesado agora, de trazer essas programações também para ali, a gente busca equilibrar esses
11:14dois universos.
11:15Claro, mantendo a acessibilidade, mantendo essa característica do diálogo com o que
11:22está ali, mas também recebendo produções nacionais e internacionais de grande porte.
11:26Para a gente fechar a nossa entrevista, então, você sai tranquila da Prefeitura de Belo Horizonte,
11:31certa do que foi feito ali e que muito virá em decorrência do trabalho que foi feito por
11:37você e pela sua equipe, certo?
11:39Sim, e com um destaque de algo que eu não falei, que é da importância do Conselho Municipal
11:45de Política Cultural e do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural.
11:48São dois conselhos extremamente ativos e é onde a sociedade civil, ela atua para poder
11:55acompanhar junto com o poder público para que nenhuma política se desvirtue, para que
12:00tudo seja feito e planejado e executado da maneira que foi pactuada com a sociedade.
12:08Então, eu saio realmente muito tranquila porque eu acho que Belo Horizonte se destaca
12:12com uma política cultural de muita consistência no patrimônio, em todas as linguagens artísticas,
12:19na política para as artes, na cultura popular, no patrimônio imaterial.
12:23Eu acho que BH se destaca de uma maneira muito importante.
12:25Então, você deixa BH bem e parte agora para o novo projeto, o novo desafio à frente do
12:30Cine Teatro.
12:31Que te aloga com a cidade do mesmo jeito, que está lá com o público da cultura do mesmo jeito,
12:38mas é isso, em novas frentes e abrindo novas pontes e novas portas.
12:43É isso, Eliane Parreira, muito obrigada pela entrevista.
12:46Eu espero que vocês aí de casa também tenham curtido.
12:49Vocês que ficaram com a gente nesse bloco aqui exclusivo para o YouTube, lembrando,
12:53a entrevista, a íntegra desse bate-papo, sai na segunda-feira no Jornal Estado de Minas.
12:57Obrigada pela companhia de vocês.
12:58Obrigada, Eliane, pela entrevista.
13:00Obrigada a você, mais uma vez, por esse espaço, pelo carinho, né, quando você
13:04está com a cultura e a cidade BH.
13:07Obrigada, Eliane.
13:07Pessoal, até o próximo emendas.
13:09Tchau.
13:26Transcrição e Legendas por Quintena Coelho
Comentários