O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o jornal Estado de Minas e o Portal Uai, recebe neste sábado (28) a executiva Ana Sanches, presidente da Anglo American no Brasil.
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NotíciasTranscrição
00:14Olá, sejam muito bem-vindos ao programa em Minas.
00:18A nossa convidada de hoje, Ana Sanches, presidente da Anglo-América.
00:23Ana, bem-vinda.
00:24Muito obrigada pelo convite, um prazer estar aqui.
00:27Ana, eu já vou começar te perguntando sobre como é ser presidente de uma empresa de mineração num país como
00:34o nosso.
00:35Realmente é um grande desafio, mas também é uma grande oportunidade.
00:40É um prazer liderar uma empresa como a Anglo-América, uma empresa com pessoas tão apaixonadas pelo que fazem
00:49e uma empresa que tem valores muito... que a gente vive os valores de uma forma muito intensa.
00:56Agora, você não chegou na presidência de uma hora pra outra.
00:59Você já está na Anglo-América desde 2012.
01:02Isso.
01:03E como que foi a sua trajetória dentro da mineração até chegar à presidência?
01:07Minha trajetória profissional começou há quase 30 anos atrás.
01:13Eu comecei minha carreira numa empresa de consultoria e auditoria, que se chamava Arthur Anderson.
01:20Sem essa empresa não existe mais, comecei como trainee recém-formada.
01:25Meu primeiro curso eu formei em economia na UFMG.
01:29E aí trabalhei nessa empresa por alguns anos.
01:32Trabalhei também na Deloitte, que é uma outra empresa de consultoria e auditoria.
01:37Então, comecei minha carreira aí com um background mais financeiro, até entrar há 20 anos atrás
01:47para uma indústria do cimento, que também tem a mineração.
01:51Então, eu falo que há quase 20 anos que eu trabalho, eu atuo de uma forma direta ou indireta no
01:57setor de mineração.
01:59Então, fui para essa empresa de cimento e concreto e agregados, que se chama Holcim.
02:06E desde 2012, então, faço parte aí do time da Anglo-América aqui no Brasil.
02:13E as nossas operações que nós temos de minério de ferro de alto teor e de níquel.
02:18Agora, você também teve uma passagem dentro da própria Anglo fora do Brasil, não foi isso?
02:23Antes de se tornar presidente?
02:24Isso. Eu tive a oportunidade de morar na Inglaterra.
02:30A Anglo-América é uma empresa global e a sede da Anglo-América fica na cidade de Londres, no Reino
02:37Unido.
02:38Então, eu tive a oportunidade, durante a pandemia, de ter um cargo global, uma experiência global,
02:43onde eu tinha uma visão de várias commodities e foi uma experiência maravilhosa para mim.
02:49E como que essa experiência em Londres e toda essa sua trajetória te ajudou a construir a sua liderança hoje?
02:57E qual é o seu estilo de liderança? Como que você define?
03:00Acho que foram essas várias etapas aí, as diferentes experiências que eu fui tendo
03:06e as pessoas com quem eu fui convivendo e aprendendo ao longo do caminho,
03:11resultaram, então, na líder que eu sou hoje.
03:14E definir meu estilo de liderança, eu começo definindo por pessoas.
03:19Eu acho que eu sempre tenho as pessoas como centro da minha atuação.
03:25Eu lidero para as pessoas, é sobre as pessoas, é com as pessoas.
03:29Eu estou muito próxima do time.
03:32Eu gosto muito de escutar, de entender, de ter essa liderança muito participativa.
03:38E eu acredito muito, muito no potencial humano.
03:44Ainda mais agora, né, Carol, em tempos de inteligência artificial,
03:47onde a gente começa a questionar quem vai resolver os problemas do mundo,
03:51são as pessoas, é o que a gente aposta em inteligência artificial.
03:55Por mais que eu aposte muito em inovação e tenho muita expectativa do que ainda está por vir,
04:00para mim, o lado humano, o potencial humano, com as pessoas certas, no lugar certo,
04:08tendo a motivação, tendo a orientação, eu acho que realmente é algo que nos permite alcançar resultados maravilhosos.
04:18Então, definindo meu estilo de liderança, eu começaria definindo por pessoas,
04:24mas eu tenho também uma questão muito forte em mim, de uma liderança adaptativa.
04:30Eu acho que ainda mais nos dias de hoje, se nós estivéssemos conversando, talvez há três semanas atrás,
04:38a gente nunca traria os temas que a gente está vivendo aí nessa guerra que a gente está assistindo aí
04:45no Oriente Médio.
04:46Então, assim, o mundo está mudando tanto e as demandas são tão diferentes
04:53e que está demandando um certo gama de capacidades diferentes das pessoas também.
05:01Então, liderar nesse ambiente de tanta complexidade, de tanta ambiguidade,
05:06acho que exige da gente uma capacidade de desenhar cenários,
05:11de levantar hipóteses,
05:13de construir um músculo geopolítico.
05:17Acho que a gente não lidera hoje só para dentro de casa,
05:21é um olho dentro de casa e o outro ao nosso redor do que está acontecendo no mundo,
05:26tentando antecipar o que pode vir para nos estarmos cada vez mais preparados para essas respostas.
05:33E eu quero pegar gancho exatamente nisso,
05:35para saber como está o setor da mineração,
05:39com a guerra no Oriente Médio, por exemplo,
05:41e com conflitos geopolíticos, com situações,
05:43como fica o setor da mineração?
05:45Há uma preocupação?
05:47Ou quem está ali na mineração tem uma vantagem nesta questão geopolítica,
05:52em caso de conflitos, como do Oriente Médio, por exemplo?
05:55Bom, eu acho que falando desse ambiente geopolítico como um todo
05:58e como que a mineração está inserida nisso,
06:01de repente a gente está vendo aí a mineração no centro desse embate geopolítico.
06:07Quando você pensa em pilares estratégicos de poder de uma nação,
06:12você pensa automaticamente em tecnologia, em energia, em defesa e em indústria.
06:19Quando você pensa em cada um desses pilares,
06:21não tem como um desenvolvimento nesses pilares sem a mineração,
06:26sem os minerais, não somente os minerais críticos,
06:29que estão tão em voga, o tema das terras raras,
06:32mas os minerais como um todo.
06:36A civilização moderna, tudo que a gente olha ao nosso redor aqui,
06:39100% tem mineração.
06:41E quando a gente olha para o futuro e os desafios que a gente vai viver
06:45na sociedade daqui para frente, crescentes,
06:50toda a urgência de soluções para a transição energética,
06:56o tema mesmo de defesa, como alimentar o mundo,
07:01tudo isso passa por mineração e passa por garantir para cada um,
07:07para cada país, o seu fornecimento, garantir a sua cadeia de suprimento.
07:13E aí é onde vem a grande oportunidade para o Brasil.
07:16O Brasil é um país cuja mineração é uma das principais atividades econômicas,
07:21então não só no nosso estado de Minas Gerais,
07:24mas o Brasil como um todo.
07:26Vale lembrar, Carol, que nós só conhecemos cerca de 27% do solo,
07:34do nosso mapeamento geológico do Brasil,
07:37a gente só tem conhecimento de cerca de 27%.
07:39E esses 27% que a gente conhece,
07:42a gente já vê a riqueza que a gente tem em diversos minerais,
07:47incluindo minerais críticos e minerais tão estratégicos para esse futuro.
07:53Pegando o gancho no que você tem dito, me conta aqui,
07:55você acha que o Brasil precisava ser melhor explorado dentro da mineração?
08:00Ele é o quinto maior país em mineração, não é?
08:05A gente tem um potencial, Carol,
08:07de estar em uma posição muito mais competitiva do que a gente é hoje.
08:12Então, quando você pensa da riqueza mineral do que a gente conhece,
08:15como eu coloquei,
08:16e tudo o que a gente tem,
08:21nós temos uma vantagem comparativa relativa a outros países,
08:26que o que precisamos é transformar essa vantagem comparativa em vantagem competitiva.
08:32Então, se nós tivéssemos um ambiente regulatório
08:37que nos permitisse uma maior segurança jurídica,
08:41se nós tivéssemos mais linhas de financiamento,
08:45acesso a linhas de financiamento para fomentar uma mineração responsável, sustentável,
08:53se nós tivéssemos uma maior previsibilidade nos nossos processos de licenciamento ambiental,
08:59o curso Brasil,
09:01se a gente tivesse uma gama de cursos que nos deixassem ser mais produtivos
09:06e mais competitivos,
09:08nós poderíamos, sim, explorar todo esse potencial minerário que o Brasil tem.
09:12E ter até mais visibilidade, né?
09:14Nós vamos agora para um rápido intervalo, pessoal, não saia daí.
09:17No próximo bloco tem mais Ana Sanches, presidente da Anglo-América,
09:21para falar para a gente também sobre a liderança feminina,
09:24o protagonismo da mulher e a inspiração para outras mulheres
09:27chegarem a cargos tão expressivos como o dela.
09:30A gente volta já já, não saia daí.
09:47Estamos de volta com o programa em Minas,
09:49hoje recebendo Ana Sanches, presidente da Anglo-América no Brasil,
09:55ressaltar isso aí.
09:56E eu agora quero começar a falar um pouquinho, Ana,
09:59sobre o fato de você, como mulher, ser presidente e ter esse cargo de liderança.
10:03Porque se a gente for falar do setor da mineração,
10:08os altos cargos, os cargos de liderança,
10:11eles são predominantemente ocupados por homens.
10:14E aí vem você para ser uma inspiração também, né?
10:18Você acha que aí já tem uma transformação de mentalidade?
10:23O que você acha?
10:23Eu acho que já a minha presença no cargo de liderança,
10:29como você disse, numa empresa de um setor tradicionalmente tão masculino,
10:33eu acho que já é um sinal de transformação.
10:37E a gente começa a ver cada vez mais mulheres ocupando cargos importantes de liderança,
10:43e não só no setor de mineração, mas outros setores que também têm essa tradição masculina.
10:49Porém, Carol, o que eu acho é que o ritmo dessa transformação,
10:54ele precisa aumentar.
10:57A gente tem que acelerar.
10:58E não é porque é politicamente correto,
11:01é porque tem um caso de negócio, tem um business case, tem uma estratégia.
11:05Quando a gente pensa na diversidade de opiniões,
11:08quando a gente pensa na força que essa diversidade traz,
11:12isso traz resultado para o negócio.
11:14Então, quebrar essas barreiras e criar esse ambiente
11:19onde cada um, independente do seu gênero, independente das suas características,
11:25é convidado a poder dar o seu melhor e atuar da sua melhor forma,
11:30quem sai ganhando é o negócio.
11:32Então, eu acredito muito na força da diversidade.
11:35O que eu puder fazer para servir de inspiração e mostrar para outras mulheres
11:42que é possível sim, porque o lugar de mulher é onde ela quiser estar,
11:46com certeza eu vou seguir fazendo.
11:49Agora, olha só, em 2019 você foi nomeada a mulher mais influente do setor da mineração
11:56e em 2024 reconhecida como uma das mulheres mais inspiradoras no setor da mineração.
12:02E receber prêmios como esse também são extremamente expressivos, né?
12:06E quando eu recebo um prêmio como esse, Carol, eu me sinto muito homenageada,
12:14mas eu sinto, quando eu recebo o prêmio, para mim, eu estou recebendo em nome de várias outras mulheres,
12:21representando essa força feminina que pode ir além do que se espera
12:28quando é dada essa oportunidade.
12:31E representa também aqueles homens que acreditam que nós estamos ali,
12:35não é para competir, não é sobre homem competindo com mulher ou vice-versa,
12:41é a força do coletivo, é a beleza da força do coletivo.
12:45Então, realmente é uma homenagem que eu recebo de braços abertos,
12:50mas eu recebo em nome de várias outras pessoas.
12:54Agora, eu quero te fazer uma pergunta.
12:55Desde que você assumiu a presidência, o que você considera que tenha mudado
12:59dentro do processo da gestão da empresa no Brasil?
13:04Ah, eu acho que a Anglo América é uma empresa que tem um DNA muito forte,
13:10como eu disse no início, de valores, um DNA muito forte de sustentabilidade,
13:15é algo que vai além do discurso, está na prática, está no nosso pensamento estratégico,
13:21está na nossa tomada de decisões do dia a dia, é fazer o que é certo,
13:25fazer pensando no meio ambiente, pensando nas comunidades e fazer de uma forma muito íntegra,
13:34muito transparente.
13:35Então, eu acho que eu vim assumir a liderança para dar continuidade a um trabalho muito bem feito,
13:42que já vem acontecendo há muitos anos.
13:44A Anglo América está no Brasil há quase 50 anos e é uma empresa global que está aí há mais
13:51de 100 anos.
13:53Então, são temas muito sólidos e meu papel, eu acho que é fortalecer tudo isso,
14:00dar continuidade, trazendo as pessoas, como eu disse, junto dessa caminhada
14:05e garantindo aí que a gente está com todo o nosso compromisso reforçado
14:11de uma mineração sustentável, uma mineração responsável e transparente.
14:17Eu ia perguntar exatamente sobre isso, porque a Anglo América, ela tem o cobre,
14:21o minério de ferro prêmio e nutrientes agrícolas, certo?
14:25Como é que está? Explica para a gente.
14:26Isso. A Anglo América, durante muitos anos, ela foi conhecida como uma empresa muito diversificada.
14:32Nós tínhamos vários outros ativos no portfólio e nos últimos anos ela passou por uma revisão do seu portfólio,
14:40uma revisão estratégica, reduzindo o portfólio, um portfólio mais simplificado
14:46e focando em cobre, em minério de ferro de alto teor e em fertilizantes.
14:53São esses três focos estratégicos daqui para frente.
14:57Os outros ativos, então, passaram por um processo de venda.
15:02E o níquel é um deles. A gente tem o níquel aqui no Brasil, nós temos operação de ferro níquel
15:08e que, como não está dentro desse novo portfólio estratégico revisado,
15:13a gente, então, colocou, teve o processo de colocar esse ativo à venda.
15:18E qual que é a preocupação da empresa com energia renovável, com sustentabilidade?
15:23Como que é aí o direcionamento da Anglo América?
15:25É, então, sustentabilidade realmente faz parte do DNA da Anglo América, é parte do nosso pilar estratégico e começa pelo
15:34produto, né?
15:35Acho que o minério de ferro nosso premium é um minério de ferro de alto teor, com baixo nível de
15:42impureza
15:43e ele é muito usado na indústria do aço verde, porque ele contribui para a redução da emissão de gás
15:49carbônico.
15:50Então, já começa pelo produto, já é um produto aí que apoia muito nesse tema de transição energética.
15:56Sim.
15:57E tem várias outras frentes que nós atuamos do ponto de vista de sustentabilidade ambiental,
16:03da nossa relação, né, com o social, com as comunidades.
16:08Para citar alguns, desde que nós começamos a operação de minério de ferro,
16:12nós já fizemos quase um bilhão de reais de investimentos sociais.
16:17Nós firmamos, há pouco tempo, um acordo de 500 milhões de reais com a Prefeitura de Conceição de Mato Dentro,
16:26um apoio, um acordo voluntário entre uma mineradora e uma prefeitura,
16:31para apoiar a infraestrutura, apoiar na educação.
16:36Existe uma preocupação com a comunidade, né?
16:39Muito forte e genuína, e genuína.
16:42É uma escuta muito ativa para entender como que a gente está inserido ali naquela comunidade,
16:50onde a gente pode contribuir para o desenvolvimento daquela comunidade de uma forma sustentável,
16:55que vai além do ciclo da mineração.
16:58E isso é muito genuíno e muito verdadeiro.
17:01Agora deixa eu te perguntar, sobre tributação do minério no Brasil, você acha que é algo que precisa ser discutido?
17:07Com certeza, Carol, porque falando agora em transformar os nossos diferenciais comparativos em diferenciais competitivos,
17:15e falando de custo, quando a gente pensa na carga tributária,
17:19isso é mais um fator que, quando a gente compara com outros países, como Austrália e alguns outros países da
17:28África,
17:29e outros países da própria América do Sul, nos coloca numa posição desfavorável de competitividade.
17:35Então, um tema que, sem dúvida, tem que estar na agenda de revisão.
17:38E, para a gente poder fechar a nossa entrevista, eu queria saber como que você vê a mineração e a
17:44Angola América
17:45para os próximos 10 anos aqui no Brasil.
17:47Olha, eu vejo que a mineração, ela precisa seguir se transformando.
17:52Eu acho que a mineração tem que buscar cada vez mais inovação,
17:56buscar cada vez mais desenvolvimento tecnológico,
17:59para que ela seja uma atividade cada vez de menor impacto,
18:04que seja vista pela sociedade, onde ela entenda a essencialidade da atividade,
18:10mas que ela perceba menos os seus impactos,
18:13que ela seja cada vez mais inclusiva, para trazer as pessoas cada vez mais perto,
18:19e que a gente atue como setor para que tenha um combate da mineração ilegal,
18:26da mineração que não tem sustentabilidade, que não é responsável,
18:29e que a gente tenha uma longevidade aí contribuindo para a sociedade,
18:33mas de forma responsável e sustentável.
18:35Crescimento e junto com a sociedade, é isso?
18:38Crescimento para a mineração em conjunto com a sociedade.
18:40Exato.
18:41E você, pretende continuar aí à frente da Angola América também?
18:45Pretendo.
18:46Por quanto tempo? Conta para a gente.
18:47É, pretendo.
18:49Acho que por quanto tempo eu senti que eu estou podendo contribuir,
18:53dando o meu melhor.
18:57Então, a Angola América está aqui para ficar por muitos e muitos anos.
19:02Então, acho que olhando para o futuro, a gente tem um futuro aí de muita longevidade.
19:05Eu vou te contar o porquê que eu fiz essa pergunta.
19:07A gente encerra o Em Minas de hoje, da TV Alterosa, aqui, nesse bloco,
19:12mas eu te convido para continuar esse bate-papo com a gente no YouTube do Portal Uai.
19:16E aí a gente segue nessa conversa, tá?
19:18E é claro, a íntegra da nossa conversa vocês acompanham no Jornal Estado de Minas de segunda-feira.
19:23Pessoal, muito obrigada pela companhia aqui na TV Alterosa.
19:27Espero vocês no YouTube do Portal Uai.
19:29Ana, obrigada pela entrevista.
19:30Muito obrigada, Carol.
19:32Pessoal, até o próximo Em Minas.
19:54Estamos de volta agora com um bloco exclusivo para você,
19:59que nos acompanha aqui no YouTube do Portal Uai.
20:02O nosso bate-papo é com a Ana Sanches, presidente da Anglo-América do Brasil.
20:08Ana, eu encerrei o bloco da televisão perguntando assim, por quanto tempo você vai ficar?
20:13Você sabe por quê?
20:13Você passou por um período em Londres, né?
20:16Quanto tempo você ficou em Londres?
20:18Dois anos e meio.
20:18Dois anos e meio.
20:19Eu morei em Londres também.
20:20Então, assim, eu sou apaixonada por Londres.
20:22Existe a possibilidade de mesmo dentro da Anglo-América você voltar a viver em Londres de novo
20:27ou não o caminho é por aqui por enquanto?
20:29Bom, primeiro, eu acho que na vida, eu nunca digo nunca, né?
20:33Acho que a gente tem que estar aberto aí para as possibilidades, para as oportunidades,
20:37deixe que elas façam sentido.
20:40Então, eu nunca digo nunca.
20:42Londres, especificamente, Carol, acho que vai ser menos provável porque a Anglo-América,
20:47ela está agora com uma mudança da sua sede de Londres para a cidade de Vancouver, no Canadá.
20:54Ah, então...
20:55Então, é com um anúncio da fusão da Anglo com a Tec Resources, então vai virar Anglo-Tec.
21:02Então, vai ser uma fusão de duas grandes empresas e a Tec é uma empresa canadense.
21:09Então, concluindo esse processo dessa transação que está esperado para acontecer no final deste ano,
21:16aí sim a gente tem a possibilidade, né?
21:18Mudar a nossa sede para Vancouver e quem sabe um dia, mas não tem nada no radar.
21:24Eu estou aqui no Brasil com o time do Brasil e muito feliz, com muitos desafios, muito motivada.
21:31Mas Londres, acho que seria, ficaria cada vez mais difícil.
21:35Agora a gente volta.
21:36Eu sou apaixonada por Londres, você ficou apaixonada por Londres também?
21:38Muito.
21:39Nossa, demais.
21:40Agora, voltando a falar um pouco sobre a força da mulher e sobre esse cargo de presidência
21:45de uma mineradora, você, dentro da nomeação que você recebeu em Londres,
21:50teve outras duas ou três mulheres também da Anglo que foram nomeadas lá, não teve?
21:55Que receberam essa nomeação?
21:58Sim.
21:58Então, quer dizer, você não foi a única.
22:00O setor já começa a olhar também para outras mulheres com cargo de direção
22:04que são reconhecidas, que são nomeadas, que são consideradas influência da mineração
22:11no setor.
22:12E como que isso, para as mulheres que estão se formando agora, seja em engenharia, seja
22:18em finanças, seja em qualquer setor, o que você diria para essas mulheres que estão
22:25começando agora, que te veem num cargo de presidência e falam, eu também quero receber
22:29uma nomeação, eu também quero chegar até lá, eu quero me inspirar.
22:31O que você diria para essas mulheres, para essas jovens que estão começando agora?
22:35Bom, o que eu diria é para elas acreditarem no potencial, que cada uma guarda aqui dentro
22:42de si, independente do que elas possam escutar, independente de terem pessoas no caminho delas
22:49dizendo, isso não é para você, você não vai dar conta.
22:53Eu lembro que quando eu tive meu primeiro filho, há 21 anos atrás, eu escutava muitas
23:02pessoas às vezes falando, você vai arrepender, você não vai dar conta.
23:07E aí eu parava e pensava, olha, eu tive um exemplo dentro de casa de que isso é possível.
23:12Minha mãe teve quatro filhos, eu sou a caçula de quatro, e minha mãe entrou na faculdade
23:20aos 17 anos para fazer odontologia na UFMG e a vida toda trabalhando e criando os quatro
23:28filhos, se realizando profissionalmente, se realizando como mãe.
23:33Então, aquilo ali, vendo a forma como eu fui criada, eu acreditei que é possível o
23:40E, não precisa ser O, desde que seja desejo da pessoa.
23:45Então, é acreditar que vocês podem ser o que vocês quiserem.
23:50Desde que seja do seu desejo, da sua vontade.
23:53E não desistir com a primeira pedra, né, que vai aparecer no caminho.
23:58Porque vão aparecer muitas pedras.
24:00E eu acho que a cada pedra que vem no caminho é cair, sacudir e já levantar.
24:06Né, e uma resiliência, né?
24:10Ter aquela força dentro de vocês, de ter aquela resiliência, ter aquela determinação.
24:16Eu acredito muito nisso.
24:17Você tem quantos filhos, Ana?
24:19Eu tenho dois.
24:20Dois filhos.
24:20Esse de 21.
24:21E o de 16.
24:23Agora, sobre as outras mulheres, olha só.
24:25O reconhecimento de ser uma das 100 mulheres inspiradoras da mineração global, que foi
24:30um evento no Reino Unido, né, pela Woman in Mind.
24:33Isso.
24:34E aí tiveram outras três mulheres da Anglo que também foram, que é a Fernanda Vergara,
24:38que é do Chile.
24:39A Maria Elisa Lloyd, de Londres.
24:42Na verdade, são essas duas.
24:44Então, assim, tá ali no setor da mineração outras mulheres também sendo reconhecidas.
24:48E, Carol, no meu corpo de diretoria, né, no meu comitê executivo, é quase metade-metade.
24:55É isso que eu ia perguntar.
24:56Eu tenho no meu comitê executivo quatro mulheres fantásticas, extremamente competentes, que eu
25:05aprendo todo dia com elas.
25:08É um prazer trabalhar com elas.
25:10Quando eu escuto alguma mulher falando que, ah, eu prefiro trabalhar com homem, eu olho
25:16pra elas e eu penso assim, o que que tem você que talvez, né, você também possa
25:24estar criando esse sentimento, né, com outras pessoas.
25:27Então, pra mim, né, mulher ou homem, desde que esteja ali querendo arregaçar as mangas,
25:34é querendo dar o seu melhor, né, querendo correr atrás, tendo humildade pra dizer quando
25:41não sei, tendo curiosidade pra fazer pergunta, que eu acho que o líder hoje é um líder
25:47que deixa de dar tantas respostas e faz mais perguntas.
25:52Eu gosto de me rodear de pessoas mais inteligentes do que eu.
25:56Eu falo muito que se eu estiver numa sala e onde eu, né, de trabalho e eu sou a pessoa
26:02mais inteligente, eu tô na sala errada.
26:05Eu gosto de ter gente onde que me desafia, que eu aprenda e essas mulheres que trabalham
26:10comigo no dia a dia, eu aprendo muito com elas.
26:13Você sabe quantas pessoas estão aí na sua gestão, mais ou menos?
26:16Eu tenho um dado aqui de 12 mil empregos diretos e indiretos.
26:19É, é um pouco maior a gente tem...
26:22Maior?
26:23É, hoje a gente tem aí entre minério de ferro e o níquel, entre empregos diretos e indiretos,
26:30a gente tem cerca de 17, 18 mil pessoas.
26:33É muito, gente.
26:34É um quadro bem significativo.
26:36E aí você estava falando dessas pessoas mais próximas de você, de ser 50, 50 homens
26:40e mulheres.
26:41Já foi uma mudança que você viu acontecer desde que você chegou ou não?
26:46Já existia?
26:47Quando eu me tornei diretora na Angola América em 2015 e nós tínhamos um comitê executivo
26:56que reportava para o presidente, eu era a única mulher nesse comitê executivo.
27:01E durante algum tempo eu fiquei sendo a única mulher.
27:05E aí, aos poucos, isso foi mudando.
27:08O ponto de chegar hoje e a gente tem aí...
27:11Hoje nós não estamos ainda metade, metade no quadro de diretoria, mas é, vou dizer,
27:1740%, 60%, tá quase.
27:20Mas é essa transformação, né, Carol?
27:22Eu acho que agora tem que sair do...
27:26Acho que começando pela liderança, porque é a liderança que dá o tom, a liderança
27:30que toma a decisão, mas garantir que isso permeia em toda a organização e garantir
27:35também que vai em diversos setores, né, não só aqueles tradicionalmente onde acaba
27:40tendo mais mulheres, mas na operação, no dia a dia.
27:44É ter uma operação que tenha atividades que elas sejam amigáveis para independente
27:50do gênero, né?
27:51Ah, não, mas esse é um trabalho braçal que precisa da força, de uma força músculo
27:57mais bruta.
27:58Mas então não está legal, porque também pode acabar com a coluna de alguém, pode
28:02trazer um esforço físico desnecessário.
28:04Não tem como ter um desenvolvimento tecnológico, não tem como ter um equipamento que vai,
28:08então, reduzir essa carga, né, física e aí permita que qualquer pessoa possa fazer
28:15essa atividade.
28:16É esse tipo de pensamento que a gente tem que ter.
28:18É quebrando o paradigma, questionando se a gente realmente acredita na força dessa
28:23diversidade, dessa inclusão.
28:26Eu não comentei no bloco da televisão, mas você também é presidente do Conselho
28:31do IBRAM, Instituto Brasileiro de Mineração, né, que é a principal instituição representativa
28:37do setor no Brasil, né?
28:38E isso também tem um peso, né?
28:41Não, sem dúvida.
28:42O IBRAM esse ano completa 50 anos e o IBRAM é um instituto que está aí na defesa do
28:49coletivo, né?
28:50O principal é uma associação das empresas de mineração, então tem todo um papel em
28:56falar em nome do setor e que tem ganhado uma presença muito forte nos últimos anos.
29:02A gente está até agora, assim, vivendo muito o luto da perda do então presidente do IBRAM,
29:09que era o Raul Júgima, que era uma pessoa fantástica, que trouxe aí uma visibilidade
29:16para a mineração, uma abertura ao diálogo, né?
29:21Uma pessoa, acho que todos nós aprendemos muito com o Raul, muito saudoso.
29:25E agora fica aí para a gente, né, que fica essa responsabilidade de dar continuidade
29:32a esse legado, mas sem dúvida é um papel muito importante, ainda mais esse momento,
29:37né, Carol, que eu comentei nos blocos anteriores, de como que a mineração está ganhando um
29:42espaço diferente nas discussões geopolíticas, nos cenários de perspectivas futuras, de demandas
29:52futuras. Então, acho que a mineração está ganhando um protagonismo muito diferente.
29:57Agora, não posso encerrar sem tocar num detalhe que é, assim, fundamental na história da mineração
30:03no Brasil, né, principalmente em Minas Gerais, que foram as tragédias ali em Brumadinho e Mariana.
30:09Qual é a preocupação da mineração, de uma forma em geral, para que não volte a acontecer
30:14tragédias como essa?
30:16São tragédias que muito nos entristeceram, a gente fica bastante comovido, né, com tudo
30:24o que aconteceu em respeito a todas as pessoas que foram diretamente afetadas e o que fica
30:31é a nossa responsabilidade de garantir que estamos sempre fazendo da melhor forma possível,
30:39garantir que a gente está fazendo o que é certo, cuidando da segurança das pessoas,
30:45a segurança do meio ambiente, garantindo que a mineração, ela possa trazer todo o benefício,
30:51né, que ela traz aí para a sociedade na sua amplitude, mas de forma que seja responsável,
30:58seja sustentável, seja transparente.
31:01Então, fica um aprendizado muito grande, né, para que tragédias como essas, elas nunca
31:07mais se repitam.
31:08Então, ficou na nossa história.
31:11Ana, muito obrigada pela sua entrevista, é um prazer ter você aqui no Eminas.
31:15Volte sempre à casa, está de portas abertas para você, para vocês que nos acompanharam
31:20até aqui, muito obrigada pela companhia.
31:22Lembrando, a íntegra da nossa conversa com a Ana Sanches, presidente da Angola América
31:26do Brasil, você confere segunda-feira no Jornal Estado de Minas.
31:31Obrigada, pessoal, e até o próximo programa.
31:33Tchau.
31:33Obrigada.
31:34Obrigada.
31:35Obrigada.
31:46Legenda Adriana Zanotto
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