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  • há 15 horas
Especialista reforça importância de apoio, políticas públicas e combate ao julgamento.
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Transcrição
00:00Ao vivo recebo aqui no estúdio a doutora Laila Freitas, que é advogada criminalista, especialista e pesquisadora em crime de
00:06gênero pela UFIS.
00:08Boa noite, doutora.
00:09Boa noite.
00:10Doutora, esse caso é um caso emblemático para o Espírito Santo, que a gente está falando de uma mulher que
00:16está à frente do poder de combate à violência doméstica,
00:19mas infelizmente ela não verbalizou essa situação e acabou assassinada.
00:25Claro que agora é difícil a gente levantar qualquer hipótese, mas é uma realidade de muitas mulheres.
00:31O que será que pode ter acontecido?
00:33Porque ela sendo a primeira comandante da guarda, ela tinha um espaço importantíssimo, ela ainda tem esse símbolo para o
00:41Espírito Santo.
00:42Como que a gente consegue traduzir esse momento?
00:45É muito complicado você tentar entender a cabeça de outra pessoa,
00:50mas os estudos mostram que a vítima tem um receio muito grande do julgamento que a sociedade vai trazer,
00:58da família, do grupo ali que ela está inserida.
01:01Você pensando no caso da Deise, que é um indivíduo que está numa situação de liderança,
01:07uma mulher que está numa situação de liderança, a primeira mulher a comandar a guarda,
01:11que tem o conhecimento da causa.
01:14Então, é possível que ela tenha se sentido muito pressionada, com um temor de ser julgada,
01:21tanto pela sociedade, quanto pelos colegas, pela família.
01:25E também a vergonha que passa ali pela vítima também, que é a culpabilização.
01:31Ela se sentir culpada por aquela situação, principalmente porque ela tem conhecimento da causa.
01:36Então, acredito que vem por todas essas características.
01:40Entendi. Porque, assim, o agressor, o assassino, no caso, ele também é um agente de segurança, né?
01:46Um policial rodoviário federal, que tudo indica que ele agiu de forma premeditada.
01:51Ele invade o espaço, ele quebra um cadeado, ele leva além da arma a faca, entra de madrugada.
01:57Então, ele planejou aquela morte.
01:59É, foi premeditado. Acredito que tenha sido premeditado.
02:02E eu vou além, né? Eu estava pensando sobre isso mais cedo.
02:06Não foi só premeditado, como ele tinha tanta certeza do que ele estava fazendo em relação à responsabilidade dele,
02:12do que era errado, que ele não só o matou, como ele se matou também.
02:15Para ele não se responsabilizar pelos atos dele.
02:18Então, isso também é muito importante, porque a gente fica com aquela fala de
02:22Ah, é uma loucura. Ah, é uma tragédia, um acidente.
02:25Não. Ele sabia exatamente o que ele estava fazendo.
02:28Tanto que ele já tinha tentado invadir a casa em outro momento.
02:31Então, ele trouxe a escada, ele trouxe o álcool, ele trouxe ferramentas.
02:34Ele sabia exatamente o que ele estava fazendo.
02:36Foi à noite, sabendo que ela estaria mais desprotegida, com a guarda baixa.
02:41Então, assim, é o que a própria delegada trouxe.
02:45É um tipo de situação de crime que acontece em qualquer classe.
02:50A gente tem, sim, os recortes de raça, de gênero, de classe, de território,
02:56mas acontece com qualquer uma de nós, infelizmente.
02:59Agora, como não desencorajar outras mulheres, porque o caso da Deise, ele é fortíssimo.
03:06A gente, como eu falei na abertura do programa, na transição com o Douglas,
03:10todos nós ficamos chocados, né?
03:12A gente acordou com essa notícia.
03:14Como não desencorajar outras mulheres, porque ela sendo uma representante de uma força de segurança
03:21e ainda assim se torna uma vítima, como a gente muda essa realidade?
03:25Não deixando de falar, educando as nossas crianças, os nossos meninos, os adolescentes,
03:32trazendo a política pública para perto da mulher, para perto de onde ela está.
03:37Não esperando que ela venha até a política pública, né?
03:40E parando de julgar essa mulher, essa vítima.
03:44Ela muitas vezes deixa de falar.
03:46Ela não tinha questão econômica nesse caso, mas muitas vezes a mulher tem a questão econômica também,
03:51tem a dependência financeira, tem a dependência emocional.
03:54Isso tudo precisa ser considerado.
03:56A gente tem que parar de julgar a vítima e começar a, de fato, condenar as atitudes
04:00de quem pratica o feminicídio ou a violência doméstica de gênero.
04:04Inclusive, a gente tem um recorte da entrevista, a doutora Michelle Meira,
04:08que é delegada também, que está no combate a crimes contra as mulheres no Espírito Santo,
04:13que ela falou de uma forma muito emocionada.
04:16Vamos soltar esse trechinho dela?
04:17Porque é muito importante a gente ouvir isso de outras mulheres que estão nesse enfrentamento.
04:22Por favor.
04:24Essa entrevista é a mais difícil, né?
04:26Que eu acho que eu já fiz em toda a minha carreira.
04:30Um dia triste, né?
04:32Para a gente aqui no Estado.
04:34A gente recebe essa notícia da morte da comandante Dyson, né?
04:38Com muita indignação, tristeza, né?
04:45E a gente manifesta aí nossos sentimentos aos familiares, aos amigos, aos colegas de trabalho.
04:53Eu tive a oportunidade, né?
04:55De conviver um pouco com a comandante Deise.
04:59A gente participou de algumas ações juntas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher.
05:06Chorar não é sinal de fraqueza, doutora?
05:09É difícil.
05:10Eu segurei o dia todo.
05:12Porque é importante que a gente não se deixe vencer.
05:18Se a gente desistir agora, o que vão ser das nossas crianças, das nossas meninas, de nós mesmos?
05:25Mas é muito difícil quando a gente pega um caso que traz para a nossa realidade.
05:31Não é uma pessoa que eu fiquei sabendo.
05:34É uma pessoa que, em alguns momentos, a gente teve convivência pela própria questão da militância, do direito da mulher.
05:41E o pouco que eu conheci, eu já tive esse sentimento.
05:46Então, é muito difícil pensar em como que a família, como que amigos, colegas estão se imaginando nesse momento.
05:52E não tem como não se sentir...
05:57Acho que toda mulher hoje, capixaba, está se sentindo solitária.
06:01Está se sentindo cansada.
06:04Está acabando com a nossa mente também.
06:07Não está acabando só com a nossa vida, enquanto tirar a vida física da gente.
06:11Mas está acabando com o nosso espírito.
06:13Então, a gente precisa fazer alguma coisa.
06:15A gente precisa continuar falando, continuar combatendo.
06:18Porque foi o que a doutora falou também nos bastidores, né, doutora?
06:21Talvez não seja uma luta que a gente vai acabar hoje, em 2026, e não vai ter mais feminicídio.
06:27Mas, enquanto mais a gente falar, a gente educar, que há diferença sim, mas que a gente tem que trazer
06:34o amor, o respeito.
06:35As futuras gerações talvez possam ter mais respeito pela mulher.
06:39Sim, para mim está muito claro que a gente está buscando uma mudança para as futuras gerações.
06:46Assim como no sufragio, mulheres lutaram por nós, assim como na Constituição Federal, também tivemos mulheres lutando pelos nossos direitos,
06:56nós precisamos lutar pelos direitos das próximas gerações.
07:00Isso aí, não vamos desencarna já.
07:02Se você conhece uma mulher também, né, que é vítima de uma violência doméstica, tem que denunciar, tem que criar
07:08coragem.
07:09Existem ferramentas, né, de proteção para que seja dado um basta.
07:14As ferramentas funcionam, elas existem e elas funcionam.
07:18A gente só precisa, de fato, buscar que elas sejam mais efetivas, a aplicabilidade delas.
07:25E eu tenho certeza que esse caso vai servir para que a gente busque melhorar.
07:30Perfeito, doutora. Muito obrigada pela sua participação aqui no TN2.
07:34E aí
07:36E aí
07:37E aí
07:38Tchau.
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