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  • há 15 horas

Categoria

😹
Diversão
Transcrição
00:05Você está muito ocupado?
00:08Eu só separando essas roupas aqui, por quê?
00:10Você sai um pouco comigo?
00:13Pra onde?
00:14O Maurício disse que acertou aquele emprego que o doutor Montenegro arrumou pra ele.
00:20Mas eu não sei não.
00:23O Maurício odiou esse emprego.
00:26Saiu daqui dizendo que ia pra lá.
00:28Eu só quero ter certeza de que ele foi mesmo pra imobiliária.
00:34Você não confia nem um pouco no seu marido, não é?
00:36Depende.
00:38Mas não é mulher que me preocupa não, Ana Cláudia.
00:41É o trabalho. O Maurício odeia trabalhar.
00:44Eu quero ter certeza de que ele acertou mesmo esse emprego.
00:47Vamos comigo, vai.
00:49Eu invento uma desculpa qualquer.
00:51Olha, ele não vai gostar, hein?
00:54Isso não me interessa.
00:57Vai comigo.
00:58É muito chato aparecer lá sozinha.
01:02Tá bom.
01:03Eu vou com você.
01:05Tá aqui, Teresa.
01:07Tá, muito bem.
01:07Obrigada.
01:16Então, foi tudo bem?
01:18Foi. Até que pra primeiro dia foi tudo calmo.
01:20Eu fui com um colega naquele empreendimento da rua Carneiro, sabe?
01:23Mas olha, eu não sei não.
01:25Não, você acostuma. Não é tão difícil assim, não.
01:27Não, sabe o que que é?
01:28As pessoas se arrepiam quando vêem o tamanho dos cômodos, ô Silvana.
01:32Hoje em dia é tudo minúsculo.
01:33É verdade. Eles aproveitam cada centímetro.
01:37O...
01:38O chefe tá aí?
01:39Não.
01:40Saiu e não voltou.
01:42Ah, bom.
01:43Então eu falo com ele amanhã. Tudo bem.
01:45Tá. Você não quer um cafezinho?
01:46Não, obrigado.
01:47Chega.
01:47Eu já tomei quatro cafés hoje.
01:50Mas se eu tivesse que ficar atrás dessa mesa como você, eu não sei se eu ia aguentar.
01:55Por que não?
01:57É muito monótono, vai. Você não acha?
01:59Eu acho que tudo na vida é uma questão de hábito.
02:02Eu já acostumei.
02:06E nos dias de folga, o que que você faz?
02:09Eu vou à casa dos meus pais, vou ao cinema, ao teatro, essas coisas.
02:13Vai ao cinema, ao teatro com o seu namorado?
02:17É.
02:19E você? Costuma fazer essas coisas com a sua mulher?
02:24Mais ou menos.
02:26Eu prefiro as boates.
02:27Ah, tá aí uma coisa que eu não sei o que é há muito tempo.
02:32Ah, é mesmo, né?
02:34É, mas eu confesso que eu prefiro um bom filme.
02:37É, mas também tá difícil hoje em dia.
02:40É.
02:40Agora, Maurício, você vai me desculpar, mas eu vou voltar a trabalhar, tá?
02:48É, desculpe, Silvana.
02:50Bom, eu já terminei por hoje.
02:51Até amanhã, então, hein?
02:52Até amanhã, Maurício.
02:53Tchau.
02:54Tchau.
02:59As duas não devem demorar.
03:03Eu organizei a mudança pra daqui a dois dias, a senhora acha que dá?
03:06Bom, vamos ver o que que a Rafaela decide, porque tem o problema dos móveis, né?
03:11O senhor sabe que nem todos cabem.
03:14E é uma pena, porque ela tem coisas tão lindas aqui.
03:17É, nem me fale, dona Francine.
03:19Mas não se preocupe, trataremos de vender tudo o que não couber na nova casa.
03:26Mais da metade.
03:27É.
03:28É uma pena, realmente.
03:35Doutor Montenegro, o senhor acredita que o Herbert se matou?
03:43Como?
03:44Acredita que o Herbert se matou?
03:49Pelo amor de Deus, que pergunta, dona Francine.
03:53Ficou tudo praticamente provado.
03:55O que ficou provado?
03:57Pelo amor de Deus, dona Francine.
03:59Os pedaços da roupa, o relógio, pedaços da pasta, enfim.
04:04Objetos de uso pessoal do Herbert que foram, enfim, reconhecidos, não só por dona Rafaela,
04:11mas por mim também.
04:14Por quê?
04:17O que passou na sua cabeça?
04:19Nada que se possa constatar.
04:22Mas eu conheci muito bem o Herbert, desde que ele começou a namorar a Rafaela.
04:28Depois eu acompanhei a sua vida de perto, porque sempre morei com eles.
04:32Aliás, o senhor também conviveu com o Herbert.
04:35E eu não sei se concorda com a minha opinião, mas eu sempre achei o Herbert, em todas as atitudes,
04:41muito maquiavélico.
04:44Maquiavélico?
04:45E cerebral.
04:46Muito cerebral.
04:48É natural, dona Francine.
04:50Ele era apenas um.
04:51Um homem de negócios.
04:52Que não perdia nunca.
04:54O senhor acha realmente que ele aceitaria uma derrota com suicídio?
04:59Olha, dona Francine...
05:02Convenhamos, o doutor Herbert era um homem muito digno.
05:06Jamais aceitaria a execração pública de forma nenhuma.
05:10Convenhamos.
05:11É, a senhora tem razão.
05:14Desculpe, dona Francine, mas é que eu me considero uma raposa velha.
05:20E eu ainda não consegui digerir esse suicídio do Herbert.
05:26O que imagina então a senhora que aconteceu?
05:30Eu não sei.
05:32Eu não sei ainda.
05:34Mas se houve alguma tramóia, eu garanto ao senhor que eu vou descobrir.
05:45Mãe?
05:48Mãe?
05:48Hã?
05:49O que está acontecendo?
05:50Está acontecendo...
05:52Nada, filha.
05:53Por quê?
05:54Nunca vi você tão nervosa como hoje.
05:57Nervosa eu?
05:58Olha, mas que besteira.
06:00A impressão tua, imagina.
06:02Não, não é não.
06:03Você me botou para fora do quarto.
06:05Ah, eu botei...
06:06Ah, eu botei porque eu estava conversando com a Mercedes.
06:09Uma particular, é coisa dela, né, filha?
06:12Que coisa?
06:13É que ela está gostando do Baltazar.
06:16É mesmo?
06:18É.
06:18Eu estava exatamente conversando com ela, sabe?
06:21Estava querendo convencer a Mercedes.
06:23Diz que eu não tenho nada a ver com o seu Baltazar.
06:26O seu, o teu ou a dela?
06:28Ah, Vânia, vai.
06:30Vai dar banho na Marcinha, vai.
06:32Cadê ela?
06:33Está lá no quarto.
06:35Hoje é dia de sair uma água preta daquelas.
06:39Vânia!
06:40Vânia, vem cá.
06:41Você se lembra?
06:43Lembra daquele dia que o Amadeu esteve aqui?
06:47Que estava conversando com o teu avô?
06:49Que dia?
06:49Faz um tempinho já, ele estava...
06:52Ele...
06:52Ele disse que trabalhou numa...
06:54Como é que chama?
06:55Uma...
06:56Corretora, não é isso?
06:58É, ele que falou alguma coisa sobre isso.
07:00Não lembro, não.
07:02Você não acha que o Amadeu é o homem mais culto aqui do bairro?
07:06É, e o mais simpático.
07:08Está aí.
07:09Você devia dar bola para ele, não para o Baltazar.
07:12Ah, Vânia, não é nada disso.
07:14Vai dar banho na Marcinha, vai.
07:16E mãe, você anda tão esquisita.
07:19Que coisa.
07:26Ai, preciso confiar em alguém, mas...
07:29Mas em quem, meu Deus?
07:32Em quem?
07:37E aí, xará, tá bom?
07:39Ô, minhoca, me vê um copo de leite gelado, moro?
07:43E aí, Lourival, como é que é?
07:45Tá bom?
07:46Leite.
07:46Você está bebendo leite?
07:47Cara, é a única coisa que me mata a sede.
07:49O que vamos fazer?
07:50Mas nós estamos na hora do aperitivo.
07:51É, mas eu não me ligo muito nesse negócio aí, não.
07:54Como é que vão as coisas?
07:56É, vão levando.
07:57E você?
07:58Tá.
07:59Aquela vidinha de aposentado, sabe como é que é?
08:01Sento no banco da praça, tomo sol, leio os jornais, jogo do minó.
08:05Dependendo da faixa de idade, a vida é a minha, irmão.
08:07Valeu, mioca.
08:08A sua, não é?
08:09Não, sabe por quê, Lourival?
08:10Porque eu rompi com isso, eu não tenho patrão.
08:12Portanto, não tenho rotina.
08:13É.
08:14E dá certo?
08:15Pra quem não tem responsabilidade nenhuma, dá, né?
08:18É, isso é verdade.
08:19Você é solteirão, não é?
08:20Graças a Deus.
08:49Graças a Deus.
08:50E você entende disso?
08:52Não.
08:52Mas eu vou aprender.
08:54Ah, vou.
08:55Dizem que dá uma grana preta, rapaz.
08:57Me diz uma coisa, e teu velho, como é que vai?
08:59O velho já tá chegando por aí.
09:01Aliás, eu acho que vocês deviam andar mais juntos, ficar junto mais tempo.
09:03Afinal de contas, são dois aposentados, não é?
09:05Ah, você sabe como é que é seu pai.
09:07Ele é mais ligado na turma do Baltazar, do Amadeu, né?
09:10Diz uma coisa, sinceramente, você acredita que esse país aqui ainda tem conserto?
09:19Marcou o sofá estampadinho?
09:22Marquei, sim.
09:23Marquei o sofá, as duas poltronas, marquei a mesa, quadro, objetos de arte, está tudo aqui.
09:29Ai, quanta coisa, não é?
09:33É, é uma pena.
09:36O senhor acha que vai conseguir vender tudo isso?
09:38Ah, claro que sim, dona Rafaela.
09:40Sempre demora um tempo, mas consegue vender tudo.
09:43Agora a senhora sabe, nós vamos obter um bom preço.
09:46Nunca se consegue vender as coisas pelo valor real.
09:49Paciência.
09:52Ai, doutor Montenegro.
09:56Não sei o que fazer da minha vida.
09:59Difícil, né?
10:00Ah, muito difícil.
10:02Eu me sinto assim no deserto, sabe?
10:05As direções são todas muito truncadas, complicadas, mas a gente tem que optar por uma, não é?
10:13Ah, dona Rafaela, eu sinto tanto pela senhora.
10:19Sabe que, ontem à noite, com o meu travesseiro, eu dizia assim pra mim, Montenegro, você está sendo um inútil,
10:32não sabe como ajudar aquela dama.
10:35Mas o que é isso, doutor Montenegro?
10:38Pelo amor de Deus, não digo uma coisa dessas.
10:42O senhor tem sido um santo pra nós, um homem tão bom.
10:47E sem a menor obrigação, tem nos ajudado tanto, meu Deus.
10:52Arrumou um emprego pro Maurício, vai arrumar pro TED.
10:55Nossa, nessa desgraça toda que se abateu sobre nós, o senhor foi a melhor coisa que nos aconteceu.
11:02Não, doutor Montenegro, eu não sei o que teria sido de nós sem a sua ajuda.
11:09O que é isso, dona Rafaela?
11:12Eu queria poder ajudar mais, cada vez mais.
11:16É que o senhor é um homem muito bom, muito bom, de enorme coração.
11:22Ainda outro dia eu estava pensando na sua real vocação.
11:27É engraçado como o mundo muda o futuro real das pessoas, o futuro real, eu quero dizer,
11:33porque eu imagino que um homem como o senhor, com o seu temperamento, com o seu senso de justiça,
11:41um homem como o senhor deveria ser um missionário, um jesuíta.
11:49Dona Rafaela, o que é isso?
11:52É verdade, nunca pensou nisso?
11:57Sabe, dona Rafaela, pra ser sincero, eu já fui seminarista.
12:06Viu? Viu como eu acertei?
12:10Mas não deu certo.
12:12Por quê?
12:13Não deu certo porque o meu pai, ele precisava de um escudo no direito pra ajudar nos seus negócios.
12:22E eu tive que estudar direito.
12:23E foi até bom, porque eu consegui, certa vez, livrá-lo da cadeia.
12:31Interessante.
12:32Sim, mas a sua real vocação, com certeza, era o quê?
12:36A batina.
12:37A batina.
12:37Jim, a batina.
12:39A missão.
12:40O prazer de fazer bem aos seus semelhantes.
12:44Ah, tá bom.
12:48Eu fico muito agradecida, doutor Montenegro.
12:55Por favor, Ana Cláudia, fala você.
12:58Eu estou um pouco nervosa.
12:59Pensa de bobagem, você só vai perguntar por ele.
13:01Mas eu tenho medo de me enroscar toda.
13:04Tá bom, eu falo.
13:06Deixa comigo.
13:13Pois não?
13:15Eu queria uma informação.
13:17É possível?
13:18Pois não.
13:19As suas ordens.
13:22Vai, vai, vai, vai.
13:31Pois não.
13:33Deixa comigo.
13:37Tchau.
13:37Até mais.