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As consequências das mudanças climáticas somadas ao crédito mais caro têm colocado em xeque a sustentabilidade financeira de produtores rurais em todo o Brasil. Nesta reportagem especial, a equipe foi ao Rio Grande do Sul para mostrar de perto a realidade de agricultores que enfrentam perdas consecutivas de safra, endividamento crescente e dificuldades para acessar financiamento. Após as enchentes de 2024, a pergunta que fica é: quem paga a conta da crise no campo? A matéria traz relatos, análises e reflexões sobre os desafios econômicos do agro gaúcho diante de um cenário cada vez mais incerto.
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NotíciasTranscrição
00:00A combinação de perdas de safra consecutivas, crédito mais restrito e juros altos
00:07tem prejudicado produtores do país inteiro.
00:10Então nós decidimos ir até o Rio Grande do Sul,
00:14estado que vive desafios climáticos que culminam em produtores endividados
00:19e, é claro, quem paga as dívidas do agro gaúcho.
00:22É isso que a gente precisa saber, sobretudo depois das enchentes de 2024.
00:27E é sobre isso que a gente te chama para refletir na reportagem especial que vocês assistem agora.
00:34Para quem trabalha na indústria a céu aberto, as variáveis de clima, câmbio e juros,
00:40que já eram difíceis de equilibrar, têm ficado cada vez mais complexas.
00:44O agronegócio brasileiro passa por uma sofisticação nas operações financeiras,
00:49ao mesmo tempo que prever os volumes de chuva se torna gradativamente mais incerto.
00:54Entre secas, geadas e enchentes, quebras de safra recorrentes têm acontecido no campo
01:00e refletem no mercado financeiro.
01:03No Rio Grande do Sul, as enchentes trágicas de 2024 mostraram exatamente este cenário.
01:09Entre anos preocupantes de estiagem, um volume de chuva exacerbado nunca visto na história do estado.
01:17Como resultado, o aumento nas solicitações de recuperação judicial.
01:21De acordo com dados do Serasa Experian, 159 pedidos foram registrados no estado em 2025.
01:29Também a plataforma Monitor RGF aponta que os pedidos de RJ cresceram 163% no estado gaúcho de 2024 a
01:402025.
01:41A realidade dos números é cruel no campo e tem dificultado a sustentabilidade da atividade,
01:47conforme aponta Arlei Romero, presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais, a Aper.
01:54O produtor é uma pessoa de boa fé em estado de perigo.
01:57Por que ele é uma pessoa de boa fé?
01:59Porque ele acredita no que as pessoas estão dizendo para ele.
02:03E por que ele está em estado de perigo?
02:05Porque ele precisa plantar, ele precisa colher.
02:08E daí ele ouve, ele chega lá, eu preciso prorrogar.
02:10Não tem como prorrogar.
02:11Ah, o MCR não, se tu pegar o MCR tu não tem mais crédito aqui, não existe MCR, não sei
02:15o quê.
02:16Mas nós podemos fazer uma CCB, uma Sela de Crédito Bancária, ou uma CPR.
02:21Podemos conceder uma CPR.
02:23Quer dizer, qual é a justificativa, qual é a lógica do produtor não conseguir acessar um crédito com juros mais
02:29baixo,
02:30que o risco de não pagamento é menor,
02:32e conceder para ele um crédito cuja taxa de juros é maior e o risco de não pagamento também é
02:38maior.
02:39Então não tem lógica isso.
02:40Daí é nisso aí que entra essa bola de neve de juros impagáveis, contratos impagáveis,
02:47que o produtor está na situação que se encontra.
02:49Pecuaristas de pequeno porte e agricultores familiares são ainda mais sensíveis aos prejuízos do clima,
02:55pois os recursos financeiros e a área plantada tendem a ser mais limitados.
03:00O secretário de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Gustavo Paim,
03:04lembra que o Estado passou por quatro estiagens e uma enchente em seis anos.
03:09Portanto, o apoio para recuperar o solo é fundamental.
03:13Paralelo a isso, nós estamos trabalhando em duas frentes também muito importantes,
03:17que é dar maior qualidade ao nosso solo.
03:21Então aqui na Secretaria de Desenvolvimento Rural a gente trabalha muito com o Terraforte,
03:24e o Terraforte, então, permite que a gente tenha 15 mil propriedades de agricultores familiares,
03:31em que se faça uma análise da qualidade do solo,
03:34para que a gente tenha recursos do Estado,
03:37para que eles possam colocar os minerais, os nutrientes, o calcário necessário para corrigir o solo,
03:43tudo isso acompanhado por técnicos da EMATER, uma assessoria, uma assistência técnica importante.
03:49No pós-enchentes, a Banrisul concedeu R$ 880 milhões a produtores em apenas 48 horas.
03:57O valor é pequeno em comparação à fila de solicitações de crédito que o Banco Gaúcho registra.
04:03Robson Santos, superintendente de agronegócios da Banrisul,
04:07falou a respeito durante a Expo Direto Cotrijal,
04:11feira agrícola realizada em passo fundo no mês de março.
04:14Preventivamente, na conversa com os clientes,
04:18falando de planejamento financeiro, se eles teriam receita adequada para pagar suas operações,
04:24se precisariam de alguma solução de renegociação, de alongamento de prazos.
04:30Então, era um cenário conhecido para a gente.
04:32No final do ano, quando vem essa linha,
04:35mesmo com uma complexidade operacional muito grande a ser executada,
04:40nós conseguimos inovar, criamos uma esteira nova,
04:43superamos o aspecto burocrático da linha.
04:45O nosso time conhecia bem os produtores que se enquadravam e que precisavam do recurso.
04:50Em dois dias, a gente processou 2 mil operações que foram reservadas.
04:56Por que reservadas?
04:57Porque é uma linha operada via BNDES, para todo o sistema financeiro.
05:02Então, para você utilizar e alocar o crédito no produtor,
05:05o primeiro passo é a reserva do recurso, lá no BNDES, com o CPF dele.
05:10E a gente fez essas reservas em 48 horas para 2 mil operações,
05:18que somadas totalizaram esses 880 milhões.
05:49Segundo dados da Federação do Estado do Rio Grande do Sul,
05:51analisa o contexto.
05:53Nós estamos com a maior inadimplência da história do órgão.
05:56Desde que se mede, pelo menos.
05:58E isso é grave.
06:00E isso retroalimenta o problema.
06:03Porque eu já estou com restrição de crédito.
06:05E a inadimplência desses caras sobem, aí mesmo que eu recuo.
06:09Então, nós tivemos uma combinação de fatores.
06:12Primeiro, nós tivemos um problema fiscal,
06:16que gerou aumento da dívida pública,
06:19que aumentou os juros do dinheiro que o governo paga para gerar sua dívida,
06:23que gerou aumento de Selic, por conta de inflação.
06:29Soma-se a isso os nossos problemas climáticos.
06:32E teve um terceiro problema que é muito pouco falado.
06:35A Resolução Conselho Monetário Nacional 4966.
06:40Essa resolução mudou a forma de você analisar o risco de um produtor.
06:46Aliás, um risco de um produtor não.
06:47De uma operação de crédito no Brasil, inclusive de um produtor.
06:50Antes, eu classificava as operações em A, B, C, D, E até H.
06:56Agora, isso mudou.
06:57E ficou uma regra muito mais dura de profissionamento.
07:01Isso aconteceu por conta de acordos internacionais,
07:04dos quais o Brasil é signatário e está certo em ser.
07:07Baselé 3, regra de Baselé.
07:10Só que essa resolução é de 2023.
07:14Mas ela entra em vigor em 2025.
07:17Ou seja, o cara que pegava 500 mil reais,
07:22pela nova regra, só consegue pegar 300.
07:24Porque ele vai ter que dar garantias que antes não eram necessárias.
07:29Só que o cara estava contando com os 500 mil para manter o giro do negócio.
07:35Então, ela também gerou parte dessa crise que nós estamos vivendo.
07:40E, de novo, nada contra a resolução.
07:43A resolução está correta.
07:44Ela deu dois anos para as instituições financeiras se adaptarem.
07:49Mas o que as instituições fizeram?
07:51Fizeram, deixaram para a última hora.
07:53Algumas, não são todas.
07:54Deixaram para a última hora.
07:55E aí, nós temos todo esse problema adicional.
07:59Todo o cenário conturbado no Rio Grande do Sul
08:02expôs uma discussão mais profunda.
08:04A estrutura do crédito rural no Brasil.
08:07O economista-chefe da Farsul ressalta que o setor do agronegócio
08:11ficou muito maior que os recursos públicos podem suportar.
08:15Por isso, o crédito com recursos livres, sem subsídio,
08:18se apequenou diante de ferramentas como letras de crédito do agronegócio
08:23e cédulas do produtor rural, as famosas LCAs e CPRs.
08:27O plano safra, até os anos, inícios dos anos 90,
08:31era um 100% financiado com recurso público.
08:35Era o meu dinheiro, o seu dinheiro, o dinheiro de todos os telespectadores.
08:39Eles pagavam impostos e com esses impostos o governo emprestava o dinheiro do governo para o produtor.
08:46A partir do plano real, isso mudou.
08:49O produtor, o Estado deixa de ser o financiador
08:53e autoriza os bancos a captarem caderneta de poupança
08:58e uma parte dos depósitos compulsórios
09:01sobre os depósitos à vista, que todo mundo tem,
09:06uma parte pode ser direcionada para o crédito rural.
09:09Quando isso começou, lá em 95, era uma montanha de dinheiro.
09:13Era muito mais do que o agro precisava.
09:17Só que nós fomos crescendo, crescendo, crescendo
09:20e chegamos em 2010.
09:23E esse dinheiro começou a bater no telhado.
09:27A partir dali, se criou o crédito livre.
09:32Ou seja, os bancos podiam pegar outros dinheiros
09:35e emprestar para os produtores.
09:38Mas se é outro dinheiro que não tem como fonte poupança
09:41e nem depósito compulsório, que são fontes baratas,
09:44então o banco vai tomar dinheiro caro
09:47e vai ter que emprestar para o produtor mais caro ainda.
09:51Mas o produtor disse, eu pego, porque pior é eu não ter o dinheiro.
09:57Em 2010 começou, em 2012 tomou corpo,
10:01que é quando nós começamos a ver operações como LCA's acontecendo
10:05e outras operações bancárias para poder financiar o agro.
10:12Em 2026, esta parte livre,
10:16que até 2010 nem existia e que em 2010 passou a ser pequenininha,
10:22hoje ela é 75% de todo o dinheiro que o produtor pega
10:25dentro das instituições financeiras.
10:28Só que ele pega um monte de dinheiro fora das instituições financeiras,
10:33através de operações de CRAS, de fiagros e outras operações,
10:37de operações estruturadas de crédito,
10:39que hoje está na casa das centenas de bilhões de reais.
10:44Neste ponto, começam divergências sobre o manual do crédito rural.
10:48O instrumento foi elaborado em 1965,
10:52quando as safras e os modelos de financiamento eram outros.
10:55Arley Romero, presidente da Aper,
10:58defende que o manual de crédito rural não está sendo cumprido por parte dos bancos.
11:03No que se refere a crédito rural,
11:05a legislação já garantia o direito à prorrogação.
11:08Era só o produtor chegar na instituição financeira,
11:10encaminhar o seu laudo de perda,
11:12com um pedido formal de prorrogação
11:15e passando a sua nova condição de pagamento,
11:18tendo em vista o que aconteceu,
11:19e tem que ser concedida a prorrogação,
11:21com a mesma base inicial do contrato,
11:24taxa de juros e prazo de pagamento.
11:26Isso não é observado, isso não é concretizado.
11:30Então, é isso que a gente entende que causa grande parte do endividamento do setor produtivo,
11:37não só do Rio Grande do Sul, isso a nível Brasil.
11:39A política pública de crédito rural não é imposta a nenhuma instituição.
11:43Eles se credenciam para conceder o crédito rural.
11:46Então, se eles se credenciam, tem uma legislação,
11:49tem um regramento e, a partir daquele momento,
11:52eles se colocam como um operador do governo
11:55para levar a política pública,
11:57para conceder o crédito público para o produtor rural.
12:01Porque, na verdade, muitas pessoas acham assim,
12:03isso é um favor, subsídio é favor para o produtor rural.
12:06Não, isso é um favor para a sociedade,
12:10não é para o produtor rural.
12:11Isso é para todo brasileiro, é para a nação,
12:13a segurança alimentar.
12:14Por isso que está lá esculpido na Constituição Federal,
12:18que é uma obrigação do Estado dar essa atenção.
12:21Na perspectiva da associação,
12:23o descumprimento do manual deveria ser tema de investigação pelo Ministério Público.
12:28O banco tem que cumprir uma norma do Banco Central.
12:32Sim, mas a primeira norma que ele tem que cumprir é a política pública.
12:37Essa ele não pode deixar de cumprir,
12:39ele não pode pensar,
12:40ah, eu tenho uma limitação de 8% da carteira agrícola para prorrogar.
12:43Tudo bem, a gente sabe que tem isso,
12:45só que primeiro, como diz a Súmula 298 do STJ,
12:50é um direito do produtor à prorrogação,
12:52não é uma faculdade da instituição,
12:54ou seja, ela não pode decidir se vai conceder ou não.
12:57Se o produtor comprovou que teve a frustração
12:59ou teve dificuldade de comercialização,
13:02eles têm que conceder.
13:03Se por acaso tem alguma falha,
13:05é entre esses dois elos aí.
13:08Instituição financeira e governo.
13:10Aí eles têm que se entender.
13:12Agora eles não podem transferir essa dificuldade,
13:16esse problema para aquele que é hipossuficiente,
13:19produtor rural.
13:21Ele tem que ter concedido o direito e assegurado o direito dele.
13:24E é isso que não ocorre.
13:25O regulador tem que fiscalizar,
13:28ele tem uma obrigação constitucional também
13:31de fiscalizar o emprego,
13:33a aplicação do recurso público.
13:35E aí quem é o responsável por isso?
13:37Nesse momento é o Banco Central.
13:39O Ministério Público Federal,
13:41que parece que está com os olhos vendados para isso.
13:45Vendados, porque não é possível.
13:47Eu te falei que te dei um exemplo do endividamento.
13:51É recurso público.
13:53Isso é uma obrigação constitucional do Ministério Público.
13:55E ele tem que fiscalizar o cumprimento da lei,
13:57principalmente se envolve horário público.
13:59O que está faltando,
14:01o que mais precisa para ele tomar uma medida?
14:04Na avaliação de Antônio Luiz da Farsu,
14:07o manual foi feito para atender os recursos subsidiados.
14:10Quando se trata de juros livres,
14:12o mercado se autorregula
14:14e os produtores precisam amadurecer esta visão.
14:17Eu não tenho como ter um sistema de crédito
14:21todo redondinho, bonitinho,
14:23que o governo garante tudo,
14:24garante isso, garante isso,
14:25por uma coisa que ficou gigante.
14:29O agrofatura,
14:31toda a receita do governo,
14:33ao longo do ano inteiro,
14:34são 2 trilhões e 600.
14:36Isso é o que o governo arrecada,
14:37inteirinho.
14:39A maior parte de dinheiro é para pagar aposentados,
14:41juros da dívida,
14:42e aí só então começa a fazer as coisas de governo.
14:46O agrofatura é um tri e meio.
14:48Com o tamanho que nós ficamos,
14:50não dá para ficar naquele sistema.
14:52O manual do crédito rural,
14:53ele é um instrumento que tem um determinado peso.
14:57Agora, quando eu tinha 80% do recurso
15:01emprestado para o produtor rural
15:02com recursos controlados,
15:05o manual do crédito rural funcionava de um jeito.
15:08Agora, se eu tenho 75% do crédito livre,
15:13o efeito do manual do crédito rural,
15:16ele é muito mais restrito.
15:19Ele é muito mais restrito.
15:21Entre as averiguações feitas pelo Tribunal de Contas da União
15:24sobre a condução do manual de crédito rural,
15:27constam investigações em bancos públicos e privados.
15:31Roberto França,
15:32diretor de agronegócios do Banco Bradesco,
15:35afirma que as regras colocadas pelo Banco Central
15:37seguem sendo cumpridas.
15:39A ação que foi feita recente foi a Resolução 1314,
15:44que criou regras para enquadramento e alongamento das operações de produtores
15:49que estavam em áreas que teve dois eventos climáticos nos últimos cinco anos.
15:55Então, que teve uma boa quebra de safra,
15:58ele ficou prejudicado com a colheita, com a produção dele, com o preço,
16:02enfim, então, ele ficou prejudicado financeiramente por estes eventos climáticos.
16:06A regra de enquadramento, na verdade, quem colocou foi a Resolução do Banco Central
16:13aprovado lá no Conselho Monetário.
16:15Então, nós, Bradesco, não vou falar por outras instituições,
16:20a gente tentou operar dentro da regra que foi estabelecida,
16:24que era uma regra bastante criteriosa de enquadramento.
16:27Então, não quer dizer que os produtores estão reclamando
16:31porque eles não conseguiram...
16:33Porque, assim, eu só cumpro regra.
16:35Quando é Manual do Criado Rural, quando é Resolução do Banco Central,
16:38quando é Conselho Monetário Nacional,
16:40eu leio a regra e cumpro na íntegra.
16:42Ponto.
16:43Assim, se houve reclamações de produtor rural,
16:46é porque, na verdade, ele não estava dentro dos parâmetros,
16:50seja o período que ele ficou em área de emprego,
16:52se ele estava em áreas impactadas de verdade,
16:54e se ele teria condições ou não de pagar juros.
16:56Porque a regra me impôs a necessidade de recebimento de juros
17:00para poder enquadrá-lo para fazer o alongamento.
17:03Um produtor que está bastante prejudicado,
17:05muitas vezes, ele não tem o recurso para pagar os juros.
17:08Então, ele não conseguiu se enquadrar.
17:10Então, em si, eu falo pelo Bradesco,
17:14a gente cumpre muito do enquadramento pela regra na totalidade dela.
17:20Assim, eu só cumpri a regra.
17:22Embora haja divergência entre produtores, instituições financeiras
17:27e entidades da classe,
17:28todos buscam o mesmo objetivo,
17:31manter o produtor rural no campo.
17:33Por isso, surgem alternativas paralelas ao financiamento da safra,
17:37como o barter, praticado pelas indústrias de insumos.
17:41Marcelo Batistella, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil,
17:46conta a estratégia da companhia para manter o cliente no campo.
17:50Então, para você se financiar com o custo que está,
17:54com essa relação receita-custo com margem baixa,
17:57então, você tem um cenário realmente que precisa ser muito intencional
18:01em como lidar com tudo isso.
18:03E aí, você falar, generalizar no Brasil é muito difícil.
18:06Nós somos um país continental com diferentes sistemas produtivos
18:10e que têm características diferentes e estão em momentos diferentes.
18:14Então, você pega o centro-oeste do Brasil, que cresceu muito,
18:18mas que também está com um sistema produtivo muito bem adaptado,
18:21de safra, segunda safra, tanto com milho como com algodão,
18:25está num ciclo, mesmo com essa relação toda,
18:28um ciclo um pouco mais positivo.
18:30Você tem alguns lugares no Brasil que têm sofrendo mais
18:33com esses desafios climáticos.
18:36A região que nós estamos aqui hoje, Rio Grande do Sul,
18:38é uma região que está, nos últimos três, quatro safras,
18:41com bastante desafio.
18:42Então, você coloca ainda em cima disso
18:44uma redução de receita em detrimento de clima.
18:47Nós temos um conjunto de ferramentas que a gente disponibiliza para o mercado.
18:55Por um lado, para aumentar a disponibilidade de crédito,
18:58mas, ao mesmo tempo, gerindo o risco do agricultor, do nosso parceiro e o nosso.
19:03E, ao mesmo tempo, nós temos que gerar o custo desse capital como um todo.
19:07Então, hoje, na prática, a gente conhece bem o cenário.
19:11Conhecendo o cenário, a gente está tentando achar um bom balanço
19:14entre quais tipos de ferramenta e como a gente disponibiliza
19:18essas ferramentas para o agricultor.
19:21E, basicamente, hoje, a gente divide em dois grandes grupos.
19:24Um grupo que, particularmente, é o que a gente acredita
19:27que é o melhor para o nosso modelo no Brasil, que é de barter,
19:30porque é a moeda do agricultor.
19:32Então, o agricultor, quanto mais ele entender da paridade do negócio dele,
19:37do produto que ele produz para gerar e travar o custo de produção,
19:41e, ao mesmo tempo, é um bom mecanismo para gerar crédito,
19:45essa é uma modalidade que a gente trabalha há muitos anos
19:47e temos cada vez mais avançado e também incentivado o mercado,
19:52o agricultor, ir para essa direção.
19:54Porque, além de gerar crédito, também mitiga risco.
19:57Mitiga risco para o agricultor e para a cadeia toda.
19:59Mas não é suficiente.
20:01Nós também lançamos mão do que a gente chama de ferramentas financeiras,
20:04que são diferentes modelos onde a gente consegue,
20:09através de parcerias, na maioria das vezes,
20:12com instituições financeiras, com fintechs, com os bancos,
20:15que são nossos parceiros, a gente faz modelagens
20:17onde a gente disponibiliza ferramentas de crédito
20:21que também liberam crédito, mas, ao mesmo tempo,
20:24também mitiga risco e gere um pouco esse custo do capital.
20:28Outro consenso entre as fontes está na urgência
20:31em repensar a estrutura do seguro rural,
20:33exatamente para aliviar a demanda por crédito.
20:36Se grande parte dos prejuízos
20:38vem de condições climáticas adversas
20:41e isso leva o produtor a pedir mais crédito,
20:43a lógica precisa ser inversa.
20:46Gustavo Paim, secretário de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul,
20:50fala sobre os recursos públicos
20:52serem usados para prevenir e não remediar.
20:55Para isso, o governador Eduardo Leite
20:57tem dialogado com o Ministério da Agricultura
20:59para avançar na securitização a partir de recursos do fundo do pré-sal.
21:05Para que se pudesse levar adiante o projeto de securitização,
21:09em que já foi aprovado na Câmara dos Deputados,
21:12hoje está no Senado da República,
21:14então precisaríamos, ele teve conversa também com o presidente Davi Alcolumbre,
21:17para que o Senado leve isso à votação,
21:20para que a gente tenha uma aprovação
21:21e com isso a gente tenha recursos do Fundo Social do pré-sal,
21:25que são recursos que não impactam o primário federal,
21:27a gente sabe das dificuldades do governo federal
21:30com a questão do déficit primário,
21:31mas o fundo do pré-sal não impactaria isso,
21:34há recurso no Fundo Constitucional do pré-sal,
21:37ele é destinado para isso,
21:39para questões de resiliência climática também,
21:41e ali a gente conseguiria ter um juros subsidiado
21:43para o nosso agricultor,
21:45o agricultor pagaria, pagaria o custo do dinheiro,
21:48mas teria um juros subsidiado que permitiria
21:50esse investimento necessário
21:53para que ele tenha melhores condições
21:54de enfrentar o endividamento
21:56e de poder ter uma lavoura em condições.
21:59Propostas para reformular o seguro rural
22:01correm no Congresso Nacional a passos lentos
22:03em comparação com o avanço ligeiro das mudanças do clima.
22:07A mudança não virá da noite para o dia,
22:09mas o setor carece de um plano de Estado
22:12que seja realista com o gigante que o agro se tornou.
22:15Para continuar sendo relevante para o PIB do país,
22:19estruturas modernas de seguro e crédito
22:22precisam ser colocadas em prática
22:24antes que outras tragédias climáticas se somem no país.
22:27O pleito do setor busca ser apartidário,
22:31buscando a robustez de um plano de Estado
22:33e não de governo,
22:34defende o presidente da Aper.
22:37Tanto a enchente quanto a estiagem
22:39ela não escolhe partido,
22:41porque se o produtor ou a pessoa que foi afetada
22:43se é do partido A, B, C ou D.
22:45Pegou todo mundo para ele.
22:47Então a gente está brigando por uma questão de Estado,
22:50uma pauta de Estado
22:51e que venha uma solução de Estado.
22:56Legenda Adriana Zanotto