00:00E para que eu me mantenha a potência mundial, eu tenho que garantir no mínimo o quê?
00:06O meu predomínio regional.
00:08Se eu não tenho predomínio regional, como que eu vou ser potência mundial?
00:11E aí ele restaura pela doutrina Trump, a doutrina Monroe, América, para os americanos.
00:18E essa, eu chamaria de desmoralização das regras internacionais de comércio,
00:24começou a criar umas posições ou umas ações unilaterais de países,
00:31criando obstáculos, cotas, tarifas, ou fazendo, vamos dizer, um protecionismo escancarado.
00:42A virada para o século XXI fez com que o mundo mudasse.
00:46Não só o mundo, como os conflitos por sua dominação.
00:50Tarifas comerciais, controle de cadeias produtivas, disputas tecnológicas,
00:57influência diplomática e presença estratégica em regiões-chave
01:03tornaram-se os melhores instrumentos de ataque e defesa.
01:09No governo Trump agora, o que nós temos que perceber é o seguinte.
01:13Primeiro, a política de autoafirmação da hegemonia americana no continente americano
01:22vai continuar e se intensificar.
01:27esteja pelo quê?
01:29Por um big stick, como nós vimos, que eu não esperava isso.
01:35Mas aconteceu.
01:37O uso da força.
01:39Ou do quê?
01:40De relações de soft power.
01:43Então, eu estou falando aqui de uso de guerra de informação,
01:47de fake news.
01:49Vão ter eleições daqui a pouco aqui no continente sul-americano.
01:53Então, qual será a ação de Trump
01:57nessa política de primazia regional norte-americana na região?
02:02Quais serão os recursos?
02:03Quem serão os agentes?
02:06Eu não consigo ver ele parando.
02:08Isso chegou ao ponto que agora, em 2025,
02:12os Estados Unidos adotou uma posição extremamente agressiva e unilateral,
02:19impondo tarifas em relação a todo mundo,
02:22não de forma despropositada,
02:25porque os Estados Unidos enfrenta, de fato, um problema
02:27que é um grave e crônico desequilíbrio na balança comercial
02:32e também na questão fiscal.
02:35São dois déficits, fiscal e comercial,
02:37e que trazem sérias preocupações para a própria economia mundial,
02:44porque é de uma magnitude gigantesca
02:48e afeta todos os países do mundo,
02:51porque os Estados Unidos responde por quase um terço da economia mundial.
02:56E essas tarifas impostas pelos Estados Unidos
02:59abrem, portanto, de forma explícita,
03:02um novo ciclo, talvez, do comércio mundial,
03:05que eu acredito tenha começado,
03:08onde as negociações bilaterais
03:11passarão a ser a regra do jogo.
03:14Então, cada país tem que lidar com outro bloco,
03:18com outro país, de forma direta.
03:22Certo e errado, direita e esquerda,
03:26oriente e ocidente.
03:28A divisão entre dois opostos
03:30sempre deu o tom da dinâmica de poder
03:32na história do mundo e o cenário não é diferente no século XXI.
03:38Estados Unidos e China travam uma competição direta
03:42pelo protagonismo que vai muito além da economia
03:45e envolve tecnologia,
03:48influência política,
03:49segurança e narrativa.
03:51De um lado,
03:52a maior potência militar e financeira do planeta
03:55que busca preservar sua liderança
03:58e suas áreas de influência.
04:00Do outro,
04:01um país que, em poucas décadas,
04:04se tornou um ator central do sistema internacional.
04:07O resultado?
04:08Um cenário de tensão permanente,
04:11no qual alianças são redefinidas,
04:14instituições são pressionadas
04:16e países de médio e pequeno porte
04:19são levados a escolher seus lados.
04:23A China anunciou que vai restringir
04:25as importações de carne bovina
04:27de alguns países fornecedores.
04:29A medida será aplicada
04:30por meio de um sistema de cotas.
04:33Existe até muita gente que fala
04:35de um temor amarelo,
04:37um temor aos asiáticos,
04:39por causa de desfilecimento,
04:41não é afinal.
04:42Vamos pensar no seguinte,
04:45a humanidade,
04:46o Ocidente e o Oriente
04:48viveram durante muito tempo
04:50isolados um do outro.
04:52Vasco da Gama foi extremamente importante
04:54porque ele produziu ali
04:55a união do Ocidente com o Oriente.
04:59E isso foi relevante.
05:00Só que nós ainda temos
05:02algumas barreiras culturais,
05:04intelectuais, históricas,
05:06que nos impedem de conhecer
05:08aquilo que aconteceu no mundo.
05:09É só você olhar para a história,
05:13para os livros de história,
05:14e ver quantos capítulos
05:17são dedicados à Ásia
05:18e aquilo que aconteceu na Ásia.
05:20Então nós temos um muro
05:21de desconhecimento.
05:23O desconhecimento é que gera
05:26perspectivas equivocadas.
05:28É o desconhecimento que leva
05:31a ações equivocadas,
05:33justamente porque nós não conhecemos
05:35a outra parte.
05:36Então, o que se espera
05:39nesses próximos anos
05:40é que talvez a internet,
05:42talvez as mídias sociais,
05:44sirvam para integrar
05:46e dar a conhecer
05:47o mundo,
05:48um lado do mundo ao outro.
05:51A China é um fator
05:53de continuidade
05:54da política americana,
05:55um dos poucos fatores
05:56que a gente vê
05:57nesse século XXI
05:58que perpassa
05:59mesmo a administração Trump.
06:01Um dos poucos setores
06:03em que há algum consenso
06:04nos Estados Unidos
06:05é a ideia de que a China
06:07de alguma forma
06:07deve ser contida
06:08ou deve ser lidada
06:10como um adversário,
06:12um competidor
06:12dos Estados Unidos.
06:14Então, quanto a isso,
06:14é uma questão
06:16que está muito presente
06:17na política externa
06:18norte-americana hoje.
06:19O que é diferente
06:20é a forma de lidar
06:21com a China,
06:22como conter a China.
06:23Tem diversas
06:25ferramentas para isso.
06:26Então, por exemplo,
06:27a administração Obama
06:28e a administração Biden
06:30viam que uma forma
06:31de conter a China
06:31era os Estados Unidos
06:32fortalecendo
06:33as suas alianças,
06:34os Estados Unidos
06:35criando instituições
06:36internacionais.
06:37Então, Barack Obama,
06:38por exemplo,
06:38tentou e negociou
06:39por muitos anos
06:40um grande acordo comercial
06:42que envolvia
06:42uma série de países
06:43da Ásia
06:43e excluía a China.
06:45O Donald Trump,
06:46no seu primeiro dia
06:47de governo,
06:48no seu primeiro mandato,
06:49ele sai desse acordo.
06:50Obviamente,
06:51em competição com a China,
06:52a criação da Rota da Sida,
06:55a Rota da Sida
06:56norte-americana,
06:57o ocidental,
06:58a importância
06:59da aproximação
07:00da Arábia Saudita
07:01com o quê?
07:02Com o Israel
07:03e com o quê?
07:04Com os países do Golfo.
07:06Em prol do quê?
07:07Do interesse americano
07:08em competição com a China.
07:09Diga-se México,
07:11diga-se Cuba.
07:13Então, é uma situação
07:14muito perigosa
07:15e abre precedente
07:17para o discurso
07:19de reanexação
07:20de Taiwan
07:21por parte da China.
07:23Então,
07:24estamos aí
07:25em um ambiente
07:26de reformulação
07:28de uma ordem mundial
07:29que outrora
07:31estava vigente
07:33entre nós.
07:34Então,
07:35ele tem uma visão
07:35muito de agir
07:36sozinho,
07:37sem auxílio
07:38ou sem a necessidade
07:39de aliados.
07:40Então,
07:41ainda que haja
07:42uma ideia
07:43de que a China
07:44é, sim,
07:45algo que determina
07:46muito,
07:46hoje em dia,
07:47da política externa
07:47norte-americana,
07:48afinal de contas,
07:49por muito tempo
07:51os Estados Unidos
07:51não tinham
07:53um país
07:54que fosse um parceiro
07:56ou competidor
07:56ou o que seja,
07:58que fosse dessas dimensões,
08:00que ameaçasse
08:01a hegemonia
08:02norte-americana.
08:03Então,
08:04é claro que isso,
08:04de alguma forma,
08:05é um elemento importante
08:06da política externa,
08:07mas as formas
08:08de lidar
08:09com esta ameaça
08:11ou com esta
08:12presença
08:13deste país
08:13muito poderoso
08:15que está surgindo
08:16na Ásia
08:17são formas distintas.
08:19Em relação
08:20a essa disputa
08:21entre os Estados Unidos
08:22e a China,
08:22a gente vê que os Estados Unidos
08:24são uma potência hegemônica
08:26consolidada
08:26há muitas décadas.
08:27Os Estados Unidos,
08:28de fato,
08:28têm poder.
08:29Têm poder econômico,
08:31com a hegemonia do dólar,
08:32têm poder militar,
08:33com 800 bases
08:35espalhadas pelo mundo,
08:36têm poder diplomático,
08:38têm um poder político
08:39por um predomínio
08:40nas instituições internacionais
08:42e a China
08:42ainda é um país desafiante.
08:45A China é um país
08:45que está se destacando
08:46muito do ponto
08:47de vista econômico.
08:48A China,
08:49hoje,
08:49em mais ou menos
08:5030%
08:51da indústria global,
08:53ou seja,
08:5330% das mercadorias
08:55industrializadas
08:56do mundo.
08:57Infelizmente,
08:58nós temos um problema
08:59de desconhecimento
09:01da história.
09:02Durante 18 séculos,
09:04a China foi a maior potência
09:06informática do mundo.
09:09E isto,
09:11a deterioração
09:12da economia chinesa
09:13começa a se dar
09:15a partir do ano
09:16de 1820.
09:17E os Estados Unidos
09:18é um país
09:19que acende
09:21economicamente
09:22depois da Segunda Guerra
09:23Mundial
09:24e é um país
09:24relativamente
09:25novo.
09:26São 250 anos,
09:29um pouco mais
09:29de 250 anos
09:30desde a declaração
09:31de independência.
09:33Então,
09:33o que nós notamos
09:34nesse processo todo
09:35é que os Estados Unidos
09:36são aí
09:36uma potência
09:37de ter um crescimento,
09:39ter uma relevância
09:40global,
09:41mas no frigir
09:42dos ovos
09:43a China tem
09:43uma história
09:44mais longa
09:45como potência
09:46econômica global.
09:47uma característica
09:49que tem sido
09:50marcante
09:51ao longo
09:51da história
09:52chinesa
09:52e que é
09:53o fato
09:54de não ser
09:54uma potência
09:56que busque
09:57pregar
09:58e aprevoar
09:59os seus valores
10:00para o mundo
10:00ou uma potência
10:03missionária
10:03como os Estados Unidos
10:04são,
10:06mas que tem
10:07um interesse
10:07em ter
10:08uma relação
10:09comercial
10:10com todo o mundo
10:11de uma forma
10:12incrível,
10:12de maneira que
10:13possa vender
10:14os seus produtos,
10:15comprar aquilo
10:15que necessita
10:16e ser
10:17a grande
10:17fábrica
10:18global.
10:26Embora a China,
10:27por exemplo,
10:28tenha várias disputas
10:30geopolíticas
10:30com os seus vizinhos,
10:31como o de Atenã,
10:32as Filipinas,
10:33isso tem que falar
10:34no Japão,
10:35na Coreia do Sul,
10:36Taiwan, enfim,
10:37a China tem um padrão
10:38de atuação
10:38que é diferente
10:39do padrão
10:40dos Estados Unidos.
10:41A China busca
10:42algum tipo
10:43de rearranjo,
10:44algum tipo
10:44de acomodação
10:45com seus vizinhos
10:46de uma forma
10:47um tanto mais indireta.
10:49Então a gente
10:49não sabe exatamente
10:50como que vai se dar
10:52esse processo
10:53de criação
10:54dessas esferas
10:55de influência.
10:56Isso é um poder
10:56muito grande
10:57e esse montante
10:58está aumentando.
10:59Algumas pessoas falam
11:00que a China pode
11:01se tornar
11:01cerca de metade
11:03da indústria mundial
11:04nas próximas décadas,
11:05o que seria espantoso.
11:06E a China também
11:07tem um poder comercial
11:08significativo.
11:09A China é
11:09o principal parceiro comercial
11:11da maioria dos países
11:12do mundo.
11:13Entretanto,
11:14a China não tem
11:14o mesmo poder
11:15financeiro,
11:16o mesmo poder político,
11:17tem o mesmo
11:18poder militar.
11:19Embora a China
11:20esteja se modernizando
11:21muito em termos
11:22de forças armadas
11:23e a tendência
11:24é que venha
11:25ultrapassar os Estados Unidos
11:26nas próximas décadas,
11:28ainda assim,
11:28a China tem
11:29uma, duas bases
11:30militares
11:30ao redor do mundo
11:31e a China tem
11:32um outro padrão
11:33de atuação.
11:36No leste europeu,
11:37uma guerra
11:38recolocou a Rússia
11:39no centro do tabuleiro
11:41geopolítico
11:42e expôs,
11:43ao mesmo tempo,
11:44a extensão
11:45e os limites
11:46do seu poder global.
11:48Ao invadir a Ucrânia,
11:50Moscou deixou claro
11:51que está disposto
11:52a usar a força militar
11:54para preservar
11:55sua área de influência
11:57e impedir
11:58o avanço
11:59de alianças
12:00consideradas hostis
12:01às suas fronteiras.
12:03Um conflito
12:04que pressionou
12:05alianças tradicionais
12:06e acendeu
12:07a corrida armamentista,
12:09elevou os custos
12:11de energia
12:12e aprofundou
12:13a polarização
12:14entre blocos
12:15políticos
12:16e econômicos.
12:18A Rússia
12:19afirmatista
12:19e
12:19um
12:19e
12:19que é
12:19a
Comentários